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Monday, October 2, 2017

A diplomática distância de um braço



Há dias o senhor meu marido disse-me muito admirado, vendo que eu tinha encerrado cordialmente uma pequena "guerra fria" com uma pessoa amiga que se mostrou falsa: só essa paciência! Fosse comigo, mandava esse (a) infeliz a uma certa parte e bloqueava e acabou!

Ele é muito mais intempestivo e "pão-pão-queijo-queijo" do que eu, talvez por ser homem. 


Quando corta com alguém é de vez, declaradamente, e não há apelos que valham. Já eu, se o caso não é grave, dou uma tacadita, uma alfinetada apenas para a criatura perceber que não me enganou; a pessoa eventualmente manda outra piadita, gaba-se um bocadinho dos seus feitos, justifica-se toda, põe-se nos bicos dos pés só para não desandar muito ferida no seu orgulho... e fica tudo na paz do Senhor sem danos a contabilizar. 

É possível assentar duas bofetadas de luva branca sem esborrachar os brios do oponente: afinal, poucas coisas espoletam inimizades escusadas como uma humilhação das grandes. Até os Romanos só levavam o inimigo em parada pública se ele fosse teimoso e atrevido durante demasiado tempo. 

Maquiavel recomendava que,  face à necessidade de atacar/vingar-se de/ ofender alguém, a razia  devia ser feita de tal forma que o inimigo nunca mais estivesse em condições de dar o troco - ideia terrível, mas eficaz!

No entanto há que deixar os actos de esborrachar, de deitar por terra e as descascas de alto a baixo, as humilhações completas, o armar de barracas e o descobrir de carecas público para aquelas pessoas realmente malvadas que é preciso parar quanto antes. E esses casos são raros...

Lá dizia esse siciliano sapientíssimo do Cardeal Mazarin, génio político e protegido de Richelieu (com quem terá aprendido um par de coisas): Se triunfares sobre um adversário, não cedas à tentação de o insultar excessivamente. 

Isto porque a vida me ensinou que às vezes não vale a pena encher tudo de pólvora nem de vinagre; na maioria das situações, é escusado tentar matar um mosquito com um martelo pneumático: um humilde e silencioso mata-moscas de plástico faz o truque. 

 Ainda que se deixe confiar na pessoa e que já não nos convenha ser amigos dela, podemos sempre ser amigáveis desde que a sua presença não represente risco. Isto não significa ser neutro como a Suiça ou engolir ofensas- retirar-lhe a intimidade mas dar-lhe o desconto que se dá aos tolos é apenas uma forma de evitar vendettas de parte a parte,  entrar numa espiral "zangam-se as comadres, sabem-se as verdades" ou causar ofensas que não têm qualquer utilidade. É sermos um bocadinho políticos. Ou ter fair play

Abraham Lincoln dizia que a melhor forma de nos livrarmos de um inimigo é transformá-lo num amigo. Eu acredito que a melhor forma de nos livrarmos de um falso amigo é despromovê-lo a "relações amigáveis".

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