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Saturday, April 23, 2016

As celebridades só usam estes 4 sapatos de festa (e com razão!)

A revista Marie Claire lembrou-se de apontar um detalhe engraçado - e que serve para nosso governo - nas toilettes de actrizes, cantoras e modelos.

É que quando se trata de calçado para looks festivos ou formais, as famosas cingem-se a quatro designs simples, testados e à prova de erro: 

O pump preto e bicudo de sola fina:



 A sandália "nua" (popularizada por Stuart Weitzman):


 O pump de PVC translúcido com biqueira opaca branca, preta ou creme (presente em diferentes marcas, incluindo Louboutin, mas eu recomendo Walter Steiger; nada mais confortável):



 E o  pump colorido e bicudo de sola fina (aqui podemos incluir o tom nude):


Isto por boas razões: não só estes modelos intemporais e discretos fazem parte dos sapatos essenciais a ter no armário, como, por serem alongados no formato e cavados no pé, adelgaçam as pernas e tornam a figura mais esguia. Para não falar que nunca destoam, e na versatilidade destes básicos: prestam-se a todas as bainhas, comprimentos, saias e calças e não se limitam a traje social. Desde que o solo e a ocasião o permitam, podem ser usados até com jeans ou peças mais ousadas, como calças de couro. 


Eu própria me rendo cada vez mais a estas fórmulas sucintas: afinal, há sapatos festivos muito bonitos, mas nada bate ter "aqueles pares de confiança" sempre à mão!

Quem te avisa, teu amado é.



Michelle Keegan e Mark Wright

Diz este artigo, de um site que até aprecio bastante,  que um homem NUNCA, jamais, em tempo algum, pode dizer à mulher/namorada  - caso ela se tenha desleixado com a boa forma-  "tinhas uma silhueta espectacular...sinto a falta disso!". Assim, tipo "elogio envenenado".

Ora bem, vejamos. Está certo que nunca é agradável ouvir coisas desse género e que eles às vezes não se sabem explicar lá muito bem. Não só uma mulher é por natureza vaidosa, como quer ser sempre bela aos olhos do "respectivo". Mas vamos por partes...

Quando um homem começa a pôr defeitos na cara metade isso pode ser muito mau sinal, a avó sempre mo disse. Se o fizer injustamente, a diminuir a parceira, como quem "arranja pés" para saltar fora; se isso vier associado a outros sinais de desinteresse; se for dito de forma rude ou insultuosa e sobretudo se a mulher não engordou, não se modificou, continua a cuidar-se como sempre fez ou passou por alguma alteração física temporária (em consequência de gravidez, problema de saúde...) da qual está a tratar vulgo work in process, então de facto esse homem é um estúpido. 


Merece uma guia de marcha e malinhas à porta no melhor espírito maquiavélico "faz aos outros o que eles gostariam de te fazer a ti, mas fá-lo primeiro" ou se preferirem, numa operação antecipar o par de patins. Ou no mínimo, que lhe ponham defeitos também a ver se aprende, tipo "e qual é a sua desculpa para ostentar esse barrigão de cerveja"? Touché.

Then again, eu fui educada no antigo espírito "que um homem nunca sonhe as tuas inseguranças" e "se tem alguma mazela, trate disso antes que ele note". Ou seja, há que ter constante cuidado com a boa forma e a beleza de modo a não precisar de ouvir reparos em vez de elogios. Claro que quando um homem ama realmente a sua mulher, vai achá-la sexy mesmo que ela não esteja a 100% e ser compreensivo da mesma forma que espera compreensão da parte dela para os seus eventuais pneuzinhos ou falhas de cabelo.



O "na saúde e na doença" também se aplica a estas coisas mais superficiais. Mas não se deve abusar disso: a atracção física é importante e ser preguiçosa é (salvo seja) vender gato por lebre. 

Se um homem escolheu uma mulher não só, mas também, pelo seu aspecto, espera continuar a ver isso no dia a dia. É apenas justo! O amor também vive do encanto, da sedução, da ilusão.

Depois, há mais dois factores: primeiro, uma relação vive da cumplicidade e do companheirismo. E isso passa também por cuidar um do outro, por se orgulharem um do outro- por querer ver quem se ama no seu melhor. Eventualmente, a cumplicidade inclui treinarem juntos, ajudarem-se mutuamente na escolha do guarda roupa, etc. 




Segundo, num relacionamento deve haver abertura e confiança: se um homem não está à vontade para dizer (com tacto, claro) à pessoa mais próxima dele que não está a fazer bem a si própria...então não tem uma mulher a seu lado, mas uma rapariguinha caprichosa e cheia de si. E se uma mulher tem uma crise de insegurança por duas palavras quanto a um problema de fácil solução, ou lhe falta fair play, ou tem uma auto estima abaixo de zero, ou a relação anda pelas ruas da amargura.

Quem preza a sua beleza, faz por isso; se engordar, até agradece que a avisem para atalhar o mal mais depressa; não deita as culpas à má raça ou à genética enquanto abanca no sofá e enche a cara de gulodices. Não vê um "ele já não me ama" numa sugestão bem intencionada que em muitos casos, não descuidasse ela as suas obrigações, nem teria lugar para começo de conversa. Não pesca elogios, em modo "estou tão gorda" se sabe que se desmazelou...e se ouvir um conselho da cara metade, faz por acatá-lo. Se o personal trainer dissesse o mesmo, estava tudo bem: mas caso o toque venha do homem de quem gosta, é o fim do mundo? 

