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Friday, November 13, 2015

Gwen Stefani inspira-me dois posts num só, querem ver?


Em boa verdade, eu ia falar de Gwen só a propósito de Rita Ora, por causa da publicidade um bocado feiinha da Tezenis que anda para aí em tudo quanto é mupi, a arreliar-me os nervos:

Olhe para onde olhar lá está a rapariguinha, que embora esteja longe de ser desengraçada tem um mau ar que Deus nos livre e não percebo, palavrinha que não, por que carga de diabos a indústria de moda gosta tanto dela. Rihanna ainda entendo, que goste-se ou não dela tem uma beleza fora do vulgar. Mas a Ritinha lembra-me sempre a irmã do Borat, que isto quanto ao ar com que se nasceu nada feito. 


Bom ar ou se tem ou não se tem (e nem sempre o bom ar anda de mãos dadas com a beleza; há pessoas sem grande formosura mas com um porte racé como tudo; depois há caras bonitinhas que parecem ter nascido num mau bairro por mais que se esforcem) e enfim, quando o ar não é bom o único recurso é encaderná-lo o melhor que se pode a ver se ninguém nota. Mas no caso da cantora, o visual que escolhe para si também não contribui muito. 

E nada contra as tatuagens per se, apesar de se terem banalizado muito e de eu achar que a pele de uma mulher fica melhor sem nada; não me choca sequer um dragão estilo geisha pelas costas abaixo ou coisa assim, quando se tem visual, figura e arcabouço emocional para isso. Mas aquelas coisas pretas que Rita usa, e que agora estão na moda, pelos braços, pelas costelas, a parecer doença cutânea ou que uma pessoa se encostou demasiado ao grelhador, não acho nada bonito.

Inspirar-se em Gwen Stefani, como a própria Ms. Ora reconhece ter feito desde a adolescência, não é para todas.



Gwen Stefani, (já aqui falámos dissopor mais edgy que seja o seu visual, tem um certo quê - traços finos, pele de porcelana, delicadeza- que lhe permite tentar maluquices sem nunca parecer grosseira. E se apareceu com tatuagens, corrijam-me se estou errada, creio que eram de henna e afins (bem me diverti com essas, cá entre nós que ninguém nos ouve!).

 Estava nestas comparações, Gwen tem boa pinta, Rita não- quando soube via Cosmopolitan que a razão do devastador divórcio de Gwen Stefani, que a deixou arrasada, foi a mais velha do mundo: o marido de longa data envolveu-se num affair de três anos com uma das amas dos filhos; a pobre Gwen ficou ciente do facto por outra ama (a classe!) e confirmou-o através de selfies e recadinhos entre a nanny mal comportada e o esposo adúltero. Olha o dramazinho doméstico queirosiano, a patroa a esgatafunhar-se com a criada. Jesus.


Que o rapaz já devia ser um belo piece of work  - a dolorosa canção "Ex Girlfriend" foi composta para ele, numa altura em que se zangaram antes de casar, e ela já lhe chamava mulherengo das dúzias na altura. Ora, quem se porta mal no namoro, não melhora lá porque tem uma aliança no dedo...

Mas aproximar-se da pindérica da ama quando se tem em casa uma beldade eternamente jovem e cheia de estilo, já ultrapassa ser Don Juan, escroque ou indecente; é ser estúpido...


Por seu turno Gwen, como tantas mulheres bonitas e bem sucedidas, também não parece usar a cabeça quando se trata de amores: nunca se deve casar com quem se porta mal esperando que melhore; mesmo que o casamento seja na Igreja, um Sacramento tem poderes mas não faz milagres sozinho. E, por mais confiança que se tenha na cara metade, eu cá nunca deixaria de lado a máxima que a avozinha toda a vida me martelou: ajudantes domésticas jovens e bonitas, nunca na vida.

Não que a avozinha bem via como se portavam amas e cozinheiras da vizinhança, e sempre se deu bem com velhotas cheias de saúde, com bons braços para ajudar nas tarefas, mas incapazes de seduzir fosse quem fosse...nunca fiando!

Saturday, April 11, 2015

Professor Robert Maistriaux dixit: quando beleza e galantaria são virtude

Amal Alamuddin: séria, sim. Monótona? Nem por sombras.


