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Saturday, December 29, 2018

Leitora detecta serigaitice a metro #1: Oh Margarida Rebelo Pinto, assim também é abuso.


Volta não volta, os seguidores cá do Imperatrix têma  gentileza de me enviar pérolas que vão encontrando (como eu digo sempre, para ter um blog não é preciso imaginação: basta andar atento) e desta feita, a nossa amiga Eva mandou-me esta divertida publicidade ao novo livrinho da menina Margarida Rebelo Pinto.

Ora, eu confesso que não conheço a obra da autora salvo por uma ou outra crónica sua publicada em revistas ou via social media

Folheei um ou dois dos seus livros em casa de uma amiga-de-uma-amiga a tender para o pindérico que tinha a colecção toda (sabem o estilo: suburbana,boa rapariga mas pretensiosita e basicazita,  primeira universitária da família e que adorava dizer que era muito "cosmopolita"- o convívio durou pouco tempo, claro). E foi tudo. 





Fiquei com a ideia que era um Sex and the City à portuguesa, levezinho e forçadito, escrito por uma senhora benzoca em fase de modernice, para as amigas (e para as que, como a minha conhecida, não sendo benzocas gostariam de o ser) e mais nada. Apenas achei piada à parte em que uma senhora de sociedade, tendo perdido tudo, se fazia à vida criando um estupendaço serviço de catering com as receitas da família. You go, mulher independente e batalhadora, que isto de fidalguia sem comedoria é como gaita que não assobia, toda a vida ouvi; e se há uma desculpa menos desprezível para se armar de um arsenal de tupperwares, é essa.

Porém- eu que espanco a cada oportunidade os Chagas Freitas e os Noites Luares da vida que dão combustível aos delírios sórdidos da mulherada carente e desesperada - nunca tive assim coragem de pôr Margarida Rebelo Pinto exactamente no mesmo saco. Sem ter lido quase nada dela, sempre me pareceu que, sem ser uma ingénua Barbara Cartland, era um bocadinho mais comedida, mais bem criada e que escrevia para um público alvo ligeiramente mais sofisticado (ou com pretensões a tal) que não se atrevia a ser, descaradamente, serigaito. 





É claro que a fronteira é muito ténue: às vezes pouca diferença há entre a serigaita assumida e genuína (manicura da esquina que dança kizombas calientes no clube "Fuego Sensual" lá do bairro com o Carlão) e a outra que foi um bocadinho à faculdade e até se formou na área da saúde ou do direito (as advogadas, enfermeiras e psicólogas sérias que me desculpem, mas por algum motivo vejo muita serigaitice nessas áreas) só que também se rebola seminua ao som do Despacito, faz tatuagens quase tão más e cita igualmente a pobre Clarice Lispector quando o último "amigo colorido" lhe dá com os pés. Uma talvez seja mais asneirenta do que a outra, menos culta e menos ambiciosa, talvez se vista (ou dispa) um nadinha de nada pior; mas por vezes  a coisa não varia muito: nem no berço, nem nos memes badalhocos que partilha nos facebooks e instagrams, nem nos dramas.

Ainda assim (que isto uma coisa é o público a que se chega e outra é o público a que se faz, de propósito, por chegar) não via Margarida Rebelo Pinto a descer, de livre vontade, ao patamar das "guerreiras" e das "migas"

O universo de M.R.P. era, parecia-me, mais o da Teresa que ligava à Clarinha, em lágrimas, porque o marido anda com uma pindérica e ai minha querida agora o que é que eu faço, e não tanto o da Sheila Priscila que no intervalo da Casa dos Segredos tecla furiosamente à Xana Marisa, quase partindo as garras de gel no processo, "ai miga, minha vaca, o cabr*o do Carlão engravidou a outra, logo agora que estava quase a assumir-me". ´Tão a ver a nuance, sei lá?




Eis que me enganei - ou que a editora, querendo aumentar as vendas a todo o custo, enfiou um "guerreira" na promoção do livruxo, assim como quem não quer a coisa, como se usar a palavra "guerreira" não fosse uma morte social nem nada. E já agora, porque não acrescentar "há uma guerreira em cada mulher LINDONA", jurar que o livro é "Top" e despedir-se das leitoras com "beijos de luz"? Hein? Perdida por um, perdida por mil!

Ora, cada uma sabe as linhas com que se cose; já se sabe que vender livros em Portugal, light ou não light,  é um bruxedo....e viver da escrita pior ainda. Tiro o meu chapéu à senhora pelo sucesso e pela pachorra olímpica de se dedicar a tal. 

Porém, como dizia um merceeiro muito sábio lá da minha terra e o povo tem sempre carradas de razão, certos fregueses mais vale perdê-los do que tê-los. Honra e proveito não cabem no mesmo saco e quando se trata de marcas, não convém deixar que se desvirtuem. Mal ou bem, se Margarida Rebelo Pinto não quer que a confundam com uma Gabi Pinto qualquer, convém que se sente com quem tem a cargo o marketing das suas obras e lhes lembre que nenhuma senhora que se preze, por mais escandalosa que possa ser a sua vida privada, consente em ser tratada em público por "guerreira"

É que é um atestado de baixaria imediato, uma daquelas coisinhas que fazem parte do dicionário oficial para classificar flausinas baratas, um carimbo de galdéria quase pior que um "tramp stamp" tatuado ao fundo das costas, está a ver?

 Ou se calhar eu estou equivocada e o palavrão não foi usado à socapa nas costas da autora, nem deixado passar por ingenuidade; às tantas Margarida Rebelo Pinto, seja por necessidade de chegar a mais gente, seja num assomo caridoso de fazer das serigaitas assumidas serigaitas ligeiramente mais polidas, decidiu falar numa linguagem que elas apreciem. Risky move, mas sei lá eu...


