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Sunday, January 21, 2018

Sobre o tema do momento: o noivado do Príncipe Harry, of course.



Há umas semanas fui a Windsor e - surprise, surprise- já há merchandising alusivo ao noivado do Príncipe Harry para turista comprar.

 As lojas de souvenirs não perdem tempo, embora me pareça que o entusiasmo com a nova "Princesa" (tecnicamente o título não será esse, mas já se sabe que o povo vai falar assim e pronto) é maior por parte dos americanos. Os britânicos de gema com quem calhou falar sobre o assunto parecem encarar o caso com a tranquila fleuma inglesa, misto de indiferença e de ironia que se traduz num breve encolher de ombros - uns porque não são monárquicos, outros porque são e acham que a longo prazo, estas modernices serão o fim da Família Real como ela é suposto ser: sinais dos tempos. Para estes, Harry sempre foi o rebelde da família e esta é a sua irreverência suprema, a maior declaração anti-sistema que poderia fazer.




Ora, alguns caros amigos e seguidores do Imperatrix andavam há algum tempo a pedir-me que comentasse o assunto, mas confesso que andei um pouco renitente (e preguiçosa) em fazê-lo. Estive para dizer alguma coisa em Setembro, aquando da entrevista da actriz Meghan Markle à Vanity Fair (que há muito passou de uma revista com classe a uma revista do mexerico; basta ver a sua adoração pelos Kardashians) quando a menina apareceu, risonha e a impar de orgulho, falando no "namorado"  - um termo algo vulgar quando o assunto é a Família Real Inglesa ou, de resto, qualquer família de condição semelhante. 




Na altura, a colunista Sarah Vine do Daily Mail apontou, aliás, algo válido a propósito, receando que os príncipes estejam a deixar de parte o mistério que faz parte do allure dos Windsor para se tornarem celebridades. Assino por baixo (já lá vamos) embora seja preciso concordar que a Duquesa de Cambridge tem feito, nem mais nem ontem, o que se esperava dela. O Príncipe William teve sorte com  a sua escolha: por muito que se pudesse apontar aos pais de Catherine Middleton um certo e eficaz alpinismo social, a verdade é que souberam mandar a filha para as escolas certas e ( mais importante) que a jovem que viria a ser Duquesa de Cambridge se conduziu com dignidade desde o início do namoro, mesmo em situações de deixar qualquer uma em parafuso; revelou, em tudo, ser uma jovem de grande bom senso. Já estou como o outro: classe média ou não classe média, aquela é uma senhora como deve ser!

Voltemos a Meghan Markle e à minha preguiça de comentar: em casa sempre me martelaram "quem não tem nada de simpático para dizer, é melhor morder a língua". Ou neste caso, manter os dedos quietos. 




Para não ser desagradável, comecemos então pelo que tenho a dizer de positivo sobre o casal:

-Primeiro (e já vos tinha dito isto via Facebook ainda a procissão ia na ponte) aprove-se ou não a escolha de Sua Alteza (que não temos nada que aprovar ou desaprovar e é para o lado que os envolvidos dormem melhor, bem entendido) há que tirar o chapéu ao senhor por ter sido valente e defender a sua dama. Enquanto o irmão mais velho arrastou Catherine anos a fio sem deixar claro se haveria casório ou não (o que valeu à pobrezita o cognome desagradável de "waitie Katie") e deixava que os amigos mais snobs troçassem abertamente dela, Harry não esteve pelos ajustes e mal muitas vozes se levantaram, pimba: fez sair um comunicado oficial avisando que deixassem a senhora em paz. É de homem! E isto ninguém lhe tira, por mais que o acusem de ser no mínimo ingénuo ou (pelo contrário) de saber perfeitamente o que faz, casando com uma actriz divorciada no firme propósito de arreliar os mais conservadores.

- Segundo, pondo de parte as motivações/sentimentos da noiva, já que das do noivo não podem restar dúvidas: Ms. Markle é uma rapariga que se sabe valorizar. Apesar das diferenças sociais, de ser mais velha do que ele, divorciada e com um background questionável, ela não se intimidou com nada disso nem  se vendeu por menos: relação séria e antes que o moço tivesse tempo de dizer um "Credo" zumba, zás-trás, noivado. 




É claro que (não sejamos tão naive) a esse "brio" pode andar somada uma certa dose de descaramento (ou chutzpah, como se diz por cá de quem tem muita lata): desse a relação em noivado ou desse para o torto, Ms. Markle estaria sempre numa situação win- win. Ao contrário de Harry, ela nunca teve nada a perder.  Se corresse bem, óptimo: vida resolvida e conto de fadas realizado.  Mas se corresse mal, não se desperdiçava tudo: sempre passaria de actriz coadjuvante relativamente obscura a uma das mulheres mais famosas do planeta, com tudo o que o mediatismo representa, em termos de carreira, na era das redes sociais. Além disso, elevaria, hors-concours, o seu prestígio no mercado dos maridos. Not bad. 



