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Thursday, October 18, 2018

Objectivo de vida: ser uma avozinha gaiteira (e cheia de estilo, como Joan Collins ou Faye Duynaye).




Isto para não ser indelicada e enunciar, preto no branco, um dos meus #lifegoals: um dia, ter a felicidade de ser uma velha gaiteira (e jarreta e careta e embirrenta mas absolutamente adorável ou seja, ficar mais velha mas de resto, não mudar absolutamente nada, cof, cof).

Por isso fico toda contente quando vejo anúncios de moda, como este da marca de calçado (britânica mas que manda fazer muito sapatinho em fábricas portuguesas) Kurt Geiger, com a sempre bela Dame Joan Collins:




Reparem como a eterna Alexis (eu era tão pequena que a única coisa que recordo de Dinastia é mesmo o panache da Alexis) continua linda de morrer, elegantíssima, bem disposta, a fazer luzir uma saia lápis como poucas, com um palmimho de cara e umas pernas que tomariam muitas de vinte!

 E não me tragam cá "oh Sissi mas olhe que isso é tudo plásticas" e "com a vida dela também eu", que isso das intervenções estéticas pequenas ou grandes não resolve tudo, até porque sem bom senso é quase sempre pior a emenda que o soneto. Não faço ideia qual é a rotina de beleza da actriz (que ainda me vai fazer mais feliz nos novos episódios de American Horror Story- how cool is that?). Nem o que mexeu ou deixou de mexer no rosto e no resto;  o que importa é que claramente o seu objectivo nunca foi esconder a idade (o que seria inútil) mas apenas continuar a ser bonita. Qual velhice, qual carapuça. 







Outra campanha que adorei (e que está a ser responsável por esgotar a carteira "Sylvie" em toda a parte, para tristeza dos meus clientes e mal dos meus pecados) é esta da Gucci, em que Faye Dunaway (77) contracena com a it girl francesa SoKo (32). As duas actrizes fazem de mãe e filha no luxuoso cenário de Beverly Hills, e ficam igualmente bonitas com as coloridas toilettes de Alessandro Michele- prova genial de que o estilo não tem idade e de que as mesmas roupas podem ser usadas em diferentes fases da vida, desde que com o styling adequado. Brilhante!




Já  por aqui falei várias vezes de como me faz feliz ver pessoas que continuam a ser elas próprias na terceira idade, principalmente no que ao estilo diz respeito.





 Senhoras e cavalheiros janotas que mantêm a sua figura, continuam a vestir mais ou menos o mesmo tamanho, a exercitar-se, a ter a mesma cara mais ruga menos ruga (nem tudo está na mão de cada um (a) mas ter cuidados ajuda)  e  a esmerar-se com a sua imagem, a divertir-se, a fazer troça de tudo, a não se levar demasiado a sério, a entusiasmar-se com hobbies, a ter objectivos e sonhos próprios,  a ralar-se com outras coisas que não as idas ao médico e os netos (que têm um lugar muito importante, claro, mas enquanto uma pessoa cá anda ainda tem uma vida sua; não precisa de cuidar só da dos outros como se estivesse para bater as botas mais minuto menos minuto).





 Gosto de gente cheia de vida e lá dizia a nossa Lili Caneças (também ela adepta do lema da Tia Pureza "o que importa é a alegria de viver e a caturreira"), estar vivo é o contrário de estar morto. A pobre senhora foi parodiada até à exaustão pela simplicidade da frase, mas as pessoas são demasiado básicas para entender boa filosofia quando a ouvem, é o que é. O que não falta para aí é gente morta viva- até gente nova- que anda na vida por ver andar os outros.

Depois, parecer bonito, estiloso e jovem(a) quandos se é jovem não é nenhuma proeza. É algo que está ao alcance de qualquer pessoa com um físico aceitável, alguma imaginação e um bocado de força de vontade.


Isso mesmo, Ms. Dunaway!

