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Saturday, April 15, 2017

A "mãe dragão" de Elizabeth Taylor





A belíssima Elizabeth Taylor era conhecida por ter um  temperamento explosivo, que contrastava com o seu famoso bom coração- e que não raramente, a levava a fazer cenas em público com o marido do momento.

Muito provavelmente, a "mulher mais bela do mundo" herdou o mau feitio da sua mãe, Sara, uma ex actriz muito mandona que fazia do marido gato-sapato e que, adivinhando na filha a beleza e o talento, jurou fazer dela uma estrela doesse a quem doesse. E conseguiu, mas a que preço! A pobre Elizabeth sofria com os modos de stage mom da progenitora,ansiava por se libertar da "generala". 




E como tantas raparigas com uma relação próxima, mas complicada, com os pais, a solução que achou foi casar-se cedo- com dezoito anos.




Sara até não estava contra a ideia, mas, dominadora como não conseguia deixar de ser, queria por força arrumar Elizabeth com o bilionário Howard Hughes.

 Porém, encontrou na jovem a mais férrea resistência: não e não! Não me importa quanto dinheiro ele tenha, não quero ter nada a ver com ele! - berrava Elizabeth a plenos pulmões. Afinal, ele tinha 40 anos e era um mulherengo de primeira. E antes que a mãe pudesse fazer grande coisa, trocou-lhe as voltas casando com Nicky Hilton, de 23 anos. À primeira vista, não havia defeito a apontar ao noivo, que era um dos solteiros mais cobiçados de Los Angeles: bonito e herdeiro milionário dos hotéis Hilton, fazia com ela um casal amorosíssimo.





 Mas Sara não gostava dele - algo não lhe cheirava bem. E porque as mães costumam ter alguma razão, mesmo as que são autoritárias e intrometidas, a verdade é que a sogra não se enganou. Nicky saiu um monstro: bêbedo, insensível e pior, horrivelmente violento. A Lua de Mel foi um desastre e o biltre não demorou até sovar a sua bela mulher até a deixar estendida por terra. As tareias eram de tal ordem que a infeliz acabou por perder o seu  primeiro bebé. 


Porém, como tantas esposas ansiosas por provar que não se enganaram, a actriz escondia o pesadelo em que vivia da família e dos amigos. Até ao dia em que o bruto teve de enfrentar a sogra- que chegava para ele, e para dois brutamontes cobardolas como ele se preciso fosse...

Sara e o marido tinham convidado o casal para jantar, 
quando os dois começaram a discutir na cozinha. Nicky desatou aos insultos e safanões e Elizabeth,que não era de se ficar, atirou-lhe um bofetão. Ele ia ripostar com o vigor do costume, quando Sara irrompeu na cozinha e lhe gritou: "você, seu filho da.....ponha-se já fora da minha casa, e não volte!!!".




E lá foi o casamento para as urtigas...Elizabeth Taylor quis o divórcio para ontem, e a vontade de se livrar do mostrengo era tanta que até recusou receber qualquer compensação. "Não preciso de um prémio pelo meu falhanço". Terá dito, como se a culpa lhe assistisse! 

A relação com a Sara continuou sempre a ser complexa, mas a verdade é que, não fosse ela estar  na hora certa para lhe dar coragem, a pobre coitada podia ter ido aturando até ao dia em que um empurrão ou uma sova corresse ainda pior do que o costume. Moral da história: uma mãe estilo "padeira de Aljubarrota" pode ser uma carga de trabalhos, mas nunca a subestimem...as mães exageram às vezes, mas ao fim e ao cabo lá têm os melhores interesses dos filhos em mente. Pena que se exprimam mal.



Friday, April 7, 2017

Ó meninas com idade para ter juízo que adoram selfies!





Aprendam que eu não duro sempre, sou muito vossa amiga e quem é amiga avisa, porque a vida não vos vai ensinar com o mesmo carinho.

A longuíssima experiência de muitas destas meninas já as devia ter ensinado, mas nunca devemos desistir de salvar umas almas.



Nada contra a bela da selfie per se: é um mal necessário e um sinal dos tempos. 

Auto-retratos desses, todo o mundo tira: ou porque não há vivalma por perto para fazer o favor, ou porque se queres alguma coisa bem feita fá-la tu própria e ninguém acerta com a luz ou o ângulo exacto que se pretende para mostrar algum detalhe (acontece...) ou para captar um qualquer momento/ paisagem com piada. O selfie stick, admito-o, é ridículo de ver mas foi uma grande invenção: consegue-se tirar retratos com um que ninguém diz que são selfies.


Mas uma coisa é a ocasional selfie que fica perdida lá no instagram de cada uma entre outras imagens.