Mas deixando isso de lado (pois não podemos afirmar o que vai realmente no coração da noiva) ver uma rapariga com um bocado de dignidade e auto estima na época das amizades coloridas e relações casuais é sempre refrescante. 
Bom trabalho, you go girl, more power to you, etc. Em última análise, Miss Markle é do Sul dos Estados Unidos e as Southern Belles (venham das mais  patrícias famílias ou descendam de escravos, como é o caso) são famosas pela lendária habilidade de se deixarem cortejar à moda antiga e pela sua arte de flirtar. Também são conhecidas por recorrerem às poções mágicas do Hoodoo e do Voodoo, mas embora isso desse uma graça enorme à história, não vamos agora pelas crendices.

Acima de tudo, os casamentos dos dois filhos do Príncipe Carlos provam que ambos são muitíssimo filhos da sua mãe, Diana de Gales. Herdaram dela o carácter romântico e voluntarioso, para o bem e para o mal, e a sua aptidão para lidar com a fama. Essas características parecem falar mais alto neles do que o sentido do dever e  o amor à discrição da família paterna. Depois, estava fadado que haviam de casar com quem bem lhes desse na *literalmente* real gana, por muito "inovadora" que fosse a eleita, e ai de quem os contrariasse.




 Afinal, o público sempre apoiou Lady Di contra o ex marido e contra o suposto tratamento frio que a família Real lhe dedicava. Ao menor sinal de desaprovação, 
aqui-d´El Rei (literalmente) que os pobres príncipes estariam a ser vítimas do sistema. E lá viria o velho argumento que muita gente, sem compreender as subtilezas da tradição e regendo-se só pelo lado novelesco da coisa, atira logo: nem vale a pena escolherem alguém com o pedigree certo para casar - de que é que isso serviu aos pais deles?

Pessoalmente, tenho as minhas desconfianças em relação à noiva do Príncipe Harry e (não que a minha opinião conte para coisíssima nenhuma, mas já que me perguntaram...) estou a dar à história o devido benefício da dúvida. 

O meu pé atrás com Meghan Markle não se prende com o conto da menina mestiça de bairro carenciado que subiu a pulso para se tornar uma actriz televisiva a dar os primeiros passos da celebridade e foi escalando socialmente até fisgar um Príncipe bonito e rico.




Já que falámos no assunto, tão pouco é por Miss Markle ser metade africana (e for all that matters, mais um quarto irlandesa e outro tanto inglesa de origem), uma "novidade" que espantou muita gente, arreliou outra tanta e deixou muito mulherio  afro-americano numa lamechice que só visto.

 Lá ela ser mestiça é  invulgar, mas não caso único; conheço mais do que uma Senhora mulata casada com cavalheiros aristocráticos que é de uma elegância de matar de inveja...o que importa é a beleza, o saber estar e vir de uma família apresentável, que de resto é coisa que não falta em África...
De mais a mais, veja-se Ângela de Liechtenstein, a stylist que casou com o Príncipe Maximiliano, tornando-se a primeira pessoa de origem africana a ser aceite numa família europeia reinante. Then again esta última, embora dotada de um aspecto físico menos espampanante do que Miss Markle, teve uma educação privilegiada, uma experiência de vida diferente e acima de tudo, uma atitude de grande discrição.


Ângela de Liechtenstein 

Tão pouco a minha reserva é por a noiva ser plebeia, sem uma gota de sangue nobre oficialmente a correr-lhe nas veias (que algumas senhoras, como a Rainha Sílvia da Suécia, ainda conseguiram remotamente ir buscar aos tataravós, justificando uma certa ideia de destino traçado). De facto, Meghan Markle até descende de escravos e de gente bastante simples, embora os genealogistas de serviço já tenham ido desencantar um parente aristocrático por via indirecta muito recuada, para o caso não ficar muito mal no retrato. No entanto, volto a dizer que é uma rapariga sulista e regra geral, uma Southern Belle é sempre bem educada. Mary da Dinamarca nasceu plebeia e tem um estilo impecável. Não sendo a receita como manda o figurino, também não é por aí que o gato vai às filhoses.


 Nem é pelo porte: independentemente de a considerarem ou não uma beleza por aí além, ela não terá um ar muito racé, não acho que tenha e de novo, não é pela sua origem étnica (quantas modelos africanas conhecemos com um porte de verdadeiras princesas?) mas tem boa apresentação e é simpática - ou não fosse ela actriz e sempre disposta a acenar para as câmaras. Mais importante, já enquanto actriz ela se dedicava a obras de caridade. Muito bem.  Dito.