No fitness e no amor não há lugar nem para melindres, nem para vidrinhos...

Friday, April 22, 2016

Boys will be boys; girls are made of sugar and spice and all things nice.

É só o que falta. Ou não.


Se me querem arreliar, é mandarem-me artigos como este e este. Ou seja, a advogar que é errado dizer aos meninos "faça-se um homem", "um homem tem de ter palavra", "não seja choramingas", "um menino crescido tem de ser o homem da casa" ou "endireita as costas e faz o que tens a fazer"... e às meninas, "sente-se como uma senhora", "isso não são formas de uma menina se comportar" ou "uma menina não diz palavrões" .

Como se já não houvesse para aí má criação suficiente sem irem buscar desculpas de "género" para que se criem ainda mais pessoas sem palavra ou a precisar de lavar a boca com sabão. Cruzes!




É claro que não ser piegas, ser discreto (a) quanto a coisas íntimas como a choradeira, ter palavra e evitar palavrões não são recomendações exclusivas para nenhum dos sexos. Mas já se sabe que os rapazes (e isto não vai mudar) são incentivados pelos seus pares à gabarolice e à competição, o que pode
 torná-los mais propensos a fazer batota ou dar o dito por não dito.

 Incentivar o bom e velho conceito da palavra de honra só lhes faz é bem, nunca é demais.



 E não é que um homem não possa chorar, mas se numa rapariga já cai mal ser melindrosa, num marmanjo cheio de força pior um pouco- especialmente se for por tudo e por nada, e em público. Acreditem. 




Dou-vos dois exemplos:  um rapagão que conheci, que era todo não me toques, que me desafinas; qualquer beliscão era "aiiiiiiii, que me aleijaste"...com aquele tamanhão, fazia cá uma figura de urso!  Depois, um pintas todo Carlão de que me falaram há dias: ao ter sido trocado por outro pintas qualquer, tanta lamuria contou a toda a gente, tanta alfinetada mandou, tanta lamechice publicou nas redes sociais, tanta roupa suja lavou em modo Felisberto Desgraçado que a ex, que coitada também não era pessoa que se recomendasse, teve de o chamar em público à discrição e ao bom senso. Quando até uma doidivanas precisa de corrigir um homem, mal vai o mundo.



E depois, já nem se estranha que nem todas as meninas hoje aprendam em casa a boa e velha máxima "uma Senhora educa um homem só com a sua presença". Primeiro porque a educação à moda antiga rareia cada vez mais, depois porque mesmo que exista poucos dão por ela: as coisas andam de tal modo que já não basta estar vestida com elegância e ter propósitos para que automaticamente qualquer rapaz pense "ui, calma- ao pé desta preciso de ter modos". Mas se a presença de uma rapariga bem educada pode não fazer efeito em alguns brutamontes, a de uma rapariga mal criada tem consequências terríveis. 



Recentemente caí na asneira de me sentar num desses restaurantes típicos da minha cidade junto de uma festa de *creio eu* estudantes na casa dos 19/vinte e poucos anos. E digo-vos que NUNCA em toda a minha vida (e acreditem, quem trabalha em comunicação conhece muita sorte de gente e escuta de tudo um pouco) ouvi impropérios tão chocantes. Esta experiência deu outra profundidade à expressão "asneiredo de fazer corar um carroceiro".



 Uma varina do Mercado do Bolhão não se conteria que não lhes desse com um carapau em cheio nas... *inserir palavra a gosto*. Nem eram os palavrões em si - palavras leva-as o vento e ao fim de algum tempo, os ouvidos já estão dormentes e insensíveis às palavras m*, f* e c* repetidas ad nauseam ao início, a meio e na conclusão de cada frase. 

Era a brejeirice, a baixeza e a boçalidade em detalhe sórdido; o assunto a que os palavrões constantes davam forma. Uma autêntica competição a ver quem era mais nojento no discurso e quem urrava mais alto ou mais animalescamente. Juro-vos que chimpanzés em época de acasalamento não se portariam pior. Era como e não sobrasse um único pensamento elevado, limpo ou vá, humano naqueles cérebros. E isto com gente que ainda não tinha tido tempo de se embebedar, numa mesa composta de 50% de raparigas...que adivinhem, faziam tão mal ou pior. Elas diziam do piorio e eles, feridos nos brios, tentavam superá-las; pois claro...



Se num homem dizer grosserias cai mal, numa mulher pior ainda quanto mais não seja pelo exemplo. Até pode não se crer nisso de as mulheres serem a "espinha moral da sociedade".  Mas se eles dizem "mata" e elas respondem "esfola", se por causa de elas serem "mil vezes piores que nós" eles perdem o decoro de guardar as barbaridades e rapaziadas para quando estão "entre rapazes" então é exacto que a principal conquista da "igualdade" foi (como diz este artigo que é a melhor coisa lida esta semana) as mulheres superarem os homens em imoralidade e depravação. 

Se a educação moderna ensina os rapazes a serem tão piegas como uma rapariga nunca devia ser e as raparigas a tornarem-se tão rudes que até a rapaziada fica com vergonha, passo.




Thursday, April 21, 2016

Prince e Vanity: amor além túmulo?


Depois de nos levar David Bowie, 2016 prega-nos a partida de ficarmos sem Prince. Nunca fui uma fã acérrima, mas gostava da sua música e não consigo ficar parada ao ouvir Kiss ou Get Off.

