Uma amiga aqui do salão fez-me chegar uma notícia de deixar uma pessoa indisposta: ao que parece, a Mcdonald’s Portugal recebeu recomendações internacionais para homogeneizar os brindes do inocente Happy Meal. Ou seja, deixará de haver caixinhas para menino e para menina.
Depois de quererem proibir aplausos em salas de espectáculos e clássicos da literatura para não ofender os vidrinhos de serviço que vêem opressão em todo o lado, mais esta.
E nota bene, isto é-nos apresentado de modo assaz parcial como "uma boa notícia" sem nos deixarem sequer formar opinião sobre o assunto. Em modo "engulam o sapo como se fosse um Happy Meal!".
A mudança vem no sentido de promover a suposta "igualdade de género", ou na linha de pensamento/febre "género é uma construção social" que está a tomar o mundo de assalto .
Tenho-me arreliado com ideias extremas dessas que começam a enraizar-se no Brasil,nos E.U.A- e mais perto,na louca Suécia onde tudo é possível- mas não julguei que chegasse cá tão depressa. Nós portugueses fiamo-nos que nada nos chega graças a Nossa Senhora de Fátima que lá vai pondo a mão por baixo, mas a coisa está tão preta que já não digo nada.
Passo a citar: "Nos EUA, onde a distinção terminou em 2014, existem “instruções para falar do nome dos brinquedos sem qualquer referência a género. Esta directiva está no manual de treino”, explica a sede europeia da empresa num comunicado enviado ao Diário de Notícias (DN).(...). Catarina Marcelino, secretária de Estado da Igualdade, considera a prática de separar brinquedos por sexo “uma atitude discriminatória que reforça os estereótipos de género” e nega a existência de brinquedos só para meninos ou só para meninas."
Mind you, eu não vejo nada de mais se um rapaz engraçar antes com as miniaturas da Barbie ou uma rapariga com as tartarugas ninja. Eu tinha irmão e primos, logo brincava ocasionalmente com carrinhos, action men e armas, tal como eles se associavam uma vez por outra às Barbies e jantarinhos -para não falar das brincadeiras "neutras" como legos, Pinipons, consolas ou estojos de química. Tive alguns amigos rapazes que preferiam as bonecas e guess what, só um saiu tão gay como se pode ser; os outros cresceram hetero todos os dias. E das marias rapazes que conheci, suspeito que só uma joga na equipa do arco-íris. Como diz o povo, olha que grande coisa!
Brinquedos são brinquedos, é irrelevante e assim como assim a criançada (que é inocente, se a deixarem ser) não discrimina tanto como se pensa. Com tanto drama sério que as crianças atravessam, a preocupação dos políticos deste mundo é com os "estereótipos de género" e a discriminação que possam sofrer no recreio (não se aflijam, a pequenada arranja sempre por onde pegar: se não é porque o Manel é "amaneirado" ou a Maria "arrapazada",é por outra coisa qualquer; faz parte da vida e o mundo é uma selva, mesmo) .
Mas a verdade é que (pondo de parte que os estereótipos de género funcionaram durante séculos e o mundo andou direito) a maioria dos rapazes -a maioria,atenção -prefere instintivamente brinquedos"masculinos" e vice-versa. Os rapazes lá de casa tinham a minha bonecada à disposição, brincavam com isso se andássemos em grupo, mas se estivessem sozinhos preferiam os carros, os jogos de construção e os soldadinhos ou Transformers. E nós,meninas, podíamos brincar à vontade com tanques de guerra ou super soakers, mas no Natal deixávamos esses pedidos para os rapazes (às vezes em modo "pede o guloso para o desejoso"- eles recebiam e nós experimentávamos uma vez por outra,mas não nos passaria pela cabeça desperdiçar um presente da lista com isso).
E pergunto,onde está o mal disso? Onde está o mal de ser norma os rapazes agirem de forma masculina e as raparigas cultivarem a feminilidade? Assim como não há necessariamente nada de errado em fugir à norma e ser a maria rapaz que prefere o Megano ao Pequeno Pónei ou o rapaz que gosta mais de pentear bonecas. São a excepção à regra? Sim,e porque não? Há que ensinar o respeito pela individualidade e diversidade; o bom e e velho "cada um é como cada qual". Não querer normalizar gente como se normaliza a fruta, ou baralhar as ideias das pessoas não sei em nome de que agenda política.
O politicamente correcto consegue estragar tudo. Até uma simples ida ao Mac para enfardar hamburguers provoca macaquinhos no sótão destas almas...
Uma amiga aqui do salão convidou-me a comentar este texto do Público, que critica uma crónica de Miguel Esteves Cardoso.
