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Monday, August 22, 2016

As "Cherie Blair" da vida.




Há dias, a propósito deste livro engraçadíssimo que tive a sorte de encontrar, lembrei-me da desgraça ambulante que era a ex "Primeira Dama" do Reino Unido, mulher de Tony Blair. Apesar de ser uma advogada de gabarito, com uma carreira de sucesso, bem casada, mãe de vários filhos e tida como uma mulher inteligente, uma intelectual...Cherie não demonstrou grande sabedoria nem senso comum.

Não prestou nenhum favor ao pobre do marido enquanto ele ocupou o cargo de Primeiro-Ministro (cargo com algumas situações bastante espinhosas a enfrentar, começando pela gestão da crise mediática que se seguiu à morte de Diana de Gales) e fez de si própria constante alvo de chacota.




Sem querer agora dar uma biografia detalhada da senhora nem entrar em detalhes sobre a sua "panelinha" com Hillary Clinton que tem andado nas bocas do povo (é caso para dizer: olha que duas se juntaram!), recorde-se: no seu dia a seguir às eleições (1997), Mrs. Blair cometeu a imprudência de vir à porta pela manhã, recolher um ramo de flores (convenientemente encomendado por um paparazzo) em chinelas, com uma camisa de dormir nada sedutora e toda descabelada. Foi um pratinho para os tablóides, que se deliciaram com a sua ausência de noção, realçada por  respostas do tipo "sabia lá eu!"...como se não se conhecesse o que é a imprensa inglesa! Mas até isto poderia ter sido usado a seu favor - o público adora uma ingénua - se a fiada de disparates, ora deliberados ora por pura falta de jeito, não se seguisse em catadupa.



Socialista e republicana ferrenha, recusou-se a usar saias e a fazer a "curtsey" (graciosa reverência tradicional) a Sua Majestade, como seria esperado dela. Era como se essa pequena cedência, esse elementar profissionalismo, o pedacinho de humildade e de conhecer o seu papel que é apanágio dos grandes, a matasse.

Isabel II , Rainha dos pés a cabeça como sempre, troçava dela com infinita condescendência: "os joelhos parecem endurecer-se-lhe assim que me vê", comentava jocosamente.


 Depois Mrs. Blair parecia fazer questão de usar exactamente o que a desfavorecia: a não ser que o dress code não deixasse qualquer lugar à imaginação, era uma tragédia pegada. De vestidos linha A ou de malha que só chamavam a atenção para as ancas largas e para os braços gorduchos a trajes casuais e preparos tão relaxados que roçavam o desmazelo, passando pelas cores menos lisonjeiras para si, Cherie nao acertava uma e  dir-se-ia que se comprazia com a sua "rebeldia" rematada por constantes trejeitos, gestos desabridos e caretas, o que levou a que a imprensa fizesse cruelmente troça da sua "bocarra de caixa de correio". E com isso algum trabalho meritório que realizava, nomeadamente de caridade, acabava por passar despercebido...



Mas o que há mais é "Cherie Blairs" por ai:  mulheres que acham que não precisam de se reger pelo mais elementar bom senso; que julgam dar uma imagem de muito "resolvidas" por desafiarem gratuitamente as mais inócuas directrizes de boa sociedade ou de bom gosto.  O mundo é que se deve ajustar a suas excelências, dar-lhes palmadinhas nas costas, acomodar-lhes as manias com um muito obrigada por cima - e não elas moverem-se de acordo com o mundo.

 As Cheries Blairs da vida (mais gordas ou mais magras, mais velhas ou mais novas, intelectuais ou rapariguinhas de shopping) sofrem do tal mal do bovarismo: acham-se demasiado cultas, espertinhas,  indomáveis ou rebeldes para ceder a quem quer que seja ou cumprir as regras de bom viver, mesmo no seu próprio interesse.

 Tudo lhes é devido, pensam as coitaditas - e por isso adoram mostrar um ar de desafio gratuito e ter um discurso provocador e irrealista, armadas em chicas espertas, desinibidas ou moderninhas (conforme o perfil, e há vários).