" (...)  certas mulheres julgam fazer obra de virtude arranjando-se horrivelmente. Isso é, antes de mais, uma falta contra a Beleza e a Graça (...). Mas terão essas nobres almas tido o cuidado de consultar o marido e assegurar-se de se ele concorda ou não com tal maneira de vestir? Não se admirem se ele andar seduzido pelos encantos de uma desconhecida.  Vestir-se com gosto e elegância não é um defeito, pintar-se não é condenável (a não ser que o resultado seja, esteticamente, lamentável) (...) . Os únicos limites que é preciso não transpor são os do excesso..."


Ao pôr em dia as leituras dei-me com um texto dos anos 1960 deste autor belga, que me pôs a pensar sobre um tema que temos analisado várias vezes por aqui.

 Quando se fala em aspectos como "elegância", "classe", "discrição" ou "sobriedade" no vestuário, muitas mulheres fazem de imediato (sem ofensa) o raciocínio de Julia Robers em Pretty Woman: nada muito espampanante nem muito sexy... conservador, logo aborrecido.

 Por isso, ao tentarem "polir" o visual (seja por razões profissionais, pessoais, espirituais ou porque querem dar um ar mais "clássico" à sua pessoa ao começarem um relacionamento estável) fazem-no com pena, como se fossem abandonar para sempre a feminilidade, e/ou com extremismo, transformando-se numa caricatura.

 Há não poucos casos de raparigas que tendo certa má reputação (e mau gosto, sejamos objectivos) em solteiras procuram compensar adoptando um visual de "matronas" demasiado pesado para si uma vez casadas. 

Ou de mulheres que tinham um look "alternativo" e ao ingressarem numa carreira mais tradicional (advocacia, banca, etc) se cingem aos fatos mal cortados. Para não falar nas devotas, que confundem "modéstia" com vestir à maneira dos Amish (o que não faz sentido para quem não é Amish).

Inès de La Fressange
 Para não falar nas mães que acham que a maternidade santifica tudo, até o desleixo...fiando-se no sentido de dever do marido, esquecendo que a galantaria, a sedução, o impulso de agradar são o cimento de uma união feliz, e que o casamento é apenas o princípio do romance e não o fim...

Para muita gente, ser "séria", estar "formal" ou "vestir de forma elegante" implica ser sem graça. Nada mais longe da verdade!

Princesa Ameerah Al Taweel

 Mulheres como a Princesa Ameerah, da Arábia Saudita (e nota bene, estamos a falar de uma princesa, papel que tem exigências muito particulares, casadíssima e muçulmana devota ainda por cima) provam que a virtude e a elegância - bem como o profissionalismo - têm tudo a ver com feminilidade e graciosidade, mas nada com sensaboria.

 Apenas é preciso bom senso e vigilância para distinguir o que é adequado a cada sítio e ocasião bem como à figura, estado e idade de cada uma. Evitar o excesso tanto no aspecto de "dar nas vistas" seja pela sensualidade e  ostentação como no tempo e recursos que se consomem na toilette...

A gravidade e aprumo que certas condições na vida exigem devem ser a motivação para um look "honesto", como dizia Eça de Queiroz: de qualidade, eficaz e refinado. O que não rima com monótono, nem sem sal, nem desleixado...




Thursday, January 29, 2015

O povo transmontano dixit: contra desculpas esfarrapadas

Fatiota de Carnaval que vai ser um sucesso

"O que protege do frio, protege do calor"

Sempre tive em grande apreço as tradições e mitologia transmontana. Trás- os-Montes, com os seus ecos celtas e a divisa "para lá do Marão, mandam os que lá estão" parece-me um dos últimos redutos da galhardia portuguesa, que se foi quase toda com as caravelas ou pereceu em Alcácer-Quibir.

Esta estima aumentou quando uma pessoa da família lá viveu durante uns anos, trazendo amiúde bons petiscos (como as castanhas em calda!) e boas histórias para casa.

 Ora, a grande verdade acima citada devia andar aí afixada em cartazes perto de escolas, centros comerciais e discotecas, a ver se acabamos com a "regra" de os ursos polares, os pinguins e as serigaitas não sentirem frio.


Os ursos e os pinguins andam todo o ano agasalhados, compostos e decentes, as pessoas desmioladas não. 

Quanto ao calor, é a desculpa mais mal enjorcada para se andar...mal enjorcada.