Também não é por ser divorciada (o facto poderá sugerir coisas menos boas do seu perfil enquanto esposa, mas depois de Wallis Simpson isso é quase um não- assunto;  e de resto há Letizia de Espanha) ou ligeiramente mais velha do que Harry (voltemos a Ângela de Liechtenstein, 9 anos mais velha do que o marido e é porque tenho preguiça de ir agora buscar mais exemplos). Tão pouco por ser actriz ou por ter aparecido em cenas atrevidas na série em que entrava (por amor de Deus, depois de Mette-Marit na Noruega, que era mãe solteira, e de Sofia na Suécia, ex modelo de calendário e concorrente de reality shows, até é esquisito alguém escandalizar-se...).


A minha desconfiança em relação à actriz prende-se essencialmente com dois aspectos: primeiro, com o facto de (por mais que haja compatibilidade de feitios) o seu background não ter rigorosamente nada a ver com o do futuro marido. 

A História dos sec. XX  e XXI tem bastantes casos de casamentos bem sucedidos entre plebeias e senhores da mais elevada nobreza; mas embora uma relação entre pessoas de estatuto social diferente não esteja necessariamente condenada à partida, convém que haja alguma semelhança de hábitos, convívios, valores, crenças e educação. 




Casos como os de Mette-Marit e Sofia são felizes excepções; porém, se olharmos para a Rainha Sílvia, para Máxima da Holanda, Maria Teresa de Luxemburgo ou mesmo para exemplos mais antigos como Lilian, Princesa de Réthy ou Grace Kelly, todas vinham de famílias tradicionais, umas mais privilegiadas do que outras, algumas mesmo com algum brilho aristocrático aqui e ali. Letizia de Espanha, embora republicana e tão classe média como se pode ser (e bem lhe custou habituar-se) levara anos, por motivos profissionais, a lidar publicamente com assuntos sérios. Quanto a Sofia, não só a relação com o príncipe foi demorada, dando-lhe tempo para se ajustar, aprender e revelar a sua pessoa, como parece ser uma moça tímida, sem grandes ideias feitas, de feitio adaptável, que gosta de agradar e avessa a causar mais fricções.  Afinal, nenhuma relação vive só da paixão inicial. É preciso haver assunto de conversa e similaridade na forma de pensar, agir e ver o mundo; em última análise, é necessário conviver com a família do marido. Por muito que o Príncipe Harry já tivesse insinuado que adoraria ser plebeu, não pode transformar-se no que não é... e as raízes falam mais alto, cedo ou tarde.


O meio irmão da actriz (preso este ano por ameaçar alvejar a namorada)

Já Meghan Markle, o seu noivado foi repentino (o que foi bom para conseguir o anel a curto prazo, mas também pode indicar que a proposta foi feita "de cabeça quente"). Depois, os seus convívios de eleição eram com gente de Hollywood (os seus amigos de infância acusam-na mesmo de calculismo e alpinismo na escolha das amizades) e a sua família é, no mínimo, um bocadinho complicada- tanto que o noivo ainda nem conhece o pai da menina e já sugeriu, como quem não quer a coisa, que a sua futura mulher "nunca teve uma família como se deve" (o que levantou logo reacções dos parentes dela nas redes sociais). De resto, desde os primeiros tempos que a parentela de Ms. Markle não se acanha de fazer revelações desagradáveis a seu respeito, o que não é lá muito edificante.

O segundo aspecto que me faz erguer as sobrancelhas  - além do seu perfil declaradamente feminista  de esquerda e "floco de neve" de Hollywood, com ideias políticas vincadas que não caem bem numa família que deve ser neutra nesses assuntos - é a sua atitude demasiado...pimpona.




 É bom ser confiante, mas a perspectiva de fazer parte da Família Real Inglesa deveria deixar qualquer recém chegada com um mínimo de conhecimento e respeito pela Monarquia e pelo que ela representa convenientemente apavorada - ou, pelo menos, reticente. Isso seria um sinal de maturidade, de modéstia e de consciência daquilo que o seu futuro marido representa. O papel não é só tiaras e holofotes, e vem com uma factura bem alta.



 Viu-se como Letizia de Espanha, para o bem e para o mal, se mostrava apreensiva durante os primeiros anos, o que (se não lhe conquistou imediatamente as simpatias do público) não deixou de revelar sensatez e uma certa noção das circunstâncias. Também Catherine Middleton, embora com um carácter mais afável e extrovertido, aparentou desde o princípio ser uma jovem ajuizada, capaz de obedecer a quem sabe em vez de entrar por ali achando que sabe tudo e com a cabecinha cheia de ideias da moda. 




