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Tuesday, February 9, 2016

Eça de Queiroz dixit: lá por ser Carnaval, não se desfavoreçam de propósito.



Eça de Queiroz, "Os Maias"

Ontem não resisti a partilhar no Facebook do Imperatrix uma imagem carnavalesca divulgada por outro blog, o que levantou alguns argumentos interessantes. Coisa esquisita, entretanto o meu post sobre o assunto desapareceu do mural - do meu e de quem partilhou inicialmente o retrato a partir da página original. Censura ou avaria, não faço ideia...tenho para mim que o dono das imagens ficou arreliado com a troça, levou a mal apesar de ser Carnaval e tratou de retirar o conteúdo. Alguns instantâneos do dito desfile ainda estão disponíveis (fiquei curiosa, fui procurar) mas como não pretendo ser cruel e sim explicar um ponto de vista, vou deixar as pessoas em paz.

 Tratava-se de uma menina - até esbelta da cintura para cima, mas no todo com uma acentuadíssima figura de pêra e pernas mais cheias do que seria saudável ou razoável- que decidiu ataviar-se de borboleta descascada, vestindo (ou despindo) uma espécie de maillot com ceroulas recortado aqui e ali de forma a fazê-la parecer mais gordinha do que já era. E não é caso único, como sabemos: bastou olhar para a televisão este fim de semana, que na maioria dos corsos (especialmente nas localidades que ignoram o clima e escolhem inspirar-se no Carnaval brasileiro e não no Entrudo português) havia mulheres e raparigas "fora de forma" em fantasias muito reveladoras, sem fazer caso do frio, da decência ou da estética.



Sem querer bater mais no ceguinho, vejamos uma coisa: brincar ao Carnaval é sobretudo humor. Por isso, se quem não tem uma figura de celebridade brasileira com meses de preparação física para desfilar na Avenida lá no Rio de Janeiro quiser troçar de si própria aparecendo quase despida, está no seu direito.

O problema é que não me parece que seja essa a intenção. Quem se despe para o Carnaval não quer parecer cómica, nem satirizar o facto de estar "gorda". Quem se despe para estes desfiles fá-lo no detestável modo (blhec, cá vai) "o que é bom é para se ver". Em suma, quem desfila em não-trajes exibindo as abundâncias quer ficar sexy. O problema é que não fica e entristece-se caso alguém aponte o facto. É o problema do exibicionismo feminino que anda imenso na moda.

Voltando à rapariga em causa, comentei convosco que com a sua silhueta, o que lhe iria bem era um traje estilo Maria Antonieta (ou Maria Antonieta versão borboleta) pois- digo-o sem qualquer maldade - não precisaria de grandes anquinhas de arame para tufar a saia. Ficava bonita, divertia-se na mesma e a máscara tinha outro requinte. Mas não: a menina quis parecer (ai, cá vai) "boazona" a todo o custo, que agora até está na moda ter (já que estamos a fala de brasileirices) pernão e bundão . Mas até mesmo dentro do exagero e do mau gosto há limites, por isso deu nas vistas...

Como eu não desligo os ossos do ofício mesmo no Carnaval, tenho de dizer isto: até em mascaradas convém ter o nosso tipo físico em atenção. Não só pela beleza, mas para o disfarce bater certo e ficar credível.

Ou seja, há que usar o que combina connosco. Uma senhora gordinha fica espectacular de Rainha de Copas, por exemplo. Uma mulher de meia idade, com curvas e cintura mas um pouco "cheinha" fará um figurão vestida de taberneira medieval. Uma rapariga atlética pode mascarar-se de super-heroína sem problemas (desde que evitando vulgaridades e considerando o frio) e assim por diante. Quem tem cabelo escuro e pele clara, pode aproveitar isso para ir de gueixa; quem é loura, fica muito engraçada de alemã da festa da cerveja; uma morenaça não terá dificuldade em vestir-se de indiana ou de Pocahontas. Claro que é possível recorrer a uma boa caracterização para se disfarçar mais ainda, usando uma peruca e por aí fora, mas quanto mais próximo do nosso tipo for a personagem, mais conseguida e menos trabalhosa será a fatiota.

