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Saturday, April 30, 2016

"If only I could turn back time" - um salto quântico às vezes dava jeito.



Por norma, quem é ponderado tende a arrepender-se mais das coisas que não fez do que daquelas que acabou por fazer. E é certo que a vida anda para a frente, não para trás; que na maioria dos casos o coulda, shoulda e o se a minha avó tivesse rodas era um camiãozinho, não servem para nada a não ser dar remorsos, ansiedades e dores de cabeça. A verdade é que ( lembram-se do filme "O Efeito Borboleta"?) se se pudesse voltar atrás no tempo, nunca se saberia ao certo se não era pior a emenda que o soneto.


Mas às vezes, só às vezes, chega-se a um momento da vida em que ela devolve algo importante (pela velha lógica "o que tem de ser tem muita força"), uma peça que saltou da engrenagem e sem a qual nada funcionou como deveria ter funcionado. Quando isso acontece, muita coisa fica esclarecida, muita coisa finalmente bate certo, mas dá-se uma catarse que pode não ser fácil de ultrapassar e surgem outras tantas dúvidas: porquê só agora? Para quê caminhar tanto para regressar ao ponto exacto de partida? Será que se desafiou o destino e ele, de vingança, fez quem ousou enfrentá-lo voltar ao devido lugar depois de muitas judiarias?


E nesse processo, acontece algo extraordinário: é a certeza do momento preciso em que se guinou para o lado indevido por inconsciência, por medo, por distracção, por um mal entendido. É como se, pela primeira vez, houvesse um mapa ou cronograma exactíssimo da vida, com aquele ponto assinalado a encarnado, a piscar "foi aqui, nesta vírgula do enredo, que se deu o ponto de viragem". E pela primeira e única vez até então, há um itinerário, há a certeza absoluta de que, se fosse possível voltar aí, teria sido tudo diferente. 



Não como no "O Efeito Borboleta", mas como naquela série antiga, Quantum Leap, em que o herói saltava pelo passado e corrigia o futuro com pequenos toques. 
E tem-se a certeza que, em modo Regresso ao Futuro, essa viagem, só essa, não iria ter maus efeitos. O que se recupera nunca precisaria de recuperação: teria estado sempre ali, intacto, sem feridas de guerra nem arranhões.


Mas até isso ser possível, até haver viagens no tempo on demand, há a the next best thing:  segunda oportunidade de colocar tudo no sítio. E há que aproveitá-las de todo o coração, pois são tão raras como os supostos portais para viajar no tempo.


A Ursa dixit: abaixo o artesanato infantil no Dia da Mãe


Vá lá, este guarda jóias feito de uma garrafa até ficou decente.


Num blog que aprecio muito mas que nem sempre acompanho como gostaria, vi hoje esta pérola sobre os presentes (quase sempre inúteis, medonhos e eco-friendly) que a pequenada é obrigada a fazer no colégio para oferecer à mãe no seu dia. E que educadoras e professoras são obrigadas por ordens superiores a obrigar os pequenos a fazer. E que as mães são obrigadas, por sua vez, a fingir que adoram. 


Tenho para mim que há qualquer poderosíssima seita pró-reciclagem, pró-trabalho infantil e pequeno-burguesa  por trás disto tudo, a obrigar toda a gente, à espera de reunir as mães em êxtase para as enfiar numa nave espacial que as largue em qualquer reunião de Bimby e Tupperware. Só assim se explica que um hábito que pelos vistos não faz ninguém feliz- nem mães, nem pequenada, nem educadoras- se perpetue ano após ano. Mas passo a citar:

"Estamos fartas (...) de eco-aproveitamentos que resultam em presentes feios como uma noite escura. Já estamos enjoadas de pulseiras feitas de massa fimo, bijuteria com desenhos feitos por eles e que nunca usaremos para sair à rua nem que o Diabo tussa. Não queremos mais telas pintadas com pincéis grossos e tintas com cores que não combinam entre si porque as nossas salas já estão demasiado desarrumadas todos os dias para ainda nos podermos dar ao luxo de pespegar monos desses nas paredes. Abaixo os trambolhos! Mesmo que sejam eco-trambolhos! Mesmo que sejam trambolhos feitos com amor e carinho". 


Isto foi catártico de ler, porque durante mais de duas décadas julguei que eu era a única que embirrava com tais prodígios artísticos  e que entre tantas mães babadas, só a minha via com olhos de ver a pinderiquice daquilo tudo (não seria de estranhar, já que como sabem sou por natureza embirrenta com estas patetices que toda a gente acha lindo ou finge que acha e isso não começou ontem). Afinal diz que não e que as próprias educadoras se sentem coagidas a fazer trambolhos. E coitadas, já se sabe que não é só no Dia da Mãe: é no Dia do Pai, na Páscoa e no Natal...sendo que raramente as peças de artesanato urbano ou artesanato reciclado deixam de se parecer com lixo. 


 Mas viajemos um pouco no tempo. A pequena Sissi nunca morreu de amores por trabalhos manuais. Nem a Sissi crescida, de resto. Juro que tive um emprego que incluiu algumas actividades dessas com criançada e eu odiava apaixonadamente essa parte das minhas funções. Conseguia ser pior que os miúdos, principalmente quando a brincadeira envolvia colar coisas ao ar livre (cola e vento NÃO combinam).


