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Tuesday, March 1, 2016

Oscars #2: 6 vestidos que *apesar de tudo* inspiram

Sem querer repetir que a passadeira encarnada dos Oscars foi nha nha nha, mais do mesmo que se tem visto, nada de muitos "oooh, que lindo" e "très chic! bravo!" (mas já repetindo) eis seis vestidos que são um bocadinho mais marcantes no meio da sensaboria. 

Espero que este ano os grandes eventos do género tragam material capaz de surpreender quem já viu muitos vestidos ao longo da sua existência e já não tem pachorra para tanto cai cai simplório, nude dresses e modelos encarnados à falta de ideia melhor. Sendo que as festas mediáticas são sempre uma montra para as marcas, parece que os designers têm procurado agradar às novas consumidoras, que pela primeira vez irão escolher um vestido formal (será?). 

Como a procissão ainda vai na ponte, tudo é possível. Mas por enquanto, reparemos nestes:



Sofia Vergara (Marchesa) 

Sofia é my kind of girl. Sabe o que lhe fica bem e vai variando cores, apliques, mangas,  feitios de decote e caudas dentro do sheath dress que a favorece a sua figura de ampulheta - o que é muito sensato. Antes não surpreender muito do que parecer menos bela do que é arriscando fantasias e modernices. O penteado é um pouco severo e este não é o vestido mais impressionante que já lhe vi, mas no todo, o look é um clássico.



Brie Larson (Gucci)

Corte singelo, mas fitting imaculado; tecido simples, mas trabalhado com esmero e de uma cor rica; e o cinto, sem ser propriamente novidade, tem aquele bocadinho a mais. Preferia ter visto algo mais especial no cabelo e na maquilhagem, mas encantadora mesmo assim.


Cate Blanchett (Armani Privé)

Cate é especialista em tornar distintos vestidos que noutras mulheres não resultariam por serem espampanantes ou - pelo contrário, conforme - minimalistas. Este powder blue cheio de flores está algures no meio mas sobretudo, cai mimosamente na sua coloração de "leite e rosas", como diria Eça. Mais importante,  note-se que o fitting é perfeito. A cintura cuidadosamente cingida, as flores aplicadas onde se precisa de volume e não ao acaso. Vê-se bem que foi um trabalho de alta costura e não um vestido escolhido à pressa, como se vai vendo cada vez mais em eventos destes. Não sendo assim, aplicações destas podem ser um desastre.



Lily Cole (Vivienne Westwood)

Uma bonequinha ruiva num vestido típico de Vivienne Westwood que nem quero saber se é ecológico, feito a partir de garrafas de plástico (foi mesmo!) É tudo muito vitoriano e  perfeito, goste-se ou não da cor pálida contra uma pele de cera. E as sandálias (que já dei voltas e ainda não descobri de quem são?)? Um espanto, prova provada de que dourado e prateado nem sempre são inimigos.


Margot Robbie (Tom Ford)

Os modelos rectos de jacquard brilhante, muito anos 70, não são novidade nas red carpets, mas nem todas as mulheres são capazes de lhes dar graça e classe. Ou ficam desengraçados ou caem no vulgar. A actriz brilhou neste Tom Ford por ser atlética q.b mas com curvas q.b. Ter um rosto lindíssimo, que até dispensa  folestrias no penteado, também ajuda muito. Ainda que o dourado do vestido se confunda com o tom das madeixas.


Dorith Mous (Dennis Diem)

Chamem-me antiquada que é para o lado que eu durmo melhor, mas um vestido para os óscares tem de ter impacto. E um número gótico faz sempre falta. Há negro e negro e este tem aquele je ne sais quoi. Mind you, tal como está não é um vestido para todas e mesmo na modelo este não é um decote que eu recomende. Pessoalmente, tirava-lhe a gola alta, abria as rendas por ali abaixo até ao colo e talvez trocasse as mangas. Mas a cintura é maravilhosa, o tecido estupendo e todo o o conceito lindíssimo.


Monday, February 29, 2016

Oscars #1: Oh Kate- e Ralph Lauren- isto NÃO se faz.



Das passadeiras encarnadas deste mundo de Deus cada vez se espera menos: é um facto. Mas esta vou tomar como ofensa pessoal e reagir de forma emocional, não posso evitá-lo.

Eu explico: tem uma pessoa um blog onde, com os seus humildes two cents, faz por lembrar às amigas, aos milharzitos de pessoas que por aqui passam todas as semanas, uma mensagem simples, mas martelada ad nauseam e que poupa muitos dissabores: escolham tecidos de qualidade! Optem pelos bons cortes em modelos intemporais! Não dispensem uma boa costureira que ajuste tudo ao milímetro! 

