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Sunday, October 4, 2015

"Somos mulheres - as nossas escolhas nunca são fáceis".


Nunca fui grande fã do Titanic (seria, se não fosse a história de amor disparatada). Foi conto que nunca me enganou: o Jack não amava a Rose. Primeiro, porque não se ama perdidamente ninguém em menos de uma semana e porque um rapaz que gosta sinceramente de uma rapariga não a tira à família e ao noivo (que esse sim, parece amá-la desinteressadamente) para a sujeitar a uma união de facto (o que naquele tempo era uma vergonhaça) e a uma vida de incertezas e aflições. Quem ama, quer o bem do outro. Não o utiliza para dar largas às suas fantasias, românticas ou outras, como se de um brinquedo se tratasse. Muito menos apoia doidices do outro, mesmo que lhe convenha. Isso não é amor...quando muito é luxúria, egoísmo, infantilidade. O noivo, Cal, é protector em excesso (e possessivo com razão) mas notem, tenta sempre protegê-la. O Jack faz o contrário - quer lançá-la no mundo. Em que mundo? Quer dar-lhe "liberdade" porque isso é o que dá jeito aos seus desvarios...há tantos assim!

Mas a Rose, que é uma tola, atira ao pobre do ex "prefiro ser amante dele do que sua mulher". Que exemplo!

 A personagem que sempre me interessou - apedrejem-me - foi Ruth, a mãe da Rose. Que tinha uma das poucas tiradas prudentes do enredo: "somos mulheres - as nossas escolhas nunca são fáceis". Sim, era snob e desagradável por vezes, mas ao contrário da protagonista, ela sabia que uma mulher é posta perante muitíssimos deveres e exigências.  Que a condição de mulher implica (não importa quantos direitos se ganhem) escolhas difíceis e sacrifícios. Muitos deles impostos por aqueles que nos amam. Que ser uma senhora implica auto domínio e um grande controlo sobre extravagâncias passageiras; requer pôr os olhos naquilo que é realmente importante e dirigir o coração com mão de ferro, porque cada escolha tem consequências. 

O que não quer dizer que o coração não continue e continue, como dizia lá a Celine Dion...

Thursday, September 18, 2014

Porque é que o Titanic nunca me convenceu?


Ocorreu-me esta ideia quando há dias li qualquer coisa a propósito num artigo de nostalgia dos anos 90. Nunca comprei a maluqueira do filme de James Cameron. Mentiria se dissesse que não fiquei entusiasmada ao saber de uma produção sobre a tragédia (já que o acontecimento e a época sempre me fascinaram) ou que não gostei dele em si, apesar de se tornar tão popularucho. Por mim, as cenas das senhoras de sociedade na 1ª classe e as peripécias dos irlandeses na 3ª podiam ter continuado por ali fora, que eu não me ralava.

 O que nunca engoli nem com molho de tomate foi o belo romancezinho entre a Rose e o Jack, por quem era suposto o público torcer. Are you serious?! Já lá vamos.

 Primeiro, a Rose. Nunca compreendi a Rose. Sempre a achei estouvada e egoísta. 

Também sou suspeita, para vos ser sincera: se eu vivesse naquela época, se tivesse a idade da Rose nesse tempo, ia ser o mais parecido que havia com uma reaccionária (se é que posso aplicar aqui a palavra, mas acho que posso) ou se preferirem, um Velho do Restelo jovem e de saias. Ainda me lembro da cara espantada da minha professora de História do 8º ano, quando eu lhe disse que não achava piada às suffragettes. Era suposto todas as meninas gostarem dessa parte:  as suffragettes eram umas gandas malucas que desobedeciam à ordem estabelecida e faziam manifs, eram valentes e iam presas e tudo.



Admito que por cá, a forma como a cirurgiã Carolina Beatriz Ângelo deu a volta aos homens para votar como chefe de família foi uma jogada brilhante (imagino a cara deles) mas melhor faria se não tivesse discursado e debatido tanto- morreu do coração aos 33 anos quando tinha coisas bem mais importantes a oferecer à Humanidade do que debater política. Lá dizia Bernard Shaw que não percebia para que é que mulheres bonitas e inteligentes se esgatafunhavam por coisas dessas...



 Logo eu não havia de simpatizar muito com raparigas como a Rose, sempre revoltadas para que o mundo mudasse numa direcção que não sabiam se lhes convinha. 



