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Thursday, February 4, 2016

Eu embirro com...pessoas -chihuahua


Por pessoas -chihuahua, entenda-se as que são sempre assim (Credo!) ou as que, face a qualquer contrariedade, não se sabem expressar nem desabafar sem proceder como chihuahuas.

Deixem-me tentar explicar. É que eu adoro quase todos os animaizinhos (excepto centopeias, caranguejos-ferradura e mais umas criaturas estranhas) mas os chihuahuas estão longe de ser o meu cão preferido. Para ser mais clara, apesar de ser mais uma cat person gosto de cães e eles gostam de mim: regra geral, não há cão que me ladre. E nunca nenhum me mordeu, mesmo os que têm má fama. Palavra, até os pit bulls me adoram. 

Mesmo o único cão que me fez mal, tinha eu uns dois ou três anos, foi por gostar muito de mim: o Kaiser, supostamente impassível dobermann do vizinho, que na ânsia de me dar um abraço canino me atirou ao chão. 



A estrada estava a ser alcatroada e bati com a minha face de bebé na gravilha. Fiquei com uma esfoladela por toda a bochecha, do tamanho de uma bolacha. Não deixou marca, graças aos céus, nem ganhei a mínima aversão a canídeos.  Outra experiência, porém, 
fez-me preferir cães calmos e altivos, que saibam guardar uma casa, como os Pastores Alemães e os Serra da Estrela: o meu springer spaniel (chamado Calimero por ser trapalhão e não dever muito à coragem) enrolou a trela nas minhas pernas, eu tropecei nele e fomos os dois, embrulhados um no outro, a rebolar ladeira abaixo. Calimero não sofreu nada, eu dei cabo de um joelho. Ainda tenho a cicatriz. 

Volto a dizer, sou incapaz de voltar costas a um cão, gato, ou qualquer bichinho necessitado seja de que raça ou não raça for, mas se tiver de escolher um cão para companhia prefiro-o de nobre atitude, grande e peludo. E se falarmos de cães pequenos, sou doida por pequinois

Agora chihuahuas, poupem-me. Pode haver alguns muito queridos, mas para começo de conversa lembram-me sempre o Ren & Stimpy: neuróticos, arrebitados, barulhentos, de olhos esbugalhados e ar famélico. 



Por muito que as Paris Hilton da vida e as flausinas que a querem imitar em versão pelintra tentassem fazer deles brinquedos, nunca me convenceram.

Ora, esta opinião agravou-se um belo dia em que ia com a senhora minha mãe, a passear por uma rua de casas baixas. Do nada, saltam de uma janela três (ou quatro, já nem sei, fiquei estarrecida) chihuahuas furiosos, perfeitamente loucos, a ladrar para nós que nem possessos. Tipo, assim:



 Demos um salto: eles rosnavam, eles torciam-se como atacados de convulsões, eles babavam-se e - uma vez que o vidro os impedia de nos ferrar- desataram a morder-se uns aos outros como um monstro possuído de três cabeças, excitando-se com os próprios guinchos. Visão do inferno! O próprio Cerbero, que tranquilamente guardava as portas do Hades, pareceria um mansarrão ao pé daquilo. Benzi-me, zarpei dali e lá se estabeleceu a excepção à regra. Não morro de amores por tal bicho, pronto. Tudo o que é pequenino e malvado é suspeito.



E claro, não morro de amores por pessoas-chihuahua: sabem, aquelas que são nervosinhas, almas-aflitas, histericazinhas, sassaricadas e repisadoras, em permanente necessidade de tomar um chá de camomila ou flor de laranjeira bem forte. Que não causam grande dano, mas irritam. As que basta haver um contratempo qualquer e murmuram, refilam, blasfemam (é um "ai meu Deus!" por dá cá aquela palha) e não falam, rosnam ou respingam. Que são incapazes de discutir um problema sem se tornarem emocionais e que levam tudo a peito. E mulheres- chihuahua? Aquelas que debatem, dissecam, insistem, voltam atrás, vão buscar coisas que já lá vão e que não interessam para o caso e que se o oponente se afasta para que a coisa não escale, se põem a falar sozinhas, para as panelas se for preciso, sem se importarem com a estridência da própria voz?

Dá-me vontade de lhes espetar um piparote. Não que eu desse um piparote a um chihuahua ou outro bicho qualquer, salvo em auto-defesa...

Thursday, July 17, 2014

Mais um estudo antropológico: as pessoas "Floribella"


Não tenho nada, mas tenho tenho tudo, la la la. Assim são as Pessoas Floribella: não têm nada mas têm tudo, ou pelo menos acham que sim e gritam-no ao mundo com o maior ar de patetas alegres. E na sua maioria, tal como a intérprete nacional desta personagem, também não são um prodígio de boa educação, logo dizem valentes disparates julgando que fazem boa figura.

