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Thursday, January 28, 2016

Gigi? Oui, c´est moi




Gigi Hadid é a modelo du jour. Um produto do momento e da geração de manequins que - via redes sociais e por seu próprio punho- veio devolver o mediatismo (e o rosto) às modelos, depois de longos anos em que a indústria, a ressacar da era das top models, optou por dar protagonismo aos designers fazendo marchar fileiras e fileiras de meninas de Leste anónimas, pálidas, esquálidas e praticamente clonadas, com uma ou outra vivaça rapariga brasileira a roubar ocasionalmente os holofotes.



 É quase escusado falar no que tem feito Gigi - seria mais rápido detalhar o que não tem feito - basta ver como liderou o desfile da Versace na Semana de Alta Costura de Paris e a sua presença na "casa de bonecas" da Chanel... e isto só nos últimos dias. 



Ora, haverá que apontar a Gigi Hadid. Nomeadamente a overdose de partilhas nos social media e a sua proximidade ao clã Kardashian, em especial à sua best friend forever Kendall (por muito que se desculpe a Kendall Jenner o pecado de ser Kardashian) com quem até partilha a personal stylist, Monica Rose. Nada que cause admiração, já que a mãe de Gigi, Yolanda Foster, de quem a menina herdou a beleza, foi uma modelo famosa nos anos 80 e mais recentemente, uma bem sucedida reality star daquelas do Canal E!


 Algumas vozes mais vanguardistas também apontam que o seu estilo não é nada de especial; que se esperava mais de uma modelo com o seu ainda recente, mas vasto currículo; que o que veste nada acrescenta ao que usam milhares de raparigas da mesma idade por este mundo de Deus e que só escapa com alguns desastres porque
 é ela a vesti-los.

Talvez. Mas posto tudo isso (e sabem como embirro com reality shows e celebridades postiças - nem ligo ao Instagram, imaginem) eu gosto de Gigi Hadid, e não será só por um certo je ne sais quoi que lhe atribuem. Tão pouco por ser uma rapariga atlética e com curvas que, não fazendo por se transformar noutra coisa, também não advoga bandeiras lamechas de beleza real, embora a sua atitude de california girl que se está nas tintas tenha um certo apelo.

Se torço por Gigi, se gosto de a ver (quem disser que não estava extraordinária no desfile de Max Mara em Fevereiro do ano passado carece de sentido estético) é, antes de mais, pela sua beleza. Cara de bebé à parte (e isso contribui para o seu encanto) Gigi é realmente bela. Não é uma dessas celebridades razoavelmente aceitáveis que com uns retoques e montes de maquilhagem nos tentam fazer engolir como beldades. Nem, como Kendall ou Karlie Kloss, uma rapariga altíssima, com perfil de modelo e uma cara bonitinha, que nos vendem como "linda". 

Por muito relativo que isto pareça, há uma diferença entre ser gira e ser bela, entre ter porte de modelo ou mesmo ser uma manequim extremamente talentosa, carismática ou exótica e ser bela. Cara Delevingne é carismática e exótica, por exemplo. Mas Gigi é bela. Tem os traços correctos, na medida exacta entre o harmonioso e o diferente para se tornar notada.

 Nem demasiado sexy como Kate Upton, que está ali no limite e apesar de linda de rosto uma pessoa se questiona se o corpo dela será mesmo bem feito ou não, nem uma beleza relativa como Alessandra Ambrosio. Eu diria que está no topo com outra verdadeira beleza do momento, Emily Ratajkowski. Mas mais vestida, vá.



Gigi tem um tipo de formosura que é intemporal. Como outras belezas famosas, possui um condão raro: levaria cartão verde em várias épocas. Consigo imaginar Gigi a ser elogiada na Roma Antiga, no Renascimento, na Belle Époque, nos anos 50, 60 e até mesmo nos 70, 80 e 90. Haverá mais belas do que ela? É possível. Mas ela passava no filtro e isso é o suficiente.




Depois, é cheia de vida e isso sente-se. Quanto ao seu estilo, haverá decerto melhor e mais espontâneo - Rosie Huntington Whiteley, por exemplo; igualmente uma beldade que veste do mais casual ao formal com uma classe incrível. 



 Nem sempre Gigi  acerta; tem dias. Falta-lhe provavelmente o berço e a experiência de Rosie. No entanto, dois pontos positivos aqui: ela veste (quase sempre) para as curvas que Deus lhe deu. E com a sua mistura (ou a mistura que a stylist faz para ela) de golas altas, ténis brancos, caxemiras, boyfriend jeans, tons  neutros, skinny jeans, botins, statement coats, peças desportivas, cuissardes e inspirações dos anos 1990 com um ou outro vestido clássico pelo meio, consegue três coisas: usar o que a favorece, inspirar raparigas da sua idade e ao mesmo tempo, ser uma boa referência para mulheres dos 30 em diante. É simples? É. E eu à originalidade prefiro peças de qualidade. Funciona? Sem dúvida. Acima de tudo, resulta nela. A roupa pode até não ser aquelas coisas, mas a forma como cai vai muitíssimo de quem usa, e isso é mérito de Gigi. 



