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Thursday, March 31, 2016

É esta realidade deprimente que espera todos os casais?






Qualquer pessoa realista sabe que relações perfeitas não existem. Que o casamento não é um mar de rosas, mas um trabalho de equipa que funciona melhor se cada um puser a felicidade do outro acima da sua. E que o amor é feito de sacrifícios - certo. Mas até o mais conservador dos manuais amorosos antigos fala sempre em manter o namoro vivo, a chama da paixão e o cuidado com o visual, de modo a que marido e mulher jamais se enfadem um do outro.

Então porque carga d´água, em tempos bem menos recatados,  somos constantemente bombardeados com artigos - muitos deles "humorísticos"- em que o casal dá tudo para poder dormir, se habitua de forma pouco glamourosa aos hábitos desagradáveis, em que a mulher tem sempre dores de cabeça e o homem ressona, em que as crianças só atrapalham, em que o homem ganha barriga e a mulher é uma desmazelada, em que, enfim,  a intimidade mata o romance? 


Sabemos que esses pequenos quês existem. Que canseiras e defeitos haverá sempre. Mas sou-vos franca, as mulheres da minha família sempre falaram honestamente nestas coisas e nunca, por nunca ser, me deram a entender que esse é o futuro ou a realidade do casamento. Não me pintaram essa tristeza de mulheres frias como o gelo que se deixam engordar ou de homens insensíveis que só pensam em ver futebol. Nem de crianças que, em vez de selarem o amor do casal, parecem estar plantadas no cenário para estragar tudo. Se tanta gente se identifica com cartoons e textos como este, algo de muito errado se passa. Ou casa por casar, à falta de melhor. Ou então vivi numa redoma dourada até hoje e começo a descobrir um mundo um bocado feio que só me chega através da internet. Serei a única que repara nisto, que acha isto deprimente e que não tem vontade de se rir de tais piadas?

Monday, January 11, 2016

Olha que noivos mais lindos!



Depois de Sofia Vergara e Joe Manganiello terem dado o nó, foi a vez de outro dos casais com mais pinta dos nossos dias, a delicada Rosie Huntington-Whiteley e o badass Jason Statham, tornar público o seu noivado.

A bela bem-maridada apareceu nos Globos de Ouro lindíssima como sempre, com um impressionante anel de diamantes (mas discreta como só uma rapariga de fino trato pode, reparem naquela manicure do mais decente que há) e o casal confirmou o compromisso, tomado sensatamente (super sensatamente, se pensarmos nos padrões supersónicos das celebridades) após cinco anos de namoro.


 Ora, longe de mim dar aqui demasiado espaço a mexericos de famosos, mas quem lê o Imperatrix já sabe o fraquinho da casa por casais bonitos e elegantes, que representem bons exemplos. E há tão poucos actualmente! Mulheres femininas que sabem estar e homens realmente varonis, que se escolham entre milhões de pessoas, se apaixonem sem escandaleiras e vivam o seu romance sem ostentações ridículas são sempre dignos de nota. Aposto convosco, e é quase certo que ganho, que o casório não vai ter um zilião de convidados, um vestido de cabaret nem extravagâncias ridículas à Kardashian para o povo copiar como se fosse uma coisa muito linda. O Reino Unido ainda é o Reino Unido, Jason é um homem ponderado, Rosie é uma jovem de berço, logo tenho para mim que há-de ser um casamento, não um circo. Sejam muito felizes e continuem a aparecer sempre assim compostinhos, que de vulgaridade já o mundo anda cheio.

Thursday, December 17, 2015

Aqueles casais deprimentes


A imagem acima - de um jovem casal a passar um momento difícil nos finais da Grande Depressão - dá que pensar. Para já, porque ao colorir-se o retrato, ficou tão vívido que parece uma fotografia actual. Mas é mais do que isso...este casal podia estar a atravessar a Grande Depressão, mas não era de todo um casal deprimente. Já explico o que quero dizer com isto...