Tuesday, December 11, 2018

Quatro truques naturais que a vossa pele vai adorar





Embora eu sempre me tenha interessado por cuidados de pele naturais, a verdade é que recorro a muito poucos- às vezes por preguiça, outras porque para ser franca, os benefícios não compensam a sujeira e já há no mercado substitutos mais práticos e com resultados tão bons ou melhores. 
 No que respeita às rotinas de beleza, tenho apenas uma regra: cingir-me ao que é insubstituível, seja barato ou caro, natural ou industrial. Se um cosmético tem um efeito que mais nenhum consegue dar, vale a  pena investir nele. E como sabem, apenas partilho o que acho mesmo revolucionário, por isso deixo aqui quatro que fazem parte do meu "arsenal":


1- Usar soro fisiológico - antes, ou como substituto do tónico




Este descobri no Verão passado e nunca mais quis outra coisa,  até porque sou picuinhas com os tónicos: uso-o depois de limpar ou lavar o rosto. Ajuda a conseguir uma limpeza mais profunda e deixa a pele fresca e mimosa. Fecha os poros, matifica, ajuda a desinchar olheiras, acalma a pele reactiva, revigora e permite fixar a maquilhagem por mais tempo. Gosto de salpicar o rosto com ele, deixar agir por uns segundos e tirar o excesso com um lencinho, antes de aplicar o tónico (opcional) e o sérum (vamos falar dos séruns um dia destes).

2- Fazer do Leite de Magnésia primer




Outro truque cósmico e fenomenal que andava a ser muito badalado na internet e que funcionou às mil maravilhas comigo. É estupendo no Verão, para dar aquele "bom ar" fresco e lavadinho de quem não transpira nem tem a maquilhagem derretida! Aplica-se um bocadinho na Zona T depois do creme hidratante. Deixa a pele esbranquiçada, mas desaparece lindamente quando se aplica a maquilhagem, além de impedir que os poros fiquem entupidos. Também há quem o aplique antes do desodorizante, para prolongar o efeito acabado de sair do banho.

3- Máscara de clara de ovo e mel: efeito botox e photoshop



Esta é um bocadinho aborrecida de fazer e escorre imenso, por isso aconselho que a apliquem antes de lavarem o cabelo no duche - e que a evitem se acabaram de arranjar o dito cujo, para não andarem por aí a cheirar a massa de bolo estragada (blhec). Basta misturar uma clara de ovo, mais duas colheres de sopa de mel e aplicar sobre a pele limpa (depois de um peeling ou exfoliação, então é óptimo!) deixando estar até sentirem que começa a repuxar. Tira-se com água morna (e depois, um bom banho de água e sabão, pelas alminhas!).  Já experimentei imensas máscaras profissionais, algumas das marcas mais sofisticadas, e juro que nenhuma dá um resultado parecido. Hidrata em profundidade, nutre, fecha os poros, deixa a pele fresca, preenchida e "esticadinha", ilumina... enfim, parece que andou ali um airbrush valente. Recomendo quese faça duas vezes por mês, mas quem se puder dar à maçada semanalmente verá resultados melhores ainda.


4- Exfoliante/peeling de limão e açúcar




Um truque da minha avozinha, para quem uma pele branca, fina, luminosa e sem imperfeições era meio caminho andado para o sucesso. Apesar de por motivos práticos recorrer muitas vezes aos exfoliantes de drogaria e aos peelings de ácido suave para uso caseiro de perfumaria ou de farmácia , esta receita tem o melhor dos dois mundos: uma exfoliação à séria (sem grãozinhos só para inglês ver que não fazem efeito nenhum) e a luminosidade de um peeling ácido carregadinho de Vitamina C. Também é muito bom para as manchas e acne ou pele cansada, além de ter um sabor delicioso!
 Faz-se uma papa espessa com sumo e açúcar e aplica-se na pele húmida, acabada de limpar. Massaja-se com movimentos circulares, insistindo nas zonas em que o grão da pele precisa de ser afinado, e deixa-se secar até ficar sólido. Retira-se com água morna, seguindo-se um hidratante neutro e um bom protector solar. A pele fica renovada e parece que nos saiu o mundo de cima!


Happy pampering!


Sunday, November 25, 2018

Um Playboy + Duas Raparigas espectaculares, mas tontas =asneira de proporções Reais








Hoje trago-vos mais um post da série "Estas Raparigas não sei para que querem a Esperteza".

Ora cá vai: as filhas do Príncipe André, Beatrice e Eugenie, têm andado nas bocas da imprensa este ano muito por causa do casamento da mais nova (quanto a mim, "o" casório Real digno desse nome em 2018 se não contarmos com o do neto da Duquesa de Alba, que não tendo o título "Real" foi muito mais aristocrático e como manda o figurino do que qualquer outro). 







Em geral os britânicos gostam das duas Princesas, apesar da má publicidade criada pelos disparates passados dos seus paizinhos (que embora divorciados, continuam muito amigos e a viver como família).

 Para isso contribui tanto a personalidade estouvada, mas divertida e de bom coração da mãe delas, a formidável Duquesa de York, com quem as pessoas não conseguem ficar zangadas muito tempo ( é um daqueles casos "não faz por mal, não é defeito, é feitio") como a boa natureza das duas pequenas- que transparece mesmo tendo passado maus bocados com a imprensa e sendo alvo de troças cruéis e muitas vezes injustas (ambas terão chorado quando foram ridicularizadas pelos seus chapéus no casamento do primo William há uns anos atrás). 




As irmãs têm conseguido estar à altura da sua condição de netas da Rainha Isabel II, envolvendo-se com as obras de caridade da sua afeição e abstendo-se de escândalos dignos de nota (as vezes que se têm metido em algum sarilho foi por ingenuidade, mas já lá voltamos). 