E por fim, o nome- Gigi! É um petit-nom nome queridinho, à starlet da era de ouro de Hollywood, à moda antiga. Sou suspeita porque isto de Gigis, Lilis, Sissis, CZs, Zazás e Mimis é tudo parecido, mas imaginam-na a ficar famosa com o seu nome de baptismo, Jelena? Parece nome de uma princesa guerreira de Conan, o Bárbaro. Sempre gostei de uma mulher capaz de se impor sem usar sequer o primeiro nome todo. Uma mulher que o faz não se preocupa sequer se a vão levar a sério ou não. 



Tem tanta confiança em si mesma que se está perfeitamente marimbando. É um bocado " sou a Gigi, tenho uma cara de bebé fofinha, gosto de comer como gente normal mas não me acho nem mais real nem mais glamourosa do que as outras lá por causa disso e visto o que me apetece- deal with it."

Thursday, October 22, 2015

Em louvor da figura de ampulheta


A Harper´s Bazaar publicou hoje, por um motivo menos elevado (o aniversário da Kimmizinha Kardashona) um ode às mulheres que se celebrizaram pela silhueta hourglass: beldades como Liz Taylor, Sophia Loren, Marilyn Monroe, Sophia Vergara, Dita Von Teese...


John Singer Sargent, Retrato de Madame X 
 Se a estrela de reality shows é culpada de pôr na moda uma versão exagerada, caricatural, da mais clássica das silhuetas femininas - e de levar mulheres a apreciar  as suas curvas da maneira errada - a verdade é que, já foi dito por aqui, a figura de ampulheta vem em vários tamanhos: do plus size, como Christina Hendricks, às mais delgadas, como Raquel Welch ou Dorian Leigh.

(O que me leva a esclarecer, mais uma vez, o equívoco: é possível sim ser magra, bastante até, e ter curvas! Tudo depende da forma!)


Lina Cavalieri

A figura de ampulheta, considerada o ideal, o epíteto da forma feminina, a tríade serpentina sagrada, o símbolo de feminilidade, fertilidade, etc - define-se, tão somente, por cintura fina com ombros, busto e ancas mais amplos em comparação.
Pessoalmente, acho que muitas adeptas da figura "Kardashian" fazem batota- nem sempre a cintura é realmente fina, nem o busto acentuado (naturalmente, pelo menos); fazem é por aumentar os glúteos e as pernas, o que fica deselegante...


Elizabeth Taylor

 Segundo as estatísticas, só 8,4% das mulheres tem esta forma, tão cobiçada em várias épocas que levava as senhoras a espartilharem-se...um hábito que está a voltar, pelo menos no que ao fitness diz respeito, com os espartilhos de ginástica.

Jayne Mansfield

 Mas quem já nasceu assim, quem faz parte dessa excepção, pode levar algum tempo a compreender a fundo os factos essenciais de ser uma ampulheta...e a apreciar esse privilégio, salvo seja. Cada figura tem os seus mistérios e desafios. 

O primeiro é que por mais magra e esbelta, nunca se terá ancas de rapaz. E o derrièrre, maior ou menor, será sempre um ponto forte - um facto frustrante quando o que estava na moda eram as figuras de rectângulo, como Kate Moss e Cameron Diaz, ou de triângulo, como Gisele Bundchen, ambas com glúteos mais escorridos. Os jeans devem favorecer essa zona discretamente, sem nunca achatar nem comprimir. 

A cintura será sempre vincada, jamais larga e recta, e por mais desenvolvidos que os abdominais sejam, o abdómen curva para dentro - sempre feminino e dificilmente "a direito"  como o de tantas atletas. 


Sophia Loren

Depois, os decotes muito fechados, os tecidos coleantes (algo em que Kim Kardashian falha redondamente) o estilo muito desportivo, ameninado ou andrógino, os ténis, precisam de golpe de vista e prática de styling para resultar - na dúvida, às vezes é melhor prescindir deles. As saias não têm meio termo, a não ser a clássica, mas sexy, saia lápis ou saia de balão  a 3/4 . Não sendo assim, ou são realmente curtas, para baterem certo com as ancas (o que as torna muito arriscadas) ou compridas (se estiverem na moda). Comprimentos assim assim, bem como os vestidos estilo saco, são para esquecer. 


