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Wednesday, March 22, 2017

As galdérias segundo o Tarot....e o senso comum.



Imagem via Lena das Cartas


Há dias, uma popular taróloga da TV causou enorme polémica porque recomendou a uma mulher atraiçoada que se pusesse bonita para que o marido deixasse de procurar "galdérias" na rua.

 O conselho (que até não é mau, assinale-se, desde que aplicado como preventivo e não como remédio) caiu mal: a uns, porque a vidente estaria a incentivar uma mulher a suportar caladinha as infidelidades do marido.

 A outros, porque é "machismo" as mulheres taxarem-se umas às outras de "galdérias". Um machismo perpetuado pelas próprias mulheres umas contra as outras, e mimimi.

Aos primeiros, dou-lhes razão: se um homem já fez das suas, é demasiado tarde para "remédios". Há que pôr-lhe as malinhas à porta e nem me passa pela ideia como é que alguém tem estômago para voltar a olhar na cara do infeliz, quanto mais tentar "reconquistá-lo".




Como dizem certos memes pindéricos (mas acertados) por aí...rainhas não competem com rameiras. Ou como dizia a avó, uma senhora nunca desce das suas tamancas.

 Sei que a questão pode ser mais complicada do que isso, mesmo nos dias que correm (e olhem que sou firmemente contra divórcio). 

Porém, a ideia da mais leve intromissão dá-me de tal modo volta ao estômago que não imagino outro cenário senão mandar o femeeiro das dúzias à galdéria  em causa (sim, eu digo galdéria) de forma assaz queirosiana: com um laçarote no alto da pinha e um bilhetinho colado na testa a dizer "guarde-o". Ou antes, "guarde-o sua galdéria, desesperada de uma figa, meretriz, mulher da luta: só se estraga uma casa!".




E depois tratar do assunto perante a Lei ou, no caso de casamento pela Igreja, apelar para uma eventual resolução à luz do "eu julgava que ele era um homem decente!!!!". Conheço casos de mulheres que conseguiram que o matrimónio fosse declarado nulo face a situações destas, Dura Lex, sed Lex.




Tem também andado muito pela internet a discussão à volta de esposas que, encontrando o marido com a boca na botija, resolvem o assunto, como dizem os nossos irmãos brasileiros, rodando a baiana para cima da amante, enquanto o adúltero escapa à sova de criar bicho como se tivesse sido seduzido, pobre anjinho. E dizem as mulheres (umas revestidas de um certo feminismo hipócrita, outras porque terão culpas no cartório): o marido é que deve apanhar a tareia! Ele é que deve fidelidade! Coitada da amante! Devagar com o andor.

Sou absolutamente contra cenas e circos de qualquer género, mas das duas uma: ou bem que se aborda tão triste caso com classe e sangue frio e não se espanca ninguém, ou bem que sobra para todo o mundo: o adúltero, que desrespeitou os votos, e a desavergonhada que sabendo (e não me tragam tretas, a maioria sabe e não se rala nada) anda contente e feliz achando-se irresistível, a destruir o relacionamento alheio. Ou há moralidade, ou...bem, sabem o resto.




 Uma mulher que não consegue encontrar um namorado/marido só para si e como tal, resolve o seu desespero sendo amiga do alheio, não merece solidariedade feminina, porque não demonstrou ter alguma em primeiro lugar. Não merece respeito, porque não se dá ao respeito.

 Se merece uns safanões? Sem dúvida. Não que deva levar os sopapos sozinha. São precisos dois para dançar o tango, é justo que partilhem as consequências.

A participação da galdéria não diminui a pulhice do traidor - no entanto, esta é a ideia que se defende muito agora, com desculpas do tipo "as pessoas não controlam por quem se apaixonam" (poupem-me ou, mais apropriadamente, bitch please) ou nada é errado se te faz feliz (já aqui discutimos isso). Como se já não soubessem distinguir o bem do mal!


 Não que eu esteja a apelar ao sopapo ou a defender a feia instituição do barraco.
 Só estou a julgar o merecimento e atribuição do mesmo, bem entendido! 

