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Tuesday, November 24, 2015

E vão 24 anos sem si, Freddie.


Um bom amigo lembrou-me ontem que este mês fazem 24 anos que perdemos Freddie Mercury. Apesar de adorar música, talvez mais do que qualquer outra coisa, nunca tive ídolos nem me entusiasmei com celebridades. Tão pouco fui de chorar, mesmo quando era muito nova, por dramas de gente famosa ou tragédias que passassem nas notícias, por muito impressionantes que fossem.

Mas por causa de Freddie, eu chorei a sério. Freddie, como detalhei aqui, era mais do que um cantor extraordinário, das vozes mais belas a ter-se feito ouvir neste mundo do Senhor; mais do que um ícone de moda e um compositor genial, do que o carismático e belo líder de uma banda igualmente genial; se lá em casa fôssemos romanos, Mercury quase faria parte dos nossos deuses lares, de certeza- o nome prestava-se a isso, pelo menos.

 Assim, era uma espécie de entidade sempre presente com a sua música: os pais tinham a maior parte dos álbuns, eu e o meu primo coleccionávamos imagens dos Queen e aprendíamos as canções  de cor e salteado. Uma das primeiras coisas que cantei sozinha ao piano foi Love of My Life, que Freddie compôs para a sua eterna amada, Mary Austin.




Era pequena e estava na cozinha quando a mãe me veio dizer  que o nosso Fredinho já não estava entre nós. Contou-mo de lágrimas nos olhos, ela que ainda é menos piegas que eu - afinal, tinha acabado de perder a sua crush de adolescência; no liceu desenhava retratos dele a carvão. Foi um drama e ainda hoje não aguento ver nem ouvir These are the days of our lives, talvez uma das mais belas canções criadas pelos Queen, mas que para mim terá sempre o feeling de um velório. 



 A partir daí, embora sempre tivesse mais fé em anjos da guarda do que em espíritos de pessoas que por cá andaram tal como nós, passei a ver Freddie como algo parecido com isso: sempre que estava para me acontecer algo de importante, uma canção dos Queen passava inesperadamente. Coincidência, é o mais certo, mas sentia que dava sorte.

É surpreendente como passaram 24 anos e Freddie continua tão presente. É rara a semana em que não trauteio ou ouço algo seu. Inúmeros artistas baseiam-se visual e musicalmente nele, mas continua inimitável e insubstituível, por mais tropelias e sacrilégios que Brian May invente para manter os Queen vivos (May, gosto muito de si e compreendo o desgosto, mas os Queen morreram com Freddie Mercury; é assim que as lendas são feitas).

Friday, March 28, 2014

Danke schön , Herr Lagerfeld‏

                           
                         "Life is not a beauty contest, some [ugly people] are great. 
                                                What I hate is nasty, ugly people". 

Nem sempre o que o Kaiser diz bate certo com o que já afirmou antes (que diabo, um homem tem o direito a contradizer-se e só os obtusos nunca mudam de ideias) por vezes exagera, diz coisas que não cabem na cabeça de ninguém e fala sem necessidade, mas temos pena: ele tem génio, obra feita, provas dadas e espírito que chegue. Ele pode. E age de acordo, porque tem essa rara e preciosa característica de não precisar de aprovação.

"Be politically correct, but please don’t bother other people with conversation about being politically correct, because that’s the end of everything. You want to create boredom? Be politically correct in your conversation".

 Não precisa de ir com a carneirada,  pode muito bem borrifar-se para a cortesia aburguesada. Uma vez que Eça, Wilde, Byron, Baudelaire  e outros capazes de dizer umas verdades já não caminham entre nós, ao menos que se vão estimando os últimos moicanos. Há que guardar as suas citações e espalhar a palavra, porque em breve todos os opinion makers vão ser certinhos, fofinhos, politicamente correctos, saudáveis, "iguais ao comum dos mortais", supostamente acessíveis,  burguesinhos, postiços e chatos, dolorosamente chatos. Duvidam? É que já começou: Jennifer Lawrence, romances light, sumos detox logo pela manhã, Lena Dunham, publicidade da beleza real, filmes "românticos" baseados em obras do Nicholas Sparks: mediocridade, chatice, "ugly is the new pretty", inclusão a martelo, tudo muito democrático, tudo muito child-friendly, tudo muito tupperware.