A sua forma de estar simples e afável acabou por conquistar o público, que ao início não engraçava com as Princesas por aí além...fosse por arrasto, fosse por não possuirem o espírito nem a carreira brilhante da sua carismática prima (e "Princesa" sem título) Zara Phillips, (uma moça admirável, ou não fosse filha da Princesa Real, Ana- urge escrever dois posts sobre mãe e filha)- ou por, apesar de serem bonitas à sua maneira, não terem a beleza de cortar a respiração de outras parentes suas como Kitty Spencer ou Lady Amelia Windsor, que fazem sucesso como modelos da Dolce & Gabbana e Burberry.




Amigos meus que privaram com Beatrice e Eugenie elogiam-lhes a candura e a simpatia (são capazes de andar descalças em público como se nada fosse e coisas desse género) e ninguém pode dizer que não sabem estar com elegância e modéstia, ainda que tenham errado algumas vezes na fatiota (quem nunca?). Repito o que já tenho dito por aqui: falta de elegância nas toilettes tem remédio; sem elegância de espírito é que nada feito!

No entanto, se Eugenie, apesar mais nova, passa por ser uma jovem com a auto estima no lugar e bastante segura de si (casou ao fim de sete anos de namoro estável com um rapaz encantador e de uma boa família com raízes aristocráticas, embora não titular)  o mesmo não parece acontecer com Beatrice, que tem sido muito azarada nos afectos.



 Rosnam as alcoviteiras que a menina não tem grande confiança nos seus encantos e atrai o tipo errado de homens, indignos de lhe encerar as galochas, com quem espera desesperadamente assentar... só para se desiludir com arrivistas. 

Em vez de se pôr nas suas reais tamancas (ou sapatinhos de cristal, se preferirem) e mostrar ao mundo que o partidão aqui é ela, de se focar na sua nobre linhagem, no seu lindo cabelo ruivo e na sua figura curvilínea de ninfa renascentista, ei-la a fazer disparates, como praticamente dar um ultimato ao ex namorado a ver se ele se decidia de uma vez a casar com ela e levar um par de patins como resposta (a ser verdade, ui). 


O que faz falta a Sua Alteza é ser minha amiga, que eu havia de lhe puxar as Reais orelhinhas e dar-lhe um sermão tal que ficava como nova, porque detesto ver boas raparigas a desperdiçarem-se com idiotas. Adiante.



 Enfim, tendo chegado aos trinta (bastante jovem para os padrões actuais, mas sabe-se como são as más línguas) e vendo a irmã mais nova casar primeiro, parece que a Princesa decidiu despachar-se a bem ou a mal e zás, vai de arranjar namoro relâmpago com um convidado da boda da mana. O eleito é Edoardo Mapelli Mozzi, um bem parecido (e milionário) filho de Conde Italiano que a conhece desde que os dois eram piquenos.





Até aí, tudo perfeito: as duas famílias sempre foram amigas, o rapaz pertence ao seu círculo social e não é nada de se deitar fora. O problema é que primeiro, da fama de Playboy e "pintas" ninguém o livra; e segundo ( e bem mais grave) o malandro estava noivo há três anos (três anos de noivado tem horrores que se lhe diga, já lá vamos); vivia com a tal noiva (e alegadamente, continuou de casa e pucarinho com a coitada depois de começar a namorar com Beatrice); e o pior do piorio, os dois têm um filho e tudo. 


Dara Huang, a ex -noiva

Ou seja, uma embrulhada da qual uma neta da Rainha Isabel II não tinha a mínima necessidade: o que não falta para aí são bons rapazes de famílias adequadas capazes de a fazer feliz.

 Mas a história torna-se ainda mais disparatada se olharmos para o perfil da noiva abandonada, a arquitecta americana de origem chinesa Dara Huang: bonita, com óptima figura, de origens humildes mas filha de pais brilhantes que subiram a pulso e enriqueceram (o pai trabalha para a NASA) super bem sucedida, diplomada em Harvard e além de herdeira, rica por mérito próprio, com um currículo impressionante.



 Claro que Ms.Huang não tem culpa de ser enganada e trocada por outra (disso ninguém está livre). No entanto, Dara deixou-se claramente enrolar. Como é que uma rapariga tão esperta, que lidera projectos tão complicados, não vê que nenhum homem sério, com intenções sérias, deixa arrastar um "noivado" durante três anos, principalmente se não há constrangimentos financeiros? E vendo que o maroto não se decide a honrar a sua palavra, vai viver com ele a ver se o faz mudar de ideias, e ainda tem uma criancinha fora do casamento, idem idem, aspas aspas? Isto é ou não é colocar-se a jeito para ter um desgosto?

Ou seja, em vez de pôr nos seus Jimmy Choos e pensar "sou uma mulher gira, rica, sofisticada e independente: pretendentes deste género não me faltam nem aqui nem na China", pôs-se a tratar o mancebo como se fosse a última Coca cola do deserto. 



O que faz falta a Dara é ser também minha amiga para eu lhe puxar, por sua vez, as orelhas e dar-lhe um sermão daqui até à América, porque não posso ver raparigas inteligentes a fazerem o papel de burrinha-parvinha. ´





Que o rapaz é um partido aceitável e bonitinho - mas há mais de onde veio esse e até mais bonitos, mais nobres e mais ricos, olhem que coisa!

Das duas uma: ou Edoardo, Edo para os amigos, sabe algumas técnicas de sedução sobre-humanas capazes de deixar rendida a femme fatale mais inalcançável, ou possui um dom extraordinário para detectar mulheres que são inseguras sob uma aparência de poder. Aposto na segunda hipótese.