Raquel Welch

E há que valorizar a lingerie certa como um tesouro. As calças clássicas estilo anos 50, os jeans subidos na cintura (ou se descaídos, com espaço suficiente para acomodar a bacia, o que fica sempre sexy; nada que comprima os ossos!), as calças cigarrette, as camisas, os tops de camponesa que realçam os ombros, os sheath dresses, os casacos cintados, tudo o que é cingido sem exagero, torna-se imprescindível no armário.


Capa da Playboy, anos 1970

Uma "ampulheta" é sempre muito feminina-  e muitas vezes começa a parecer-se com uma mulher bastante cedo. Disfarçá-lo ou fazer por ser outra coisa é um desperdício.


Linda Carter

Por isso tem de fazer os exercícios certos para definir, manter, vincar, alongar. Treinar como uma bailarina para ter as curvas de uma modelo  dos anos 1950- seja de alta costura, como Dovima, ou pin up, como Bettie Page. Ter em mente a velha máxima "a cintura de uma mulher deve ser fina o suficiente para caber nas mãos do homem que ela ama".

E sejamos honestos - se o espartilho ficou na moda, se as mulheres se esforçavam tanto para ter esse aspecto, também era para agradar ao sexo oposto. Nada é tão apelativo para "eles" como a forma clássica de Vénus. Brigitte Bardot que o diga.





Sunday, May 17, 2015

Adriana Lima dixit: em louvor dos homens ciumentos


"Gosto de homens ciumentos. Adoro o ciúme. Adoro."


Nos tempos que correm, as palavras da encantadora modelo podem soar estranhas ou imprudentes - no mínimo, de uma franqueza fora do vulgar.

É que infelizmente, todas sabemos pelos jornais as consequências trágicas do ciúme masculino quando levado ao extremo. Para não falar no ciúme não tão perigoso, mas frequente e exagerado, que transforma qualquer relação num purgatório. A própria Adriana Lima admitiu, noutra ocasião, não gostar de sair com homens demasiado ciumentos.

Há verdade, porém, nas palavras do "anjo" da Victoria´s Secret. Verdades que só uma bela mulher latina (detesto a conotação que a palavra ganhou, mas adiante) poderia dizer e entender. Talvez uma irlandesa o pudesse fazer também, sendo a Irlanda terra de homens católicos e de sangue a ferver, mas tenho para mim que portuguesas, brasileiras, espanholas, italianas e assim por diante sintam uma maior compreensão desse fenómeno (e dos seus perigos e encantos) do que as americanas, as alemãs, as inglesas, exímias na arte de racionalizar os sentimentos e querer tudo nos devidos lugares. 

 Não sei quanto a vocês, mas quando vejo filmes românticos de Hollywood quase sempre acho as mulheres picuinhas, frívolas e intolerantes. Questão cultural: a nossa forma de amar é mais intensa, mas também mais paciente. Ainda temos o reflexo ancestral e maternal de ver os homens como eles são, de não esperar que ajam exactamente como nós. 


São muitos séculos de história, de ciúmes ora sentidos na pele ora ouvidos em relatos de família, de hábito na velha associação "se ele não é zeloso, não se importa" . O ciúme clássico do homem italiano, que vem sempre a par com um amor despótico, avassalador, apaixonado, o "raio" de que falava Mario Puzo, não deixa de se aplicar ao homem português. Tive duas antepassadas a sofrer disso para o provar, sendo que só uma delas tropeçou num marido de origem siciliana. E Adriana Lima, volto a dizer, tem alguma razão. Os ciúmes deles fazem uma mulher sorrir (porque às vezes são cómicos, de tão disparatados) envaidecem-na, oferecem um sentimento de pertença e protecção. Para não falar nas reconciliações fervorosas, cheias de juras e promessas. O homem ciumento tem  toda uma atitude "esta mulher dá comigo em doido" que é extremamente romântica. 

Sim, o ciúme é romanesco e intenso. Não podemos negar isso a bem do politicamente correcto, em nome do "eu não sou insensata" porque quando se trata de paixão, ninguém é muito ponderado e sustentar o contrário seria hipócrita. Em boa verdade, um homem que não tem ciúme algum, que não se rala de todo se a amada veste assim, sai assado, age cozido, que até a incentiva a causar cobiça nos outros, faz-lhe quase um insulto. Não a respeita, não a leva a sério. É um homem Beta, um efeminado, para não dizer coisa pior. Quem adora uma mulher, vê-a como coisa sagrada.