 Felizmente sou boa no facepainting e lá implorava que me deixassem estar sentada num banquinho a dar uso às cores berrantes que uma mulher tem sempre na arca da maquilhagem mas raramente gasta, fazendo peixinhos, homens-aranha, flores e borboletas naquelas carinhas. Eu ficava feliz e aliviada, as crianças deliravam, os pais elogiavam e problema resolvido, que ao menos o face painting sai com água e sabão e não deixa monos em casa. Divago, desculpem, voltemos à minha infância. Eu, repito, tinha zero jeito para artesanato, principalmente se envolvesse tudo o que cheirasse a origami, colagens, tricot ou picotado. Só a recordação me arrepia. 


Felizmente para mim, as freirinhas eram mulheres cheias de espírito prático que quase sempre nos ensinavam a fazer presentes comestíveis: nunca me esqueci de umas trufas de chocolate embrulhadas num simples cartucho que voaram num instante. Tenho uma pena imensa de não me lembrar da receita, porque eram de comer e chorar por mais. Trufas papadas, cartucho no lixo que nessa altura não havia cá eco-escolas nem eco-ponto, acabou-se a papa doce e quem comeu regalou-se, vitória vitória acabou-se o mono, ficou só o amor e o carinho.



Quando não fazíamos presentes-petisco, simplificava-se: num Dia do Pai ocorreu às queridas freiras-que-pareceriam-saídas-do-Música-no-Coração  ir apanhar calhaus para fazer pisa-papéis (agora, na era do politicamente correcto, as boas Irmãs arriscavam-se a ir presas por darem armas às crianças, mas felizmente ninguém se lembrou de andar à pedrada). Depois deram-nos daquelas latitas pequenininhas de tinta com cores fantásticas E METALIZADAS e vai de soltar a criatividade. Foi uma alegria e o Senhor Pai levou o pisa papéis dourado e prateado com pintas coloridas para mostrar na Messe de Oficiais (disse ele, vá). 

Depois o meu trambolho bonitinho, feito com amor e carinho, lá foi todo pimpão exercer as suas funções de pedregulho a segurar papeladas do Ministério da Defesa. Ali ficou uns anos, todo importante, e creio que ainda tem lugar algures em casa pater. Nada mau para um calhau.


Também me lembro de uns ovos da Páscoa giríssimos que a turma do 3º ano fez (nisso não participei, mas tive pena). Eram engraçadíssimos, com  trancinhas, chapeuzinhos e bigodes, um amor. Em grupo ficavam lindos, mas não tiveram oportunidade de se tornarem monos em casa dos seus autores: a L., a bully da minha turma, desinquietou outras cúmplices e tratou de dar cabo deles, o que valeu um julgamento sumário que levou a tarde toda para apurar os criminosos e terminou com uma sessão de reguada que mais parecia um auto-de-fé. Nesse tempo as prioridades eram outras; ninguém se metia com os ovos da Páscoa, nem que isso implicasse substituir as contas e os ditados por um tribunal improvisado com pelourinho e tudo.


Depois, vamos a isso do amor e do carinho: insisto que não os há em doses suficientes para dar a volta a más ideias. Quando quiseram fazer um guarda jóias de uma embalagem de margarina, forrado a veludo e debruado a dourado assim à barroca, admirei-me com a minha habilidade (outra brilhante sugestão das Irmãs, que além de bom gosto realmente deviam ter uma grande cunha junto dos anjos para me obrigarem a fazer alguma coisa com jeito).  

Mas quando a minha professora do 3º ano se lembrou de nos pôr a enrolar um suporte de panelas em corda - ideia que hoje seria taxada de sexista, era limpinho - valeu-me ter sempre um presente comprado de reserva (sempre fiz isso; era pequena mas sabia perfeitamente que as obras de arte feitas na escola tinham um valor simbólico, porque valor artístico está quieto; é no que dá ser filha de professora de Arte). 



Aquilo não se colava de jeito nenhum e no fim o meu suporte, que era suposto ficar igual àqueles que se compram em qualquer feira mas às cores, saiu incompleto e tão torto que não havia nada a fazer. E a mãe, que nunca foi senhora de fingimentos nem de palmadinhas nas costas, ralhou-me não pela grande falta que o trambolho lhe fazia, mas por eu ser despistada como sempre e não acabar o trabalho.

Ainda assim, acho que preferiu a caixa de maquilhagem com todas as cores de sombra, blush e tudo que lhe comprei. Era bem gira. Creio que acabou por ficar para mim, mas o que conta é a intenção, ou não se continuariam a impingir às mães colares de macarrão e molduras em celofane.


Friday, April 29, 2016

As mulheres Galadriel




A semana passada estava a passar O Senhor dos Anéis e pela enésima vez, até porque falámos de elfos há dias, dei uma espreitadela à cena em que Frodo se encontra com Galadriel.