Outra coisa é uma mulher crescida dos seus vinte e muitos ou trinta e tais anos (quando não é mais), uma adulta vivida, uma balzaquiana com obrigação para ter aprendido com os calduços e os pares de patins... que não só abusa do beicinho + beijinho para a câmara, como posta trinta selfies todas iguais  dia sim dia não como se tivesse catorze anos e nenhum miolo. 




 E depois, a usá-las como retrato de perfil com uma boa visão do decote, trinta camadas de filtro, e - o detalhe que é o golpe de misericórdia- com uma citação melosa, frase filosófica pretensiosa sobre sorrisos, felicidade, vitórias, joelhos esfolados, beijinhos no ombro e beijos de luz.

 Ou pior ainda, com uma frase engatatona e "caliente" a acompanhar o disparate. Tudo para ver se desencalha, se sai dessa solidãaaao.

Primeiro, lá diz a internet que é uma coisa muito sábia: quem posta frases de amor em catadupa passa por assanhada(ou carente) mesmo que esteja só
numa má fase.




Segundo, lá dizem os homens que são uns brutos mas vão direitos ao assunto: cada like masculino que se ganha, é menos um cavalheiro interessado em relacionamento sério. 

E terceiro...se é para colocarem uma legenda na coisa, deixem-se de rodeios, de bater à volta do arbusto e de dourar a pílula com frases pretensiosas de correcção gramatical e sentido duvidosos.




 Mais vale serem sinceras, francas, honestas; a honestidade é sempre refrescante e ao menos destacam-se na multidão de solteironas desesperadas que publicam exactamente a mesma coisa.




Em vez de fazerem copy/paste do Pedro Chagas Freitas, das frases do Cifras, do Larga não sei quem ou de qualquer um desses portais manhosos com textos abrasileirados cheios de palavrões e de artigos deprimentes  do tipo "gosto tanto dele, mas ele só me quer para amiga colorida", poupem os vossos dedinhos e as vossas unhas de gel e escrevam logo "quem quer casar com a Carochinha, que está disponível, mortinha e aflitinha?".


Afinal, com a Carochinha funcionou: o sentido de humor ganha sempre pontos e na maioria das vezes, o marketing directo é o mais eficaz. Sempre às ordens, queridas serigaitas.

Tuesday, April 4, 2017

O complexo Fiona: auto aceitação ou desleixo?


Jennifer Lawrence (a faz- p*retes, campeã dos palavrões, maria rapaz, grosseirona, que- tira- retratos- a- fazer- dos- arbustos- retrete Jennifer Lawrence-) é novamente imagem da Dior. Da ultra elegante Dior. Da super aspiracional, luxuosa e - habitualmente - exclusiva Dior.

Porque será?

Porque Jennifer é, sabem, super relatable. Ser relatable vende. Está imenso na berra, já lá vamos aos motivos. E at the end of the day, mesmo as marcas que se querem mais inalcançáveis precisam de awareness, vulgo dar nas vistas.

Qual é a  tradução portuguesa de relatable? "Empatizável"?  De qualquer modo, aparentemente essa é a maior razão da popularidade da actriz: o público sente-se identificado com a sua linguagem bardajona, com as suas piadas escatológicas, com os seus modos arrapazados.




Obviamente a menina não aparece nos anúncios da Maison Dior a dizer asneiras nem a fazer gestos obscenos: disfarça, quem a visse diria que não parte um prato não fosse pela t-shirt com dizeres feministas (outro termo que vende que nem pãezinhos quentes até se lembrarem de outro qualquer). Mas todos sabemos o que por ali vai.




De igual modo (a Dior estará a tentar apelar à juventude "rebelde" do tipo Morangos com Açúcar?) no último spot do perfume Miss Dior, é a habitualmente bem comportada e mucho classy Natalie Portman que deixa o noivo no altar e foge de helicóptero com um gandim qualquer. Eu vi e pensei "que raio?" E o senhor meu marido, sem que tivéssemos falado no caso, quando pôs os olhos no anúncio a primeira vez, deitou as mãos à cabeça e perguntou se agora, para venderem perfume, era preciso agirem como taradinhas-canta-monos. Realmente!




Já aqui o disse em tempos: longe vai a época em que o público idolatrava celebridades dignas de admiração, que inspiravam pela aparente perfeição da sua figura, da sua beleza, da sua elegância e das suas atitudes, como Grace Kelly ou Audrey Hepburn. Pessoas que podiam não ser perfeitas, como ninguém é...mas tentavam.

Actualmente, a audiência é preguiçosa. Prefere identificar-se a ser inspirada; prefere o grupo de pertença ao grupo de referência. 