 No entanto, bem se diz que o ciúme é como os temperos: usado em quantidades estratégicas, um bocadinho todos os dias, dá cor e sabor à dinâmica homem-mulher. Mas se a mão escapa e vira um frasco de malagueta para a panela...temos choro, aflição e mal estar. É impossível apreciar uma refeição carregada de piri piri ou jindungo, por muito bem confeccionada que seja, com os mais raros e frescos ingredientes, servida com o maior requinte. Tal como é impraticável funcionar numa relação com demasiada possessividade, por muito amor, química e compatibilidade que haja.

 A desconfiança inviabiliza a comunicação; há sempre assuntos do passado a pôr pedras entre os dois envolvidos; um percalço que não teria importância alguma para qualquer outro casal torna-se um cavalo não de batalha, mas de Tróia; não se segue adiante; o relacionamento não cresce, não evolui; é interrompido (se não oficialmente, pelo menos interiormente) a toda a hora; surge a tentação de refrear os sentimentos, de se doar menos, para evitar sofrimentos escusados- ora por parte do ciumento, que despreza a mulher por coisas que ela nem sequer sonhou, ora da cara metade, que se vai escudando e endurecendo face a cada suposição injusta. 

    Não se pode dizer à pimenta que não queime, ao lume que não arda; mas qualquer um, dotado de razão, consegue moderar a dose e conter as queimadas, de modo a não causar estragos.






Friday, January 9, 2015

La Divina Contessa


A vantagem de olhar para a História com olhos de ver é uma pessoa ganhar a consciência de que nada é assim muito novo, nem muito original neste mundo do Senhor. Cada última it girl ou artista que deslumbra por aí não faz mais do que aplicar com habilidade (ainda que inconscientemente) as referências e inspirações do passado.

Quem conhece o que lá vai não se impressiona facilmente - e convém que assim seja para não pasmar de admiração perante tudo o que aparece, passando um atestado de patetice a si mesmo (a)...

Adiante, que divago: antes de Lady Gaga ser nascida ou sonhada e espantar o mundo com as suas extravagâncias, antes de o divino David Bowie e de Madonna servirem de inspiração para a Lady Gaga, quando as selfies e o instagram não eram sequer ficção científica, havia a Condessa de Castiglione.



 Não cantava, ou se cantava em privado não ficou famosa por isso, mas era uma das mais belas - e criativas - mulheres do seu tempo. Dona de uma linda figura, pálida de pele, um rosto oval e regular com olhos que mudavam constantemente "de verde para um azul-violeta intenso" emoldurado por uma luxuriante cabeleira loura...tudo isto, adicionado a certo espírito e a um atrevimento desconcertante, viria a contribuir para o fascínio que causa ainda hoje.

Nascida em Florença  em 1837, filha do Marquês Filippo Oldoini e sua mulher, a pequena Virginia Elisabetta Luisa Carlotta Antonietta Teresa Maria Oldoini fez o que era esperado das raparigas do seu tempo e do seu meio: aos dezassete anos casou, sem paixão, com o Conde de Castiglioni. Dessa união houve um filho, Giorgio, o único amor que se conheceu à beldade além do seu próprio reflexo ao espelho. 



  Por culpa dos destemperos da mulher ou da displicência do marido, porém, o casamento não funcionou e mais tarde, quando o Conde tentou tirar-lhe a criança, Virginia respondeu-lhe com um retrato onde se vestia de Medeia, faca em punho gotejando sangue, intitulado "Vingança". O filho ficou com a mãe em Paris, continuando a participar nas suas experiências artísticas.



Por volta de 1855 o seu primo Camillo, Conde de Cavour e ministro do Rei Victor Emmanuel II, conhecendo-lhe a beleza e a disposição aventureira, encarregou Virginia de uma tentadora missão: ir a Paris no intuito de seduzir a qualquer custo o Imperador Napoleão III, levando-o a apoiar a causa da unificação italiana.

Napoleão III era já casado com uma das mais deslumbrantes mulheres daquele tempo - a famosa Eugénia de Montijo que, quando o futuro marido lhe perguntou "qual era o caminho mais curto para os seus aposentos", lhe terá respondido "pela capela, senhor; pela capela!".


Eugenia de Montijo

Mas ser marido de uma Imperatriz belíssima não lhe bastava: Napoleão III era conhecido por não resistir a lindas mulheres e quanto às rivais, a Condessa de Castiglione confiava em si própria para as pôr em debandada, o que viria de facto a acontecer. Chegava mesmo a dizer a quem queria ouvir "sou igual a elas pelo nascimento, mas em beleza e inteligência sou-lhes superior!" e que se a mãe a tivesse trazido a Paris em vez de a casar com o Conde, haveria uma italiana e não uma espanhola sentada no trono. 