Voltemos então à doidivanas da Rose. A Rose é uma menina mimada que sabe muito pouco da vida e acha que a relva é mais verde do outro lado. Tem um noivo bonito e Alfa que a adora, que não lhe nega nada desde que ela o trate bem, que quer casar com ela e oferecer-lhe uma vida de mimos e segurança apesar de ele ser rico e ela estar completamente falida. Caledon, o noivo, não gosta de Picasso, mas oferece-lhe quadros dele porque ela gosta. E pode não dizer frasezinhas romanescas nem tolerar disparates, mas manifesta-se como sabe: no caso, oferece-lhe diamantes porque pode e na sua ingenuidade acha que ela merece o mais belo e raro diamante do mundo. O valor da peça é irrelevante, o gesto é que diz tudo.

 Como é que ela agradece a devoção dele? Contrariando o coitado em tudo o que se lembra. É que não lhe faz uma vontadinha sequer, trata de o contradizer à frente de quem está, faz cara feia a tudo, enfim, é desfeita atrás de desfeita. Depois aparece o Jack- cara -de- bebé, que não a conhece de lado nenhum, bom rapaz mas um tremendo irresponsável.


O Jack é novidade, é idealista, boémio, sonhador, faz de sensível, diz-lhe o que ela quer ouvir - que ela pode fazer o que quiser da vida dela e voar e mimimi - e claro, a menina que está para contrariar toda a gente decide que o rapaz rebelde que nunca viu mais gordo é o amor da vida dela, que quer viver como os amigos dele que passam o tempo a cantar e a dançar porque tem uma ideia romântica do que é a vida dura dessas pessoas, que vai fugir com ele assim que o navio atracar e mai´nada.

 Não lhe ocorre ter respeito pelo homem a quem deu a sua palavra nem remorsos de o enganar em público, não pensa na pobre mãe que ficará na miséria se ela romper o noivado, não repara sequer que o Jack, o bom do Jack, vive de biscates, vive para o presente e amanhã Deus dará, logo não se sabe se amanhã manterá as juras de amor. 


Ela nem sequer acha estranho quando ele lhe diz que costuma privar com prostitutas e as acha mulheres exemplares. Sinal de alarme, anyone?
 Desculpem estragar o romantismo da adolescência de muita gente, mas se o navio não tivesse afundado, o romance não duraria duas semanas. Até podiam chegar a Paris, mas o mais certo era ele trocá-la por uma corista qualquer e a Rose juntar-se ao circo (que é mais ou menos o que acaba por acontecer, vá).
No entanto afundou e é o pobre do Cal que a vai procurar a todo o custo mesmo 
sabendo-se traído e escarnecido. 


 Aí comecei a pôr em causa se o Caledon a adora perdidamente ou se é um tanto pateta, porque tenciona meter uma bala no homem que lhe roubou a noiva (e a desenhou sem roupa) mas continua a querer casar com uma destemperada daquelas. De qualquer modo, nesta altura é suposto a audiência simpatizar com a Rose, a traidora e com Jack, o desmiolado, e dizer "que ciumento malvado que é o noivo! Que possessivo!" - também, faltava que não fosse perante vexames daqueles...

Depois  a película finda como sabemos: ela acaba por ter sozinha todas as aventuras que a família não queria que tivesse (ser actriz, andar a cavalo sem sela de senhora, etc) mas acho que a história passa uma mensagem totalmente errada. Ter uma vida estável ao lado de uma pessoa com ideias firmes não é necessariamente estar "encurralada", assim como fazer o que nos apetece não é garantia de não ter contrariedades na vida. Todos estamos sempre sujeitos a alguma coisa, ninguém é totalmente livre. As restrições que a Rose ia enfrentar junto do Caledon não eram piores do que aquelas que teria de lidar juntando-se com o Jack ou outro "cidadão do mundo" qualquer. Havia muitas coisas que também podia fazer junto do marido, afinal, "ele não lhe negava nada".


 Claro que podem dizer "ah, mas ela amava era o Jack" - sinceramente acho que não amava nenhum. Não sabia o que queria da vida. Uma paixoneta, um entusiasmo, não é amor.
 Por fim, assumindo que isso fosse verdade, ela não deu uma chance ao noivo, embirrou  com ele desde o início; mas também nisto sou suspeita porque sempre achei o Billy Zane mais interessante e custa-me a crer que alguém prefira o imberbe Leonardo Di Caprio, mas tudo é possível...





Sunday, April 14, 2013

Efeméride: Titanic

                        
Foi na madrugada de 14 para 15 de Abril que o Titanic se afundou, em 1912. Há um ano atrás assinalei o centenário da tragédia - cuja comemoração foi, em parte, responsável por trazer de volta muitos looks inspirados na Belle Époque - com um post que recorda as histórias de amor, os episódios de cavalheirismo e de heroísmo e...as modas magníficas do tempo. 