Beatrice de York nunca teve grande confiança na própria beleza; apesar de os seus dotes naturais serem mais que suficientes para uma jovem da sua categoria, claramente isso não lhe basta; e a insegurança, aliada a uma personalidade demasiado gentil e inocente, teima em estragar-lhe os planos. É fácil para qualquer mariola bem apessoado e vivido deixá-la nas núvens, disposta às piores decisões. Nunca é boa ideia uma mulher 
envolver-se com um homem que faça (ou que ela sinta que faz) mais sucesso com o sexo oposto do que ela própria. É o tipo de vantagem que, à cautela, não se deve dar a um homem, mas não elaboremos por hoje.




Por sua vez, Dara terá inseguranças quanto ao seu estatuto social: por várias vezes mencionou as suas origens modestas, e como se orgulha de ter sucesso tendo começado como "imigrante, de uma minoria e nascida em berço humilde". Claramente há ali um valente complexo de inferioridade por trás do sonho americano. É simples de entender como a presença de um moço galante de dinheiro velho, com vetustos pergaminhos, a impressionaria sem grande esforço, deitando por terra a sua persona de mulher poderosa e fazendo dela uma mulher-tapete. Deslumbrada e sem grande "mundo" apesar do seu êxito e estilo de vida luxuoso, Dara não terá tido capacidade para ver que não basta ser fidalgo- é preciso saber agir como um! De novo, se uma mulher se sente inferior a um homem por qualquer motivo, melhor fará em ficar longe dele.




É claro que isto ainda pode tudo acabar em modo and they all lived happy ever after:  Edoardo pode bem surpreender toda a gente, mostrar ser bom rapaz, fazer Beatrice feliz e ser um pai extremoso para o filho do anterior relacionamento, enquanto Dara, por sua vez, se arruma com um homem de sucesso e mais ajuizado. No entanto, esta história é uma "modernice" escusada e arriscada para uma Princesa, e uma peripécia que não teria lugar se as duas envolvidas (Princesa tradicional e empresária moderna) tivessem mais fé em si mesmas e mais atenção aos sinais de alarme.



 A forma como uma relação começa diz praticamente TUDO sobre a  forma como se vai desenrolar e sobre o fim, bom ou mau, que terá. Um homem que começa uma relação de modo pouco sério, dificilmente casará com a mulher em questão... ou se casa (quase sempre "arrastado") nunca será um marido dedicadíssimo; e um homem que começa uma relação tendo enganado/trocado a parceira anterior pela actual, não se ensaiará de repetir a proeza. Há excepções, claro, mas nenhuma mulher sensata se rege pelas excepções à regra porque essas esperanças desejosas quase sempre dão péssimo resultado.

O pior é que vejo por aí muitas Daras e muitas Beatrices: mulheres impecáveis e bem sucedidas a fazer esses papéis de burrinha-parvinha, a quem eu puxaria as orelhas de bom grado. A essas, convém lembrar as palavras de uma mulher que não tinha grande beleza, mas que em compensação possuía bom senso às carradas e foi por isso muito feliz: Eleanor Roosevelt. 




Dizia ela "ninguém pode fazer-te sentir inferior sem o teu consentimento". Este havia de ser o mantra de muita mulher, rica ou pobre, linda ou menos linda, com berço de ouro ou de palha, por esse mundo de Deus...

Monday, November 19, 2018

Amor em tempos de...paz, amor e rock n´roll




Ando há bastante tempo para criar um post sobre o Woodstock - ou antes, sobre o street styling do Woodstock, porque houve realmente looks incríveis no festival mais ou menos improvisado que correria extraordinariamente bem e viria a ser um dos eventos mais emblemáticos de todos os tempos, símbolo incontornável do movimento Flower Power e dos protestos contra a Guerra do Vietname e a favor dos Direitos Civis. 

O que se pensava ser apenas "um festão numa quinta" acabaria por se tornar o retrato de uma geração e de um tempo em que os idealistas eram ingénuos mas realmente bem intencionados e sabiam vestir de forma controversa para as normas da época mas continuar giros - ao contrário dos snowflakes de hoje que só dizem disparates, falam de barriga cheia e se põem feios de propósito. 

Deve ter sido uma época interessante para se ser jovem, por muito que eu ache que certas "novidades" que sairam daquelas cabeças mais valia nunca terem existido, porque abriram portas a muita coisa que me desgosta hoje em dia. Enfim, a História nunca se faz sem solavancos e sem que algumas coisas mudem para melhor e outras tantas para pior...


 De qualquer modo, creio que se inventassem uma máquina do tempo eu daria um pulinho ao Woodstock, apesar de Festivais não serem o meu cup of tea e de o pivete a marijuana me dar volta ao estômago a uma distância de 100 metros. Isto se a máquina do tempo incluísse uma casa de banho com duches, ou nada feito. Até posso gostar de brincar aos hippies uma vez por outra, mas sempre em versão limpinha. 

E curiosamente, foi um casal "não hippie" que passou a ser a cara do Woodstock: em Agosto de 1969 Nick e a sua então namorada, Bobbi (ele empregado num banco, ela ainda na faculdade) ouviram na rádio o aviso das autoridades para que as pessoas se mantivessem afastadas do pandemónio nas imediações do festival. 



Como os jovens têm por hábito ser do contra, agarraram em alguns amigos, pegaram na carrinha da mãe de um deles e foram ver o que se passava. Acabaram por gostar do ambiente de espontânea alegria e música que se tinha criado e ficaram, embrulhados numa colcha que encontraram abandonada a um canto.

De madrugada o fotógrafo Burk Uzzle, trabalhava para uma agência noticiosa mas decidira ir registar o evento por sua conta, viu o casal abraçado de pé contra o nascer do sol, achou a imagem bonita - e sem que os visados se apercebessem, registou o momento.