Eça de Queiroz, sempre muito atento às questões de elegância, defendia esta mesma ideia em Os Maias, na preparação para o famoso baile dos Cohens: cada um deve aproveitar a sua figura. 

Se não aproveita, é livre de brincar ao Carnaval na mesma mas não se pode queixar se não tiver tanta piada...ou se o resultado DEMASIADO engraçado.











Friday, February 5, 2016

Este Carnaval, o que eu queria mesmo era um drone.


É que primeiro, como ainda não decidi de que me hei-de mascarar dá-me para estas divagações, segundo porque assim do nada não se fala de outra coisa e apesar de eu ser contra modismos papalvos, estou a achar piada a estas maquinetas que me lembram os robozinhos amorosíssimos O Milagre da Rua 8.



É verdade que os drones (e  autênticas "invasões" dos ditos) andam a dar com algumas pessoas em doidas e a levantar questões de segurança (até já se treinam águias para caçar drones perigosos ou indiscretos, how cool is that?) mas também servem para dar coças em terroristas, para obter imagens espectaculares e para coisas mais criativas, como cobrir a modéstia de bailarinos que decidem dançar em trajes menores. 
Prestam-se a tudo, estas engenhocas.


Ora, eu não me vou vestir de drone no Entrudo porque além de precisar de voar para o disfarce ficar credível, acho que não me ia favorecer (e o mais certo era ninguém perceber a fatiota). Mas ter um drone folião para pregar partidas a pessoas malvadas seria divertidíssimo.

Nada de partidas muito feias, mas é Carnaval, ninguém leva a mal, logo imaginem: porem um drone a seguir para todo o lado, mas todo o lado mesmo, aquela criatura intolerável (quase toda a gente tem uma criatura intolerável ou mais na sua vida, que uma pessoa aplica o "perdoai-lhes que eles não sabem o que fazem" mas factos são factos). Ou vá, qualquer alma declaradamente malvada que vos tenha feito trinta por uma linha, ou ainda aquele falso amigo que vos arreliou e a coisa não é grave, mas adoravam ficar quites. Adiante.



Punha-se então o drone, com o ar imperturbável de descaramento que só uma máquina pode ter (e mais um drone, que é pequenino, com ar de quem diz "eu sou tão adorável, por acaso incomodo?") a voar sempre perto da pessoa, a zumbir os seus barulhinhos de drone (suponho) no firme propósito de a azucrinar. Se a alminha apressava o passo, incomodada, o drone apressava o voo. Se lhe virava as costas, o drone dava a volta, esvoaçando à sua frente.  A "vítima" por acaso ia ao restaurante ou ao cabeleireiro, desses pindéricos com vidros por todo o lado? Lá ficava o drone colado à montra. A não ser que vos apetecesse fazê-lo sair da terrina da canja ou do armário das toalhas, em modo stalker, para armar verdadeiro rebuliço. E todo o santo dia nisto, a filmar a cara de enfado do alvo. 
Caso desatasse a correr, aí é que eram elas: podia accionar-se a opção de cobrir o (a) desinfeliz de farinha, ovos e confetti, bem à Entrudo de outros tempos. Ou seria a tecnologia posta ao serviço da malandrice carnavalesca de cada um. Sonhar não paga imposto (até porque creio  que não teria paciência para aprender a comandar um drone, logo podem estar tranquilos...).



Sunday, January 31, 2016

Isto é Carnaval, ou é a sex shop do tio Belmiro?


