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Tuesday, February 9, 2016

Tens a mania que és impermeável, ou quê?


O assunto das más companhias já não é novo por aqui. Nem o de pessoas supostamente virtuosas e sofisticadas que por um certo vício decadente (ou porque a sabujice as diverte) acham graça a conviver com gente grosseira, duvidosa ou de má índole, julgando que por serem muito cínicas e muito superiores, escapam à lei do "diz-me com quem andas,
 dir-te-ei quem és".

Mas a verdade é que ninguém escapa a isso, assim como ninguém lhe foge o pé para o chinelo por nada. Isto é como as partilhas e aprovações de conteúdos nas redes sociais: dizem muito de quem partilha ou de quem, à socapa, faz o seu like em páginas ou imagens suspeitas em modo "o que acontece no facebook, fica no facebook". Afinal, a boca fala daquilo de que o coração está cheio. Depois, é um ciclo vicioso: a pessoa gosta dessas coisas ou companhias sórdidas porque está de certo modo corrompida, mas ao expor-se a elas cada vez se corrompe mais.  E se acreditarmos, como vimos aqui recentemente, que há uma lei da física que dita "as coisas reles tendem a agrupar-se" fica mesmo tudo explicado.



 É claro que qualquer um pode enganar-se. Dar o desconto a esta ou aquela pessoa, pensando erradamente "é espalha brasas, mas não é mau diabo" ou até tentar fazer de Bom Samaritano, enturmando a alminha na tentativa de a influenciar para melhor. 

Ou ainda -isto acontece bastante-  deixar-se convencer (por ingenuidade ou numa má fase da vida) por pessoas bajuladoras, loureiras, que dão graxa e se fazem de inofensivas, santinhas ou coitadinhas por interesse. Porém, uma vez descoberta a verdade, há o dever moral de, sem jurar vinganças nem guardar ódios, lhes cortar a confiança. De fugir à sua má influência de uma vez por todas e de não querer, nem por sombras, nem que seja na brincadeira, proximidades com tal tropa fandanga ou ver-se associado a gente dessa. Quem não faz isso, voltando ao mesmo, é porque ou é estúpido de todo, ou acha que é imune e impermeável (que é outra forma de se ser estúpido de todo).

Quase sempre, quem age assim pensa "sei muito bem o que ali está, mas acho piada ao servilismo dele (a). Dou-me com toda a gente e isso não me prejudica nada". Erro crasso...

Pessoas assim, não é que descreiam que basta uma maçã podre para contaminar o cesto. Fazem pior: não se importam de ter um cesto cheio de maçãs podres em casa, porque não tencionam comer as maçãs, só querem ver como apodrecem... sem reparar que com isso enchem a casa de mosquitos e de um pivete a azedo.

Não há que tapar o sol com a peneira nem inventar nuances: quem sabe com quem anda e não se aflige com isso, declara ao mundo, bem alto "sou um deles".


Thursday, February 19, 2015

Mas porque é que os homens fazem isto?



"It is a distance to travel- from a woman's mouth to the man's ears"


Ouço muitas mulheres lamentarem "o meu namorado/noivo/marido é uma jóia de pessoa; é perfeito em tudo - se ao menos escolhesse melhor as companhias!".

O fenómeno é tão banal que quase se poderia dizer ser uma característica dos homens de bom coração, que são óptimos maridos, perfeitos em tudo...menos na escolha das amizades. Não falo dos mulherengos, mas dos que se deixam influenciar para o mal por amigos da onça ou pessoas com quem convivem apenas profissional ou socialmente - e às quais permitem excessiva familiaridade.


Pelos vastos exemplos que me tem sido dado ver, cavalheiros assim (mesmo quando têm personalidade forte e pulso firme noutras coisas) pecam por excesso de generosidade, gostam de agradar ao vulgo, de ser populares, de ajudar...e têm uma dificuldade danada em estabelecer limites, em tomar partidos e em dizer não. Mais facilmente prejudicam as pessoas muito chegadas - a namorada/mulher, os filhos - e os próprios negócios do que ofendem um amigalhaço ou um conhecido. Mesmo que esteja na cara que esse amigo ou conhecido metediço (ou um grupo de metediços; geralmente eles andam em quadrilha) é um interesseiro de marca maior.