O festival acabou, a multidão dispersou e Nick e Bobbi voltaram às suas vidas normais de quem não é hippie, com responsabilidades e contas para pagar - viriam a casar dois anos e pouco depois. Só quando o álbum com a música do Woodstock veio a público souberam que tinham sido fotografados...e que estavam famosos! (Quanto a mim foi uma sorte a relação ter resultado- imaginam-se a aparecer ad aeternum ao lado de um ex em tudo quanto é merchandising de nostalgia? Cruz Credo!).




Quase 50 anos volvidos, o casalinho continua apaixonado, a receber correio dos fãs e a dar ocasionalmente entrevistas sobre as suas memórias. Numa delas, os eternos namorados partilharam mesmo a receita para um amor sem prazo de validade e um matrimónio bem sucedido:

"O casamento é difícil. Há bons e maus momentos. É preciso escolher as batalhas: às vezes é muito mais fácil ser feliz do que ter razão. É preciso perguntar a nós mesmos- estou melhor com ou sem esta pessoa? E se estamos melhor com ela, então fazemos com que resulte".

Quanto a mim, esta é a fórmula mais sensata de todas. Devia vir escrita em papel selado quando se avançam com os documentos na conservatória....




Sunday, November 18, 2018

A soldier´s daughter never cries

Runnymede Air Forces Memorial, 25 de Julho de 2018

Eu não sei introduzir textos tristes, tocantes, solenes e bonitos. Eu não tenho jeito para despedidas porque me partem o coração e me deixam, simultaneamente, totalmente atrapalhada e com medo de soar desrespeitosa ou ridícula. Tenho menos aptidão para lidar com sentimentos em público do que a Rainha de Inglaterra (falei-vos disso, em tempos). Admiro-me sempre de ser capaz de trabalhar num sítio onde há constantemente gente a chegar e a partir e a despedir-se de parentes e amigos, nem sempre com alegria. Não sei ser desta época em que é suposto partilharem-se fraquezas, ser-se vulnerável e  toda a gente saber com que palavras, com que cara e com que postura se divulgam notícias pessoais desagradáveis (sejam mais ou menos sérias) no cenário dos social media

  Como vos comuniquei há pouco por Facebook, perdi  o senhor meu pai - como me referia sempre a ele quando uma das suas tiradas me inspirava aqui um post - de forma totalmente inesperada. 


Reveillon em Londres, 2016-17


 E tal como expliquei, a comoção e as medidas que foi preciso tomar impediram-me de escrever. Mas eu não saberia o que escrever...e hesitei até agora. Escrever o quê? Um epitáfio? Escrever o quê, justos Céus? Passar adiante, guardar a notícia para os muitos familiares e amigos que nos acompanharam, debruçar-me sobre outros temas como se nada tivesse acontecido? Embora eu nunca fosse de partilhar aqui a minha vida privada, passar uma borracha também não faria sentido já que fui não só contando algumas anedotas familiares, muitas em que o pai era o protagonista, como vos dei parte de algumas ocasiões realmente importantes embora não chegasse a elaborar ora por falta de ocasião, ora porque não é mesmo o meu estilo.




 E no entanto, se calhar, o papá foi o grande responsável por eu não conseguir lidar com estas coisas de forma compungida e dramática: é que não só fui educada por ele, mas sou muitíssimo parecida com ele, para o bem e para o mal. 

 O pai não era de sentimentalismos, fora de casa pelo menos. Apesar do coração de ouro, de se derreter pela família e do seu irish/sicilian temper, era muito anglo saxónico por educação e quando se tratava de coisas sérias, entrava em fleuma britânica. No fundo era um soldado, um espartano no sangue e nos modos, e filha de soldado nunca chora. Perante uma emergência, uma tragédia, um transe da vida, depois dos primeiros prantos é suposto fazer como o Marquês de Pombal depois do Terramoto e atender ao mais urgente, em modo marcial e robótico, com nervos de aço e o coração sabe-se lá em que estado.





 O que é que o pai diria? Oh, eu sei o que ele diria: pull yourself together! Put on a brave face! Ou: sai uma palmada que é para chorar com razão! ou ainda, "oh Sissi, vamos lá a «Tarantar» por amor de Deus!!!" («tarantar» foi um verbo que inventámos a partir de um antigo nome da nossa família, Taranto, que perdendo-se oficialmente continuou  connosco como alcunha, e como era tudo gente brava e desempenada passou a designar ser corajoso e recompor-se).

 Mas - oh ironia-  no meio do desgosto esmagador, da surpresa que me deixou sem reacção, (a vida tem destes sarcasmos crueis, ou será que nos são enviados os desafios que mais tememos?)  a primeira provação foi ver-me precisamente - eu que sou um horror nestas coisas, eu que me encontro fora do país e que estava ainda sem chão -  a braços com a tarefa de esclarecer parentes, amigos, militares que comandou, alunos e tantas outras pessoas que o admiravam que, incrédulas, estarrecidas,  me contactavam de Portugal, de Londres, dos Emirados Árabes e de outros países ainda, aflitas a querer saber se era verdade, se não era algum engano ou partida de mau gosto.




 E lá tive, enquanto arranjava tudo à pressa para seguir para Lisboa, de explicar vezes sem conta (sabe Deus com que vontade de repetir aquilo que ainda me custava a perceber): caiu fulminado durante um dos seus treinos de bicicleta, o que teria sido o tipo de viagem para o outro mundo que o pai tinha pedido a Deus... se fosse só daqui a 20 anos. Rápido e indolor para ele, e de pé como um bravo até ao fim, a fazer algo que adorava. Não numa cama ou numa poltrona, que ele não suportava gente mandriona...seria o fim perfeito - se tal coisa existe - mas foi cedo demais.