Mas curioso é que em Fevereiro estive para dedicar um post à morte da bela Vanity, ex namorada/protegida do cantor. Por algum motivo, não cheguei a fazê-lo. Em boa verdade, só conhecia Vanity por me lembrar de há muitos  anos ter lido algo sobre a sua tumultuosa história de amor com Prince numa revista.

Prince ter-se-á encantado com a modelo aspirante a artista por a considerar o reflexo feminino dele próprio. Por isso chamou-lhe "Vaidade" e tornou-a na líder de uma girlsband que faria corar as Pussycat Dolls. O efeito da fama em Vanity foi devastador: mais tarde, convertida ao Cristianismo, arrependida dos seus erros (recusou mesmo receber quaisquer royalties vindos dessa fase conturbada) e com a saúde arruinada pelas drogas, ela confessaria que a vaidade - ou o seu alter ego- quase a tinha destruído. Morreu aos 57 anos, de falha renal causada pelos excessos da sua vida passada. Ainda assim, teve mais vinte anos de vida além do que os médicos tinham previsto...



Menos de três meses depois, Prince - precisamente com a mesma idade - foi juntar-se-lhe. É uma estranha coincidência, quanto mais não seja porque ambos haviam seguido com as suas vidas; os dois estavam casados com outras pessoas e é de supor que a paixão de outros tempos estaria sepultada - ou bem adormecida - no passado. Mas às vezes não é bem assim. Já o disse, há amores que não matam mas também não morrem. O tempo e a distância não lhes secam as raízes. Talvez Prince e Vanity fossem de facto almas gémeas, mas num sentido obscuro: demasiado semelhantes para fazerem bem uma à outra. 

Bela, recatada e do lar...porque não, hein? Ou o lugar da mulher não é onde ela quiser?



Por terras de Vera Cruz - e a reboque da crise política - vai um grande burburinho que pôs as feministas de plantão de cabelos em pé (há quem fale em histeria colectiva) e que convida a pensar.

Antes de mais, deixem-me explicar o motivo de ultimamente eu andar atenta ao que se passa quer no país irmão, quer nos Estados Unidos no que respeita à condição feminina e, por conseguinte, de isso ter um certo protagonismo aqui no blog: é que todos os exageros, todas as bizarrias e todos os disparates de uma certa agenda à esquerda, liberal, ou o que queiram chamar-lhe, vêm ultimamente das Américas, mas acabam inevitavelmente por se reflectir aqui (vide o caso do Happy Meal ou mais recentemente, o do Cartão de Cidadão). Temos tido alguma sorte por, no velho continente, as ideias mais extremistas andarem pela Suécia ou pelos países de Leste, mas não nos fiemos.

Esclarecido isto, vamos à polémicazinha: a revista Veja! dedicou uma elogiosa reportagem à mulher do actual vice-Presidente do Brasil, com o título "bela, recatada e do lar" que foi imediatamente classificada como parecendo um artigo "dos anos 50" (qual é o mal?).


Caiu o Carmo e a Trindade, simplesmente por a postura tradicional da visada ser - aos olhos de quem leu - elogiada como "ideal". E claro, as mulheres "emancipadas" reagiram com memes mostrando que não querem ser "do lar". Querem antes ser assim, bêbedas, malcriadas e "endiabradas" (Vade Retro, Satana):


Vamos por partes, para que não restem dúvidas: Marcela Temer (ex Miss, formada em Direito depois de casada) é um pouco um estereótipo ambulante daquilo que as pessoas adoram apontar como (detesto o mau uso da palavra) dondoca. Totalmente dedicada à casa, ao filho, ao lazer e esposa de um homem muitos anos mais velho, o que levanta sempre suposições mordazes.  Porém, ainda que seja uma "dondoca" bem casada com quem escolheu, novo ou velho, casamento de amor ou de razão...onde é que isso é pior do que coleccionar casos de uma noite e ficar a chorar na manhã seguinte porque ninguém quer casar com doidivanas, como tantas que há para aí e ainda se defendem com o feminismo? M-E-N-O-S.


Mas ponhamos isso de lado: recordo-me de, na adolescência, ficar muito espantada por ouvir a avó dizer que nunca tinha sonhado com outra coisa senão ser esposa e mãe. Com o mundo inteiro diante de mim, imensas possibilidades e - admito-o, que remédio - cheia da cassete que nos impingiram que nh nha nha, uma mulher não pode ser "só isso" achei extraordinário que afinal, ela tivesse deixado de ser outra coisa qualquer não por a terem proibido, mas por vontade própria. Foi assim uma epifania.


Por outro lado, mais cedo ainda algo me dizia que tão mau era uma mulher querer ser outra coisa que não dona de casa e não a deixarem, como era mau querer ficar em casa com os filhos (como se fosse fácil!) e ser censurada por isso. Para já, porque invejei poucas coisas na vida, mas uma delas eram os meus colegas cujas mães estavam em casa. Depois, porque quando lia as tiras da Mafalda, me parecia estranho que a Mafalda fosse pintada como a rapariga ideal (cheia de ambições intelectuais e stressada com preocupações políticas) enquanto a Suzaninha era retratada como uma bisbilhoteira ignorante, só por ser mais feminina e querer ter muitos filhinhos.