Afinal, é muito mais confortável ser fã das indiscrições de Kim Kardashian, das gordurinhas de Ashley Graham ( nada contra um certo protagonismo das modelos plus size, mas a glorificação da celulite cai no extremo oposto; a Ashley, porém, voltarei mais tarde) ou da má criação de Jennifer Lawrence. É muito mais fácil pensar assim do que era, antigamente, tentar imitar a sensualidade elegante de Sophia Loren, fazer por ter as curvas perfeitas de Cindy Crawford ou os modos impecáveis de Jackie Kennedy.




O sucesso de personagens desleixadas e trapalhonas como a Princesa Fiona, de Shrek, Lena Dunham em Girls ou Bridget Jones está aí para o provar. 

Fiona nem tinha culpa de ser uma ogresa- mas no final, acabava por achar mais divertido sê-lo, ter más maneiras à mesa, fazer barulhos desagradáveis, enfim- agir como lhe dava na *literalmente* Real Telha. Ser imperfeita, destemperada ou mesmo ter um discurso cheio de demasiada informação a falar de funções corporais, de intimidades e a tender para o repugnante, é feminista, "empoderador"...está na crista da onda!




 E basta uma rápida volta pelas redes sociais da vida ou pelo Pinterest para notar a quantidade de memes e frases feitas, tão do agrado do mulherio, com ditos do estilo "I give zero f***". Ou seja, "sou malcriada e gosto". 

A palavra de ordem é "tenho mau feitio, aturem-me" , "sou desmazelada, achem-me linda", "sou bêbeda e galdéria, onde está o meu príncipe encantado?" e assim por diante. Vivemos a época das palmadinhas nas costas, dos prémios de consolação, dos troféus de participação. Perdeu-se a noção da fronteira entre a auto-aceitação e o desleixo puro e simples.

Ninguém quer melhorar, ninguém quer ser disciplinada, ninguém quer ter trabalho...e os média, as marcas, cedem: está-se em modo Ad captandum vulgus: 
baixar o nível para agradar ao populacho.

Depois...uma pessoa pensa que, com todas as suas imperfeições, tudo faz para melhorar, para fazer boa figura neste mundo, e interroga-se se será assim uma espécie de exterminador implacável aos olhos da sociedade. Que raio de tendência- oremos para que passe...

Wednesday, March 29, 2017

Não é a defender as pessoas falsas, mas...


...mal por mal, as que têm fama de falsas e atitudes a condizer possuem ao menos a virtude da fineza, de serem um bocadinho educadas. Podem não gostar de nós, mas...sorriem, dão os cumprimentos da praxe e fazem tudo como manda o figurino. E uma vez que regra geral a reputação precede-as (ou já nos escaldaram antes) é só lidar com elas de longe e pronto. Não lhes dando grande confiança, tratando-as com educação e distância profissional, o dano não é grande.



Toda a gente, por mais sincera que seja, tem de recorrer à falta de franqueza diplomática uma vez por outra: quando um colega embirrento mas  de longa data é promovido, quando aquela parente chata se casa, quando o vizinho rezingão está no hospital mais para lá do que para cá. Não é que passemos a amar as pessoas do fundo do coração, mas não custa nada lembrar que todos somos humanos, que no fundo todos andamos em busca da mesma felicidade e que enfim, não lhes queremos propriamente mal nenhum. Manda a civilidade, manda a educação, manda às vezes uma certa superioridade moral de dar a outra face. Lá está, noblesse oblige.






E quem desconhece o conceito de "noblesse oblige" (repito para que entre, mas duvido que funcione) muito mal está. Prova que não só lhe falta berço, chá, modos, mas também um mínimo de bons sentimentos. É uma afirmação de "sou má pessoa e faço questão de o demonstrar".

Pior, muito pior que os Judas, são as pessoas que nem disfarçam o pó, a inveja ou o ressentimento que as remói- ressabiamento esse que muitas vezes surge do nada. Ou que se revela do nada.




 Num dia são muito amigas (depois, vem-se a perceber que andavam ali por interesse ou alpinismo social, enquanto já se remoíam...) no outro são incapazes, virtualmente incapazes, de agir polidamente - já não digo calorosa ou mesmo amigavelmente. 
De um momento para o outro, dá-lhes para assumir que nunca houve ali amizade nenhuma, ou pelo menos assim parece. No fundo, é outro tipo de falsidade: a falsidade com prazo de validade.

Ou seja, a pessoa finge-se muito amiguinha enquanto lhe dá jeito beneficiar das eventuais regalias dessa amizade; ou se calhar, enquanto aguenta esconder o seu complexo de inferioridade, a sua invejita. 




Lá vai engolindo sapos e o próprio veneno: uns dias porque lhe convém apesar de não gostar de viver na sombra alheia (sendo que pessoas assim se acham sempre menos que os outros, ao mesmo tempo que sentem que o mundo lhes deve tudo; vá-se entender). Outras vezes, porque não tem assim tantos amigos e não se pode dar ao luxo de os deitar ao lixo. E às tantas, uma vez por outra, porque ainda lhe resta consciência e lá pensa "não é justo ter raiva de fulana ou beltrano...afinal, nunca me fizeram mal nenhum, antes pelo contrário.". 