Claro que tal como o mel atrai as moscas, um homem bem sucedido - pior ainda se for bom serás com tendência a bon vivant e um bocadinho machista, achando que sabe tudo - é magnético para gente assim, em busca de jeitos, de favores, de posição social ou simplesmente de festas, almoços e jantares à borla.

 Essas pessoas importunas causam diversos problemas: influenciar o homem em causa a desleixar os seus deveres familiares, a gastar o que tem e não tem;  aparecer sem convite estragando momentos em família; convencê-lo a fazer criancices (como frequentar lugares inapropriados às suas responsabilidades); intrometer-se em assuntos privados ou dar conselhos que ninguém pediu, fazendo-se muito íntimos e indispensáveis; e mesmo causar intrigas ou zaragatas entre o casal. Isto porque geralmente a cara metade vê perfeitamente as más intenções e não lhes mostra muito boa vontade, tornando-se um alvo a abater.

                          

 Há sempre um amigo farrista que não gosta que lhe estraguem a festa, um outro que acha que o líder da entourage era mas era bom para a sua irmã solteirona e uma amiga intrometida que vem por arrasto e tem uma paixoneta de infância por ele. E começam os argumentos, a puxar-lhe pelos brios: "mas tu deixas que a tua mulher mande em ti e diga onde vais ou não vais?", "a tua namorada é uma antipática", etc, etc.

Claro que nenhuma mulher pode competir com bajuladores - são eles a cobri-lo de elogios, a dar-lhe graxa, a dizer que sim a tudo e ela a barafustar, a ralhar e a dizer que não pode ser...eis um caso em que só há dois remédios: mandá-lo à fava ou...se esse é o único defeito que ele tem, ser diplomática e deixar que ele aprenda à sua própria custa.

 Na minha família houve um caso assim, nos anos 1950. Era um casal lindíssimo, casado há pouco tempo e com dois filhos pequenos. Ele tinha uma carreira em ascenção, era um marido impecável e só pecava mesmo por ter amigos estarolas. Como era o mais bem sucedido do grupo e tinha um belo carrão, os malandros não lhe largavam a porta. Resultado, o amigo levava a seita do Mau Mau a passear e a esposa e os pequenos ficavam em casa. Depois, não havia paz com A, B ou C a aparecer a toda a hora para o arrastar à estroinice e a dar bitaites. A mulher, sabendo que refilar não valia de nada pois ficava ela no papel de má da fita, ia rezando para se livrar daquelas carraças.


  Não sei que santo a terá ouvido, mas o caso teve um desfecho trágico-cómico: numa das noites de estúrdia, o bólide despistou-se por uma ladeira abaixo. Os malucos - como que a confirmar que o Céu protege os tolos - não sofreram quase nada, mas o carro foi para a sucata e o condutor ficou bastante maltratado. Um mês em repouso absoluto e dos "amigos", nem sinal! Nem um apareceu para saber se ele precisava de alguma coisa.

 Agora que já não havia boleias nem festa de graça, o grande amigo já não lhes convinha...e o marido teve de dar razão à mulher.

Claro que assim que ele recuperou - e comprou um carro novo - os penduras apareceram como que por magia. Mas aí, humilhado com a atitude da comandita, era o próprio que dizia à esposa  "vai lá livrar-te deles por mim!". 














Monday, January 19, 2015

Amizades com o sexo oposto, verdade ou mito?




Recentemente, as redes sociais deram voz a uma série de "correntes de pensamento" politicamente incorrectas que tentam rumar contra a maré no que respeita aos papéis sociais de género, dizendo (de forma hiperbólica, bem humorada, para tomar com o devido grão de sal e bom senso) verdades que nem toda a gente quer ouvir, porque vão completamente contra o status quo idealista e pseudo fofinho que grassa por aí. 

Coisas do tipo que eu disse ontem, que as avós diziam, vá, e que pessoas chegadas me costumam dizer cá entre nós; coisas que nem sempre fica bem uma pessoa atrever-se a declarar em público actualmente...mas que, vai-se a ver, são mesmo verdade.

