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Saturday, April 16, 2016

Liliane Marise, a mulher da luta por excelência



É tão raro brincar ao karaoke sem ser em casa, mas eis que, como me convidaram para conhecer um simpático bar vintage e family friendly, lá fui...e aprendi logo alguma coisa. Isto de observar as pessoas é sempre giro...

Em tempos eu comentei por aqui que muito me espantava que uma rapariga com tão bom ar como Maria João Bastos conseguisse fazer o papel de cantora pimba, mas como não vejo novelas acabei por não prestar atenção à personagem Liliane Marise, que parece que fez grande sucesso....

Entretanto alguém se lembra de cantar as tais Pancadinhas de amor e na nossa mesa, a letra que estava a passar deu para rir e pano para mangas...olhem que aquilo é profundo. Tira-se dali a grande moral da história "havia de valer de muito".

É que a cantiga não fala de qualquer maroteira tipo 50 Sombras, como eu julgava, mas de uma mulher que se apaixona por um playboy incorrigível e o mantém na ordem à força de pancadas (boa...).  Ou seja, Liliane Marise não se limita a ser pimba: é uma mulher da luta com todos os traços típicos. Ora vejam:

O meu amor era muito atrevido
Tinha fama de grande saltitão,
Mas eu disse-lhe que estava perdido
No dia em que me fisgou o coração
Pedi-o logo em casamento....


Ena, notem bem: não foi ele que a viu e ficou rendido, mas a boa da Liliane Marise que teve o coração fisgado por um rapaz que ainda por cima tinha má fama antes sequer de saber se ele estava interessado nela. Bela receita! Jane Austen bem avisava que nenhuma rapariga deve apaixonar-se antes de saber que o cavalheiro em causa gosta dela (ou Carlão, neste caso; namorado de uma Liliane Marise tem de ser um Carlão) quanto mais pôr-se assim a jeito. 



E pedi-lo em casamento? Mais uma adepta dessa modernice disparatada de as mulheres tomarem a iniciativa como umas desesperadas. Não admira que o rapaz não tivesse emenda mesmo: um doidivanas dificilmente se corrige, quanto mais se não está assim muito interessado e fica com a rapariga que está à mão.

Todos os dias era uma aventura
O que ele queria era andar na festa
Mas eu não sou mulher de amarguras
E muito menos de coisas na testa
Um puxão de orelhas com jeitinho
Na altura certa é sempre bem dado
Traz de volta todo o juizinho
À cabeça perdida do teu amado.


 Se te portas mal, vai haver terror
Se te portas mal, tu vais sentir dor
(o refrão é do melhorzinho, tenho de admitir).


Sim, sim, Liliane Marise. Passar a vida com medo de ter coisas na testa (que termo mais detestável) deve ser cá uma felicidade...

Se um homem não tem juízo, se não se porta bem por livre iniciativa, há-de valer de muito correr atrás dele, vigiá-lo e mantê-lo na linha com puxões de orelhas (finalmente percebi: deve ser para isso que as serigaitas querem as unhas grandes; para isso e para esgatanharem as rivais. Um puxão de orelhas com unhacas dói que se farta). Por muito grande que seja o "terror" é esforço baldado: tenho visto casos e mais casos desses. A única utilidade disso é pôr as pessoas a rir com a figura da mulher da luta. Mulher da luta assumidíssima, reparem:

Os homens custam a ter poiso certo
A não ser que ponhas rédea curta
Nem sempre fazemos o correcto
Mas o que importa é ganhar a luta.