Porém, estas reflexões duram pouco. A peçonha, a ingratidão furiosa, o sentimento de "injustiça", o feeling of entitlement de quem acha que tudo lhe é devido e os maus fígados vão borbulhando, borbulhando, até que o caldeirão rebenta. E eis o (a) falso (a) amigo (a) tão raivoso, tão danado, tão ressabiado, que nem de ser educado é capaz.




Desaparece do mapa, como se tivesse sido muito ofendido, e só dá sinal de si se remotamente precisar de algum favor maior que o seu orgulho. Inventa todos os pretextos para alfinetar ou maldizer a antiga amizade. 

E se por acaso o amigo ou amiga tem a ousadia de se sair bem nalguma iniciativa, de ter sorte em alguma coisa - mais uma! Como se já não tivesse tudo de bandeja!- reclama o Judas indignado - e se (que atrevimento, que sacrilégio, que lata) tem a coragem de partilhar a sua felicidade com os que considera amigos, aí dá mesmo um estouro. 




À falta de coragem para dizer na cara do visado "tu irritas-me com a tua boa sorte! Porquê tu e não não eu? Detesto ser teu amigo e só espero que acabes mal!" desata a gabar-se de cada passo que dá, como se tivesse algo a provar. A amiga partilha nas redes sociais uma boa notícia qualquer? 



Vai de postar imediatamente  também qualquer coisa a dar a entender como está feliz com a sua vida, ainda que não esteja. O amigo conta como a noiva o faz feliz? Interrompe-o à bruta para gritar aos quatro ventos as vantagens da vida de solteiro. O colega está a mostrar o carro novo? Sai do local com cara de caso, ou põe imediatamente defeitos.

É capaz de deitar abaixo, de desfazer, de começar numa gabarolice histérica, e dar parabéns? Esperem lá.




Se o amigo casou/ganhou/herdou/escapou de algum problema grave, o Judas vai destacar-se por ser o único a fazer questão de escapar às felicitações. E faz pior ainda: se pelo contrário o amigo está na mó de baixo, eis que o Judas declarado nem é capaz da hipocrisia de desejar as melhoras. Cala-se bem caladinho e só não diz um "bem feito, sua besta!" por cobardia.




Repito muitas vezes aquela frase de Oscar Wilde "é fácil ser um bom amigo nos maus momentos; difícil é ficar feliz pelo sucesso dos amigos". Porém, esta categoria de falsos amigos consegue ir mais longe. Só está feliz quando os "amigos" estão de rastos. E nem disfarça. Afinal, só assim os outros estarão minimamente próximos da treva que lhe vai na alma. Miséria adora companhia - mas acaba sozinha, porque ninguém tem pachorra...


Sunday, March 26, 2017

O melhor conselho profissional que já ouvi.



Não é que fosse novidade. Já o tinha lido num livro americano de que falei aqui sobre conselhos para as mulheres no mundo corporativo. No entanto, é daquelas coisas a que não se presta grande atenção porque enfim, não é uma questão de currículo mas de imagem e até eu, tão bota de elástico, achei que era uma ideia um bocadinho ultrapassada em pleno século XXI.

"Prenda o cabelo". Só isso.




Lidar com a imagem das pessoas - incluindo a imagem profissional - é o meu trabalho. Mas eis a prova de que estamos sempre a aprender. E que, tal como nas questões amorosas, noutros contextos os arquétipos mais básicos, primordiais e instintivos continuam a valer imenso: a formar opiniões muito fortes e decisivas.

 Cabelo comprido, solto, brilhante, bem tratado e polido faz parte de uma boa imagem e pode valer pontos numa entrevista. Mas atenção...cabelo solto é muito feminino. Quase demasiado.  É botticelliano. É íntimo. É à vontade. 

Em certas épocas, as mulheres só desmanchavam tranças e chignons antes de se deitarem com os maridos. As bruxas soltavam o cabelo quando lançavam os seus feitiços. Por cá, as mulheres do campo usavam quase sempre o cabelo preso depois de casadas.  As judias ortodoxas cobrem o cabelo não para ficarem menos bonitas (algumas até usam perucas sobre o cabelo natural, go figure...) mas porque acreditam que o cabelo encerra um poder arrasador. Das muçulmanas todos sabemos e agora o hijab está na berra, mais por moda que outra coisa: enquanto tantas nos países mais opressores morrem por se livrarem dos lenços, nos países livres, jovens muçulmanas e conversas ou wannabes usam-no por gosto ou vaidade (e acompanham-nos de tanta maquilhagem que lá se vai a ideia de passarem despercebidas).

