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Tuesday, August 18, 2015

A paixão, instrumento do amor



"Imagino que se devia deixar de querer uma coisa que se pode ter. Mas não deixo de te desejar". 

"Era o meu companheiro. Éramos um só. Estávamos ligados um ao outro. Bastava eu tocar num dos seus ferimentos que logo sentia a dor no meu próprio corpo, pois esse era o meu ferimento. Não tínhamos segredos um para o outro. Nunca amou outra mulher que não eu e aconteça o que acontecer, nunca amarei outro homem. A primeira vez que me envolveu nos seus braços tive medo. Mas depois, uma sensação maravilhosa tomou conta de mim. Compreendi subitamente que jamais morreria. O meu amor era imortal. Nada mais me poderia ferir."

Howard Fast, Spartacus (1951)


É curioso como a maioria dos textos, filmes e imagens amorosas actuais exaltam a paixão, levando a que esta seja confundida com o próprio amor, ou com o amor verdadeiro, se quiserem. Não nos enganemos: não são a mesma coisa.

Porém, a paixão tem o seu mérito; é mesmo essencial. Um grande amor destituído de paixão, se tal coisa pudesse existir, seria uma maçada insuportável. É fraca a teoria do amor profundo, mas morno: embora uma relação assim possa sobreviver com base na admiração, no respeito, no pragmatismo e no sentido do dever, falta-lhe o combustível para que seja de facto uma coisa viva. E é suposto o amor fazer viver, embora possa ser fatal às vezes: é precisamente essa dualidade que o torna especial. Um sentimento sólido, mas que se alimenta da fragilidade. Não se ama aquilo que não se teme perder.



 A própria origem da palavra paixão (do latim pati, "sofrer") explica tudo. É o desejo intenso por algo, o recear e ansiar por alguém, inquietação, um sentimento avassalador que só encontra repouso numa posse segura. Mas essa tranquilidade, desde que a paixão seja justificada por um amor verdadeiro, é apenas momentânea; a ansiedade é sempre renovada. Quem ama não consegue saciar-se da beleza que encontra no ser amado, beleza essa que parece de tal modo rara a seus olhos que não pode ser substituída por nenhuma outra. 

 Ora, sem o sofrimento da paixão, não existe a capacidade de sofrimento e de sacrifício que o verdadeiro amor exige. Ovídio dizia que o amor é uma coisa cheia de medos ansiosos, que não convive bem com a majestade, a arrogância e o auto domínio; um condutor feroz que arrasta consigo as suas vítimas e só se acalma quando elas cedem ao seu poder. Só favorece os audazes e não é missão para cobardes.


 Essa coragem de não pensar, de mostrar mútua vulnerabilidade e entrega, é motivada pelo impulso cego da paixão. Mas a paixão em si mesma não é o amor verdadeiro; é apenas uma das suas facetas, um seu instrumento, a sua motivação e ao mesmo tempo, resultado e recompensa do amor. Não o amor em si.

Pensemos no amor verdadeiro como uma grande cidade, uma coroa de civilização: tem raízes profundas, história, antepassados, alicerces, edifícios. É sustentada por água e alimentos, defendida por forças de segurança, por leis e por estruturas. É, portanto, um organismo complexo.

 A paixão está para o amor como a electricidade está para uma grande cidade: permite-nos apreciá-la, pô-la a funcionar, iluminá-la à noite quando tudo parece escuro, protegê-la do frio e ornamentá-la com bonitas luzes festivas em ocasiões especiais. Só por si, no entanto, não define nem sustenta uma cidade. 

Um "amor" baseado somente na paixão é como um navio que possui apenas a casa das caldeiras.



No entanto, essa é a ideia redutora que nos pintam tantas vezes nas actuais "histórias de amor". Um sentimento imediatista, pouco elevado, quase simplório, egoísta, que vive da gratificação fácil. A faceta instintiva, imediata, menos racional do amor é imprescindível, mas não constrói alicerces, não cria raízes. Não dura. Se não se apoiar em algo mais profundo, desaba como um castelo de cartas. O amor tem esses vulcões, mas não pode perdurar se depender só deles, porque os vulcões, como as emoções egoístas que compõem a paixão ou a electricidade mal usada, são incontroláveis. Ovídio também lembrou que o amor alimentado depressa demais, ou à base de ciúme, acaba mal. 

