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Monday, December 21, 2015

Eu não digo que nail art é coisa do tinhoso?




Por terras de Vera Cruz vai um grande burburinho nas redes sociais, graças a um caso de adultério que deu brado, foi filmado e - como não podia deixar de ser - acabou online em todo o seu esplendor. O enredo é reles, o desfecho reles é: o marido desconfiou do comportamento da cara-metade, espreitou-a, seguiu-a...e surpreendeu-a num local de rendez-vous indigno na companhia do melhor amigo do casal, um novo-rico da região, igualmente casado. Fora safanões e insultos, não acabou tudo em *mais* bordoada e arnica porque os traidores se refugiaram no carro...e o veículo pagou a maior parte das favas.

Nada haveria de notar aqui, não fosse a tirada "foi fazer a unha né, Fabíola?" ter ficado na boca do povo, sido transformada em incontáveis memes e parodiada à exaustão. É que "vou fazer as unhas" foi a desculpa que a mulher inventou para se ausentar sem que o esposo desse por nada. 

A única coisa que ainda não percebi no meio de toda esta trapalhada é se a tal Fabíola era manicura e ia fazer as unhas de uma cliente (como afirmam alguns sites) ou se era bancária e ia tratar das próprias garras (como dizem outros). 

Também não importa: já se sabe que aplicar gel, extensões, brilhinhos e bonequinhos é um passatempo demorado que chegue para ir chamar a morte, quanto mais para fazer trinta por uma linha. 



Qualquer incauta que tenha cedido à curiosidade e experimentado um simples verniz-gel nude, sem um desenhinho que fosse, sabe que o suplício de liga-o-forninho-desliga-o-forninho-massacra-a unha-pinta-a-unha dá tempo de matar trinta neurónios por segundo ou - para que tal não aconteça-  de rezar mentalmente o terço, embora seja mais provável que a maioria se dedique aos mexericos para não morrer de tédio naquela agonia. Logo, a Fabíola arranjou a desculpa quase perfeita...só que as desculpas são como o crime: quando toca a isso,  perfeição não existe.

  Logo, aqui confirmo as minhas suspeitas de que a nail art, tal como as leggings, é invenção do demo para espalhar o mau gosto e perder as almas. Para já, porque trazer as mãos capazes de envergonhar um papagaio ataviado de lantejoulas dá cá um mau ar que quem não é, parece. (E quem não resiste a uns brilhitos que me desculpe; acredito que haja gente honesta que faz isso sem pôr mal no assunto, até porque tenho uma ou duas amigas que não perdem a mania por mais que eu as arrelie). 

 E depois porque muitos nails corner são a versão ociosa para o sec. XXI dos tanques públicos de lavar a roupa onde para matar o aborrecimento, se contavam todas as tricas e se podiam ganhar, por osmose, todos os vícios. Não se pode aprender grande coisa estando tanto tempo parada, sem poder sequer ler  para se entreter e a ver entrar cores horrorosas e apliques assustadores pelos olhos dentro, enquanto se ouvem frases que acabam com "fostes", "fizestes", "o comer", "môr" e "miga". É que é impossível sair dali algo que eleve o espírito, pronto. Imaginam, sei lá, Audrey Hepburn ou qualquer outra Senhora a fazer "espampanâncias folclóricas" nas mãos? Eu cá não. 

 Mas voltando à Fabíola, o pior é que ainda houve muito mulherio a acudir por ela, com argumentos do estilo "ai que sexismo horroroso" e o piorio do piorzinho, "ninguém é de ninguém". Talvez porque a moral de elástico é sempre solidária com os pecados com que se identifica, talvez por medo que os maridos e a opinião pública comecem a bater o pé às nails cheias de macacadas. É que muita gente não vive sem isso; e como no caso das ceroulas do demo, há sempre uma legião de diabinhas prontas a defender a causa até à morte...

Tuesday, October 20, 2015

Mas o mundo ganhou todo juízo, ou anda tudo a concordar comigo, ou...


Bom, não sei mas é reconfortante ver a citação acima. Não ouço esta rádio -ouço pouca rádio, por motivos que um dia conto- porém quer-me parecer que esta, que costumava ser toda modernaça, anda a educar o povo, o que é óptimo para variar.  As ceroulas do demo são não só a coisa mais reveladora fisicamente falando, mas também a mais eloquente que há. Quem as confunde com calças (volto a dizer, calças de malha não são necessariamente leggings) e gosta de as usar, ou ver na rua, está apresentado(a). In leggings veritas, minha gente.