 Já as Católicas sempre tiveram mais sorte e foram moderadas, cobrindo o cabelo com lindos véus... mas só durante a Missa e outras  cerimónias religiosas - uma bela tradição que cumpro com o maior prazer. A ideia é imitar Nossa Senhora, apagar-se para deixar todo o protagonismo ao sacrifício no altar,  mas mais do que isso, cumprir o que dizia S. Paulo: cobrir o cabelo "por causa dos Anjos". É que não queremos anjos desconcentrados no céu a pasmar para as mulheres. Isso aconteceu uma vez no início dos tempos e não deu bom resultado, diz a Bíblia. A única Santa que costuma ser representada com o cabelo completa e orgulhosamente solto (e ruivo ticiano) é Santa Maria Madalena. E toda a gente entende porquê...

Depois já se sabe, os autores clássicos enalteciam o poder de sedução do cabelo longo e bonito.

 Cabelo solto é livre, selvagem (por muito styling que tenha levado para ficar assim....). Cabelo solto e longo é juvenil, descontraído. Um belo cabelo é sexy, pronto. E numa primeira impressão, numa primeira entrevista, o sexy, mesmo que discreto, não é o mais conveniente. Ainda que venha acompanhado de um modesto vestido por baixo do joelho. Isto pode parecer antiquado, sexista  e esquisito numa época em que mulheres super elegantes e bem sucedidas como Amal Clooney dão cartas na carreira com as suas melenas esvoaçantes. Mas enfim, Amal já se pode dar ao luxo de fazer o que lhe der na real gana.




 Aprendi isto da pior e da melhor maneira, em dois contextos diferentes. A primeira vez foi na penúltima entrevista para um cargo na área de marketing de moda em que estava mesmo interessada. Usei uns sapatos slingback Bruno Magli de salto baixo com um dos meus sheath dresses do costume, que já me tinha acompanhado noutras situações semelhantes- cinza, sob o joelho, com um pequeno decote redondo (a terminar logo abaixo da clavícula) e bastante justo, mas - prometo - super apropriado.
 Na dúvida costumo usá-lo com o blazer do mesmo conjunto, sempre com grande sucesso. É um dos meus vestidos da sorte. E como tinha feito um brushing bem conseguido pela manhã, deixei o cabelo solto sobre os ombros.

 Ora, a entrevista marcada para as dez não começou antes das onze (ou não estivéssemos nós em Portugal). E estava um calor das arábias. Impossível manter o blazer vestido sem ficar toda afogueada. Quando finalmente a responsável dos recursos humanos se dignou a vir falar comigo e com os outros candidatos (dois rapazes e quatro raparigas, para dois cargos diferentes) viu-me sem casaco e olhou para mim com uma cara que não enganava ninguém.


Pois bem, eu tenho lido por aí que é sensato não incluir retratos no currículo, pois a maioria das responsáveis de RH é mulher e costuma atirar directamente para o caixote do lixo todo o CV feminino cuja dona não seja completamente medonha ou totalmente totó. Mas sempre achei que era mito. As mulheres sempre foram fantásticas comigo e nunca tive que dizer...

Porém, esta embirrou com a minha cara. Só posso adivinhar que eu lhe lembrasse muitíssimo a sua arqui inimiga do liceu, alguma rival amorosa ou qualquer outra persona non grata, para estar tão ressabiada comigo.

 É que nem me deu hipótese: foi ultra simpática com todas as outras, e a mim só faltou
 dar-me uma dentada. Desde não me perguntar nada de relevante a não me deixar responder às questões, passando por atropelar-me sempre que podia e tentar 
encurralar-me o mais possível, valeu-me a minha lata, o meu sangue frio do costume e pensar cá comigo "espera lá que no fim conversamos". E assim foi. No final, em modo perdida por um perdida por mil mas fazer de mim parva é que tu não fazes, minha estúpida,  disse-lhe respeitosamente o que pensava. Saí dali sem vontade de voltar...e não voltei, claro- ela deve ter atirado a minha candidatura para a fogueira com o dobro da fúria, mas não foi sem troco e dei-me por satisfeita. No entanto, não perdi a lição.



Fiquei cá a pensar comigo que, sem blazer ou com blazer, talvez a reacção tivesse sido diferente se o meu cabelo tivesse um ar mais ...bom, austero. Não é à toa que as mulheres militares, as hospedeiras, as bailarinas e (noutros tempos) governantas ou preceptoras sempre prenderam o cabelo. Não se trata só de tirar as madeixas da cara - e dos olhos -  ou de parecer mais apresentável o dia todo (pois o que está bem preso não corre o risco de se despentear). 