Ora reparem neles: membros da classe trabalhadora, marido desempregado, habituado ao duro ofício de lenhador, rodeados de um cenário pouco confortável numa fase da vida em que tudo devia ser rosas. E no entanto, há uma elegância nos dois que desafia as circunstâncias. São um casal bonito.  A mulher está sentada no rude barracão como uma rainha no seu trono, posando para o maior artista. Ele parece encarar a crise com a sobranceria de um aventureiro habituado a muito pior, ou o descaso de um varão medieval pela morte. 

É claro que podemos adivinhar aqui uma situação de "amor e uma cabana"- como dizem os chineses, quando se é amado, até a simples água fria tem um doce sabor. Mas o amor, embora seja per se uma forma de riqueza, não garante que os elementos de um casal façam por conservar em si mesmos aquilo que atraiu o outro em primeiro lugar.

São muito frequentes os casos de casalinhos que, mal se pilham numa relação sólida, vai de se descuidarem. E de darem razão àquelas piadas sem grande graça, vulgo "apanhou-se comprometido (a), desleixou-se". Ora, não há nada mais deprimente. É certo que o amor não está reservado às pessoas convencionalmente atraentes, sempre super bem vestidas a caminho de uma passadeira encarnada qualquer...mas não deixa de estar associado à beleza, aos pequenos luxos, às coisas boas da vida, à sensualidade. E um casal que deixa de ser sexy ou vá, apresentável (porque muitos não eram umas belezas para começar, mas quando eram, mais deprimente se torna) é mesmo de entristecer uma pessoa. 

Quem teve pais que sempre fizeram por manter a boa forma e um certo glamour mesmo em casa terá talvez maior dificuldade em entender essas desculpas esfarrapadas, em estilo "já me casei..."; mas qualquer alma observadora se arrepiará, se se detiver nisso, ao contemplar estas pessoas pouco felizes, deixando entrever uma vida social que se resume a pasmar frente à Casa dos Segredos (ou em casos menos graves, um filme qualquer) e um "amor" murcho, sem graça, de papelão, à falta de melhor, daqueles só para não ficar para tio ou tia. Isso não é sequer amor e uma cabana, que ao menos é uma ideia romântica. É a versão pequeno burguesa e reles, como diria o primo Basílio, de um suposto amor- ou pior, é um "môr". Não é vida - é uma vidinha.


E muitas vezes, as crianças levam com as culpas: ter filhos é o melhor pretexto para quem é preguiçoso (a). Há dias vi um casal que sinceramente, me deixou a pensar se teria adoptado/raptado a criança que trazia consigo. O pequenito era lindo, louro como um sol, com os caracóis a bater nos ombros sob um bonezinho de bom gosto, adoravelmente vestido. Os pais? Ela gorda como um texugo e larga como um viaduto, entrouxada em roupa sem graça como quem vai limpar com lixívia; ele pançudinho e careca, com trajes igualmente pouco cuidados. Podia ser a ama a passear o filho dos donos da casa, mas quero acreditar que as amas têm mais aprumo...deviam ser daqueles que pensam "já não compro roupa para mim, só para o meu príncipe/princesa" (e isso de tratar os filhos por príncipes também é do mais deprimente que há, salvo se for mesmo verdade).

Ao ver tais "parcerias", ocorrem ideias do tipo "realmente, só se estragou uma casa", "pobre pequena, casou com um bruto" ou "de facto, esta mulher deve ser daquelas loureiras sem educação que fazem tudo para agradar, mas mal arranjam quem as carregue não servem para nada e tratam de arruinar um homem". Ou tudo isso junto. Cruzes.

Em qualquer caso, o amor deve servir para puxar pelo melhor das pessoas, para fazer com que desabrochem em todo o seu potencial. É claro que o aspecto é um mero símbolo disso - mas há que respeitar a dignidade que o amor exige. Até porque atrás da beleza que se degrada, vai tudo o resto por aí abaixo...e se um casal em plena Grande Depressão conseguiu manter-se decente, não há desculpas para os outros todos.








Sunday, December 13, 2015

Frase para Domingo:o bom gosto, um dom feminino (?)


