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Saturday, May 14, 2016

12 maneiras de usar cor-de-rosa...sem parecer uma flausina


Ultimamente, temos brincado bastante por aqui com o uso e abuso do cor-de-rosa-serigaita (uma cor obrigatória para qualquer serigaita que se preze) e seus derivados em bâtons, roupas, adereços, caderninhos, logótipos, etc. Demasiado cor de rosa (e o cor de rosa errado) numa mulher adulta pode passar uma imagem infantil e menos séria, além de que poucas mulheres saem favorecidas com um bâton "rosa clarinho a parecer doente".


Pesadelo cor-de-rosa.

Ora, há dias tive ocasião de adquirir por muito bom preço uma clutch Daniel Swarovski toda em cristais que, só por acaso, era cor de rosa. Ia prescindir dela por causa da cor (e vá, por ser cor de rosa *e* ter brilhinhos que por acaso eram Swarovski)?
Não, era só o que faltava. Lá porque há quem difame a cor com o seu mau gosto, não quer dizer que as pessoas de bem deixem de poder usar a versão boa e sensata das coisas.
Vejamos algumas situações em que o cor-de-rosa vai bem e até se recomenda. Ou seja, cor de rosa livre de pinderiquice:


1- Numa Oxford Shirt



As camisas informais de algodão ou cambraia resultam bem não só em branco, cru ou no tradicional azul, mas em rosa - até para homem. Dão invariavelmente bom ar, têm um aspecto fresco, honesto, clean e ficam amorosas sem cair no pueril ou no piroso. Basta usá-las com uns jeans claros de bom corte para ficar imediatamente elegante. Ralph Lauren e Tommy Hilfiger, entre outras marcas, fazem modelos lindos que apetece coleccionar.

2- Num sundress estilo Lilly Pulitzer




Os shift dresses leves de algodão em cores alegres, popularizados a partir da década de 1960 pela  socialite-tornada-designer Lilly Pulitzer, alcunhada "Rainha do Preppy", (e que tanto ficam bem numa ida à praia como num piquenique um bocadinho mais formal) são uma forma elegante de usar - ou incluir - o cor de rosa. Claro que um Lilly Pulitzer original é o máximo, mas muitas outras marcas fazem este tipo de vestido com estampado bonitinho. Até já os tenho visto nas colecções de Verão da H&M. Como são soltos, despretensiosos e não revelam demasiado, suportam bem o rosa (e outros tons mais "ameninados") sem deitarem a sofisticação a perder. Ideais mesmo para um almoço casual da empresa ou para conhecer os pais "dele".

3- Num belo serviço de chá



Ou de mesa. Pessoalmente sou uma grande fã da porcelana tradicional inglesa e fico feliz quando acrescento peças vintage em rosa à minha colecção, mas há diferentes serviços florais igualmente lindos, como Limoges. E claro,  não faltam variedades de chá de rosas (com violetas ou rooibos + rosa e especiarias, por exemplo) que são uma delícia!

4- Nos tons e materiais certos



Em nome do bom gosto há que fugir de nuances arroxeadas, ácidas ou infantis como rosa-Barbie, rosa-bebé berrante, rosa pastilha elástica, rosa-fluorescente e outras variantes do rosa-serigaitafuchsia-serigaita, flamingo shocking pink (salvo numa peça Elsa Schiaparelli autêntica ou coisa que o valha, embora o "rosa choque" de Schiaparelli, descrito pela própria como "brilhante, impossível, impudente, apropriado, vivificante"...fosse muito menos vivo que o "rosa choque" hoje usado pela maioria). 

Principalmente se falarmos de tecidos ou acessórios de qualidade e precedência duvidosa. Como qualquer cor chamativa, o rosa exige materiais bons para funcionar. 
Mas há muitos tons  de rosa bonitos, adultos e apropriados, que iluminam a pele: basta inspirar-se nos tecidos e padrões dessa cor utilizados por marcas como Burberry, Ralph Lauren e Vivienne Westwood.  Ou seja, rosas passíveis de usar quer em peças simples de algodão, pele ou malha, quer em vestuário e acessórios festivos ou mesmo num statement coat: regra geral, são apropriados tons claros estilo ballet, mortos ou de jóia e por outro lado, mais quentes e abertos como variantes de nude, alperce, pêssego e salmão, rosa-quartzo, rosé ou champagne, rosa-velho, rosa-chá, mármorecamélia, rosa-escuro...



5- Num belo vestido formal



Dolce & Gabbana, Lanvin e Vivienne Westwood, entre outras Casas de Moda, têm mostrado que o rosa (como outras cores de jóia: amarelo, verde...) é uma boa alternativa ao preto e encarnado quando o assunto é traje social.

 Infelizmente, os horrores de musselina e tafetá sintético, estilo rebuçado ou suspiro, que para aí vemos em casórios e bailes de finalistas dão-lhe má reputação. 

Mas um vestido simples e bem cortado de cocktail/gala/noite/baile num padrão bonito (floral, tartan...) ou liso, de tecido rico num dos tons acima descritos pode ficar um espanto.
Ressalve-se para isso a necessidade de um corte fabuloso e modelo simples, bem como a vantagem (e a obrigatoriedade) de quase dispensar acessórios, pois a cor já dá nas vistas. Há tempos usei um vestido rosa-velho floral que foi bastante elogiado numa festa de alguma formalidade. Pensemos em eras como a Belle époque ou a Renascença, quando rosas pêssego ou velho eram moda.
Também um vestido de noite em seda indiana bordada a ouro num rosa-escuro-quente é o máximo, por exemplo. Se tiver uma costureira competente para transformar um sari num sheath dress, fica a dica.

6- Num bâton nude rosado ou rosa camélia



Ao contrário dos "rosas clarinhos" (os nacarados então são do piorio) ou dos "rosas choque" frios a tender para o roxo, que além de serem quase sempre de gosto questionável ficam mal à maioria, os rosados cálidos quer em nude (rosa velho) quer em tons vivos, dão luz ao rosto, boa cara e realçam os traços. Para encontrar o rosa vivo certo, procure entre os encarnados e não nos rosas, que quase sempre têm uma boa quantidade de pigmento azul, o que resulta naquele mau ar de Barbie de feira ou de "doente". 

7- Num twin set ou cardigan de algodão (ou melhor ainda, caxemira)



Inspirado no vestuário de ballet ou em Chanel e Jackie Kennedy, é um clássico do mais preppy que se pode.

8 - Em sombra rosa chá



Mais aberto que o bege ou taupe comum, é uma base perfeita para vários jogos com sombras ou - o meu preferido - para dar luz ao cat eye. Bastam umas camadas de máscara et voilà.

9- Num bouquet



A César o que é de César. Há rosas magníficas de todas as cores (as minhas preferidas são chá, brancas e encarnadas) mas o tom que deu o nome à flor nunca fica mal. São rosas, Senhor!

10- No nome

É um nome bonito, clássico e que foge às modinhas. Desde que usado a solo ou em combinações simples (e.g: com Maria) e não acompanhado de extravagâncias, estilo Marlene Rosinha (é esquisito, mas juro que tenho visto) ou empregue em noms de guerre serigaitos estilo Julyanna Rosy (igualmente verídico, mais coisa menos coisa). Variações medievais ou shakespearianas como Rosicler ou Rosalinda devem ser manuseadas com cuidado, não vá o diabo tecê-las, mas cada caso é um caso...

11- Em padrões e texturas intemporais



Dos quadradinhos vichy popularizados por Brigitte Bardot ao Chanel de bouclé de lã usado por Jackie Kennedy, passando por variantes do mesmo em tweed, sem esquecer o tartan (Burberry e Vivienne Westwood), o clássico desenho windowplane (ou de resto, qualquer padrão "pano de cozinha" para camisas ou vestidos),os  florais de bom gosto como os supracitados Lilly Pulitzer, um brocado sóbrio ou um bordado inglês, a receita para usar rosa em estampas/texturas é mesmo não inventar, cingir-se ao mais clássico e não fazer nada que Grace Kelly ou Audrey Hepburn não fizessem.

12- Em beachwear




 Seja num bikini padrão vichy estilo vintage, num luxuoso La Perla coral ou camélia ou num páreo de inspiração havaiana, se há lugar onde se pode brincar com cores alegres com menores chances de erro, é a praia (ou piscina, vá).


E claro, pode sempre ver-se La Vie en Rose com óculos dessa cor (metaforicamente falando; no sentido literal já não se recomenda...).

Friday, May 13, 2016

Já se sentiram como Maria Stuart?


A bela e infortunada Rainha dos Escoceses - que acabaria por ser aprisionada e executada pela sua priminha Isabel I (naquela que foi uma das poucas gaffes no reinado da Rainha Virgem que passaria à história como "Gloriana") - teve um início de vida tão tumultuoso como o seu fim.


"It came with a lass and it will pass with a lass", terá dito o seu pai moribundo,  James V, aquando do seu nascimento, temendo o fim da Casa dos Stuarts. É que a família tinha ganho o trono através do casamento de Marjorie Bruce, Princesa da Escócia, com o Senescal Walter Stuart. "Veio com uma mulher e com uma mulher partirá...". Não seria assim, como sabemos, mas a suposta frase dita no leito de morte do Rei no momento em que ganhava uma minúscula sucessora ficou famosa pelo impacto.



