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Monday, March 19, 2018

A nobre arte de... pedir referências antes de se apaixonar, como Cristina da Dinamarca

 Christie Brinkley e Peter Cook

Ontem deparei-me com uma estória rocambolesca de celebridades que me tinha passado ao lado. 

Parece que em 2008, a eterna supermodelo Christie Brinkley (considerada a rapariga ideal no início dos anos 1980 e que não se faz velha nem por nada apesar de já ir nos seus 60 e picos) teve um monumental desgosto com o seu último marido, o arquitecto e alpinista social Peter Cook, que acabou com um longo e escandaloso divórcio em praça pública. Aparentemente eram um casal lindo de morrer, apaixonado e com dois filhos amorosíssimos; mas às escondidas, Peter era um homem sórdido, vicioso sem remédio, com uma fixação por pornografia e por raparigas muito jovens

Peter Cook e a esposa que se seguiu, Suzanne

Quando Christie descobriu que o marido se tinha envolvido com a sua assistente de dezoito anos, tomou a atitude que cabe a qualquer mulher com dois dedos de dignidade e pôs-lhe as malinhas à porta. E o escroque, que não tinha mesmo escrúpulos, agiu como qualquer escroque que se preze: denegriu-a para quem quis ouvir, tentou ficar com a custódia dos filhos mesmo sabendo os lindos comportamentos em que andava metido e não contente com isso - apesar de os advogados que a ex lhe atirou às canelas conseguirem evitar o pior - ainda conseguiu arrancar um par de milhões da fortuna da modelo.




 Ela lá se deu por satisfeita ao livrar-se de tal encosto, em modo "pago para desinfestar a praga" e ele, ainda o divórcio não tinha saído, já estava nos braços da primeira ingénua que conseguiu enganar. Suzanne, uma morena relativamente nova nestas andanças de famosos, ficou tão deslumbrada com a boa figura e carisma de Peter que, sem ao menos olhar às acusações de que o namorado era alvo, sem considerar que se ele fosse assim tão bom não estaria naqueles assados, achou que lhe tinha saído ali a sorte grande. 

E vai de agarrar aquela bela peça com unhas e dentes, de entrar em modo mulher da luta, de se sentar ao lado dele no tribunal, de o apoiar cegamente, muito amiga, muito solícita como todas as desesperadas, a ver se ele a pedia em casamento.




Na sala de audiências, Christie avisou-a mesmo "quando ele a trair a si, eu estarei aqui para a apoiar" mas Suzanne, toda serigaita, ainda foi malcriada e
 gritou-lhe que arranjasse outra cantiga, que o argumento da traição já era velho. Tomou a advertência por coisas de ex ressabiada, mesmo perante provas graves.

O bendito divórcio lá ficou concluido, Christie foi contente e airosa à sua vida e Peter enfim, casou com Suzanne...não tardando a fazer a mesmíssima asneira ou ainda pior (afinal, a nova esposa nem tinha fortuna que ele receasse perder) chegando a envolver-se com mulheres de má vida dentro da própria casa e a filmar a proeza.


Suzanne, claro, ficou de rastos por sua vez, ganhou verguenza na cara e teve o brio de se divorciar, não sem antes pedir repetidas desculpas em público à ex que a tentara avisar- desculpas que Christie graciosamente aceitou... ou por ser mesmo boa pessoa, ou de satisfeita por ver provado que não exagerara uma vírgula.





Isto lembrou-me de outra história curiosa, esta da História inglesa: quando o Rei Henrique VIII perdeu a sua terceira esposa, Jane Seymour, que morreu de parto, ficou devastado. Das suas seis mulheres, ela foi a única a dar-lhe o filho varão que ele tanto desejava e que tinha diplomacia suficiente para lidar com ele. Achando que procurando sozinho não acertava uma, o Rei conformou-se com a ideia de um casamento arranjado e mandou o seu principal ministro, Thomas Cromwell, fazer de Cupido: ordenou-lhe que seleccionasse várias jovens elegíveis da nobreza europeia e enviasse uma embaixada com o pintor da corte, Holbein, para achar a candidata perfeita. 