Digo-o mil vezes, pois não há etiqueta de designer que salve um vestido com cara de ter sido comprado na lojinha do chinês, brilhoso. molengão, de ar datado e ainda por cima, que não caia o melhor possível no corpo de quem o veste. E uma pessoa insiste nisto em modo água mole em pedra dura, sabendo que por muito pequena que seja a nossa esfera de influência, às vezes basta chamar a atenção para um detalhe para que outras pessoas reparem também, para que uma seguidora conte às amigas, fazendo-se pouco a pouco, grão a grão, uma cruzadazinha contra a pinderiquice que por aí se vê. E talvez, só talvez, a boa nova se vá espalhando e pouco a pouco se vejam menos vestidos de tafetá sintético e cai cai mal feito em tudo quanto é festa, casório, ou baptizado. Sonhar não custa.

Claro que como eu há muitos bloggers, stylists e consultores de moda a bater na mesma tecla. 



E nisto, vem uma actriz como Kate Winslet e usa-me este horror que não quero acreditar, porque não posso sem quebrar alguma lei do universo, que tenha sido feito de encomenda por Ralph Lauren. Justamente um vestido com cara de ter sido comprado na lojinha do chinês, brilhoso. molengão, de ar datado e sintético, com o cai cai mais banal e mal feito deste mundo, em suma, um balandrau que podia perfeitamente ter sido comprado por qualquer Silvana Priscila dos subúrbios em finais anos 90 e herdado pela sua mana mais nova, a Xana Constança, para levar ao baile de finalistas e ao casório da prima Sheila Patrícia. 

Quanto a Ralph Lauren, apetece-me dizer como as mães quando se sentem ultrajadas: "mais tarde conversamos". Fico-me por explicar que isto deita por terra a minha teoria de que é impossível Ralph Lauren fazer roupa feia.

Mas calculam o impacto que isto tem junto das pessoas (por mais que a imprensa de moda tenha descascado de alto a baixo no vestido)? Imaginam o que significa uma A-lister como Kate Winslet, ídolo das meninas cheiinhas que esperam vira  estampar capas de revista e das donas de casa que se querem sentir sexy, uma mulher que passou de aspirante a actriz gorduchinha para se tornar em boneca de porcelana para filmes de época e emergir como actriz esguia e sofisticada, usar uma coisa assim?

É escangalhar todo o trabalhinho de quem avisa "não usem coisas pavorosas destas". É dizer às meninas mal enganadas ou serigaitas com tendência para o chinelo que é OK usar tafetás sintéticos, perpetuar os cai cais manhosos e os vestidos de sereia made in China (que  se fossem Ralph Lauren, ia dar ao mesmo, vá, mas se isto é mau temam as imitações...). Vai ser um vê-se-te-avias de "se a Kate pode, eu também posso" e de "isto não é nada medonho, a Kate Winslet levou um assim".

Pessoas de gosto, preparem um bom sortido de valeriana, xanax e passiflorina,que os próximos meses vão ser negros, tenebrosos e assustadores, cheios de poliéster. Eu aviso, não que sirva de alguma coisa...

Monday, February 23, 2015

Os três vestidos dos Óscares

É cada vez mais raro qualquer grande passadeira encarnada mostrar uma abundância de toilettes que deslumbrem. A honrosa excepção ainda vai sendo Cannes, mas em geral tem-se instalado uma grande sensaboria: umas vezes por aparente falta de criatividade, outras por desleixo quer das celebridades quer dos stylists que as vestem, com erros de fitting a arruinar vestidos podiam ser belíssimos.

  Ainda assim- e embora a minha paciência para acompanhar tais trolarós seja limitada - esperava ver algo que fosse um assombro, um nadinha extravagante  mas imponente, como o Zac Posen bordeaux usado por Naomi Campbell em Nova Iorque:




 Afinal, houve os tais vestidos que seriam uma maravilha se não se tivessem esquecido de chamar a costureira (como o ouro sobre azul Marchesa de Rita Ora, que parecia querer cair a qualquer instante, Karolina Kurkova, também de Marchesa com uma cauda fantástica mas um decote que estragava o conjunto e o Jenny Packham de America Ferrera, que lhe fazia o peito descaído); os looks bonitinho, mas podia ser melhor (Emma Stone em Elie Saab, Meryl Streep com um tailleur (?) Lanvin, Laura Dern com um Alberta Ferretti metalizado) e os fitting impecável mas nada de surpreendente (Reese Witterspoon em Tom Ford, com o minimalismo elegante do costume, Zoe Saldana de Atelier Versace).


