Barba por fazer, visual descontraído, botas de trabalho, camisas de xadrez e um aspecto super masculino...mas tudo pensado ao milímetro. Ao que parece, o estilo lumbersexual - portmanteau de lumberjack (lenhador do Canadá e EUA) + metrosexual - está a impor-se nas ruas e nas redes sociais, promovido por jovens cavalheiros com muita consciência de moda e vontade de voltar às origens. Bem que eu elogiava Sébastien Chabal, o jogador de rugby a quem chamavam retrosexual.
Porém, o retrosexual será outra coisa... e não teve o mesmo impacto nos social media porque, bem...ser retrosexual será simplesmente, ter um estilo natural. Ser um bocadinho marialva e não perder mais tempo na toilette do que aquilo que sempre foi costume desde a noite dos tempos (se pusermos de parte dandis como Beau Brummel, mas não vamos por aí).
Depois da tendência dos homens super bonitinhos (e um pouco femininos, diga-se de passagem) super depilados, super trabalhados, sensíveis, vaidosos, criminosos que assassinavam barba a laser - a ideia de uma imagem tradicionalmente viril é, à primeira vista, uma lufada de ar fresco.
Muitas vezes defendi aqui que uma coisa é um cavalheiro, outra coisa é um manequim de montra mais frágil e vaidosinho do que nós - o metrosexual.
Pessoalmente prefiro roupas clássicas com um sortido de polos, anoraks e barba de dois dias para os dias descontraídos. Um cavalheiro será mais snob do que dandi na maneira de vestir (e jamais metrosexual) pois não precisa de estar de casaca para ser e parecer aquilo que é: investe em roupas caras e de bom corte, mas não está preso a elas; o ar de distinção acompanha-o sempre, mesmo que ande de galochas a tratar do jardim ou esteja todo enfarruscado de ir à caça, ou coisa que se pareça. A distinção é-lhe inerente.
E esse é, a meu ver, o problema dos lumbersexuais: nada ali é espontâneo. É uma afirmação de moda, um visual demasiado composto e propositado para não soar a falso. Poucos homens realmente masculinos se preocuparão tanto em corresponder a um estilo, em andar todos iguais e em defender ao milímetro (literalmente) um determinado comprimento de barba.
Nem vem aqui ao caso se a barba é excessiva ou não (desde que esteja cuidada e se tenha uma cara que vá bem com isso, tudo bem por mim) mas o lumbersexual soa-me, para já, a uma caricatura daquilo que um homem é suposto ser.
Porém, como às vezes é pela hipérbole que se dá a conhecer uma determinada necessidade, não deixam de ter algum valor, socialmente falando: se os homens precisam de exagerar traços masculinos para se afirmar, é porque homens e mulheres estão cansados de tanta picuinhice. A cultura do homem pé de salsa parece ter os dias contados, valha-nos isso.
O pior é que não consigo deixar de me lembrar da cantiga abaixo quando se fala no termo:

