Qualquer pessoa realista sabe que relações perfeitas não existem. Que o casamento não é um mar de rosas, mas um trabalho de equipa que funciona melhor se cada um puser a felicidade do outro acima da sua. E que o amor é feito de sacrifícios - certo. Mas até o mais conservador dos manuais amorosos antigos fala sempre em manter o namoro vivo, a chama da paixão e o cuidado com o visual, de modo a que marido e mulher jamais se enfadem um do outro.
Então porque carga d´água, em tempos bem menos recatados, somos constantemente bombardeados com artigos - muitos deles "humorísticos"- em que o casal dá tudo para poder dormir, se habitua de forma pouco glamourosa aos hábitos desagradáveis, em que a mulher tem sempre dores de cabeça e o homem ressona, em que as crianças só atrapalham, em que o homem ganha barriga e a mulher é uma desmazelada, em que, enfim, a intimidade mata o romance?
Sabemos que esses pequenos quês existem. Que canseiras e defeitos haverá sempre. Mas sou-vos franca, as mulheres da minha família sempre falaram honestamente nestas coisas e nunca, por nunca ser, me deram a entender que esse é o futuro ou a realidade do casamento. Não me pintaram essa tristeza de mulheres frias como o gelo que se deixam engordar ou de homens insensíveis que só pensam em ver futebol. Nem de crianças que, em vez de selarem o amor do casal, parecem estar plantadas no cenário para estragar tudo. Se tanta gente se identifica com cartoons e textos como este, algo de muito errado se passa. Ou casa por casar, à falta de melhor. Ou então vivi numa redoma dourada até hoje e começo a descobrir um mundo um bocado feio que só me chega através da internet. Serei a única que repara nisto, que acha isto deprimente e que não tem vontade de se rir de tais piadas?






















