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Saturday, November 28, 2015

"Decisões têm consequências. Indecisões, mais ainda"

Imagens via
O senhor meu mano anda cansado de me dizer que eu tenho de ver House of Cards, que vou adorar, que a série (apesar de aparentemente um pouco "cinzentona") é a minha cara porque está cheia de ideias tiradas de pensadores da minha eleição, como Maquiavel, Mazarin e Oscar Wilde  ("everything is about sex, except for sex; sex is about power"- houve fãs que julgaram mesmo que esta era obra dos guionistas) e que também devo gostar porque as personagens femininas são todas janotas.

Depois, algumas páginas que acompanho com atenção também estão sempre a citar Mr. Underwood, bad for the greater good (Machiavelli, I hear you).

Moral da história: House of Cards está na minha lista de séries a ver (junto com Eu, Cláudio, que passou em Portugal ainda eu não era ninguém). Só estou à espera que termine, se não demorar temporadas e temporadas, porque gostava de a levar a eito. Preferia que, se é para politiquice e intriga palaciana, a acção se desenrolasse na Roma Antiga ou no Renascimento italiano e não na Casa Branca, mas pronto. A luta pelo poder há-de ter sempre as mesmas piruetas (basta olhar para o nosso país nos últimos dias) e realpolitik sempre houve e sempre haverá.

Mas falando no que me trouxe aqui, estava a passear nas tais páginas que veneram a série e dei-me com a frase acima, que acho que dá pano para mangas e é outra que muitas almas deviam trazer sempre ao alcance da vista:

"Decisões têm consequências. Indecisões, mais ainda" .

 Esta parece-me ser mesmo obra dos guionistas; pelo menos textualmente, porque a ideia é velha: o desprezo pela hesitação é repetido ad nauseam por Maquiavel, que considerava a indecisão um sinal de fraqueza e dizia "nunca vi demora que fosse prudente"; por Kautilya, que avisava contra as deliberações demasiado longas; por Mazarin, Sun Tzu e tantos outros estrategas e filósofos.

E embora possa soar estranho a mentes mais idealistas colocar no mesmo prato Maquiavel, Mazarin, realpolitik e conceitos como honra e hombridade, a verdade é que podem caminhar lado a lado. Sem capacidade de decisão, não há honra possível. Sem tomar partidos, é impossível agir honesta e limpamente.



É certo que os efeitos de uma decisão não se podem prever rigorosamente; os acontecimentos são desencadeados, como uma pedra atirada que forma círculos cada vez mais amplos na superfície de um lago. 

Nos assuntos profissionais, políticos, diplomáticos, pessoais ou afectivos, decidir algo e abraçar essa opção é sempre um risco. É comprometer-se consigo mesmo e com os envolvidos e defender essa escolha contra ventos e marés.  Dar a palavra ou a cara, tomar um partido, escolher, avançar, comprometer-se - qualquer decisão clara, anunciada inequivocamente e levada a cabo -  abre uma porta e o que surge em consequência disso pode ser benéfico ou não. Os grandes líderes chamam a si tanto os possíveis louros como as hipotéticas derrotas. E o mesmo acontece nas pequenas coisas, nas microcósmicas decisões que afectam cada comum dos mortais. 

  Mas colher a vitória ou a derrota, correr bem ou mal, quer dizer que ao menos se procedeu com coragem; com a valentia de assumir varonil e honradamente, no matter what, o que se sentia, pensava ou aquilo em que se acreditava. Implica que se assumiu um risco por si e pelos outros. Que se valorizava o suficiente o que se tinha em mãos para dar o peito às balas. Isso exige força e carácter.



Não escolher nada, não decidir nada, não dar a cara por ninguém nem por coisa nenhuma, esperando cobardemente por trás do pano o momento mais vantajoso (ou menos perigoso) para virar a casaca, não só é pouco lisonjeiro como não acarreta necessariamente benefícios. Se as decisões podem atrair uma queda em desgraça, as indecisões não são melhores. Se uma decisão abre uma porta que não se sabe o que deixará entrar, a indecisão constante, prolongada, teimosa, é como manter uma barragem fechada por mais que as águas se avolumem e façam força contra ela. Mais cedo ou mais tarde, porque nada é estanque, as paredes vão abaixo e o estrago é muito pior, mais assustador e de consequências mais difíceis de manter sob controlo. 