Quando fui ao cinema ver The Lord of the Rings, não tivera qualquer contacto prévio com a obra de Tolkien (só mais tarde, por insistência de fãs empedernidos, lá li e fiquei rendida, sobretudo ao Silmarillion). Por isso - apesar de ser grande admiradora da deslumbrante, über classy e racé Cate Blanchett - Galadriel pareceu-me um pouco, bem...excêntrica. Digamos que o seu discurso parecia de quem não estava muito boa das ideias. O próprio Frodo fica a olhar para ela um pouco como quem diz "tirem-me daqui que esta sujeita é doida" (then again, Frodo tem sempre um ar de aflição, por isso pode não ser).

Safa! O_O
  Porém, a cena em que Galadriel é testada pelo malvado anel, fica muitíssimo tentada, mas resiste, diz muito da personagem - e do tipo de mulher que ela representa. O autor, que desenvolveu a obra durante muitos anos, tinha grande consideração por ela e via-a como um dos mais importantes e nobres vultos do povo élfico.  Ao longo do seu percurso, Galadriel comete vários erros: deixa-se influenciar por ideias de rebelião e pelo orgulho, já que ambiciona deixar o universo élfico para governar o seu próprio território na Terra Média. Porém, ao contrário de outros parentes seus, nunca se deixa corromper efectivamente. Acaba por ser perdoada pelos deuses e, quando fica óbvio que o tempo dos Elfos acabou e que é preciso deixar o protagonismo aos humanos, tem a dignidade de se retirar e voltar às origens, em vez de se agarrar ao poder.

O que torna Galadriel poderosa não é tanto a sua magia como o seu bom senso e a capacidade de manter-se pura apesar de roçar as vestes por influências menos boas.


E como ela, há mulheres assim: são capazes de estar em todo o lado, de lidar com toda a sorte de gente, mantendo-se íntegras e fiéis a si próprias. Até podem ter uma posição de destaque, mas jamais se tornam déspotas ou obtusas. São o tipo admirável de mulher que eleva as amigas, dando-lhes bons exemplos se elas se comportarem estouvadamente; que são a excepção à regra na proeza de "colocar juízo" na cabeça de um marialva bem intencionado, com potencial, mas aparentemente indomável, fazendo dele um homem de família; que são capazes de gerir uma carreira e um lar, sem que se dê pela sua influência; que educam filhos excepcionais e bem educados. E que fazem tudo isso parecendo tão imbeliscáveis e belas como Galadriel. Não são anjos nem elfas, mas são mulheres raras.

No entanto, imitá-las é um esforço que qualquer uma pode tentar, e que produz sempre bons resultados... 

O calor não é desculpa, apre!


Eu já disse por aqui centos de vezes como esse movimento da "beleza real" me arrelia, por ser tão mal direccionado. Tal como me irritam estas novas manias de fat/skinny/beauty shaming ou qualquer forma de ataque (ou por outro lado, vitimização) relacionada com o corpo feminino. Vivemos o século do ofendedismo, do attention whoring e da vitimização. É uma pandemia. Ou um pandemónio.

Ideias que geram "publicações" como esta.

Mulheres bonitas vêm em muitas cores, tamanhos e silhuetas diferentes. E por isso mesmo, não têm de usar todas a mesma coisa. Repetindo yet again o que já frisei tantas vezes, e que tanto digo às minhas amigas e senhoras que aconselho nas consultas de styling, nem uma top model fica maravilhosa com tudo! O que vai bem a uma Sara Sampaio pode não favorecer uma Emily Ratajkowski ou uma Kate Upton. E não é tanto o tamanho que se veste, mas o tipo de silhueta, que vai determinar que decotes, bainhas, comprimentos e modelos de saia/calças/blusa/vestidos ficam "assim assim", terríveis ou fabulosos a cada uma. 

Qualquer pessoa que vista um número pequeno e faça exercício, terá ouvido sempre "tudo lhe fica bem". Essa frase devia ser alterada para "com o seu tamanho, nada lhe cai muito mal". Porque ficar "escapatório" não é o mesmo que resultar lindo e fabuloso. Se uma mulher vai gastar recursos ( e espaço no armário) a ter roupa, convém não desperdiçar nada disso com trapos que ficam "mais ou menos".


 Ao "posso usar tudo" deve preferir-se a sensação de abrir o guarda roupa e ter a confiança de saber "tudo o que lá está foi pensado para o meu tipo".

E depois, mostrar demasiada pele nunca foi a receita para o sucesso, salvo nos videoclips da MTV. Seja qual for o tipo físico da mulher, magra ou gorda, alta ou baixa, curvilínea ou rectilínea, nenhuma fica elegante com isso - tão pouco passa uma imagem favorável, de boa profissional ou namorada ideal, nem mesmo vai transparecer confiança, já que gastará o tempo preocupada em puxar a saia para baixo/ o decote para cima, ou ralada se se nota este ou aquele defeitinho, em vez de se divertir. A melhor fórmula, por todos os motivos, é fazer algum mistério - realçar o melhor e esconder o que não está tão em forma.


Mas essa não é a atitude vigente. O que está na moda é dizer "vou usar roupas curtas e vulgares para mostrar que as gordinhas também podem". E sabendo de antemão que se calhar não vão ser elogiadas por isso, muitas adoptam a atitude defensiva "quem não gosta, não olha". O que a meu ver, é uma posição desagradável para se estar...