Não que houvesse mal nos sonhos da Mafalda ou nos sonhos da Susaninha: mas no seu extremismo, ambas eram chatas e limitadas, cada uma a seu modo. Não via porque é que a Suzaninha tinha de ser pior.


Depois, sejamos realistas: ou bem que as conquistas dos últimos cem anos deram às mulheres liberdade para serem o que quiserem (cientistas, militares,artistas e sim, donas de casa) ou bem que não deram. Ou há moralidade (ou neste caso, liberdade...) ou... o resto. Até porque já se sabe, you´re damned if you do and you´re damned if you don´t: as mesmas almas que pregam que temos mas é de estudar e trabalhar chega-se a uma certa fase da vida e começam a perguntar "e quando é que casas? E quando é que os teus pais têm netos?". Haja paciência e metei-vos na vossa vidinha, sim?


Por isso, pessoalmente fico-me por um saudável meio termo: que uma mulher estude, que se prepare, que conquiste a sua  independência e mais tarde se quiser abrir mão de uma carreira, se puder e o casal tiver meios para isso muito bem; esteja em casa. 

Seja a rainha do lar, que é uma nobilíssima e muito trabalhosa ocupação, seja o lar simples que precisa de cuidados diários bem cansativos ou a casa grande com pessoal doméstico que exige uma gestão complicadíssima. Fique se quiser, senhora do seu direito, de preferência se tiver meios seus (herdados ou conquistados a pulso, não importa) e/ou alguma actividade a partir de casa ou em part time, não só por uma questão de realização pessoal mas porque, como já discutimos, não acho boa ideia depender totalmente de ninguém: não sou a favor do divórcio mas como diz o povo, hoje estamos bem mas amanhã vai-se a ver.


Mas o que sela o assunto foi a forma como o mulherio sempre pronto a ver machismo e opressão até num ovo retaliou  incendiando a internet (e este texto explica-o lindamente). As mulheres "moderninhas" sentiram-se "oprimidas" pela reportagem, só porque implicitamente ela diz "Marcela não é como vocês: não anda para aí seminua, não protesta a favor do aborto, não é promíscua; porta-se bem e é a típica mulher para casar". Já se sabe que por trás de cada afirmação do tipo "só Deus pode julgar-me" há um fortíssimo "deixem-me pecar em paz". Alguns memes tinham a sua piada, como estes históricos que satirizaram o assunto pintando Leonor de Aquitânia , Catarina de Medici ou Isabel I como "mulheres do lar".


A diferença é que Leonor, Isabel ou Madame Curie não só fizeram o que tinham a fazer sem precisarem de "feminismos", como sempre souberam estar. Uma mulher pode escolher não ser "do lar", mas bela e recatada convém que seja.  Se ser uma mulher "moderna" é ser uma taradinha canta monos, uma histérica, uma devassa, uma desleixada, antes ser  mulher do lar, mil vezes. Lá dizia a Dorothy, there´s no place like home.









Wednesday, April 20, 2016

Para seu bem...arrelie-se a si mesma (o)!



Há dias conversava com uma amiga sobre a motivação para fazer exercício. E ela, sabendo a minha aversão a partilhar com estranhos o espaço, o esforço, as caretas e outras intimidades associadas ao fitness, dizia-me "não sei como te motivas sozinha!". To each their own: há quem prefira a música alta, o acto de sair de casa para isso, o estímulo alheio e a companhia...e quem escolha a paz, o sossego, o ginásio doméstico e ginasticar às horas/nos preparos que bem lhe apetece. Cada um encontrará a melhor forma de se disciplinar, desde que não arranje desculpas. Mas de uma ou de outra forma, não há personal trainer, por mais experimentado e capaz, que substitua duas nobres artes: a arte do "grão a grão" e a arte de se arreliar a si mesma (o). 

Duas artes, aliás, que se aplicam não só à forma física, mas a todas as áreas da vida. 

Edgar Allan Poe disse que há por aí imensos génios, mas poucos se dão ao trabalho de se estimularem ao seu máximo potencial. E parte desse ficar aquém vem da mania da perfeição, das condições perfeitas ou - no caso do exercício físico- de querer o treino perfeito. Sabem, as pessoas que adiam, adiam, porque se não treinarem duas horas por dia não é um treino bem feito. E nessa espera vai-se a preguiça instalando, os músculos amolecendo, as gordurinhas crescendo...

Mas vejamos isto noutro sector: santos como Santa Teresinha e S.José Maria Escrivá falaram tanto na "preguiça" de rezar - que acomete as almas mais perfeitas - como no pouco fervor que às vezes atinge os maiores devotos. Ambos defendiam que mais vale rezar na mesma, ainda que com pouca concentração ou vontade, mesmo que irradiando menos fé, menos louvor, menos confiança, mas não perder o hábito. Num dia não se está inspirado, mas amanhã será melhor. Na vida espiritual, como na ginástica, nos objectivos profissionais, ou em actividades artísticas como a escrita (que já se sabe, são 50% de inspiração e o resto de *blhec* transpiração) às vezes é preciso insistir, insistir, e fake it ´till you make it.

Voltando ao exercício, mais vale um treino um pouco atabalhoado num dia, com alguma batota, certo, mas que queime algumas calorias e mantenha os músculos acordados. Uma das minhas gurus de exercício preferidas da internet assume não treinar mais do que 20 minutos por dia! A um escritor, mais aproveitam umas linhas rascunhadas com uma prosa menos que sublime, mas duas boas ideias que noutro dia se possam explorar melhor, do que deixar a página totalmente em branco e entrar em "bloqueio de artista". 