"Deus dotou as mulheres, mais do que os homens, com um sentido da graça e do bom gosto, com o dom de tornar aprazíveis as coisas mais simples..."

                                                                 
                                                Papa Pio XII


Isto no geral, digo eu: há homens bem masculinos com um bom gosto extremo e mulheres que...bem. Mas quando o gosto está ausente na alma feminina, o caso é mais grave, se entendermos as mulheres como arbiter elegantiarum de um casal ou de uma família ou num sentido mais amplo, enquanto espinha moral e estética da sociedade.

Já vos contei que a avó dizia mil vezes "vê-se na cara da mulher o tipo de marido que ela tem", ou o tratamento que ele lhe dá. E reza o povo: "a mulher faz o marido". O vice-versa também se aplica, como é óbvio, pois um casal é sempre uma equipa, e "junta-te aos bons...". Porém, a subtil influência feminina é fortíssima, para o bem ou para o mal. 

Bem dizia Anna Jameson que uma mulher delicada casada com um homem algo rough around the edges poderá enfrentar muitos desafios, mas dificilmente se vulgariza; e se ele a amar verdadeiramente (e tiver bom carácter, atenção; sem isso nada feito) acabará por refinar-se - ou se for em essência bem educado, voltará a sê-lo por amor dela. O contrário já não é bem assim. Um homem superior que ou por solidão, ou por insegurança, caia no erro de se unir a uma mulher vulgar e boçal, descarada e ambiciosa, quase sempre acaba por descer ao nível dela, em vez de a elevar ao seu. Isto porque as mulheres. menos impulsivas, têm uma visão aguçada, mais capaz de deslindar um diamante em bruto entre as zircónias comuns. Depois, porque o diabo está nos detalhes...e os detalhes são território feminino.

E isto não ficou enterrado nos anos 1950, quando "elas" reinavam quase exclusivamente sobre os assuntos domésticos e tinham a última palavra nos arranjos do lar e na educação dos filhos...continua bem presente, nos mais ínfimos pormenores. Uma namorada ou esposa elegante, de bom gosto, com bons hábitos, estará vigilante - ainda que de forma instintiva e sem imposições- quanto à linguagem, modos, companhias, apresentação pessoal, vestuário...e quer pelo exemplo quer por experimentação, os bons hábitos ganham-se, as arestas limam-se. 


Um rapaz que tenha ganho costumes menos desejáveis à custa de viver sozinho, por exemplo, rapidamente se habitua a melhorias, desde que contribuam para o seu conforto e bem estar: é todo um agradável mundo novo, proporcionado por esse dom feminil de tornar aprazíveis as coisas do dia a dia.

 Mas se o mesmo rapaz, bem intencionado e ainda que bem formado, se prende a uma mulher desmiolada e de hábitos duvidosos...a influência desta é igualmente forte, mas perniciosa. Lentamente, os gostos dela vão ganhando terreno, e ele achará que não há mal em usar na sua presença uma linguagem grosseira, pois ela própria o faz; em imitar, nos usos e nos trajes, os heróis dos reality shows que ela admira; e por mais que resista, pois haverá sempre coisas que lá no seu íntimo considera excessivas e fronteiras que não atravessa, acabam a puxar pelo pior lado um do outro.

Bem se vê, o poder de influenciar é um dos atributos mais fortes da mulher, embora seja um dom muito discreto.  E o "jeitinho feminino" faz muita falta...desde que bem direccionado, e sendo o "jeito" ou o "toque" da mulher certa...








Thursday, October 8, 2015

O flagelo do "tenho de viver a minha vida!"