Wednesday, July 29, 2015

Sissi entrevista #1: Anton Moonen, o árbitro das elegâncias.


Hoje inaugura-se aqui no salão uma rubrica que tinha vontade de criar há bastante tempo. Afinal, ser abençoada com amigos elegantes e originais num mundo que anda como anda é uma alegria grande demais para não ser partilhada. E assim, senhoras e senhores, a partir de agora teremos periodicamente alguns very special guests para nos falarem de aspectos como elegância, cultura, arte, sociedade, beleza e bom senso.

 Para começar, convidei - o prometido é devido - Anton Moonen (célebre jornalista, trend watcher, ensaísta e autor de diversas obras sobre os bons e maus snobismos ), digno herdeiro da tradição de Oscar Wilde, Baudelaire ou Eça de Queiroz: viver com elegância, ter horror à vulgaridade, usar de um refinado sentido de humor e dizer que se pensa mandando às malvas o politicamente correcto. 

E claro, perguntei, porque a dúvida me queimava os dedos, o que pensa o arbiter elegantiae acerca das infames ceroulas do demoTinha de ser.



S: Na sua opinião, qual é a forma elegante [ou snobemente aprovada] de comportamento feminino? Como deve uma rapariga conduzir-se em termos de relacionamento ou dinâmica homem-mulher?

A.M: O meu conselho: seja uma Senhora em todas as circunstâncias. Não se incomode com a opinião pública. Diz-se que as mulheres são mais sensíveis ao "apelo snob" do que os homens. Os homens procuram uma donzela sexy, com faces rosadas e um corpo bonito. Pensam em sexo e na saúde da sua descendência. As mulheres podem 
apaixonar-se por homens mais velhos, especialmente se tiverem uma posição, um título, fortuna ou um uniforme. Creio que as mulheres vêem mais além (talvez instintivamente) o que as torna, portanto, mais inteligentes.
  
S: Como aconselharia uma rapariga a ultrapassar um desgosto ou ruptura amorosa, à maneira snob?


A.M: Uma overdose de caviar e uma grande ressaca de Krug Millésime.

S: Num primeiro encontro: que sinais de alarme gritam "este homem não é um cavalheiro; fuja!"?


A.M: Os cavalheiros estão a tornar-se extremamente raros. A vulgaridade e os maus hábitos são universais! Mas como disse, acredito na superioridade da intuição feminina. O tédio seria uma excelente razão para fugir...



Uma das *imperdíveis* obras de Anton Moonen,
 em tradução portuguesa

S: E numa mulher? Que características considera inaceitáveis e deselegantes?
A.M: Apatia, ennui, ser enfadonha, tornam uma mulher intolerável. Uma Senhora deveria surpreender-me; devia ser notada imediatamente numa sala entre duzentas mulheres. Supostamente isto é fácil num mundo onde reina o mau gosto, a ostentação e a banalidade, mas aparentemente não...

S: Quais são os básicos intemporais de guarda roupa para uma mulher elegante?
A.M: Um par de galochas para o campo. E também roupa quente - mesmo tricotada em casa- porque a maioria das casas senhoriais são muito mal aquecidas.


S: Um exemplo de elegância e bom snobismo feminino?


A.M: Karen von Blixen [autora de África Minha].

 S: O que pensa das tendências da "beleza real" e "“ugly is the new pretty”, que invadiram a imprensa ultimamente?


A.M: Não inventaram nada de novo. Os kitsch-snobs existem desde os anos 1960. E em relação à "beleza real", vamos ser francos; quem acredita em "beleza real"? Eu próprio tenho alguns amigos que são "snobs new age" mas nunca passaria mais de um breve fim-de-semana com eles. A sua ingenuidade deixa-me demasiado nervoso. A vaidade governa o mundo há eras: porque é que isso havia de mudar subitamente? A "beleza real" simplesmente não é credível para mim. Acho que é o "real" que me maça mais...

S: Por mera curiosidade, qual é a sua opinião sobre as leggings? Essas coisas estão a dominar o mundo. Alguma teoria?

Não oferecem nenhum apelo snob, de todo. Deviam ser proibidas e queimadas. Providencialmente, haviam de arder com facilidade por causa dos tecidos de que são feitas. Consegue imaginar Isabel II de leggings? Claro que não. Então porque haveria alguém de querer usá-las? Deviam ser permitidas apenas como roupa de desporto ou streetwear mas só em certas ruas e certos desportos, para que pessoas delicadas como eu as pudessem evitar. São tão anos 80, uma década que é conhecida pelas suas explosões de mau gosto humano. Demonstram ou a ignorância, ou a memória breve da Humanidade. A ignorância é o pior, não é?

