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Tuesday, January 23, 2018

Pobres piquenos!!! - 6 crueldades a que os pais de hoje submetem as criancinhas





Há muito quem diga (e com alguma razão) que certas coisas só se aprendem depois de ter filhos... e que uma pessoa, em sendo mãe, muda de ideias em relação a tantas outras. Porém (como tantas mulheres da minha geração que começam uma família e que andam a planear o futuro lá com os seus botões), ando atenta ao maravilhoso mundo dos bebés.

 Conclusão? Tenho para mim que, se Deus me der descendência, há maluqueiras em que só cairei se tiver ensandecido de vez (o diabo seja cego, surdo e mudo e não saiba ler os pensamentos!).

 E nem sequer estou a falar de modernices mais fracturantes e polémicas como os movimentos pró-amamentação à vista de todo o mundo e/ou desmamar a criança quando ela já está farta de ter dentes (cada uma sabe de si, mas Deus me defenda), ou como sujeitar os inocentes à falta de vacinação e/ou uma dieta experimental qualquer. 




Nem sequer me refiro a modinhas mais subtis (mas que  francamente me irritam) como o "co sleeping e bed sharing" ou  a "parentalidade positiva" (que em teoria não é completamente má, embora demasiado zen, politicamente correcta, mãe-do-Ruca e pequeno burguesa para mim; mas na prática, ao que tenho lido, se traduz não tanto na ausência de gritaria, lamparinas ou castigos e sim na mais completa permissividade, indisciplina e sujeição aos caprichos do ditador mirim).

Ná, nem é preciso ir para tais "formas de estar alternativas". O que não falta hoje em dia são maneiras de sujeitar a criançada a judiarias que não lembram ao diabo mais velho. Vejamos algumas:


1- Pôr laçarotes e fitas em bebés...carecas


super Cola 3, cola tudo em segundos...


Isto é uma mera questão de gosto pessoal, mas que querem? Primeiro, é suposto fitas e ganchos servirem para segurar madeixas de cabelo e se não há cabelo...percebem a ideia. Segundo, que diabos fazem para segurar certos laçarotes? Aquilo tem cola ou quê? Terceiro, enfeites de cabelo nem sempre são confortáveis (até em nós, adultas); que se dirá usados tão perto da raiz, e na cachimónia de um pequeno ser que não pode
 explicar-se para exigir "mãe, fora com esta porcaria está que está a incomodar-me!".

E quarto, mas não menos importante: acho que uma criança com cabeça de ovo ganha um ar pateta com acessórios no alto da pinha, ainda que seja linda como os amores sem cabelo e tudo. 

Depois, já se sabe: há muitas bebés que até vêm a tornar-se umas bonequinhas quando crescem um pouco mais (e algumas que se fazem umas grandes beldades depois de adultas) mas que nos primeiros meses não têm grande piada, ou até deitam uns certos ares arrapazados, só bochechechas e pouco mais. Nesses casos, pôr-lhes penduricalhos como quem diz "atenção que esta é uma menina!" só chama ainda mais a atenção, como que a pôr as pessoas a pensar, sem se atreverem a dizer em voz alta "se não fosse o laçarote juraria que era um rapaz!".


Uma amiga minha teve recentemente uma bebé encantadora e com tanto cabelo louro dourado (mas mesmo dourado!) como nunca vi. Nesse caso até faz sentido, desde que se tenha o cuidado de evitar coisas desconfortáveis como bandelettes (arrepio-me toda quando vejo isso porque quase todas as bandelettes me provocam uma enxaqueca medonha). Em todos os outros, mais vale enfarpelar o pobre anjinho em quantos folhos, rendinhas, vestidinhos rosa-bebé (mas nunca rosa-serigaita nem rosa choque, pelas almas!), enfim, ataviá-la com todas as peças ameninadas que vierem à mão, mas 
deixar-lhe a cabeça à vontade.
Infinitamente mais giro.

 Ou melhor ainda, comprar-lhe uns carapucinhos (para os dias frios) e umas touquinhas de algodão à moda antiga (para os dias quentes). É mil vezes mais amoroso, tem outro ar e qualquer bebé fica um amor de touquinha, mesmo que pareça meio amassado de ter acabado de vir ao mundo por parto natural ou esteja naquela fase work in progress em que não se parece ainda com ninguém. Muito mais apresentável e sempre protege do vento e do sol: é que já tenho visto pais que dos laçarotes não se esquecem, mas são capazes de deixar a a criança apanhar soalheiras na moleirinha e depois queixam-se "não sei a quem saiu tão desmiolada". Team Touquinha, desculpem lá.