E impacto teria cada gesto de Maria Stuart: mesmo antes de deixar este mundo com régia dignidade e como um exemplo de piedade extraordinário, Maria da Escócia teve aquela frase lendária de desprezo nítido para os seus acusadores. Só é Rainha quem pode, mesmo destronada!

Mas enquanto viveu, estudou e reinou, por um breve período, em França ao lado do seu jovem  marido Francisco de Valois, Maria foi feliz. E quando por morte deste deixou as praias de França, com dezoito anos feitos e uma beleza que deslumbrava a Europa, mal ela sabia (ou algum pressentimento lho deixaria adivinhar, apesar dos projectos de glória e de brilhantes jogadas políticas para as quais julgava erradamente estar preparada?) que os seus tempos de bonança tinham passado. Era uma época que jamais voltaria.


Amores tumultuosos, um segundo casamento desastroso movido pela paixão, o facto de ser uma Rainha Católica educada na delicadeza da corte de França caída do céu numa Escócia que sofrera uma reviravolta protestante e por fim, a tensão com Inglaterra, tudo havia de conspirar contra ela. Mas a caminho da pátria onde já nascera Rainha, galgando as águas, Maria fechava uma porta para abrir as que viessem.

Mike Oldfield escreveu uma canção brilhante sobre esse exacto momento, mas eu prefiro - por um triz - a versão da banda alemã Blind Guardian:


Maria Stuart talvez soubesse no seu íntimo que não havia de voltar a França, pois lá não lhe restavam senão memórias tristes e alegres. De certa forma, almejou-o até à morte (quis ser lá sepultada- até isso lhe negaram) mas não saiu do seu caminho olhando para trás. Outras possibilidades se abriam diante de si. Para o bem ou para o mal, encerrou esse capítulo. Não regressaria a França, ao seu primeiro amor inocente nem à única vida despreocupada que conhecera.


Mas isso também não importava: não fora ela a queimar as pontes; estas tinham caído por si. A vida tinha- a encontrado com as suas surpresas boas e más. E ela acolheu-as: como monarca, mas sobretudo como mulher.

Penso muitas vezes na frase que a mãe da outra dizia: somos mulheres. As nossas escolhas nunca são fáceis!

E tantas vezes, decisões voluntárias ou fruto do acaso ou do destino, há que abraçá-las cegamente, apaixonadamente, haja o que houver, com todo o ímpeto e coragem, como um barco que segue da França à Escócia empurrado pelos ventos da Fortuna...


Thursday, May 12, 2016

O "desfado" que todas desejam (e todos, eu acho)




Não é cá por ser Moura nem nada, mas gosto de ouvir Ana Moura e gostei de Desfado desde que o apanhei na rádio pela primeira vez. Só que até hoje não tinha meditado na letra e olhem que esta diz mais do que atirar imagens sobre estar triste e alegre, ou acerca de ter ou não a disposição certa para cantar o fado. 



A mim diz, pelo menos. Hoje reparei que a canção fala daquele estado de espírito tão perfeito, tão completo, que dá vontade de chorar porque não resta nada para desejar, e que de tanta felicidade causa uma certa melancolia pois já não se encontra razão para sentir saudade ou gostar de canções tristes. E como lamuriava o outro, "o sofrimento também é voluptuosidade". Por isso existem as lágrimas de alegria, para dar vazão a essas emoções demasiado intensas e inexplicáveis. Há dias falámos disso a propósito da cantiguinha dos Coldplay, e aqui aparece também:

Esperar que um dia eu não espere mais um dia
Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente


Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"
E lamentasse não ter mais nenhum lamento


Na incerteza que nada mais certo existe
Além da grande incerteza de não estar certa de nada.


Afinal, toda a gente quer que chegue aquele dia em que não é preciso esperar por isto ou aquilo, por fulano ou beltrano. A hora/situação/pessoa tão almejada veio finalmente e é tudo tão belo que quase se torna doloroso, ou parece demasiado bom para ser verdade. E aí pode começar um grande problema: o da auto-sabotagem. Às vezes tem-se medo de se habituar às coisas boas, não vão elas desaparecer de um momento para o outro. Ou é mais fácil continuar no velho costume de sentir ansiedade por isto ou aquilo e inventar razões escusadas para estar hiper vigilante ou para criar discórdias, só para não perder o jeito. Ou ainda, a adrenalina da saudade ou do conflito ser demasiado viciante para que se consiga aproveitar e seguir a corrente. 