Cromwell sugeriu a encantadora Cristina da Dinamarca, jovem viúva do Duque de Milão.

 Ora Cristina, que com apenas dezasseis anos tinha tanto de bonita como de esperta, não se deixou deslumbrar pela hipótese de se sentar no Trono inglês: toda a gente sabia que Henrique se tinha divorciado da primeira esposa, mandado decapitar a segunda e sabe Deus qual seria o destino da terceira se não tem morrido antes de o Rei se cansar dela. Não querendo fazer uma desfeita directa ao enviado real, Cristina pensou num subterfúgio: desculpou-se com o facto de estar de luto e posou para o retrato vestida com o balandrau menos atraente e mais largueirão que conseguiu arranjar. 



Não satisfeita em esconder as suas formas, completou a toilette enfiando um toucado nada favorecedor pela cabeça abaixo, sem deixar uma só madeixa de cabelo à vista. Mesmo assim, o truque falhou: o Rei adorou os primeiros esboços do retrato e Cristina teve mesmo de recusar a proposta, alegadamente brincando "eu casaria com o Rei de Inglaterra de bom grado...se tivesse duas cabeças!". E de facto não se enganou: o génio violento do seu pretendente não demoraria a fazer das suas: insatisfeito com a noiva que Cromwell lhe desencantara entretanto, Anna de Cleves, divorciou-se dela e mandou o infeliz ministro-alcoviteiro para o cadafalso.

Se Cristina tem cedido à vaidade e à lisonja e ignorado a má reputação de Henrique, pensando "comigo não vai ser assim"...sabe-se lá o que teria sido dela.



Estas duas historietas, uma recente e outra antiga, provam dois factos úteis: primeiro, é certo que o passado de um cavalheiro, embora deva ser tomado em consideração, nem sempre é determinante per se para avaliar se ele dará um bom marido; os homens tendem a comportar-se de modos muito distintos com mulheres diferentes, a distinguir diversão de amor e a atravessar fases estouvadas da vida que arquivam sem olhar para trás (o comportamento feminino, dizem, tem mais tendência a andar em círculos, enquanto o do homem vai a direito e separa mais as águas).

Há mesmo alguns que são capazes de descartarem uma correnteza de mulheres como se fossem lenços de papel, indiferentes aos sentimentos de todas, insensíveis a lágrimas e a fúrias de fêmea rejeitada, nunca se comprometendo verdadeiramente... apenas para logo a seguir se fixarem numa só com paixão avassaladora e casarem, reformando-se por completo, sendo capazes de morrer ou matar por aquela mulher como se não houvesse mais mulheres ao cimo da Terra. 

Em última análise, os ex são como os tarecos na Feira da ladra: o lixo de umas pode ser o tesouro das outras. Certas pessoas são simplesmente incompatíveis entre si, logo o que está para trás pode não ter peso no futuro.




No entanto, face a rumores alarmantes e a alegações de comportamentos mais... fora do vulgar, é preciso averiguar e, caso seja verdade, ver se esse passado é muito recente mas principalmente, se envolve um historial de traição, vigarice ou violência.

Isto porque se as rapaziadas de solteiro, por muito que sejam terríveis, podem ter remédio, a infidelidade  assenta num princípio de total desrespeito: pela outra parte que alegadamente se ama, pelos seus votos, pela palavra dada. Um D. Juan, solteirão convicto, até pode redimir-se quando encontra o que sempre lhe faltou; mas um traidor é  sempre um traidor, especialmente se tem fama de ser um infiel compulsivo. Pode ter a seu lado a mulher mais perfeita, mais linda, mais atenciosa em todos os aspectos e não lhe faltar nada, que mesmo assim saltará à primeira oportunidade de juntar mais um cromo à sua colecção. O mesmo vale para tendências violentas ou sociopatas.