2-Publicar retratos do recém nascido no Facebook...com a cara tapada por um emoji.

E o que é pior: tantas cautelas ao início, apenas para dali a uns meses não resistirem ao apelo dos likes passarem a exibi-lo nas redes sociais completamente à vontade quando o pequeno já é reconhecível e até já dá as suas voltinhas pelo próprio pé, estando portanto em maior risco. Não vou agora elaborar se acho ou não boa ideia expor as crianças em blogues ou social media (creio que tudo se quer com conta, peso e medida) mas haja coerência!
 Para começo de conversa, se a ideia de tapar a carinha do crianço com um smiley (ou pior, um macaco ou focinho de cachorro do Snapchat) é proteger o inocente contra eventuais raptores, desculpem mas isso falha completamente. Afinal, um bebé acabado de nascer não vai sozinho a parte alguma, por isso ser ou não reconhecido na rua é perfeitamente indiferente. A única forma de evitar qualquer atenção de gente tarada (lagarto, lagarto) seria não revelar de todo, nos facebooks e instagrams da vida, que se tem um bebé em casa. 

Depois, esta é simplesmente uma modinha foleira e ridícula, de nível Fatality social (voz do Mortal Kombat). Não sei ao certo o que vai na cabeça dos pais que fazem tal coisa; porém o que sugere é uma vontade danada de mostrar a novidade ao mundo, mas frisando "olhem que somos super conscientes, moderninhos e informados, ok?". Curiosamente, estes costumam ser os mesmos pais parolinhos que também fazem as três maldades de que falaremos já a seguir. Ou seja, ou os pobres pequenos saem super rebeldes ou ficarão condenados à pinderiquice eterna. Ai destino, ai destino, fado malvado.


3- Dedicatórias que começam por "Não sei quantos meses de ti"( ou de João/Maria/Carlota Andreia)



Como vimos aqui, este chavão medonho propagou-se pelas redes sociais como uma praga. Do nada, primeiro os saloios de serviço e depois pais tidos, até então, como pessoas sérias e normais, deixaram de falar como sempre falaram para adoptarem este palavreado postiço, atrozmente lamechas, ao referirem os meses de gestação ou idade do bebé, achando que é poético.  Poético tipo letra do Toni Carreira. Não sei de onde a modinha veio- suponho que tenha sido inventada num qualquer nails corner e contagiado o povo através de certos blogs- mas que carimba os pais e por conseguinte, o bebé, com um certo ar labrego e baratuxo, isso carimba. Stop already.


4- Tratá-los por Baby M., B., X ou Y (diante dos amigos ou nos social media).




Também tratámos desse modismo aqui e entre os dois, venha o diabo e escolha. Não sei se a ideia é dar um ar de mistério (a ver se chamam a atenção e alguém lhes faz perguntas, como se houvesse pachorra) se é preservar a  privacidade da criança (fail) ou impedir que outras pessoas desatem a pôr o mesmo nome aos filhos (podem sempre fazer como a Beyoncé e registar um nome esquisitíssimo como trade mark; é uma pinderiquice e vai complicar a vida do inocente até ele ter idade para mudar legalmente essa desgraça, mas a originalidade está garantida). 

Ou talvez seja uma tentativa possidónia de arranjar um petit nom chique a valer (erro crasso). No entanto, tenho para mim que as pessoas o fazem sem saber muito bem porquê, só por ver os outros fazer, achando que dá um certo estilo, que fica delicado e cosmopolita (erro de proporções bíblicas). A mania pretensiosa terá começado com algumas bloggers e foi por aí abaixo, popularizando-se nos salões da esquina, reuniões de tupperware e festas da Bimby até acabar por contagiar gente com obrigação para se comportar de outra maneira. De qualquer modo, além de ser uma carneirada do piorio dá à criança, que não tem culpa nenhuma, uma certa aura de rapper mafioso, de projecto de robótica ou clonagem (Baby A. versão 2.0, que tal?) ou pior, de concorrente do Big Brother. A sério, se a ideia é o bebé andar incógnito, ao menos arranjem-lhe uma alcunha com piada ou um petit nom amoroso. De preferência com duas sílabas.