E ao lê-lo, conclui-se uma coisa: gostamos, sem o saber, de ser oprimidas pelo machismo e pelo sexismo. Viva a bela opressão. Nenhuma mulher é feliz sem uma opressãozita diária. Isto porque no entender das fanáticas do feminismo da moda, ser feminina, gostar de ser tratada com cavalheirismo e não ter um fanico por desigualdades imaginárias é pactuar com a opressão.
A ideia não é nova, nem minha: por terras de Vera Cruz e nos E.U.A. há várias páginas divertidíssimas - como esta - a satirizar os exageros das "feminazis" e os medos paranóicos da opressão, do sexismo e desse papão a que chamam o patriarcado. O patriarcado está para o feminismo como o capitalismo está para os comunistas e o diabo para os Cristãos: é culpado de todos os males da Humanidade, da pobreza à varicela passando pelos mosquitos.
Não que eu queira tentar analisar aqui as 50 sombras do feminismo.
Ou tentar perceber se o feminismo é a simples crença em direitos iguais e pugnar por causas realmente importantes, como a defesa das mulheres em países como a Arábia Saudita (se é isso, eu prefiro dar-lhe outro nome) ou um conjunto de movimentos não unificados e de ideias contraditórias cheias de "venha a nós". Com dois pesos e duas medidas a roçar, quando não defende mesmo, uma misandria desgraçada ao mesmo tempo que advoga a imagem da mulher tipo Lena Dunham: promíscua, desleixada e mandona, anti depilação, invejosa da beleza alheia, etc.... e cujas ideias distorcidas de igualdade nos deram cabo de muitas alegrias ou vantagens de ser mulher (como haver senhores que se oferecem para nos carregarem as malas e outras belezas do cavalheirismo).
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Se fosse por aí nunca mais nos entendíamos, pois nem as feministas assumidas parecem entender-se.
O que interessa é que eu não esperava era - tão cedo, pelo menos - aplicar tais piadas a um artigo escrito em Portugal.
Para resumir a crónica em causa, basta dizer que num momento querem a igualdade a martelo, até no que não nos convém, para logo a seguir se ofenderem se alguém, num discurso, diz ,gramaticalmente correcto mas sem pisar ovos, "portugueses" em vez de "portugueses e portuguesas".
É desse "sexismo" tão "grave", tão "insultuoso", que trata a crónica de "uma mulher com consciência feminista" que nos trouxe aqui hoje.
Vá-se entender: tanto querem uma igualdade absurda como exigem condescendência.
Assim não, senhoras!
Então para "calar-se ao sexismo" ou "permitir a opressão" que leva à violência doméstica, às violações e a outros flagelos, basta não se indignar se nos incluem, num discurso, na massa dos "portugueses" sem dizer logo, como quem pede desculpa, "e portuguesas"?
Basta não achar isso uma misoginia perigosa para ser uma traidora da raça, querem ver?
Claro que uma pessoa fica contente quando fazem a fineza de dizer "senhoras e senhoras, meninos e meninas" como no circo (o que também pode cair mal e soar antiquado a algumas feministas, já não sei; qualquer dia nem o circo escapa no meio deste circo todo) mas pronto. Não sermos tratadas de forma paternalista não devia ofender nenhuma mulher ajuizada. Eu não me melindro com isso, de todo. Concordo com Miguel Esteves Cardoso: dispenso tal pinderiquice que até vai contra a gramática.
Passo a citar o dito artigo, porque acho isto muito complicado:
"A linguagem cumpre várias funções e está imbuída de poder. Poder esse que se situa, muitas vezes, no domínio simbólico. Usar o masculino como a regra a que se subordina o feminino patrocina a invisibilidade de metade da humanidade, tira-lhe poder, é sexista. É incompreensivelmente machista. E, isto sim, pior do que piroso, é perigoso. A lógica da dominação masculina, de que a linguagem se encontra tomada, tem servido para oprimir as mulheres. Serve a quem acha, por exemplo, que esse domínio se pode estender até à violência numa relação de intimidade. Ou, se quiserem uma notícia fresquinha a ilustrar de forma clara, justifica que um em cada três rapazes ache legítima a violência sexual no namoro".
A violência doméstica terá muitas causas, infinitas motivações socio-culturais. Mas daí a culpar a língua portuguesa...Margaret Thatcher mandaria estas senhoras seguir-lhe o exemplo lavar a louça, como ela fazia nas horas vagas que gerir um país lhe deixava.
Porque a ela, como a qualquer mulher satisfeita e ocupada, essas lamurias bateriam ao lado. Uma mulher séria e a sério não tem medo do "patriarcado". Nem tempo para pensar no que seja esse papão...