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Saturday, April 9, 2016

Finalmente, pernas-modelo






A Victoria´s Secret atribuiu a Julianne Hough, estrela de Dancing with the Stars, o prémio "pernas mais sexy". 


Estas listas valem o que valem, mas em termos de imagem corporal ou "modelo de beleza" parece-me uma decisão acertada. 




Nem canivetes de cegonha, como era ditadura há uns anos atrás, nem uma excessiva democratização da mini-saia como se tem visto, a glorificar o pernão estilo bailarina da coxa grossa sem forma, atarracado, a mostrar celulites mal cobertas por um vestidinho de lycra.




As pernas da cantora country/dançarina de salão são esguias, torneadas, longas mas não estilo esparguete nem desengonçadas, tonificadas, levemente musculadas mas não fortes tipo Beyoncé, bronzeadas na medida certa, firmes, elegantes e femininas.




 Pernas de dançarina, mas não da tal bailarina roliça. 





As suas escolhas de styling para as mostrar nem sempre são as mais acertadas - vide os sapatos acima ou este calçonito - mas no que respeita à boa forma é uma excelente inspiração.


Já a cantora Ellie Goulding, que recebeu a indicação de lábios mais sexy, não a consigo achar bonita nem com molho de tomate (um "carão" muito masculino e peito mal operado, mas a beleza nem sempre é universal...) e é sabido que houve ali batota com umas injecções valentes

Mas já se sabe, vende-se muita celebridade como bonita quando na verdade nem é;terem acertado em alguns itens da lista já é um feito...

Bem vindos ao mundo do "não se pode dizer nada": sem bofetadas, nem discriminação, nem tiros de sal


Esta semana um ministro pediu a demissão em consequência de ter oferecido bofetadas - bofetadas salutares, ainda por cima-  no Facebook. E eu, a quem a pessoa em causa é completamente indiferente, que tenho um medo danado do socialismo, eu a quem a esquerdice faz mais alergia que os bichos dos pinheiros, acho isto o fim do mundo. Como diria o Carlos da Maia "nenhuma intenção de o ofender, toda de lhe arrancar as orelhas".  Toda contra vermelhices, toda a favor do direito de oferecer bofetadas quando bem o entendermos. Primeiro, porque - pondo de parte que um ministro deve ter uma certa elegância de discurso - as pessoas andam a levar as redes sociais demasiado a sério. Ora são todos Charlie, ora temos lei da rolha.


 Segundo, porque me arrelia a mariquice disto tudo: bons tempos em que homens ofereciam categóricos bofetões uns aos outros, quando não resolviam mesmo as suas contendas ao estaladão e à traulitada, apenas para logo a seguir irem para os copos como se nada fosse. Agora, à mera sugestão de uns abanões - ameaça, que de resto, pôs o país a rir - vai de se processarem uns aos outros, e ai que ofendido que eu estou, e "que vergonha, demito-me"...já não é a primeira vez

Se me oferecerem bofetões facebookianos eu tenho bom remédio: ou dou a outra face em modo desprezo nítido ou retribuo a gentileza, e caso arrumado.



Depois - acho que nunca se viu semana tão politicamente correcta -  o chefe do Estado-Maior do Exército demite-se à conta das declarações do subdirector do Colégio Militar sobre discriminação homossexual naquela instituição. O Tenente Coronel António Grilo limitou-se a ser sincero acerca de um certo tabu que se verifica entre os alunos, mas (e obviamente já se fala em lobby gay) entrou-se em modo oh filho, o que tu foste dizer e quem conta um conto, acrescenta um ponto. Reparem, as regras do colégio não discriminam  ninguém, como é de lei. Ninguém é expulso por ser homossexual. O que sucede é que num regime- chamemos-lhe assim - de caserna, os internos têm alguma dificuldade em lidar com esses afectos por parte de um "irmão de armas". E por muito que o Ministro da Defesa venha pedir explicações, dizer que a situação é inaceitável, por mais que o Bloco de Esquerda tenha entregue requerimentos a pedir outro tanto, são os jovens lá dentro que ditam a dinâmica. Uma coisa é o que a lei diz oficialmente, outra é toda a cultura de uma instituição antiga, que não se transforma com ofícios, papeladas e idealismos utópicos. E em última análise, uma coisa é um soldado adulto que, gay ou não, sabe colocar o profissionalismo e a confiança dos seus pares acima dos afectos ou desconfianças pessoais, outra são... miúdos.


O assunto da homossexualidade nas Forças Armadas tem sido muito discutido nos E.U.A., tal como a situação das mulheres, e tanto por lá ou no Reino Unido como cá, há muitas vozes a dizer o mesmo: está muito bem que todos sejam aceites. Se depois não souberem ser profissionais sérios e bons militares, estarão sujeitos às mesmas sanções de todos os outros. Porém, de modo a não comprometer a eficácia das Forças Armadas,são as pessoas que têm de se adaptar "à tropa" e não "a tropa" a adaptar-se às pessoas. Como diz este texto excelente de quem realmente sabe, "[nos E.U.A] quando se constatou que as mulheres não são capazes de lançar granadas comuns à distância desejável, para que não sejam atingidas pela explosão, a solução foi não deixar a tarefa só para homens, mas construir granadas mais leves (e menos letais). Quando se descobriu que mulheres a bordo de navios de guerra precisam de instalações não exigidas pelos homens, A Marinha dos Estados Unidos teve que “reconfigurar” as suas belonaves para proporcioná-las — apenas no USS Eisenhower, ao custo de US$ 1 milhão".