Não é que não possam, cada uma veste o que quer. Mas porque é que, com tanta roupa bonita que podem vestir, hão-de usar precisamente o que as desfavorece? Só para marcar uma posição? Depois, há a malfadada desculpa do calor: mas como já vimos, nem todas as roupas reveladoras são necessariamente frescas e não faltam opções arejadas que não obrigam a andar seminua. Adorava que muitas mulheres meditassem nisto, para sua própria felicidade.


Thursday, April 28, 2016

E paciência para chicas espertas?


Há dias, um amigo publicou um interessante e criativo post sobre filosofia - um diálogo imaginário com alguns grandes pensadores. Achei muita graça à ideia, pese embora a minha relação on e off com a temática. Mas uma amiga dele enfim, não concordou e disse da sua justiça, que achava o texto parcial, etc. Foi-lhe respondido, muito educadamente, que a menina tinha direito lá à sua opinião...pois eis que a "senhora" se enche de brios e puxa logo dos galões, toda serigaita, avisando-a, com muita peçonha e mel: "não subestimes a tua amiga socióloga e advogada". TAU! 


É possível ser-se mais parola e pueril do que isto? Eu acho que não


Em todo o caso,  o que mais conheço é mulheres pouco brilhantes mas ambiciosas, marronas e armadas em cultas que se comportam assim - ora textualmente ora de modo implícito, mas pouco  (homens também, mas as mulheres, por algum complexozinho de inferioridade, são muitíssimo dadas a este tipo de discurso). Já falei delas aqui, aqui e aqui por isso não vou detalhar mais que nem vale a pena. 



Possuir temperança é tão importante como trabalhar o intelecto. O mal é que muitas são educadas para achar que uma mulher precisa de ser refilona, esganiçada, argumentativa, peixeirinha, espertinha, atrevida e tagarela para provar "ei, TENHO OPINIÃO e a minha opinião importa muito". Umas fazem-no porque sim, outras para compensar a falta de outros atributos mais mensuráveis do que a inteligência. Tenho visto isto na política, no meio académico, entre jornalistas e nos grandes salões, etc, etc, etc. É um comportamento feminino que está para as células cinzentas como os vestidos minúsculos estão para as discotecas de rebolation: a ver quem tem o vestido ou as perspectivas mais curtas e a ousadia mais comprida.

E como sou mulher, posso publicar o vídeo abaixo (que traduz na perfeição o que tais palavreados me dão vontadinha de fazer a esses calhaus de saias armados em espertos. Ressalvo que o fenómeno trascende ideologias políticas, embora seja inegavelmente mais comum entre as espertalhonas que sofrem de cassetis esquerditis incurabilis):




Ah, que bem que me sabia às vezes.

Xaropice do dia: não há luz que baste a esta gente


Não me faltava mais nada senão descobrir agora que há pessoas sol. E alminhas que se auto-promovem a "pessoas sol". Não há criatura rústica e de moral duvidosa que não adore descrever-se como "alguém com luz própria", e "alguém que brilha" por mais que viva nas trevas. É muita pretensão! É muita futilidade new age! É uma atitude "sou um Ghandi em versão egocêntrica e narcicista como o raio que parta".

E o pior é que a mania de "brilhar" está a sair do nicho das serigaitas para se tornar mainstream - a contagiar pessoas decentes e normais sob a capa de "diversão inocente e family friendly". A empindericar as almas. 

A necessidade de brilhar, de ter luz própria e de tirar selfies luminosas é tanta que agora inventaram uma glow run: ou seja, como se as colour runs já não chegassem, ainda desencantaram uma colour run que brilha no escuro.


 Passo a explicar: nesta corrida em que se faz tudo menos realmente correr, paga-se um bilhete que inclui uma aguinha 0,33l. , uns acessórios LED e um saco de pó fluorescente (boa! tudo o que eu sempre quis!). 

Mas deixem-me citar o site oficial da versão portuguesa do evento: 

"Se mesmo assim precisares de mais acessórios para brilhar, temos uma loja no local da entrega dos kits ou no recinto à tua disposição. Lá podes encontrar batons, vernizes, pinturas,  atacadores e tantas outras coisas que não vais saber por onde escolher.
 Queres colorir a cara? Os braços? Também podes! Terás um local no recinto dedicado ao facepaiting* (sic, não é gralha minha) onde podes pedir para te desenharem o que quiseres.
 *actividade não incluída no bilhete de entrada."

E ainda houve quem tivesse a lata de, no facebook do evento, reclamar: "foi pena o percurso do ano passado não ser mais iluminado".


Digam-me lá se o animal totémico desta tropa toda  não devia ser o pirilampo mágico: é fofinho, queridinho, xaropento, de peluche, de cores berrantes e...BRILHA! Com luz própria! Tem uma antena fluorescente bem no alto da pinha!


Depois há quem me aponte "a Sissi faz troça de toda a gente". Mas desculpem, isto é estar mesmo a pedi-las. Eu sou humana. A minha resistência a estas tentações, por aí a dar sopa, tem limites.