Estava cá a pensar nisto e a procurar uma imagem para ilustrar a ideia, quando me deparo esta fatiota carnavalesca de urso polar - ó ironia. Como o Entrudo está à porta, esta e a de boneco de neve, agora que o Frozen está na moda, aposto convosco que vão fazer sucesso, e pior-  que não vão ser tanto modelos a usá-las, mas "ursas" mais para o redondinho, estilo Kim Kardashian de feira...

É uma sorte não se lembrarem de fazer fantasias de "Careto Sexy", senão nem as vetustas tradições transmontanas escapavam. Tipo isto, mas só pompons e muito pouco pano:





Friday, January 16, 2015

Gonçalo Fernandes Trancoso dixit: uma mulher discreta vale muito.







Já por aqui falei várias vezes de como a discrição é uma bela qualidade - e numa mulher, eu diria mesmo indispensável-  mas cada vez mais démodé. 

E ontem, ao ler o delicioso "Contos e Histórias de Provérbio e Exemplo", obra de grande sucesso do sec. XVI (assaz parecida com o Decameron) reparei em mais um elogio da discrição feminina.

Aconselho a leitura de Gonçalo Fernandes Trancoso a par com a já mencionada "Carta de Guia de Casados" de D. Francisco Manuel de Melo, um pouco mais recente mas de propósito semelhante.

Podemos então concluir que a mulher circunspecta, sensata, que "não toma brio em ver e ser vista" sempre foi digna de louvor, mas nem por isso a norma- caso contrário, não se precisaria de avisos, fábulas e exemplos.

A única diferença era que naquele tempo se podia (e devia) dizer abertamente a uma mulher faladeira, regateira e chata que falasse menos - porque ser discreta era uma qualidade a que se devia aspirar. 

Hoje nem tanto, pois confunde-se discrição com tolice, passividade, timidez, falta de espírito e não se saber afirmar. Erro crasso!

 A culpa disso é, embora não só, da cultura dominante - em que o stand up for yourself e o speak your mind estão muito na berra. Mas em boa verdade, uma mulher (ou qualquer pessoa, de resto) pode perfeitamente ser assertiva, defender-se (ou defender o seu ponto de vista) impor respeito e nem por isso deixar de ser discreta...

De igual modo, é possível ser alegre, divertida, risonha, boa companhia...sem ser espectaculosa nem espalhafatona. Discrição não significa necessariamente ser solene...nem muda como um penedo. Não creio que não dizer ai nem ui, não ter nada dentro da cabeça, fosse desejável mesmo no sec. XVI - mas abster-se de falar quando não se acrescenta nada cabe em todas as épocas.

Claro que em determinadas situações - pressa, irritação - a discrição é um desafio, mas ninguém disse que reserva e decoro são dados adquiridos. Pode-se nascer assim, ser criada assim em casa, mas nem por isso deixa de ser um exercício de disciplina diária.



 Ora, se essa disciplina afrouxa um dia por um motivo, mais tarde por outro, vai-se o auto domínio...e que exemplo haverá para dar às irmãs mais novas, primas, filhas, sobrinhas? 

Se muitas jovens são (des)educadas para falar aos guinchos, manifestar opiniões redundantes a torto e a direito, esparralhar as suas alegrias e desgostos nas redes sociais, interromper os outros - até os mais velhos - quando falam, rir como hienas, usar palavrões desnecessariamente, empregar termos brejeiros, ter atitudes imodestas e desafiantes gratuitamente, vestir de forma menos digna, etc...a causa não está só na sua geração. 

Basta ver como outras - adultas nos seus late twenties-early thirties e suas mães, produto dos anos 60/70 - pouco mais adiantam. Fazem outro tanto e não faltam as mulheres que já descrevi noutros textos, sempre ansiosas para dar a sua colherada, a sua posta de pescada, o seu parecer, invariavelmente prontas para o debate na tentativa de provar como são espertas. 

Citando de novo o autor, "o néscio calado, por sábio é contado" mas "não há néscio que saiba calar".

A modéstia, a serenidade, a gentileza, o saber aguardar a sua vez e o momento/lugar certo para se manifestar, são sinais de sabedoria e inteligência bem maiores. Só os tolos (neste caso, as tolas) contam tudo a quem quer ouvir, e até a quem não quer.