E tão importante como o "grão a grão" é então isso de se arreliar/beliscar/desafiar. Ai de quem não se provoca, em modo "que vergonha! Tantas qualidades e para aí alapada no sofá!". Agora está muito na moda o "tu mereces, tu consegues" mas por vezes, dois auto-calduços simbólicos têm bem mais força do que um estímulo positivo e fofinho. Por isso respondi à minha amiga se o espelho não era motivação suficiente. Por muito que se goste de si própria, que se deva ser gentil consigo mesma, convém que o espelho diga das boas e das bonitas...do estilo "sim senhora, mas pode melhorar. Agora vá lá levantar uns pesos, sua valente mandriona, que o colchãozito não morde". E quem diz o espelho diz a roupa que é uma vergonha não cair na perfeição quando bastava um bocadinho de esforço, ou mesmo a inspiração de certa celebridade que tem o mesmo tipo de corpo, ou até não é nada do outro mundo mas treina e se lhe seguisse o exemplo podia estar igual ou bem melhor, ou até o não querer ser como fulana ou beltrana que é uma desarranjada (não acho que as mulheres devam atormentar-se com comparações , mas neste caso pode ser útil).

Em qualquer área da vida, menos palmadinhas nas costas e wishful thinking, e mais sujar as mãozinhas.

Não queiramos ser como uma pessoa que conheci, que se dizia a melhor do mundo mas nunca fazia nada de nada à espera do momento perfeito, das condições ideais. Lá continua gorducha e sem avançar na vida, sempre na mesma mas apregoando ao mundo as qualidades que só o espelho (um espelho muito complacente) lhe reconhece...

A MTV nem os elfos respeita.


Tolkien daria voltas na tumba: o genial professor, responsável por popularizar a imagem dos elfos belos e magníficos inspirados na mitologia nórdica, chegava a embirrar solenemente com Shakespeare por o Bardo se ter atrevido a pintá-los como "o pequeno povo" em Sonho de uma Noite de Verão. Que não diria da série as Crónicas de Shannara, obra da MTV e com todos os maneirismos e desconchavos que se esperam da dita cuja!

Eu não sonhava o que vinham a ser as Crónicas de Shannara (só o nome parece reles e produzido a martelo, sabem como é? Pensa-se assim num nome que soe entre o élfico e o medievo, tipo feira medieval com disfarces comprados na lojinha do chinês e já está) mas para mal dos meus pecados tenho-a apanhado de longe em longe em casa de familiares que têm o canal AMC.

 Inicialmente chamou-me a atenção por ter Manu Bennett, o Crixus de Spartacus, num dos principais papéis. E vá, por ter elfos e por o actor principal, que faz de meio-elfo, ter ar disso. Mas juro-vos que a partir daí a desgraça é tão grande que uma pessoa não sabe se ri, se chora, se muda de canal e não pensa mais nisso.



Para J.R.R. Tolkien, Católico fervoroso e  intelectual de renome, não havia áreas cinzentas nas fronteiras entre o belo e o feio, o bem e o mal, o amor e o egoísmo. Mesmo os seus dramas de amor e argumentos mais sombrios - ou mais adultos - tanto no Silmarillion como nos Contos Inacabados, por exemplo, são cheios de nobreza, de elevação, de intensidade. Nada é deixado ao acaso, muito menos a linguagem: o criador de todo um universo que incluía idiomas plenamente desenvolvidos morreria a rir ao reparar em nomes pindéricos como Shannara ou Princesa Amberle. Pindérico porque seria o mesmo que eu, Sissi, querer vestir-me de elfa no Carnaval e zás: denominar-me a elfazinha Sissile ou Sissiwen. Não é assim que funciona, embora Sissiwen não me soe  mal de todo.



E que temos nós nesta série, além de designações que parecem inventadas para uma fanfic ou jogo infantil de RPG e um enredo fraquinho, fraquinho?

Para começar, um elenco que - fora o protagonista, o Manu no papel de druida e mais uma ou outra cara conhecida - parece recrutado do liceu da esquina, e cenários que nada têm de terra élfica, mas parecem inspirados - e rodados - num subúrbio qualquer, vulgo mato atrás dos prédios da Buraca. 

Deixemos os cenários para lá: eu não digo que toda a gente na televisão ou no cinema tenha de ser deslumbrante (há papéis para todos) mas perdoem-me ser tão pouco democrática, não acho piada a esta tendência de ter heróis e heroínas com caras banalíssimas. Mal por mal, antes uma novela mexicana onde quase toda a gente é linda de morrer. Para ver carantonhas iguais às que vejo na rua, não preciso de sonhar com elfos.




E palavra, a tal Princesa Amberle estaria excelente para fazer de criada de cozinha em Downton Abbey (se ao menos representasse um poucochinho melhor) mas para princesa élfica, jamais em tempo algum. Não depois de termos lido Tolkien e termos visto figuras e caras belíssimas como as de Cate Blanchett, Liv Tyler ou Evangeline Lilly a fazer de donzelas élficas.