  
Basta olhar para a História para perceber que a vida privada de um soldado pode ser perfeitamente irrelevante para a sua performance: os próprios espartanos (embora não considerassem, como os atenienses, as relações entre homens uma forma mais elevada de amor e privilegiassem o casamento e as mulheres  - duas honras reservadas a "homens feitos") não viam nenhum problema relacionar-se entre si enquanto solteiros. Na guerra de Tróia, Aquiles armou confusão e recusou-se a lutar por causa do seu *suposto* amante Pátroclo...mas também fez outro tanto por causa da cativa Briseida. Guerreiro extraordinário, mas pouco capaz de separar as águas. Roxana, todos o sabemos, teve grandes quezílias de ciúmes com Alexandre, o Grande, por causa de Hefesto.


Voltando ao Colégio Militar, o que é preciso ver é que nenhum aluno é expulso. Poderá é não aguentar a pressão dos seus pares. Poderá ter de se esforçar o dobro ou o triplo para merecer a confiança e o respeito dos camaradas. Poderá ter de ser extra durão para compensar.  - c´est la vie. Mas se um futuro soldado não aguenta um pouco de pressão no colégio, talvez não seja mesmo talhado para soldado num cenário de combate. Nem toda a gente serve para o Exército: um diabético poderá não aguentar um treino de preparação para os Navy Seals (ou outro menos duro) em que é preciso catar bolotas e caçar para sobreviver durante uma semana. Uma alma melindrosa poderá não aguentar os "berros de incentivo" de um Sargento. And so on. You´re in the Army now. Quem não aguenta o calor, sai da cozinha.


 Mas nem só nas coisas sérias se vê esta febre do politicamente correcto a nível mundial. Lembram-se do Chico Bento, personagem campesina da Turma da Mônica? De todas as revistas de Maurício de Sousa, eram as minhas preferidas. Além das aventuras passadas no campo, com personagens do maravilhoso popular brasileiro como o Saci Pererê e a Mula Sem Cabeça, tinha algumas histórias que davam muito que pensar. E um dos momentos altos das estórias em quadradinhos era quando o Nhô Lau, vizinho muito cioso das suas goiabas, corria atrás do Chico, que roubava as ditas, para lhe dar tiros de sal. Ou como ele dizia, tiro di sar no bumbum. Mas vejam:




Pois pasmem, nas novas revistas os tiros de sal politicamente incorrectos foram abolidos. A arma desapareceu por decisão deliberada do estúdio - como podem ver pela imagem acima, retirada do site oficial. De resto, essa foi só uma das modificações assumidamente politicamente correctas nos "gibis" da "turminha" - modificações feitas para não dar "mau exemplo". E que obviamente, lhes tiram a graça toda.

 Bem vindos ao século do crime-pensar: não se pode oferecer bofetadas, nem dizer a verdade, nem defender a própria fruta com tiros de sal. Parece de doidos, não parece?






Friday, April 8, 2016

Espartanos: homens com H...mas vaidosos!




Num documentário sobre os espartanos no Canal de História, foi realçado um pormenor que sempre admirei neles, e que contrastava com a austeridade que colocavam em tudo o resto: os bravos guerreiros penteavam e enfeitavam os longos cabelos antes da batalha (além de entrarem a cantar, o que o fantástico 300 não mostrou porque destoava com o tom dramático do filme, com certeza). 

Aliás, trazer o cabelo longo era um privilégio dos homens feitos que já tinham dado provas de merecer fazer parte do exército mais exigente do seu tempo: os rapazes usavam a cabeça rapada, ou não fosse a infância e adolescência de um espartano uma longuíssima recruta. 



Pois bem, contava o programa que antes da batalha das Termópilas, um batedor persa que espiava os 300 soldados de elite - entre os quais o próprio Rei Leónidas - vendo-os nesses preparos (besuntando as madeixas com óleo perfumado, que seria uma versão antiga dos fixadores, entrançando-o, etc) foi a correr contar ao Imperador Xerxes que nada havia a temer: os espartanos gastavam o tempo a arrebicar-se como donzelas! Eram uns efeminados, uns verdadeiros mariquinhas. Claro que, como toda a gente sabe, os persas levaram uma tareia monumental que fez a vitória parecer uma derrota e lhes espatifou os planos. E até nos faz rir que chamassem mariquinhas e efeminados aos maiores machos alfa que a História já contemplou...


O que me levanta dois pontos: primeiro, um homem pode e deve cuidar-se, sem deixar por isso de parecer másculo. Segundo, alto lá- os espartanos podiam pentear-se, polir as armaduras, trabalhar o corpo, perfumar-se e o diabo a sete, mas pareciam sempre varonis. Músculo, ferro e muita destreza em batalha garantiam que não havia cá confusões. Creio que se os Reis de Esparta tivessem aprovado penteados à Justin Bieber e poses à "gangsta fofinho", por muito duro que o treino fosse a moral das tropas havia de enfraquecer, e os persas acabariam por ter mesmo razão. Tudo tem limites.


Thursday, April 7, 2016

Santa Teresinha dixit: antes carregar que arrastar


 "A cruz que se arrasta é mais pesada do que a cruz que se carrega".