Os homens não custam a ter poiso certo. Só quando não querem ter poiso certo *ainda*, ou não estão realmente interessados, ou estão perante uma serigaita que não é digna de um compromisso, ou são uns desmiolados sem remédio, ou rapazinhos que não prestam. Se forem homens de família, de valores e estiverem realmente apaixonados, não querem outra coisa nem precisam de rédea curta. Uma mulher que se dá ao respeito e escolhe com propósito não precisa de ralar a sua linda cabecinha a dar avisinhos, pancadinhas e puxões. Confia até prova de contrário (pois de surpresas ninguém está livre) e caso se tenha enganado - acontece às melhores - o único puxão a dar é para arrastar o biltre, se necessário for, para o olho da rua. É que se é preciso lutar, a luta nunca está ganha. Para ficar ao lado de alguém que exige tais lutas, tem de se abrir mão da dignidade e do sossego. Como é que alguém é capaz sequer de gostar de um mulherengo das dúzias é coisa que me ultrapassa.

A Liliane é um boneco, claro; mas o que há para aí de "Lilianes" que pensam exactamente como ela, a precisar desesperadamente das nossas orações, não está escrito.

Friday, April 15, 2016

Ó chuva, eu não queria ser óbvia, mas...





Cheguei a meio do Inverno e tirei uma brilhante conclusão: este ano, da minha apreciável colecção de casacos, só usei praticamente as canadianas, gabardinas e todo e qualquer modelo com carapuço. Isto porque não consigo gostar de guarda-chuvas, quanto mais não seja porque os deixo em toda a parte -  e palavra, até  parece que os perco mais rápido quanto mais caros e bonitos forem.

Já aqui comentei algures o meu amor aos capuzes e que, se algum dia viesse a assinar uma marca de roupa criada por mim, todos os sobretudos e trench-coats haviam de ter carapuço. Amovível, certo, porque nem sempre dá jeito e há sempre quem não goste, mas como diria a avó, o cajado e a manta nunca carregam ao pastor.


Mas chega-se a Abril e nem vale a pena dizer o estribilho porque já em Fevereiro e Março eram águas mais que mil...ora, isso confirma a minha ideia ao quadrado. Estou num conflito entre pensar "não há capuchinhos que me cheguem"  e "já estou farta de andar sempre encapuçada". Disso e de não poder andar com calçado de camurça, e até cansada das galochas de que gosto tanto. Eu nem costumo queixar-me muito do tempo e não desgosto de chuva, mas começo a ficar um bocadinho arreliada com esta monção fora de sítio.

Com o Cartão de Cidadania, vamos todas ser felizes! *sarcasmo*




Ontem, já tarde e com as notícias a passar muito baixinho, captei uma que quase me fez cair da cadeira abaixo: parece que querem gastar não sei quanto dinheiro a mudar o nome do Cartão de Cidadão para...Cartão de Cidadania. Nem precisei de ouvir o resto para concluir o óbvio: zás, as feminazis e feministos de carteirinha (trocadilho sem intenção, mas agora aplica-se mesmo) paladinas (e paladinos, temos de ser igualitários senão levamos tau tau para não falarmos como fascistas) da bela arte da desocupação e de só pensar em disparates, decidiram que o cartão chamar-se  "de cidadão" não é inclusivo, é sexista, é patriarcal, ofende...enfim, a lamuria costumeira. 

A mim o que ofende no bendito documento é que uma pessoa possa eventualmente ter de se servir dele para trabalhar noutro país europeu onde as oportunidades (ou falta delas...) não sejam tão lamentáveis. E apresentá-lo no aeroporto do dito país e levar com a cara de pena dos que pensam "coitado (a), lá vem mais um portuguesito ou portuguesita de trouxa às costas e diploma em punho em busca de vida melhor"

Ou em última análise, já que é de futilidades que estamos a tratar, que seja impossível, virtualmente impossível, sair apresentável no retrato da porcaria do cartão. Uma pessoa pode maquilhar-se como uma profissional, aparecer com um brushing impecavelmente feito, fazer boa cara, tentar aplicar todas as tácticas da Kim Kardashian para uma selfie perfeita, que o raio das luzes utilizadas para fazer o CC tratam de esbater o cabelo, arregalar os olhos e criar quantas sombras desfavorecedoras há. É um desafio não ficar com cara de parvo (a), ressacado (a), carenciado (a) ou terrorista no documento que se deve apresentar para ir a qualquer parte. Boa.



Voltando à notícia, que se não vivêssemos na ditadura do politicamente correcto eu ia achar que não passava de uma brincadeira, ocorreram-me logo uma data de "vantagens" para este cartão mágico. 

Mas primeiro tive de ir confirmar se era mesmo verdade, se eu não tinha ouvido o telejornal já cheia de sono e baralhado tudo. Era. E claro, é mais uma invenção maravilhosa da Esquerda (neste caso, do Bloco). É que já se sabe, as grandes preocupações do lado negro da força - o Darth Vader que me desculpe-  são com os brinquedos "sexistas" do Happy Meal, copos nojentinhos para aqueles dias do mês, piropos, arreliar o mais possível a Santa Madre Igreja, atacar as Forças Armadas porque enfim, they want to be a hippie and they want to get stoned como na cantiga e apontar racismo, sexismo e homofobia em toda a parte.

É verdade, sem mentira e muito verdadeiro, vou citar e tudo: o Bloco de Esquerda recomenda a alteração do Cartão de Cidadão para Cartão de Cidadania por considerar que o nome actual do documento "não respeita a identidade de género de mais de metade da população portuguesa" (...) depois de cinco planos nacionais para a igualdade de género, Portugal continua a ter, “como documento principal de identificação, um documento cujo nome não cumpre as orientações de não discriminação, de promoção da igualdade entre homens e mulheres e de utilização de uma linguagem inclusiva”. E o chorrilho de tonterias continua, no mimimi habitual: o BE “entende que não existe qualquer razão que legitime o uso de linguagem sexista num documento de identificação obrigatório para todos os cidadãos e cidadãs nacionais”.
O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda “valoriza este documento de identificação pela sua importância e considera que a sua designação não deve ficar restrita à formulação masculina, que não é neutra, e deve, pelo contrário, beneficiar de uma formulação que responda também ao seu papel de identificação afetiva e simbólica, no mais profundo respeito pela igualdade de direitos entre homens e mulheres”.


Como alguém comentou na própria notícia detalhada pelo Observador, isto é obra das "esganiçadas" do costume. Adoro esse nome, esganiçadas. Eu não diria melhor sobre a forma como algumas mulheres queimam a reputação feminina na política. Esganiçadas it is

E pronto, mulherada, agora com o Cartão de Cidadania é que vamos todas ser felizes ( eu até ia chamar-lhe jocosamente Cartão de Cidadona , mas não podia mudar-se o cartão das mulheres para "Cartão de Cidadã", porque senão podia haver transexuais ou gente que se auto-proclama "sem género" que se melindrasse, claro). Isto vai definitivamente mudar a minha vida e a vossa e resolver quaisquer problemas (tenho de me esforçar para pensar em alguns) que sejam de facto exclusivamente femininos. Face a um companheiro cobarde, daqueles que acha bem espancar mulheres, ou a um doido que nos ataque na rua, basta apresentar-lhe o Cartão de Cidadania, como a Cruz ao Diabo, que ele vai cair de joelhos, pedir desculpa por amor de Deus, declarar-se todo pela igualdade de género. 

Com a mudança de Cartão, a economia do país vai transformar-se magicamente, gerando bons cargos para todas as mulheres que, tal como tantos homens, estão desempregadas, e fazendo circular mais dinheiro para que as empreendedoras encham a casa de clientela. Com o cartão maravilhoso, todas as organizações e empresas vão adoptar fantásticas medidas de responsabilidade social para as funcionárias que são ou querem ser mães e as medidas governamentais de apoio à natalidade vão disparar para as alturas, permitindo às senhoras que assim o desejarem serem mães a tempo inteiro. 





E de certeza que uma medida tão extraordinariamente boa, que espoleta tão profundas mudanças sociais, vai fazer com que no local de trabalho o problema do assédio sexual desapareça de todo e que as próprias mulheres parem de infernizar-se umas às outras. Assim que tivermos um Cartão de Cidadania e não de Cidadão, os cidadãos vão passar a ser perfeitos cavalheiros e as cidadãs vão começar a dar-se ao respeito e a respeitar-se entre si que é um assombro. Então não é?