Segundo, apesar de palavras de ex namorada ou ex mulher (e quem diz palavras, diz aquilo que se sabe de fonte limpa da relação anterior) deverem sempre ser tomadas com desconfiança porque em geral a verdade vem tingida pelo ressentimento ou pelos ciúmes, não é de desprezar o provérbio urbano: "quando um homem diz que a ex é doida, sem assumir qualquer parte de culpa, quase sempre foi ele que deu com ela em doida".

Perante esse género de "avisos" há que considerar duas coisas: a índole da ex e a natureza das acusações dela. 



Se a ex em causa é uma mulher de conduta, meio e ar duvidosos; se a relação entre os dois foi tratada com pouca seriedade desde o início e se ela acusa o ex de bruto e de estúpido, ou de outras coisas triviais, não vale a pena fazer caso. Especialmente se foi ela a rejeitada ou se ficou com alguma pedra no sapato...  Pode realmente dar-se o caso de o rapaz não ser o mais meigo e atencioso dos homens, mas o mais certo é simplesmente ele não ter sido, por motivos óbvios, carinhoso com ela.




Porém, se uma ex que corresponda ao perfil acima descrito acusa o antigo companheiro de infidelidade ou de violência, convém verificar pelo sim, pelo não, fazendo um background check junto de amigos comuns que sejam imparciais, avaliando a pegada digital do moço, etc. Quase sempre essas estórias se sabem- a má reputação corre rápido. O mais certo é ser o ressabiamento feminino a falar e não haver causa para preocupação, especialmente se a criatura tem fama de ser  descontrolada dos nervos, paranóica, mentirosa ou dada ao melodrama; mulheres mal comportadas adoram fazer-se de vítimas. Mas nunca é de ficar descansada, pensando "eu sou tão superior a ela que comigo ele nunca agiria assim". Mais vale prevenir do que ver-se obrigada a ter de dar razão a uma maluca.




Agora, se uma ex respeitável, bem ajustada, sem nada que se lhe aponte e que até tem uma data de pretendentes (ou que já refez a sua vida e anda toda contente) vem avisar de coisas preocupantes, ou fez saber factos graves na altura em que  a separação aconteceu e isso entretanto lhe chegou aos da nova candidata, convém não descartar a hipótese de ela ter razão; uma parte dela até pode tirar certa satisfação em castigar o ex-que-veio-do-inferno (quem nunca?) e a solidariedade feminina ser só parcial, mas frequentemente, onde há fumo há fogo. 

Convém não esquecer que há maus rapazes que têm redenção, mas apenas quando agem por imaturidade ou ainda não encontraram a mulher certa. Esses são felizes excepções. 

Quando a ruindade é de raiz, e é-o amiúde, o único remédio é ler os sinais - venham de onde vierem - e se batem certo, fugir a tempo.

 Afinal, nem é tão estranho como isso dar algum crédito às "referências" do cavalheiro: a maioria das mulheres já teve um ex a quem gostaria de ter carimbado na testa um aviso "senhoras, cuidado que este é artista" para governo das ingénuas que se sigam... 

4 comments:

João P. said...

Não obstante, há senhoras que gostam de trastes, e se colocam a jeito!

Ignoram avisos, e tudo o que é sinal, só porque o "gajo" é um bad boy garanhão

Dixit

Susana said...

E é que estas situações são tão verdade e tão mais frequentes do que nas revistas cor-de-rosa! Às vezes parece que a Sissi está a descrever a minha vida! É cada post certeiro... Beijinhos

Susana said...

Também é verdade! Pode o podre estar escancarado para o mundo, público e do conhecimento em geral e mesmo assim preferem ignorar o elefante branco.

Susana said...

Também é verdade! Pode o podre estar escancarado para o mundo, público e do conhecimento em geral e mesmo assim preferem ignorar o elefante branco.

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