Friday, April 20, 2012

Titanic: presságios e histórias de amor



O desastre do R.M.S Titanic assombrou-me desde pequena devido à sua aura de navio fantasma, ao ambiente glamouroso, à época em que sucedeu (uma das minhas favoritas) ao mistério que rodeou a tragédia e sobretudo, aos milhares de dramas humanos entrelaçados - histórias cujos detalhes continuam a ser descobertos 100 anos depois. Devorava todos os livros, documentários e revistas que encontrava sobre o assunto (embora nunca me tivesse tornado numa especialista ou coisa semelhante). Principalmente se tivessem retratos. Os rostos de pessoas tão diferentes, que viajavam nas circunstâncias mais diversas e que reagiram à adversidade de formas distintas - muitas demonstrando uma coragem e cavalheirismo que hoje seriam impossíveis - fascinavam-me.
 Continua a comover-me a cena de Ghostbusters - que pretendia ser cómica - em que o Titanic finalmente alcança Nova Iorque. Por ter marcado a minha infância mas principalmente porque nada me atinge tanto como os momentos congelados no tempo, as coisas que ficaram por fazer, aquilo que nunca chega.




 
Os "mitos urbanos" à volta do naufrágio (muitos causados à época, devido à falta de informação nos primeiros dias, a mal entendidos e à imaginação de alguns jornalistas) são imensos. No entanto, é inegável que estranhas coincidências pareciam prever um destino funesto para o navio mais sofisticado do seu tempo. Estas são apenas algumas:


-  Leontine Aubart, mais conhecida por "Ninette" e amante do milionário Benjamin Guggenheim, recebeu a visita de uma amiga. Entusiasmada com o seu guarda chuva novo, Ninette abriu-o de imediato para lho mostrar. A amiga fez-se pálida e voltando-se para Emma Sägesser, criada de quarto de Mlle. Aubard, exclamou: "Sinto que vai haver uma desgraça. Por favor, tome bem conta da sua patroa". 

File:BGuggenheim.jpg
Benjamin Guggenheim

Pouco tempo depois, Emma e Ninette embarcavam no Titanic com Mr. Benjamin Guggenheim - e uma bagagem impressionante que contava 5 baús, um deles só para lingerie, no valor de mais de 12 000 dólares. Ambas sobreviveram, mas ele fez questão de enfrentar a morte "vestido como um cavalheiro". Sentou-se com Giglio, o seu valete, a beber whiskey e a fumar charutos como se nada estivesse a acontecer. " Nenhuma mulher há-de ficar a bordo por Ben Guggenheim se comportar como um cobarde" foram as últimas palavras que lhe ouviram.
- Ao contrário do que era costume, não se terá quebrado uma garrafa de champagne na inauguração do Titanic - um lapso tido como aziago. Ao que parece, tão pouco se respeitou a tradição de transportar gatos no navio - usados para afastar os ratos, mas também para trazer boa sorte. Não havia um único felino a bordo. No entanto, dois cães escaparam ilesos. A ser verdade, é espantoso como marinheiros (as pessoas mais supersticiosas do mundo) podem ter deixado escapar esses detalhes. Porém, há que observar que nesta época, tendia a acreditar-se menos em mitos e a confiar na ciência. Poderá ter-se feito fé na boa construção do Titanic. Depois do naufrágio, muitas ideias, crenças e procedimentos de segurança no mar foram reconsiderados...
Memorial em Cobh (antiga Queenstown, uma das escalas do Titanic)


- Em 1898, o autor americano Morgan Roberton escreveu o romance "Futility". Neste, o navio "Titan" cruzava o Atlântico em Abril, embatia num icebergue e não tinha botes suficientes para todos os passageiros, resultando numa perda enorme de vidas. Segundo o próprio, o autor era médium e recebia inspiração de "amigos astrais". Curiosamente, o livro estaria disponível numa das bibliotecas a bordo do Titanic. (Isto é o que eu chamo coincidência, bad juju e mau feng shui, tudo junto...).
- Em 1874, Celia Thaxter publicou um livro de poesia. Um dos seus textos, "A Tryst" descrevia o acidente que teria lugar 38 anos depois com impressionante detalhe.