Ai que saudade
Que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém
Que aqui está e não existe
Sentir-me triste
Só por me sentir tão bem

E alegre sentir-me bem
Só por eu andar tão triste



Há que guardar o Fado para os discos, para as tertúlias, mas não ser fadista com a vida. Porque o destino às vezes até é benevolente, nós é que o afadistamos porque sendo triste e dramático nos soa mais bonito. Ou mais familiar. Old habits die hard, lá dizia o Mick Jagger que também é amigo da Ana Moura e há-de partilhar estas ideias...

Wednesday, May 11, 2016

Frase do dia: o tempo, esse bisbilhoteiro





Há dias, enquanto fazia exercício, entretive-me a ouvir alguns gurus do Youtube que dão conselhos ao mulherio (é sempre bom ter uma perspectiva masculina), matando assim dois coelhos de uma cajadada: cumprir a minha rotina de fitness e reflectir sobre eventuais conteúdos engraçados para partilhar aqui. Só assim para eu ver vídeos...normalmente prefiro ler.

E eis que um se sai com uma frase aparentemente óbvia, mas que dá que pensar: afirmava ele (a propósito dos benefícios de uma mulher levar uma relação com calma) "a minha mãe sempre disse que o tempo nos acaba por dizer tudo o que precisamos de saber sobre as pessoas". 

E é verdade. As mães têm sempre razão, mesmo as mães dos outros. A primeira impressão (seja boa ou má) raramente engana, mas precisa de confirmação. Há pessoas mais francas e abertas, ou com menos nuances, what you see is what you get;  e há outras que - não sendo necessariamente dissimuladas ou guardando segredos graves- demoram mais a revelar todas as suas facetas e miríades. Por vezes podem simplesmente ser mais complexas. Ter vários lados.


Mas com ou sem segredos, com ou sem esqueletos no armário, ou pesando apenas a questão da compatibilidade se falarmos de um casal, o tempo é o melhor serviço de informação, o detective mais competente. Como diz a Bíblia, não há nada oculto que não acabe por ser revelado, para o bem ou para o mal. Nenhuma complexidade resiste à convivência frequente. Nenhuma fachada sobrevive à armadilha da familiaridade. Nenhum sentimento fútil suporta a a erosão dos meses. Se alguém desperta dúvidas ou parece demasiado maravilhoso (a) para ser verdade, nada como dar a essa pessoa o benefício da dúvida e o teste da longevidade.

Umas passam-no brilhantemente, outras falham, mas nenhuma fica sem avaliação...

No visual perfeito não se mexe (tanto), Taylor!




A makeover repentina de Taylor Swift, que (com ajuda da Vogue e da designer Mary Alice Haney) passou de sofisticada fashionista a algo mais edgy com uns laivos de gótico, grunge, rock  e cabelo à Debbie Harry... surpreendeu não só os seus fãs, mas quem acompanha as novidades de modas & elegâncias.

 É certo que esta não é a sua primeira mudança de visual. De 2012 em diante, a cantora deixou definitivamente para trás as raízes country para se tornar numa estrela pop com direito a um esquadrão de supermodelos. E qualquer look precisa de pequenos ajustes, de actualizações, para se manter fresco.

No entanto, a opinião geral (que eu partilho) é que há algo neste novo look que parece forçado, pouco espontâneo,  trying too hard. Depois, ponho as minhas dúvidas se a favorece quer no aspecto de combinar com a sua personalidade (Taylor pode matar-se à vontade que nunca será uma Courtney Love; no fundo ainda é a menina campestre de boas famílias que canta desilusões de amor, embora as botas de cowgirl estejam escondidas...) quer em termos de silhueta (veja-se o jumpsuit preto acima) em comparação com o que usava antes, que invariavelmente a mostrava esbeltíssima e polidíssima. Aí está a minha grande questão: quando se atingiu uma certa maturidade de estilo, um visual perfeito (ou quase) será boa ideia mexer-lhe muito? E de facto, o visual de Taylor Swift beirava a perfeição. Este novo...gostos à parte, not so much.


Sou completamente a favor de uma mudança temporária para figurar na capa da Vogue e de explorar novas avenidas, mas vestir esse "boneco" numa base diária é outra história. Parece-me que seria perfeitamente possível incorporar alguns destes novos elementos no look a que nos habituou em vez de aparecer "de cara nova" como se isso não fosse estranho nem nada. Por exemplo, eu guardo algumas peças de inspiração gótica da minha fase mais dark, ou mais boémias de uma altura em que o vintage dos anos 60 /70 me encantava,  e consigo misturá-las com o resto do guarda roupa sem parecer mascarada. É um toque, um twist que dá "aquele quê" sem dar a impressão de que se sofre de dupla personalidade.