Eu já vos disse várias vezes que sou muito foliona e que adoro o Entrudo- até partilhei aqui uma ou outra fatiota. Mas também já me tenho queixado quer da brasileirização, quer da pouca vergonhização do Carnaval...está bem que há que partir a loiça antes da Quaresma, mas não exageremos. Carnaval é Entrudo, é matrafonas e caretos e gigantones e bailes de máscaras glamourosos à moda antiga, é o Carnaval de Veneza, de Torres Vedras, de Trás-os-Montes ou da Beira Alta com a sua valsa malcriada ou o Mardi Gras. Todos os anos o assinalo de alguma maneira - ainda estou cá a pensar de que me vou mascarar desta vez - mas nunca me convencerão de que ele se festeja num samba à chuva com abanar de celulites (que as meninas mais parecem uns frangos de supermercado, brancas, geladas e com penas) ou com fatos manhosos de poliéster/ acetato/viscose, quanto mais reduzidos melhor (que invariavelmente acabam a levar com um agasalho que não combina por cima). Há que ter brio, até nas palhaçadas! 

Ora, hoje passaram-me uma postagem do facebook da mercearia do Tio Belmiro (até gosto de lá ir, mas um hipermercado nunca será senão uma mercearia gigante) que me deixou a pensar outra vez nisto. É que palavra de honra, a fatiota de Capuchinho ou lá o que era que ilustrava o sortido de máscaras de Carnaval era tão ordinareca que mais parecia um anúncio de uma loja para adultos. No melhor espírito que descrevi aqui. Era mini saia encarnada, era meias pela coxa, era um ar vulgar todos os dias. 

Estranhamente agora a publicação já não está disponível. Terão outros clientes/internautas dado pelo inapropriado da coisa e reclamado, ou feito troça? Não que seja novidade, de todo: Capuchinhos, Brancas de Neve e por aí fora em versão sexy é o que mais há por este mundo perdido. Mas num supermercado familiar, numa página toda fofinha com receitas e coisas assim, destoa. Por muito que a Popota se vista pior do que isto...


Tuesday, February 17, 2015

O cúmulo do Carnaval (maldade foliona do dia)


O cúmulo é termos hoje uma ventania de tal ordem que, dizia há pouco o noticiário, está a levar os bonecos e enfeites dos carros alegóricos pelos ares.

Não se pode parar em lado nenhum e já começo a pôr em causa se me mascaro ou não daqui a bocado.

A continuar assim quem se vestiu de fada, anjinho, diabinho, passaroco, super homem ou qualquer coisa com asas ou capas ainda acaba por dar-lhes uso e vai ser um rebuliço com gigantones tontos a levar tudo à frente, cabeçudos a chocar uns contra os outros, caretos a chocalhar por ali fora, as meninas das escolas de samba com todas aquelas plumas a levantar voo como papagaios depenados, o povo todo a fugir como se estivera o céu a desabar e um cair  de máscaras literal e generalizado. Não me levem a mal, que eu adoro o Carnaval e até sou bastante foliona, mas acho divertidíssimo que o clima seja sempre o maior folião de todos.

Vou deixar-vos uma musiquinha inspiradora pelo sim pelo não, ponho é as minhas dúvidas se este Mardi Gras vai sair coisa que se veja...


Sunday, February 8, 2015

Sexy ou vulgar? Catwoman explica.


Em certas situações, a fronteira entre o que é apelativo e feminino e o too much pode não ser tão evidente como isso. É claro que qualquer rapariga de bom senso sabe que o que é demasiado curto, descoberto, coleante e chamativo deve ser evitado a bem da elegância (e de não atrair atenção indesejada!) mas por vezes há nuances mais subtis. Uns centímetros, um botão, um acessório, um pequeno excesso na maquilhagem ou na atitude ditam a diferença entre o irresistível e o vulgar, que é sempre ridículo.

Como o Entrudo está quase aí, lembrei-me de exemplificar isso com um exemplo sexy por excelência, que é útil (de forma hiperbólica) para o dia a dia, ou caso estejam a pensar em mascarar-se: a nossa amiga Catwoman.