 Santa Teresinha de Lisieux

   Santa Teresinha era uma alma perfeitíssima que se considerava a mais pequena de todas. O mesmo acontece com esta sua frase. A quem não compreende, a ideia popular que se tem de "carregar com a sua Cruz" parece uma atitude derrotista, que casa mal com a moldura mental "poderosa" que está agora na moda. No entanto, se meditarmos bem sobre isso, não só há um grande poder em deixar-se guiar, em seguir a corrente, no "seja feita a vontade do Céu" (ou do destino/da vida, para quem não acredita em céu) como carregar uma cruz em vez de a arrastar - ou de fugir dela- é um acto de extrema coragem

Não sei se já vos aconteceu, mas por vezes há questões que por mais voltas que se dê, por mais malabarismos que se faça, por muito que se reze, se proteste, se esperneie...parecem estar ali de pedra e cal. Não se consegue escapar delas. Nem contorná-las. Para quem é Católico, parece realmente uma cruz. Para quem acredita noutras coisas, soa a karma. E os adeptos de certas correntes da Psicologia 
chamar-lhe-iam um padrão ou coisa semelhante.

Quando é assim, as tentativas falhadas de dar a volta à questão provam que não há outro remédio senão enfrentá-la, encará-la de frente, respirar fundo e deitar mãos à obra, em modo "quanto mais depressa fizer a vontade ao Universo, mais depressa ele me deixa em paz". Para carregar a cruz é preciso fazer como o toureiro, que apenas volta as costas ao touro depois de saber que já o dominou. Tomar impulso, colocar o madeiro ao ombro com um "upa" e levá-la monte acima com a mesma boa vontade que se emprega no ginásio, quando um exercício é pesado ou doloroso. E passo a passo, há-de chegar-se a algum lado. Sempre há-de ser mais depressa do que arrastar-se com um espírito amargo de revolta, a levar chicotadas da vida para deixar de ser teimoso....

Se algo nos persegue, por algum motivo é: e fugir do "monstro" em vez de parar e perguntar-lhe o que quer de nós é receita certa para andar sempre a monte, arrastando o peso do mundo nos ombros...se um desafio se apresenta insistentemente, repetidamente, há um mistério a descobrir ou arestas a limar. É preciso passar o calvário para polir o diamante em bruto.

Como em tudo na vida, quanto mais dificuldades algo apresenta, mais rigoroso deve ser o treino para as vencer. Ou como vi há dias, numa citação siciliana que não podia ter menos a ver com a bondade de Santa Teresinha, "uma lâmina deve ser afiada onde menos corta".




Pauline Gower: aviatrix, escritora e esposa





Se no Imperatrix nunca se dedicou um post às valentes mulheres aviadoras (nomeadamente às que deram o seu contributo durante a II Guerra) é apenas porque os seus feitos me parecem tão extraordinários. Tivesse eu lá estado e preferia ser sniper como Roza Shanina ou uma informadora como Nancy Wake - cada qual é para o que nasce. Mas as histórias e protagonistas interessantes são mais que muitas, e deixam-me sempre a pensar de que "preconceito" se queixam as mulheres hoje, quando há 70 anos - e mais cedo - já faziam proezas pelos ares.

Porém, a vida de Pauline Gower é especial não só pelo seu lado de heroína, mas pelo comovente enredo da sua vida pessoal.

Filha de Sir Robert Gower, membro do Parlamento, e de Lady Gower, a família bem tentou que a audaciosa rapariga esquecesse a extravagância de voar e escolhesse um caminho mais conforme a sua condição de menina de família - debalde. Depois de terminar os seus estudos num colégio Católico, Pauline empenhou-se em obter o seu brevet de piloto - sendo uma das primeiras mulheres a quem os peritos ingleses o concederam.



Em 1931, com apenas 21 anos, estabeleceu um serviço de taxi aéreo em Kent. Paralelamente, escrevia para publicações femininas como o Girl´s Own Paper. Editou também um livro de poesia e um trabalho sobre as mulheres na aviação. Em 1938, integrou a Civil Air Guard, como Comissária de Defesa Civil.

Entretanto apaixonou-se por outro ás da aviação: o Comandante Bill Fahie. Mas a Segunda Guerra Mundial, que se aproximava como uma tempestade, veio toldar o idílio dos namorados: ambos foram destacados ao serviço da Pátria, ele como perito de radar, ela como responsável pela facção feminina da ATA- Air Transport Auxiliary, organização encarregada de, entre outras tarefas, servir de ambulância aérea e de transportar peças danificadas para reparação de uma fábrica para outra. 

E corajosamente o casal, unindo a audácia dos apaixonados à galhardia de soldados de Inglaterra, enfrentou os anos de pesadelo, de sustos constantes, de malabarismos para que as licenças de ambos coincidissem de modo a que pudessem passar alguns dias juntos. Finalmente, conseguiram casar em 1944. E um ano depois, com o fim do conflito, Bill e Pauline - que seria condecorada com a  Ordem do Império Britânico pela sua coragem - imaginavam para si uma versão mais pacata da sua existência até então: planeavam continuar a voar e criar uma família. 

Tudo parecia correr às mil maravilhas: a aviatrix descobriu, com grande alegria, que ia ser mãe. Mas o destino, que a preservara  nas situações mais arriscadas, foi cruel no momento em que  ela cumpria a elevada missão de simples mulher igual a todas as outras: Pauline não resistiu ao parto de dois rapazes gémeos, em 1947.

Em 1950 foi-lhe atribuído postumamente o Harmon Trophy - destinado aos melhores aviadores do mundo. Em 1995,o seu filho Michael publicou um livro sobre a vida de Pauline: Harvest of Memories.

Pauline cumpriu na perfeição a máxima "o lugar de uma mulher é onde ela quiser, no lar ou fora dele" - e se a Natureza não a tivesse traído, sabe-se lá que mais façanhas teria realizado.





Wednesday, April 6, 2016

Rainha Zenóbia: o cúmulo do jogo de cintura feminino




Zenóbia, que inspirou óperas a Handel e Giovanni Legrenzi, era filha e mulher de dois Reis da Arménia: o seu pai era Mitridates e teve por marido Radamisto, seu primo. Por volta do ano 53 da nossa era, o monarca seu marido viu-se obrigado ao exílio e Zenóbia, como boa esposa, seguiu-o. 

Porém, a viagem foi tão má, tão fatigante, que a pobre Rainha sentiu que não podia continuar. Implorou então a Radamisto que a matasse, pois não desejava atrasá-lo na fuga e preferia a morte a cair em cativeiro. Desesperado, Radamisto fez-lhe a vontade: apunhalou Zenóbia e atirou-a ao rio Araxes

Mas por uma dessas ironias do destino, a Rainha não só sobreviveu como foi salva pelo adversário que tanto temia: os servos do Rei Tiridates, que tomara o trono da Arménia, tiraram-na da água, trataram dela e conduziram-no ao seu senhor.



 Tiridates ficou tão encantado com Zenóbia que a tratou como convidada de honra: cumulou-a de gentilezas,  de presentes, de homenagens e não descansou até fazer dela a sua rainha. Ora, a História não nos conta o que foi feito de Radamisto nem o que terá levado Zenóbia, que parecia tão intransigente, a mudar de ideias, passando de temer cair nas mãos do inimigo a cair-lhe nos braços de boa vontade. Paixão à primeira vista, já que do ódio ao amor vai um passo? Gratidão? Luta pela sobrevivência? Ambição? Rancor contra o primeiro marido, no melhor modo feminino "eu disse para me matares mas era a ver se tu dizias que jamais serias capaz de tal, meu grande banana!" e consequente síndroma de Estocolmo para com o seu captor/salvador?

Nunca saberemos, mas com esta estranha reviravolta Zenóbia salvou a vida e saltou de uma alcova e de um Rei para outro, sem mudar realmente de trono...


Curiosamente,  a flexibilidade parece estar ligada às Zenóbias: outra Rainha do mesmo nome, esta Rainha de Palmira, perdeu o controlo dos seus vastos domínios, que se estendiam dos confins da Síria ao Egipto, para os Romanos.

 Sentindo admiração por esta mulher forte e capaz, além de bela e virtuosa, o Imperador Aureliano concedeu-lhe o título honroso de Imperatriz e permitiu-lhe manter-se no poder, embora na posição de monarca -fantoche. Zenóbia não gostou desta meia autoridade e revoltou-se, sendo castigada por Aureliano, que a conduziu com o filho em triunfo pelas ruas de Roma, para gáudio da populaça. Porém, talvez ainda impressionado pela altivez de Zenóbia, acabou por ser generoso novamente e conceder-lhe um território- Tibur - para que ela "não perdesse o hábito de ser Rainha".

A capacidade de adaptação às circunstâncias é realmente um dom das mulheres... 









Quando as lamechices falam verdade#3: qualquer esconderijo é bom




Diz essa grande filósofa que eu desconhecia até hoje, Mandy Hale (segundo o Google, a senhora vem a ser uma bem sucedida guru de auto-ajuda para solteiras desesperadas) que o Mr. Right  moverá montanhas para estar com a mulher de quem gosta, enquanto o Mr. Wrong se esconde atrás delas.

 É bem certo; in xaropicis veritas

Eis outra daquelas máximas do universo ele não está assim tão interessado que qualquer mulher digna e com a auto estima no lugar tem de saber de cor, e que qualquer mulher com má pontaria ou pouco juízo precisa de aprender para não continuar a ter  desgostos e a fazer tristes figuras, mais vale tarde que nunca. Mas permitam-me elaborar esta verdadinha deprimente.

É que ao "rapaz errado", até um arbusto serve para se esconder; se for preciso, até se atira para um contentor do lixo só para não dar o peito às balas, quanto mais uma montanha...

...ou como li esta semana num douto meme, "rapazinhos dão desculpas, homens dão um jeito, os malandros enrolam".

Tuesday, April 5, 2016

Três produtos que deviam vir em embalagem grande....só que não.

 Já repararam que certos cosméticos nos deixam imaginar como o Gulliver se sentiria em Lilliput?




1- Champô seco



É útil, ainda bem que voltou a  estar na moda, mas qualquer  spray para o cabelo deve ter pelo menos o tamanho de uma laca (que não seja uma laca de viagem). No entanto, a maior parte das marcas parece lançar o produto a pensar em quem tem muito pouco cabelo. Quer se use para prolongar o brushing ou para adicionar textura ao penteado, mesmo apontando para as raízes é impossível chegar a todas as camadas com aquela latinha liliputiana. Uma pessoa acaba desesperada a esfregar o pó infernal para que se distribua uniformemente... e lá se vai a sensação arejada de frescura instantânea.

