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Tuesday, October 13, 2015

Mulher poderosa: a "mãe Chao"



Numa revista de 1944, encontrei a imagem desta frágil senhora chinesa, simples mulher do campo que "astuta e enérgica, apesar da idade avançada" representou um perigo para os japoneses. Movida pelo seu grande coração e coragem, organizou, desde o início da horrorosa invasão nipónica, um exército de muitos milhares de franco atiradores. Neste retrato, a mãe Chao, já então considerada um símbolo da resistência chinesa, era homenageada por várias compatriotas ilustres, que trabalhavam também para o esforço de guerra em prol da sua maltratada pátria. 

Com muita pena minha, não consegui encontrar mais nada sobre a Mãe Chao (ainda vou procurar melhor) mas quem conhecer um pouquinho de história chinesa sabe que as mulheres de então tinham uma vida bastante limitada. Na época em que veio ao mundo, só o facto de ter nascido camponesa terá salvo esta heroína da terrível vaidade de ter os pés ligados em "flor de Lótus" ( uma tortura que as meninas de boa família suportavam para encontrar um casamento adequado) o que teria limitado consideravelmente o seu campo de acção durante a guerra. E mesmo assim, na China cria-se no velho ditado "as mulheres têm cabelos compridos e inteligências curtas".


 Embora houvesse senhoras que davam a volta ao seu destino, gozando de uma razoável independência, como sempre houve em toda a parte, não se tratava propriamente da sociedade mais fértil para feitos femininos.

Mas a Mãe Chao, como tantas mulheres de acção e miolos que não precisaram de movimentos para se fazerem respeitar, não ficou a lamuriar-se. E olhem que se houve altura em que se justificava ter fanicos e chiliques, era essa. Nem esperou que os japoneses viessem atacar selvaticamente as raparigas da sua cidade, não. Tão pouco protestou "ai que eu sou uma mulher, ai tanta opressão do patriarcado, ai que eu não posso fazer nada, e agora? Se eu fosse homem...". 

Feminina e delicada, mas forte - porque uma mulher deve ser delicada mas inquebrável como uma corda de piano - fez uso do seu respeitável estatuto de avozinha e vai de movimentar o mulherio para ajudar ao combate, armar os homens (e muito provavelmente, algumas mocetonas valentes) e montar um exército enorme para receber o inimigo como ele merecia.

O que faz justiça a uma ideia que se tem visto por aí na internet, e que eu subscrevo:


Quando uma mulher tem que fazer e capacidade para o fazer, vai lá e faz e pronto.

Thursday, August 6, 2015

Roza Shanina, profissão: sniper


Muitas mulheres dizem "tenho cá uma pontaria!" geralmente para se queixarem das suas escolhas menos felizes. Mas no caso de Roza Shanina a frase 
aplicava-se literalmente. É que há uma enorme diferença entre ser uma mulher da luta e uma mulher capaz de lutar quando é caso disso.

A II Guerra Mundial deu a inúmeras mulheres de ambos os lados do conflito a oportunidade (já que a necessidade aguça o engenho) de provar o seu valor ao serviço da Pátria, quer nos territórios da espionagem e resistência quer no próprio campo de batalha.

A presença feminina nas forças armadas e de segurança ainda hoje é alvo de ampla controvérsia, pelo menos quanto aos papéis que podem ou não ser desempenhados por mulheres.

 Curiosamente, algumas das vozes mais assumidamente machistas consideram esta opção uma forma de as mulheres ganharem realmente respeito em vez de andarem por aí a gritar em topless contra a opressão patriarcal (e há que concordar que a haver total igualdade, é justo que passe por aí; não me consta que as israelitas e as norueguesas fiquem traumatizadas com o serviço militar obrigatório); outras discordam com base no argumento da força física, sustentando, por exemplo, que uma mulher será obrigada a sacar da arma para dominar um oponente mais forte, arriscando-se assim um número de baixas desnecessárias ou abusos.

 E por fim há quem defenda uma perspectiva que me parece a mais equilibrada: que tem de haver atenção às diferenças físicas e psicológicas, logo as mulheres devem ser colocadas estrategicamente já que algumas características tipicamente femininas, como a habilidade, astúcia, atenção ao detalhe, agilidade e paciência podem ser muito úteis. Os russos pensavam assim durante a II Grande Guerra, por isso empregaram mais de 2 mil mulheres franco-atiradoras.


Apesar disso Roza Yegorovna Shanina (uma educadora de infância com instrução universitária) encontrou alguma oposição por parte dos recrutadores, cientes da mortandade que se passava na frente de batalha. Mas Roza, querendo vingar a morte dos seus três  irmãos, insistiu e em 1942 juntou-se à academia feminina de snipers soviéticas. 

Uma vez em acção esta rapariga loura e bonitinha, aparentemente frágil e que ainda não tinha completado 20 anos, abateu mais de 18 soldados nazis em menos de um mês. Roza era corajosa ao ponto da imprudência, recusando ordens para retirar e indo além das suas funções como atiradora: chegou a capturar alemães por suas próprias mãos. 


Ferida em combate, regressou rapidamente - foi uma das seis sobreviventes num batalhão de 78 elementos do qual 72 caíram - o que lhe valeu honrarias e uma fama a condizer: chamavam-lhe o Terror invisível da Prússia Oriental! Porém, a sua brilhante carreira duraria menos de um ano: morreu em Janeiro de 1945 durante a ofensiva final contra a Alemanha, pouco antes do fim da guerra, atingida no peito por um estilhaço de artilharia. 

 Mais de 50 inimigos tinham perecido às suas mãos - um número proporcionalmente extraordinário considerando que por exemplo Chris Kyle, o famoso sniper da ocupação do Iraque, contou estimadamente 255 mortes ao longo de dez anos de serviço.

 E nota bene, Roza cumpria este triste dever sem perder um pingo da sua feminilidade e elegância. Reparem na sua compostura, sempre aprumada e com um sorriso gentil. A girl´s gotta do what a girl´s gotta do...


*Fonte via

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