O "menos é mais" não se aplica só a modas e à maquilhagem...





Wednesday, November 26, 2014

A bela Arlene Dahl...e os seus conselhos para mulheres poderosas.


                  "Blondes may have more fun, but redheads never have regrets." 

Arlene Dahl


Arlene Dahl, nascida em 1928, é uma actriz, cronista e autora de livros sobre temas como  beleza, comportamento e astrologia.
 A beldade ruiva alcançou notoriedade nos anos 50 e tornou-se uma especialista em cosméticos e assuntos femininos, lançando vários livros, produtos de beleza e linhas de lingerie. Era tão bonita, mas tão bonita, que as meninas brincavam com bonecas de papel para cortar fatiotas inspiradas nela:


Pelo caminho, teve seis maridos (continua casada e feliz com o sexto) três filhos (entre os quais, o actor Lorenzo Lamas) seis netos e um bisneto.

  Apesar do percurso sentimental algo tumultuoso (casar seis vezes é obra!) Arlene foi sempre uma mulher feliz e descontraída, que não parecia levar os cavalheiros demasiado a sério. O seu primeiro marido foi aquele que considero um dos homens mais bem parecidos (de sempre!) de Hollywood, o Tarzan Lex Barker:


Faziam um casal belíssimo, mas Arlene, que andava entretida a namoriscar Jack Kennedy  e Robert Hutton e a divertir-se como nunca, só casou com ele por recomendação da amiga Joan Fontaine, que lhe disse "este homem está apaixonadíssimo por ti - devias parar de o entreter". O conselho não se provou muito feliz, porque a união durou pouco "ele era o homem mais bonito que alguma vez vi e um ser humano maravilhoso, mas não tínhamos nada em comum". Mal feito, digo eu! Porque depois levou décadas a acertar, prova provada de que não há amor (marido, neste caso) como o primeiro.

 De qualquer modo, concorde-se ou não com o modus operandi da actriz, a verdade é que ao contrário de muitas colegas suas ela sempre soube lidar com o sexo oposto, levou a sua vida adiante sem dramas mantendo a reputação de uma senhora (pelos padrões de Hollywood, vá) e sabia um par de coisas sobre relacionamentos:

 Take each other for better or worse, but not for granted. 




Há dias deparei-me com um livro dela, escrito nos anos 60 (disponível na Amazon) com conselhos de personal styling e relacionamento: Pergunte sempre a um Cavalheiro: chaves para a Feminilidade. Parece que o manual ainda é um tesouro vintage para muitas jovens americanas, que o herdaram das estantes das avós. 

Bom, este é o tipo de obra que deixa as feministas de carteirinha à beira de um ataque (não vale a pena ligar a isso: elas têm fanicos por tudo e por nada, mesmo) porque, bem...Arlene perguntou aos colegas de Hollywood e a celebridades do jet set internacional (do verdadeiro, mind you) o que é que realmente lhes agradava numa mulher, e juntou os seus próprios conselhos. O resultado é muito curioso e se há uma ideia por outra que faz menos sentido nos dias que correm, a maior parte - evitar a ostentação e os sapatos de plástico, por exemplo - é intemporal.



 Como tantas mulheres inteligentes ao longo da História, Arlene defendia que a chave para o poder feminino não está em querer ser igual aos homens nem na canseira de tentar derrubar um status quo que existe desde a noite dos tempos, mas em usar a feminilidade, a subtileza e a diferença a seu favor. A velha fórmula que agora não cai lá muito bem dizer em voz alta para não ser acusada de bota-de-elástico, vulgo deixá- los achar que este é um mundo de homens porque eles não fazem nada sem nós, mesmo ou seja, na cooperação entre os sexos (ou batê-los amigavelmente no próprio jogo, se preferirem).

 Dicas do género "todas as mulheres têm uma audiência para a sua feminilidade, e não convém desprezá-la; convém estar sempre no seu melhor, pois nunca se sabe quem está a ver", evitar "uma voz estrídula" ou coisas irritantes como "falar à bebé" e conselhos como este, do Xá do Irão (sic) " a aparência de uma mulher reflecte a posição do homem que está ao seu lado e quanto mais elegante ela é, maior o elogio que ele recebe" fazem sempre falta, eu acho.