Uma decisão -e as suas consequências - depende de quem tem coragem de a tomar. Uma indecisão - e o que advém dela - deixa quem não decide coisa nenhuma à mercê dos outros... ou da sorte, que nem sempre é madrinha. 

Uma  decisão pode ou não magoar-nos. Mas as indecisões apanham-nos sempre, e nem ao menos se pode dizer "escolhi em sã consciência, por minha livre vontade, o rumo dos acontecimentos". 





Sunday, September 6, 2015

A nobre arte de lidar com dois extremos: pessimistas e patetas alegres

Nos triunfos romanos, havia sempre um grilo falante que repetia ao homenageado "memento mori!"(lembra-te de que és mortal) para lhe conservar os pés na terra. Um pessimista de serviço!


Em qualquer organização humana (equipa, família, exército, partido, grupo de amigos, banda, etc) é quase certo que haverá um pateta alegre ou uma Pollyanna (alguém que vê tudo cor de rosa, está sempre animado e só olha ao lado positivo das coisas) e um pessimista empedernido, para quem tudo é negro. Depois há os somewhere in between. Idealmente, todos devíamos saber
 ser optimistas sensatos ou pessimistas realistas consoante as circunstâncias.

Em certas ocasiões, é útil ser pessimista: considerar o pior cenário possível e estabelecer os necessários planos de contingência; mas uma vez isso feito, voltar a um optimismo razoável e determinado, em modo confia como se tudo dependesse de Deus, trabalha como se tudo dependesse de ti, sem se deter nos obstáculos, no diz-que-disse ou permitir que o excesso de informação nos tire os olhos do objectivo.

 Ora, Maquiavel disse que se deve fechar os ouvidos a toda a gente (limitando o tal ruído inútil ou excesso de informação) menos a um número muito pequeno de conselheiros cuidadosamente escolhidos a quem é permitido dizer a verdade -  mas só se lha pedirem, atenção.

  Atrevo-me a acrescentar que entre esses, o melhor é haver um pessimista e um optimista, estilo anjinho e diabinho. Mas que só falem quando os deixarem, para não que não coloquem desnecessários macaquinhos no sótão.

O Senhor D. Sebastião, um optimista ferrenho.
 Isto porquê?  Porque o optimista, o pateta alegre, a Pollyanna do grupo, é um tanto irresponsável. Só vê as vantagens, os louros e os pontos fortes de quem apoia; não considera os perigos nem os detalhes; olha aos fins, mas não os meios, nem aos obstáculos, nem ao caminho para lá chegar. Sobrestima a capacidade da equipa mas cai no erro de subestimar o adversário. Para o optimista nós somos os melhores, ninguém nos bate, as desvantagens são eliminadas com o fogo da determinação, a eles como San´Tiago aos mouros. É o herói doido dos filmes que se lança à escaramuça contra um grupo muito maior, achando que todas essas cenas acabam como nos filmes do Bruce Lee. É um D. Sebastião, que contra todas as possibilidades e maus augúrios leva a sua avante, diz o cometa que acometa, nem que se mate e arraste toda a gente com ele. E claro, há riscos em dar um aval cego a  estas pessoas com mais coragem do que miolos, que não pensam duas vezes.



 Porém, elas têm um papel necessário: são as cheerleaders de serviço. Cumprem o plano até ao fim sem discutir. São boas a levar estratégias adiante, sem parar para ver as manobras de diversão do adversário. Às vezes é mesmo preciso ter um pateta alegre por perto, que acredite em nós de olhos fechados, que nos contagie com o seu entusiasmo, que transmita confiança e serenidade ainda que o caso esteja muito preto.

Mas os pessimistas empedernidos têm o seu papel também: consideram todas as possibilidades. Procuram todas as fontes de informação, porque acreditam na máxima "conhecimento é poder". Sem os pessimistas, talvez os Aliados não tivessem ganho a guerra: os espiões são pessimistas por natureza; contam com o pior e não descansam enquanto não colhem provas de que o piorio pode mesmo acontecer. Estão sempre com um olho no burro, outro no cigano. Eles são os S. Tomés incrédulos de todas as organizações. Chamam-nos à terra, recordando as consequências de um possível fracasso, como os dignatários romanos que tinham a função de ir atrás de um herói levado em triunfo, dizendo "lembra-te de que és mortal" enquanto lhe seguravam a coroa de louros.

Mr. Crabb, na série Mr. Selfridge, é um contabilista
 sensato, mas eterna alma aflita.

 Mas embora sejam úteis, pecam por excesso de prudência; caem na demora, que só traz desvantagens. Nos momentos de crise em que é necessário levar um plano até ao fim (e já se sabe que a flexibilidade é precisa, mas que é um erro mudar constantemente de estratégia) são verdadeiras aves agoirentas, almas aflitas sempre com cara de quem comeu um limão sem açúcar. Em caso de um desafio maior, ou se as dificuldades apertarem, eis que para eles "está tudo perdido, isto não vai dar em nada, vê se és realista". Descontrolam-se, desarranjam-se, deixam-se intimidar com qualquer bluff, acreditam sempre que os maus é que vencem porque têm mais artimanhas, que a batota e a maldade podem mais do que um bom produto ou uma causa justa e acima de tudo, desrespeitam a máxima de Sun Tsu: se te conheceres a ti mesmo e ao adversário, não terás de temer o resultado de mil batalhas.

 Um pessimista esquece a estratégia que foi delineada, os pontos fracos e fortes seus e dos outros; é tão cauteloso que na sua ânsia de informação, esquece os sinais mais óbvios e que por vezes, há coisas que é melhor ignorar para não perturbar a moral das tropas; é preciso estar constantemente a recordá-lo "este é o plano", "já vimos que assim não resulta" e "não podemos dar-nos ao luxo de estar sempre a olhar para trás e para os lados".


 Em suma, se um pessimista tiver o papel de conselheiro, os papéis acabam por se inverter: é o líder (que tem outras preocupações em mente) que tem de o consolar, de o animar, de falar como se estivesse a convencer-se a si próprio. Isso acaba por danificar a confiança e já se sabe: nenhum homem está de facto derrotado até a sua confiança cair por terra. Testam a paciência, dá vontade de dispensar os seus serviços e se não os conhecêssemos, diríamos que estão a torcer pela equipa adversária ou a sabotar tudo.

 Quando penso nisto, acho que um líder em larga escala - seja de uma grande empresa, de um clube desportivo, de uma campanha militar - precisa mesmo de uma mente genial, nervos de aço e paciência de Job para aguentar os próprios aliados, quanto mais o inimigo. Tiro-lhes o meu chapéu...mas lidar com tais "ajudas" em micro organizações - amigos, projectos, famílias -  também é um teste à santidade, ó se é...









Wednesday, August 26, 2015

Medo do confronto?


O medo do confronto é comum a toda a gente: quem não preferia viver tranquilo, que a barca fosse sempre num mar de rosas? 

No entanto, pela própria lei da natureza, sabemos que isso é impossível. Os ventos mudam; à tempestade segue-se a bonança e vice-versa;  há constantemente novas variáveis e para cúmulo, temos de lidar com o ser humano, que nunca é matéria totalmente maleável e previsível, por mais manuais que se escrevam a dizer o contrário. Maquiavel destacou-se entre os mais sábios dos sábios (Sun Tzu, Marco Aurélio, Séneca, Cícero, Mazarin, Richelieu, etc) ao enunciar a simples fórmula de virtude x fortuna (que é basicamente fazer o que se pode face às circunstâncias que se apresentam e que estão fora do domínio do mais poderoso). Já a Igreja Católica Romana, que tanto moldou a nossa cultura, foi extremamente sensata ao avisar que a felicidade perfeita e sem núvens não pode encontrar-se na Terra: defender o contrário é de um tremendo wishful thinking. O Homem, mesmo o mais feliz, que possua beleza, saúde, poder, riqueza, amor e estatuto, está sempre sujeito a um erro, a um revés, a um excesso de confiança que estrague tudo, a uma intriga que o perca, às partidas da economia, a uma maleita ou a uma catástrofe. Fragilidade das fragilidades! Vaidade das vaidades!