 Todas as super heroínas são necessariamente sexy - para começar, por qualquer razão desenham-nas sempre com uma espécie de fato de ginástica, ninja ou ballet (creio que a desculpa é a necessidade de trajes que não comprometam os movimentos) além de que uma super heroína (ou super vilã) tem de estar sempre em forma e ser bonita, senão era um disparate. Depois, os super poderes deixam-nas em super contacto com a sua deusa interior e blá blá blá, pelo que a rapariga tímida ou desajeitada, uma vez vestindo (literalmente) a capa do seu alter ego se transforma numa mulher assertiva e confiante.

 Mas a Mulher-Gato junta a hiper feminilidade aos movimentos e atitudes felinas. Os gatos fazem o que bem lhes apetece, têm uma manha irresistível e movem-se com uma sensualidade natural, por isso todo o cuidado é pouco.

Vejamos então as três catwomen mais recentes. 


Michelle Pfeiffer foi uma mulher gato perfeita. Eu era pequena quando vi o filme e fiquei fascinada por ela. Esguia, lânguida mas sem se bambolear demais, com olhos realmente felinos, um pouco perturbada e com a maquilhagem sempre algo "desfeita", comme il faut. E o fato -além de parecer dispendioso apesar de ter sido feito em casa a partir de uma gabardine velha, ó rapariga prendada - era de gola alta, manga comprida e luvas!


Faz sentido: se uma roupa é justa, brilhante, com costuras à vista, o mínimo que se pede é que seja tapadinha e tenha uma silhueta simples.

Depois, não por ordem cronológica, temos Anne Hathaway. 



A menina Anne tem sempre classe e na maioria das cenas em que aparece, é mais graciosa do que provocante, uma ladra de casaca (ou antes, de saias):


Para catwoman, ela até se movimenta de uma forma bastante contida. Bravo! Os saltos altos dão todo o "requebro" extra que uma mulher precisa de ter, e ser Mulher Gato não é desculpa para caminhar dengosamente.


A Catwoman de Anne é mais compostinha que a de Michelle Pfeiffer: pouca maquilhagem, menos doideira e a toilette também cobre quase tudo - embora justa, os materiais são mais espessos. Blusão de cabedal, luvas e cuissardes mas tudo muito simples, com um ar quentinho e próprio para proteger a pele em caso de queda.  Lição número um: quando se usa botas longas, o resto deve ser discreto!


Ou tão discreto quanto é possível em modo super vilã, vá. 

 E por fim Halle Berry, que foi bastante criticada pela sua versão de Catwoman.


 Só vi o filme recentemente e...não admira que tenha sido um flop. A ênfase nos temas "do sagrado feminino" e das inseguranças das mulheres com a beleza e a juventude até podia ter tido a sua piada embora fosse um cliché, mas Credo, Halle Berry e seus figurinistas deram cabo de tudo.

Caretas ordinárias, estilo sou tão sexy que não aguento? Check! Luvas com buracos para mostrar a nail art que é simultaneamente uma arma letal, capaz de matar só pela pinderiquice? Check!



Super traje estilo stripper que parecia comprado na sex shop da esquina - ele era decote, ele era crop top decotadíssimo, ele era cintura descaída a mostrar mais do que ficaria bem (mesmo nela) e rasgões estratégicos no "respectivo", enfim, bom para se esfarrapar toda logo que caísse de um prédio abaixo? Sem esquecer o sapatuxo aberto para dar cabo das unhas dos pés na primeira corrida? Check!


E last but not the least, uma make up exageradíssima (como se uma super anti-heroína tivesse tempo para se retocar entre takes) e...reparem neste caminhar bamboleado, de Super Serigaita. Classy. Toda a vida tive gatas em casa e nunca nenhuma se abanou assim. Bem se diz na minha terra, é muito feio uma mulher balançar as ancas quando caminha. Mesmo uma mulher gata!