O efeito "banho de loja" só se recomenda mesmo a quem tem um visual tão mau que precisa de mudar radicalmente para ontem. E mesmo assim...

Calma, Taylor. Shake it off e calma.


Tuesday, May 10, 2016

Chris Hemsworth: é de homem! #2


Já se sabe que o Homem a sério, o Homem Alfa, o que toda a mulher pediu a Deus mesmo que não admita, é sempre desembaraçado seja em batalha, face a um carro avariado ou na cozinha (reflexo de caçador ou de soldado que sabe sobreviver na selva); vai atrás do que quer, não se acanha numa emergência, em caso de uma dita cuja a sua resposta é "eu trato disso" e tão depressa levanta halteres como é um querido com as crianças



E a actriz espanhola Elsa Pataky sabe disso porque nesse quesito lhe saiu a sorte grande: afinal, é muito bem casada com o arquétipo da masculinidade, o Thor, ou vá, Chris Hemsworth, Thor no cinema, que lhe deu três bebés amorosos e que em tudo prova ser um homem de família. Veja-se esta imagem mais linda:



Ora, há dias Elsa mostrou ao mundo via Instagram como está orgulhosa do marido que lhe coube, e por boas razões: a filha do casal, India Rose, fez anos e por qualquer motivo, a padaria recusou desencantar um bolo-dinossauro à última hora. Não tinham tempo nem para atender o Thor, que não está acima dos meros mortais quando o assunto é bolos. De modo que Thor arregaçou as mangas, trocou o martelo pela batedeira e deu uso aos músculos para literalmente pôr as mãos na massa. O resultado foi um dinossauro de chocolate bastante sofrível, que passe o trocadilho até envolveu pintarolas, fazendo a alegria da pequena aniversariante e derretendo a esposa felizarda:



Homem que é homem salva sempre o dia, ou pelo menos tenta. E faz a sua mulher dizer "meu herói" até nas mais ínfimas coisinhas...







Maluqueira do dia: isto só em 2016. Mesmo.


Uma vez, comentei convosco que até a mulher mais discreta no que diz respeito às unhas (eu) mais avessa às macacadas nas ditas, a quem uma cor só um bocadinho mais vistosa já parece errada (eu!eu!), que se cinge religiosamente à tríade dos porcelanas/nudes e encarnados/burgundy (eu! eu!eu....e se calhar muitas de vós, queridas amigas) ....terá DEMASIADOS vernizes em casa. É um facto da vida.

No caso, o desagradável fenómeno do cesto cheio de vernizes que acabam por não ter uso, ou quase (cesto ou cestos; tenho um para transparentes e beges e outro para os encarnados) não se dá pela equação da variedade tão do agrado de certas almas, vulgo "olha, um novo rosa com brilhinhos" ou  "que lindo verniz laranja fluorescente" (blhec e blhec)... mas na tentativa de encontrar o tom perfeito.

Ou seja, em modo "este porcelana é que tem boa cobertura" (mas vai-se a ver e fica esquisito na nossa pele) ou "este rouge noir tem o equilíbrio exacto entre encarnado e preto, sem nenhum reflexo roxo" (blhec para os reflexos roxos). Nessa ilusão, lá se vai comprando um aqui, outro ali. Isto para não falar nos conjuntos de maquilhagem que nos ofereceram e que incluíam vernizes de que não gostávamos mesmo. Ou seja, quando damos por nós precisamos de fazer uma triagem. Triagem essa que, como é óbvio, obriga a experimentar para saber o que fica e o que vai, pois já se sabe: o que resulta mortiço, berrante ou -(vade retro, lagarto lagarto, abrenúncio) quase asserigaitado na nossa mão, pode funcionar lindamente e parecer sóbrio na amiga que é mais morena, por exemplo.

Tipo, assim *benze-se*

Estava nisto e acabei com as unhas da mão esquerda cada uma pintada no seu tom de nude: uma bege claro, outra porcelana clarinho, outra café au lait, e assim por diante, numa curiosa gradação. E
deu-me vontade de rir pensar que o que para mim é experiência para deitar vernizes fora, para outras pessoas seria um trabalho de manicura todo original que pediriam no salão. Era só passar um top coat e pronto, podia arrasar por aí como elas dizem. Mesmo assim seria uma coisa discreta, mas passo.

Que tempos estes, em que borrar as unhas é um "efeito"...


Monday, May 9, 2016

Vamos maquilhar a avó?


Uma avozinha de 80 anos encantou a internet quando a sua neta, makeup artist profissional, se lembrou de maquilhá-la com direito às mais avançadas técnicas de contouring.