Quando é real, o amor é maior do que isso: inclui a paixão, o fogo, o ciúme e a posse que permitem todos os feitos extraordinários, toda a nobreza e que ao mesmo tempo, lhe dão magia e intensidade. Mas tem muitos outros requintes e detalhes: a telepatia que só os verdadeiros apaixonados conhecem. A profunda identificação e empatia com o outro, de tal forma que parecem uma só pessoa. Um respeito e veneração que não se desvanecem. O impulso de elevar e construir. A resistência a todos os embates, separações e adversidades. A imortalidade e a constante renovação - mesmo da paixão, que pode acalmar com o tempo mas se o amor é de raiz, nunca conhece verdadeiro descanso.

Friday, September 14, 2012

What is love?

                                   
Nunca gostei de definições de amor, nem de me aventurar a explicá-lo. Prefiro deixar isso para quem sabe, e Mario Puzo é um dos poucos autores que o fez brilhantemente, ou não fosse ele full blooded sicilian - salvo seja . Haja o que houver, o amor verdadeiro, genuíno, não pode ser confundido com simples afecto. Para ser a sério (por muita sensatez, moderação e temperança que se procure pôr nele) precisa de ser um caso de paixão prolongada. Intenso, excessivo, hiperbólico. Quem não for amada assim, desejada assim, precisa de acordar e ir à procura - qualquer outra coisa é uma pálida imitação. 

" (...) Michael Corleone viu-se em pé, com o coração batendo-lhe no peito; sentiu uma pequena tontura. O sangue circulava aceleradamente através do seu corpo, através de todas as suas extremidades e chocava-se nas pontas dos dedos das mãos e dos pés (...) Parecia que o seu próprio corpo tinha saltado para fora dele mesmo. E então ouviu os dois pastores rirem.

- Foi atingido pelo raio, hein? - Perguntou Fabrizzio, batendo-lhe no ombro. (...) Você não pode esconder o raio. Quando ele atinge uma pessoa, toda a gente vê. (...) Era a primeira vez na vida que tal coisa lhe acontecia. Não era nada semelhante às suas paixões de adolescente (...) isto era um desejo esmagador de posse, era uma impressão indelével do rosto da rapariga no seu cérebro e ele sabia que ela lhe perseguiria a memória em cada dia da sua vida se não a possuísse. A sua vida simplificara-se, focalizara-se num ponto, tudo o mais não merecia sequer um momento de atenção. (...) Sentiu aquela falta de ar, aquela invasão do seu corpo por uma coisa que não era somente desejo mas uma posse louca. Compreendeu pela primeira vez o ciúme clássico do homem italiano. Estava naquele momento disposto a matar qualquer pessoa que tocasse naquela rapariga, que tentasse reclamá-la, arrebatar-lha. Queria possui-la tão selvaticamente como um avarento quer possuir moedas de ouro, tão famintamente como um meeiro quer a sua própria terra. Nada iria impedi-lo de ter aquela rapariga, possuí-la, trancá-la numa casa e mantê-la  prisioneira só para ele. Não queria que ninguém a visse sequer. A família compreendeu logo que era um caso clássico do «raio»..."

                                                       Mario Puzo, `O Padrinho´





Thursday, March 15, 2012

Ilithyia dixit‏

  Viva Bianca e Craig Parker

"Do not think me the fool. You and I have unfinished affairs"


Eis uma senhora que literalmente não se deixa ficar a gozar as delícias de Cápua enquanto a apunhalam pelas costas. A personagem de Viva Bianca é mázinha, mas com classe. Tem elegância, miolos e poder - condições essenciais para ser uma anti heroina com estilo em vez de uma vilã de meia tigela.

 








O relacionamento com o seu amantíssimo marido, Glaber, é outro ponto de tensão. Muita paixão, muita química, mas estão sempre prontos a tramar-se um ao outro. C ´est la vie.


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