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Friday, October 24, 2014

Bem dizem que as ruivas não são para brincadeiras.


Evelyn Powell, de Criadas e Malvadas (interpretada pela bonita actriz Rebecca Wisocky, que muito adequadamente fez de mãe de Bree em Desperate Housewifes) é uma personagem fantástica e com um figurino extraordinário. 

  Aliás, vale a pena ver a série só por causa do guarda roupa e caracterização de todo o elenco (a equipa de figurinistas e alfaiates é enorme, reparem)  mas sempre que Evelyn aparece é impossível desviar a atenção: cores ricas (bourdeauxs, verdes, dourados). Griffes como Lanvin, Hermès e Helmut Lang. Maquilhagem irresistível para qualquer ruiva atenta. 

 A milionária Mrs. Powell é uma festa para os olhos, mas as suas linhas não ficam atrás. É um pouco fora da realidade "mataste a minha criada, agora quem vai limpar esta porcaria toda?" mas tem um lado compassivo e uma personalidade de ferro.
 Adorei ver como pôs o namorado categoricamente no seu lugar quando ele puxou a cartada de falso Alfa e abusou da sua posição, tentando tratá-la como uma mulher deslumbrada e carente de modo a ter mais ascendente sobre ela.

 "Só porque temos uma relação, isso não te dá qualquer poder sobre mim".

 Spot on. Não faltam por aí "senhores", salvo seja, que só porque têm um envolvimento emocional com uma mulher acham que podem pôr e dispor sem mais aquelas.

 Ora, uma mulher tolera a devida autoridade ao pai pelo respeito que lhe deve (enquanto vive em casa dele e mais além); no mundo do trabalho, pode anuir a ordens com que não concorda muito por parte das chefias (que remédio) e quando casada, deixar o marido ser figura de proa ou mesmo aturar um desmando ou outro (em modo "leve lá a bicicleta")  porque afinal, ele também cede noutras coisas. Fora isso, não há cenário na vida que justifique fazer de tapetinho. Se não existem fronteiras legais ou físicas que definam a posição de cada um, todo e qualquer domínio está na cabeça de quem o permite. Ou seja, cada um (neste caso, cada uma) é tratado (a) na medida em que se deixa impressionar

 E não convém ceder a isso, porque um dia é um dedo, noutro dia é o braço e vai-se a ver a mulher mais segura de si já não é senhora nem do seu nariz. Não basta ter roupas bonitas e toda a pose a condizer: se não se pensa de acordo, está tudo perdido.




Monday, August 27, 2012

A nobre arte de Abrir a Pestana

                                 

"A Cor Púrpura" é um daqueles filmes que me prende ao ecrã por mais vezes que o veja. Não quero estragar a experiência a quem ainda não conheça este clássico, por isso vou resumi-lo como "o percurso de uma mulher que abre a pestana contra todas as possibilidades".

 A história gira à volta da heroína Celie - negra, pobre, submissa - que teve a sua auto estima amachucada uma e outra vez na Georgia do início do século XX -  muito antes dos Direitos Civis. Ou seja, um péssimo tempo e lugar para nascer mulher, negra, pobre e órfã. 

A desgraçada Celie parece ter vindo ao mundo sem sorte. É sucessivamente abusada, convencem-na de que é feia e inapta, é o pau mandado e o saco de boxe de toda a gente. "Eu não sei defender-me, só sei manter-me viva" diz ela a quem a encoraja a abrir os olhos e lutar por si mesma.  Mas isso acaba eventualmente por acontecer. Quando finalmente ela se convence do seu próprio valor e faz frente ao marido tirano - amaldiçoando-o e girando dali para fora - dá-se um diálogo mais ou menos assim:

Ele: tu não te podes ir embora. Tu lá tens poder para amaldiçoar alguém! És preta, és mulher, és pobre, és feia!
 Ela: Posso ser preta. Posso ser mulher. Posso ser pobre e posso até ser feia. Mas Deus me ajude, vou-me embora na mesma!



Isto passa-se com uma mulher - e por uma série de razões culturais e económicas, as mulheres parecem estar mais sujeitas, em determinados cenários, a situações destas. Mas podia acontecer a um homem. 

Pode acontecer a qualquer um, em qualquer camada da sociedade, época ou lugar. Ninguém está livre de sofrer tentativas de ataque, em maior ou menor grau. No mercado de trabalho, nos relacionamentos, na escola ( é o caso do bullying, tão falado ultimamente...) há sempre alguém que tenta diminuir o outro só porque pode e lhe apetece.

O que condena alguém ao papel de vítima não é  tanto a  sua situação económica ou social mais ou menos vantajosa, o seu sexo, a beleza ou a falta dela, mas a atitude de quem permite. Isso define tudo.

No more Miss Nice Girl!