Imagem via

Esta semana ouvi duas histórias de gente amiga, boas pessoas honestas e trabalhadoras, que me deixaram muito zangada - ou ainda mais zangada - com estas filosofias relativistas do "o que importa é ser feliz, que a vida são dois dias", do "carpe diem", do "nada é errado se te faz feliz". Essas ideias egoístas e facilitistas de "eu mereço tuuuuudo", cheias de bovarismo e palmadinhas nas costas, de "não julgueis", que se deviam combater na base da enxada na mão (ou pano do pó) de manhã à noite, do chinelo (viva a moralidade) das trinta flexões (como no Exército) do Catecismo (já lá vamos) e se tudo falhasse, só com chicote (foi Eça de Queiroz que disse, não olhem para mim) andam por aí na boca do povo, nas redes sociais do povo, na imprensa... no firme propósito de apodrecer a sociedade pela raiz. Só pode.

Quando a moral é de elástico, perde a firmeza, dá-se um jeitinho, cede-se um bocadinho aqui e ali até que o elástico ou dá para todos os lados ou rebenta. Quando sem tem "uma mente muito aberta" o mais certo é caber lá de tudo, incluindo toda a sorte de lixo, e caírem os valores da cabeça abaixo. 

É que o Carpe Diem, sem o resto, é a desculpa perfeita para toda a pulhice e malandrice, incluindo a facadinha na cara metade. E antes de avançarmos, digo-vos já o que isso é: R-E-L-E-S. Muito reles. Não adianta dourar a pílula, que quem quiser defender galos doidos e serigaitas pode ir procurar outro blog...

 Os contos que ouvi - um no feminino, outro no masculino-  são praticamente iguais. 



#Caso 1:  um rapaz, bem casado (pela Igreja, ainda por cima) com uma rapariga de óptima família, super mimado pelos sogros que ofereceram todas as comodidades ao casal e pai de um pequerrucho encantador, fugiu com uma maluca dessas que se acham inteligentes, logo "sensuais". E agora a criança anda tristinha que só visto, de casa em casa a conviver com uma destruidora de lares, enquanto a legítima lida com o divórcio com toda a dignidade que conseguiu reunir.


"Chegou a minha hora! Tenho de viver a minha vida!"

#Caso 2: Uma mulher nos seus late thirties, com um marido impecável (ou bom demais) e dois ou três pequenos, que um belo dia decide começar a passar muiiito tempo a olhar para o telefone, a sair com as amigas em grandes noitadas, a empandeirar a prole para casa da avó, a vestir como uma desvairada (o marido devia ser santo, também...). Estava-se mesmo a ver, dali a zarpar com um Carlão do ginásio foi um pulo. Perante o desespero e estupefacção do marido, ainda teve a desfaçatez de dizer: "chegou a minha hora! tenho de viver a minha vida!". Alto lá, que fico confusa: viver como esposa e mãe não faz parte da vida? E se se referia à má vida e estroinice, mal por mal não se havia de ter lembrado disso antes, nos tempos de faculdade ou assim? O pobre coitado passou um ano sem sair de casa, deprimidíssimo, só com as crianças e a emagrecer a olhos vistos, mas como era bom rapaz (e as notas de 100 euros nunca ficam para aí a voar sozinhas, alguém as apanha) mal começou a arrebitar apareceram-lhe partidos melhores. E a adúltera descarada (sim, aqui chama-se adúltera a quem o é!) mal o Carlão deu à sola porque isso é algo que os Carlões fazem muito, contava - porque mulheres assim 
acham-se sempre irresistíveis - que se repetisse a história de Gomer

Bem se enganou, porque o marido não quis ser paspalho nem fez de Oseias...



Que as pessoas agissem assim antigamente,  quando tinham menos liberdades e eram pouco informadas, já era mau; que o façam hoje, quando a pressão social para constituir família é muito menor, têm mais anos para decidir o que querem ou não querem e ainda por cima vivem num estado laico que não obriga ao casamento religioso, é o cúmulo da irresponsabilidade. É tomar um Sacramento como quem vai ali buscar um menu ao McDonald´s, "se não correr bem as coisas desfazem-se do mesmo modo que se fazem". É que casar na Igreja é mais bonito, fica melhor nos retratos, mesmo que nunca se lá ponha os pés o resto do ano. E a desculpa gravíssima para quebrar os votos? "Já não me ando a sentir feliz".