5- Contar a idade dos filhos por meses (até chegarem à escola primária).



Em boa verdade este hábito de alguns pais algo...bom, exagerados, nem afecta tanto os pequenos (que ainda nem sabem a quantas andam). 

Só irrita quem está à volta: se uma alma desprevenida cai na asneira de perguntar educadamente a uma mãe/pai desses que idade tem o Zezinho ou a Mariazinha, zás: leva prontamente a resposta maluca "tem 39 meses e meio" ou coisa que o valha. E para ali fica uma pessoa a fazer contas de cabeça, em modo mas qual será a idade da criança, eu sei lá, sei lá
Este é um fenómeno muito comum entre aquelas "mulheres que deixam de ser mulheres e passam a ser só mães" e que desistem completamente de ter outros assuntos/interesses, deixando os amigos em parafuso e os maridos à beira de fazer as malas. Mas não é um exclusivo dessas, infelizmente!

 Há pais que não se convencem de que, embora ter filhos seja a coisa mais maravilhosa e especial do mundo, ser mãe/pai não os torna únicos e sobre-humanos. 

E como tal, compensam o desapontamento de serem "apenas" adultos capazes de se reproduzirem e porem no mundo um entezinho querido, bochechudo e saudável  falando como se pertencessem a alguma seita secreta, com uma linguagem em código só acessível aos eleitos- e por eleitos entenda-se "pais super extremosos e fanáticos de todas as novidades e exageros". Afinal, os pais normais e escorreitos das ideias são assim uma espécie de hereges que não recebem convites para os baby showers a imitar as Kardashian nem para as festinhas com tupperware cheias de biscoitos de linhaça recomendados pela baby blogger mais pequeno-burguesa do momento. 




Para alguns, esta é uma forma de má criação passiva, de pôr de parte quem ainda não tem filhos (ou quem até tem uma data de bebés mas não alinha nessa cassete de maternidade ao estilo doutrinação comunista). Assim como quem diz "oh! esta não sabe? Pois, não tem filhos, coitada! ..." ou "olha....esta tem uma data de filhos e não sabe de cor a tabuada das idades por meses? Que péssima mãe!"  

Porém, nem todos os pais que têm este hábito o farão por serem pretensiosos: muitos haverá que dizem assim por ver os outros dizer, e outros ainda porque estão tão assoberbados com os cuidados que uma criança exige que se esquecem de que não estão a falar com o pediatra ou outro profissional de saúde infantil- únicas pessoas a quem interessa, de facto, saber com precisão matemática a idade da criança depois do primeiro ano!

Aliás, segundo a revista "Pais e Filhos", a partir dos dois anos (24 meses, ora tomem!) o petiz já não é um bebé e sim uma criança, logo não é desejável continuar a tratá-lo como um anjinho de colo. Nem a contar-lhe a idade por meses. De qualquer modo, eu que não tenho a mínima pachorra e gosto sempre de fazer troça de tutti quanti, perante tal palavreado custa-me horrores não perguntar, de rajada, com o ar mais inocente deste mundo: 37 meses? Que amoroso! E isso em linguagem de gente crescida, quanto é?


6- Trazê-los no carrinho até chegarem à escola primária



OK, eu percebo que nem todas as crianças se desenvolvam ao mesmo ritmo, tenham a mesma resistência ou caminhem à mesma velocidade. Também compreendo que algumas precisem de dormir a sesta e que usar o buggy seja uma "bengala" fácil quando se precisa de fazer compras à pressa, por exemplo. No entanto, se a cria tem mais de quatro anos e/ou PARECE ter mais de quatro anos, se é capaz de andar/saltitar/correr perfeitamente e enfim, se já tem idade para não gostar que a confundam com um bebé...se calhar é melhor pensar duas vezes. Sempre que vejo um par de pernas compridas a espreitar para fora de um carrinho de bebé, encolho-me entre a vergonha alheia e o receio de que a pobre criança tenha um problema de saúde qualquer. 