 Uma dessas ideias, que me custou em bocadinho a absorver e que só percebi quando vi caso atrás de caso com os meus olhos, é a raridade da amizade - verdadeira, fraternal e desinteressada - entre homem e mulher. Ou como "eles" dizem por aí nos facebooks da vida, "amizade entre homem e mulher só existe se ela for feia ou ele for gay".

Atenção, eu não concordo na totalidade com a afirmação atrás; camaradagem pode existir entre colegas ou pessoas do sexo oposto, mas é de facto rara. Como mencionei aqui, cuidado com isso!


 Pessoalmente nunca gostei de cavalheiros que se gabam de ter muitas "amigas" - se as ditas tiverem um ar duvidoso, pior um pouco -  nem aconselharia para um rapaz da minha família uma mulher que fizesse questão de manter muitos "amigos" . 

Primeiro, porque é um sinal de complexo de Manuel (ou Maria) dos Plásticos; segundo porque lá dizia Séneca, "quanto mais numerosas as pessoas com quem convivemos, maior é o perigo". Ou citando o Cardeal Mazarin, é pelas companhias (e pelo seu número) que se conhecem as pessoas.

 Por cada amizade sincera e fraternal, há não sei quantas pessoas que fariam o que fosse preciso para transformar a amizade noutra coisa, ou que a confundem com um convite para a intimidade: Nietzsche afirmava que para a amizade entre os sexos durar é preciso que haja uma aversão física. Porém, essa falta de atracção é quase sempre unilateral -  mesmo o amigo desengonçado ou a amiga insignificante podem encher-se de ilusões e fazer de ombro interesseiro, o que  causa muitos problemas.



 Há imensas mulheres da luta sem auto estima (admiradoras disfarçadas de amigas, ex namoradas, etc) que se contentam com o papel de "compincha" tentando que isso leve a algo mais num momento de fraqueza do rapaz em causa. 

Porém, no caso dos "amigos" homens relativamente às mulheres esse fenómeno é mais acentuado ainda.

 Custa admitir isto e dar razão a irmãos super protectores, pais rígidos e parceiros possessivos que acham que uma rapariga "saber muito bem conduzir-se e falar com qualquer pessoa à vontade" não basta, mas a verdade é que nós, mulheres, às vezes somos ingénuas ou distraídas. 
Não falo das que gostam de se envaidecer com elogios baratos, mas das que não vêem maldade em nada e alimentam, sem querer, amizades ou conhecimentos cordiais com "cavalheiros" que nunca pretenderam só amizade. Uns porque se deixam entusiasmar pelo convívio ou tomam simpatia por flirt, outros por falta de noção,  ou ainda porque, lá no fundo, vêem as mulheres como objectos - desde que as achem bonitas, claro.



Poucas coisas são tão desapontantes - ou uma traição tão feia - como uma mulher descobrir que fez confidências a um homem que julgava seu amigo, que lhe mostrou o seu lado mais vulnerável, apenas para descobrir que ele a olhava maliciosamente o tempo todo, com segundas intenções. Para não falar que quando isso acontece, muitas vezes o "amigo", sentindo-se rejeitado, vinga-se.

Tolkien disse, a respeito desse tema, que a amizade entre homem e mulher é praticamente impossível (...) a não ser entre santos ou pessoas mais velhas, e que não convém contar com ela;  quase sempre uma das partes falha, desapontando a outra ao "apaixonar-se" . Segundo o autor, em geral nenhum homem quer amizade, mesmo que diga o contrário

Também James Joyce e Oscar Wilde descriam de tais amizades: Joyce achava que a atracção complicava sempre tudo, Wilde declarava-as impossíveis: paixão ou inimizade de morte sim, até idolatria, mas amizade não.

 Visto isto recomendam-se algumas cautelas - principalmente a quem tem um compromisso ou simplesmente, zela pela sua honestidade e quer cercar-se apenas de pessoas sinceras. 







Wednesday, August 28, 2013

Porque é que todas precisamos de amigos gay, porquê??