Porém, esse não parece ser o caso de Meghan Markle que já falou contra Trump e contra o Brexit, que terá manifestado a sua vontade de ter o casal Obama no casório, que, mal se rosnava que estaria com o Príncipe, escreveu um texto com toda a "cassete" feminista no seu blog (entretanto extinto) em que falava de "tectos de vidro" e que desde o início mostrou uma linguagem corporal pouco adequada ao protocolo: ora agarrando-se à cara metade de forma algo possessiva, sendo que manifestações de afecto muito visíveis não são exactamente encorajadas, ora- mais recentemente - deitando a língua de fora em público. Actos espontâneos que não teriam mal noutras circunstâncias mas que não geram consenso num quadro destes. 



Aquando da sua chegada à recepção de Natal de Sua Majestade (acima) não faltou quem comentasse "vê-se mesmo que está mortinha por acenar à multidão!" por a sua postura ser tão diferente da serenidade mostrada pelas convidadas nascidas e criadas naquele meio, como a linda lady Amelia Windsor (abaixo). Houve mesmo quem lamentasse que a bela Princesa Margarida (conhecida pelos seus ditos snobes e cortantes) já não esteja entre nós para dizer das boas, fazendo além disso figas para que o Duque de Edimburgo, avô do Príncipe, famoso pelos seus chistes, e a sua Tia (Ana, a Princesa Real)  Senhora muito ciosa da sua categoria, pusessem a actriz categoricamente no seu lugar. Realmente, havia de ser uma cena curiosa!




 Aliás, a escolha do vestido para os retratos oficiais do noivado (um modelo Ralph & Russo de gala,  de top transparente, que vale mais de 50 mil libras, enquanto o noivo usava um fato azul mais apropriado para um convívio pouco formal ou reunião de negócios) revela bem que Ms. Markle ainda está bastante confusa quanto ao papel que lhe caberá. O protagonismo que vem com casar na Família Real Britânica não é, de todo, igual ao da fama hollywoodesca.



 Qualquer família Real (qualquer família tradicional, de resto) faz por se afastar de manifestações de vaidade, extravagância, vulgaridade, novo riquismo e ostentação, especialmente quando está no olhar público e se esse público é muito cioso quanto ao dinheiro dos contribuintes. Obviamente sabemos que o vestido terá sido cedido (ou comprado por ela própria com o seu dinheiro) mas da Família Real Britânica espera-se uma mistura de elegância e simplicidade - razão pela qual a sua futura cunhada, a Duquesa de Cambridge, opta tantas vezes por marcas acessíveis ou repete toilettes. Fazer a sua estreia num vestido de Cinderela, todo revelador ainda por cima, não é a melhor forma de mostrar seriedade e responsabilidade, nem de calar quem a aponta como "uma americana deslumbrada".

De todo o modo, esta estória faria justiça à ideia "feminista até encontrar o seu príncipe encantado" (o que vá, não é necessariamente mau) se a actriz não tivesse revelado há dias, perante uma multidão, que o seu noivo também é feminista- termo que é no mínimo fracturante nos dias que correm. Estarrecedor para quem, por esta altura, já terá sido avisada que é suposto não mostrar opiniões políticas em público...


Cressida Bonas

 Pessoalmente creio que um Príncipe de uma Casa reinante (ou mesmo qualquer fidalgo com muitas responsabilidades) embora não tenha necessariamente de casar "de igual para igual" deve ser muito criterioso na escolha. Afinal, um homem assim não se trata de qualquer pessoa; não enfrenta muitas das dificuldades de qualquer mortal; mas como tudo vem com um preço, não goza também das liberdades de qualquer anónimo...

 A ex do Príncipe, a também actriz Cressida Bonas, era aparentemente perfeita: neta do Conde de Howe, elegante, talentosa, uma verdadeira rosa inglesa. Mas se a ideia é alguém mais "terra a terra", mais "normal", não faltariam jovens de bom nome, oriundas de famílias antigas mas com brasões estafados pelo tempo que embora tenham sido criadas de forma mais "comum" e despretensiosa, partilhariam os mesmos princípios e educação, adaptando-se facilmente ao quotiano que agora espera Meghan Markle. 

Porém, "o coração quer o que o coração quer"; quanto a factos não há argumentos. Harry parece ter ido mais pelo coração que pela razão e seguido uma via menos discreta, menos tradicionalmente adequada: certo é que o glamour, a rebeldia e os holofotes lhe agradam. O tempo dirá se é amor verdadeiro ou uma paixão repentina que não resistirá (por parte dele) às diferenças e (por parte dela) às restrições que a posição exige. 

Como não há felicidade maior do que casar com a pessoa que se ama (e toda a gente gosta de histórias românticas que acabam bem) pela minha parte desejo-lhes a maior sorte do mundo. Ao noivo, faço votos de que tenha muita, muita paciência, principalmente quando a primeira fase da paixão acalmar. À noiva, que Deus lhe conceda muita sabedoria para se deixar ensinar e tirar partido das sua aptidão para a caridade. E a Sua Majestade, que viva muitos e bons anos para manter toda a família a agir como deve...











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