 Por isso, o ser humano deveria vir preparado para o confronto, seja o confronto pequeno ou grande. A caça e a guerra programaram-nos para isso ao longo de milénios. E para os momentos em que isso não era necessário, de modo a não perder o jeito, inventaram-se os desportos e os jogos.

Se o Homem não tivesse sem si esse instinto, os desafios de futebol, as apostas e o xadrez teriam há muito caído em desuso. O pobre homem (ou mulher) mesmo o mais afortunado e inatingível, vive num permanente estado de alerta, não vá o diabo tecê-las.



 E no entanto,na vida como na guerra, quase se poderia dividir a humanidade entre as pessoas que têm medo do confronto e as que lidam com ele sentindo a estranha alegria da batalha. Há vários graus para isto, obviamente, já que cada um é diferente, mas não deixa de ser óbvio.

 Na guerra toda a gente tem medo. Seria uma estupidez e uma imprudência não ter medo. Mas existem dois tipos de soldado: os que lá estão obrigados, tremendo como varas verdes e achando que tudo está perdido, e os que, já que lá estão, se deixam embriagar pelo entusiasmo da escaramuça, e berram "molon labe! hoje é um bom dia para morrer!". Esses são os soldados profissionais, que têm fibra de guerreiros.


E no dia a dia é exactamente assim. Há as pessoas que têm medo até dos confrontos que elas próprias criaram. Só para não terem de ouvir duas palavras desagradáveis, tomar partidos, escolher lados, fazer opções ou passar uns momentos constrangedores, deixam de resolver as coisas mais importantes ou de alcançar aquilo que procuram. Outras ainda (isto é muito comum em pessoas de bom coração) são dadas à paz, não fazem mal a ninguém, jogam limpo e por isso morrem de medo de quem não é assim. Acham sempre que o mal triunfa e que quem é mau, quem faz batota, quem não tem dignidade, quem é vigarista, falso e cheio de truques, é automaticamente mais esperto e mais forte. Sabem que têm razão mas não têm confiança em si próprias. São o tipo de pessoa que teria deixado Hitler ganhar a guerra só porque era mau, cheio de basófia e tinha umas engenhocas e umas paradas todas impressionantes. Levam tudo demasiado a sério e a cada fanfarronada do inimigo, encolhem-se e desanimam.

 Depois existem os guerreiros profissionais do dia a dia - muito comuns entre os maiores atletas, por exemplo. Não procuram os confrontos (isso não seria ser guerreiro, mas tirano); porém, já que lá estão, há que escolher as batalhas, seguir a estratégia, dar o peito às balas e seja o que Deus quiser, divertindo-se com a escaramuça e apreciando o movimento dos peões. São os que, já que é mesmo inevitável, tratam do assunto e vêem as bravatas da outra parte pelo que são: fanfarronadas, que geralmente denunciam uma tremenda insegurança. Não gostam de perder nem subestimam o outro, mas não ficam todas tristes, magoadas e assustadas com cada provocação do adversário, pois sabem que faz parte e até torna o jogo mais interessante. Encaram as bombas, as ameaças e o barulho com um sorriso de ironia e serena confiança, porque se conhecem a si mesmos e têm uma grande intuição sobre o oponente. 


Há dias viu-se um bom exemplo disso, quando a americana Ronda Rousey (acima, à esquerda), lutadora americana de artes marciais mistas, obteve uma vitória retumbante no Brasil contra Bethe Correia, que jogava em casa. Bethe vestiu a pele de vilã e usou todas as provocações possíveis para desconcertar a oponente - o que é normal nestes desportos- mas pisou o risco quando a insultou tocando num tema muito pessoal e sensível. Ronda calou-se bem caladinha. Depois resolveu tudo no ringue de forma rápida e espectacular, fazendo a brasileira engolir (literalmente) a sua fanfarronada. E o Brasil aplaudiu!