2 - Bronzeadores e protectores solares



Isto ainda arrelia mais quando supostamente vêm em "embalagem familiar". Embalagem familiar para  duendes, só se for.  Espalhar protector solar já é uma maçada, com o sal e a areia a atrapalhar tudo, quanto mais tentar tirar creme/borrifar-se a partir de um frasco pouco maior que um telemóvel e que chega ao fim num instantinho. Nem quero imaginar quem tem crianças e precisa de as besuntar de alto a baixo, o pequeno a mexer-se, a protestar, a espernear que quer ir mas é para a água e o sunscreen a cair a conta-gotas. O único remédio é ter uma embalagem suplente  para evitar escaldões, mas quem gosta de levar muitos volumes para a praia?

3 - Hidratantes de corpo...e companhia
 

Sejam cremes, loções, reafirmantes localizados, óleos de beleza ou até collants em spray, muitos deles são vendidos em embalagens que parecem amostras. Ou que durariam muito...na Polegarzinha. Alguns acabam tão rápido que nem dá para perceber a eficácia da fórmula. Se compramos um cosmético para as pernas, é suposto que o queiramos usar em ambas, certo? E quem diz pernas, diz tudo o resto. Um produto para o corpo pode ser muito bom, mas se vem numa embalagem com cara de creme de rosto, desisto.


Books "sensuais" para gestantes? Podem parar o mundo para eu descer.




À conversa com as amigas cá do blog a propósito deste post, lembraram-me o bonito tema das grávidas que fazem questão de protagonizar um constrangedor book fotográfico sexy (tinha de ser)  a recordar o seu estado de graça.

A reboque da moda dos books fotográficos sexy que só servem para postar nos social media (e que não sei que utilidade têm; até uma dentista vi recentemente a posar como Deus a trouxe ao mundo, não para a Playboy nas horas vagas mas para facebook ver: deve ser bonito lá no consultório, deve) dos books sexy de despedida de solteira (esses felizmente ainda não vi cá chegar) e dos books sexy para noivos, os books de gravidez "sensuais" estão a atacar em força.  



Brace yourselves: agora todas querem imitar a Demi Moore. Só que primeiro, a Demi Moore era famosa, segundo o trabalho era para uma revista de prestígio e foi bem feito, por grandes profissionais; terceiro, era novidade.

A proliferação de tal fenómeno dá um novo e mais amplo significado ao desabafo popular "ai mãezinha". Oh valha-me Nossa Senhora do Ó, padroeira da minha terra e das gestantes!

Vamos começar pelo óbvio. 

Newsflash, minhas queridas "mamãs ousadas": não é por estarem de esperanças que deixam de estar despidas, ou que toda a gente passa a contemplar-vos com olhos inocentes e angelicais. Como comentou um cavalheiro cá de casa, "há fotógrafos pouco profissionais  que são tarados ou só querem dar nas vistas e nem elas nem os pais dos bebés percebem isso". E estas imprudentes fazem-no se calhar sem pensar, expondo-se primeiro a um fotógrafo (tenho visto muito poucas fotógrafas a fazer esse trabalho) e depois aos olhos do povo.



De retratos como vieram ao mundo a poses em lingerie ordinareca ou topless com o pai a cobrir o que não é suposto ser visto, há de tudo. Isto quando as fotografias não são mal tiradas, além de cómicas,  realçando o pior da gravidez - estrias, gordurinhas -  e desfavorecendo a modelo.


Deixemos de lado moral e pudores exagerados (que nisso, cada uma está mais ou menos à vontade com a sua imagem...) para sermos totalmente objectivas aquiEu nem gosto de pensar nestas coisas, mas se há filmes para adultos sujeitos a essa temática (vão ver ao Google e mais não digo) há tarados para tudo, capice? 



Que uma mulher tenha um ego tão grande e uma vaidade tão exacerbada que não se importe de se sujeitar - e ao inocente dentro dela- no seu estado mais abençoado e mais frágil, a pensamentos indecentes de desconhecidos, baralha-me. Que uma mulher esteja sensível, fragilizada, com baralhações hormonais e enfim, queira sentir que está bonita apesar das complicadas modificações temporárias do seu corpo, que queira guardar imagens suas desse período único da vida e as queira glamourosas, é compreensível.


 Não que uma grávida não possa ser linda e feminina, ou que não haja retratos bonitos dentro do género. Mas guardem alguma coisa para o pai da criança, por favor.


Além disso não me venham dizer que na era da selfie, do photoshop e de editores de imagem que até uma criança sabe utilizar, não se pode pedir a uma amiga ou parente com talento, ou mesmo ao marido, que tire os benditos retratos com a devida privacidade. Para emoldurar (não colocar na sala das visitas, por quem sois) mostrar às íntimas ou colar num álbum. Segundo, ainda que se encontre um fotógrafo de confiança e de bom gosto, que não proponha bizarrias tipo futuras mamãs com botas de stripper ou vestidas de ovo da Páscoa (juro que já vi), qual é a necessidade de o partilhar não só nos social media, mas em público, com legendas medonhas tipo -passo a citar -  "barriga boa"?