  Se muitas mulheres na política, por exemplo, seguissem o conselho de evitar falar como canas rachadas (e nos últimos dias, foi complicado ouvir as notícias com tantas comentadoras a tentar fazer-se ouvir aos guinchos) seriam levadas mais a sério. Digam o que disserem, a feminilidade e elegância impõem sempre respeito.

E no fundo, qual é o problema de tentar perceber aquilo que agrada ao sexo oposto? As autoras de revistas actuais escrevem exactamente o mesmo tipo de artigos - o problema é que, como acham que sabem tudo, perguntam umas às outras ou raciocinam sozinhas lá na sua cabeça em vez de indagar junto do público alvo, além de inverterem o jogo de uma forma totalmente prejudicial às mulheres. As revistas de hoje dizem
 "esfalfe-se, conquiste-o!" enquanto autoras como Arlene aconselhavam "faça isto e valorize-se para que eles a queiram conquistar a si" o que é muito menos cansativo...e mais digno. E acrescente-se, Arlene tinha uma carreira e nunca precisou de homem nenhum para lhe pagar as contas...

 Qual dos dois modelos de comportamento é mais (olha a palavra da moda) EMPOWERING para as mulheres? Julguem vocês...









Sunday, November 16, 2014

Ó pernas, para que te quero...mas calma!




Facto: a menina esforça-se imenso no ginásio e é uma pena não tirar partido uma vez por outra de algumas silhuetas que realçam as pernas propostas pelos designers  - principalmente se é jovem e/ou tem um ar jovem.

 Mas como vulgaridade e elegância jamais andarão juntas, quando se trata de chamar a atenção para a parte inferior do corpo é preciso algum cuidado e sobretudo, muita atenção às proporções. A ideia será sempre alongar a figura,  jamais atarracá-la: a moda das pernas roliças enfiadas em roupa justíssima, estilo Nicki Minaj, Kardashian e por aí fora, pode estar na berra, pode ter acabado com a ditadura exagerada das pernas de alicate, mas nunca será elegante nem para tomar ao pé da letra.

 Como então, conseguir o desejado meio termo? Aqui ficam algumas dicas para usar de forma sensata três "mostradores de pernas" - as cuissardes, a mini saia e os calções.

Mini saia:


- Exige pernas esguias q.b.

- Se não consegue inclinar-se ou dobrar-se sem mostrar mais do que deve, troque de saia; uma maneira de evitar esse aborrecimento é assegurar, na hora da compra, que a saia ou vestido é ligeiramente mais comprido atrás - um cuidado que as marcas mais acessíveis às vezes esquecem!

- Escolha sempre uma saia cuja bainha termine na parte mais magra da perna; se isso implica usá-la  bastante acima do joelho, reserve-a para o Inverno, combinada com collants opacos.

- Não abuse dos saltos altos: além de parecerem vulgares, vão forçar os músculos e fazer a perna parecer mais larga do que é na realidade. Quem tem pernas altas e magras pode mesmo optar por sapatos rasos (loafers, botas acima do joelho, botins, sabrinas ou oxford shoes); se pretende ganhar altura, um salto médio ou um compensado ligeiro fazem o truque sem deixar o visual demasiado provocante.

- Brinque com camadas ou aposte em decotes fechados, casacos com algum volume e blazers, para um visual preppy (a.k.a, betinho) que desconstrói o ar demasiado sexy e acresccenta o chic necessário.

- Se tem pernas torneadas, fuja dos modelos justos ao corpo.

- Em situações formais, evite os modelos extra curtos:um palmo acima do joelho já é risqué que chegue.


Calções

Sobre eles já se dissertou aqui, e as regras não mudam:

- Em termos de fisionomia, vale o mesmo que foi dito em relação à mini saia: pernas mais fortes exigem duplas cautelas.

- Shorts prestam-se sobretudo a ocasiões casuais.

- Os modelos mais democráticos são os ligeiramente largos na perna e de cintura subida;

- Tal como na mini saia, assegure-se de que a bainha termina na parte mais esguia das pernas (a não ser que sejam exageradamente magras e pretenda ganhar algum volume).

- Se os quer usar com botas ou cuissardes, opte por collants da mesma cor: não só evitará banalizar o visual como as pernas parecerão mais elegantes e compridas.

- Fuja do calçado com brilho e aplicações: os shorts já têm impacto suficiente.

