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Monday, December 11, 2017

Raríssimas: mais tuga é impossível


Uma IPSS que cai em actos de corrupção e roubalheira para benefício de X ou Y não é, infelizmente, raridade nenhuma - muito menos um exclusivo lusitano (aqui no Reino Unido fala-se imenso em estórias desse jaez, até porque as organizações de caridade têm um protagonismo enorme). 

Porém, a vergonhaça da Raríssimas é emblemática, pitoresca mesmo, pela caricatura que traça do parvenu português, da cupidez aldeã, do pato bravo deslumbrado, papalvo e mesquinho, que mal dá um passinho em frente, não só abusa como ainda gosta de se exibir julgando que o tomam por pavão...

Os nossos irmãos brasileiros ( também eles martirizados por vilanias e comportamentos ridículos deste estilo)  têm um ditado rude que podemos aplicar lindamente ao arrivista português: quem nunca comeu melado, quando come se lambuza.




A crer no que vem nas gazetas a senhora presidenta em causa, para além de desonesta, passou a si própria o pior atestado de pelintrice e pinderiquice que se pode, ao querer dar-se ares de grande dama. 

O caso é reles de alto a baixo (até os próprios gastos, como se não bastasse a crueldade de serem feitos à custa das contribuições para os pobres doentinhos, são pindéricos todos os dias: típicos de quem nunca viu meia dúzia de tostões à frente e só come camarão quando o rei faz anos. 200 euros em marisco no cartão da instituição? 200 euros num vestido...ai, o português e o seu amor às marcas de segmento médio...)? É que até para surripiar há que ter um nadinha de brio e ser um bocadinho menos unhas-de-fome. Roubar para poupar 400 euros num ordenado mais que suficiente para fazer face a tais gastos não é só gatunagem: é ser miserável. 



Não me entendam mal; não é que desviar fundos alguma vez seja desculpável, trate-se de uma mega operação à Sócrates ou de uma velhacaria em menor escala como esta. 

Só que aí é que está: há quem roube muito mais, mas pouca gente roubará com tanta deselegância.  Ser ladrão de casaca não é para qualquer um, está visto.

 Depois, é todo o quadro pantomineiro e barato da coisa: o marido e o filho envolvidos na "parada", já com ideias de criar uma dinastia e tudo (nem era folhetim português sem a cunha, essa instituição nacional. Português açambarcador que se preze tem de meter a família toda ao barulho a aproveitar o filão, assim tudo ao molho tipo cortiço, senão não tem piada).



 E de resto a "dótora", ponha-se a devida ênfase no dótora que repito, isto é um "causo" português, lá por ter roçado ombros com Doña Letizia de Espanha e com a  Primeira Dama um par de vezes, já se armava em Rainha do Sabá (ou será do Samoco?) já se achava com direito a fazer-se representar com a dignidade que a sua pessoa exigia (sim, porque todos sabemos que Santa Teresa de Calcutá, para levar a cabo as suas caridades, precisava de torrar o dinheiro dos leprosos no El Corte Inglès). 

Nada me diverte tanto como uma senhora que não sabe o que é uma Senhora verdadeira a tentar fazer-se passar por "Senhora que se dedica a causas". Tenho conhecido bastantes dessas Senhoras verdadeiras, do mais bem nascido e instruído que pode haver; e na sua maioria, pouco lhes bastava para freiras: caridosas até à extravagância, abnegadas como faquires, algumas eram capazes de não comprar uns sapatos decentes para si, para darem o que tinham e não tinham aos seus protegidos. Caridade e vaidade (vaidade extrema, pelo menos)  não costumam caminhar juntas. 