Mas não fiquemos por aqui; parar para quê? Estou certíssima de que com isto, os cuidados de saúde dirigidos especificamente ao mulherio vão melhorar imenso. Que nas especialidades de obstetrícia, ginecologia,  e porque não, medicina estética, vai ser tudo tão democrático e luxuoso como tem sido para as mulheres que decidem fazer uma interrupção voluntária da gravidez. E já que estamos a sonhar e a falar de privilégios, já agora o Cartão de Cidadona vai dar dar fantásticos descontos em spas, salões de beleza e em lojas como o El Corte Inglès. É uma alegria. 

 Só falta o Bloco de Esquerda, em nome da Igualdade, tentar aprovar um decreto lei para o Dia da Mulher que dê free pass às maluquinhas de plantão para jantaradas com direito a strip masculino. A seguir virão os wc unissexo, como já há noutros países. Vão-se preparando que ainda vamos rir e deitar as mãos à cabeça muitas vezes, ó se vamos.

Thursday, April 14, 2016

Responder a uma má criação com outra? Assim andam as mulheres.




Eu não sei como todas as minhas amigas que acompanham o Imperatrix foram educadas, mas calculo que não andem muito distantes daquilo que me ensinaram desde pequena. Ou seja, que face a uma provocação vulgar e malcriada, uma Senhora responde, tanto quanto possível, com o mais gélido, nítido e categórico DESPREZO. Em boa verdade, nada enfurece tanto o "inimigo". 

E se o caso for mesmo mau, daqueles em que as pessoas não desistem de todo e não há outro remédio senão enfrentar o touro pelas hastes, então dá-se uma resposta curta e clara, com duas ou três verdades mas sem descer dos saltos. No mundo em que cresci, ser "levada da breca" não era necessariamente mau- mas havia formas educadas de ser "levada da breca".

Bom, foi isso que eu aprendi (e sabe Deus o que me custou na infância, já que eu tinha um mau feitio como a Mónica que desancava o Cebolinha...). Que quem é malcriado perde a razão, já para não falar da classe. Mas nestes tempos de "empowerment" em que a maioria das mulheres parece mais preocupada em "empoderar-se " expondo o corpo e brandindo uma atitude super agressiva, eis que ser peixeira merece aplauso.


Devo estar a ficar cheia de verdete, porque no meu tempo a pior coisa que uma rapariga podia parecer era "peixeira, sopeira, regateira da praça" (sem ofensa às vendedoras de peixe e empregadas da limpeza ou da cozinha que até tenho por gente honrada e trabalhadora).

Mas actualmente não. Responder toda gaiteira, toda atrevidota, bruta que nem uma carroça, é ter "sass". É ser vigorosa e não se deixar pisar. Principalmente se o caso tiver alguma coisa a ver com "body shaming", slut shaming ou fat shaming.

E agora anda na internet mais um caso desses: Iskra Lawrence, uma bonita modelo plus size que corresponde ao que o povo chamaria " cheiinha mas bem feita" cansou-se de receber comentários negativos sobre o seu corpo no Instagram.



 E face a um particularmente rude, vai de posar em lingerie deitada em pacotes de batatas fritas. Até aqui enfim: como ela é modelo de fatos de banho não deixava de ser uma resposta bem humorada. O pior é que não contente com isso, gravou o seguinte vídeo em câmara lenta, de roupa interior a arrefinfar sensualmente uma data de lambarices enquanto mostrava dedos aos "haters":



Um bocadinho desagradável, não? Quanto a mim, não a veria como "gorda" antes de ela se mostrar nessas figuras. Depois a modelo ainda disse que por norma não é tão malcriada e que não aprova o enfardar de junk food, mas que  enfim, perdeu as estribeiras.