 Virginia contava ainda com outra vantagem: a influência habilidosa do primo, que movera os cordelinhos numa verdadeira acção de Relações Públicas para preparar a sua chegada a Paris, onde causou de imediato sensação. Depois foi só tratar de aproveitar esse primeiro impacto, fascinando a corte quer com as suas toilettes luxuosas que lhe acentuavam os dotes naturais, quer pelas máscaras reveladoras que criava para bailes de fantasia: ficou célebre o seu traje de "Romana da Decadência" (uma leve túnica que deixava à vista o colo e as pernas, acentuada por sandálias de pedrarias). Os homens perderam a cabeça e esfarraparam a etiqueta, subindo às cadeiras para melhor a apreciar.



O Imperador não podia resistir a tomar para si a mais bela e famosa das mulheres da corte. A ligação foi sempre discreta e a Condessa nunca assumiu ser amante de Napoleão III, mas outra explicação não havia para a influência que exercia junto dele - nem para o pedido de separação definitiva do marido. 
Junto das mulheres, porém, não granjeava simpatias, e não só por uma questão de ciúmes: a Condessa sofria de um narcisismo exacerbado e amizades femininas não a interessavam. A elegante Princesa Pauline von Metternich  descreveu-a da seguinte forma: "ela aparecia em reuniões como Vénus descida do Olimpo! Um cabelo maravilhoso, uma cintura de ninfa, uma carnação de mármore rosa...mas ao fim de alguns minutos começava a entrar-nos nos nervos".



O seu único interesse, além do triunfo social, era a Fotografia - de si mesma, bem entendido. A partir de 1856 começou a visitar o estúdio de Mayer Pierson, um dos maiores artistas do género durante o Segundo Império, para encomendar - sob a sua direcção - centenas de retratos extraordinários, em que aparecia com os seus trajes de fantasia, e com outros famosos (Judite, Ana Bolena...) ou da sua imaginação, em cenários fantásticos. O retratista limitava-se a captar as imagens - os ângulos, a cenografia, o tema, o figurino eram escolhidos pela brilhante modelo, que depois as enviava a amigos e admiradores conforme as conveniências. Foi esta parceria com Pierre- Louis Pierson que a tornou famosa até hoje.




 Com o declínio do Segundo Império a Condessa passou a levar uma vida mais recatada - só saía à noite, coberta por véus negros, e jamais aceitou que começava a envelhecer. Pouco antes da sua morte, em 1899, ainda se encontrou com Pierson para um último photo shoot. A ideia era apresentar a colecção de mais de 400 retratos na Exposição Universal de 1900 com o título "A mulher mais bela do mundo". Nunca saberemos se acreditava realmente na lenda que criava para si própria, ou se haveria alguma pitada de ironia nestes extravagantes devaneios.

De toda a maneira, a vida não lhe concederia este derradeiro assomo de vaidade: morreu em Novembro de 1899, aos 62 anos. Porque tudo tem limites, até a Beleza...ou porque finando-se antes, contribuiu para a aura de mistério que continua a cercá-la. Vindo da La Castiglione, tudo é possível.








Wednesday, December 17, 2014

As coisas que eu ouço: piropos, ou uma beldade sem sentido de humor não é nada


Uma Senhora muito minha amiga, distintintíssima como já não se fazem, foi uma beldade de parar o trânsito na sua juventude - estilo Penelope Cruz, mas para mais linda. Hoje, já com os seus setentas, continua encantadora porque como costumo dizer, quem foi bela sempre o será desde que se cuide.
 E como além de bonita sempre foi uma mulher de espírito, recentemente decidiu pregar uma partida ao médico que a acompanha. Foi à consulta e queixou-se: "Sr. Doutor, acho que estou a ficar surda! Cada vez ouço pior!".
 E como se o bom doutor lhe fizesse todos os testes e instasse que a sua audição estava em perfeitas condições, a Tia M. retorquiu:

"Não está a compreender, Doutor. São os piropos!  O problema é que já não ouço os piropos!"


Moral da história: quem se queixa furiosamente de que todos os piropos, bons e maus, deviam ser proibidos por lei, não viveu nos anos 60 quando as mulheres ainda sabiam ser mulheres, ou nunca recebeu muitos elogios...

Wednesday, December 3, 2014

Mamie, a bombshell original...que não envelhece



      "My best asset is my brain. 
Without my brain, I don’t think the rest of me would be too hot".

                                                                  Mamie Van Doren


Olhem para este rosto - uma beleza clássica. Mamie Van Doren, uma das maiores bombshells dos anos 50 (embora limitasse a sua carreira a filmes de culto série B e nunca alcançasse o estatuto de Marilyn Monroe ou de Jayne Mansfield, sua "rival" em Hollywood) seria bela em qualquer época. 