                        
Simples. Porque os outros homens fazem coisas destas:


1- O meu melhor amigo (que é dos poucos rapazes que até tem pachorra para apreciar trapos).

Como é que se chamam aqueles teus sapatos? Michoo-Michoo? (mistura híbrida entre Miu Miu e Jimmy Choo).


 2- O Papá
Foi a Edimburgo e pedi-lhe que desse uma espreitadela às lojas vintage e "de trapalhadas". Ele deu. Entrou mas saiu logo a seguir de mãos vazias porque....(tcharam, tcharam...)  só havia "corpetes e velharias dessas". Tipo, PAIIIIIIIIIIII! 
O que é que ele esperava encontrar numa loja assim, que tinha mesmo a minha cara? A última criação da Desigual? Pronto, é desta que tenho um fanico. Morri.
(E atente-se que o autor dos meus dias nem é dos mais ignorantes no quesito moda; como não serão os outros?).

3- O meu irmão
É daqueles que fez voto solene de NUNCA, jamais, voltar a entrar numa loja. Compreendem, ele cresceu comigo, logo está traumatizado. É injusto porque até sou bastante arrapazada na forma de fazer compras - não tenho paciência para lá estar muito tempo a não ser que seja necessária uma meticulosa pesquisa ou caça ao tesouro. Mas pronto: ficou assim e é deitar as mãos para o céu ter encontrado uma namorada paciente como  Job- porque eu, por minha vez, fiz voto de nunca, jamais em tempo algum dar troco a um pretendente que seja como ele. Era pequena quando jurei "só me apaixono se encontrar alguém que seja paciente como o avô e vá às compras comigo".  E tenho cumprido - era só o que me faltava.

Mas não há nada que pague o amigo do peito gay que percebe tanto ou mais do assunto do que nós, que é capaz de dizer na cara que algo fica péssimo, que é tão sensível como nós mas tem a percepção masculina (embora mais aguçada) da beleza das mulheres. Não tem preço!




Tuesday, May 21, 2013

Lição de moral do dia: os amigos, como as roupas...

                      
Ainda a propósito do texto de ontem, fica uma notícia que não podia vir mais a propósito, ou uma lição de moral para miúdos e graúdos. Uma multidão de amigos pode dar jeito para fazer monte num evento que se organize (e mesmo assim, é preciso que haja croquetes e bebidas à borla, senão...) mas são mais os incómodos e os mexericos que provoca do que a utilidade que tem ou as alegrias que traz. Os amigos são como as jóias e as roupas: é preferível ter menos, mas de qualidade superior...

Monday, May 20, 2013

Só os verdadeiros amigos...


Tenho dito muitas vezes que acredito em "colher o que se semeia" embora ache o karma um conceito chatíssimo, por ser um tanto cegueta e desmancha prazeres (e eu relego convenientemente para o armário das vassouras tudo o que acho injusto ou maçador). 
  Mas que as recompensas se vão acumulando para receber na hora certa, disso não duvido. E no meio dos defeitos de que o céu me dotou (mau feitio...ninguém é perfeito) 
deu-me também algumas qualidades. Duas delas são uma palavra que vale ouro, e a capacidade de ser uma boa amiga. Talvez por isso tenho muitos conhecidos a quem estimo, mas poucos amigos - porque como mencionei há dias, a amizade é uma canseira. Dá trabalho. Dá muito que fazer. E eu sou uma boa amiga, não uma boa samaritana. Quem diz "tenho muitos amigos" ou se cansa imenso ou é hipócrita, porque na hora H não acode a nenhum deles. Para ser um verdadeiro amigo é preciso investir tempo, ter pachorra de santo, aturar as conversas e lamentações que não interessam ao Menino Jesus, levar a canja de galinha, regozijar-se com os triunfos alheios, ser o ombro, fazer coro, declarar guerra aos inimigos do nosso amigo, conspirar em conjunto, entrar em modo ou César ou nada e muitas vezes, dizer duas verdades dolorosas ou fazer avisos que doem tanto a quem avisa como a quem recebe. E acreditem, tenho feito isto tudo. Pelo que os Deuses me recompensaram com um punhado de amigos fabulosos, que são mais família que outra coisa. E que me retribuem em dobro as canseiras todas ou são capazes, como se diz na minha terra, de me avisar se eu tiver a cara suja. Sendo certo que é depois de os amigos dignos desse nome fazerem a fineza de nos avisar, e depois de lavarmos a cara, que vemos claramente a verdadeira face dos que ficaram calados a gozar o panorama, enquanto proclamavam aos quatro ventos a devoção que nos tinham. Mas para esse tipo de "amizades" ou parentelas, há outro provérbio na Sicília: Deus me guarde dos meus amigos, que dos meus inimigos cuido eu.

