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Sunday, December 20, 2015
Quando a beleza é quase demasiada
Por mero acaso encontrei esta imagem de Liz Taylor que desconhecia de todo, e fiquei perfeitamente fascinada. Não consegui confirmar o contexto, mas é quase certo que se trata de uma prova de figurino para a produção de Cleópatra. E nada mais normal que se inspirassem numa das maiores beldades do Mundo Antigo (ou pelo menos, aquela cujo lindíssimo rosto conhecemos melhor) para ataviar de acordo uma das caras mais lindas (senão a mais linda) a agraciar as telas.
Os dois rostos juntos, é quase beleza a mais. Porque a beleza comove e às vezes ofusca.
Nefertiti, esposa de Aquenaton, era tão encantadora que o seu nome significava "a Bela chegou". Por ser assim chamada, alguns defendem que não era egípcia mas turca, enviada ao Faraó como um presente. Não me surpreendia que fosse verdade, já que nas belezas nascidas por essas bandas (quer no feminino, quer no masculino) não há meio termo: a mistura entre os traços orientais e europeus torna-as arrasadoras.
Quando o busto de Nefertiti foi encontrado em 1912, julgava-se que o olho esquerdo da escultura teria sido danificado pelo tempo, mas concluiu-se que nunca fora colocado para começar: o mais provável era que temessem terminar o trabalho, para que as deusas não se enciumassem com a perfeição da Rainha. O seu tipo de beleza transcende épocas, modas e padrões efémeros: tal como o de Simonetta Vespucci, por exemplo, era belo na sua época, continua a sê-lo hoje e o mais certo é continuar a espantar as gerações vindouras.
Já de Elizabeth Taylor - bela por fora e por dentro - basta dizer que interpretou Helena de Tróia (acima).
Pode partilhar o pódio dos palminhos de cara mais adoráveis e das figuras de ampulheta mais incríveis com ícones como Brigitte Bardot, Ava Gardner, Grace Kelly, Vivien Leigh, Sophia Loren e Marilyn Monroe, fora outras (Páris, se fosse chamado a novo julgamento, cortaria os pulsos antes de escolher a quem dar a maçã).
Mas embora nem todos concordem, muitos estudiosos da matéria defendem que a beleza de Liz (embora fosse discreta por vezes, salvo pelo violeta dos olhos) transcendia a formosura comum, por ser absolutamente simétrica.
A beleza é sempre composta de vários aspectos: exotismo, contraste, harmonia, simetria, perfeição e das pequenas falhas que a tornam mais apelativa, para não falar em certos exageros de traços que mais um bocadinho e beirariam o feio, mas por isso mesmo se tornam marcantes e lindos. Isto sem falar no carisma e no olho de quem vê, pelo que é impossível definir uma "beleza universal", mas apenas um conjunto de características geralmente apelativas. No entanto, Elisabeth Taylor andaria muito perto. Vale a pena ler na íntegra este inspirado texto sobre ela, de que reproduzo um bocadinho em tradução livre:
"Os rostos considerados lindos são feitos normalmente de feições pouco certas, mas dispostas de tal maneira que se tornam belas, como Marilyn Monroe; ou de traços bastante comuns, sem nada de especial, que fazem um rosto deslumbrante como o de Greta Garbo; ou ainda de características estranhas, marcantes, como Angelina Jolie - mas não consigo pensar em ninguém que tenha feições imaculadas, extraordinariamente belas que se juntaram para formar uma face ainda mais extrordinariamente bela, como Elizabeth Taylor. Não tem tudo a ver com os traços; a simetria é muito importante. Miguel Ângelo não conseguiria inventar uma cara tão perfeita se tentasse".
Sunday, August 30, 2015
Bárbaros, mas pouco.
Já se sabe que os romanos tinham uma enorme facilidade em chamar bárbaros aos outros e que na Germânia (particularmente na Germania Libera, a Este do Reno) era um pouco como para lá do Marão, onde mandam os que lá estão.
Porém, sabiam ser justos ao descrever o inimigo e Caio [ou Públio] Cornélio Tácito, político romano e considerado um dos maiores historiadores da Antiguidade, deixou-nos uma descrição detalhada dos germanos que nos fará pensar se esses "bárbaros" não seriam pessoas assaz decentes...(tanto que bastantes dos seus guerreiros foram escolhidos para integrar a guarda do Imperador, a dada altura). Para já, andavam lavadinhos (usavam água quente todos os dias, nem mais) apesar de não serem fãs de construir casas bonitas nem de roupas elaboradas: mulheres e homens vestiam uns "saios" e uma espécie de tops de pano simples, com bonitas peles no Inverno.
Tácito conta ainda que as mulheres germanas não se "enchiam de pavor" ao ver as feridas dos guerreiros seus maridos nem se afligiam de "pôr-lhes pensos" e que em batalha, lhes levavam "comida e exortações". Quanto a eles, o seu maior receio era ver as suas mulheres caírem em cativeiro.
Tinham as companheiras e as respectivas opiniões em grande consideração: "julgam que existe nelas alguma coisa de santidade e de prudência, e nem desprezam os seus conselhos ou têm em menor conta as suas respostas".
Também não havia cá lugar a imoralidades nem maluqueiras; eram uns bárbaros perfeitamente respeitáveis, com homens muito sóbrios e mulheres de valor: "a tal ponto ali os casamentos são severos, que não se louvará mais noutra parte alguma norma de costumes (...) são quase os únicos dos bárbaros que se contentam cada um com a sua esposa (...) . Nos próprios auspícios das núpcias, adverte-se que a mulher não se julgue livre das virtudes (...) e dos cuidados das guerras, mas que ela se torna companheira nos sofrimentos e nos perigos (...). Assim recebem o único marido, por aquele modo que têm um só corpo e uma só vida; nenhum outro pensamento, nem um desejo maior (...). Os adultérios num povo tão numeroso são raríssimos. Ali prevalecem mais os bons costumes do que noutra parte as boas leis".
Em suma, eram mais civilizados, limpinhos e honestos do que muito boa gente hoje. Há portanto que pensar duas vezes antes de chamar "bárbaro" a qualquer brutamontes com moral de elástico e ar pouco composto...por muito que apeteça!
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