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Wednesday, August 30, 2017

Frase do dia: vergonhodependentes.




Lido numa página brasileira, a propósito de uma cantora lá do burgo, filha de pai famoso, que tenta por força fazer carreira mas não acerta uma e só se embaraça a ela própria (ou "paga mico atrás de mico" como se diz por lá- povo muito engraçado, o brasileiro).


"não pode ver uma vergonha, que já quer passar".

Frase cómica, mas sábia: quantas pessoas há que parecem viver no firme propósito de 
passar vergonhas atrás de vergonhas... são os pega-vergonhaças. Ou os vergonhodependentes.

E quase sempre, a causa desse mal é só uma: a vontadinha de dar nas vistas.

Isto porque fracassos, toda a gente tem;más escolhas toda a gente faz; e de altos e baixos ninguém está livre. Mas ora fava- há quem faça mesmo
 justiça ao dito "cada tiro, cada melro"- e pior:  ou não tem noção disso, ou até gosta de ostentar a desgraça.


 De facto existem pobres diabos realmente azarados, que parecem atrair mais "más fases" do que o resto dos mortais, certo - mas salvo casos muito pontuais (uma triste figura feita sem querer que é captada em directo para a TV e viraliza no youtube ou coisa semelhante)  todo o mundo tem algum controlo sobre aquilo que divulga. Ser o "Felisberto Desgraçado de serviço" é quase sempre uma questão de escolha. Ou uma questão de falta de dignidade, se preferirem...

 Dos aspirantes a famosos que se tornam "papa concursos" aos bloggers/vloggers que gostam de expor mais do que devem em modo Kim Kardashian, passando pelos 
 que vão para as redes sociais reclamar da vida,  contar os seus sucessivos falhanços profissionais ou relatar, tim tim por tim tim, os seus entusiasmos de alcova para dali a dias...zás, levarem o costumeiro  pontapé no dito cujo e andarem a lamentar, publicamente, a perfídia do sexo oposto, digam-me cá: não são estas vergonhas escusadas?




 Será necessário relatar cada passo que se dá, em vez de esperar e entregar as novidades boas quando já estão confirmadas-e as menos boas, quando de todo não se pode evitar e de forma discreta? Mais estranho ainda: quando o filme se repete, não ocorre a estas almas pensar "deixa-me estar caladinho(a), que já bastou o embaraço das outras vezes?".


Tem de haver aí um viciozinho, uma adrenalina que sobe com a atenção, com a compaixão, com a vergonha alheia. Isso associado, decerto, a demasiado tempo livre. Quando vejo estas coisas só imagino a Senhora minha avó a fazer facepalms e
 a benzer-se, ela para quem o pior martírio do mundo era a remota
 hipótese sequer de ser "falada" ou "posta ao jornal"...

Começo a achar que a falta de brio (ou de vergonha na cara) é como a morte e a estupidez: só afecta os que estão próximos. Ao próprio  tanto se lhe dá como se lhe deu...




  

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