Vamos aqui por partes: ninguém é obrigado a achar bonita esta nova moda de as mulheres "redondinhas" serem consideradas o "normal" ou "real". Pessoalmente considero que Iskra tem uma figura bonita dentro do seu género; se emagrecesse uns quilos ficaria mais esculpida, mais dentro do padrão, mas é lá com ela e ninguém tem nada a ver com isso. Segundo, ninguém devia ser tecer comentários parvos sobre o corpo alheio, principalmente se não lhe pediram opinião e muito menos de forma mal educada. No entanto, quem se expõe em lingerie para milhares de fãs sujeita-se a isso, tal como se sujeita a admiradores obcecados. 

A melhor forma de mostrar que não se rala, como diz que não rala, o melhor I don´t give a f*** (palavras dela) é continuar a postar os seus retratos em bikini alegre e feliz, e deixar rosnar quem rosna. Quem gosta muito bem, quem não gosta delete, shake it off como diz a outra, arruma para o lado.

Ao tirar um bom bocado do seu dia que ninguém lhe devolve para se cansar a responder a um troll qualquer não só perdeu a elegância (e a elegância do espírito é bem mais importante que a do corpo) como demonstrou que afinal se rala - e bastante - que a achem gorda.

Mas como toda a gente achou lindo e o vídeo viralizou, talvez seja Iskra que tem razão e eu que estou errada, ou simplesmente não consigo entender as normas para viver nesta época. Sei lá eu...





Wednesday, April 13, 2016

S.João Crisóstomo dixit: mais vale pouco, mas de qualidade.


Dirigindo-se aos fiéis para os alertar quanto ao mau comportamento dentro da Igreja, S.João Crisóstomo (para quem tais faltas de respeito mereciam um raio, pois nesse tempo nem os Santos tinham papas na língua) dizia o seguinte:

 "De que vale ter feno em abundância, quando se poderia ter pedras preciosas? O montante não consiste na soma dos números, mas no valor comprovado. Isso também se pode ver na guerra: melhor são dez homens bem treinados e valentes, do que dez mil sem nenhuma experiência. Estes últimos, além de não trabalharem, atrapalham os que trabalham.
O mesmo também se pode ver no caso de um navio: melhor são dois marinheiros experientes do que grande número de inábeis, pois estes afundarão o navio."


 A homilia deste Doutor da Igreja conhecido pela sua eloquência extraordinária (Crisóstomo significa "boca de ouro") aplica-se hoje mais do que nunca no contexto religioso: há quem diga que a Igreja não perde fiéis, perde infiéis. Mas podemos considerar as suas palavras num sentido mais abrangente.

Quantidade sem qualidade de nada vale. E em certos casos, a quantidade per se é mesmo perniciosa. Há quem se lamente por perder amigos: mas amigos falsos, ambíguos, invejosos, desleais ou que jogam com pau de dois bicos, são como os fregueses de más contas que compram fiado: mais vale perdê-los do que tê-los. Lá está, marinheiros que afundam o barco não fazem falta nenhuma...

De igual modo, as mulheres em geral gostam de ter muita roupa: algumas até fingem envergonhar-se disso, mas secretamente orgulham-se do seu armário a rebentar pelas costuras. No entanto, não só a quantidade exagerada desorganiza (todas já sofremos disso uma vez ou outra) como na maioria dos casos, o conteúdo do guarda roupa não vale um caracol. De poliéster a coisa contrafeitas, disso se compõe a "colecção" de muita gente. Acumular muita roupa e sapatos, mas de qualidade inferior, é o mesmo que não ter nada que preste para usar. É andar feita boneca de feira. Roupa má presta o mesmo serviço dos soldados que só assarapantam as tropas.



E nem falemos nos homens promíscuos que se gabam aos amigos das suas muitas "conquistas": quem escolhe pouco, quem não selecciona, quem vive pelo ditado "tudo o que vem à rede é peixe" não acerta uma. Julgam-se assim uns playboys, mas não só perdem a dignidade, relacionando-se com mulheres de meter dó (quer na moral quer no que diz respeito à beleza - pois só as desesperadas cedem a tais esquemas) como ganham uma reputação capaz de afastar qualquer rapariga séria e ainda se arriscam a acabar presos a uma serigaita espertalhona que lhes faça a vida num inferno. E no fim da lista, quantas conquistas valeram a pena? Ainda que falando só no sentido mais superficial, é mais impressionante conquistar uma só beldade do que de muitas marafonas banais. Um punhado de diamantes vale mais que uma tonelada de palha.

