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Saturday, November 1, 2014

Edward Mordrake, o "Príncipe" de duas caras


Começo a achar que American Horror Story me lê os pensamentos, ou que os produtores da série lêem o meu diário (o que seria ainda mais estranho porque não tenho um); o mais certo é eu ter muitos gostos em comuns com eles, deixemo-nos de coisas.
Depois de Coven e de trazerem David Bowie a um circo de aberrações - tema que me intriga desde pequena: sabiam que nos anos 60 ainda havia dessas coisas por cá? Sim, a minha família conta histórias dessas, havia realmente circos com o Homem mais Alto do Mundo, a Sereia e a Mulher Barbuda dentro de uma jaula - de quem é que se lembraram? 


De Edward Mordrake, personagem (pois não se sabe ao certo se existiu ou não) realmente fascinante. 

 Fascinante estilo filme de terror mas enfim, gostos são gostos e estamos em época disso.

  Supostamente, Edward Mordrake, que viveu em finais do sc. XIX, era um belo e gentil fidalgo, herdeiro de uma das melhores famílias de Inglaterra e de numerosos títulos. Riquíssimo, talentoso e muito inteligente - era um músico e estudioso dotado - o pobre Edward tinha um grave problema: uma segunda cabeça na nuca. 


O seu rosto normal era lindíssimo e de expressão grave, mas a "segunda face" era má como as cobras. Não falava nem comia mas fazia caretas, mexia os lábios com expressão malvada e segundo Edward, murmurava constantemente coisas infernais, especialmente à noite. O desafortunado rapaz tentou por todos os meios ver-se livre do seu "gémeo maligno" mas a Medicina da época nada pôde fazer por ele. Envenenou-se aos 23 anos, deixando por escrito um pedido para removerem a carantonha, não fosse ela continuar a torturá-lo no Além. 

 Em American Horror Story, Mordrake, interpretado por Wes Bentley, é uma elegante alma penada que percorre os circos de aberrações procurando companheiros para a sua trupe dantesca no Outro Mundo, servindo ao mesmo tempo de justiceiro, confessor e redentor.     Deram-lhe uma dimensão de herói Byroniano atormentado com o visual de um Dorian Gray, o que não podia ser mais interessante...embora os morenos misteriosos sejam sempre de desconfiar.


 Dito isto, Edward Mordrake, a ter existido, seria uma pessoa no mínimo complexa - ou não. É que bem vistas as coisas, o único problema dele era ter duas caras (uma delas cruel e viciosa)...à vista desarmada. Não faltam por aí cavalheiros semelhantes, com o mesmo problema, só que escondido. O pobre Edward, que até era bem intencionado, só não conseguia enganar ninguém...

Também nisto a série não deixa escapar a analogia: Dandy, a pior aberração de todas, é um jovem riquinho, betinho, lindinho, perfeitinho (outro moreno misterioso, estão a captar a lógica?) mas mimado, desaparafusado e capaz das maiores tropelias. 


 Por vezes os piores monstros estão escondidos lá dentro. Até podem dar sinal numa cara bonita, numa postura angelical, mas quase sempre é demasiado tarde. E isto de lados lunares quanto mais cedo se revelarem, melhor...





Friday, October 31, 2014

A Princesa Bailarina (porque máscaras, todos temos)


Nesta data em que a velha tradição celta de usar máscaras para se confundir com as almas de outro mundo que andam por aí à solta faz um regresso cada vez mais visível aos países europeus, é curioso pensar nas máscaras que a vida nos obriga a usar.

 Mesmo as pessoas mais honestas e sinceras usam uma, ou mais, no seu dia a dia. Nem sempre se pode dizer o que se pensa, mostrar o que se sente ou usar todo o  potencial de que se é dotado (a). 

  Há também muita gente a quem a vida, por força das circunstâncias, rouba a verdadeira identidade, obrigando à construção de uma personagem totalmente nova. Foi o caso da Princesa Curda Leila Bederkhan, que nos anos 1930 se tornou uma estrela da Dança: a História tem bastantes casos de mulheres do palco que casaram com grandes Senhores, tornando-se titulares ou mesmo princesas; com Leila deu-se o inverso. Princesa de sangue, fez-se bailarina e deslumbrou as audiências, reinando nos grandes palcos mundiais.