A sua cara era tão perfeita (pele de porcelana, olhos castanhos amendoados, rosto oval e uma boca ideal para anúncios de bâton) que não precisava do cabelo platinado nem do visual glamouroso para ser linda, mas...calhou-lhe uma figura de ampulheta cheia de curvas e ter vivido na década certa.

 

 Pessoalmente acho-a ainda mais bonita do que Jayne (e eu sou fã de Jayne, a bomba platinada com um QI de 150) e pelo menos tão bonita como Marilyn, em termos puramente plásticos. Quase uma mistura de laboratório entre Marilyn e Grace Kelly.


 Em todo o caso lembrei-me de Mamie porque há dias, enquanto fazia zapping, a vi num programa qualquer de noivas (no TLC?) já nos seus oitentas, fresquíssima, muito alegre...a escolher um vestido de noiva bastante espampanante, nem mais.

Mamie com Pamela Anderson

 E embora seja óbvio que o estilo dos anos 50 lhe assentava francamente melhor, que o visual que adoptou agora não é exactamente apropriado para uma senhora da sua idade e que há ali algum trabalho de bons cirurgiões, etc, etc, etc...não deixa de ser extraordinário como está bem conservada.


Porque digam o que disserem aquela cara, aquele brilho e vitalidade, não parecem de modo algum pertencer a quem tem 83 anos, com ou sem retoques de bisturi. Isto se Mamie não tirou, como tantas colegas suas, uns anitos ao bilhete de identidade.

 É caso para dizer que quem foi bela sempre o será desde que faça um bocadinho por isso - e para perguntar que poção ou filtro é que ela tomou! 









Monday, December 1, 2014

Paola, a Princesa "raio de Sol"


Acho sempre certa graça ao interesse de muitos bloggers pelas idas e vindas de algumas "cabeças coroadas" actuais, sem que se olhe para os exemplos de outro tempo - de uma época em que tudo era mais glamouroso e muitas vezes, tingido de maiores responsabilidades, o que só acrescentava valor ao facto de os representantes das Casas Reais europeias de então conseguirem, ainda assim, ser ícones de estilo que perduram.

 Antes de admirar uma Duquesa de Cambridge - o ai Jesus tratado de forma assaz superficial na era das redes sociais -  é inevitável lembrar como a Duquesa de Alba foi jovem e bonita, ou o assombro que era a Princesa Margarida. Nos anos 1950/60, várias  jovens aristocratas e Princesas  deslumbravam nas páginas (bem mais respeitosas e artisticamente escritas que as de hoje, assinale-se) de jornais e revistas, ora pela sua beleza e brilho, ora pelos seus dramas e rebeldias...

 Uma dessas beldades era a Princesa Paola Margherita Giuseppina Maria Consiglia Ruffo di Calabria, que viria a tornar-se Rainha consorte da Bélgica.



 Membro de uma antiga Casa italiana, filha mais nova do Príncipe Fulco Ruffo di Calabria e da Condessa Luisa Maria Gazelli di Rossana e di Sebastiano, Paola era uma jovem tímida de ascendência italiana, belga e francesa. Falava fluentemente quatro línguas, porém 
dizia-se  que era "muito simpática, mas tão retraída que nem se dava por ela". 

 Não obstante, o Príncipe de Liège, Alberto (filho mais novo da lendária Rainha Astrid da Bélgica)  ficou encantado mal a viu numa recepção em Roma e - embora fosse ele próprio bastante acanhado - não perdeu tempo a conquistá-la: após um breve namoro, casaram em 1958. O povo belga ficou tão enternecido pela beleza e sorriso doce da noiva de cabelos dourados que a apelidou de "Princesa Raio de Sol". 



Porém, a adaptação a um novo país e ao seu papel de consorte do segundo na linha de sucessão não foi fácil: Paola tinha saudades terríveis de casa e o marido estava sempre ocupado, o que levou a crises no matrimónio. 


Modas e Bordados- Vida Feminina, Maio de 1962

Valiam-lhe os bebés que foram nascendo e o facto de ter poucas funções oficiais, mas isso começou a mudar quando ficou claro que o Rei Balduíno, irmão de Alberto, e a mulher, a Rainha Fabíola, não teriam filhos. 