  No feminino isso também acontece: há mulheres vaidosas e inseguras que adoram alimentar pretendentes e admiradores. Sentem-se poderosas por receberem atenção, mesmo que seja atenção negativa, expõem-se quanto podem, vão para a rua vestidas como a Beynocé entra em palco, dão troco a tutti quanti; cada like nas redes sociais contribui para a sua duvidosa coroa de glória, cada elogio meloso lhes infla o ego. Mas um convite para jantar ou pedido de namoro do homem de quem realmente gostam perturbá-las-ia mais do que todos os comentários juntos. Momento que dificilmente aparecerá, pois a sua forma de estar não proporciona que a levem a sério. Antes um soldado valente só, do que muitos em debandada. Ou neste caso, à distância segura de quem vê um estafermo numa montra, pensando "faz vista, mas não me serve".

E até na cultura isto se vê: há quem adore mostrar que sabe de tudo, pôr colherada em tudo, opinar sobre tudo, tocar quantos pianos há, sem se dedicar realmente a nada, sem aprofundar nada. Ter cultura geral e ser multifacetado é muito bonito e recomendável, mas há que evitar ser um diletante, um espalha brasas, um chico esperto que fala de tudo sem ter conhecimento de causa no que quer que seja. Voltamos ao feno e à palha...

Em toda as coisas, menos pode ser mais. E é-o quase sempre...



de que vale ter feno em abundância, quando se poderia ter pedras preciosas? O montante não consiste na soma dos números, mas no valor comprovado. Elias foi um: mas o mundo todo não valia tanto quanto ele. (…) Que necessidade tenho eu de uma multidão? Ela é (apenas) mais alimento para o fogo. (…)
Isso também se pode ver na guerra: melhor são dez homens bem treinados e valentes, do que dez mil sem nenhuma experiência. Estes últimos, além de não trabalharem, atrapalham os que trabalham. O mesmo também se pode ver no caso de um navio: melhor são dois marinheiros experientes, do que grande número de inábeis, pois estes afundarão o navio.
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de que vale ter feno em abundância, quando se poderia ter pedras preciosas? O montante não consiste na soma dos números, mas no valor comprovado. Elias foi um: mas o mundo todo não valia tanto quanto ele. (…) Que necessidade tenho eu de uma multidão? Ela é (apenas) mais alimento para o fogo. (…)
Isso também se pode ver na guerra: melhor são dez homens bem treinados e valentes, do que dez mil sem nenhuma experiência. Estes últimos, além de não trabalharem, atrapalham os que trabalham. O mesmo também se pode ver no caso de um navio: melhor são dois marinheiros experientes, do que grande número de inábeis, pois estes afundarão o navio.
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de que vale ter feno em abundância, quando se poderia ter pedras preciosas? O montante não consiste na soma dos números, mas no valor comprovado. Elias foi um: mas o mundo todo não valia tanto quanto ele. (…) Que necessidade tenho eu de uma multidão? Ela é (apenas) mais alimento para o fogo. (…)
Isso também se pode ver na guerra: melhor são dez homens bem treinados e valentes, do que dez mil sem nenhuma experiência. Estes últimos, além de não trabalharem, atrapalham os que trabalham. O mesmo também se pode ver no caso de um navio: melhor são dois marinheiros experientes, do que grande número de inábeis, pois estes afundarão o navio.
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Para as noivas, parte II: vestidos elegantes e cai -cai free!



Brigitte Bardot 



O tema dos "vestidos de noiva cai cai todos clones uns dos outros", vulgo "vestido de pseudo baile de debutantes transformado em vestido de noiva" não é novo aqui no Imperatrix e gerou algumas conversas em posts passados.