- Mais estranha ainda é a história do espiritualista, escritor e repórter sensacionalista William T. Stead. Cerca de 20 anos antes, Stead publicara dois contos que descreviam o naufrágio de navios em circunstâncias muito semelhantes às do Titanic: num deles, a bordo do navio Majestic, precisamente da White Star Line (a mesma companhia do Titanic)uma médium é avisada por dois fantasmas do perigo de icebergue. O outro conto terminava em tragédia, com um aviso: " isto é exactamente o que vai acontecer se os navios forem enviados para o mar com botes salva vidas insuficientes". Ironia das ironias, o autor morreu a bordo do Titanic.



Mary Farquarson e Daniel Marvin, de 19 anos

Quando o filme de James Cameron foi anunciado entusiasmei-me, como me entusiasmo sempre que um tema preferido é levado às telas. Como é de imaginar, foi sol de pouca dura. O excelente figurino e a atenção ao detalhe não compensaram a titanicmania que se gerou, a histeria das adolescentes pelo Leonardo DiCaprio e a história de amor inverosímil, sem pés nem cabeça para o meu cérebro ainda em formação, mas já sem paciência para foleiradas. 
Não acreditava que alguém, de mais a mais naquela época, deixasse um noivo como Billy Zane para fugir com o amor da sua vida, por quem se apaixonou em três dias. Mas divago. A verdade é que houve  histórias de amor a bordo do Titanic, não menos trágicas e romanescas. 
Oficialmente, 13 casais embarcaram no "navio inafundável" em Lua de Mel, 9 dos quais em 1ª Classe. Apenas dois sobreviveram juntos. Metade dos jovens maridos pereceram no naufrágio.

Daniel Marvin (filho do fundador da empresa cinematográfica pioneira American Mutoscope) de 19 anos, embarcou na 1ª Classe do Titanic com a sua jovem mulher, Mary Graham Carmichael Farquarson, de 19 anos, de regresso aos Estados Unidos após a viagem de núpcias à Europa. Na noite da tragédia, colocou Mary (que esperava uma criança) no bote nº 10, dizendo-lhe : It´s allright, little girl. You go. I´ll stay. O seu corpo nunca foi encontrado. Em Novembro de 1912 nasceria a filha de ambos, Margaret.

    John Chapman foi a Inglaterra para casar com a sua namorada de infância, Sarah Elizabeth Lawry.  Escolheram a 2ª classe do Titanic para começar lado a lado uma vida nova em Fitzburn, Wisconsin. Esta seria  também a sua Lua de Mel. Após o embate, Sarah foi encaminhada para o salva vidas nº4, junto com a companheira de viagem Emily Richards. Porém, ao perceber que o marido não poderia acompanhá-la voltou para trás, dizendo: Goodbye Mrs Richards, if John can't go, I won't go either. Nenhum deles sobreviveu.

Lápide simbólica de John e Elizabeth Chapman.


 Adolf Dycker viajava com a sua esposa, Anna Lovisa, em 3ª Classe. Regressavam da Suécia aos EUA, onde estavam a construir uma casa. Tal como Daniel, colocou a amada a salvo, beijou-a e afastou-se para morrer. Adolf tinha apenas 23 anos.


Elizabeth e Adolf Dyker 






O Coronel John Jacob Astor, inventor, empresário, escritor (e o homem mais rico a bordo do Titanic) embarcou com a sua jovem segunda mulher, Madeleine Force. O casal vira-se forçado a passar uma temporada na Europa e no Egipto devido aos mexericos violentos provocados pela sua união: Jack , de 45 anos, era recém divorciado, um escândalo inadmissível para um cavalheiro de sociedade naquela época, e a noiva, de 19 (um ano mais nova que o filho do marido) já se encontrava de esperanças.
A única americana a bordo que não olhou o casal de lado foi Margaret Brown - que passaria à história como a inafundável Molly Brown. Acompanhou-os na viagem e por coincidência, foi obrigada a regressar à América ao mesmo tempo. Na noite da tragédia, JJ Astor ajudou Madeline a subir para o bote e perguntou se, dado o seu "estado delicado" poderia acompanhá-la. Disseram-lhe que não era possível enquanto houvesse mulheres e crianças em perigo. O Coronel ajudou então a pôr a salvo várias pessoas e foi visto pela última vez a fumar tranquilamente, acompanhado pelo jornalista Jacques Futrelle.



