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Thursday, March 24, 2016

Quando hippies chegam ao Parlamento, é o que temos.



Ora vamos lá ver uma coisa. Eu que sou careta assumida, que refilo para aqui com as doideiras das feministas de não se depilarem e gritarem que há opressão em todo o lado, não tenho nada a ver - nem quero- com o que se passa debaixo das saias alheias. 

Por estranho que pareça, até me dou bem com algumas hippies. Evito visitá-las nas aldeias idílicas de pedra onde moram porque tentam por força impingir-me tofu com todos (o chutney, em contrapartida, é uma delícia) e porque têm ideias esquisitas quanto ao impacto ambiental da descarga da casinha. Not my cup of tea, portanto. E é claro que - por muito que compreenda a necessidade de privacidade durante o parto - deito as mãos à cabeça com as doulas ou, pelo contrário, as barbaridades associadas ao parto "natural" ou à amamentação em público sem os devidos cuidados (se se voltarem discretamente para a parede, já não é nada comigo). Também acho uma contradição que, querendo tudo muito como manda a natureza, se entupam das hormonas-que-engordam que vieram com o movimento do amor livre; no entanto, cada uma sabe de si

 Ainda há dias uma conhecida-de-uma-conhecida se pôs como veio ao mundo nas redes sociais com a desculpa de "mostrar a barriga de oito meses", mas expondo tudo o resto (imagem publicada pelo marido macho-beta e super liberal sem noção do apropriado, nota bene) e eu só me persignei, mas mais nada.

E se nos "dias sensíveis" cada uma opta por tampax, modess, ou um copinho reciclável que pessoalmente acho repugnante e me lembra as ideias da bruxaria diânica em versão sinistra, também não tenho nada a ver com isso.


Desde que usem alguma coisa e não façam como certas feminazis que andam com manifestos de dar náuseas acerca disso, ou a fazer arte e a regar alfaces com...bom, blhec,  nem como aquele rapazinho que distribuía Evaxs pela escola, tudo bem. Usem lá o que bem entenderem discretamente para andarem limpas, livres e à vontade como nos anúncios. A ideia do tal recipiente arrepia-me até à alma, mas jura quem usa que é confortável e como diz o senhor pai, com o mal dos outros posso eu bem. Ou das outras, neste caso.

Agora que um partido - representado por um homem, de resto - venha impor uma redução no preço dos ditos copinhos horrorosos a ver se as mulheres se acostumam, já é muita modernice junta. É muita intromissão num assunto íntimo, é querer por força que as mulheres virem hippies malucas com muita consciência ambiental e que lutam contra o fim do "tabu" da menstruação, ou que gostam de chocar falando nisso. (Não é tabu nenhum: é só uma função natural com a qual ninguém tem nada a ver).

 É surpreendente: mal a esquerdice chega ao poder, dá nisto. De criminalizar piropos a baixar o preço a objectos íntimos de senhora (then again, não sejamos injustos: o Partido Comunista votou contra; nem o proletariado tem pachorra para ideias tão fúteis!) temos um laboratório de ideias avançadas. Tudo, menos pugnar por aquilo que de facto ajuda as mulheres. Eu sei lá, criar empregos, ou apoios à família como em França, por exemplo. 

Se não faltar nada às mulheres, elas próprias decidem que utensílios higiénicos são mais convenientes. Não é preciso ir para o Parlamento discutir o que se passa sob a roupa de cada uma. Podiam ter-se ficado pela bela ideia de as despesas veterinárias contribuírem para baixar o que se paga às finanças, que isso sim foi bem pensado e justo, já que são um Partido pelos animaizinhos. 

Agora o bicho mulher, esse sabe cuidar de si próprio, se o deixarem. 

Entre esta e a obrigação de declarar as galinhas poedeiras como "efectivos" para cobrarem impostos pelos ovitos que as pessoas têm em casa, não sei o que é pior.







Saturday, September 12, 2015

Liberdade, liberdade, quem a tem chama-lhe sua.




E eu não sei quanto a vós, mas enquanto mulher não me falta liberdade nenhuma.

 A sociedade teve muitas evoluções (social e moralmente falando, nem todas para melhor) mas os limites que temos, num país europeu e democrático, são os da lei - a meu ver a nossa, não sendo perfeita, é bastante razoável - e os da nossa consciência,que variam consoante os valores que cada um recebeu em casa ou o que faz com eles. Também nos são colocadas (mas só se nos importarmos com isso e soubermos o que é bom para nós) algumas fronteiras invisíveis que, se quisermos manter uma boa reputação e andar de cabeça erguida, não atravessamos. Chama-se a isso jogar com as regras do mundo, mas cada mulher (tal como cada homem) é livre, se tiver um espírito muitíssimo livre, de se estar nas tintas para elas e proceder como achar melhor.