Em resumo, até no Carnaval se leva a mal caso a fantasia não seja de Super Heroína, mas de Super Flausina...a dignidade cabe em toda a parte, pois claro.

Thursday, January 29, 2015

O povo transmontano dixit: contra desculpas esfarrapadas

Fatiota de Carnaval que vai ser um sucesso

"O que protege do frio, protege do calor"

Sempre tive em grande apreço as tradições e mitologia transmontana. Trás- os-Montes, com os seus ecos celtas e a divisa "para lá do Marão, mandam os que lá estão" parece-me um dos últimos redutos da galhardia portuguesa, que se foi quase toda com as caravelas ou pereceu em Alcácer-Quibir.

Esta estima aumentou quando uma pessoa da família lá viveu durante uns anos, trazendo amiúde bons petiscos (como as castanhas em calda!) e boas histórias para casa.

 Ora, a grande verdade acima citada devia andar aí afixada em cartazes perto de escolas, centros comerciais e discotecas, a ver se acabamos com a "regra" de os ursos polares, os pinguins e as serigaitas não sentirem frio.


Os ursos e os pinguins andam todo o ano agasalhados, compostos e decentes, as pessoas desmioladas não. 

Quanto ao calor, é a desculpa mais mal enjorcada para se andar...mal enjorcada.

Estava cá a pensar nisto e a procurar uma imagem para ilustrar a ideia, quando me deparo esta fatiota carnavalesca de urso polar - ó ironia. Como o Entrudo está à porta, esta e a de boneco de neve, agora que o Frozen está na moda, aposto convosco que vão fazer sucesso, e pior-  que não vão ser tanto modelos a usá-las, mas "ursas" mais para o redondinho, estilo Kim Kardashian de feira...

É uma sorte não se lembrarem de fazer fantasias de "Careto Sexy", senão nem as vetustas tradições transmontanas escapavam. Tipo isto, mas só pompons e muito pouco pano:





Monday, March 3, 2014

Há quem não precise do Entrudo para nada.


E porquê, digo eu que até costumo ser muito foliona? Simples. É que as criaturas que se insiram numa ou mais das categorias abaixo, ou seja que:

- São pantomineiras todo o ano;

- Andam por aí com umas carantonhas de meter medo ao mais afoito, mas acham-se lindas e com o direito de meter a narigueta em toda a parte;

- São autênticas matrafonas;

- Fazem de palhacitos nos outros 362 dias;

- Se vestem como se vivessem num permanente Carnaval do Rio;

- Agem como as meninas do bairro francês em Nova Orleães em pleno Mardi Gras...seja Natal, Páscoa ou Queima das Fitas (não ponho links, procurem por vossa conta e risco)

- Escondem mais artimanhas debaixo da capa do que um Medico della Peste no Carnaval de Veneza;

- Pregam partidas a toda a gente todos os dias da semana;

- São mais cabeçudas do que os cabeçudos e os gigantones de Torres Vedras todos juntos;

- Têm comportamentos endemoninhados, capazes de envergonhar os caretos de Podence e mais além...

...deviam estar dispensadas da canseira de arranjar uma indumentária e trajar-se a rigor. A sério, acho que o mínimo era descansarem de tanta palhaçada junta por três dias. O Carnaval não deve ter graça nem novidade para estas pobres pessoas. 