 Como se o na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, etc, fosse só para dar mais chic à cerimónia, e o casamento fosse um parque de  diversões. Sacrifícios ninguém quer, pois - e mudando de cara metade tudo é rosas para sempre, não há dias maus. Há maior criancice? E depois o Papa é um bota de elástico e um retrógado que "se devia adaptar aos tempos" porque não "anula" casórios do pé para a mão, a bel talante de quem nem se dá ao trabalho de ler as regras antes de aceitar participar no jogo. Há tantas coisas a lamentar aqui -  a ignorância arrogante e voluntária, a vaidade extrema, a falta de valores, de estrutura moral, de amor verdadeiro, de reflexão, de seriedade - que nem vale a pena começar. 

Será que "o casamento não é um parque de diversões" devia ser frase gravada nas alianças, afixada à porta do registo e das Igrejas? É que às tantas as pessoas andam confundidas...

Saturday, August 15, 2015

O que é o verdadeiro amor? Um simples casal português explica.



Um artigo do Expresso foi muito comentado nas redes sociais ao longo do fim de semana. Escrito de uma forma bastante poética (mercê também da entrevistada, que desabafa a sua desolação junto à Lua Cheia) comoveu os internautas por ser a história triste de um casal, como tantos neste país, que faz frente à doença, às dificuldades materiais e à falta de apoios. 

 Mais do que o lado desanimador da história (que espero que a publicidade dada ao caso ajude a solucionar ou pelo menos aliviar, pois felizmente não falta quem tenha meios para socorrer estas tristezas sem grande esforço) chamou-me a atenção este exemplo de casal unido, Luísa e Antero. 

Diz a senhora, dotada da coragem, esperança e espírito de sacrifício que são apanágio de uma boa mulher:

«Conheço o meu marido há 41 anos. Eu tenho 57 e ele, dez anos mais. Quando começámos a namorar, foi logo para casar. Sempre levei a sério aquilo de se dizer “na saúde e na doença...”.»

Imagem via Expresso

Luísa e Antero ainda são do tempo em que o amor era suposto ser sólido e não líquido, como hoje. Em que uma mulher sabia que o marido seria o seu amparo e segurança emocional, mas que formar um lar pedia deveres, pedia heroísmo. Que tudo podia correr deliciosamente, dentro das possibilidades de cada casal...mas que o destino é uma carta fechada. O marido belo, forte e bem sucedido poderia faltar-lhe. Ou transformar-se numa sombra de si mesmo e necessitar da sua ajuda, da sua força contra toda a adversidade, da sua esperança contra todo o desânimo, da sua fé quando tudo parecesse negro, da sua confiança mesmo se fosse caso para desconfiar. Na saúde e na doença. Na abundância e na pobreza. Na beleza e caso ele fique, sei lá, doente, careca e mal encarado. Casamento era Sacramento (continua a ser para quem dá esse passo pela Igreja, mas nem toda a gente o toma a sério) e um juramento forte como o de sangue.



 Uma boa mulher ama o homem quando ele é bem parecido, admirado por todos e cheio de sucesso- mas amá-lo-á mais ainda (ou provará o quanto o ama) se isso tudo desaparecer. Segui-lo-á para o exílio, se preciso for.

Luísa e Antero são de um tempo em que o homem estava ciente do seu papel de fortaleza da família, de eterno cavaleiro andante da mulher que escolhera para si; de um compromisso que começava com uma palavra firme e forte; de uma época em que namorar para passar o tempo não era a norma, em que uma promessa tinha o valor de um escrito (havia quem a quebrasse, mas isso não passava em branca nuvem, não era normal e desculpável como agora e fazia de um homem menos homem aos olhos da sociedade).