 A verdade é que o cai cai, que favorece um número limitado de pessoas, não só se banalizou como se tornou praticamente a norma, mesmo para noivas gordinhas. Um paradoxo, tendo em conta que por tradição (e principalmente em cerimónias religiosas) é suposto uma noiva parecer bela e feminina, mas angelical e discreta. 


E quem diz cai cai, diz os vestidos com "corpetes" que mais parecem roupa interior...

O pensador brasileiro Olavo de Carvalho dizia há dias que quanto mais se achincalha a instituição do casamento, mais extravagantes se tornam as festa e os vestidos. E é bem verdade. De repente, a sensualidade é um requisito da noiva. Parecem esquecer que para servir esse aspecto, existe lingerie nupcial para usar sob o vestido, só para os olhos do noivo...

E outra regra importante: tal como qualquer outra toilette o vestido de noiva, para resultar, tem de ser escolhido em função do tamanho e sobretudo, do tipo de corpo da noiva (rectângulo, pêra, ampulheta ou triângulo invertido).



 Para o seu casamento com o Xá da Pérsia em 1951, a Princesa Soraya optou por um bolero, capa e  véu para o exterior e cerimónia religiosa, usando o cai-cai apenas na recepção. Uma ideia a copiar para quem não dispensa modelos reveladores. Nota bene que a figura da "Imperatriz", magra e com um busto saliente e firme q.b,  permitia o uso de cai cai.


Apesar de o mediatismo dos casamentos "reais" ter voltado a colocar no mapa os adoráveis vestidos de manga comprida ou 3/4 - que quanto mais não seja, ficam bem à maioria das mulheres, mais gordas ou mais magras - a queixa geral é que são difíceis de encontrar. Tendo isto em conta, elaborei uma pesquisa para procurar os modelos com mangas mais bonitos actualmente disponíveis. 

 Para compra ou inspiração, caso se deseje mandar encomendar por medida ou - uma opção igualmente viável - fazer modificações seja no modelo escolhido, seja num vestido vintage ou de família.


Quanto às mangas compridas, uma ressalva: por alguma razão, a maioria é de renda ou musselina translúcida, estilo Grace Kelly (um design adoptado e popularizado mais recentemente pela Duquesa de Cambridge) talvez para que a noiva não se sinta demasiado "vestida" no panorama actual.

 No entanto, os braços, mesmo os mais elegantes e tonificados, às vezes fotografam mal- e rendas ou as transparências podem "aumentar" visualmente sob os flashes. A melhor opção, para evitar surpresas e ficar maravilhosa em todos os retratos, é uma manga opaca a 3/4

Vide Elizabeth Taylor que usou, quanto a mim, um dos mais belos - e definitivamente, na fronteira entre o sexy e o discreto - vestidos de noiva com mangas de todos os tempos:


Ou o vestido da Princesa Mette-Marit da Noruguega, um encanto de feminilidade e elegância:


Porém, os gostos variam e as cerimónias não são todas iguais: há quem, por casar apenas no civil, possa, sem nada que se aponte, optar por um vestido mais moderno - ou sonhe usá-lo ao menos para os retratos fora da Igreja. Ou ainda, quem goste mais de se ver com mangas curtas, dentro do bom senso. 



Desde que a figura seja elegante e os braços tonificados o suficiente para isso, é uma opção viável. 




 Os vestidos de Jackie Kennedy, Audrey Hepburn e da Princesa Vitória da Suécia provam que uma cap sleeve pode ser elegante e modesta:



Também Carolyn Bessete-Kennedy, esbelta adepta do minimalismo, provou que é possível usar alças ou cavas sem revelar em demasia.




Por isso, incluí algumas sugestões de vestidos desse género mas elegantes -mais adequados, se usados per se, a cerimónias civis. 


Comecemos pelos vestidos de manga comprida ou 3/4- sim, eles existem!