Wednesday, April 27, 2016

Deadpool dixit: sexista ou não sexista, eis a questão




Depois de os cavalheiros cá do burgo muito me arreliarem para ver Deadpool, eu lá cedi. Tenho com os filmes de super-heróis a mesma relação que tenho com certos petiscos: não aprecio por ali além, mas também não torço o nariz. E afinal até gostei. Tem a lindíssima Morena Baccarin que parece uma Mona Lisa do sec. XXI mas mais bonita e como seria de esperar, o sarcasmo do anti-herói não me desagradou nada...

Só não achei piada darem à vilã Angel Dust (interpretada pela lutadora Gina Carano, que é bem engraçadinha na vida real) um visual de serigaita de ginásio, brutamontes que parece um troll, com aquele bâton clarinho, eyeliner a afundar os olhos e cabelo preto graxa puxado para trás- blhec. 





Não vale a pena dizerem "oh Sissi, mas a personagem também tem cabelo preto na banda desenhada". Há preto normal e preto graxa, não é a mesma coisa. A pobre coitada ficou com um mau ar que dói, mas adiante. 

Uma das cenas que mais gostei é quando o protagonista, na sua jornada de vingança, desata a bater forte e feio em quem for preciso até lhe dizerem onde encontrar o 
arqui-inimigo que o desfigurou. E pelo caminho, isso inclui duas mulheres. Ora, como Deadpool não podia ser mais politicamente incorrecto, assenta uma bolachada numa delas, mas pede logo desculpa a seguir, todo aflito (apesar de desbocado e violento, no fundo não é má pessoa) e meio a sério, meio a troçar, leva as mãos à cabeça e pergunta baralhadíssimo: desculpe! Isto é tão confuso! É mais sexista se lhe bater ou se não lhe bater???

E a brincar a brincar, assim o filme dá a sua alfinetada aos exageros estilo Cartão de Cidadão que têm andado na ordem do dia. É que, por amor de Deus: noutros tempos caía mal um homem espancar uma mulher. Havia respeito pelas diferenças e cavalheirismo em vez de uma igualdade chapa-4, a todo o custo. Um homem que desse tareia num ser mais frágil - e isto obviamente incluía as mulheres- era um cobarde. Mas agora, nem tanto. Afinal, há igualdade, não é? Claro que vai tudo aos arames com a violência doméstica (e ainda bem) mas por outro lado, se o super-herói dissesse "numa menina não se bate nem com uma flor" se calhar ainda lhe respondiam "seu porco sexista, está a reduzir-me ao meu género? Julga que sou alguma donzela indefesa? Não me trata como igual porque se eu fosse homem, batia-me...uma mulher é tão capaz de levar pancada como um homem. E além de mulheres, também não bate em gays? Travestis? Seu machista homofóbico! DISCRIMINAÇÃO!!!!" etc, etc, a cassete do costume.

O mundo tornou-se tão esquisito, Credo.


Do Príncipe George de pijama, e das mães que vão jantar e deixam o bebé com a ama.




Conta a Activa que a mulher do cantor John Legend foi duramente criticada por, apenas uma semana após o parto, ter saído com o marido para um jantar romântico, deixando a bebé com a ama (é no que dá partilhar nas redes sociais o que se faz ou deixa de fazer, e ganhar fãs entre as ressabiadas ao publicar retratos com celulite ou estrias). As super mães de carteirinha reagiram logo, umas dizendo que uma boa mãe não tem de pôr um pé na rua tão cedo, outras que ela devia ter levado o bebé consigo.

Está bem que uma semana é pouco tempo e eu cá não percebo muito de crianças nem simpatizo particularmente com a senhora (por causa da sua opção de mostrar as imperfeições no Twitter);  mas depois de uma experiência stressante como o parto não me parece mal que uma mulher, se está bem de saúde o suficiente para sair e se PODE pagar a uma ama, saia com o marido para se distrair um pouco. São estas coisas que mantêm o romance vivo, que fazem com que uma mulher continue a ser uma mulher e não apenas "uma mãe". 

Não é que ela tenha ido para a pândega toda a noite, voltado perdida de bêbeda e deixado a pequena entregue aos irmãos mais novos como algumas que para aí andam. Quanto a levar recém nascidos para um restaurante, nem comento; só se de todo não se puder evitar. Essa mania de transportar os pobres bebés para todo o lado, sem cuidado com eles nem respeito por terceiros (mania muito popular entre os portugueses, aliás; remember Miguel Sousa Tavares a ser crucificado quando disse, e com certa razão, que nem todos os restaurantes deviam ser child friendly?) nunca deixa de me arrepiar. De bebés a levar com tinta às cores no nariz nas color runs da vida a bebés a serem submetidos a fumo e música altíssima em bares e concertos, já vi de tudo.





As crianças devem aprender a socializar desde cedo, certo - mas há limites. Aliás, vimos o Príncipe William a dar o exemplo de como isso se faz, ao fazer o Príncipe George vir cumprimentar o casal Obama de roupão e chinelos antes de marchar para a cama de acordo com a sua idade: assim mandam os compêndios de boas maneiras e educação.

O resto é inveja ou pouca noção do que ditam as regras de civilidade, creio eu...

