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Friday, October 13, 2017

Há pessoas que só respeitam quem as trata mal. É incrível.



Aprendi com a minha família e com a Bíblia- e mais tarde, a ler Maquiavel, Sun Tzu, Mazzarin e outros estrategas - que raramente é preciso ser mau para chegarmos onde queremos. A diplomacia, a gentileza, a bondade, a calma, a paciência e a discrição 
levam-nos mais longe do que uma atitude prepotente de "quero, posso e mando" e do que atalhos desonestos, que têm sempre prazo de validade (veja-se o nosso amigo Sócrates). 

Juntando a essas características a ética de trabalho, o trabalho árduo e o entusiasmo, não há nada que não se consiga fazer.




O tempo confirmou-me essa ideia:  as pessoas mais bem sucedidas com quem tenho privado são o vivo exemplo disso. Quanto mais próximas do topo, mais bondosas e amáveis costumam ser. É nos quadros intermédios que costumam estar os serzinhos insuportáveis: competentes e empenhados q.b ( ou obcecados)  para subirem até certo ponto, mas demasiado impossíveis de aturar para que alguém no seu perfeito juízo os deixe ascender a altos voos ou manter-se lá. Ninguém respeita os brutos.




 O uso da veemência, da força ou mesmo da assertividade deve ser reservado como recurso expressivo para quando já não se vai lá com serenidade, papas e bolos. O bem sempre que possível, o mal sempre que necessário (ou apenas se for mesmo necessário). Ou como dizia o outro, caminha em paz mas leva um cajado bem grande na mão! Lá por uma pessoa ter ética, não quer dizer que seja pateta. Ou como a avozinha me repetia sempre "Deus Nosso Senhor também não gosta que a gente seja palerma!".


E não me tenho dado mal com a abordagem...




No entanto, há sempre alminhas que parecem ter alergia à honestidade e à gentileza: ou seja, quando lidam com gente de bem (mesmo que se tenham dado mal com quem se comporta do modo oposto) em vez de ficarem aliviadas, todas contentes de encontrarem pessoas de confiança, e de as estimarem para não as perderem, decidem abusar. Entram em modo "se me dão o dedo, eu quero o  braço todo". 


E tratam de lidar com os bons como lidavam com os maus- ou pior ainda, pensando que podem porque quem é bom não reclama nem retalia. 




Na cabeça destes entes, bom = a trouxa.  Na sua óptica, só é gentil quem é demasiado cobarde para ser mau; só é honesto quem não tem lata  para ser matreiro; só é educado quem não possui coragem para fazer exigências ou para dar respostas tortas.

Não lhes passa pela ideia que alguém possa ser bom, ser honrado, agir discretamente, fazer pouco barulho, querer o bem de todos e ter palavra, não porque se deixa intimidar ou porque não tem alternativa, mas por simples escolha sua, por hábito de berço e por natureza de carácter. Tomam os outros por idiotas: não lhes ocorre que as pessoas lhes topem os esquemas perfeitamente, apenas prefiram não o demonstrar para evitar um confronto aberto e darem a volta à questão de uma forma airosa. Podemos ser ardilosos e não sermos umas bestas.





Para criaturas assim, as pessoas boas são demasiado boas para ser verdade, logo há que tratá-las com a mesma sem cerimónia que se dedica às pessoas más.

E é mesmo isso que fazem, porque se calhar nunca aprenderam aquela frase de S. Francisco de Sales''Nada é tão forte como a gentileza 
e nada é tão suave como a verdadeira força".

Coitados, só entendem a linguagem da má criação e da trapaça (ou em casos extremos, a linguagem do banano e da bolacha).





O lado positivo disso (já que é impossível evitar totalmente tropeçar em criaturas que só respeitam quem é tão bruto como eles ou pior) é que por vezes, passar por menos esperto do que se é na realidade dá imenso jeito. E ter paciência de Santo, também. Quando os espertalhões julgam que o "bonzinho" não vai fazer nada, que se vai deixar pisar à vontade, já ele, de saco cheio e irremediavelmente roto mas nas suas calmas, metido consigo, preparou uma estratégia para lhes tirar o tapete. 

Quando dão por ela já é tarde; espalham-se ao comprido, sai-lhes o tiro pela culatra, o bonzinho segue alegremente com a sua vida deixando-os na mão e os chicos-espertos têm de voltar a lidar com pessoas que não prestam, que é para aprenderem. O calado vence tudo, era outra frase que a avó me repetia vezes sem conta. 

E isto não é ser sonso, é ser estratégico.

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