Haja igualdade nos direitos, nos deveres e no resto. Mas voltemos a isso de ser feio as mulheres classificarem outras de galdéria para baixo.

Judgy Bitch, um blog politicamente  incorrecto que diz umas verdades duras e que podia ter sido escrito por mim mais coisa menos coisa, partilhou há tempos uma série de textos geniais sobre esta temática. 

 Em particular,dois  artigos que explicam detalhadamente um facto que ficou na moda ter medo de admitir: ninguém gosta de serigaitas. Ou de galdérias. 





 Bom, há homens que gostam (sejamos honestos: a maioria gosta nas fases da vida em que faz disparates ou gostaria de fazer) mas apenas para diversão, em modo descartável; e admito que algumas dão excelentes personagens de ficção.
 Para não falar naquelas da vida real cujos esquemas e manobras aflitivas fazem rir, quando nos chegam via bisbilhotice. É um passatempo feio, mas adiante.



Ah, e Jesus, claro. Esquecia-me Dele. Jesus gosta de toda a gente, ama toda a gente, galdérias incluídas. Mas antes de entrarem em modo "só Deus me julgará", lembrem-se: o Divino Redentor impediu que lapidassem a mulher adúltera. Dirigiu-se à multidão que ia linchar a pobre coitada e basicamente, disse-lhes que acabassem com aquela barbaridade porque se cada um dos presentes levasse uma pedrada por pecado cometido, era uma mortandade e não sobrava pedra sobre pedra. Mas por acaso Jesus disse à doidivanas "vai, minha querida, e continua a fazer trinta por uma linha: a trair o teu marido, a desencaminhar os maridos das outras e a causar desacatos- more power to you, Ego te absolvo, etc"?. Ná. Cristo avisou-a, basicamente "por esta passa, que o susto te sirva de lição; vai e não voltes a pecar, ganha juízo e sê uma pessoa honesta de hoje em diante, etc".





Dito isto, a popularidade das destravadas morre aí. Na vida real, nos assuntos sérios, ninguém quer nada com "perdidas". (outro insulto giro e vintage) .


Diz o texto e lindamente que, por muito engraçado que seja divertir-se à custa de serigaitas e galdérias (em vários sentidos) e por muito direito que assista a cada uma de ser galdéria e serigaita, isso não deixa de ser errado, não deixa de ser contraproducente, imoral ou indesejável. 




Nenhum pai gostaria de ver a sua filha crescer para se tornar uma galdéria que anda nas bocas do mundo, e pior. Ninguém gosta de ter como amiga uma maluca que dá má fama ao grupo inteiro e que não respeita os relacionamentos alheios. Mulher alguma gosta de descobrir tais personagens na vida do marido - passada, presente ou futura.
 Nem na rede social /telefone/ grupo de amigos do namorado. Nas proximidades, enfim. Ninguém quer contratar uma funcionária ou ama que perturbe a paz doméstica (ou a da empresa) com os seus esquemas e dramas.

 Ninguém gosta de estar acompanhada num evento e ter de lidar com uma atrevida que, já com os copos, decide dirigir-se a um cavalheiro que estava quieto no seu canto, como se a legítima fosse transparente. Nenhuma mãe sonha com o dia em que o seu filho, criado com tanto esmero, lhe apresenta em casa uma criatura vulgar, vestida como uma stripper, conhecida nos piores circuitos, pedindo a sua bênção para casar.

 Quem disser o contrário, mente.



 Em última análise, as mulheres de vida airada que se oferecem gratuitamente em TODOS os sentidos do termo complicam a vida a todas as outras, porque a grande parte dos homens já nem distingue o trigo do joio e trata tudo por igual. (Meninas, apostem nos que não suportam galdérias ou pelo menos, nos que até podem divertir-se às suas custas mas preferiam morrer a apresentar tal espécime aos pais. Lá diz o ditado italiano: um cavalheiro até pode fazer o piorio, mas nunca leva uma mulher de mau porte para casa da família. Dos males, o menor.). 