Uma Pessoa Floribella não tem nada, ou não tem grande coisa, mas adora gabarolices. Não é bonita, mas acha que sim. Não é bem sucedida por aí além, mas considera-se o máximo: é o tipo de alma que faz estágio numa empresa mas anuncia ao vento que lá trabalha com todas as regalias, de casa e pucarinho. Quando conta um conto, acrescenta um ponto e adora falar de si própria sem medo de ser apanhada em aldrabices.


Como se diz na minha terra, “Dinari e santità, crìdìtinni mità”riqueza e santidade, fia-te em metade...


 Uma Floribella, que pode muito bem ser um Floribello, não é rica, nem lá perto, trabalha para pagar as contas como todos os outros e não sabe nem sonha o que é realmente ser rico, mas acha-se muito abastada: tem os vícios do novo rico, a falta de mundo e sofisticação do novo rico...mas sem o dinheiro do novo rico, percebem

Uma  Pessoa Floribella passa a vida a dizer "Eu tenho X que custou Y", "eu comprei isto por não sei quanto dinheiro" numa grande demonstração de falta de chá, o que já de si seria péssimo. 
 Mas o pior é que vamos a ver e afinal não é bem assim: diz que tem um carrão, mas o carro é dos pais e a (o)  Floribella (o) não é senhor (a) de o levar para parte nenhuma. 

Compra roupa contrafeita e jura que é verdadeira, mesmo que se note à légua a confecção da lojinha do chinês ou da tienda dos ciganitos. Se vai a casa de alguém acha-se no direito de criticar a decoração, como se tivesse grande gosto, e de realçar que comprou uma carpete  de seiscentos euros *que quem viu sabe ser do piorio, olha para mim a rimar e tudo, já estou contagiada pelo espírito da Floribella, cruzes*  como se o tapete fosse persa ou melhor, voasse ou se  seiscentos euros fosse assim uma soma das arábias. Tudo é relativo nesta vida e o dinheiro é a coisa mais relativa que há, mas uma Floribella não sabe o que isso é e como o seu conceito de luxo ou prestígio é assim um bocadinho por baixo e um bocadinho possidónio, a alegre Floribella enche-se de vento com pouco.

 Pior ainda, acha-se a última bolachinha do pacote e se preciso for ainda se dá ao luxo de ser paranóica (o) achando que as pessoas se aproximam de si com fito na sua grande riqueza. É só interesseiros a tentar caçar  a sua fortuna. Então não é? Lá diz o povo, presunção e água benta...

 Pessoas Floribella são, em suma, uma curiosa mistura de ingenuidade, pensamento positivo, parolice e falta de noção. Há que ser alegre, mas tanto...



Thursday, July 10, 2014

Dos oferecidos sociais. Estilo "Manuel dos Plásticos".


Sabem, aqueles para quem há uma designação mais feia -vá, meretriz social, mas com um palavrão -  que eles próprios não têm vergonha de usar para se auto descrever, julgando que fazem com isso uma bela figura.

 Há poucas coisas mais ridículas (e incómodas)  do que ser vista em público com um passarão (ou galinhola, pois também as há) que faz gala em cumprimentar vaidosamente todo o mundo. Não se dá dois passos sem que a pessoa abrande ou deixe a conversa a meio para trocar salamaleques com quem passa. 

Se se cruza com o homem do lixo faz o coitado largar a vassoura, interrompe-lhe o trabalho, trata de lhe perguntar pela família toda, só para se sentir muito considerado, estilo "até as pedrinhas do chão me conhecem" com uma simpatia postiça que ninguém lhe encomendou.

    Se tropeça em alguém mais importante do que ele (a), larga o que está a fazer para lhe dar vénias até ao chão, maçar a pessoa de morte, interromper-lhe o almoço, impor a sua presença pelo tempo que lhe permitirem babujar e dar missa à personagem, sem respeito por quem está. 

Se um oferecido social se encontra, sei lá, num encontro romântico mas o telefone lhe toca e pior ainda, calha ser alguém com quem faz cerimónia, atende como se nada fosse e fala 20 minutos, enquanto se finge desesperado e faz sinaizinhos à pobre que aceitou jantar com ele, como quem diz "ai, desculpa, não me largam". 

 Pior ainda, faz questão de tratar pelo nome cada barmaid, porteira ou empregada de mesa que encontra, dando-se insuportáveis ares de D. Juan de balcão. (Caso vos suceda tal vexame, paguem a vossa conta, saiam de fininho e fujam para parte incerta: aviso de amiga). 

