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Thursday, February 4, 2016

"Os homens são uns diabos; não há mulher que o negue..."





..."mas todas elas procuram um diabo que as carregue". Bem fala o povo. Para sermos justos, também há mulheres de tal ordem que só se arranjarem um pobre diabo para as aturar, mas pronto.

Lembrei-me novamente deste estribilho porque me apeteceu ler qualquer coisa ao almoço e pegando nas Lendas de Portugal, de Gentil Marques, encontrei um conto com uma prosa engraçadíssima. Trata-se de uma história sobre a povoação de Quadrazais, perto da Guarda, onde em tempos a afilhada do Padre estava apaixonada por um homem belo, moreno, alto, de lindos olhos verdes, que descia a Serra ao pôr do sol para lhe falar.

O povo estranhou aquilo, pois não conhecia o rapaz, e foi avisar o Cura de que às tantas, a sua pupila andava a ser tentada pelo demo. Aflito, o bom do sacerdote chamou a rapariga para a advertir do perigo. Deu-se então este diálogo que achei delicioso:

"- Rosário! Já ouviste falar do demónio, das suas tentações, dos seus disfarces?...Vê lá se é ele que te aparece!

- Oh padrinho...

- Ele fala no Santo Nome de Deus?

- Não, padrinho...na verdade nunca falou em Deus...- e a desculpá-lo - talvez não calhasse...

O cura mostrou-se de novo exaltado. 

- É isso! É o diabo em figura de gente! Acautela-te, rapariga!

- Oh meu padrinho, isso não pode ser...Ele é tão bonito, tão bem falante...tem uma figura tão atraente!...

-Tanto pior! O Demónio é capaz de tudo, para roubar almas a Deus! E então...a pupila do Padre...sabia-lhe bem! 

- Não posso acreditar! Não quero acreditar que o Pedro seja o demónio a tentar-me! Que mal empregadinho! "

Que naquele tempo, além dos impedimentos sociais e morais para namorar, ainda havia mais esse: o risco de um pretendente ser o Tinhoso à paisana...



 Depois o conto até acaba bem (foi-se a ver e o tal Pedro não era um diabo pior que outro homem qualquer) a Rosário casa-se e vive feliz para sempre; mas dá que pensar. Se o diabo tenta as mulheres em disfarce de homem ( para quem crê em tentações demoníacas no sentido literal do termo) terá deixado de o fazer em pessoa, talvez porque hoje em dia já pouca gente acredita nele ou lhe mostra medo. É muito mais prático
 servir-se de mortais bem apessoados para juntar algumas almas femininas ao seu séquito.

De todo o modo, se pensarmos em tentação ou danação no sentido figurado, o provérbio não deixa de se aplicar na mesma: uns porque, sendo valdevinos, tentam as desmioladas
 tornando-as piores do que já são; outros atrevidos procuram conquistar as mais virtuosas; os diabretes que até sendo sérios nessas coisas, torram a paciência a uma santa por motivos de vária ordem; e ainda há os mal empregadinhos porque têm certas qualidades mas estragam tudo com outros defeitos; sem falar nos que não são maus diabos mas também têm os seus quês. 

Talvez haja um diabo em cada homem, e o destino de uma mulher seja o de anjo-da-guarda ou de santa, se quiser entender-se com eles e puxar pelo seu lado bom...





Tuesday, June 2, 2015

O diabo adora que falem nele. E nós, feitos parvos, falamos.



Temos Instagram, Twitter, Facebook...e adoramos audiência!

A minha querida avó era uma senhora muito piedosa. Também tinha um grande sentido de humor e deixava-nos fazer trinta por uma linha, mas havia uma fronteira que não podíamos ultrapassar: era proibido dizer "diabo" lá em casa. Bem como a maior parte dos "sinónimos": demónio, Satanás, Belezebu,etc. De todo. Nem como força de expressão. Ficava logo incomodada e já se sabia que,  caso viesse à baila, o  fio do diálogo era interrompido com uma lenga lenga de "Credo, não falem nisso, Santo Nome", etc.

 Claro que alguns dos netos e sobrinhos aproveitavam para trazer o Príncipe das Trevas à conversa de vez em quando, só para a ver repetir a deixa do costume - que às vezes acabava com o desabafo "ele que se suma para as profundezas do Inferno!".

 Mais medo do Inimigo do que a avó, só o meu tio C., que se arrepiava todo à simples menção de tal nome e volta não volta tinha pesadelos em que o Pai da Mentira queria tentá-lo ou arrastá-lo para os seus domínios. Como o tio C. era uma das pessoas mais angelicais que já conheci, a seguir à avó, concluí que só quem era realmente muito bom tinha medo de quem arquitectava todo o mal desde o início dos tempos.



Uma vez começou uma série para crianças, sobre gatos, que se chamava "Os Mafarricos", coisa que eu não sabia o que era. Ela viu, ficou horrorizada e foi uma complicação, que a televisão não havia de passar tal coisa, etc. Lição aprendida; fiquei logo instruída que "mafarrico" não era uma palavra boa- embora se aplicasse lindamente ao nosso comportamento quando nos juntávamos em pandilha, eu acho.