Aos poucos, a figura de Paola e o seu sentido de estilo começaram a despertar grande curiosidade nos média. Modesta, irrequieta e dotada de grande sentido do dever, a perspectiva de ocupar o trono acabrunhava- a (sic):

"A Princesa Paula é feliz e o consorte Alberto de Liège sente-se orgulhoso dela. Com o pequenino Filipe constituem, de facto, uma família perfeita. O segundo filho dos príncipes (...) deverá nascer no fim do mês de Maio, mas Paula continuou  até há poucos dias a aparecer em público, comovendo toda a gente com o seu ar compungido, os seus cabelos descompostos e a sua figura docemente pesada. «Embora Paola seja a última a desejá-lo - diz-se em Bruxelas - a comparação entre a sua tranquila segurança e a patética inquietude da rainha Fabíola surge espontâneamente» (...) Uma enorme responsabilidade pesa, por conseguinte, sobre os frágeis ombros da linda princesa Paula. «Paula - dizem as suas amigas romanas - nunca fala nisso, e seria uma grande descortesia se alguém lhe falasse mesmo em particular. A verdade é, porém, que Paula recusa a eventualidade de tornar-se rainha. Em vez de lisonjeá-la, uma tal eventualidade assusta-a (...). Ela conhece perfeitamente o enorme peso de obrigações que pende sobre uma rainha..."


 (in Modas e Bordados, 1962)


A temida responsabilidade  viria a caber-lhe de facto, mas só em 1993 quando o cunhado, o Rei Balduíno, morreu sem deixar descendência.  Paola tornou-se Rainha dos Belgas (posição que só deixou de ocupar no ano passado quando o testemunho foi passado ao filho, o Rei Filipe, e à sua encantadora esposa, a Rainha Matilde). Paola - que mantém muita da beleza e elegância da sua juventude - e Alberto celebraram 50 anos de casados em 2009, tendo dito na altura "tivemos os nossos problemas, mas agora reconhecemos que fomos feitos um para o outro".


 *Fontes -  "Modas e Bordados", Hola e via.




Conselho de 1901 que ainda vale em 2014



 "(...)any makeup which is not discreetly and artistically managed is vulgar in the extreme."

Ella Adelia Fischer, The Woman Beautiful (1901)


As modas vão e vêm, a elegância fica; e há máximas que não se alteram com o passar do tempo. Sendo certo que na Belle Époque estavam em voga as morenas claras com figura de ampulheta, como Lina Cavalieri, e pouca ou nenhuma maquilhagem (o uso de "pinturas" só viria a ser assumido pouco a pouco, embora a maior parte das senhoras as aplicasse discretamente) a verdade é que um rosto demasiado "mascarado" - quando fora da passerelle e dos editoriais de moda - não é favorecedor, nem atraente. É impossível ter bom ar com um make demasiado forte.

 A maquilhagem, por muito sofisticada que seja, deve servir para realçar os traços...não para pesar ou dar nas vistas por más razões.

 Actualmente, temos à disposição duas "correntes de maquilhagem" por onde escolher: o natural "no makeup look" e um visual cuidado ao extremo, com vários truques de contouring, reservados até há uns anos atrás aos profissionais e connoisseurs e amplamente divulgados agora junto do público graças a celebridades instantâneas como Kim Kardashian e aos tutoriais de maquilhagem disponíveis nas redes sociais ou no Youtube.

Em ambos os casos, convém encontrar o meio termo: recursos como o smokey eye e o bold lip podem resultar lindíssimos e ser, em si mesmos, um acessório de moda; o contouring habilmente aplicado pode dar "cara de boneca" sem que se note que lá está.
 Convém que o que está a vista pareça real, vivo, que uma mulher possa agir à vontade e receber uma festa ou beijo no rosto sem parecer que vai sujar a pessoa que a cumprimenta!

 O que é preciso é sensatez, conhecimento (para saber o que nos cai bem e evitar gaffes e visuais datados, como as sombras brilhantes e o excesso de gloss) um pouco de prática e olhadelas frequentes e discretas ao espelho (para evitar borrões que acontecem a todas).

 Tendo em mente que a boa maquilhagem serve apenas para enaltecer o que a Natureza deu a cada uma e que, para ser uma mais valia e não um incómodo, não deve fazer-nos perder demasiado tempo pela manhã, estar-se-á no caminho certo. Uma boa rotina não tem de ser longa nem angustiosa. Quanto à diversão de experimentar truques novos e elaborados...uma forma excelente de garantir que não se exagera é reservá-la para a noite e ocasiões especiais.

 Mantenhamos as coisas simples, pois disse Arlene Dahl e muito bem "demasiado rouge é sinal de desespero".





Wednesday, November 26, 2014

A bela Arlene Dahl...e os seus conselhos para mulheres poderosas.


                  "Blondes may have more fun, but redheads never have regrets." 

Arlene Dahl


Arlene Dahl, nascida em 1928, é uma actriz, cronista e autora de livros sobre temas como  beleza, comportamento e astrologia.
 A beldade ruiva alcançou notoriedade nos anos 50 e tornou-se uma especialista em cosméticos e assuntos femininos, lançando vários livros, produtos de beleza e linhas de lingerie. Era tão bonita, mas tão bonita, que as meninas brincavam com bonecas de papel para cortar fatiotas inspiradas nela:


Pelo caminho, teve seis maridos (continua casada e feliz com o sexto) três filhos (entre os quais, o actor Lorenzo Lamas) seis netos e um bisneto.