É que quem tem o cabelo preso mostra que está em modo meaning business. Dá um aspecto de maior sobriedade e formalidade. Roupa séria com cabelo solto? Executiva sexy, às tantas. Roupa séria com cabelo sério? Se calhar esta é uma maçadora, mas como a imagem dela é tão neutra vamos focar-nos apenas naquilo que ela tem para dizer. Um homem não passa o tempo preocupado com o cabelo. E a uma mulher, no contexto profissional, pode ser útil essa atitude directa, quase varonil.




É que nunca sabemos quem está do outro lado, ou que associações de ideias (injustas) pode fazer: o chefe embirrento que não quer uma mulher frívola e vaidosa para o lugar,  o director atiradiço que fica com a ideia errada, ou a responsável de departamento ciumenta e insegura, que não quer dividir protagonismos.

Mas é claro que em Portugal não se fala tão abertamente nestes aspectos. Nisso os ingleses são bastante mais concretos e não se acanham de exigir um dress code ou um uniforme. Os portugueses insinuam, os ingleses põem tudo por escrito. Até coisas que deveriam parecer óbvias, como "no autocarro, por favor não coma alimentos com cheiros fortes nem fale alto ao telefone". Mais do que serem bem educados, eles têm pavor de se esquecerem de o ser! Portanto, é tudo mais às claras...




De modo que, quando cheguei a Londres a ver em que paravam as modas, com algumas reuniões já marcadas, fui aceite muito rápido em alguns projectos onde conheci gente incrível e uns quantos mentores. Ora, uma simpática manager russa com quem trabalhei numa iniciativa para uma conhecida marca de luxo, sabendo que eu estava a gostar da cidade e não se me daria de permanecer cá uns tempos deu-me algumas dicas, terminando com esta: "tem um óptimo currículo, uma óptima imagem e capacidades de liderança...lembre-se é de manter o cabelo preso nas primeiras entrevistas!".  Eu assim fiz...e não me dei nada mal com a abordagem. Não uso sempre o cabelo totalmente apanhado, salvo quando o dress code o exige (geralmente opto por um meio-apanhado, para garantir que fica o dia todo no lugar) mas tornei-me uma grande fã do "cabelo de serviço". E isto não se trata de machismo, sexismo ou ideias do tempo da outra senhora: são factos, são associações de ideias inerentes à natureza humana que por superficiais que pareçam, influenciam resultados.

Se ainda não fizeram a comparação, tentem usar um rabo de cavalo na vossa próxima reunião ou entrevista importante, e vejam se há diferença. Eu apostaria que sim.






Wednesday, March 22, 2017

As galdérias segundo o Tarot....e o senso comum.



Imagem via Lena das Cartas


Há dias, uma popular taróloga da TV causou enorme polémica porque recomendou a uma mulher atraiçoada que se pusesse bonita para que o marido deixasse de procurar "galdérias" na rua.

 O conselho (que até não é mau, assinale-se, desde que aplicado como preventivo e não como remédio) caiu mal: a uns, porque a vidente estaria a incentivar uma mulher a suportar caladinha as infidelidades do marido.

 A outros, porque é "machismo" as mulheres taxarem-se umas às outras de "galdérias". Um machismo perpetuado pelas próprias mulheres umas contra as outras, e mimimi.

Aos primeiros, dou-lhes razão: se um homem já fez das suas, é demasiado tarde para "remédios". Há que pôr-lhe as malinhas à porta e nem me passa pela ideia como é que alguém tem estômago para voltar a olhar na cara do infeliz, quanto mais tentar "reconquistá-lo".




Como dizem certos memes pindéricos (mas acertados) por aí...rainhas não competem com rameiras. Ou como dizia a avó, uma senhora nunca desce das suas tamancas.

 Sei que a questão pode ser mais complicada do que isso, mesmo nos dias que correm (e olhem que sou firmemente contra divórcio). 

Porém, a ideia da mais leve intromissão dá-me de tal modo volta ao estômago que não imagino outro cenário senão mandar o femeeiro das dúzias à galdéria  em causa (sim, eu digo galdéria) de forma assaz queirosiana: com um laçarote no alto da pinha e um bilhetinho colado na testa a dizer "guarde-o". Ou antes, "guarde-o sua galdéria, desesperada de uma figa, meretriz, mulher da luta: só se estraga uma casa!".




E depois tratar do assunto perante a Lei ou, no caso de casamento pela Igreja, apelar para uma eventual resolução à luz do "eu julgava que ele era um homem decente!!!!". Conheço casos de mulheres que conseguiram que o matrimónio fosse declarado nulo face a situações destas, Dura Lex, sed Lex.




Tem também andado muito pela internet a discussão à volta de esposas que, encontrando o marido com a boca na botija, resolvem o assunto, como dizem os nossos irmãos brasileiros, rodando a baiana para cima da amante, enquanto o adúltero escapa à sova de criar bicho como se tivesse sido seduzido, pobre anjinho. E dizem as mulheres (umas revestidas de um certo feminismo hipócrita, outras porque terão culpas no cartório): o marido é que deve apanhar a tareia! Ele é que deve fidelidade! Coitada da amante! Devagar com o andor.