Saturday, February 16, 2013

Patuscadas

               
Poucas coisas me agradam tanto como juntar amigos queridos com bom vinho, acepipes e uma bela fogueira acesa, numa mistura de soirée com patuscada. Sair é bom, mas receber em casa é melhor ainda. Quem me conhece mal e me julga cheia de nove horas, ou pisca pastelona com mais olhos que barriga desconhece o meu potencial para a bela patuscada, tradição incontornável de família, ou não fosse o meu avô exímio caçador e grande cozinheiro de petiscos de toda a ordem. Sou pela lareira portuguesa, a.k.a borralho, pelos enchidos na brasa, pelos barbecues e não se me dá de misturar coisas mais exóticas na mesa, que para bem viver há-de ser perdiz e caviar num dia e bacalhau assado noutro, ou tudo no mesmo dia, melhor ainda, haja meios e Deus não nos desampare a todos. O pior é quando alguém fica a modos que indisposto com tanta comezaina e misturada, 
passa-se toda  a santa noite com a alma num susto e no dia seguinte trabalhar ou cumprir com certas obrigações é pior do que arrastar bola e corrente. 
That´s life.

Friday, February 15, 2013

Snob, très snob

                                          
O meu querido Antonius Moonen comunicou-me que - at last! - o seu novo livro já está disponível. 
Petit Traité de Snobisme: Du chérubin à l’âge ingrat é um tratado dedicado a pais, avós, tios, padrinhos, professores, e por aí fora para torcer o pepino de pequenino com estilo, savoir faire e uma boa pitada de ironia e sentido crítico. Costumo dizer que o "snobismo" é a coisa mais relativa que pode haver e que tal como os gostos, cada um tem os seus; há-os bons e maus, invertidos ou clássicos, com razão e sem, disparatados ou nem tanto. O de Anton Moonen é mais graça e refinamento que snobismo na acepção popular do termo; mais know how, "mundo" e sarcasmo que peneiras; mais cinismo inteligente e sentido de humor acutilante que pedantismo. Os seus livros são uma delícia, a deitar abaixo os modismos, os novos riquismos, as tendências, a carneirada acéfala, o wannabe, a ostentação, o verniz recente e os complexos pequenos burgueses (logomanias por baixo do bibe, pavor de toda e qualquer bactéria) que sejamos francos, não convém nada que as crianças aprendam. No século do Facebook, do cosmopolita bacoco, do trendy à martelada e do juntar-para-comprar-uns-Louboutin-para -escarrapachar-no-blog-a-fazer-inveja-aos-pobres podemos estar privados do espírito um de um Oscar Wilde, de um Baudelaire, de um Lord Byron,  de um Eça, mas ainda temos Moonen, entre meia dúzia de iluminados, para pôr juízo na cabeça das gentes. A rir, comme il faut.




Tuesday, July 31, 2012

Mas que é isto???