Mas só por descargo de consciência...vejamos se me falta alguma liberdade, não vá o diabo tecê-las e eu esquecer-me de alguma, algum direito civil que me seja negado pelo simples facto de ter o cromossoma X. É que não me ocorre nem uma. Posso circular por aí enquanto adulta responsável e cumpridora da lei a qualquer hora do dia ou da noite (se tiver comportamentos pouco seguros o mal é meu, mas ninguém me proíbe de o fazer), viajar para fora do país, votar e escrever disparates se me apetecer, sem ser presa nem multada; posso candidatar-me a qualquer curso e a qualquer emprego, até carregadora de caixotes (se tenho arcabouço para os carregar, isso já é outra história). A lei laboral pode não ser uma maravilha -os direitos das mães trabalhadoras poderão melhorar, but then again, acho que realmente grave neste país é a falta de emprego e os salários ridículos que já vêm de há muitos anos para cá, e isso não escolhe sexos. 

Depois há outras liberdades amplamente concedidas às mulheres que as quiserem aproveitar: de vestirem como entenderem (fiquem como ficarem) de andarem em certas praias nos preparos que quiserem (uma liberdade que não existe em todo o lado, nem sequer no Brasil) de comprar ou mesmo obter contraceptivos gratuitos e, até nos casos de comprovada irresponsabilidade (já foi pior, mas ainda assim) de interromperem uma gravidez voluntariamente, sem custos nem perguntas. Tudo isto adicionado a pequenos privilégios que, gostem as feministas disso ou não, ainda estão associados ao facto de ser mulher. Posso estar em mangas de camisa ou vestido sem mangas num evento que ninguém me olha de lado, enquanto os homens morrem de calor com o casaco vestido. Ainda vai havendo  um cavalheiro que me abre a porta ou se voluntaria para ajudar se eu transportar um malão do comboio abaixo. E assim por diante, que quero acabar o post hoje.

 Esqueci-me de um direito: as mulheres que não tiverem problemas com isso e forem convidadas para tal, estão à vontadinha para tirar a roupa para os média. 



Já nem sequer são originais ao tentá-lo, pois o número (e o direito de o apresentar) é mais velho que as barbas de D. Fuas Roupinho. Os únicos limites são a sua forma de estar, a sua consciência e as costas largas relativamente à opinião dos outros, porque isto da liberdade é uma maçada: como assiste a toda a gente, uns vestem (ou despem) o que querem e os outros pensam (ou falam e escrevem, dentro dos limites da lei e não caindo em injúria ou difamação) o que bem lhes passar pela ideia em relação ao assunto. 

  Lamento, mas a liberdade (ou a ditadura de pensamento, disfarçada de "liberdade feminina") de vestir ou despir para dar nas vistas sem que ninguém ache rigorosamente nada, ou que toda a gente ache isso lindo (independentemente de os retratos, neste caso, terem ficado bonitos ou de bom gosto) nunca existirá. É utopia.

Então confesso que não sei qual é a liberdade que Joana Amaral Dias deseja para a sua filha que ainda não nasceu, ao tirar a roupa para uma publicação duas vezes seguidas.

 A liberdade de não ser criticada se aparecer sem roupa antes das eleições,quando supostamente as mulheres na política (e em especial, as mulheres de esquerda, tão "não-me-toques" quando o assunto é sexismo) se batem contra a objectificação da mulher e esperam ser respeitadas, de forma isenta e igualitária, unicamente pelo seu trabalho? A liberdade de tratar assuntos sérios de forma pouco séria? 

É sabido que à esquerda e em meandros feministas mais extremos, a nudez feminina é um tópico algo vago: tanto se usa para protestar (o corpo é delas e fazem dele o que querem, ora viva a liberdade) como ai Lenine (acho que não dirão "ai Jesus") que um piropo é crime, estou a ser objectificada, que opressão horrível.

Mas confesso que perante isto, fico um bocadinho confusa. Não percebi o objectivo. Desejo que a pequena nasça saudável e feliz apesar de toda esta confusão (pois segundo a mãe a gravidez é de risco e com coisas sagradas não se brinca) e atribuo o destempero a uma coisa muito feminina e normal que se calhar é sexista mencionar - as hormonas, que desculpam muita coisa.

 Liberdade temos que chegue e sobre. O que falta,muitas vezes, é juízo para fazer uso dela com dignidade e compostura. Porque sem isso é difícil obter respeito, coisa que não depende do género: fosse um homem da mesma posição colocar-se nestes preparos, eu diria exactamente o mesmo...


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