Sou absolutamente contra cenas e circos de qualquer género, mas das duas uma: ou bem que se aborda tão triste caso com classe e sangue frio e não se espanca ninguém, ou bem que sobra para todo o mundo: o adúltero, que desrespeitou os votos, e a desavergonhada que sabendo (e não me tragam tretas, a maioria sabe e não se rala nada) anda contente e feliz achando-se irresistível, a destruir o relacionamento alheio. Ou há moralidade, ou...bem, sabem o resto.




 Uma mulher que não consegue encontrar um namorado/marido só para si e como tal, resolve o seu desespero sendo amiga do alheio, não merece solidariedade feminina, porque não demonstrou ter alguma em primeiro lugar. Não merece respeito, porque não se dá ao respeito.

 Se merece uns safanões? Sem dúvida. Não que deva levar os sopapos sozinha. São precisos dois para dançar o tango, é justo que partilhem as consequências.

A participação da galdéria não diminui a pulhice do traidor - no entanto, esta é a ideia que se defende muito agora, com desculpas do tipo "as pessoas não controlam por quem se apaixonam" (poupem-me ou, mais apropriadamente, bitch please) ou nada é errado se te faz feliz (já aqui discutimos isso). Como se já não soubessem distinguir o bem do mal!


 Não que eu esteja a apelar ao sopapo ou a defender a feia instituição do barraco.
 Só estou a julgar o merecimento e atribuição do mesmo, bem entendido! 

Haja igualdade nos direitos, nos deveres e no resto. Mas voltemos a isso de ser feio as mulheres classificarem outras de galdéria para baixo.

Judgy Bitch, um blog politicamente  incorrecto que diz umas verdades duras e que podia ter sido escrito por mim mais coisa menos coisa, partilhou há tempos uma série de textos geniais sobre esta temática. 

 Em particular,dois  artigos que explicam detalhadamente um facto que ficou na moda ter medo de admitir: ninguém gosta de serigaitas. Ou de galdérias. 





 Bom, há homens que gostam (sejamos honestos: a maioria gosta nas fases da vida em que faz disparates ou gostaria de fazer) mas apenas para diversão, em modo descartável; e admito que algumas dão excelentes personagens de ficção.
 Para não falar naquelas da vida real cujos esquemas e manobras aflitivas fazem rir, quando nos chegam via bisbilhotice. É um passatempo feio, mas adiante.



Ah, e Jesus, claro. Esquecia-me Dele. Jesus gosta de toda a gente, ama toda a gente, galdérias incluídas. Mas antes de entrarem em modo "só Deus me julgará", lembrem-se: o Divino Redentor impediu que lapidassem a mulher adúltera. Dirigiu-se à multidão que ia linchar a pobre coitada e basicamente, disse-lhes que acabassem com aquela barbaridade porque se cada um dos presentes levasse uma pedrada por pecado cometido, era uma mortandade e não sobrava pedra sobre pedra. Mas por acaso Jesus disse à doidivanas "vai, minha querida, e continua a fazer trinta por uma linha: a trair o teu marido, a desencaminhar os maridos das outras e a causar desacatos- more power to you, Ego te absolvo, etc"?. Ná. Cristo avisou-a, basicamente "por esta passa, que o susto te sirva de lição; vai e não voltes a pecar, ganha juízo e sê uma pessoa honesta de hoje em diante, etc".





Dito isto, a popularidade das destravadas morre aí. Na vida real, nos assuntos sérios, ninguém quer nada com "perdidas". (outro insulto giro e vintage) .


Diz o texto e lindamente que, por muito engraçado que seja divertir-se à custa de serigaitas e galdérias (em vários sentidos) e por muito direito que assista a cada uma de ser galdéria e serigaita, isso não deixa de ser errado, não deixa de ser contraproducente, imoral ou indesejável. 




Nenhum pai gostaria de ver a sua filha crescer para se tornar uma galdéria que anda nas bocas do mundo, e pior. Ninguém gosta de ter como amiga uma maluca que dá má fama ao grupo inteiro e que não respeita os relacionamentos alheios. Mulher alguma gosta de descobrir tais personagens na vida do marido - passada, presente ou futura.
 Nem na rede social /telefone/ grupo de amigos do namorado. Nas proximidades, enfim. Ninguém quer contratar uma funcionária ou ama que perturbe a paz doméstica (ou a da empresa) com os seus esquemas e dramas.

 Ninguém gosta de estar acompanhada num evento e ter de lidar com uma atrevida que, já com os copos, decide dirigir-se a um cavalheiro que estava quieto no seu canto, como se a legítima fosse transparente. Nenhuma mãe sonha com o dia em que o seu filho, criado com tanto esmero, lhe apresenta em casa uma criatura vulgar, vestida como uma stripper, conhecida nos piores circuitos, pedindo a sua bênção para casar.