Aqui, as "elfas" ou "beldades" humanas  parecem saídas de um colégio desses subsidiados pelo estado onde abunda a serigaitagem. Era tirar-lhes os carapuços e as túnicas, deixar as leggings - que na série elas são guerreiras (tinha de ser) e os figurinos deixam algo a desejar - e aí as tínhamos com as suas caras pouco patrícias, traços grosseiritos, ar pouco sofisticado, corpos rolicinhos ou magritos e ar atrevidote. Só lhes falta mascar chiclet, dizer palavrões e rebolar ao som de Justin Bieber.

 E por falar em donzelas e donzéis, desiludam-se. Esqueçam os amores épicos de Beren e Lúthien, a paixão fatal de Maeglin por Idril ou a tragédia de Turin Turambar e Niniel. Em as Crónicas de Shannara estamos a falar de elfos, meio-elfos e humanos da geração MTV: ou seja, adolescentes pouco educados e sem valores de qualquer época, quanto mais valores inspirados na Idade Média e nos romances de cavalaria. As raparigas andam atrás dos rapazes com uma lata de dar vergonha aos Orcs e eles não são melhores; pouco lhes falta para fazerem as suas danças de acasalamento nos tais arbustos suburbanos que pretendem passar por florestas encantadas.

Os elfos de Tolkien podiam mandar cidades abaixo por uma paixão funesta, mas nunca teriam uma one-night-stand manhosa com a primeira atrevida que aparecesse. Está bem que até no Romance de Amadis havia a serigaita Briolanja, mas isto é abuso. Até porque a Briolanja levou uma tampa do Amadis para aprender a não ser atiradiça, e aqui não; é tudo uma festa.




Em suma, as Crónicas de Shannara estão para o universo dos elfos como Crepúsculo esteve para Bram Stoker ou Anne Rice. São mais uma versão chinfrim, hipersexualizada e estouvada dos universos fantásticos que crescemos a apreciar. Se Game of Thrones é uma espécie de Tolkien com a malandrice que faltava a Tolkien, isto é a tentativa teenager de brincar a Game of Thrones, mas em mau. Não direi às minhas amigas que proíbam tal coisa em vossas casas com medo de influenciar negativamente os adolescentes da vossa família; o conteúdo é demasiado acéfalo para levar alguém a copiá-lo. Mas sugiro-vos que o façam a bem de não lhes morrerem uns neurónios e umas gramas de sentido estético: eu senti algumas células cinzentas a finarem-se, e olhem que desliguei a televisão a correr...

Monday, April 18, 2016

Quando uma deusa bate o pé, os céus estremecem...mas há que saber bater o pé.





Oxum, a Vénus negra e senhora das águas doces, é uma das divindades mais interessantes das mitologias de origem africana, comum a religiões como a umbanda, a santeria ou o voodoo. Os seus atributos são muito semelhantes ao da Afrodite grega - ou seja, tem poder sobre o amor, a beleza, o luxo e a fertilidade- mas também lembra um pouco a Juno dos romanos, já que é capaz de influenciar  a riqueza e fazer casamentos.

Quando penso nela imagino sempre uma Beyoncé, mas com uma presença mais aristocrática e menos agressiva.

No entanto, embora Oxum não seja normalmente pintada como a espalha brasas entre os orixás (deuses)- ao contrário de Iansã, Deusa das tempestades - também tinha os seus dias não. E esta história mostra que, como todas as mulheres meigas e femininas, ela também tinha o seu ponto de ruptura, ou os seus momentos "sou muito doce e prefiro levar os assuntos com subtileza, mas não façam de mim tonta".


Ora, todos os dias Oxum, mulher trabalhadora e zelosa do seu trabalho, tinha uma canseira: era garantir a fertilidade da terra, das mortais  e dos animais; era alimentar com o seu poder as fontes, rios e nascentes, tornando a terra produtiva...enfim, ela não fazia o tipo da beldade ociosa, sentada todo o dia frente ao espelho. Por isso achou, já que dava um contributo tão importante, que seria mais que justo assistir às deliberações dos deuses. Não estava certo simplesmente destinarem-lhe tarefas sem que ela pudesse ajudar a delinear estratégias no seu próprio campo de actuação. Ciosa das suas razões, foi pedir-lhes  que a deixassem participar nessas reuniões...mas responderam-lhe "menina não entra".


Que fez Oxum? Não berrou contra a opressão dos homens, não convocou protestos, não arrancou as roupas nem fez figuras tristes. Sorriu e calou-se bem caladinha, voltando para os seus aposentos. E decidiu castigá-los, mostrar-lhes o seu poder e a sua importância para lhes provar que estavam enganados a seu respeito. Então agiu exactamente como Deméter na mitologia grega: retirou a sua protecção à Terra. As fontes secaram, os casais pararam de ter filhos, o gado não se reproduzia, os campos ficaram estéreis. Os outros orixás não tardaram a andar desesperados pois, por mais que usassem os seus próprios poderes para corrigir estas calamidades, nada funcionava.



Aflitos, foram ter com Olorun, o Ser Supremo, para que lhes acudisse. E ele perguntou de imediato se por acaso não se teriam "esquecido" de convocar Oxum para as reuniões pois, sem a sua influência sobre a fecundidade, nada podia resultar. Então os orixás masculinos viram como tinham sido insensatos, indo a correr convidar Oxum, que se fez de novas e só aceitou os seus pedidos após muita insistência. Depois de os fazer virar-se do avesso, lá tomou um assento entre os deuses e passou a ver a sua opinião respeitada. E assim a meiga Oxum bateu, com a sua astúcia feminina, a teimosia dos brutamontes que julgavam saber tudo...