Ser uma "mulher fácil" não exige qualquer mérito. Não requer ao menos lábia, esforço e uma imagem de sucesso, como aos homens. Não exige sequer beleza (a estatística comprova-o) já que para mulher descartável, qualquer coisa serve desde que não seja hedionda de meter medo. Basta aparecer e ter zero auto estima. E nem falemos no facto de a mulher estar biologicamente despreparada para ligações meramente casuais- daí parecer patética e desesperada na manhã seguinte (vejam este artigo sobre o tema que muita menina devia colar no espelho para ler todos os dias pela manhã).



 Daí a aversão social que geram. Um mulherengo é desprezível; mas ainda que seja bem parecido e bem sucedido, tem de se esforçar para acumular conquistas, ser persistente, convincente e ainda assim, sujeitar-se ao que aparece, em modo tudo o que vem à rede é peixe, e até nunca mais, sai para lá que não te conheço. Por outro lado a uma rapariga desengraçada mas fácil, não custa nada acumular, entre as suas "conquistas" de uma noite, alguns galãs de capa de revista. 

Quando se trata de assentar, de relacionamento sério, é que o jogo vira. Aí os homens já são exigentes. Lá volto ao povo, que é tão sábio: um homem diverte-se quando pode e casa quando quer; uma mulher diverte-se quando quer e casa quando pode.




É um double standard esquisito, mas não deixa de haver uma certa justiça poética na coisa. Ou um equilíbrio cósmico-antropológico.



Mas voltemos à hipocrisia feminina.




 A rapariga modernaça que prega "galdéria não se diz" e "abaixo o  slut shaming",  ficaria doida de raiva se alguma se aproximasse do seu território- por mais tranquila, por mais fiel que a cara metade seja.  E isto não tem nada a ver com insegurança, falsos pudores ou grau de atracção da esposa/namorada em causa. A mulher mais segura não gosta dessas proximidades, porque ninguém aprecia atrevimentos, invasão de espaço ou falta de respeito...

Aliás, acrescenta o artigo e bem:as pobres galdérias são tão mal amadas que nem elas se suportam entre si. Ninguém gosta de galdérias, nem mesmo as próprias galdérias!



Não só por competirem entre si, mas porque são espelhos das suas próprias atitudes e fraquezas.

Outro post de Judgy Bitch espanca também isso do  slut shaming: o modismo que reza que é horrível envergonhar-se uma mulher pela sua conduta "amorosa" (salvo seja). E responde lindamente à questão. Como se combateu o tabagismo de há uns tempos para cá? Envergonhando quem fuma, desmerecendo o hábito, mostrando as desagradáveis consequências e os perigos do mesmo, apontando os fumadores a dedo. Caça às bruxas? Exagero? 




Talvez, mas tem sido eficaz, limitado o problema e pelo menos, alertado consciências. O "shame on you", o apontar de dedos, é cruel mas funciona. Não há nada de necessariamente mau em levantar a lebre, em dizer "esperem lá - este comportamento não é correcto. Isto é inaceitável! Estas pessoas precisam de ajuda, mas primeiro é necessário reconhecer o problema".

 O resto fica com a liberdade de cada um. Liberdade para fazer o que dá na telha, mas responsabilidade para não andar depois a chorar pelos cantos, a lamuriar " todos me julgam! Nenhum homem me quer para relacionamento sério e as mulheres não querem ser minhas amigas! Os homens são uns cobardes aproveitadores e as mulheres uma cambada de invejosas!" . Ok, continuem a convencer-se disso em vez de arranjarem um niquinho de dignidade. Está a funcionar lindamente.



A "independência" e a liberdade cada vez mais se confundem com libertinagem. Igualmente esquecida anda a noção de que a liberdade para fazer doidices termina onde começa a liberdade alheia- que inclui a de julgar comportamentos ou de classificar as pessoas pelos nomes. Não é preciso ler as cartas do Tarot para perceber isso.

Desculpar gente ruim em nome do "inglês ver"? Não obrigada.










































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