  Apesar do percurso sentimental algo tumultuoso (casar seis vezes é obra!) Arlene foi sempre uma mulher feliz e descontraída, que não parecia levar os cavalheiros demasiado a sério. O seu primeiro marido foi aquele que considero um dos homens mais bem parecidos (de sempre!) de Hollywood, o Tarzan Lex Barker:


Faziam um casal belíssimo, mas Arlene, que andava entretida a namoriscar Jack Kennedy  e Robert Hutton e a divertir-se como nunca, só casou com ele por recomendação da amiga Joan Fontaine, que lhe disse "este homem está apaixonadíssimo por ti - devias parar de o entreter". O conselho não se provou muito feliz, porque a união durou pouco "ele era o homem mais bonito que alguma vez vi e um ser humano maravilhoso, mas não tínhamos nada em comum". Mal feito, digo eu! Porque depois levou décadas a acertar, prova provada de que não há amor (marido, neste caso) como o primeiro.

 De qualquer modo, concorde-se ou não com o modus operandi da actriz, a verdade é que ao contrário de muitas colegas suas ela sempre soube lidar com o sexo oposto, levou a sua vida adiante sem dramas mantendo a reputação de uma senhora (pelos padrões de Hollywood, vá) e sabia um par de coisas sobre relacionamentos:

 Take each other for better or worse, but not for granted. 




Há dias deparei-me com um livro dela, escrito nos anos 60 (disponível na Amazon) com conselhos de personal styling e relacionamento: Pergunte sempre a um Cavalheiro: chaves para a Feminilidade. Parece que o manual ainda é um tesouro vintage para muitas jovens americanas, que o herdaram das estantes das avós. 

Bom, este é o tipo de obra que deixa as feministas de carteirinha à beira de um ataque (não vale a pena ligar a isso: elas têm fanicos por tudo e por nada, mesmo) porque, bem...Arlene perguntou aos colegas de Hollywood e a celebridades do jet set internacional (do verdadeiro, mind you) o que é que realmente lhes agradava numa mulher, e juntou os seus próprios conselhos. O resultado é muito curioso e se há uma ideia por outra que faz menos sentido nos dias que correm, a maior parte - evitar a ostentação e os sapatos de plástico, por exemplo - é intemporal.



 Como tantas mulheres inteligentes ao longo da História, Arlene defendia que a chave para o poder feminino não está em querer ser igual aos homens nem na canseira de tentar derrubar um status quo que existe desde a noite dos tempos, mas em usar a feminilidade, a subtileza e a diferença a seu favor. A velha fórmula que agora não cai lá muito bem dizer em voz alta para não ser acusada de bota-de-elástico, vulgo deixá- los achar que este é um mundo de homens porque eles não fazem nada sem nós, mesmo ou seja, na cooperação entre os sexos (ou batê-los amigavelmente no próprio jogo, se preferirem).

 Dicas do género "todas as mulheres têm uma audiência para a sua feminilidade, e não convém desprezá-la; convém estar sempre no seu melhor, pois nunca se sabe quem está a ver", evitar "uma voz estrídula" ou coisas irritantes como "falar à bebé" e conselhos como este, do Xá do Irão (sic) " a aparência de uma mulher reflecte a posição do homem que está ao seu lado e quanto mais elegante ela é, maior o elogio que ele recebe" fazem sempre falta, eu acho.



  Se muitas mulheres na política, por exemplo, seguissem o conselho de evitar falar como canas rachadas (e nos últimos dias, foi complicado ouvir as notícias com tantas comentadoras a tentar fazer-se ouvir aos guinchos) seriam levadas mais a sério. Digam o que disserem, a feminilidade e elegância impõem sempre respeito.

E no fundo, qual é o problema de tentar perceber aquilo que agrada ao sexo oposto? As autoras de revistas actuais escrevem exactamente o mesmo tipo de artigos - o problema é que, como acham que sabem tudo, perguntam umas às outras ou raciocinam sozinhas lá na sua cabeça em vez de indagar junto do público alvo, além de inverterem o jogo de uma forma totalmente prejudicial às mulheres. As revistas de hoje dizem
 "esfalfe-se, conquiste-o!" enquanto autoras como Arlene aconselhavam "faça isto e valorize-se para que eles a queiram conquistar a si" o que é muito menos cansativo...e mais digno. E acrescente-se, Arlene tinha uma carreira e nunca precisou de homem nenhum para lhe pagar as contas...

 Qual dos dois modelos de comportamento é mais (olha a palavra da moda) EMPOWERING para as mulheres? Julguem vocês...









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