Depois, lá que uma mulher de esperanças esteja toldada das hormonas, sensível, e se calhar em repouso forçado, o que lhe dá tempo para andar em fóruns e grupos de gravidez a malucar e trocar ideias com outras nas mesmas condições (são imensas as postagens do tipo "onde posso fazer o meu book?" nas redes sociais) enfim.



Mas que maridos (ou em muitos casos, "companheiros") amigas e pais não façam nada, que não avisem, que não digam um "menina, alto que isso já é demais. Olha a vergonha alheia, olha o sentido do ridículo, olha que um dia podes arrepender-te da ousadia, olha que o teu filho um dia pode pensar «que vergonhaça, mãe»"...já escapa à compreensão.



A não ser que seja verdade não só isso de os casais ficarem grávidos, mas de a euforia contaminar toda a família e círculo de amigos.

E por fim, se a maternidade é supostamente o momento em que uma mulher se esquece um bocadinho de si própria para passar a entregar-se de corpo e alma a algo maior do que ela, ou quanto mais não seja (isto soa pinderiquíssimo, mas cá vai) ao fruto de um grande amor, estes books egomaníacos são uma forma bem esquisita de o demonstrar. Tal como com os books de noivas, só vejo ali "eu, eu, eu, olhem para mim que estou tão linda".



De mais a mais, quando muitas, depois de a criança nascer e de as hormonas se baralharem outra vez, tratam de descuidar a imagem, desleixar-se de todo e deitar as culpas de terem "estragado" à pobre criança. Go figure.

No meio das preocupações com consultas médicas, fraldas, medo do parto, pós parto, amamentação, quarto de bebé, meios para o criar, etc, etc, etc...a preocupação das futuras mães é onde arranjar um fotógrafo que as "descasque"? Com tantas roupas bonitas para mãe e bebé, tantas coisas amorosas e necessárias em que empregar recursos, a alegria delas é pagar a um "profissional" que as ponha em tais preparos? Além de tudo, pergunto ainda, porque isto me enche de interrogações: onde fica a singeleza, a doçura, a aura de santidade, inocência e dignidade que costumava estar associada ao estado de graça? 






Monday, April 4, 2016

5 instintos masculinos que as mulheres descuram...e não deviam.


 O sexo oposto não é tão difícil de entender nem tão maldoso como muitos livros modernos "para mulheres" o pintam. Pelo menos na questão "mal me quer, bem me quer" só não percebe os homens quem gosta de se iludir com modernices e wishful thinking: mais nuance menos nuance, poucas criaturas neste mundo são tão pão, pão, queijo queijo como eles.

Mas no que se refere à convivência quotidiana (seja com namorados, maridos, pais, irmãos ou primos) a psicologia é mais complexa. E há reflexos ou instintos masculinos que as nossas avós conheciam e contornavam bem mas que hoje, com a disseminação da ideia de que somos todos absolutamente iguais, são postos de parte.

E no entanto, esses instintos e reflexos existem...logo, a bem da harmonia - e da velha habilidade feminina de dar a volta às situações de forma discreta - não convém desprezá-los. Vejamos:

1- Aversão à confusão...em todos os sentidos

 
É paradoxal, porque alguns são bem barulhentos e desarrumados...mas talvez por serem mais visuais e menos verbais do que nós, confusão, histeria e trapalhada deixam-nos baralhadinhos de todo. E impossíveis de aturar. Seja no aspecto logístico ou emocional, quanto menos poluição, melhor! Por algum motivo os manuais antigos para "boas esposas" frisavam sempre que, para que um casamento corresse bem, era crucial o lar estar sempre arrumado e acolhedor (hoje, que a maioria das mulheres trabalha fora de casa, o melhor conselho será criar hábitos saudáveis de divisão de tarefas).  Já aqui vimos isto em maior detalhe, mas resumindo, eles não suportam barafunda. Supostamente, o cérebro masculino não consegue processar tanta informação em simultâneo como o feminino. Isto leva a que entrem em pânico se vêem o mulherio entrar em casa com alguns sacos de compras (nem é muita coisa, mas acham logo que se comprou este mundo e o outro) ou que tenham dificuldade em reagir com calma se a mãe, esposa ou irmã lhes expõe um assunto toda nervosa, a dar imensos detalhes. Eles não ouvem um terço, só sentem que algo se passa - e pioram o cenário mil vezes lá na sua cabeça.

2- Ouvidos MUITO sensíveis


Lá dizia o outro "é um longo caminho dos lábios de uma mulher aos ouvidos de um homem"...porém, a verdade é que eles podem fazer orelhas moucas a bons conselhos, avisos sensatos ou raciocínios elaborados, mas apanham imediatamente um tom de voz ríspido ou agressivo. E detestam! É mais fácil convencê-los a atirarem-se a um poço com bons modos do que a fazerem uma coisa muito boa aos gritos. A experiência prova a fórmula da avó "com eles, não se consegue nada por mal". Por vezes uma mulher fala de forma apressada ou impaciente, sem qualquer má intenção, e ei-los de com cara de tacho, sentidíssimos e quezilentos, barafustando "isso são modos de me falar?". Perdi a conta às quezílias que tenho visto começar só porque - queixa deles - "ela falou-me à bruta".


