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Wednesday, May 16, 2018

Tirar a roupa está démodé: para dar nas vistas, a moda é ir descalça.


Kristen Stewart, a eterna namorada-enjoada do vampiro, repetiu a proeza de há três anos atrás e descalçou-se, toda trapalhona e com a graciosidade de uma pata choca com os copos, em plena passadeira encarnada de Cannes.

Ao que pude apurar até aqui (tenho pouquíssimo tempo para estas coisas, desculpem...) não se sabe ainda o que motivou tão comovente acto de rebeldia gratuita: se foi mais um dos seus acessos de   "feminazi desocupada armada em Maria Capaz, protestando contra coisas que não prejudicam ninguém", se foi simplesmente um acto de relaxaria/preguiça pura e dura (fazer um pequeno percurso nuns Louboutins é um calvário, minha gente!) ou ainda se, não contente com ser jurada no festival (um dos poucos eventos do género  em que ainda se vão vendo toilettes dignas de admiração, repito) achou que isso dava pouca publicidade e sentiu que tinha de fazer mais alguma coisa para dar nas vistas.



 Ok, admito que, apagadita como costuma andar, não lhe seja fácil chamar a atenção no meio das Fan Bingbings e Monicas Belluccis deste mundo, mas haja paciência. A verdade é que quando Kristen faz um esforço por agradar fica bem bonitinha. Só parece esquitóide e "alternativa" porque quer, vide:



Mas enfim, disse ela "se não obrigam os homens a usar vestido e sapatos, não nos deviam obrigar a nós"...que argumento mais parvo, ó menina. Por acaso a si alguém a obriga a seguir o dress code deles- a fazer a barba e usar gravata ou laçarote? Mas esta gente vê o mundo com óculos que fazem rir, ou quê? Se está entediada a rapariguinha pode, sei lá eu, mudar de ares em vez de aborrecer as almas: por exemplo, pode convidar a Emma Watson e a Jennifer Lawrence, outras flausinas adeptas de dizer tonterias do género, para rumarem ao deserto numa road trip empoderadora tipo Thelma e Louise, que ficamos todos mais sossegados.



Sobre este disparate, só tenho a frisar o que escrevi sobre o tema, em detalhe, de há três anos a esta parte: as tradições, os dress codes e as regras existem por bons motivos-nomeadamente, para dar às pessoas pistas sobre o que usar e para manter a mística e o encanto das coisas.  Neste caso concreto, se deixa de haver normas de vestuário para os convidados, se se começa a deitar tudo abaixo, daqui a nada o festival de Cannes deixa de ser Cannes para passar a ser outra coisa qualquer.

Se lhe apetece andar  descalça, de ténis, de galochas, deixe de aparecer em Cannes e limite-se a festivais estilo Coachella- sítio onde não passaria pela cabeça de ninguém impor stilettos no dress code. Seria ridículo, certo? Pois é: a cada situação, a sua fatiota e a  sua forma de estar.



É um fartote de rir quando os moderninhos de serviço entram por aí adentro, recém chegados e maçaricos de todo,  a dizer que fulano e sicrana são "uma lufada de ar fresco" porque, com a sua rebeldia e irreverência, a sua preguiça de aderir às normas, a sua incapacidade para seguir simples instruções e a sua mania que sabem tudo, vão revolucionar e "mudar" tradições e instituições antigas- seja, mal comparado, um simples evento como o Festival de Cannes, ou casos bem mais graves como a Família Real Britânica, Espanhola ou outra, ou mesmo a Igreja Católica. Ai que têm de se modernizar, têm de se adaptar aos novos tempos e às modinhas temporárias, etc. É claro em tudo na vida há uma evolução natural, mas querer impor mudanças disparatadas, sem sentido e que descaracterizam completamente a tradição, ocasião ou instituição em causa, isso é simplesmente idiota.


 Querem por força que os representantes de Famílias Reais (cujas idas e vindas seguem apaixonadamente via tablóides) se comportem como tutti quanti, que sejam "do povo". Porém (pondo agora de parte questões mais profundas) se isso acontecesse, deixariam de lhes achar graça, de comprar as Novas Gentes e os souvenirs. Nesse caso, será mais sincero serem (cof, cof) Republicanos! Querem que Cannes se transforme na festinha da esquina, para andarem à vontadinha? Por quem sois, ide à festinha da esquina. Há mais quem queira embonecar-se para um festival de cinema. Querem uma Igreja modernaça, pachorrenta, de acordo com as suas conveniências, sem procissões majestosas, sem cânticos em latim nem regras preto no branco e com guitarras de heavy metal e coreografias ao Domingo? O que não falta para aí são seitas protestantes e religiões alternativas- sirvam-se.

Neste mundinho de Deus, já ninguém é obrigado a ser fiel à Santa Madre Igreja, ou à Coroa, nem tão pouco a frequentar festas com dress codes rigorosos. Há para todos os gostos, mas decidam de que lado querem estar e vão lá ser felizes,  em vez de maçarem as pessoas com lamuria.

É positivo deixar entrar algum "ar fresco" de tempos a tempos...mas não tanto que morra tudo de pneumonia.

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