Lá volto a Margaret Thatcher: ser poderosa é como ser uma senhora. Quem o é, demonstra-o sem ter necessidade de o afirmar. As mulheres têm muito mais a ganhar fazendo o que têm a fazer e mostrando o quanto são necessárias do que ralhando e lamentando-se. Até porque nunca houve um homem que percebesse ou respeitasse guinchos, tagarelices e muito palavreado...se queremos a admiração deles, há que lhes falar na linguagem que eles percebem: acção.

Tudo o que um homem deveria ser



Este fim de semana pude finalmente apreciar (um pouco à toa, mas pronto) o filme Operação Valquíria sobre os heróis do 20 de Julho, que já estava na minha lista há bastante tempo. Não é tão espectacular como poderia ter sido (o Marechal "Raposa do Deserto" Rommel, o Conde von Lehndorff-Steinort e o Barão von dem Bussche nem aparecem) mas vale a pena.  Gostei de ver Tom Cruise como Conde Stauffenberg; tornou o papel seu, embora ache que o verdadeiro Stauffenberg - sem desprimor - conseguia ser ainda mais bem parecido.

E sobretudo, captou-me a atenção a  relação do Coronel com a esposa, Nina. Não só pela química, expressa em muito poucas palavras, entre Tom Cruise e a actriz que interpretava a Condessa, mas pela escolha das cenas em que o Coronel abraçava a mulher e brincava com os filhos. A forma cheia de carinho e sentido de protecção como ele a olhava - e o apoio incondicional dela, de uma confiança infinita - comoveram-me mesmo.



 Em Operação Valquíria, o herói é tudo o que um homem deveria ser não só perante a sociedade, mas para a sua mulher: forte, corajoso, digno, cheio de nobreza de espírito e sentido de honra e das prioridades, um pilar. Gentil, mas uma fortaleza. 

Feliz da mulher que encontra um homem assim, a sério, sério e de honra: para ela, toda as canções de amor tristes sobre encontros e desencontros deixam de fazer qualquer sentido. Nunca olha ansiosa para o telefone, ou para a porta, à espera de notícias ou manifestações de afecto "dele", porque o tem de pedra e cal a seu lado. Ele deu-lhe a sua palavra e palavra dele vale um escrito. 



As angústias e inseguranças das mulheres enganadas ou relegadas para segundo plano não lhe roçam a fímbria das vestes, pois sabe que são uma unidade, que se adoram e que se escolheram como únicos ídolos um do outro. Não necessita de cansar a mente a elaborar ardis para levar a melhor, pois os conflitos e problemas são abordados em equipa e à porta fechada: o que ele quer, quer ela e vice versa. Em caso de dúvida, as possibilidades são postas em cima da mesa e analisadas até se chegar a um único e indivisível fito comum. Não existem planos nem objectivos divergentes entre os dois: a vitória de um também pertence ao outro, e qualquer ofensa ou derrota é igualmente partilhada. Não tomam as dores de ninguém antes das dores um do outro. A casa de um casal assim, seja uma cottage ou um palácio, é sempre um castelo inexpugnável. 



E é claro que um homem assim só pode dar o seu melhor junto de uma mulher que saiba ser uma suave, mas boa influência; de ser realmente esposa, no mais nobre sentido da palavra: ciente de quem ele é para lhe burilar as qualidades sem o mudar, forte e corajosa, dotada da intuição e boa vontade para ler as mais subtis emoções dele - pois os homens, mesmo os melhores, nem sempre sabem explicar-se à primeira; possuidora de um coração de leão que é capaz não só de amar em mananciais, com todo o espírito de sacrifício que o amor verdadeiro exige, mas de guardar silêncio ou de renunciar quando necessário, de agir com prudência e sensatez, de colocar em tudo, mesmo nas coisas graves,  um toque de meiguice; de apoiar incondicionalmente, de esperar o melhor mas estar preparada para enfrentar o pior- se ele é a espada, ela é o escudo. Nina Von Stauffenberg nunca saiu do lado do marido - quando ele ficou gravemente ferido e quando ele aceitou tomar parte numa missão arriscadíssima por um bem maior, mesmo pondo em causa o bem estar da família. O seu heroísmo não foi inferior ao dele. It takes two to tango...

Sunday, April 17, 2016

As avós avisam: no amor, brincadeira tem hora.





Hoje chegou-me um texto que recomendo mesmo, de um professor de desenvolvimento humano que se especializou em recolher pérolas de sabedoria das pessoas mais velhas.

No artigo, o professor Pillemer detalhou os quatro sinais de alarme a não desprezar no início de uma relação (ou a corrigir com urgência no caso de um relacionamento que, apesar de tudo, já seja firme): violência de qualquer tipo (como já vimos aqui noutro post), ataques de raiva inexplicáveis, desonestidade nas coisas grandes e pequenas e finalmente...constantes provocações, troças e sarcasmos.

Vale a pena ler o texto na íntegra, mas desta feita o que me chamou a atenção foi o último sinal de alarme - talvez porque não recebe tanto destaque nos textos do tipo "se a sua cara metade faz isto, pense duas vezes". É que essa forma de crueldade ou violência psicológica é bastante subtil; passa muitas vezes por brincadeira inocente, por vício de nervos, ou por aquilo que gosto de chamar "complexo de palhacito". 

