Era um original, mas usava os clássicos como ninguém. Foi um rebelde, teve os seus excessos, mas parou a tempo e fez-se um homem de família sem se transformar num "reformado"...as ch-ch-changes jamais teriam o poder de lhe roubar um bocadinho de glória ou de encanto. Se teve caprichos de vedeta, nunca se soube. Era extravagante quando queria, mas sabia estar em qualquer parte. Brincava com a androginia, sem nunca se tornar efeminado nem ridículo. O Thin White Duke, como a velha nobreza de antanho, jamais deixaria que qualquer lama lhe manchasse as vestes. Basta ver que, na era dos social media a que tantas celebridades veteranas aderiram, não se sonhou da sua doença. Nunca veríamos David Bowie a rapar a cabeça ou a deixar-se ser visto sem ser no seu melhor. Ele tinha demasiada classe para fazer uma coisa dessas. Adoeceu e morreu como o Senhor que era, na sua privacidade, entre os seus, separando o homem do artista - ou guardando o véu de mistério e ilusão que os "artistas" de hoje já não sabem manter. Ashes to ashes. Morrer bem é tão importante como saber viver. No génio musical e da voz nem falemos, deixo isso para os peritos, fico-me com os meus momentos a ouvir e trautear Space Oddity, Life on Mars ou - mais recente, mas uma das minhas canções favoritas- Thursday´s Child. E com as vezes que Let´s Dance me fez mesmo dançar.
Is there life on Mars? - dá-me vontade de perguntar, porque num planeta sem David Bowie mas povoado de reality stars e coisas ainda piores, a residência vai-se tornando intolerável.