Vamos cá a ver uma coisa. Eu não sou o Primeiro Ministro, nem uma celebridade influente, nem a Rainha de Inglaterra - mando aqui no Imperatriz e já não é mau - para esperarem certas coisas e responsabilidades de mim, para me esmiuçarem ou terem expectativas elevadas e disparatadas em relação à minha pessoa. E embora esteja longe de ser santa, posso considerar-me um ser humano bem intencionado. Depois há duas coisas muito claras  a meu respeito: primeiro, sou uma pessoa transparente, que fala verdade e fala uma vez; odeio repetir-me, defender-me e justificar-me, porque sempre ouvi dizer quem se explica diminui-se. Sou verdadeira com as pessoas que estimo e quando digo uma coisa espero que tenham em mim a mesma fé que tenho nos outros.  Segundo, não me presto a espectáculos, a rambóias nem a figuras tristes. Não me ponho a jeito, nem em bicos dos pés, para obter coisas sem as quais passo muito bem, pelo que não admito que se sentem a observar-me e a analisar-me como se eu fosse um caso sério, prestes a lançar o terror, ou um bicho do circo. Quando vejo gente a achar-se no direito de me dissecar e escrutinar - sendo que eu, por mim, estou tão bem no meu cantinho - aí sim, apetece-me entrar em modo Chucky e espalhar o pânico. Suspeito que a minha baixa capacidade para me melindrar facilmente é um problema. Está tudo tão habituado a gente que se ofende por qualquer coisa, que desconfia de tudo o que mexe, que à mínima provocação agarra os outros pelos colarinhos, que quando uma pessoa reage com mais calma, diplomacia, ou subtileza - ou simplesmente tem mais que fazer do que cortar relações à primeira tempestade - a tomam por parva, ou tapada, e abusam. Pois muito bem. Vou ali trocar as pilhas e depois conversamos.

Sunday, May 20, 2012

Days of our lives

Nicola Roberts
Há dias, um bom amigo recordava com saudades os tempos de estudante. Eu nunca tive muito empenho nisso: valeu o que valeuA bem dizer, nunca fui uma estudante despreocupada e tonta, sempre tive o detestável passatempo de pensar demais e de descartar o acessório. Apesar de prezar a estabilidade e a segurança nos aspectos importantes (família, afectos, carreira) em tudo o resto sou uma pessoa de viver o presente  - e na minha vida sucedem-se sempre tantas coisas em simultâneo, algumas delas tão extraordinárias, que acabo por apreciar cada divertimento com certa desconfiança blasé, vulgo " estou mesmo a ver que no que isto vai dar" "trazes alguma na manga" ou " isto ainda não é bem aquilo que eu quero, não está perfeito" numa insatisfação artística, como se houvesse sempre algo de melhor e mais fantástico ao virar da esquina (e na maioria das vezes, há mesmo) a exigir a minha atenção.

 Valorizo cada instante feliz, mas não me agarro a ele, o que pode parecer contraditório. Por outro lado, fujo da nostalgia como da peste porque é das poucas coisas que tem o condão de me fazer chorar. Não acho piada a retrospectivas, a efemérides das quais eu faça parte directamente, de olhar para trás, ainda que não lamente o que passou nem tenha sucedido nada de triste. O que lá vai, lá vai, venha mais. Sinto-me impotente e parte-se-me o coração só de contemplar o passar do tempo, mesmo que seja um passado recente. Para terem uma ideia, a canção "These are the Days of our lives" dos Queen, é coisa proibida perto de mim. Nunca fui capaz de a cantar em público, apesar de a considerar uma dos temas mais belos que já se escreveram. Recuso sempre porque é choradeira na certa. Pode ter-me acabado de sair a Sorte Grande, mas se ouvir tal coisa tremem-me os lábios, começo a morder as bochechas a ver se me controlo e dali a nada soluço como uma criancinha, sem que nada me possa consolar. Go figure. Em suma, o meu amigo estava melancólico com isso e eu não aguento a melancolia, que dali à nostalgia vai um passo e isso é contagioso, credo. E como não suporto ver ninguém triste, fiz ali uma promessa: que nos havemos de divertir tanto a partir de agora, ou mais - de preferência - do que há um par de aninhos atrás. Nada nos impede. Temos  o mesmo espírito, pouco do essencial mudou- mas com outra patine, outro savoir faire, mais sprezzatura e diferentes possibilidades para aplicar o nosso joi de vivre. Beleza, risos, alegria, música? É agora, nem mais cedo, nem mais tarde. Os bons momentos dão algum trabalho, precisam de ser alimentados para que se possam multiplicar - não voltam, mas podem ser melhorados e reinventados. Águas passadas não movem moinho e como dizia Tolkien, " Nenhum barco, nenhum remador; o que deixo para trás não dou como perda" . O que pertence ao nosso destino rema até nós, ao sabor da corrente. O resto apenas faz, ou fez, parte do cenário.