 Já vi pessoas maltratadas por serem gordas, magras, excepcionalmente bonitas ou feias, mais pobres que os outros, mais ricas que os outros (olha o menino mimado!) por serem uns zés ninguém, por serem famosas, pelo insucesso, pelo sucesso a mais, por terem dificuldades de aprendizagem ou serem  sobre dotadas, pelos mais variados motivos. Há sempre alguma coisa por onde pegar, e quem gosta de ser mau para os outros faz sempre tentativas.  A diferença entre a vítima e a pessoa que se faz respeitar reside somente na capacidade de dar o troco. Na consciência do próprio valor, do "eu não preciso de aturar isto". No poder que cada um concede a si mesmo.


Numa escala mais pequena e menos grave, no espectro das amizades e relacionamentos, por vezes há uma das partes que procura, mais ou menos conscientemente, amesquinhar a outra, mantê-la emocionalmente dependente. Pessoas que têm a atitude "eu sou o último pacote de bombocas e todos os Pais Natais da cidade me querem" (lembram-se do anúncio acima? ) "se não queres há mais quem queira" e "eu dou 20% nesta relação, tu dás o resto se quiseres ter o privilégio de estar perto de mim". Por vezes não é culpa delas, mas foram educadas assim.

 Passar longe deste tipo de situação depende apenas desse poder interior. De ter respeito próprio por maior que a sua desvantagem seja. Da atitude "eu não preciso disto", "eu mereço melhor". De ver a "ameaça" como ela é realmente - um ser tão inseguro e triste que precisa de deitar outrem abaixo para se sentir bem.  Vulgo "isso até pode ser verdade. Mas olha para mim a girar daqui para fora. Que achas disto, hein? Olha para mim cheiinho (a) de medo. Lá fora pode ser assustador, mas é melhor do que isto". Quando vejo alguém a passar por coisas assim lembro-me sempre do discurso de Whoopi Goldberg, que devia ser repetido como um mantra por muito boa gente. Ser forte não é tanto um dom natural, mas uma questão de prática...como tantas coisas na vida.




Wednesday, August 22, 2012

A nobre arte de pôr o coração ao largo

Sophie Marceau e Sean Bean


                                                                     Que sera, sera...


A avó Tete ensinou-me muitas lições valiosas, mas uma das mais importantes foi "põe o coração ao largo!" ou, se a coisa estivesse realmente preta " põe o coração ao largo e pega-te com Deus!". Era uma senhora muito serena, muito sábia, com uma classe à prova de bala. Nos seus tempos de rapariga fora a incontestável " bela do baile". Fazia os bons partidos das redondezas andar num virote, mas apaixonou-se irremediavelmente pelo meu avô - paixão correspondida que nem a morte separou - que era um bon vivant de primeira. Jovem e bem parecido, o avô punha tanto as meninas casadoiras como as "raparigas doidivanas" de cabeça à roda. Era muito popular, convidado para toda a parte. Como o futuro sogro, altivo como uma águia e vigilante como um falcão, só deixava as filhas assistir a festas muito escolhidas, de quando em vez, em muitos bailes ele não podia contar com a companhia da namorada. Com a desculpa de que " não se dança sem par" lá ia recebendo as atenções desta e daquela admiradora, facto que deixava a minha avó à beira de um chilique. Antes que fosse tarde demais e que ele " fugisse com uma maluca qualquer" ela não foi de modas: pôs-lhe um par de patins que quase o matou de desgosto. Andaram dois anos nisto, sem se falar, fazendo fosquetas e partidas um ao outro - e ela sem se ralar nem perder a compostura - mas o amor acabou por levar a melhor. Graças a essa e a outras experiências que passou ao longo da vida, ela sempre me disse " o que tiver de ser nosso, à mão nos vem ter". Seja o amor, o sucesso, o trabalho...não vale a pena uma pessoa consumir-se, desesperar, correr atrás, andar em ânsias ou fazer força. Quanto mais intensidade colocamos em desejos que não está na nossa mão realizar, pior: estraga a pele, atormenta a alma e não resolve nada. E como se consegue essa calma, essa tranquilidade transcendental, perguntava eu? É pôr o coração ao largo! Seja o que Deus quiser! Deus lá sabe o que é melhor!  Não era fácil explicar porque é uma coisa que só se consegue praticando, fake it ´till you make it. Passa por pegar na coisa que mais queremos, ou que mais nos preocupa, e separar-nos mentalmente dela: tratá-la como se não seja nada connosco; não querer saber e ter raiva de quem sabeo que for será, o que não tem remédio remediado está, há mais coisas na vida, mais marés que marinheiros e muito peixe no mar. É uma táctica de desapego com algo de oriental, que exige esforço, mas uma vez dominada nunca nos deixa na mão. Depois de anos de prática, em diferentes sectores da existência, atesto a eficácia dessa filosofia de vida quase zen, que me poupou  muitas angústias e desgostos e me permitiu reagir com uma calma diabólica a situações de deixar qualquer um em parafuso. Se calhar devia haver workshops destas coisas, para quem não teve uma super avozinha.

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