Arreliar amorosamente o outro faz parte de uma certa cumplicidade ou pode mesmo demonstrar química - principalmente na fase de flirt, quando as coisas ainda não desabrocharam entre os dois. É uma forma de dizer "tu perturbas-me" semelhante à dos rapazitos que puxam as tranças ou pregam partidas à menina de quem gostam.

Porém, se a brincadeira  incomoda, cansa, se é demasiado frequente e/ou os ditos deixam de ter graça para passarem a ferir - pior ainda se as "graçolas" forem proferidas diante de terceiros-cuidado. Exceder-se nas troças é como fazer cócegas a mais: em pequenas doses tem graça, em exagero é tortura.


  Bem dizia uma campanha recente contra a violência no namoro que abordámos aqui: quem te ama, não te humilha.

Conheço imensos casais assim, infelizmente: da mulher que diz, diante dos amigos do marido, que ele não faz nada com jeito ao namorado ciumento que acusa a amada de "galdéria", passando pelos que só estão bem a pôr defeitos e a descobrir as carecas um do outro, em vez de se apoiarem mutuamente. O amor não devia servir para embaraçar as pessoas - muito menos para as deixar inseguras.Onde não há empatia nem respeito pelos mais subtis sentimentos da outra parte, não pode haver amor.

Voltemos ao artigo, e passo a citar: Margaret, de 90 anos, conta que teve de se pôr em campo para dar um basta às provocações que o marido lhe fazia. Conseguiu (adoraria saber como chegou a tal acordo com o brincalhão) mas avisa: "arreliar é muito perigoso. É como bullying. Esse tipo de comportamento jocoso degrada o outro. É suposto ser a brincar, mas é um bom sinal de aviso porque diminui a outra pessoa".

Brincadeiras têm limites- e as avós, que têm sempre razão, sabem bem disso.


Margaret, age 90, had to reach an agreement with her husband to end teasing in their relationship. She told me:
Teasing is very dangerous. Teasing is like bullying. It demeans the other person, that kind of mocking behavior. It’s supposed to be kidding, but it’s a good warning sign, because it really devalues the other person.
- See more at: http://goodmenproject.com/featured-content/hlg-dating-warning-signs-when-seeking-a-partner-dont-be-dumb/#sthash.Gk6q7PCz.dpuf

Também eu, Ms Wintour, também eu.





Nem sempre estou de acordo com Anna Wintour. Ter cedido aos Kardashians - dando o dito por não dito e claramente contrariada, mas mesmo assim - retirou-lhe, a meu ver, não só uns pontos quanto à infalibilidade do seu gosto, mas sobretudo, amachucou-lhe a aura de arbiter elegantiarium irredutível e incorruptível. Mal comparado, seria um pouco como ver Oscar Wilde a dizer brejeirices ou a ser politicamente correcto.

Mas em entrevista ao Today Show, a todo-poderosa editora da Vogue americana disse algo que me voltou a soar como coisas suas: é que se pudesse banir uma tendência para sempre, faria desaparecer o nylon.

Não poderia estar mais de acordo - aplausos. Mas é pena ter parado no nylon. Devia ter ido por ali além, a começar no poliéster e a acabar na viscose. Já se sabe que às vezes é inevitável usar uma percentagem de material sintético até para que certos tecidos caiam melhor (os tais 2% de elastano nos jeans, por exemplo) mas há marcas - e até marcas supostamente de confiança - que exageram, como se os consumidores fossem tolos. E que têm a desfaçatez de incluir 50% de poliéster num casaco de lã ao preço de um anel de brilhantes, quando não substituem categoricamente algodão por viscose como se nada fosse, e outras diabruras...é preciso ter mil olhos para o que a etiqueta diz.

 E claro que - quase sempre - quanto mais se desce no preço, pior o cenário (digo "quase" porque a Massimo Dutti trabalha mais com materiais nobres que certas etiquetas mais exclusivas e na Primark, estando atento apanha-se muita coisa 100% algodão). Isto para não falar nas pessoas que não distinguem de todo, o que faz com que cada vez se veja gente com roupa que lhe cai mal, de aspecto reles e que complica muitíssimo qualquer jornada em transporte público. Calor e poliéster *não* combinam de todo.


Mas lá que as marcas o façam, com o propósito do lucro, vá que não vá. O que me arrelia é que quem usa não note! Como não dar por uma coisa que anda à volta do corpo o dia todo a não cair como devia, a fazer calor, a não deixar a pele respirar, a arrepanhar-se e a estragar-se num ápice?

Porém o pior disto tudo, o cerne da questão, é que em última análise, o abuso de tecidos fracos é como o depauperar da linguagem: quem substitui boa parte do seu vocabulário por palavrões e gíria grosseira, soa como um labrego mesmo que não tenha tido esse berço. E pior, convida os outros a descer ao mesmo palavreado. Há toda uma degradação em cadeia.

Se, enquanto sociedade, nos desabituarmos das coisas boas, bonitas e de qualidade - seja a nível da elegância, da cultura, do saber estar ou de aspectos tão tangíveis como a roupa - vamos por aí abaixo.

De cada vez que vou a um concerto de música clássica e as únicas pessoas vestidas adequadamente - já não digo "bem" - são os músicos e o maestro, penso se não se estará a perder toda uma tradição que tem mantido a nossa cultura de pé, mas as próprias bases da civilidade. O poliéster, ou o nylon sem ser nas meias e collants, é só uma manifestação do problema. 





 

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