- De novo, acrescente volume na parte de cima, ou opte por tops simples: t-shirts ou camisas brancas de manga comprida, sweatshirts largas (que podem ter aplicações) blazers de colegial, ponchos, capinhas, canadianas (que dependendo do frio, podem cobrir ou não as pernas) ou sobretudos fofos são boas opções para jogar com as camadas...e estar quentinha! Tiritar de frio tira a graça a qualquer toilette e é um atestado de pinderiquice do tipo "quero tanto dar nas vistas que não trouxe casaco". Lembre-se sempre do moderno ditado "só há três criaturas que não sentem frio: os pinguins, os ursos polares e as serigaitas".

- No calçado, aplicam-se as mesmas linhas de orientação da mini saia.


Cuissardes


As botas acima do joelho e mais além são daquelas coisas que não têm meio termo: podem parecer sofisticadas ou muito vulgares. Se forem bem usadas, ninguém dará por elas: só vão reparar que tem uma silhueta muito elegante com umas belíssimas botas! Mas se pelo contrário dão demasiado nas vistas, não estará confortável e vai passar uma mensagem totalmente errada. Sobre isso já se escreveu em detalhe aqui, mas ficam as ideias mais importantes:

- Se as vai usar com saias, escolha uma cuja bainha termine sobre a bota: alonga as pernas e parece chic, não provocante.

- Atenção à estabilidade do salto: calçado que "entorta" as pernas é sempre deprimente, mas neste caso pior um pouco!

- Com jeans skinny ou calças de malha, opte por botas de tom semelhante; se contrastar demasiado vai atarracar a figura.

- Caso tenha pernas um pouco mais fortes, escolha umas botas que terminem logo acima do joelho; todas as outras são demasiado arriscadas.

- Se pretende calçá-las com mini saias ou calções (negócio perigoso, mas não impossível) opte por collants escuros, botas justas à perna (desde que não apertem a pele) e saia ou shorts mais folgados. Um vestido-camisola largo é uma excelente escolha.

- Evite as botas estilo pirata (mais largas na coxa) ou com fivelas: mesmo as versões mais caras costumam parecer algo ordinárias.

- Acompanhe cuissardes com toilettes sóbrias ou de aspecto colegial - sempre com partes de cima compostas e cobertas q.b. As dicas de sobreposições e volume descritas acima para calções e mini saias também se aplicam às botas overknee ou thigh high.

E pronto, com cuidado pode pedir-se pernas a santo Amaro sem dar nas vistas pelas razões erradas...

Saturday, July 7, 2012

Simplicidade e bom senso

Christopher Lee

 Num dos seus deliciosos livrinhos (que recomendo para não levar a sério) Antonius Moonen relata uma estória atribuída a um dos Duques de Norfolk (infelizmente não detalha qual deles, mas voto no 13º, conhecido pela sua excentricidade). A família desesperava-se para que o cavalheiro se vestisse como quem era, mas ele, senhor de si mesmo e de uma descontracção absoluta, não estava para se maçar. Como se instassem com ele pela milionésima vez para que se ataviasse condignamente em público, encolheu os ombros e respondeu impávido e sereno: mas para quê? Em Londres ninguém me conhece...e no meu ducado toda a gente sabe quem eu sou...
Moral da história: mais do que andar elegante e à moda, por vezes o cúmulo é borrifar-se para isso tudo, que de pretensiosismos já basta o que basta. Ou como diz uma pessoa cheia de estilo que eu adoro, quando alguém refila com uma toilette menos bem conseguida: deixa lá, que ninguém te dá outra!

Wednesday, May 9, 2012

A Venerável (e elegante) Teresinha

Venerável Maria Teresa Gonzalez-Quevedo y Cadarso

Há dias, quando comprava um armário antigo, deparei-me com um caixote de livros velhos. Entre eles estava uma biografia (Imprimatur de 1960) da Venerável  Maria Teresa Gonzalez-Quevedo y Cadarso. Teresita jurou ser santa, morreu tragicamente antes de completar 20 anos de idade e actualmente são-lhe atribuídos vários milagres.
Fiquei imediatamente fascinada, não só porque o livro faz jus à prosa característica destas publicações, a que eu acho imensa graça,  mas também pelos deliciosos retratos que contém. Um amor!
A avó Celeste incutiu-me a curiosidade pelas vidas de santos, que ora me contava (com o seu talento especial para dar vida às histórias) ora me apresentava através de livrinhos e pagelas que trazia dos seus passeios. Alguns são francamente edificantes, outros encantam pelo contexto histórico, pelo pitoresco, pelo aspecto humano. O hábito ficou. 
"Essa vida (de Teresinha) é a prova fulgurante de que a santidade não anda de relações cortadas com as diversões honestas (...) não é com extravagâncias e esquisitices que se alcança a santidade"  dizia o prólogo da edição portuguesa. Pareceu-me muito bem, até porque estamos precisamente no mês de Maria, e veio comigo para casa. 