Tuesday, February 12, 2013

Os Maias no Baile dos Cohens, perdão, Carnaval


Dei-vos um lamiré da minha fantasia para este Carnaval: pois bem, decidi reinventar a minha fatiota de Maria Eduarda da Maia, de cujo estilo vos falei há dias. Para o efeito juntei alguns elementos nas únicas cores que vemos a personagem usar no livro: branco e negro. Um vestido de gala que comprei para um baile (na altura, escolhi-o precisamente pelo seu aspecto a lembrar os modelos do século XIX) bolero de veludo, bolsinha de cetim branco-creme (não consigo chamar clutch a isto) chapéu "com um véu muito apertado e muito escuro" (véu esse que me moeu a paciência e não me deixava ver nem pensar condignamente) luvas longas de cetim e a rematar, uma capa. Apesar de estar mascarada, não usei maquilhagem dramática: optei por algo simples que desse só uma corzinha ao rosto, porque Madame Castro Gomes, aliás Madame Mac Gren, aliás Maria Eduarda Monforte da Maia nunca aparece pintada - fora o pó de arroz  é o cúmulo da discrição e deixa o traje elegante, "escuro, quase severo, que parecia a Carlos o mais belo, e como uma expressão do seu espírito" falar por si. Branca já sou, mas para ficar "grande e branca" como ela tive de recorrer a umas litas - que sempre o disse, me lembram as botinas desse tempo e impediram que a cauda do vestido arrastasse pelo chão. E é claro que me fiz acompanhar pelo Senhor Carlos da Maia, mais uma cocotte e outras personalidades da época, porque como vos tenho dito, não brinco em serviço quando o assunto é encarnar personagens. (O pior é o cansaço que sinto hoje, mas isso não interessa nada...).
                     

Monday, February 11, 2013

Correria *carnavalesca* do dia

                                      
- Terminar as minhas tarefas do costume, que o trabalho, os projectos e o estudo não se compadecem de Carnavais;
- Procurar as fatiotas para toda a gente;
- Dar um jeito ao quarto que logo à noite será convertido em sala de caracterização;
- Comprar umas coisas que me faltam;
- Discutir com fulano e beltrano porque anda tudo a correr, a ficar taralhoco com a pressa e casa onde não há tempo todos ralham e ninguém tem razão;
- Vestir; cabelo; maquilhagem; rezar para conseguir segurar o chapéu e eventualmente, espetar um alfinete na cabeça por engano (espero que não!);
- Mascarar os outros.
- Rezar para que não chova.
- Entrar em modo careto de Podence, para o bem e para o mal. 
- Decidir o trajecto, que ainda está pendente.
- Have fun!

            E ainda dizem que vida de foliona é fácil, hein?






Sunday, February 10, 2013

Eu adoro o Carnaval, e vocês?

                   