Num evento na Brigada Ligeira de Intervenção de Coimbra, 2005 (?)


Não é de estranhar esta reacção de quem privara com ele: o Senhor Tenente Coronel era uma figura tão larger then life, forte e invencível, alpha male por excelência como já se vão fazendo poucos, oficial majestoso que apavorava os tímidos (até começar a contar piadas, entenda-se) fanático do fitness, tão divertido, carismático e sociável, com um aspecto tão jovem, 60 anos recém feitos mas a  rivalizar nas proezas atléticas (apesar dos nossos avisos) com os rapazinhos de 20, que parecia realmente impossível. 

Toda a gente espera que os adoentados, os azarados da vida, os sofredores, os que levam uma vida de excessos, os velhos e os emocionalmente frágeis vão primeiro. Mas homens de aço como o pai, capazes de olhar a morte nos olhos e dar-lhe um piparote sem tir-te nem guar-te, não. Esses são, supostamente, como aquela personagem de The Walking Dead: "only Merle can kill Merle". Ou como o General Patton:  "though I walk through the Valley of the shadow of Death, I shall fear no evil...because I am the meanest motherf*** in the Valley.'

 Esses é suposto terem sete ou nove vidas como os gatos, e se não as gastaram todas, nobre e espectacularmente, em cenário de guerra ou numa aventura qualquer tipo Rambo ou Indiana Jones, cá ficarem ad aeternum a mandar em toda a gente, a suportar o peso do mundo nos ombros, a comandar as tropas até serem velhos rezingões mas sempre rijos, que enchem a paciência à família e espantam toda a gente com os seus chistes, partindo quando já não há mais a tirar da vida. 




 É o tipo de certeza que dá alguma segurança às pessoas e que, quando se vê que não é bem assim, as deixa cheias de medo além da tristeza. Se um homem assim é vulnerável, nada é seguro neste mundo. 


Eu própria tinha uma secreta esperança de que o pai saísse ao avô dele, que com duas tromboses em cima ainda arriava na Guarda Republicana tareias de criar bicho. Infelizmente, saiu à outra metade dos homens da família, que na minha não há meio termo: ou duram para sempre ou vão cedo e de repente.

Em Julho tínhamos passado uma semana juntos aqui no Sudoeste de Londres, em alegres patuscadas, a gozar a piscina do nosso jardim, os passeios a Windsor e a margem do rio em Twickenham (onde o nosso Rei Senhor D. Manuel II se exilou e de onde Sua Majestade apoiava as nossas tropas que lutaram ao lado dos Britânicos na I Guerra- até há um lindo memorial ao Rei e soldados portugueses  na paróquia que frequentava). 




 O autor dos meus dias adorava o Reino Unido, onde vinha regularmente em trabalho,  e os E.U.A, onde estudou em miúdo. Sempre preferiu que eu vivesse em Londres, tendo-me educado com essa ideia fixa. Até me deu o nome de uma colega de carteira do liceu (coisa que nunca lhe desculpei, se bem que o petit nom Sissi também foi ideia dele) e por sua parte, trabalhou numa organização britânica até ao fim, logo que se reformou do Exército.


Ao serviço do British Council em Abu Dhabi, com alunos e amigos


 Creio que lá no fundo amava igualmente do seu país, que serviu fielmente; mas era um amor ferozmente crítico, à maneira Queirosiana como o Afonso da Maia: nunca se exilou de vez, porém tinha um enorme desgosto pela rebaldaria em que Portugal se transformou, nomeadamente em termos de ética de trabalho e no desrespeito pelas Forças Armadas, algo que o magoava mais do que gostava de admitir. Acho que apesar das suas costelas estrangeiras, da influência britânica que norteava a sua forma de estar, de ser muito pouco português em muita coisa menos no respeito à bandeira (preferia a azul e branca, mas honrou a que temos e que o cobriu nas últimas cerimónias)  e à língua, tinha um lado vivamente lusitano, Moura enrustido e medievo capaz de brandir a espada de D. Afonso Henriques. Português da velha guarda, da raça dizimada em Alcácer Quibir, inconformado com a falta de patriotismo e de brio. Em suma, perdido e achado ferrava-se na velha Albion e só o facto de saber que lhe fiz a vontade não me encheu de remorsos por estarmos longe um do outro. 

No Verão fez-se uma onda de calor impossível, mas ainda conseguimos ir ver juntos o Museu Imperial da Guerra (onde está exposto um uniforme igual ao que membros do Corpo Expedicionário Português, como o meu bisavô, usaram) e o Memorial da Força Aérea em Surrey, onde o papá prestou homenagem aos gloriosos  caídos na II Guerra Mundial. Sem ele ver tirei-lhe o retrato que podem ver no topo da página, não sonhando que passaria a ser icónico para mim, meses mais tarde. "Que nunca por vencidos se conheçam". Godspeed, daddy.

Thursday, October 18, 2018

Objectivo de vida: ser uma avozinha gaiteira (e cheia de estilo, como Joan Collins ou Faye Duynaye).




Isto para não ser indelicada e enunciar, preto no branco, um dos meus #lifegoals: um dia, ter a felicidade de ser uma velha gaiteira (e jarreta e careta e embirrenta mas absolutamente adorável ou seja, ficar mais velha mas de resto, não mudar absolutamente nada, cof, cof).

Por isso fico toda contente quando vejo anúncios de moda, como este da marca de calçado (britânica mas que manda fazer muito sapatinho em fábricas portuguesas) Kurt Geiger, com a sempre bela Dame Joan Collins:




Reparem como a eterna Alexis (eu era tão pequena que a única coisa que recordo de Dinastia é mesmo o panache da Alexis) continua linda de morrer, elegantíssima, bem disposta, a fazer luzir uma saia lápis como poucas, com um palmimho de cara e umas pernas que tomariam muitas de vinte!