Nascida com a sua Pátria, o Curdistão, já dividida entre vários países diferentes, Leila vivia como uma refém privilegiada em Istambul: o seu trisavô, soberano dos Curdos, fora nomeado  Camarista Real pelo Sultão, mas no coração dos descendentes nunca deixou de vibrar o desejo pela reconquista do trono. O pai de Leila, o Príncipe Abdurezzak, Emir do Curdistão, recusou casar com uma linda fidalga turca, unindo-se a uma mulher curda da sua estirpe; e apesar de receber as atenções e amizade do Sultão Abdul Hamid, seu soberano,  à porta fechada conspirava para reaver a independência ancestral. Foi descoberto, porém - e executado no próprio palácio. Leila e a mãe lograram fugir levando algumas jóias de família e com a ajuda de amigos, foram postas a salvo em Paris.


  Na capital francesa, a princesa exilada recebeu a educação mais esmerada que os meios algo modestos lhe permitiam: falava francês e italiano fluentemente e quem a via não reconhecia nela uma princesa oriental; parecia uma parisiense perfeita, de ar distinto e cosmopolita. A sua ambição era formar-se em Medicina - e assim teria sido se, num espectáculo organizado pelos colegas onde Leila mostrou os bailados das suas antepassadas, não estivesse um grande nome da Ópera de Paris, Aida Boina. A artista ficou de tal maneira deslumbrada com o talento da princesa que a convenceu a tentar antes a vida no palco, prometendo encaminhá-la rumo ao  estrelato. 


 E cumpriu: após frequentar o Conservatório, Leila Bederkhan, Princesa do Curdistão, estreou-se na Ópera com retumbante sucesso. Seguiram-se os grandes palcos mundiais - Milão, Nova Iorque - e a todos conquistou com as encantadoras danças da sua terra, executadas com  transporte e génio. No palco, transfigurava-se. O êxito, no entanto, não lhe chegava sem amargos de boca: havia quem não gostasse de a ver executar danças religiosas em palcos profanos. De Istambul, do Cairo, de outras paragens ainda, chegavam-lhe ameaças de morte. Leila ignorava-as: já tinha visto a morte à frente dos olhos; nada a assustava a não ser o fracasso.

 Nunca olhou para o passado: se nos momentos menos bons lamentava o esplendor perdido da família, por outro lado sentia-se afortunada por viver como uma jovem independente, longe da submissão imposta às mulheres da sua condição. Senhora do seu destino, disse várias vezes só lhe interessar a Coroa da Arte.
 Não deixava, porém, de ser uma verdadeira Princesa: as máscaras e as circunstâncias não podem mudar o que vem de berço, nem a qualidade da alma de cada um...









Thursday, November 1, 2012

O meu Halloween foi de tremer, e o vosso?



Embora adore estar recolhida no meu cantinho há ocasiões que não deixo de celebrar, e o Halloween é uma delas. Confesso que  me custou não ver The Walking Dead sossegada, mas foi para isso que se inventou o MEO (passe a publicidade que eu não sei como se chama a engenhoca para gravar programas e estou com preguiça de procurar) e além disso, não queria perder o convite da minha BFF Inês para o concerto da banda Rock N Riders (que vos aconselho a conhecer, já agora) na linda cidade da Figueira da Foz. Como vos tinha contado, acabei por me decidir por um upgrade gótico/ vampiresco/embruxado no meu visual, em vez da minha habitual fatiota completa. Para me inspirar, comecei logo por um visual noir ao longo do dia. Neste Inverno a combinação saia midi ou maxi + blusão de cabedal vai ver-se bastante por aí e acho a contradição peça agressiva + saia delicada muito interessante. Tal como disse ontem, um look com um quê de gótico não precisa de ser alternativo ou imaturo. Lá diz um escritor que muito aprecio, Antonius Moonen, que "o preto provoca a curiosidade e força o respeito"...
Mas é claro que para a noite a história era outra. 