Como nota adicional, reparem que o roupão do principezinho esgotou em horas. As pessoas que não têm noção de que é um simples robe-de-chambre igual a tantos outros, e que compram o robe só porque é o "do príncipe", são provavelmente as que levam a prole para TODA  a parte. Parolice much? É deixar qualquer pessoa sensata com um ataque de snobeira à moda antiga. Cruzes.

Tuesday, April 26, 2016

Oh Beyoncé- tão poderosa e afinal havia outra?





Beyoncé lançou com pompa e circunstância o seu novo álbum, Lemonade (no sentido de "se a vida te dá limões, faz limonada") e um simples disco já levantou mais questões que um incidente diplomático. Primeiro, porque as feministas que ora gostam muito da cantora, ora dizem "ela não é uma de nós" por ser esposa e mãe (também, haja quem as entenda) se puseram a dizer que não vão pactuar com o álbum para não darem força a  consumismos capitalistas e patriarcais- porque para estas desocupadas os papões do patriarcado e do capitalismo andam sempre juntinhos, são os dois da vida airada. 

Acho que quando os filhos todos hippies de uma feminista não querem comer a sopa, ela diz que vai chamar o  patriarcado e o capitalismo, ou o capitalismo patriarcal, ou lá como elas dizem isso. Ou talvez não. Talvez digam que as crianças não podem ser oprimidas comendo sopa. Adiante: esta é para rir. Ainda gostava de ver estas meninas da esquerda chic/caviar/whatever com  acesso à internet e a androids para dizerem os seus disparates num sistema todo comunista, mas pronto.  Voltemos à limonada de Beyoncé.


Lemonade, que do princípio ao fim fala da dor e revolta de uma mulher traída pelo marido, com direito à linguagem e imagética muito "fierce" que Beyoncé resolveu adoptar de há uns tempos para cá (ela é dedos do meio em riste, ela é as palavras bit*** e f*** a torto e a direito, etc) foi apresentado como sendo uma história muito "feminista", uma "jornada feminina de auto descoberta e empoderamento" (o "empoderamento tinha de vir à baila, ou não era álbum da Beyoncé). Mas a verdade é que eu não vejo nem nada de feminista, nem nada de simples e tradicional dignidade feminina na história: a mulher traída (que parece ser Beyoncé numa catarse auto biográfica- já lá vamos) começa por estar furibunda, por colocar o biltre fora de casa e vingar-se em modo Independent Woman saindo com as amigas (de dedo do meio esticado e copo na outra mão) para celebrar ser forte e não precisar de homem nenhum (até aí, vá: qualquer mulher zangada diria coisas desse género). 




Mas no fim, pasmem: a personagem "poderosa" aceita o adúltero de volta, e ainda sente remorsos por lhe ter partido o coração quando o deixou por ELE a ter traído. Confusote? Um bocado.

Não sei quanto a vocês mas isto não me parece a atitude de uma mulher "poderosa", com a auto-estima no lugar, feminista ou não feminista. 

 Eu não sei como uma feminista lidará com uma traição (já que muitas adoptam o modelo "ninguém e de ninguém") mas não me parece bater certo com o que proclamam. Já uma mulher feminina e tradicional, com dois dedos de dignidade, decerto não mostrará dedos em riste publicamente...e muito menos iria a correr, rastejando para ter de volta um infiel, um pulha, um galifão de meia tigela. É para casos destes que existem as separações, os bons advogados e -para quem casa pela Santa Madre Igreja- a hipótese de avaliar se o casamento é válido ou não. No limite um erro pode ser perdoado, mas é depois de o prevaricador muito penar para mostrar que enfim, não é uma pessoa assim tão horrível. Não é a mulher telefonando-lhe para "resolver as coisas TODA A NOITE" e dizendo "ai que eu exagerei; foi só um pulinho fora da cerca, coitadinho".





No entanto, tudo não passaria de ficção em modo "bem prega Frei Tomás" se não se suspeitasse que o drama doméstico de Lemonade relata os "enfeites" que Jay-Z, o marido nada lindo da cantora, lhe terá posto com uma "amiga" designer. Em última análise, a ser verdade, Beyoncé é uma mulher da luta com motivações inexplicáveis. Quando uma mulher linda e financeiramente independente como ela é traída por um sujeito feio como os trovões (está bem que os homens não se querem necessariamente bonitos, mas...) e não só se mantém por perto como escreve um álbum inteirinho sobre o caso a contá-lo ao mundo, algo não está bem. Às vezes parece que quando mais forte uma mulher se auto proclama, mais fragilidades esconde...









Sunday, April 24, 2016

Como desencadear a III Guerra Mundial em 24 horas



Imaginem esta: por 24 horas, vocês eram obrigados a ser totalmente sinceros, transparentes e desbocados, mas só nas redes sociais. E já se sabe, todo o mundo tem - a não ser que limite muitíssimo a sua rede de "conhecidos"-  certos tipos de "amigos" virtuais. A mãe babosa, a solteirona desesperada, o taradão, o coitadinho, a ressabiada crónica,  o gabarolas, a destravada, o político amador, o sabe-tudo, o Capitão óbvio, o Carlão personal trainer, o filósofo ou poeta de esquina, a Kim Kardashian de feira, a ovelha ranhosa da família, o casalinho pegajoso, a cougar assanhada, e assim por diante - um mar de gente sem noção que está mesmo a pedi-las.