 E não me tragam cá "oh Sissi mas olhe que isso é tudo plásticas" e "com a vida dela também eu", que isso das intervenções estéticas pequenas ou grandes não resolve tudo, até porque sem bom senso é quase sempre pior a emenda que o soneto. Não faço ideia qual é a rotina de beleza da actriz (que ainda me vai fazer mais feliz nos novos episódios de American Horror Story- how cool is that?). Nem o que mexeu ou deixou de mexer no rosto e no resto;  o que importa é que claramente o seu objectivo nunca foi esconder a idade (o que seria inútil) mas apenas continuar a ser bonita. Qual velhice, qual carapuça. 







Outra campanha que adorei (e que está a ser responsável por esgotar a carteira "Sylvie" em toda a parte, para tristeza dos meus clientes e mal dos meus pecados) é esta da Gucci, em que Faye Dunaway (77) contracena com a it girl francesa SoKo (32). As duas actrizes fazem de mãe e filha no luxuoso cenário de Beverly Hills, e ficam igualmente bonitas com as coloridas toilettes de Alessandro Michele- prova genial de que o estilo não tem idade e de que as mesmas roupas podem ser usadas em diferentes fases da vida, desde que com o styling adequado. Brilhante!




Já  por aqui falei várias vezes de como me faz feliz ver pessoas que continuam a ser elas próprias na terceira idade, principalmente no que ao estilo diz respeito.





 Senhoras e cavalheiros janotas que mantêm a sua figura, continuam a vestir mais ou menos o mesmo tamanho, a exercitar-se, a ter a mesma cara mais ruga menos ruga (nem tudo está na mão de cada um (a) mas ter cuidados ajuda)  e  a esmerar-se com a sua imagem, a divertir-se, a fazer troça de tudo, a não se levar demasiado a sério, a entusiasmar-se com hobbies, a ter objectivos e sonhos próprios,  a ralar-se com outras coisas que não as idas ao médico e os netos (que têm um lugar muito importante, claro, mas enquanto uma pessoa cá anda ainda tem uma vida sua; não precisa de cuidar só da dos outros como se estivesse para bater as botas mais minuto menos minuto).





 Gosto de gente cheia de vida e lá dizia a nossa Lili Caneças (também ela adepta do lema da Tia Pureza "o que importa é a alegria de viver e a caturreira"), estar vivo é o contrário de estar morto. A pobre senhora foi parodiada até à exaustão pela simplicidade da frase, mas as pessoas são demasiado básicas para entender boa filosofia quando a ouvem, é o que é. O que não falta para aí é gente morta viva- até gente nova- que anda na vida por ver andar os outros.

Depois, parecer bonito, estiloso e jovem(a) quandos se é jovem não é nenhuma proeza. É algo que está ao alcance de qualquer pessoa com um físico aceitável, alguma imaginação e um bocado de força de vontade.


Isso mesmo, Ms. Dunaway!

Porém, a verdadeira beleza e o verdadeiro estilo são outra louça: passam o teste do tempo. Já aqui o disse: as raparigas "giras" têm um prazo de validade muito curto, mas as mulheres belas só deixam de o ser se se desleixarem, porque a verdadeira beleza vem da boa estrutura óssea,  da boa genética, de uma alma bonita e de algum trabalho de manutenção (a preguiça não faz parte de uma alma bonita e raramente ajuda a manter o corpo no mesmo estado). Com os homens não é muito diferente: embora eles levem por norma mais tempo a chegar ao seu auge (o que lhes dá uma reputação de se conservarem melhor) se lá não chegam aos trinta e poucos, nada feito e depois é quase sempre a descer.

E com o estilo passa-se  outro tanto: há muito quem tenha tido (ou parecesse ter) estilo em novo, mas conservá-lo é outra história. Quantos ídolos de outras décadas não parecem hoje pessoas exactamente iguais a todas as outras, isto quando não congelam no tempo e ficam horrivelmente datadas? Lá dizia Coco Chanel: as modas passam, o estilo permanece.


Sophia Loren- Dolce & Gabbana

É por isso que tenho um enorme respeito por figuras como Sophia Loren (84) Sean Connery (88) Karl Lagerfeld (85), Jessica Lange (69), Raquel Welch (78)  Susan Sarandon (72) Mick Jagger (75) ou o Duque de Edimburgo (97) entre outras que agora não me ocorrem, sem contar com as que nos deixaram recentemente mas permaneceram maravilhosas até ao fim, como o meu adorado David Bowie.

Ainda não se inventou a pedra filosofal nem o elixir da eterna juventude, por isso não mudar rigorosamente como os vampiros da Anne Rice nada não é, por enquanto,  uma opção (e nem sei se seria muito boa ideia). 

No entanto, estas pessoas provam que com alguma disciplina e mantendo a dose certa de humor e rebeldia, é possível não encontrar um estranho ao espelho, não mudar demasiado, vestir as mesmas fatiotas (com umas actualizações sensatas aqui e ali, claro) em suma, continuar-se bonito e gaiato no corpo e na alma.

 Envelhecer não deve assustar ninguém, mas transformar-se numa velhota, ter trajes de velhota e espírito de velhota sim- e em última análise, esse é um mal escusado, evitável e desnecessário!


Carmen D´ell'orefice

Ora, uma das poucas coisas boas da actual tendência para a "inclusividade" e "representatividade" a qualquer custo na indústria de moda (bem intencionada e lucrativa, mas forçada e levada ao extremo muitas vezes) é que levou a que as marcas passassem a desconsiderar a idade como factor de sex appeal ou de sucesso. E que consequentemente, começassem a incluir estrelas de várias faixas etárias nas suas campanhas de há uns anos para cá.