Porém a pérola, a cereja portuguesinha em cima do bolo, o melhor do melhorzinho, é mesmo o relato abaixo, ao melhor estilo "nunca sirvas quem serviu, nem peças a quem pediu" ou "se queres ver o vilão, põe-lhe o chicote na mão". Delicioso:

«Alguns ex-funcionários da Raríssimas dão ainda conta de um ambiente dentro da associação em que todos eram obrigados a demonstrar o seu respeito pela sua presidente. “Sempre que saía ou entrava para o seu gabinete, todos os elementos que estavam na recepção obrigatoriamente e independentemente das vezes que senhora presidente entrasse e saísse, tinham de se levantar das suas cadeiras à sua passagem"».

Nunca conheci uma beata manda chuva da paróquia, nem um Fidel Castro de bairro, que não adorasse o seu cultozinho da personalidade e não o exigisse aos seus subordinados...em cada arrivista há sempre um pouco de mitómano.

De mais a mais, sem conhecer os envolvidos mas armando-me em profiler do FBI, a julgar pelos retratos, os modos da senhora presidenta (grandes gestos, grandes sorrisos e gargalhadas) além de não serem lá muito senhoris não combinam, nem um bocadinho, com a seriedade que uma instituição deste género pede. Olhando para ela, ninguém diria que não estava a divertir-se à grande e à francesa. E não é que estaria?

2 comments:

Marta Martins said...

Esta gente só a chapada!

mensagensnanett said...

Já é altura do contribuinte deixar de ser preguiçoso/parvo!
(manifesto em divulgação, ajuda a divulgar)
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O CONTRIBUINTE NÃO PODE PASSAR UM CHEQUE EM BRANCO A NENHUM POLÍTICO!
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Leia-se, DEMOCRACIA SEMI-DIRECTA: isto é, votar em políticos não é (não pode ser) passar um cheque em branco... isto é, ou seja, os políticos e os lobbys pró-despesa poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos... só que depois... a 'coisa' terá que passar pelo crivo de quem paga (vulgo contribuinte).
-» Explicando melhor, em vez de ficar à espera que apareça um político/governo 'resolve tudo e mais alguma coisa'... o contribuinte deve, isso sim, é reivindicar que os políticos apresentem as suas mais variadas ideias de governação caso a caso, situação a situação, (e respectivas consequências)... de forma a que... o contribuinte/consumidor esteja dotado de um elevado poder negocial!!!
-» Dito de outra maneira: são necessários mais e melhores canais de transparência!
[mestres/elite em economia já 'enfiaram' trapalhadas financeiras monumentais... quem paga, vulgo contribuinte, não pode deixar de ter uma palavra a dizer!]
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Exemplo:
Todos os gastos do Estado [despesas públicas superiores, por exemplo a 1 milhão (nota: para que o contribuinte não seja atafulhado com casos-bagatela)], e que não sejam considerados de «Prioridade Absoluta» [nota: a definir...], devem estar disponíveis para ser vetados durante 96 horas pelos contribuintes na internet num "Portal dos Referendos"... aonde qualquer cidadão maior de idade poderá entrar e participar.
-» Para vetar [ou reactivar] um gasto do Estado deverão ser necessários 100 mil votos [ou múltiplos: 200 mil, 300 mil, etc] de contribuintes.
{ver blog « http://fimcidadaniainfantil.blogspot.pt/ »}
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Uma nota: a Democracia Directa não tem interesse - serve é para atafulhar o contribuinte com casos-bagatela.
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Anexo:
Uma opinião um tanto ou quanto semelhante à minha: Banalidades - jornal Correio da Manhã (antes da privatização da transportadora aérea):
- o presidente da TAP disse: "caímos numa situação que é o acompanhar do dia a dia da operação e reportar qualquer coisinha que aconteça".
- comentário do Banalidades: "é pena que, por exemplo, não tenha acontecido o mesmo no banco BES".
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Um exemplo: Vítor Constâncio, coadjuvante na nacionalização do BPN, foi premiado pela máfia dos calotes: foi para o Banco Central Europeu.
E não só: muitos outros mestres/elite em economia já 'enfiaram' trapalhadas financeiras monumentais... a quem paga, vulgo contribuinte.

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