Se o criado é um homem ou - jackpot - um oferecido encontra o chefe de sala, temos sermão e missa cantada: oferecidos sociais adoram dar conversa a quem traz a bandeja, estilo "até as panelas me conhecem". Não me perguntem porquê, mas suspeito que a fixação tenha a ver com o facto de certos profissionais profissionais destes, que têm mais que fazer do que recordar o nome de cada palhaço que aparece mas não querem desagradar à clientela, tratarem toda a gente por "chefe" ou "doutor", brejeirice que as meretrizes sociais adoram. 

 E não se esqueçam que além de se querer fingir muito requisitado, muito famoso lá no burgo, muito necessário, um oferecido não deixa de falar de si mesmo até quando está a sós com alguém: a conversa é sempre EU, EU, EU, EU tenho, EU faço, EU sou.  Livrem-se de  conhecer um pavão pomposo destes mas caso tenham essa desdita, evitem aparecer com ele em público. Não há maçada nem mancha social pior.

  Mas vamos cá ver uma coisa: há as pessoas famosas, quanto mais não seja porque aparecem na televisão com muita regularidade por motivos de trabalho; depois há aquelas que são realmente consideradas em certos meios e que sofrem este tipo de abordagem, não tendo outro remédio senão corresponder-lhe para não parecerem malcriadas. A diferença é que não fazem gosto nisso e até fogem a tais coisas se puderem. Só quer protagonismo quem nunca o teve

 Ora, cá pelas bandas de Coimbra há umas personagens, vulgo mito urbano que nunca ninguém viu ou já morreram há muito tempo mas que estão sempre a vir à baila para ilustrar certos tipos. Se uma pessoa é pasmada, assim meio apoucada ou crédula (ou acontece tomarem-nos por tal)  diz-se "parece que é/julgas que eu sou filho da Parva do Tovim". Quem mora no Tovim é muitas vezes apelidado de parvo injustamente...

Se uma mulher é muito feia, muito má ou está muito desarranjada, diz-se que parece "a bruxa da Adémia". Tenho de procurar nos registos da Inquisição alguma bruxa por essas paragens  para saber se é mito ou não, mas que se diz, diz.

 E quando alguém é pantomineiro, fura vidas, alpinista, metediço, pouco selectivo, cumprimenta todo o bicho careta, é costume dizer-se " Credo, este parece o Manuel dos Plásticos" que não faço ideia de quem seja, mas imagino que fosse um tolinho que chateava todo o mundo para vender plásticos ou um sucateiro pouco honesto que fizesse negociatas com tutti quanti.

Em todo o caso, ser classificado como "Manuel dos Plásticos" nunca é lisonjeiro. Mas quem é de facto oferecido social ou Manuel dos Plásticos quer tanto que reparem nele que nem se rala com isso. Até a troça lhe serve!


Sunday, March 16, 2014

Pessoas que me fazem querer ir para freira #1


Não me refiro aqui a desgostos do coração  (ir para um convento levar uma vida de oração e penitência não me parece a melhor forma de uma rapariga distrair o espírito das maroteiras de um desalmado qualquer ) mas a alminhas que, às vezes cheias de boas intenções,  esgotam de tal forma a paciência aos outros que a uma pessoa só lhe apetece encerrar-se entre quatro paredes bem altas e deixar de se arreliar com os desarranjos do Mundo. Antes desfiar rosários de manhã à noite e fazer exercícios de humildade do estilo lavar as pedras do chão ou tratar da pedicure às Irmãzinhas todas sem soltar um ai.

 Um dos exemplares dessa classe de criaturas é a boa gente que dá mais atenção à forma do que ao conteúdo e que faz os outros soar as estopinhas à conta de um detalhezinho de nada, enquanto deixa o mais importante ir por água abaixo. É o tipo de pessoa que se a casa está a arder e lhe chegam o extintor, implica que não quer o extintor encarnado, que lhe tragam antes o azul, e não apaga o lume nem deixa apagar; que se o barco está a ir ao fundo, manda encerar o convés em vez de segurar as velas (ou o que quer que se faça para impedir um barco de naufragar, que eu cá não percebo nada disso); que não se maça de deixar queimar o bolo no forno, desde que a cobertura esteja bem bonitinha e haja exactamente 355,1 rosinhas de açúcar para lhe pôr. 
 Se quisermos continuar com metáforas náuticas, foram pessoas assim que deixaram que o desgraçado do Titanic se escangalhasse contra um iceberg, só porque ficava bonito sair nos jornais que tinha chegado ao seu destino a uma velocidade recorde.

 Está certo que é preciso sê-lo e parecê-lo, mas o inglês ver tem limites e pessoas sem nenhum sentido prático tiram-me do sério. Miserere Mei Deus.

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