Sean Connery, Louis Vuitton

Dolce & Gabbana e Louis Vuitton terão sido pioneiras, convidando ícones como Monica Bellucci (54) Sean Connery e Sophia Loren para encabeçar um elenco de celebridades mais jovens e modelos estreantes-  mas a ideia parece, felizmente, ter vindo para ficar e a prova disso é que modelos veteranas como Carmen Dell'Orefice (85) voltaram a trabalhar nas passerelles e a vender capas de revista.

 Afinal, quando se tem uma figura magnífica e um rosto icónico, o que são meia dúzia de linhas de expressão ou cabelos brancos? E para quê alienar uma parte do público-alvo (precisamente a que mais terá disponibilidade financeira, tempo livre e liberdade para investir em roupas, cremes e acessórios de luxo) em nome de algo tão efémero como a juventude de calendário? Venham as mães, as tias e as avós que têm muitíssimo a ensinar!

Wednesday, October 10, 2018

Casamento: a nobre arte do "cá nos havemos de arranjar"


Cindy Crawford e Rande Gerber

 Há tempos reparei em duas frases sobre a vida de casal que me deixaram a pensar. A primeira, do filme "Cavalo de Guerra" traduz algo que decerto passa pela cabeça de muita esposa por este mundo fora (principalmente daquelas que têm a seu lado homens bons mas impulsivos, que às vezes fazem disparates). 



Quando o desastrado marido da personagem de Emily Watson lhe pergunta se ao fim de tantos anos de casados ela não está já fartinha dele, a resposta dela é sublime:
"Posso detestar-te mais, mas nunca hei-de amar-te menos".
 

Ela sabe o homem corajoso e esforçado que ele é - apesar de ter voltado da guerra traumatizado e com uma perna doente, o que o leva a refugiar-se na bebida e a tomar decisões menos benéficas para a família. Conheceu o esplêndido rapaz que ele era antes disso, por quem ela se apaixonou e com quem escolheu casar mesmo quando ele regressou danificado e uma sombra de si próprio. E como é uma mulher forte e sensata, escolhe fixar-se nisso (nesse lado que ela conhece, nesse amor e nas qualidades que ele conserva) em vez de se concentrar nas dificuldades que têm passado juntos.
 Nem sempre se gosta, todos os dias, das pessoas que se ama. Amar-nos uns aos outros mesmo quando não estamos lá muito amáveis (ou estamos mesmo em modo detestável) é parte essencial do tecido de uma família.


A segunda lição veio nada mais nada menos que dos Simpsons- que a brincar, a brincar, nos vão dando dicas para um casamento sólido há mais de vinte anos!

Num daqueles  episódios em que há um flashback para os tempos de namoro da Marge e do Homer, ele fez uma daquelas asneiras monumentais em que é useiro e vezeiro. E apesar de a peripécia ser grave, capaz de deixar qualquer noiva em parafuso e de pé atrás, a boa da Marge decide ir para a frente com o casório, dizendo-lhe:

"Temos uma vida inteira pela frente
 para corrigir esses problemas".


Ora aí está uma grande verdade: bem diz o povo "quem pensa não casa". Eu acrescentaria que não casa quem pensa demasiado. A minha avozinha também repetia sempre "o casamento é uma carta fechada" e "amanhã Deus dará".



 Certamente há defeitos de carácter tais, ou relacionamentos tão tóxicos e incompatíveis, que dificilmente têm remédio por mais que as pessoas até pareçam gostar uma da outra: é o caso da violência, da infidelidade e de outras questões graves. Em situações dessas, mais vale recuar e procurar a  felicidade noutro sítio, especialmente quando só uma das pessoas parece esforçar-se para levar a relação a bom porto. E nem falemos dos casos em que só uma parte está interessada (ou continua a investir porque afinal já desperdiçou não sei quantos anos e mais vale *tentar* casar com o diabo que se conhece do que com o que não se conhece) e a outra vai deixando andar à falta de melhor. Se é assim, direita, volver! Abortar missão e para a frente que atrás vem gente!


Porém, quando não é assim; quando um casal realmente se adora, quando tem aquela cumplicidade e compatibilidade que é difícil de encontrar e se as coisas funcionam APESAR DESSA QUESTÃO INCÓMODA, então trata-se apenas de limar arestas, ao estilo "a mulher educa o marido e vice versa". E isso não se consegue de um dia para o outro... portanto é melhor armar-se de paciência, não encher o sótão de macaquinhos, arranjar um saco cheio de confiança mútua e dar um grande salto de fé, repetindo os mantras "cá nos havemos de arranjar" e "a seu tempo lidamos com isso".



Entrar num casamento conhecendo a jóia que se tem ao lado e os polimentos de que ela necessita é, a meu ver, uma atitude mais madura e bem preparada do que caminhar para o altar aos pulinhos, no impulso da ilusão, apenas para levar um grande balde de água fria pouco depois e desistir à primeira (e inevitável) tempestade. Afinal, não há relação perfeita, por muito maravilhoso que um casal seja e por mais apaixonado que se mantenha.  Porém, a boa notícia é que se vai ter de lidar com a pessoa todos os dias e enfrentar montes de desafios grandes e pequenos, o que fará com que as questões mesquinhas se vão diluindo. Uma vida inteira é muito tempo, e o tempo- mais os afazeres do dia a dia- é um santo remédio.

Alguém muito sábio disse que o amor não é só um sentimento: é uma escolha diária. Mas também é feito de muita paciência e esperança para um permanente "logo se vê".

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