Sunday, November 23, 2014

Beyoncé põe as infernais das leggings onde elas pertencem...



No seu último videoclip, Beyoncé põe as infernais das  leggings (e alguns modelos bem feiinhos, diga-se de passagem) onde elas pertencem: dentro de casa. Ou no caso, num quarto de hotel. (O mesmo vale para aqueles calções-cueca que se vendem na Oysho e companhia e que certas meninas insistem em levar para a rua).



É que as leggings, essas ceroulas do demo (não sei se é um nome lá muito justo, pois sempre ouvi dizer que o Príncipe das Trevas é um cavalheiro bem vestido) têm muita utilidade, sim senhora: são boas para fazer exercício entre quatro paredes e para usar em em privado, para jardinar, limpar ou desabar no sofá a ler ou a ver televisão. São uma daquelas roupas que não são bem pijama, mas quase, assim um lounge wear que se alguém adormecer com elas e com uma camisola não vem mal ao mundo, e até se pode abrir a porta ao carteiro sem parecer que se está de pijama.

  No máximo dos máximos, leggings podem ser usadas numa festa do dito pijama com as amigas -  e foi isso que a cantora fez no seu último vídeo onde até troça da Nicki Minaj num momento que é quase um diz o roto ao nu mas enfim, Beyoncé sempre tem mais classe.

 Ainda bem que ela está a mostrar ao mundo (ainda que de forma subtil, por isso acredito que muita gente não vá entender) o verdadeiro uso dessas não-roupas.

 É que, volto a dizer, na rua usam-se riding breeches, skinnies, jeggings ou quando muito, calças de malha espessa a que muitas vezes as lojas chamam erradamente leggings. A culpa também é das marcas que às vezes deseducam...

Em todo o caso, se o tecido é fino demais, brilhante demais ou com estampados, só tem um lugar: dentro de casa. Já que não me dão ouvidos, pode ser que a cantar percebam.





Saturday, November 5, 2011

Eu embirro com... as leggings "da moda"

Alessandra Ambrósio para Victoría´s Secret - sim, nem a ela se perdoa. Leggings, só de quadris tapadinhos!



As leggings são daquelas peças que voltam a estar na berra por acaso, caem na graça das consumidoras e nunca mais saem de cena. Eu até compreendo que possam ser úteis ( com um vestido- túnica mais espesso, por exemplo) mas em geral, são difíceis de combinar e complicam muito a toilette. Na maioria das vezes, skinny jeans ou collants opacos são uma solução bem mais elegante. Não percebo a vantagem de enfiar leggings com tudo, se ainda por cima não ficam bem a toda a gente. Exigem um corpo esguio e sobretudo tonificado, porque não perdoam nada: nem celulite, nem rabiosques com um pouco de flacidez. Em pernas muito fortes ou traseiros maiores, é a desgraça. Quando vejo mulheres assim vestidas, vem-me imediatamente à ideia um queijo Limiano que ficou fora do frigorífico - sem ofensa ao queijo, nem às ditas senhoras.

Quanto à variedade de opções (leggings brilhantes, leggings de napa, leggings com buracos ) isso então, é um paradoxo que me escapa por mais voltas que eu dê à cabeça. Nada feito: as leggings estão para o século XXI como o fato de treino sintético esteve para os anos 90.
Só esta semana já tive duas visões desagradáveis: uma moça alta e rechonchuda com pernas de amazona, de leggings a imitar cabedal, que lhe faziam uma escada de celulite por ali abaixo... isto em pleno dia de sol. Ela não era mal feita de corpo - porquê, senhores, chamar a atenção para as suas falhas daquela maneira?

Hoje vi outra rapariga com um modelo menos espampanante, em algodão castanho claro. Apesar de ser magra e bem proporcionada, cometeu o erro de usar as suas "não calças" com uma camisola curta. Pimba: conforme ela caminhava, notavam-se todos os pulos e solavancos dos glúteos, que não eram exactamente de betão armado.

A culpa aqui, entenda-se, não é do rabo, mas das calças. Por muito tonificado, rijinho e perfeito que o "recheio" seja, as leggings não se inventaram para realçar o derriere e sim as pernas (daí o nome).

São feitas de tecido fino, sem bolsos nem costuras, precisamente para não se notarem por baixo de túnicas ou camisolões. Não servem para usar sem nada por cima, porque deixam a zona dos quadris demasiado exposta. Leggings " a descoberto" só no ginásio, ou nas aulas de dança - actividades que por sua vez ajudam a evitar o efeito Limiano...

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