 Livia, que vive num lar de idosos e adora maquilhagem, é uma avó bem disposta e não só concordou com o makeover como se deixou fotografar, não sonhando que ia tornar-se uma estrela das redes sociais.


 Quando soube os fãs que tinha ganho, a avó agradeceu emocionada lembrando a frase de Helena Rubinstein: não há mulheres feias, apenas preguiçosas. E de facto, ficou belíssima! Eram escusadas as unhas e pestanas postiças demasiado grandes, mas fora essa brincadeira- que duvido que a senhora fosse usar na rua-  o resultado é fantástico.



Se há coisa que me alegra a vista é ver uma velhinha vaidosa, activa e gaiteira q.b. Se lá chegar, espero vir a ser uma velhota bem caturra e sim, gaiteira, embora careta como sempre porque há coisas que não mudam. Mas desconfio que será a avó Sissi a maquilhar as netas, a dizer "passe um bâtonzinho nesses lábios, menina, porque parece uma desenterrada". Em todo o caso, acho o gesto da neta de Livia muito querido. Eu própria maquilhei as minhas avós bastantes vezes (sem ir a tal extremo, até porque não me deixavam) e o resultado era sempre bonito. Uma vez cheguei a mascarar a avó T. de marroquina no Carnaval; ficou linda, até porque tinha uns olhos verde-prateado deslumbrantes...
Uma mulher nunca se deve esquecer da sua feminilidade, e se houver bom senso, a idade não é para ali chamada. Mas se esquecer, convém que as parentes mais novas lhe avivem a memória...

"Amor e uma cabana" não é "amor e uma baiuca"


Uma das máximas mais valiosas deixadas por Coco Chanel - e ela tinha muitas - foi "luxo não é o contrário de falta de meios; é o contrário de vulgaridade".

Esta semana, a propósito do post sobre voltar atrás no tempo, lembrei-me de um outro filme que fala do assunto: Family Man. Nele, Nicholas Cage, um executivo riquíssimo mas solitário, conclui que nunca devia ter deixado o amor da sua vida, depois de ter um vislumbre do que seria a sua existência se casasse com a namorada de faculdade. Adoro a história (há pessoas que nunca deviam mesmo separar-se, pois só funcionam juntas) mas sempre me fez confusão como a vida em família é representada no enredo.

Os dois deixaram alguns objectivos para trás para acudir a emergências familiares e não só estagnaram na carreira, como - apesar dos seus sonhos e instrução - se tornaram no estereótipo da classe média-baixa a viver "a vidinha": vistas curtas. Amigos bem intencionados, mas brejeiros. Roupas medonhas. A morte do romance. Em suma, uma existência real, mas nada divertida ou glamourosa. Faz-me confusão porque não concordo nada com isto. A vida "de casado", o prescindir de alguns luxos, viagens ou objectivos profissionais em nome de um projecto maior entre duas pessoas, não tem, porque não tem, de significar uma vida estreita e sem graça, ainda que a circunstâncias obriguem a certos sacrifícios.

Mesmo no caso do "amor e uma cabana" há que estabelecer a diferença entre uma cottage encantora e uma baiuca.

E quase sempre, depende do espírito de cada um levar uma vida simples, mas com estilo, ou uma vida simplória. O que tem muito pouco a ver com condições materiais. Dinheiro pode sempre fazer-se, mas com pouco ou muito, só se vulgariza quem quer.


Conheço pessoas que estão razoavelmente em termos financeiros, que se instruíram q.b., que gostam de gastar o que têm em coisas que apreciam - e de o ostentar junto dos amigos. No entanto...o seu gosto, hábitos e estilo de vida (para não mencionar o vocabulário) classificam-nas sempre de forma pouco....bem, sofisticada.
 Nada contra (cada um emprega os seus recursos da forma que acha melhor, nem que seja espatifando 1000 euros em Tupperware) mas por mais sucesso que alcancem, nunca perdem aquele ar, enfim, rústico ou suburbano. Frequentemente, discutem horrores ou trabalham demasiado porque ambos, ou um deles *nisto as mulheres parecem ter maior apetência* fazem questão de comprar isto e aquilo para competir com os amigos. Um ponto por serem genuínos, mas é a desgraça na mesma.



Também não falemos de outra forma de pinderiquice: os novos yuppies-hipsters, muito pseudo urbanos e cosmopolitas, que por sua vez se esforçam demasiado para parecer, sei lá, upper middle class, mas acabam por soar tão pequeno burgueses como na realidade são. É a versão pretensiosa e viajada do tipo descrito acima, mais coisa menos coisa. Um ponto por tentarem alargar as vistas, mas é a desgraça na mesma.