Porém, a verdadeira beleza e o verdadeiro estilo são outra louça: passam o teste do tempo. Já aqui o disse: as raparigas "giras" têm um prazo de validade muito curto, mas as mulheres belas só deixam de o ser se se desleixarem, porque a verdadeira beleza vem da boa estrutura óssea,  da boa genética, de uma alma bonita e de algum trabalho de manutenção (a preguiça não faz parte de uma alma bonita e raramente ajuda a manter o corpo no mesmo estado). Com os homens não é muito diferente: embora eles levem por norma mais tempo a chegar ao seu auge (o que lhes dá uma reputação de se conservarem melhor) se lá não chegam aos trinta e poucos, nada feito e depois é quase sempre a descer.

E com o estilo passa-se  outro tanto: há muito quem tenha tido (ou parecesse ter) estilo em novo, mas conservá-lo é outra história. Quantos ídolos de outras décadas não parecem hoje pessoas exactamente iguais a todas as outras, isto quando não congelam no tempo e ficam horrivelmente datadas? Lá dizia Coco Chanel: as modas passam, o estilo permanece.


Sophia Loren- Dolce & Gabbana

É por isso que tenho um enorme respeito por figuras como Sophia Loren (84) Sean Connery (88) Karl Lagerfeld (85), Jessica Lange (69), Raquel Welch (78)  Susan Sarandon (72) Mick Jagger (75) ou o Duque de Edimburgo (97) entre outras que agora não me ocorrem, sem contar com as que nos deixaram recentemente mas permaneceram maravilhosas até ao fim, como o meu adorado David Bowie.

Ainda não se inventou a pedra filosofal nem o elixir da eterna juventude, por isso não mudar rigorosamente como os vampiros da Anne Rice nada não é, por enquanto,  uma opção (e nem sei se seria muito boa ideia). 

No entanto, estas pessoas provam que com alguma disciplina e mantendo a dose certa de humor e rebeldia, é possível não encontrar um estranho ao espelho, não mudar demasiado, vestir as mesmas fatiotas (com umas actualizações sensatas aqui e ali, claro) em suma, continuar-se bonito e gaiato no corpo e na alma.

 Envelhecer não deve assustar ninguém, mas transformar-se numa velhota, ter trajes de velhota e espírito de velhota sim- e em última análise, esse é um mal escusado, evitável e desnecessário!


Carmen D´ell'orefice

Ora, uma das poucas coisas boas da actual tendência para a "inclusividade" e "representatividade" a qualquer custo na indústria de moda (bem intencionada e lucrativa, mas forçada e levada ao extremo muitas vezes) é que levou a que as marcas passassem a desconsiderar a idade como factor de sex appeal ou de sucesso. E que consequentemente, começassem a incluir estrelas de várias faixas etárias nas suas campanhas de há uns anos para cá.


Sean Connery, Louis Vuitton

Dolce & Gabbana e Louis Vuitton terão sido pioneiras, convidando ícones como Monica Bellucci (54) Sean Connery e Sophia Loren para encabeçar um elenco de celebridades mais jovens e modelos estreantes-  mas a ideia parece, felizmente, ter vindo para ficar e a prova disso é que modelos veteranas como Carmen Dell'Orefice (85) voltaram a trabalhar nas passerelles e a vender capas de revista.

 Afinal, quando se tem uma figura magnífica e um rosto icónico, o que são meia dúzia de linhas de expressão ou cabelos brancos? E para quê alienar uma parte do público-alvo (precisamente a que mais terá disponibilidade financeira, tempo livre e liberdade para investir em roupas, cremes e acessórios de luxo) em nome de algo tão efémero como a juventude de calendário? Venham as mães, as tias e as avós que têm muitíssimo a ensinar!

1 comment:

Susana said...

Acho que dava uma mãozinha das minhas para ter a pinta, presença, estrutura óssea e charme da veterana Carmen Dell'Orefice, que dos seus 85 anos encosta os meus 38 a um canto.

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