3- Necessidade de apoio e um beliscável sentido de respeito 



Se as mulheres (admitam ou não) gostam de se sentir protegidas, os homens adoram proteger e ser os heróis do dia. Mas com isso, vem também a necessidade de sentir que a "sua mulher" está sempre a seu lado, no melhor modo se ele diz mata, ela diz logo esfola. Sentir que não são respeitados pela própria cara metade fere-os no mais íntimo do seu ser. E já se sabe, se a briga for com outra pessoa qualquer, tomar o partido do oponente é pedir zanga na certa: seja porque ele se travou de razões com um amigo numa festa demasiado "animada" ou porque o pai impôs um castigo à criançada e a mãe, perante a prole, o contradiz logo, desautorizando-o, cuidado com isso. Mesmo que eles não tenham a razão toda ou ajam de cabeça quente, é melhor conversar sobre o assunto em privado e com meiguice. Jamais de forma ríspida, que os diminua, ou pior - diante do "adversário".


4- Ego e bazófia
 
Uns mais do que outros, mas nenhum está imune a uma certa vaidade e a assomos de orgulho parvo.
 Por algum motivo adoram desportos de velocidade, luta e competição, que os deixem provar quem é o maior. Ou quanto mais não seja, quem é o maior maluco ou o mais temerário. E voltam para casa contentes e felizes, mesmo com pés torcidos, galos na cabeça ou bólides amassados. Esse instinto reflecte-se em muitas pequenas coisas: por vezes, podem entrar em competição até com a própria mulher. As estórias complicadas em que um homem se sente ameaçado por a esposa ganhar mais do que ele são um caso típico (e muito feio) mas na maioria, as manifestações são mais subtis e inócuas. Conheci um senhor que, sendo da mesma altura da mulher, amuava sempre que ela calçava saltos. Outros podem ficar arreliados com isto ou aquilo e defender-se exagerando, dourando a pílula ou fazendo coisas superiores às suas forças só para manterem uma posição de superioridade, em modo "ora toma!" mesmo que isso lhes custe caro. Por exemplo, aventurarem-se a fazer um movimento de Yoga difícil só para não ficarem atrás da mulher, que pratica a modalidade há dois anos (e lesionarem-se) ou, se a namorada tem a má lembrança de mencionar um ex, retaliarem com alguma história  escabrosa dos tempos de faculdade. Mesmo que saibam que isso vai atrair sarilho, ou que a legítima esteja farta de saber que o livrinho negro dele não tem nada de ameaçador. Quando o ego é posto à prova, o tacto desaparece e extrapolam mais que um pescador. Criancice much? O melhor é não ligar e accionar o programa entra por um ouvido e sai por outro.

5- Rabujice em modo bebé


Seja por fome, sono, ciumeira repentina, cansaço ou frustração profissional, quando algo os incomoda podem ter vergonha/dificuldade/preguiça de se explicarem como gente e protestarem rabujando, quezilando ou embirrando com outra coisa qualquer. Quando é assim, o melhor é aplicar o remédio das nossas avós, por antiquado e machista que possa soar: se estão maldispostos, deixá-los! Mais vale tentar que fiquem confortáveis (oferecer-lhes comida rapidamente, sugerir que vão tomar um banho quente, que façam uma sesta ou que vão arejar as ideias com um jogo de playstation costuma funcionar) e ralhar-lhes mais tarde, quando tiverem as ideias no sítio. Caso contrário, sujeita-se a casa toda a uma embirração de horas a fio que não beneficia ninguém, no melhor espírito muito barulho por nada.


Haja psicologia invertida para lidar com "eles", que outro tanto será feito por nós....

Volto a dizer: as pessoas perderam a noção da intimidade.





Os caros amigos e seguidores do Imperatrix têm o simpático hábito de me enviar conteúdos que podem interessar-me ou dar post - incluindo disparates que estão mesmo a pedi-las.

Mas devo dizer que na semana passada, me fizeram chegar alguns tão escabrosos que fiquei maldisposta durante um bom bocado. E que poderão dar mais do que um post, sendo que o mais grave não me está a apetecer tratar hoje. Tudo bem que cada um vive como quer desde que não vá contra a lei nem prejudique ninguém, mas há almas que só podem estar mergulhadas numa treva impenetrável. Que apenas com a presença e o exemplo, corrompem os costumes e debilitam a sociedade. Olha-se para elas e vê-se o demo atrás, a esfregar as mãos de contente.

Estava a constatar isso, nomeadamente através de duas ou três páginas brasileiras mas do agrado dos portugueses e escandalosamente más, destas que as "serigaitas guerreiras" adoram e cujos nomes bastam para arrepiar uma pessoa (vejam aqui, aqui e aqui por vossa conta e risco). 




E admirei-me com duas coisas (é um mistério como uma pessoa ainda se admira, apesar de tudo).

  Primeiro, como pessoas que conheço, aparentemente normalíssimas e com família, não têm constrangimento em seguir tais páginas (e em não esconder que as seguem,  quando o feicebuque até permite ser discreto nos descalabros que se acompanham). Sem fazer caso da pegada digital que deixam; assim, sem pejo, como quem gosta de uma página de culinária ou de desporto. 

E isso diz muito das pessoas, pois como já vimos, a boca fala daquilo que o coração está cheio. Ou, modernizando, os dedos fazem like naquilo de que o coração está cheio.