Eu cá vou aproveitar enquanto dura, armazenar enquanto há, para preservar o testemunho de quando a humanidade era normal - cometia pequenos excessos com classe, não se ralava de dizer o que pensava, de ser desconcertante (mas sem esforço; não há nada pior do que o attention whoring). Vou preservar o conhecimento precioso da nossa civilização, leia-se, como ele era antes do 11 de Setembro que deixou toda a gente paranóica, antes da crise, antes da UE, do exagero das leis anti fumo, anti sal, anti açúcar, anti glucose,  anti sabor, do acordo ortográfico, da mania da saúde, das crianças serem obrigadas a  andar de cadeirinha no carro até à puberdade, da ASAE, de se descobrirem os supostos podres  no mundo da moda e começarem campanhas contra a beleza artificial e o photoshop, antes dos romances  que até para a Harlequin são maus passarem a ser confundidos com leitura respeitável, antes do Facebook.
 Por vezes não tenho paciência para os excêntricos - mas por favor, tolero mil vezes melhor um excêntrico que sabe rir de si mesmo do que uma pessoa convencional, terrivelmente consensual, maçadorazinha. Até porque só é excêntrico quem pode, e só os excêntricos  a sério têm audiência- os palhacitos com pretensões a ficam normalmente na obscuridade, e ninguém faz citações deles. Danke schön , Herr Lagerfeld.

      "Everything I say is a joke. I am a joke myself".

Friday, July 26, 2013

É preciso dizer que adoro esta mulher? Perdão, Dama.

                     2011
Que também faz anos, e a quem a Vogue Portuguesa presta uma merecida homenagem. Gira, sexy q.b, cheia de joie de vivre, com uma silhueta e um estilo que tomariam muitas meninas de vinte. Uma senhora, portanto. E olhem que não é fácil entrar em produções como Calígula e manter um imbeliscável estatuto de senhora. Quem pode, pode. O vestido cinzento Vivienne Westwood (acima) que usou nos Oscars em 2011 é apenas um dos muitos da sua colecção que eu não me importaria de copiar indecentemente. E já agora pedia-lhe umas lições, porque tem de haver algum segredo para parecer divina a caminho dos 70. Way to go, Dame Helen Mirren.

Thursday, October 4, 2012

Happy b-day, Mr. Bond

Não sou sua fã, Mr. Bond, porque nunca suportei mulherengos, mesmo mulherengos encantadores, cavalheiros e com a desculpa " são ossos do ofício" ou "tudo em nome de Sua Majestade" como o senhor. Mas tenho de lhe reconhecer um certo estilo. E agradecer-lhe ter lançado para a ribalta Sir Sean Connery, ele sim, um cavalheiro à prova de bala. Confesso que se tivesse escrito argumentos para os seus filmes, metade das mulheres não cairia nos seus braços. Provavelmente, iriam dar-lhe uma tareia uma vez por outra, meter-lhe uma bala no coração. Ou antes, criaria um James Bond de saias que lhe partisse o seu para variar, uma némesis.
Tiro-lhe o chapéu por, em 50 anos de franca actividade, nunca ter apanhado uma doença ruim, com tanta má vida em que tem andado, porque a sua elegância não é desculpa para tudo. Mas suponho que seja imbatível e que essas coisas desagradáveis fujam de si, sorte sua, que está muito bem conservado! Não leve a mal a minha embirração; não é nada pessoal - acredito que os cavalheiros do seu género são fantásticos....para amigos. Contam-nos todos os truques que a ala masculina reza para que as mulheres nunca descubram. Vão às compras connosco e dão conselhos de moda fantásticos, porque sabem o que fica bem a uma mulher, mas não numa perspectiva amigo gay. Dão excelentes acompanhantes para levar a uma festa, para provocar ciúmes estratégicos. São excelentes conspiradores, partners in crime. Toda a mulher sensata, que não tenha carácter para Bond Girl, devia ter um Bond Friend na sua vida. Uma espécie de Valmont de bom coração. Bem vê, Mr. Bond, eu faço-lhe justiça. O senhor é, no fundo, um bom rapaz, um enfant terrible que todas as mulheres sonham reformar. Todas, menos eu e as da minha igualha, que sabemos que um homem não muda, ou muda raramente e como nunca sabemos qual é qual, consideramos estúpido tentar o investimento. Por isso Mr. Bond, aceito-o exactamente como é, e se algum dia precisar de uma assistente para as suas aventuras, aqui estou, pois a espionagem não me parece uma carreira má de todo. Acompanhá-lo deve ser um estudo antropológico muito interessante, e ainda há a oportunidade de usar uns trapinhos bonitos. Suponho que os honorários não sejam de desprezar, e eu até sou multifacetada e não tenho má pontaria. Desde que nos fiquemos por uma boa camaradagem e também prometa manter-se longe das minhas amigas, temos negócio. Happy birthday, Mr. Bond. James Bond.