  Outro artigo recente resumiu muito bem esse tipo de homem, o homem a sério, hoje bastante raro: o que não hesita quando encontra a mulher certa para si, pois reconhece a sorte que tem, receia perdê-la para outro ou para as tragédias da vida se esperar demasiado, é maduro que chegue para tomar o que quer sem inventar desculpas cobardes. No amor, como na guerra, é preciso coragem para tomar decisões. Num batalhão, nenhum comandante quer um soldado medroso, hesitante, que pensa apenas em si mesmo, que não saiba ser um homem. E no amor devia ser a mesma coisa. Mesmo face ao medo, pois quem se aventura a amar aventura-se a sofrer, o amor, como a guerra, pode fazer com que se lá entre como um rapaz e se saia como um homem.

Imagem via Expresso
Na alegria e na tristeza: enquanto ela for sexy e bem disposta, e quando não o for tanto. Fidelidade contra toda a tentação. Força contra toda a ameaça da vida, mesmo que custe. A palavra dada servia como armadura para enfrentar todos os monstros que o futuro apresentasse.

«Ele costuma dizer que a única coisa que lhe falta é a morte e eu respondo logo: “Tu, cala-te”. Os médicos dizem que não sabem o que se vai passar. Mas eu estou cá para o ajudar. Eu sou Luísa. Ele chama-se Antero Bernardo. “Marido, já vou!”».

Luísa, que se dirige à cara metade (agora doente e com limites no seu papel masculino e assertivo) sob o respeitoso título de "marido" e Antero, têm, na sua vida de momento menos feliz, a coroa máxima do casamento; o resultado de uma mulher virtuosa e de um homem honrado, unidos na saúde e na doença. Esperemos que tudo o resto lhes seja acrescentado por darem tão bom exemplo.


Sunday, August 2, 2015

Beatriz Costa dixit: que mereciam estes "ricos maridos"?


Já por aqui mencionei várias vezes como gosto dos livros de memórias de Beatriz Costa. A nossa simpática actriz viajou por todo o mundo e privou com as personalidades mais extraordinárias, de Picasso a Lana Turner. Tudo quanto se possa imaginar de gente interessante, de ícones vivos ou mortos, das artes às letras passando por pessoas da melhor sociedade, de todos guardou histórias para contar.

 Apesar de ter aprendido sozinha a ler e escrever aos 13 anos (alfabetização que completaria mais tarde à mesa da Brasileira, com a ajuda de Almada Negreiros e outros grandes vultos) descrevia as suas aventuras com uma graça, uma eloquência e uma vivacidade ímpares. As suas recordações são um verdadeiro estudo de costumes...

 Ora, a dada altura Beatriz passava largas temporadas em Paris e era íntima de Elsa Schiaparelli, em casa de quem se faziam animadas tertúlias. Como ao Sábado a aristocrática designer dava folga ao pessoal doméstico, cada convidado dava a sua colaboração para fazer o jantar e lavar a louça, de modo que havia frango cozinhado por Greta Garbo e copos limpos por Salvador Dali!



 Também se tornou uma fiel cliente da Maison Dior e das Galerias Lafayette, o que fazia com que muitas senhoras brasileiras e portuguesas a maçassem para lhes servir de cicerone para compras na Cidade-Luz. E assim pôde Beatriz Costa aferir um triste facto:

"Nisto de gastar dinheiro, a brasileira é mais arrojada. A mulher portuguesa depende muito do visto conjugal para os seus gostos...conheço senhoras riquíssimas que nunca vestiram um modelo! 
Em compensação, conheço maridos dessas mesmas senhoras que sustentam concubinas que só vestem de Paris e de Roma...".

Que na época uma mulher, se não tivesse muito de seu (ou muita mão nos seus haveres, pois conheço não poucos casos de dotes espatifados pela cara metade) dependesse do marido para pagar os seus arrebiques, vá que não vá. Agora essa dupla punhalada era imperdoável, e o pior é que não é coisa do passado...tenho ouvido muitos episódios aviltantes e recentes a provar o adágio popular "as primeiras são vassouras, as segundas são senhoras". Insulto a dobrar, à fidelidade conjugal e ao armário!

 Como se não bastasse sujarem de lama os vestidos das legítimas, ainda tratam, como uns perfeitos palermas, de garantir que os compram de melhor qualidade às malucas com quem passam o tempo, na maioria dos casos indignas de engraxar os sapatos às mulheres que têm em casa...