Depois - isto ainda é mais estranho - não só muita gente partilha em público as citações e imagens duvidosas de tais pornochachadas, como comenta na própria página. Geralmente, para marcar na publicação a amiga, o amasiado ou mesmo o marido. E como!


Se um meme fala, sei lá, em fazer loucuras e cometer pecados deliciosos (como elas dizem) num elevador ou imitar as 50 Sombras, é ver o mulherio a pôr tags em fulano ou beltrano, ou na amiga, a dizer "lembras-te?", ou "Xana Silvana, isto é a tua cara". E coisas piores, fora os taradões que para lá vão responder-lhes em termos bem categóricos, a ver se têm sorte. Isto público, para quem quer ver, passível de ser lido pelas chefias, vizinhos ou familiares de tais pessoas.

Se as #aftersexselfies já me espantaram, isto é de siderar as alminhas. Então, assim de repente, as pessoas perderam a vergonha de dizer o que fazem lá entre quatro paredes? Em detalhe? De revelar ao mundo que preferem mais assim ou mais assado? E ninguém acha isso esquisito?

 Mas calma, ainda fica mais estranho. É que isto não acontece só em páginas dedicadas a rituais de acasalamento duvidosos. Também sucede em páginas algo lamechas e com imagens que se dispensavam  - mas inocentes e bem intencionadas, como esta com conselhos para gestantes.

SAY WHAT???

  Páginas essas que apesar de falarem em books fotográficos de gosto questionável e de mostrarem dejectos de bebé (vejam por vós, eu cá não vou linkar uma coisa dessas) dão dicas de pediatras válidas e até, de obstetras para a alcova, como "cumprir os deveres conjugais de determinadas maneiras pode ser prejudicial". Certo, são conselhos de saúde sérios e daí não vem mal ao mundo. Cada uma que leia e se informe para seu governo.

O que é bizarro é as seguidoras da página, toldadas das hormonas (é que só pode) esquecem que estão em público e se põem com os tais comentários a contar o que fazem ou deixam de fazer. Vulgo "viu, Jeyson Tadeu, por isso é que fiquei tão mal no outro dia", ou " Tânia Carina, já «vistes»? Tens de avisar o Ricardão!» ou ainda "quando li isto, avisei logo o meu marido que acabou essa brincadeira!".

Ora, por amor de Deus. O que é que o mundo tem com isso? Porquê, porquê? Onde está a discrição que costumava ser apanágio de uma futura mãe? Ou a brejeirice é non stop, mesmo depois de tanto like em memes de "sedução" resultar em trazerem consigo um "passageiro" que chora e bebe biberon? Não percebo, não quero perceber, só observo.











Sunday, April 3, 2016

Um chá com a Raposa do Deserto


 Tenho uma admiração enorme por Erwin Rommel, o genial marechal-de-campo alemão que passou à história com o cognome "A Raposa do Deserto" e que foi obrigado por Hitler a suicidar-se graças à sua participação na conspiração de 20 de Julho para derrubar o III Reich.

 Rommel era um militar tão extraordinário que "fazer um Rommel" passou a significar, para os seus adversários britânicos, uma prestação impecável. Porém, mais do que uma máquina de guerra com uma mente estratégica fora do comum que o tornou o general preferido do Fuhrer, Rommel era um militar que colocava a honradez acima de tudo. E um cavalheiro, incapaz de se exceder na força, de bater num homem ferido ou de cometer uma crueldade gratuita, mesmo em tempo de conflito. Sob a sua autoridade, não havia atrocidades cometidas por alemães.


Fiel aos seus princípios, este homem que conquistava a admiração tanto das tropas que o seguiam como dos próprios inimigos chegava a desobedecer a ordens injustas ou cruéis, recusando-se a abater os comandos que capturados atrás da linha alemã.




Um destes seus episódios de magnanimidade ficou para a História: em Maio de 1944 (poucos meses antes da sua trágica morte)  apresentaram ao General Rommel dois elementos detidos dos British Commandos, o Tenente Roy Wooldridge e o Coronel George Lane - que inclusive, era de ascendência judaica. 

 
O Tenente Roy Wooldridge

E a Raposa do Deserto, que até  já tinha escapado a duas tentativas de execução por parte desta força de elite, fez o impensável: em vez de mandar fuzilar os britânicos ou de os entregar às SS ou à Gestapo - o que significaria igualmente o fim deles- convidou-os para tomar chá. Depois de um colóquio amigável e de lhes oferecer cigarros, cerveja e uma boa refeição, mandou transferi-los para uma prisão de oficiais perto de Paris. 

 
O Coronel George Lane (atrás, ao centro)


O gesto de misericórdia do célebre General  permitiu que os dois oficiais britânicos sobrevivessem à guerra e tivessem vidas longas e felizes, ao contrário dele próprio. O Tenente Roy Wooldridge nunca esqueceu a nobreza do seu "inimigo" e guardou como uma relíquia o maço de tabaco que lhe ele lhe ofereceu quando se julgava perdido.

No Ano da Misericórdia, é sempre de lembrar que ela, como a bondade e a honra, cabe em toda a parte: mesmo no campo de batalha, mesmo que se lute pela facção errada. Ou que ser-se misericordioso (a) não traga qualquer recompensa além da memória que isso deixa. Rommel é recordado por todos como "um homem e um combatente justo" o que, a juntar à sua lenda de chefe militar incrível, não é coisa pouca.

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