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Wednesday, October 2, 2019

Naomi Watts demonstra: mascarar-se de serigaita (ou o que fazer para o evitar).



Considero Naomi Watts uma das actrizes mais elegantes da actualidade. A sua imagem de marca é uma beleza bastante natural, um pouco irregular até (ela não esconde algumas linhas de expressão e que se note, não mexeu no narizito que é um pouco "imperfeito" se comparado com os "modelos" esculpidos ao exagero tão habituais em Hollywood) em que o destaque vai para a pele luminosa, maquilhagem leve ocasionalmente avivada por um bold lip e cabelo bem tratado no tom certo de louro, quase sempre com uma suave ondulação que recorda os penteados dos anos 1930. 




O seu estilo habitual, na passadeira encarnada e no dia-a-dia, é polido, sofisticado e discreto, com aposta nas cores claras e peças de um luxo simples, aliando o minimalismo (ela gosta de Calvin Klein, Stella McCartney, Armani e Chanel) a um toque vintage que faz lembrar musas como Grace Kelly. 



Em suma, a estrela britânica às vezes mais parece uma senhora de boa sociedade do que uma actriz - espécie que vai rareando e um feito notável tendo em conta que foi criada por uma mãe hippie e bastante destrambelhada; mas não divaguemos.



Sendo Ms. Watts tão delicada, foi uma divertida surpresa quando há dias  deitei o olho a St.Vincent (2014) filme em que contracena com Bill Murray e faz o papel de Daka, uma stripper/meretriz barata e malcriada com coração de ouro, vinda algures da ex- URSS. A actriz teve uma interpretação bastante convincente, trocando o porte senhoril por modos bruscos, a expressão serena pelo mau ar e aspecto acabado de quem nasceu bonita mas levou muita tareia da vida e a sua voz bem modelada por uma entoação abrutalhada com bem conseguido sotaque russo. 



Porém, o que me surpreendeu mesmo foi a caracterização: apesar de não haver ali qualquer efeito especial nem grandes transformações físicas, ninguém, olhando para aquela mulher, veria ali a senhora elegante que Naomi na realidade é.




Os figurinistas e maquilhadores conseguiram, sem esforços transcendentes nem próteses de silicone, transformar a sofisticada actriz numa serigaita! Tudo na coitadita da Daka é reles. O seu look grita "pobreza", "ordinarice" e "muitas escolhas erradas".




E o mais trágico-cómico é que Daka é uma "mulher da noite" mas actualmente não faltam pessoas com outras profissões- serigaitas amadoras ou em part time -  a vestir-se, pentear-se e pintar-se de forma tão vulgar ou pior. Porém, mesmo mulheres normais, com um visual mais aceitável e cujo comportamento nem tem grande coisa que se lhe aponte, ricas ou pobres, gordas e magras, bonitas ou nem tanto, jovens e mais velhas, às vezes pecam por aceitarem um ou mais destes faux pas na sua rotina de estilo e de beleza.



A personagem Daka é um autêntico glossário de serigaitice ilustrado em forma humana. Ou um guia das coisas a evitar para não empobrecer, vulgarizar nem pesar o visual. Ou ainda, se quiserem, uma estupenda inspiração para o Carnaval.


Ora analisemos este "boneco":

- Cabelo louro-palha queimado, amarelado e com raíz visível. Já se sabe que manter um louro artificial dá trabalho e custa algum dinheiro, mesmo que o tom base não seja muito escuro. Se não há meios, tempo e disciplina para cuidar dele, mais vale passar sem isso.

- Madeixas coloridas (quando se tem mais de trinta anos): Não acredito em proibições nem regras rígidas, mas poucas pessoas conseguem ter bom ar com fantasias dessas, pois são coisas que exigem todo um visual para funcionar. Usadas ao acaso sem considerar o tom de pele, o tipo de roupa que se veste e o que é pior, sem os devidos cuidados de manutenção, o aspecto é desastroso. Daka tem madeixas cor de rosa e ainda por cima, todas desmaiadas. Resultado: boneca de feira.

- Sobrancelhas demasiado depiladas e arqueadas: é um visual datado e que envelhece, especialmente se acompanhado de eyeliner muito vincado (ou simplesmente, um traço de lápis de olhos fino e não esfumado junto às pestanas inferiores)  sombras perladas, pestanas postiças e outras avarias. O oposto (sobrancelhas excessivamente espessas e delineadas) é igualmente de evitar. Pode-se usar a sobrancelha um pouco mais espessa ou mais fina conforme a moda, mas sendo sempre fiel ao desenho e cor natural, sem exageros.

- Tatuagens "de salão da esquina": enough said, que já se falou bastante disso por aqui.




- Bronzeado artificial e alaranjado, maquilhagem demasiado escura e pele mal tratada: sem uma pele bonita e um cabelo cuidado, qualquer look parece barato. E se o look é mesmo barato, pior fica. No entanto, muitas mulheres parece que quanto mais gostam de usar maquilhagem, mais preguiça têm de a remover de de levar a cabo outros cuidados com a pele, como protecção solar, exfoliação, limpeza e hidratação. E o desfecho disso? Um aspecto como da Daka!


- Bâton (ou pior, gloss) rosa-doente: já muito mencionado por aqui. Se a intenção é dar protagonismo aos olhos ou fazer os lábios parecerem mais carnudos, com tantos tons de nude naturais e bonitos disponíveis no mercado, não há mesmo desculpa para usar rosas-gelo nacarados que só ficavam remotamente bem na Frida e na Agnetha dos ABBA (e mesmo assim...).

- Pouca roupa, poliéster e muito ruído visual: ela é rendinhas sintéticas, ela é plataformas prateadas, ela é couro falso, denim bordado, brilhinhos, tigresses, blusões curtinhos (nunca se vê a rapariga com um casaco normal e aconchegante, vício de estilo que infelizmente é muito comum entre as portuguesas) tudo muito revelador, muito justo, super elaborado e assaz desconfortável. Se isto é numa mulher com o ar e a figura da Naomi Watts, imagine-se em pessoas menos afortunadas.


Moral da história: até a mulher mais bonita e com melhor ar pode parecer outro tipo de pessoa se ceder a certas escolhas. Ou mascarar-se de serigaita com tal eficácia que ninguém a vai reconhecer, sem gastar balúrdios em fantasias de carnaval. Fica a dica para o Halloween, que está à porta.

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