Não seria preciso nem permitido inventar, exagerar, recorrer a insultos ou palavrões. Tão pouco ser maldoso (a) por embirração ou ódio de estimação. Simplesmente pegavam no vosso mural e comentavam o óbvio (que toda a gente pensa mas não tem coragem de dizer) por ali acima e por ali abaixo, francamente, sem filtro, dizendo tudo o que já vos apeteceu mas não viu a luz do dia para evitar melindres e conflitos. Escrevendo todos os monólogos interiores que tiveram com os vossos botões enquanto faziam um discreto "unfollow" para pararem de ver os disparates daquela alma que coitada, até não é mau diabo mas não tem muita noção.

Deixavam ali tudo discriminadinho, franquinho e detalhadinho que era um alívio.



Calculem o que seria dizer a uma "isso não são modos de uma senhora se expressar em público, sua grosseirona" e a outro "deixe lá de mandar bocas à sua ex - parece uma menina piegas e toda a gente já percebeu", a outro ainda "em vez de debitar política de bancada, vá mas é vigiar o facebook da sua filha adolescente que aquilo é uma pouca vergonha"; à filha desse, "é incrível- quanto mais desengraçada uma pessoa é, mais selfies posta"; à atiradiça de serviço, fazer photo comment com aquele velho meme "pare de partilhar frases de amor - todo o mundo já percebeu que é uma oferecida desesperada"; à serigaita que posta trinta duckfaces por minuto a ver se lhe chamam "lindona", declarar "lindona onde??? Irra, não precisamos de ver o mesmo descalabro com todas as cores de filtros que existem".



Aos pais babosos e maçadores "newsflash, todo o mundo tem filhos e salvo raríssimas excepções os bebés parecem umas sandes de salame quando nascem; a julgar pelos progenitores, o vosso tem fortes chances de ser sandes de salame toda a vida. Além disso, bons pais não têm tempo para passar o dia nos social media"; aos doidinhos do detox, "não se nota efeito nenhum. Sabes tão bem como eu que isso é tudo treta e que a seguir te atiras às bolas de berlim".


 À doidivanas que partilha indirectas a dizer que nenhum homem presta, "a culpa é tua; se te vestes como uma stripper e te portas pior que elas, não podes atrair ninguém de jeito"; às taradonas que publicam memes "pornochancheiros, mas românticos" daquelas páginas para adultos, "por favor, arranje rapidamente quem lhe resolva o problema. Que vergonha, demonstrar tais carências em público"; aos casalinhos xaropentos e melosos que têm longas conversas em público a dizer "amo a ti meu xuxuzinho" quando namoram há umas semanas, "estou muito feliz por vós. Agora fazei o favor de continuar a piroseira via mensagem privada. A vergonhaça será menor quando se zangarem daqui a um mês, como aconteceu com os vossos namoricos anteriores". 


 À megera que trata mal toda a gente mas depois passa adiante mensagens que o Papa nunca disse ou coisas do Reiki, da paz e do amor, ou tudo isso junto, "vá mas é pedir desculpas à sua família e ser uma boa filha/mãe/esposa/irmã/colega, e deixe de citar o Papa Francisco em vão"; aos que nem fazem muito exercício mas adoram tirar selfies a fazer que sim, "blhec- devia ser proibido tirar selfies transpiradas"; aos que se queixam da sua vida, sempre a dar a entender que são uns pelintras e uns azarados, "nunca ouviu dizer «fui para a rua envergonhei-me, fui para casa remediei-me? A dignidade onde está? Olhe que aqui ninguém lhe resolve nada".


 Aos que, por outro lado, ostentam qualquer novidade pequeno burguesa feitos novos ricos, "não tens medo que te assaltem, com tanta tafularia? Parece que nunca viste nada, ó deslumbrado (a)" e finalmente, aos que só são amigos dos outros para pedir likes nisto e naquilo mas nunca participam em nada, nunca devolvem as gentilezas e se for preciso passam pelos "amigos" na rua e fingem que não os conhecem, deixar uma mensagem a dizer "eu não sou amiga de gente esquisita e venha- a -nós. Unfriend" (esta já fiz, mas não deixei mensagem; limitei-me a desamigar como uma cobardolas). 


Sabia bem, não sabia? Só as pessoas sensatas escapavam à tareia psicológica. Mas era o fim do mundo porque os cidadãos (e cidadãs, claro!) de hoje podem até não ter brio em nada, mas ai de quem belisque o seu perfil virtual. Pimba, começava a troca de impropérios logo ali.


Mas esperem, ainda não acabei: durante esse dia, era obrigatório - sob pena de exclusão perpétua das redes sociais, e poucos quereriam isso - TODA A GENTE fazer a mesma coisa. E é claro que eu estou certa de que vocês, meus amigos e minhas amigas, são senhoras e cavalheiros de bom senso que não publicam nada que não possa ser visto ou caia no ridículo. Mas ou por retaliação, ou porque enfim, defeitos e maus momentos calham a todos, ou porque gostos cada um tem os seus e há muita gente de mau gosto, vocês recebiam de volta alguns "mimos". E eu também. Estou mesmo a imaginar os "mas a Sissi tem algum direito de andar para aqui a gozar com toda a gente???". Zás, quem vai à guerra dá e leva. Toma e embrulha, em modo "quem diz o que quer ouve o que não quer".  Aposto que nenhum de nós ia gostar disso, ai não.