Ora, nem todos somos atletas ou guerreiros. Mas todos podemos tirar alguma coisa do exemplo. Os fracos começam a encrenca e fazem chinfrim; os fortes resolvem-na.




Friday, December 12, 2014

A nobre arte de ter o coração firme e as orelhas moucas

"Podem anunciar as bombas que quiserem, que nós somos surdos"

Sun Tzu lá dizia, muito sabiamente "se o inimigo está quieto, provoca-o". Infelizmente, como todas as coisas boas da vida, a estratégia militar pode ser mal empregada:  o que mais há neste mundo é pessoas que utilizam esta táctica a torto e a direito, com as motivações mais baixas e os modus operandi menos nobres. Muitas delas nunca terão lido A Arte da Guerra  na vida, mas lá reza o povo que é tão sábio como Sun Tzu, "para o mal dá o Diabo habilidade".

 Aquilo com que gente pérfida não conta é que há sempre quem tenha lido mais um bocadinho, seja dotado de um grandessíssimo sangue frio e fosse ensinado por bons conselheiros, o que faz com que tais estratagemas caiam em saco roto...

 Quem tem adversários - e todos encontraremos alguns ao longo da vida se não formos uns nabos completos, pois só os zeros à esquerda não são invejados por ninguém - vai deparar-se mais cedo ou mais tarde com provocações.

 O mais comum é a provocação tomar a forma disso mesmo: ditos ácidos, farpas, insultos, bullying, tudo na tentativa de fazer o inimigo perder as estribeiras, descontrolar-se em público (ou perante a pessoa de interesse, seja o chefe, o mentor, a cara metade...), perder a face, ficar mal visto ou cometer erros irreparáveis. Outras vezes, a provocação chega em moldes de rumor ou mexerico, com o objectivo de causar instabilidade, discórdia ou insegurança.

 Os mestres de artes marciais avisam muitas vezes "nenhum homem está derrotado até que a sua confiança esteja por terra" - e pessoas malvadas são exímias em atirar granadas para minar a confiança dos outros, ou a confiança entre duas partes, no melhor modo "dividir para reinar".


 Isto vê-se muito nos concursos de talentos, de beleza e por aí fora: há sempre uma maçã podre que em vez de gastar o tempo nos bastidores a ensaiar, a tranquilizar-se e a melhorar a sua prestação, anda de um lado para o outro a espalhar boatos: "fulana disse assim de ti", "soube que isto está tudo comprado e quem vai ganhar é beltrano", "sicrana está a fazer batota, namora com um jurado" e coisas desse jaez, para deixar os rivais atarantados, virá-los uns contra os outros ou contra a organização ou fazer-lhes sentir que o esforço nem vale a pena.

 Em muitas empresas, vê-se o mesmo triste cenário.

  Se um casal desperta ressabiamentos ou ciumes em outrem, os "amigos" de um ou do outro elemento (por vezes, de ambos) dedicam-se a fazer circular bisbilhotices e falsidades no intuito de desmoralizar ou criar desavenças, utilizando muitas vezes como veículo pessoas ingénuas que contam o que ouviram na melhor das intenções.

 Ante situações destas, quem sabe o que quer e para onde vai deve fazer como a tripulação de Ulisses na presença das Sereias: selar os ouvidos e continuar a remar como se nada fosse. Se já se sabe que é truque ou cheira a truque, a pior coisa que se pode fazer é ouvir uma nota que seja. Há que não ceder à tentação da curiosidade, de "saber o que andam a tramar", nem com a  velha desculpa "tenho costas largas mas gosto de saber o que se diz de mim". No news is good news e o excesso de informação nunca atrai nada de bom. 

Se der atenção poderá fazer-se impassível e agir como se nada lhe fizesse mossa, mas "aquela vozinha" fica lá a zumbir e a tirar migalhinhas à sua confiança, além de que ouvir uma vez é um convite para que lhe tragam mais "bombas" do género. Controle-se e faça saber categoricamente que não quer saber de palavras de burro.

 É que elas pode não chegar ao céu, mas incomodam.

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