 Aliás, esta mania desperta aversão a tanta gente que há tempos até foi criado um blog a satirizar o tema. De mais a mais, neste artigo em que várias mães "empurradeiras" foram entrevistadas sobre o assunto, a maioria das justificações era de morrer a rir: desde "ele chora e diz que quer ir a pé, mas como é muito irrequieto e não me deixa fazer as unhas em paz, afivelo-o no carrinho quando vou ao salão para ele não incomodar ninguém" (prioridades, minhas senhoras, há que ter prioridades -nails before babes!) a "ainda não estou preparada para que ele deixe de ser bebé" (esse rapazinho vai precisar de tanta terapia!) passando por "eu tentei que ele começasse a ir pelo seu pé, mas ele fazia sempre cenas...antes o carrinho que uma birra!!" (como alguém comentou: se ele chegar aos 10 anos e quiser beber tinto ao almoço, vai dar-lhe a garrafa porque mais vale o miúdo enfrascar-se do que fazer birra?).




 E acrescente-se que as entrevistadas eram assim para o rechonchudo: carregar os filhos ao colo por um bocado ou correr atrás deles não lhes faria senão bem. 

Adiante: segundo os especialistas na matéria, este hábito "preguiçoso" não é só  mau no sentido de infantilizar a criança ou de a expor a comentários menos abonatórios numa idade em que começa a ter noção do rídículo ( péssimo para complicações de auto estima). Pode mesmo retardar o desenvolvimento, além de contribuir para a obesidade infantil

Em última análise, revela muito do apego exagerado de certas mães (e se calhar, pais) e é a receita perfeita para criar filhos filhos mimalhos e xoninhas, candidatos a serem o bombo da festa, o bobo da corte, a bola anti stress, enfim, o saco de pancada da turma inteira
E depois vão queixar-se ao psicólogo que a criança é assim meio apoucada, e que na escola o enchem de bolachada e que o mundo é cruel. Nem tudo se pode evitar, o mundo não é mesmo justo e quem quer ser bully arranja sempre pretextos para desancar os outros meninos, mas eu diria que este hábito é mesmo desafiar o destino.
 Fizessem-me isto quando eu era catraia que haviam de ver o que era birra, espanejar no chão, berrar como uma possessa até ficar roxa, enfim, havia de ser o bom e o bonito que nem com um exorcista me acalmavam até pararem de me envergonhar com o malfadado carrinho. Deus dê a estas crianças grandes ataques de insurreição, ou estão desgraçadas nesta vida!

Em suma: como diria o poeta, mas as crianças, Senhor? Porque padecem assim?



3 comments:

Susana said...

Rir a bom rir! Foi isto q aconteceu ao ler. Tão verdade, como em tudo caímos no exagero. Eu cá pergunto mesmo a idade da criança em linguagem de gente crescida. Não tenho paciência. E sim, como não sou mãe estou sempre a ouvir como justificação para qualquer capricho da pequenada "quando tiveres filhos tu vais ver (se dás ou não um Iphone 4,5 ou 6 ao teu filho de 7 anos - entre outros exemplos: birras, hiper atividade, baixo rendimento escolar )". Not... Beijinhos

Célia said...

Há muito que acompanho o seu blog, mas, hoje, uma frase sua deixou-me um pouco perplexa, diria mesmo desencantada :" se Deus me der descendência...".
Sei que a cultura não é inimiga da fé, mas deixa-me sem jeito que leve à letra a frase que escreveu e se não a leva à letra mais me espanta que use um cliché, uma muleta semântica vazia, porque escreve demasiado bem...
Peço que não leve a mal este meu reparo, porque continuo a segui-la com muito interesse.
Venturoso 2018.

Imperatriz Sissi said...

@Susana, isso de "quando tiveres filhos percebes" é desculpa para todas as relaxarias debaixo do sol. De engordar à doida e culpar a criança a educar pessimamente a criança...haja paciência!

@Célia, então porquê? Nunca escondi que embora o Catolicismo não seja um tema central no blog sou uma mulher de fé e como tal, acredito que só Deus sabe, demais a mais num assunto destes! De qualquer modo estes dizeres sempre foram comuns na linguagem corrente, eg "a quem Deus não dá filhos, dá o diabo sobrinhos" etc. Acho-os expressivos e com muito pitoresco. Obrigada por acompanhar! Beijinho :*

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