 Da desleixada que quer enfardar à vontade e vestir como bem entende mas fica toda melindrada por não encaixar nos "padrões de beleza", à Samatha Jones de trazer por casa que depois de uma divertida carreira de oferecida e doidivanas se queixa que ninguém a quer para relacionamento sério porque os homens são "uns cobardes, uns aproveitadores e uns bananas" passando pelas  *pseudo* intelectuais de serviço que adoram discutir política aos guinchos e berrar "não me subestime!", nunca lhes ocorre que o problema possa, afinal, estar nelas.



Em suma, as Cherie Blairs da vida não sabem o que é bom para si. Não aprenderam na adolescência que o mundo não se compadece de "rebeldias" fúteis, nem tem pachorra para ressabiamentos;  tão pouco perceberam que não há almoços grátis. E assim continuam a levar "calduços da vida" pela vida fora, passe o pleonasmo...





Sunday, August 21, 2016

Oh haja pachorra olímpica!!!

Tenho andado mortinha por comentar algumas peripécias dos Jogos Olímpicos que - como não podia deixar de ser, na era dos social media e dos memes - se tornaram virais e tem andado  por aí, na boca do povo. Hoje lá me arranjei para vir aqui tratar disso antes que a tocha se apague.

Ora, como sucede sempre nestes eventos houve momentos marcantes e inspiradores. Fiquei especialmente encantada com a forma como a ginasta Laurie Hernandez, de dezasseis aninhos,  enfrentou o júri e se lançou numa coreografia perfeita, ajudando a arrebatar a medalha de Ouro para os Estados Unidos e tornando-se numa superstar queridinha à escala global - alem de dar origem ao GIF mais popular do certame, vide:


A menina, que tem uns olhos enormes e bonitos, disse para os seus botões (salvo seja) "I got this" pôs-se em pose, piscou o olho aos jurados e vai de ginasticar como se o mundo fosse a sua ostra. O mantra (ou estado de espírito, se preferirem) " I got this" ou "está no papo", ou ainda "saiam da frente que isto é tudo meu, vou partir esta traquitana toda" é assim uma moldura mental difícil de invocar sempre que se quer, mas nunca falha. Por vezes é preciso até fingir que se está no modo "I got this", mas devia ser um exercício diário para todos nós. Linda!

Mas depois houve disparate com fartura, ou não vivêssemos a época terrível do politicamente correcto. Que os democratas esquerdóides de carteirinha quisessem dar a honra de transportar a bandeira americana a uma atleta estreante em tais andanças em vez de a confiar ao super-hiper-mega-destronador-de -recordes-da Grécia-Antiga Michael Phelps (só porque a rapariga, que até disse mal da América, é muçulmana e usa hijab) foi um deles.



Porém deixemos lá isso, que tudo acabou em modo "não querias mais nada?" e  Michael Phelps soube bem mostrar do que é feito um campeão; vejamos antes este caso de dois pesos e duas medidas: quando uma atleta gay foi pedida em casamento pela namorada, a imprensa achou lindo, progressivo, comovente e romântico. Mas quando o mesmo aconteceu a uma atleta chinesa, a quem o namorado fez a proposta em pleno pódio...aqui del Rei que o rapaz estava a constranger a menina, a roubar-lhe o seu momento de glória, a tirar o protagonismo à medalha de prata, a dizer ao mundo, de forma sexista e opressora, que apesar de alcançar glória olímpica, o triunfo mais importante da saltadora He Zi é tornar-se sua mulher. Ora, eu sou mais adepta de guardar estes momentos para a intimidade, seja lá o casal quem for, mas juntar no mesmo dia uma medalha de prata e um anel de noivado parece-me um feito impressionante. De mais a mais, ela não pareceu nada aborrecida, antes pelo contrário, e a interessada não é ninguém senão a noiva: e por fim, uma medalha fica no currículo, tudo muito lindo mas não é ela que vai fazer companhia à atleta na velhice.