Wednesday, February 22, 2012

A intoxicante multidão

 
"(...)Dizendo que era um parasita, ainda não temos dito tudo. (...). Era um homem bem apessoado, espirituoso serviçal, cheio de cortesia e amabilidade, condições indispensáveis a um bom parasita. (...)Servia-lhe de companheiro não só à mesa, como ao jogo e à caça: entretinha-o a contar-lhe anedotas divertidas e escandalosas, aplaudia-lhe os desvarios e extravagâncias, e lisonjeava-lhe as ruins paixões, enquanto Leôncio, que o acreditava realmente um amigo, fazia dele o seu confidente, e comunicava-lhe os seus mais íntimos pensamentos, os seus planos de perversidade, e os mais secretos negócios de família".

Bernardo Guimarães, A Escrava Isaura
 
Ao longo da vida tem-me sido dado privar com muita gente a quem a natureza e/ou a fortuna favoreceu de diferentes maneiras. Pessoas que - pela sorte, meio,beleza, carisma, riqueza, talento ou pelo sucesso alcançado - se encontram (ou parecem) numa posição relativamente mais agradável do que a maioria.
Esses seres aparentemente felizes são como a luz- atraem o bom, mas também as traças.
Conheci pessoas que lidavam com isso de forma sensata; outras que se aproveitavam mais ou menos cinicamente da sabujice alheia, usando e abusando de quem pretendia fazer-lhes o mesmo, para os mandar à fava em dois tempos com a maior frieza. Para maroto, maroto e meio. Ou como dizia Maquiavel, finge que gostas dos bajuladores, mas conserva meia dúzia de amigos autorizados a dizer -te a verdade nua e crua.
Há outras porém, que sofrem de uma tremenda insegurança. Precisam de ter o ego conservado em algodão em rama, constantemente afagado, de provar a si mesmos que são admirados, que mandam e podem. Esses não só mantêm quantos amigos há por perto, como acolhem as traças e parasitas (da vulgar brigada do croquete ou papa ceias a seres mais perigosos, que não se contentam em enfardar rissois). Abrem as suas portas, a sua vida, os seus sentimentos, relacionamentos e decisões a meio mundo. Todos os seus passos são discutidos por A, por B, por C, por tutti quanti.
Todos os seus "amigos" dizem que sim a tudo. Partilham um só cérebro e um só sistema digestivo, como uma centopeia humana. A única iniciativa que tomam é a de dar palpites sobre aquilo que a "cabeça" faz ou deixa de fazer. E a "cabeça" julga que põe e dispõe, quando na verdade não manda nada. É manipulada, desmandada e dissecada por quem não tem as suas próprias batalhas para travar, por quem vive das migalhas dos outros. Está à mercê das comadres.
Estas pessoas vivem como o Rei Sol - que era senhor de tudo, mas não tinha o direito de ir à retrete sozinho (nem sequer de usar o papel higiénico em paz).
Sempre fugi destas multidões sufocantes. A mera sugestão de fulano e beltrano discutirem assuntos privados meus provoca-me claustrofobia. Que se interessem pela minha pessoa só para ver o que podem tirar dali, apavora-me. Não há vénias, elogios nem massagens ao ego que paguem a independência mental, a liberdade de fazer e dizer o que me dá na real gana.
É uma questão de gosto, creio. Prefiro não reinar, mas ser dona do meu traseiro...o que já é um luxo nos dias que correm.

Thursday, May 26, 2011

Do a little dance, make a little love, get down tonight.





Eu bem sei que estou cheia de trabalho e de trapalhadas para resolver. E que o tempo não dá para tudo. Mas a Primavera anda por aí, ainda por cima armada em Verão. E as noites estão lindas, quando não troveja. O amor anda no ar. Tenho amigos, uma energia misteriosa e um closet cheio de trapinhos que ainda não viram a luz da Lua. Creio bem que a silly season começa mais cedo.



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