 Certa vez fez mesmo o sacrifício de nos sentar, com ar solene, e explicar que não se devia falar no "coisa ruim" em circunstância alguma, porque isso o chamava logo. Nem para dizer mal dele? - perguntámos, espantados com uma entidade tão pouco ocupada, que acorria logo à menção do nome ou alcunha. Nesse caso, as Missas Negras que se viam nos filmes e nos livros para o invocar eram uma enorme perda de tempo e desperdício de velas pretas, donzelas sacrificadas e orações em latim às avessas. "Se disserem mal dele ele ainda fica mais contente! Quer é ver maldades e adora que falem nele! Está sempre à espreita a ver se o chamam!". Um verdadeiro Manel dos Plásticos, portanto, servido por legiões de diabretes sempre prontas a marcar presença.



 Não me fiei muito nisso, nem fiquei com medo porque a ideia de anjos caídos era fascinante, havia imensos contos populares que eu adorava sobre o assunto e além disso o meu bisavô barafustava sempre que com a canalha nem o diabo quis nada, logo estávamos a salvo; mas achei curioso. 

  Por estes dias a existência literal e a relevância do Demo tem estado na ordem do dia e sido abordada por representantes da Igreja através dos média, a propósito (mas não só) do jogo "Charlie Charlie" que correu a internet (e que se veio a saber, não sem antes gerar casos de histeria em massa, que é uma manobra publicitária para um filme qualquer). Moral da história: não convém chamar o que não se conhece, mesmo a brincar...

Ou mesmo para dizer mal!

 Espíritos e diabruras à parte, há muito de verdade nisto. Não convém dar atenção a attention whores, a quem vive do "falem mal, mas falem de mim!". 




 Numa época em que todas as queixas, mesmo as lamurias mais ridículas, são legitimadas em nome do politicamente correcto e em que qualquer um tem acesso às redes sociais para levantar as discussões mais disparatadas, ganhando assim buzz e audiências, parece que a premissa diabólica se realizou mesmo. E lamento dizê-lo, sem a elegância mefistofélica que sempre se atribuiu ao Príncipe deste Mundo... 




 Das estrelas de reality shows e sub celebridades deste mundo às acusações de discriminação impossíveis de engolir, passando pelas mulheres que advogam o "direito" de se exibir de forma ridícula em modo auto-pena sem que ninguém diga ai ou ui, pelos movimentos anti champô, anti depilação ou qualquer forma de disparate que gere discussões, tudo serve aos modernos mafarricos para o bom e velho "ser falado" e "ficar famoso". 

  E tal como com o Inimigo, mais vale estar de guarda, mas dar o desprezo, a fazer muito barulho escusado com benzeduras e esconjuros. O pior é que ao partilhar, comentar ou simplesmente falar contra na tentativa de dizer "esperem lá, mas isto agora é normal, está tudo louco?", estamos a fazer exactamente o que os "diabos" querem. Vade retro, Satana.



Tuesday, September 25, 2012

Barca do Inferno

                                  
Estou há não sei quanto tempo à espera que esta barquinha apareça para levar a casa umas quantas almas danadas que andam para aí a chatear e a perder outras alminhas de Deus, e não há maneira. Mas - e já que hoje de manhã se falou em diabos e diabretes - a experiência ensinou-me que o Capeta gosta de surpreender e pipocar por aí quando os incautos menos esperam, para apresentar a conta pelos serviços prestados. Mais dia menos dia, all aboard! A Belzebu te encomendo, para citar o Mestre Gil Vicente...

Hou barqueiros! Que aguardais?
Vamos, venha a prancha logo
e levai-me àquele fogo!
Não nos detenhamos mais!

Wednesday, August 15, 2012

Brilhante conclusão do dia





Gelado caseiro é uma invenção do Demo. Qual sundae, qual Carte D´Or, qual carapuça.

Wednesday, July 25, 2012

Provérbio para hoje: o diabo dos homens

"Os homens são uns diabos 
  Não há mulher que o negue
Mas todas elas procuram
   Um Diabo que as carregue!"


 (Sabedoria popular)

Thursday, June 28, 2012

Tentação do capeta


(Al Pacino em O Advogado do Diabo) E Lúcifer disse: vamos lançar muitos sapatinhos sobre a Terra, para perder as almas...



Não há fome que não dê em fartura. Se no ano passado me queixava de não encontrar calçado giro em parte nenhuma, agora ele está por toda a parte. Parece que as minhas preces foram ouvidas e já se sabe que é preciso cuidado com o que se pede. Haja meios e sobretudo, paciência e tempo para experimentar um a um, de modo a distinguir o trigo do joio e não fazer (demasiados) disparates. Estou cercada. Must…fight…Satan. ..

Thursday, June 21, 2012

O Diabo foi de férias

Julian Sands


Más notícias, meninos. O Príncipe das Trevas pôs os seus trapos Prada nas malas LV e abalou para parte incerta, deixando os seus domínios numa desorganização que só visto. É por isso que há tanta gente que devia ir para o Inferno e não vai. Pior: como o desemprego também já lá chegou, os pobres diabos menos qualificados vieram para o olho da rua: em vez de estarem entretidos a fazer o seu trabalho (mexer caldeirões, tratar das tubagens de enxofre, etc)andam por aí a vadiar à solta, a perder as almas, a provocar o caos. E com a falta de recursos humanos (ou diabólicos) os Anjos Caídos dos quadros superiores estão exacerbados com tarefas e não conseguem tomar conta deles, nem pôr ordem na barafunda. I think we got a problem, ou melhor:  we need a more permanente solution for our problem.

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