Como diz uma senhora muito sábia que eu conheço, o que interessa é que as pessoas sejam felizes. (Ando a tentar usar este mantra para não me arreliar com o que vejo por aí, embora não seja fácil).

E podia continuar ad nauseam aqui, com uma alargada análise social (eventualmente, incluindo quem gasta o que não tem para parecer o que nunca será ou pessoas de berço que se deixam degradar, que isso então é o cúmulo) mas passemos adiante.


O que importa mostrar é o oposto: há pessoas e casais com poucos recursos que (quase sempre por terem uma boa educação de raiz e o gosto cultivado desde cedo, mas isso não basta) parecem sempre elegantíssimos, no melhor estilo "noveau pauvre". Ou Bon Chic Bon Genre que conheceu melhores tempos. E repito, para isto não chega ter vivido rodeado de bons exemplos desde a infância. É preciso um certo desprezo ou descaso pelo dinheiro - pois há coisas que ele não compra mesmo - associado a uma super eficaz gestão do dito cujo, sem esquecer grandes doses de imaginação e bom humor. E se falarmos de casais, doses industriais de romance. Lá dizia Theodore Korner: o bom casamento é um eterno noivado.

Quem vive assim sabe de onde veio e como quer viver; mantém uma certa aparência em nome da dignidade, tem as suas ambições e metas mas, desdenhando do mais recente, trendy e mais caro (tão do agrado de novos ricos ou aspirantes) é capaz de fazer filhoses de água sem cair no disparate de se endividar. Quem vê pode julgá-los pessoas abastadas, o que às vezes não podia andar mais longe da verdade...


E a receita, observando com olhos de ver, é bem simples: viver um pouco como se vivia antigamente, fazendo valer o que se tem. Para morar, evitam as zonas "da moda", superpovoadas e inflacionadas; preferem recuperar ou construir uma pequena propriedade no campo, muitas vezes herdada entre o pouco que sobrou, com gosto, sombra e privacidade; se vivem na cidade, por necessidade ou preferência, farão o mesmo, privilegiando o espaço e o conforto em detrimento do bairro que ficou em voga só porque lá pipocaram uns bares e umas lojas malucas de design, ou do novo condomínio com piscina e ginásio a dividir com vizinhos maçadores.

Uma casa acolhedora, com uma decoração sóbria mas alegre, enfeitada com gosto e bem arrumada, dispensa extravagâncias. Se podem pagar a quem limpe, óptimo; se não, dividem tarefas e não lhes caem os parentes na lama. As estantes estão cheias de bons livros, de clássicos que realmente foram lidos, jamais comprados porque era suposto; pode haver instrumentos musicais para quando se recebem os íntimos em simpáticas reuniões;  haverá alguns serviços de mesa de qualidade, se calhar antigos (em vez de peças muito modernas e muito caras) mas que servem efectivamente, porque não lhes passaria pela cabeça ter a despensa vazia para aparecer nos restaurantes do momento onde tantas vezes a comida não presta. Não farão sacrifícios para ter o último bólide: um carro sóbrio e distinto, que seja fiável, e está bom. São criteriosos na sua vida social, nas companhias, nas saídas: o tempo e recursos "roubados" à família devem ser bem empregues.


Em casa, procura-se um ambiente descontraído, mas de conversas elevadas, carinhoso sem a familiaridade excessiva que conduz ao desrespeito; cultivam-se as boas maneiras e o bom vocabulário não por afectação ou sem à vontade, mas porque o hábito e o exemplo são tudo.

 Como sabem vestir, desprezam as marcas emergentes e sobrevalorizadas; conhecem a diferença entre verdadeiro luxo (a qualidade, o eterno) e o acessório. Só há uma elegância: a discreta.  Logo, apresentam-se sempre bem, mas não caem em tafularias e dominam a arte do do it yourself: muito dificilmente veremos a esposa a torrar o que tem e não tem no cabeleireiro. Afinal, o seu penteado  é atemporal, mantém-se facilmente...salão a toda a hora para quê? São smart shoppers e estão cientes de que uma visita à costureira ou ao alfaiate salva tudo, menos um mau tecido; também os faz rir a ideia de crianças fraldiqueiras a competir no jardim-escola pelas últimas calças da moda.

Procuram a qualidade e a beleza no que vestem aos pequenos, mas muita coisa é passada entre irmãos e primos, pois as crianças crescem rápido e precisam de brincar à vontade; não cultivam o materialismo exacerbado nem nas roupas, nem nas engenhocas, nem nos brinquedos. E por falar em crianças, o mais certo é os pais canalizarem meios para um colégio específico (militar, religioso); senão, optam por uma boa escola pública.