Aire Barcelona: de decote bateau subido e aberto nas costas: perfeito para noivas altas e/ou magras, de busto pequeno



Idem: ideal para mulheres petite



Idem e idem: um look Audrey Hepburn


Modelo Pronovias: perfeito para figuras de ampulheta que tenham um busto bonito.


Idem: corte sereia, cingido ao corpo. Aconselhado para mulheres petite, ampulhetas magras ou figuras de triângulo invertido, com mais busto mas ancas estreitas.

Idem: o decote shoulder-to-shoulder e a saia linha A torna-o indicado para mulheres com curvas- ampulhetas ou pêras.


Idem: modelo indicado para figuras curvilíneas.


Idem: perfeito para mulheres petite ou de corpo tipo coluna.




Também Pronovias: o modelo clássico para figuras de pêra.



Idem: favorecedor para a maioria das mulheres curvilíneas.



Esta versão do corte sereia, com um decote shoulder-to-shoulder, equilibra as curvas -tornando-o mais fácil de resultar em diferentes tipos de corpo.



Rosa Clará: clássico e favorecedor para a maioria das figuras, nomeadamente para mulheres com algumas curvas, mas busto pequeno.Destaque para as mangas opacas - mais lisonjeiras e à prova de "surpresas" que as de renda.

Jesús Peiró: um modelo com decote scoop,  bonito para todas as silhuetas.


Idem e idem: indicado também para noivas que apreciam um toque medieval.


Perfeito para curvas, Ronald Joyce.






Idem e idem, em versão sereia. Destaque para o lindíssimo véu de aspecto vintage.






Vestido de inspiração "élfica", disponível no El Corte Inglès


Modelos de manga curta, alças ou cavas

Se uma noiva idealizou um vestido sem mangas, o cap sleeve - modelo popularizado por Jackie Kennedy - é o ideal, mas precisará de ter em conta três aspectos: primeiro, se tem braços firmes e elegantes q.b. Segundo, o local: em casamentos religiosos será de bom tom optar por um bolero se o decote for um pouco mais amplo, ou pelo menos, por um modelo de véu que cubra os ombros e braços durante a cerimónia. E terceiro, como estes modelos - embora menos banais do que os cai cai - vão sendo mais comuns, poderá ter de procurar um pouco mais por um vestido especial, com detalhes ricos e sobretudo, que lhe assente na perfeição. O fitting é sempre a chave.


 Aire Barcelona: perfeito para figuras elegantes de ampulheta ou pêra.


Maggie Sotero: modelo tipo Belle Époque ricamente bordado. Ideal para figuras de ampulheta.


Aire Barcelona: o eterno e democrático vestido "Jackie".










Idem: o decote amplo e a saia linha A são ideais para silhuetas curvilíneas.

 
Pronovias: indicado para noivas atléticas, de braços elegantes e/ou figuras de triângulo invertido.


Maggie Sotero: decote em V bordado, adelgaçante e indicado para bustos pronunciados.


Penhalta: modelo perfeito para figuras de pêra. Destaque para a originalidade e encanto do véu.



Gema Nicolás: indicado para noivas curvilíneas.



Maggie Sotero: modelo inspirado nos vestidos de noite da belle époque, a lembrar Madame X. Definitivamente mais indicado para cerimónia civil- em casamento religioso, exigiria bolero e véu. Em todo o caso, perfeito para ampulhetas esguias.


Idem: elegante vestido de cetim com cristais estilo anos 20/30. Cairá bem em qualquer mulher esbelta, mas é ideal para silhuetas rectângulo, triângulo invertido e figuras petite.


Gemma Nicolás: o modelo e o brocado espesso tornam este vestido perfeito para noivas curvilíneas.


Às noivas que ainda não escolheram o seu vestido, votos de muita inspiração e felicidades! É sempre bom recordar que acima de tudo, importa estar bela para os olhos do noivo e ficar com uma recordação que se quer intemporal da união entre duas pessoas. Para isso, a extravagância e a vaidade exagerada são totalmente acessórias e perfeitamente dispensáveis...


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