Isto enquanto as esposas, coitadas, sabendo ou não, ricas ou não, se privam deste ou daquele pequeno luxo ou conforto pela boa economia do lar. Tal como antigamente...

Se um homem infiel é o piorio do intolerável - ou seja, nenhuma mulher digna tem obrigação de suportar tal humilhação - um que é assim mas não distingue o trigo do jóio e coloca uma doidivanas no mesmo plano (ou até acima) da mulher que leva o seu nome, não sei o que merece.

 Enquanto actualmente a maior parte opta pela tristeza do divórcio (cujas consequências são muito relativizadas) a solução de outros tempos e menos comum agora, para uma senhora de brio, era a separação como mandava a Igreja e a boa sociedade. Sacudia-se a lama das saias e retribuía-se o sofrimento com o desprezo. 


 Algumas iam além disso e desciam a pagar na mesma moeda, como uma certa duquesa encantadora cujo marido trocou o conhaque pela aguardente e só estava contente nas piores companhias femininas: separou-se, manteve os seus privilégios e fez outro tanto. Tomava amantes e despedia-os antes que dessem problemas, dizendo-lhes "se alguma vez nós, mulheres, fôssemos falsas e cruéis para os homens, estaríamos no nosso pleno direito; seria uma mísera compensação da muita perfídia com que os senhores nos tratam...". 

 Não concordo que se proceda assim, mas é compreensível que o abismo atraia o abismo, que asneira atraia asneira. Até S. Gregório Nazianzeno avisava com que cara quereis exigir honestidade de vossas mulheres, se vós próprios viveis na desonestidade? Como lhes pedis o que não lhes dais?". Haja juízo...



Saturday, July 4, 2015

Por trás de um grande livro, há sempre uma grande mulher.



Ainda que não inspire de todo o enredo - pelo menos de forma óbvia. O famoso escritor americano Nathaniel Hawthorne era muito amigo da mulher, Sophia. Tinham um casamento perfeito, pois além de se amarem muito partilhavam a mesma forma sossegada de estar, vivendo quase um para o outro, muito retirados. Nathaniel dizia dela "é a minha pomba...a minha companhia, e não preciso de outra". Sophia, que se dedicava à ilustração, era também uma mulher bastante espiritual. Curiosamente, toda a vida sofrera de enxaquecas, que só haviam desaparecido após conhecer o marido...um dos casos em que o amor cura tudo!

 Ora, sucedeu que em 1848, Nathaniel perdeu - devido a politiquices - o seu emprego na alfândega de Boston, voltando a casa desesperado, angustiado, a barafustar...como seria normal e compreensível.

 A serena reacção da esposa surpreendeu-o. "E então? Agora já pode escrever o seu livro"....disse simplesmente, referindo-se à ideia para um novo romance que tinham discutido tantas vezes. "Fiz algumas economias e podemos bem suportar este pequeno sacrifício".

 Animado pela previdência e tranquilo optimismo da mulher, Nathaniel assim fez e em 1850 publicou A Letra Escarlate - um best seller imediato, que lhe rendeu uma soma apreciável logo no ano em que saiu para as livrarias e que é considerado uma das maiores obras da literatura norte americana, senão um dos grandes romances da Humanidade...



 Sophia fez bem justiça à ideia bíblica de que nada vale tanto como uma mulher ajuizada e sensata. Se ela não demonstrasse tanta fé no marido (e se não fosse uma hábil gestora) talvez A Letra Escarlate nunca tivesse visto a luz do dia. 

 Por outro lado, se Nathaniel não tivesse igualmente confiança no juízo da esposa, se o desconsiderasse dizendo "ora, tolices de mulheres! Vou lá agora parar um ano a escrever um livro?" se calhar tínhamos sido privados de uma belíssima obra, amplamente traduzida, analisada e dramatizada até hoje...

Não há nada como um casal que trabalha em equipa - nada como um homem e uma mulher que confiam inteiramente um no outro.

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