 Nada de híbridos onde o acesso não depende do mérito. E embora não caiam no exagero pretensioso daqueles pais que proíbem o açúcar e a televisão em casa (pobres pequenos!!!!) ensinam-nos a comer para se manterem esbeltos e saudáveis e nunca, por nunca ser, os deixam ver aberrações tipo Casa dos Segredos, por muito que eles protestem que os coleguinhas também vêem: como diz o senhor meu pai, com o mal dos outros posso eu bem!

Não serão perfeitos, mas aplicam a parcimónia, o gosto e as prioridades todos os dias. E desse modo, a vulgaridade nunca passa pelo buraco da fechadura.

E tanto mais haveria para dizer...pessoas e casais assim não só não se banalizam haja mais ou menos para gastar, como dificilmente entrarão em atrito por causa de algo tão deprimente como questões de dinheiro. O mundo de cada um é feito por si. Cada um torna o seu universo elegante ou vulgar, dependendo das coisas a que dá prioridade e atenção...







Sunday, May 8, 2016

Audrey Hepburn faria 84 anos...e o que isso representa


A estrela dos olhos de gazela celebrava o seu aniversário a 4 de Maio. Era, como todos sabemos, um ícone de estilo, de elegância, mas acima de tudo bela -e uma Verdadeira Senhora- por dentro e por fora. 
Curiosamente ontem, sem me lembrar da data, encontrei esta entrevista em que outra musa incontornável de que falámos há pouco, Sophia Loren, partilha as suas recordações dela, descrevendo-a (claro) como "muito discreta".



Os grandes vultos de um passado dourado vão desaparecendo. Ainda temos Raquel Welch, Brigitte Bardot (pouco igual a si mesma) Loren, Lollobrigida, Cardinale e outras. Mas Hepburn, como Elizabeth Taylor ou Lauren Bacall, já não se encontram entre nós e temo que aos poucos, quando todas as elegantes estrelas de décadas idas se tiverem esfumado, reste cada vez menos da magia, graciosidade e delicadeza que cá deixaram. 

A fama imortaliza-as, certo; o exemplo e a inspiração não se desvanecem nunca. Mas enquanto cá estão em pessoa, tenho um pouco a sensação de serem anjos da guarda de um certo comportamento, imagem pública, discurso e forma de estar. São como mães vigilantes que a qualquer momento podem, através de uma qualquer entrevista ou declaração pública, puxar as orelhas à sociedade (recordam-se do chá que Taylor deu, com seráfica paciência e caridade, a Kim Kardashian, sem fazer a tonta sentir que estava a ser condescendente? Já não se fabrica disto!).

Receio bem que em estas, e outras Senhoras (como S.M. Isabel II) deixando este mundo - que seja bem tarde- assistamos à derrocada definitiva da feminilidade e elegância. A não ser que as excepções de hoje, que ainda as vai havendo, saibam velar com bastante vigor e energia, pela beleza e donaire de antigamente. Para o nosso bem e o das gerações futuras...

Dolce & Gabbana did it again



Já se sabe que esta Casa, uma das minhas favoritas, se mantém em tudo - das roupas aos anúncios, passando pelos valores da marca - fiel ao seu posicionamento de raiz: o mais puro espírito siciliano, a mulher italiana (representada por beldades míticas como Monica Bellucci) e o imaginário italiano da cinecittà dos anos 50/60

Mas o spot do seu novo perfume, Rosa Excelsa, é como uma coroa do universo Dolce & Gabbana. 



Para começo de conversa, conta com a musa italiana de todas as musas italianas, Sophia Loren, belíssima passe o tempo que passar porque não sabe ser de outra maneira, no papel de uma matriarca que reergue a Casa de família. É emocionante este espírito de clã, sempre presente, e a imagem da grande senhora que tão depressa arregaça as mangas de uma camisa branca e põe as mãos na massa, orientando os ragazzi nas obras, como cozinha um manjar ou recebe os convidados impecavelmente ataviada.


Isto é-me tão familiar, tão verdadeiro. Faz-me lembrar as mulheres belas e fortes com quem cresci. Depois, a presença de pessoas comuns, mas não de uma forma pouco glamourosa, que é parte integrante dos anúncios da marca...e o romance doce e inocente entre os protagonistas mais jovens: os olhares envergonhados, a rosa oferecida, o beija-mão sob a vigilância risonha da avó e da comunidade. Numa época em que tudo tem de ser óbvio, subversivo, provocador, diz muito que uma griffe opte antes pelo romance, pelos valores familiares, pelas raízes, pela feminilidade que só de si é sexy sem precisar de uma sensualidade óbvia. Bravissimo, belissimo!

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