Queria algo que me permitisse dançar e mexer-me à vontade. Por isso, escolhi o mais simples: um vestido rendado no negro mais retinto que há, acessorizado com um cinto de cetim entrançado e pedras de fantasia, e umas botas overknee de veludo guarnecidas de rendas, que comprei por graça numa boutique muito curiosa. Trouxe-as especialmente para ocasiões destas, mas com a invasão de veludos e looks românticos nesta temporada talvez me atreva a passeá-las por aí mais vezes. Ou seja, compus a fatiota com coisas que separadas podem fazer parte de uma toilette normalíssima, mas juntas...
Depois foi só colocar um fascinator de plumas no cabelo e criar um makeup com várias nuances de negro, um toque de encarnado (olhos) e lábios rouge-noir, outra tendência do ano.
Diverti-me horrores e fui mesmo desafiada para cantar com os Rock N Riders. Adivinhem qual foi o tema? Seven Nation Army, uma canção que adoro e que até já referi algures por aqui...
                                                    

Ficam algumas imagens do serão e claro, fico à espera de que me contem como foi o vosso...










Tuesday, October 30, 2012

A escolher a makeup para o Halloween....

                                   
...garanto que já há ideias - algumas glamourosas, outras assustadoras - por aqui. 
Inclino-me mais para coisas creepy, mas femininas. Sustos óbvios, in your face, não fazem muito o meu género. Prefiro algo ligeiramente sinistro, mas não necessariamente horrendo. Afinal, a subtileza tem as suas virtudes e não é preciso meter medo ao susto para inspirar um BOM TERROR. Sugestões?

Saturday, October 27, 2012

Halloween chic, lendas, tradições e...Apocalipse


Já prepararam a vossa fatiota para o Ano Novo Celta? A minha é um work in progress, dependente de alguns acessórios estarem prontos a tempo. Ainda estou indecisa entre duas opções; mas ao contrário do que é costume, inclino-me para uma toilette que não seja exactamente uma máscara. (Inclino-me, ainda não optei...não vá eu à última hora escolher ir de alma penada e depois passar por mentirosa).  Está a apetecer-me pegar nas roupinhas e calçados com um certo ar gótico que por aí andam, que não tenho coragem para usar no dia a dia (em look total, pelo menos) e compor um visual witchy, mas elegante. Estilo bruxa à paisana, mas pouco. Uma bruxa/vampira/rainha das Trevas sofisticada que se possa levar a todo o lado desde que se mantenha sob controlo, não vá ela semear o caos e a destruição na mais selecta das festas. A minha vontade de causar o Apocalipse em certos e determinados circuitos ainda não se desvaneceu, por isso talvez essa seja uma boa inspiração. Vista o que vestir, o que importa é que as almas do outro mundo me confundam com uma delas; afinal, essa é a tradição por trás da All Hallows Eve. Em noite de Samhain, o véu entre mundos desvanece-se e tudo quanto é fada, elfo, alminha, fantasma ou diabrete passa para este lado da vida, pronto a pregar partidas aos humanos. A Rainha das Fadas e o seu amado esposo, o Rei dos Elfos, saem na sua cavalgada fantasma prontos a raptar gente normal para viver encantada no seu palácio por um período mínimo de sete anos (isso não parece assim tão mau; o problema é que quem lá vive não regressa bom da cabeça, tal é o contraste entre aquela terra maravilhosa e a nossa).  Neste período as Divindades estão mais perto e os espíritos dos antepassados e amigos que partiram para o Outro Mundo estão mais próximos de nós. Também é a época para agradecer o que de bom se recebeu, deixar para trás o que não interessa e formular desejos para o futuro. Mas tudo isso sob disfarce - a alternativa é ficar em casa como os irlandeses de antigamente, que se fechavam a sete chaves após o por do sol; porque se os seres mágicos nos reconhecem, pode haver consequências muito desagradáveis. Ou seja: usem o que vos apetecer - desde que seja estranho - para vossa própria segurança, e bons sustos a todos.

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