Para quem não conhece, a lindíssima Teresa nasceu em 1930 numa boa família madrilena. Teve uma infância e uma adolescência perfeitas, com todos os mimos e confortos. Era muito alegre, embirrava com os livros do colégio, tinha mau feitio ( em pequena chamavam-lhe "o venenozinho") e sobretudo, um gosto irrepreensível. " Prefiro ter um vestido bom do que dois medianos" era uma das máximas de quem, segundo a irmã, se mostrava sempre exigentíssima no requinte da apresentação e do saber estar. Impressionava pela beleza, pela simpatia e sobretudo pelo porte gracioso, digno, a que não faltava"  um fundo de certa majestade e respeito" . Era igualmente exigente com os dotes do espírito. O seu ardente desejo de se aperfeiçoar e uma enorme devoção à Virgem Maria - o seu modelo - levaram-a a deixar para trás as festas, as férias, as belas toilettes, a família e os amigos, para se tornar noviça das Irmãs Carmelitas da Caridade. Estava decidida "a ser Santa". Porém, até ao momento de tomar o véu, espantou todos com a fantástica elegância da sua pessoa e do seu traje " do mais irrepreensível figurino".
Entrou no convento "serena, alegre, belíssima" de " vestido escocês e capote azul marinho". " Gosto muito de usar roupas elegantes. Muito mundo, muito mundo, mas quando entrar no noviciado acabou-se!" confirmou às amigas, sem pena, embora tivesse gracejado ao ver-se de hábito vestido: "pareço uma dessas caixas de amêndoas, com tampa de mola, de onde sai um boneco...". 



Tuesday, February 7, 2012

A elegância impossível


Gwyneth Paltrow é um dos meus ícones de estilo: aquela criatura de belo porte, imaculada, asséptica, com ar de princesa e uma calma transcendente. Sempre serena, sempre compostinha. Tem uma qualidade rara que ultrapassa a distinção e a elegância: nunca se ruboriza, jamais se despenteia nem amarrota, nunca é trapalhona. Por mais calor que faça a pele nunca precisa de mata-brilhos, as mãos nunca se encardem, não parte uma unha. Pode arrastar-se de um monte abaixo e cair numa poça de lama sem se sujar (quando muito mancha as galochas, mas até isso lhe cai bem).
Há muitas senhoras bem nascidas, educadíssimas, com beleza natural e extremo bom gosto que não possuem este dom inato e subtil. O berço facilita muito (eu diria que é dificílimo ser assim sem ajuda da genética e do meio) mas isto é algo intangível, mais complicado do que ter uma postura perfeita, usar branco sem uma nódoa que seja e outros básicos da graça feminina. Gwyneth é um cisne, goste-se ou não do género. A avó Celestina tinha um estribilho que usava para descrever o seu tipo; senhoras ou raparigas muito distintas, muito perfeitinhas, que têm sempre um ar racé e fabuloso sem esforço: é como a mulher do Senhor Popô, passou pela água e não se molhou.
A foto acima comprova-o: vejam a marota no mar. Impossível!

Thursday, January 5, 2012

Allegro ma non troppo

Morena Baccarin

 

Quando andava de fraldas, já ouvia em casa: o sorriso (ou o riso) de uma senhora que se preze deve ser discreto e sereno. Seja feia ou bonita, uma mulher não deve arreganhar-se constantemente; nada de gargalhadas histéricas, nem de guinchos. Infelizmente, muitas moçoilas julgam que conseguem imitar a Cameron Diaz: abrem a dentuça a toda a hora, a despropósito, para todas as fotos e julgam " tenho um sorriso de arrasar" mas na verdade ficam assim:





Quando se tem um olhar pouco inteligente, pior um pouco...

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