 Vestidos para Oscar, realmente dignos disso, só vi três:


Jessica Chastain: Givenchy Haute Couture



A alfaiataria está para um vestido como a localização está para o mercado imobiliário. Se o vestido fosse meu subia-lhe uns dois centímetros no decote, mas de resto nada a dizer...a cor, o tecido, a cintura...figura de ampulheta impecável! Tenho muita admiração pela Jessiquinha, uma das ruivas mais bonitas - e com mais classe - a dar um ar da sua graça por aí. Quando uma rapariga põe um vestido couture e se nota que é couture, está tudo dito. Também gostei que usasse o cabelo solto: há apanhados lindos, mas a maioria costuma optar por uns carrapitos de bailarina que ficam mal a quase toda a gente. 

Rosamund Pike, Givenchy Haute Couture


Já tinha estranhado que uma beleza clássica como esta actriz andasse enfarpelada nuns vestidos tão pouco adequados à sua figura. Parece que desta feita contratou um stylist capaz: pessoalmente não morro de amores por modelos cai cai, porque não são o mais confortável e ou ficam uma maravilha ou muito maus. A receita do encarnado também não é garantida, porque não há nada pior que um vestido maçador ou mal feito numa cor garrida. Este é uma pura maravilha, parece saído do Moulin Rouge nos tempos áureos. E o detalhe da nude sandal, a fazer umas pernas infinitas? Chic a valer, parece um moranguinho, como diria o Dâmaso.

Scarlett Johansson - Atelier Versace


Devo ser a única pessoa que detestou o corte de cabelo da actriz - acho-o muito agressivo e masculino para o tipo dela e de resto, não sou grande fã de cabelos curtos em mulheres curvilíneas. Mas o vestido é lindo: verde é sempre uma cor distinta e o fitting está imaculado. Mudava o penteado e substituía o colar, que não faz ali nada, por uma bonita cuff mas oh la la, aqui temos um vestido simples com o devido impacto.





Monday, February 25, 2013

Diz que isto é uma espécie de Oscars...

         
...mas esta manhã, ao sentar-me para apreciar as toilettes (nunca tive paciência para ver a red carpet em tempo real) fiquei cá com as minhas dúvidas. Supostamente, esta cerimónia é la crème de la crème no seu género, o local para vestidos sumptuosos, para os looks de cortar a respiração. Eu continuo a defender que é em Cannes que vemos verdadeiro requinte, magnificência e glamour mas enfim, os Oscars têm uma reputação a defender. E num ano em que os designers colocaram cá fora os decotes mais impressionantes, as cores mais ricas, bordados, brocados e estampados maravilhosos, cortes de modelagens de uma precisão impressionante que fazem uma mulher como uma escultura,tanta sensaboria é imperdoável. Palavra de honra que ao ver - once again - cai cais sem graça,  vestidos nude deslavados ou shift dresses coleantes com lantejoulas perdi toda a vontade de comentar em detalhe. É que já tenho visto coisas mais bonitas em festas privadas cá do burgo. A minha querida Fan Bing Bing (abaixo, em magenta) foi uma das poucas a respeitar o ambiente do evento, goste-se ou não do Marchesa que vestiu (eu gosto). Digo "querida" porque a menina é uma salva-passadeiras-encarnadas. Está sempre magnífica, como se deve nestas ocasiões, com todo o look planeado ao milímetro e nada fora do lugar: a perfeição. Ter um porte lindo conta imenso, mas o diabo está nos detalhes.
 Oscars 2013, Best Dressed: Helena Bonham Carter, Salma Hayek, Fan Bingbing, Melissa McCarthy
Também Olivia Munn escolheu um lindíssimo Marchesa cerise, a meu ver um dos vestidos mais interessantes que por lá apareceram: pena foi que tivesse sido escolhido e provado, se é que foi provado, às três pancadas - e por isso não lhe assentasse como devia. Repito, o diabo está nos detalhes: em vez de criar uma figura de ampulheta linda, tirou-lhe metade da altura, a modelagem do corpete não se nota, o drapeado não está no sítio certo e a cauda anda para ali numa confusão, embrulhada debaixo dos pés. Uma pena. Um lindo vestido sem uma stylist competente e uma costureira mais competente ainda, nunca me canso de insistir nesta tecla, é dinheiro deitado à rua. Ou neste caso, vestido emprestado para não beneficiar ninguém.


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