Tenho para mim que as feminazis solteironas, maldispostas, mal amadas e azedas ainda toleram a instituição do casamento se for entre meninas - que uma mulher case com outra vá que não vá, enfim. Mas que aconteça a alguém, algo que dificilmente lhes acontecerá a "elas" - um homem dar-se à canseira de lhes comprar um anel e propor casório com os sininhos todos- isso já e intolerável. Afinal, a maioria é demasiado desagradável (de propósito, em muitos casos) e|ou chata e|ou promíscua e|ou malcriada para que algum diabo as carregue. Essa é que é a realidade, sorry girls.


E por fim o disparate mor, o pai deles todos, a medalha de Ouro da tonteria: a comediante Ellen Degeneres (que além de ser um amor e uma pessoa super positiva, tem tudo para que a ala anti-reaccionária e pró-justiça social que se ofende com tudo, jamais embirre com ela: lésbica, casada com outra mulher há muitos anos e toda modernaça)- ofendeu os ofendidos de serviço  ao publicar este meme muito engraçado, em que se pôs às cavalitas de Usain Bolt:

O próprio visado, que (além de ser o homem mais rápido à face da terra e de fazer de papa léguas com um sorriso de "não me apanhas" que até dá gosto ver) é uma alma bem formada, bem disposta, temente a Deus e com coisas mais importantes em que pensar (vulgo, medalhas e contratos milionários) achou imensa piada e partilhou a imagem nas suas contas de social média. 

End of story? Nããããão, porque o povo melindroso entendeu que Ellen, uma senhora "branca e rica" estava a ser racista por se atrever a brincar com tal coisa, por sugerir que se ia por às costas de um homem negro (ou preto, ou de cor, ou africano, ou sabe-se lá qual é a  forma menos ofensiva de uma pessoa se referir a outro ser humano hoje em dia).  Ora, eu acho que racista seria uma pessoa não se pôr às cavalitas de outra, seja por brincadeira ou necessidade, só por ela ser desta cor ou daquela.
As coisas estão a ficar descontroladas... daqui a nada nem as crianças podem saltar ao eixo nos recreios sem antes perguntar ao coleguinha se ele se melindra com isso. Ou, para garantir mesmo que não ocorre opressão de parte a parte, não há cá misturadas e zás, temos um apartheid horroroso com a única diferença das "boas intenções".


NOT HAPPY!

Então vejamos: aqui onde me encontro trabalha-se e convive-se diariamente com gente de todas cores do Arco Iris, de todas as nuances do Pantone, de todas as regiões do mapa e de quantos credos há. Desde que não me aborreçam, não me atrapalhem e criem bom ambiente, o mais certo é eu nem reparar se são brancos, cor de café, mogno, marfim, pérola, encarnados, amarelos ou cor de rosa às pintinhas.

 Pois bem, se -longe vá o agouro - eu torcer um tornozelo e o meu colega da Costa do Marfim que mais parece um gladiador, muito cavalheirescamente me carregar para um táxi, estou a fazer dele escravo? Mas se for o outro, que é italiano, já não há problema?
Ou quando a pausa para almoço ainda vem longe e  partilho bolachas ou chocolates com os membros da equipa que se esqueceram de trazer algo para trincar, se  tenho a lembrança de dar uma guloseima a um manager que é dos Camarões, ou a um cabeleireiro que calha ser da Zâmbia, estou a ser "paternalista"? E se uma rapariga de quem gosto bastante, nascida e criada no Quénia, me compuser o cabelo ou avisar a rapariga ao lado, uma "rosa inglesa" loura e de olhos azuis, está a fazer de mucama? E se for ao contrário - já que nestas andanças o cuidado com a imagem é de rigueur apesar da correria - estaremos a ser condescendente com o seu cabelo afro? Ora poupem-me. In ilo tempore as pessoas, fossem mais conscientes ou menos da cor de cada um, tivessem mais ou menos tacto, brincavam à vontade umas com as outras, andavam saudavelmente às turras se fosse preciso e acabava tudo bem.
Era o tempo dos vídeos fofos do Michael Jackson em que se resolvia tudo a dançar. Lembro-me bem desses dias felizes.  Hoje, nem o ouro olímpico serve para calar estas almas maldosas. Que fastio!





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