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Saturday, March 11, 2017

As coisas que eu ouço: ele não está interessado, sua pateta.




Aqui há tempos travei breve conhecimento com uma simpática e esperta rapariga parisiense, responsável de boutique numa célebre marca de luxo. 
Tal como eu, ela tinha- se mudado recentemente para Londres. 
 Engraçámos uma com a outra e como me cruzava com ela nos intervalos, às vezes conversávamos um pouco. Certa vez notei-a triste e atrevi-me  a perguntar o que a incomodava. "Bom..." respondeu um pouco atrapalhada, sem deixar de olhar para o telemóvel. "É este rapaz de quem eu gosto. Convidei-o para jantar um quiche em minha casa mas ele está a desculpar-se que hoje não pode...". 




E lá continuou a tentar convencer o convidado relutante, perguntando se ele não dava um jeito de aparecer nem que fosse mais tarde, pois já tinha o quiche meio feito.
 Vocês que já me conhecem podem imaginar o que me passou pela cabeça, e como me foi difícil morder a língua. Mas dominei-me como pude e tentei perceber a estória, só para constatar o óbvio: o mancebo não estava lá muito interessado, e a minha nova amiga
andava  a virar-se do avesso para tentar conquistar o coração de Sua Excelência nem que fosse pelo estômago. Pobre pequena! 



Fiquei-me a olhar para ela. Ora ali estava uma jovem com formação superior, bem sucedida e pelos vistos prendada na cozinha. Uma rapariga que não tinha pensado duas vezes em mudar-se para o outro lado do Canal da Mancha sozinha pela sua carreira. Não era uma estampa de mulher, mas tinha uma aparência agradável que, com outro visual e uma dose de autoconfiança, podia ganhar uns quantos admiradores. Em suma, eis uma jovem com qualidades para fazer a felicidade de um homem, mas que estava a agir de uma maneira totalmente desesperada. A dar tudo de bandeja - passe o trocadilho. E com isto, lá se foi a minha fé na famosa coquetterie das mulheres francesas. 



Não precisava de conhecer o rapaz em causa para perceber que se tinha assustado perante tanta facilidade e tanta solicitude. Se calhar, ela tinha tido sorte: outro que ele fosse, teria tirado partido do convite, comido o quiche, aproveitado tudo o resto, e desaparecido no nevoeiro. 

Não aguentei e fiz por lhe mostrar a luz: oh menina...mal empregadinha ceia!

 Não me leve a mal mas os homens não funcionam bem assim...ele é que a devia ter convidado para jantar, só é suposto nós retribuirmos muito mais tarde. Não há quiches para quem ainda não provou ser digno do nosso esforço e bla bla bla. Convide as suas amigas para dar conta da tarte e não pense mais no caso, que se ele estiver interessado trata de a compensar.

Isto posto de uma forma mais delicada, claro: lá lhe tentei, em duas ou três frases, resumir o que digo tanta vez. Que eles apreciam o mistério, a conquista, caçar, cortejar, provar do que são capazes. Que o  que é fácil só lhes interessa em modo pastilha elástica, e às vezes nem isso;  que a mulher que se
atira a  um homem acaba sempre aos pés dele; e que eles gostam das raparigas conscientes do seu valor, daquelas  que não se deixam tratar como segunda escolha e estabelecem, desde o início, padrões elevados no relacionamento. Vulgo, se quer falar, desembucha primeiro; se quer sair, convida com tempo e horas e organiza um encontro como deve ser; e mais importante,  não há envolvimentos sem compromisso. Quem quer brincadeiras, que vá bater a outra porta,que portas escancaradas não faltam nestes tempos ruins. 

Isto porque quando um homem quer uma mulher, perde o apetite, o sono, cancela o que for preciso, pinta-se de ouro, faz piruetas...
em suma, nem o diabo o impede.
Mas quando não quer, tanto faz correr como saltar. 

Simples. Não há áreas cinzentas. Não é exactamente física quântica.



Pois sim: não sei se olhou para mim como se lhe tivesse dado a novidade mais estranha deste mundo ou como se a sua avozinha tivesse ressuscitado para lhe puxar as orelhas (aposto na segunda hipótese). Ficou obviamente desconfortável e acabrunhada; acho que só não se ofendeu porque era realmente uma moça amorosa, incapaz de retaliar com um "está a acusar-me de ser oferecida?". Mas estava, embora não de uma maneira maldosa. 

Há dias li finalmente o clássico "He´s just not that into you" que nos anos 90 (junto com o famoso "As Regras") foi dos poucos livros a dar que pensar às mulheres sobre estas coisas.




 E de facto é uma pérola, muito mais bem apanhado do que eu julgava e recheado dos melhores conselhos sobre a matéria, ou não fosse quase todo escrito por um homem, que sabe como eles pensam.




 Deu filme mas o livro é de ler, sublinhar e passar às amigas, a ver se um bocado de juízo entra naquelas cabeças tontas e armadas em modernas. Só um resumo do primeiro capítulo, colado no frigorífico de certas meninas e mulheres, poupava muita lágrima, muito suspiro, muita noite em branco e acima de tudo, muita mancha no currículo deles e delas.

Vide:




Falou como um livro aberto. Apre que não há paciência para tanto masoquismo. Bless their hearts.

1 comment:

AvoGi said...

Masoquismo??? Um mal que alastra!
BDOMINGO
Kis :=}

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