Já não é a primeira vez que vos falo no Entrudo. Eu adoro o Carnaval, mas o Carnaval europeu, muito nosso, com máscaras que jeito tenham, cabeçudos, gigantones, matrafonas e caretos. Ou vá lá, a Mardi Gras de Nova Orleães, que é uma festa francesa, à grande e à francesa (evitando, claro está, as zonas onde se passam exageros à romana, que os tempos são outros e os ideais de comportamento também). Por muito que o Carnaval seja inspirado nas Saturnálias, festivais romanos em que se fazia tudo do avesso, nos Bacanais sagrados e por sua vez, nas festas gregas plenas de excessos em honra de Dionísio, não acho graça ao samba e às mulheres descascadas, ainda por cima no nosso clima e com este frio. Há muitas maneiras de uma pessoa se preparar simbolicamente para a Quaresma (e ao assinalar a data, acho que tem outra graça se tivermos o simbolismo em mente; não consigo ver algo tão antigo como se fosse uma simples festa do calendário). Quanto a fatiotas, sempre preferi encarnar figuras da História, da Cultura Pop ou da Literatura, com roupas verdadeiras em vez de fatiotas descartáveis de tecido inflamável. Todas personagens muito femininas - exceptuando a vez em que fui de ninja, que é uma toilette unisexo e que me agradou precisamente pela ambiguidade. Adoro ver máscaras que  façam rir (e em Coimbra já vi de tudo, até duas raparigas a fazer de autocarro) mas não consigo usá-las com piada. 
    Há sempre algo com que compor um disfarce na minha arca das trapalhadas e se for necessário, acrescento algo de novo, devidamente acompanhado de uma caracterização à séria. Uma das minhas alegrias tem sido desencantar máscaras para mim e para os meus amigos. O meu irmão, quando era divertido e se mascarava (hoje está feito um chato e já não me deixa) foi de Corvo, de Marilyn Manson, de boneca assassina, de acólito do demo e de outras coisas que agora não me ocorrem. Recordo-me que em pequena moí o juízo à mãe para me mandar fazer um vestido (cor de rosa e com anquinhas) para ir de Milady de Winter. Eu adorava a mulher, gira que se fartava e com aura de bad girl incompreendida. Certo ano, já na faculdade, fiz um sucesso danado quando me vesti de dançarina de cancan - daquelas que Toulouse Lautrec pintava, todas bonitas mas a deixar adivinhar que a tísica as limparia mais dia, menos dia: faces pálidas, rouge e olheiras, meias às riscas sob uma saia longa de veludo e corpete de brocado. Tive de me zangar, nessa noite, com uma data de escoceses, mas faz parte - e a experiência ensinou-me que quem se veste de coelhinha ou qualquer coisa realmente sexy deve passar um mau bocado, sob a desculpa "ninguém leva a mal". Calminha na América. Ainda assim, hei-de vestir-me de (mal) criada francesa - fatinho correcto, avental branco, espanador e ar gaiato. Quando era pequena não achava piada mas numa mulher fica giro. 
 Num ano em que não havia tempo nem pachorra - coisa rara - o grupinho foi de mafiosos- italianos -num -palácio -veneziano -numa -festa -de -sociedade secreta: vestido preto de cocktail para as senhoras, fato negro para os homens, tudo chic a valer, e uma máscara no rosto. Foi simples mas funcionou lindamente.


 Uma das fatiotas que adorei foi a de pirata siciliana. Tudo a ver comigo, e composta de tesouros guardados cá por casa, devidamente adaptados e com o penteado/maquilhagem a condizer, que nunca me agradaram as máscaras feitas às três pancadas: se é para a desgraça, é para a desgraça e tem de ser a sério. Este ano devo repetir - with a twist  - um disfarce que já usei antes. É de uma mulher, uma protagonista de um dos meus livros preferidos e tem o ar mais dramático que pode haver. Ando numa aflição para segurar  o chapéu porque não me lembrei de comprar alfinetes e estou com receio de não os arranjar, mas veremos. E a vossa fatiota, já está decidida? Ou embirram abertamente com o Carnaval? Contem-me tudo.

Sunday, February 19, 2012

Fui na pandeireta do Governo...e lá se foi o Apocalipse


Não me mascarei este fim de semana. A culpa não é do governo, a bem da verdade; não me disfarcei porque me faltava um ítem essencial para a máscara que tinha idealizado: uma longa capa preta, com um grande capuz. A quem me conhece pode parecer incrível que me falte uma coisa dessas, mas é verdade. Cá em casa abundam capas e peças encapuçadas, mas ando há balúrdios de tempo para encomendar uma capa negra de boa qualidade que possa usar em eventos formais, com vestidos compridos. Por um motivo ou outro fui adiando.
Pois bem, à última da hora lá me resignei a procurar uma daquelas de brincar, uma vez sem exemplo. Nem pó! Só encontrei capas de Vampiro, capas de Capuchinho Vermelho e coisas desse jaez.
Como eu queria ir mascarada de Cavaleiro do Apocalipse e apenas de Cavaleiro do Apocalipse, e não encontrei uma bendita loja que me vendesse quatro capas, nada feito.
Porém, até Terça feira o Carnaval ainda não acabou. Pode ser que ainda encontre a minha capa assustadora.
É claro que tenho um plano B bastante engraçado mas não acho bem pô-lo em prática. Afinal uma pessoa não pode adiar o Apocalipse assim, sem mais nem menos.

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