 Quem disser o contrário, mente.



 Em última análise, as mulheres de vida airada que se oferecem gratuitamente em TODOS os sentidos do termo complicam a vida a todas as outras, porque a grande parte dos homens já nem distingue o trigo do joio e trata tudo por igual. (Meninas, apostem nos que não suportam galdérias ou pelo menos, nos que até podem divertir-se às suas custas mas preferiam morrer a apresentar tal espécime aos pais. Lá diz o ditado italiano: um cavalheiro até pode fazer o piorio, mas nunca leva uma mulher de mau porte para casa da família. Dos males, o menor.). 




Ser uma "mulher fácil" não exige qualquer mérito. Não requer ao menos lábia, esforço e uma imagem de sucesso, como aos homens. Não exige sequer beleza (a estatística comprova-o) já que para mulher descartável, qualquer coisa serve desde que não seja hedionda de meter medo. Basta aparecer e ter zero auto estima. E nem falemos no facto de a mulher estar biologicamente despreparada para ligações meramente casuais- daí parecer patética e desesperada na manhã seguinte (vejam este artigo sobre o tema que muita menina devia colar no espelho para ler todos os dias pela manhã).



 Daí a aversão social que geram. Um mulherengo é desprezível; mas ainda que seja bem parecido e bem sucedido, tem de se esforçar para acumular conquistas, ser persistente, convincente e ainda assim, sujeitar-se ao que aparece, em modo tudo o que vem à rede é peixe, e até nunca mais, sai para lá que não te conheço. Por outro lado a uma rapariga desengraçada mas fácil, não custa nada acumular, entre as suas "conquistas" de uma noite, alguns galãs de capa de revista. 

Quando se trata de assentar, de relacionamento sério, é que o jogo vira. Aí os homens já são exigentes. Lá volto ao povo, que é tão sábio: um homem diverte-se quando pode e casa quando quer; uma mulher diverte-se quando quer e casa quando pode.




É um double standard esquisito, mas não deixa de haver uma certa justiça poética na coisa. Ou um equilíbrio cósmico-antropológico.



Mas voltemos à hipocrisia feminina.




 A rapariga modernaça que prega "galdéria não se diz" e "abaixo o  slut shaming",  ficaria doida de raiva se alguma se aproximasse do seu território- por mais tranquila, por mais fiel que a cara metade seja.  E isto não tem nada a ver com insegurança, falsos pudores ou grau de atracção da esposa/namorada em causa. A mulher mais segura não gosta dessas proximidades, porque ninguém aprecia atrevimentos, invasão de espaço ou falta de respeito...

Aliás, acrescenta o artigo e bem:as pobres galdérias são tão mal amadas que nem elas se suportam entre si. Ninguém gosta de galdérias, nem mesmo as próprias galdérias!



Não só por competirem entre si, mas porque são espelhos das suas próprias atitudes e fraquezas.

Outro post de Judgy Bitch espanca também isso do  slut shaming: o modismo que reza que é horrível envergonhar-se uma mulher pela sua conduta "amorosa" (salvo seja). E responde lindamente à questão. Como se combateu o tabagismo de há uns tempos para cá? Envergonhando quem fuma, desmerecendo o hábito, mostrando as desagradáveis consequências e os perigos do mesmo, apontando os fumadores a dedo. Caça às bruxas? Exagero? 




Talvez, mas tem sido eficaz, limitado o problema e pelo menos, alertado consciências. O "shame on you", o apontar de dedos, é cruel mas funciona. Não há nada de necessariamente mau em levantar a lebre, em dizer "esperem lá - este comportamento não é correcto. Isto é inaceitável! Estas pessoas precisam de ajuda, mas primeiro é necessário reconhecer o problema".

 O resto fica com a liberdade de cada um. Liberdade para fazer o que dá na telha, mas responsabilidade para não andar depois a chorar pelos cantos, a lamuriar " todos me julgam! Nenhum homem me quer para relacionamento sério e as mulheres não querem ser minhas amigas! Os homens são uns cobardes aproveitadores e as mulheres uma cambada de invejosas!" . Ok, continuem a convencer-se disso em vez de arranjarem um niquinho de dignidade. Está a funcionar lindamente.



A "independência" e a liberdade cada vez mais se confundem com libertinagem. Igualmente esquecida anda a noção de que a liberdade para fazer doidices termina onde começa a liberdade alheia- que inclui a de julgar comportamentos ou de classificar as pessoas pelos nomes. Não é preciso ler as cartas do Tarot para perceber isso.

Desculpar gente ruim em nome do "inglês ver"? Não obrigada.










































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