Saturday, September 8, 2012

Daphne Guinness, profissão: ícone


Racé. Elegante. Única. Com traços finos, o glamour de outras épocas e um porte de morrer. Não é uma it girl, é uma it woman - aos 45 anos tem a figura e a beleza de uma rapariga com as vantagens da experiência. Se há um moderno ícone de moda que eu admiro - e que aposto, vai resistir ao teste do tempo - é Daphne Guinness, a mulher que tem os maiores designers e celebridades do mundo elegante, da indústria de moda e do meio artístico a seus pés. E não é para menos: Kate Moss, ela própria um ícone de pleno direito, é sua fã. Esta irish lass ( de nacionalidade britânica e irlandesa) tem tudo para ser uma lenda de estilo: imaginação, talento, berço e a capacidade de fazer tudo o que lhe apetece, cada vez mais rara nos dias que correm. É feita da mesma fibra de um David Bowie, com o encanto rebelde e a excentricidade dos antigos dandies e das lendárias mulheres de sociedade do século XIX. Oscar Wilde disse "one should either be a work of Art, or wear a work of Art". Uma máxima que assenta na perfeição a Daphne. Ela é uma original. Pode fazer o que quiser, e dá-se plenamente a esse luxo. O que não é de espantar, considerando o seu pedigree e educação. Descendente e herdeira de Arthur Guinness (que no século XVIII inventou a famosa cerveja irlandesa) o pai de Daphne é Jonathan Guinness, 3º Barão Moyne, e a sua mãe foi musa de Salvador Dali, uma das muitas celebridades com quem a futura diva passava férias em pequenina. Daphne é neta da controversa beldade Diana Mitford Mosley - comparada à Venus de Botticcelli -  filha do 2º Barão Redesdale e uma das  célebres irmãs Mitfordit girls que encantaram e escandalizaram a sociedade dos anos 30. Daphne é muito amiga da irmã Mitford sobrevivente, a sua tia-avó Deborah, Duquesa viúva de Devonshire.
Diana Mitford, avó de Daphne
Daphne -  criadora, artista, stylist e mãe de três filhos- brinca com os looks espampanantes (é fascinada por pumps e armaduras) mas sabe usar a simplicidade, o requinte e o rigor como base. Se quiser brilhar com um visual clean, consegue-o. Mas domina a difícil arte de usar (com classe) roupas extravagantes sem ser usada por elas. Quando não encontra um determinado artigo de moda, perfumaria ou joalharia, gosta de o criar. E de arranjar o próprio cabelo. Defensora de um guarda roupa completo e de uma elegância cultivada, com "mais qualidade e menos quantidade", é dona de um dos closets mais fabulosos e cobiçados da scene fashionista. É também uma conhecida benemérita, e recentemente doou boa parte dele para ser leiloado com fins solidários. Amigos famosos como Lady Gaga licitaram as suas peças, arrecadando-se mais de 700 mil dólares num dia para a fundação Isabella Blow, que apoia os jovens talentos. No entanto, seguindo as passadas de mitos como Lord Byron, ela afirma, sempre blasé, "eu abomino o mundo. Tornou-se despido de significado". 



















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