E tal como vós, os políticos, os líderes, os influenciadores, em suma, os movers and shakers deste planeta desatavam a fazer o mesmo uns aos outros. Tínhamos a cólera. Irra, tínhamos a peste. Um verdadeiro apocalipse em pó a que bastava juntar água. Lá dizia Confúcio que franqueza sem delicadeza é grosseria, e mais no seu tempo não havia nada disto...


Nunca confies numa maluca toda de cor de rosa




Os thrillers da Lifetime que passam na FOX Life são um verdadeiro guilty pleasure. Quando não dramatizam algum caso real e mediático do tipo faca e alguidar, resumem-se invariavelmente ao enredo de A Mão que embala o berço, Jovem procura companheira ou Atracção fatal, mas em todas as versões que a imaginação permita. É a ama psicopata e muito má,  a barriga de aluguer psicopata e muito má, a mulher da luta/amante psicopata e muito má do marido da heroína, o namorado perfeito ou engate do Tinder psicopata e muito mau, a professora, mentor da empresa ou personal trainer psicopatas e muito maus...pronto, já perceberam.

Como não são filmes assim muito bem feitos, é raro *e isto irrita-me* saber-se muito do background ou motivações do mau/má da fita. É psicopata porque é, gosta de o ser e o espectador não tem nada que fazer perguntas. O propósito é entreter os insones, não tanto ser coerente.



A história acaba sempre com uma luta corpo a corpo dentro de casa (porque a polícia ou não é literalmente para ali chamada ou nunca chega a horas) bulha essa que, do mal o menos, é  quase sempre fatal para o doidinho ou doidinha...  e com a família que foi vitimizada a viver feliz para sempre, tirando da tragédia grandes lições de moral.
Conclui-se destes filmes que há psicopatas e malucos obsessivos em cada esquina, todos peçonha e mel no firme propósito de tornar a vida do próximo num inferno. E que não há nada como ser alvo de um tarado ou tarada para sarar casamentos em crise ou dramas familiares.



Mas ontem vi um que me fez recordar uma teoria minha. É a mesma estória dos outros, desta feita sobre uma house sitter completamente pírulas (e psicopata, e muito má; tinha de ser) que se aproveitava do seu trabalho como caseira temporária para se imiscuir nas famílias (e assassiná-las em série quando percebia que não estavam para a aturar). Pois digo-vos que essa a mim não iludia nem por ordem do Padre Cura. Eu ficava de ordinarómetro em riste e punha-a a andar tão depressa escada abaixo que ela não teria tempo nem de matar um hamster.



Primeiro, porque embirro com estranhos que se põem com muitas simpatias e perguntas. Segundo, porque os hóspedes ao terceiro dia aborrecem- e isto sempre foi regra lá em casa, tanto na nossa como quando se ia a casa dos outros. Terceiro, porque a rapariga tinha uma cara de galdéria que não enganava ninguém e cabelo louro-serigaita (ou quase, vá). E quarto (relacionado, mas um iten separado mesmo assim), porque se vestia como uma autêntica flausina: do tipo serigaitae sonsae. No meio da neve e sempre de saltos altíssimos, vestidinhos de Verão e não um, mas vários tons de rosa-serigaita em cada fatiota.




Ora, nada contra o cor de rosa em si mesmo; tive várias peças rosadas, até um casaco (ainda devem andar para aí algumas; no outro dia comprei uma t-shirt Ralph Lauren rosa chá, por exemplo) mas não nos enganemos, há rosas e rosas. Depois, cada vez mais as raparigas de mau porte adoptam esses tons frios e ameninados de rosa ou fuchsia no fito de parecerem inocentes e fofas, ou de imitarem a Barbie e as coelhinhas da Playboy. Isto para não falar da proliferação de horrores sintéticos (vestidos de cerimónia em tafetá falso, carteiras de PVC) dessa cor. Blhec. 



E por fim, rosa não é uma cor que se tome a sério: é queridinha, festiva, infantil. Deve portanto 
usar-se em tons discretos, apontamentos ou ocasiões especiais.


Mulheres adultas que abusam do cor de rosa no dia a dia (como de brilhinhos, artefactos da Hello Kitty, pulseirinhas de plástico, etc) passam, no mínimo, uma imagem pouco sóbria ou demasiado queriduxa de si mesmas. E isso é suspeito que se farta. É sinal de imaturidade, de carência.

Tom Waits dizia "never trust a man in a blue trench coat". Uma gabardina azul vá que não vá, a Burberry fá-las lindíssimas. Mas uma sujeita toda de rosa, da cabeça aos pés, estilo boneca de feira ou Barbie da lojinha do chinês? Comigo não tinha hipótese. Fica o aviso para vosso governo, não vá bater-vos uma assim à porta...

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