Victor e Maria
Após uma lua de mel que durou 17 meses, os jovens espanhóis Victor (sobrinho do primeiro-ministro de Afonso XIII, José Canalejas)  e Maria Josefa Peñasco y Castellana (de 24 e 22 anos respectivamente) decidiram à ultima hora embarcar no Titanic. Tinha sido uma viagem extravagante, a condizer com o lifestyle da Belle Époque e com a fortuna de ambos - que combinadas equivaleriam hoje a cerca de mil milhões de euros. 
Não faltaram mesmo, entre outras joias adquiridas neste passeio, um opulento colar com três voltas de pérolas e um alfinete com as mais raras gemas da época - que acabariam no fundo do Atlântico.  A mãe de Victor tivera um pressentimento que levou os pais dos dois a proibi-los de viajar por mar. O casal conseguiu iludir a vigilância deixando em Paris o seu valete, Eulogio, encarregado de enviar regularmente postais para casa como se Victor e Josefa ainda estivessem na cidade Luz - e embarcou acompanhado apenas da criada de quarto, a senhora Fermina Oliva. A desobediência teria um preço demasiado alto. Curiosamente, apesar de se terem deparado em Paris com tentadora  publicidade ao Titanic, os jovens pretendiam inicialmente viajar noutro navio, que partia mais cedo. Infelizmente, os bilhetes estavam esgotados: escolheram o Titanic. Quando se deu o desastre, Victor apressou-se a colocar a esposa e Fermina num bote. Ia subir também, mas cedeu o lugar a uma mulher com uma criança de colo. Josefa não voltaria a vê-lo.
 A Condessa de Rothes, sobrevivente que conviveu com o casal, relatou como este parecia apaixonado e feliz, captando a simpatia dos companheiros de viagem. Foi ela que confortou a jovem viúva a bordo do bote nº 8  - uma vez que esta estava inconsolável, não parando de chorar e chamar pelo marido - distraindo-a para que ela não ouvisse os gritos das vítimas, o horroroso som do Titanic a afundar-se. Um ruído descrito por vários passageiros como "uma montanha a desabar" e "um gigante e horrendo uivo humano em uníssono".    

    Pessoalmente,  este é o instante que mais me arrepia.








Thursday, April 19, 2012

A inafundável Lady Duff - Gordon



Lucy, Lady Duff - Gordon. Grande dame da moda. Designer, criadora da Maison Lucile e arbiter elegantiarium das it girls eduardianas. E não menos importante, sobreviveu ao naufrágio do Titanic. Mas sobre isso, falo amanhã. Good night, ladies and gentlemen, sleep tight, don´t let the bed bugs bite.

Thursday, April 12, 2012

Belle Époque is back


Com o 100º aniversário do Desastre do Titanic e o sucesso de produções de época como Downton Abbey,   vemos regressar às ruas tendências inspiradas na Belle Époque (aprox. 1890-1914). 
Esta foi uma era dourada em que a rigidez e sobriedade vitoriana no estilo de vida, decoração e vestuário deram lugar à luminosidade, à ostentação despreocupada e a uma certa "joie de vivre" que não mais se repetiria após a I Guerra Mundial. 


 Com o desaparecimento da Rainha Victoria (1901) os trajes graves e recatados foram gradualmente substituídos por visuais vaporosos, fluidos e cheios de graciosidade, que enalteciam as formas femininas.  O novo estilo decorativo, a Art Nouveau - repleto de elementos fluidos, luminosos e naturais - fazia furor e reflectia-se não só nos ambientes (que perderam os cretones pesados, as salas misteriosas e os móveis severos) mas também na forma de estar, de receber, de vestir.

 Cores suaves, inspirações feéricas e orientais popularizaram-se. Surgiram espartilhos menos restritivos - os chamados "health corsets"  que conferiam a silhueta alongada e sinuosa  "de pombo" ou "em S" - e novidades como as harem pants (curiosamente presentes nas colecções deste ano). As saias perderam roda e os pés começaram a aparecer.
O ideal de beleza Eduardiano era a senhora madura, bem nascida, sofisticada, com pele de porcelana, faces rosadas e cabelo escuro, personificada pelas " Gibson girls". 
Enquanto as mulheres lutavam pelo direito ao voto, os cuidados de beleza democratizaram-se: surgiram os primeiros salões de estética, ainda frequentados com alguma discrição (pretendia-se parecer naturalmente abençoada por Vénus) e a maquilhagem deixou de ser usada às escondidas.  
Pó de arroz, "enamel" (uma base branca que continha chumbo) tinta para os lábios (conseguida à base de papoila) e rouge deixaram de ser apanágio de cortesãs e actrizes, tornando-se "de rigueur" entre as senhoras de sociedade.  
Em termos de inspiração esta é uma das minhas épocas preferidas, por associar tecidos leves,  cores mágicas e riqueza de texturas a uma confecção de estrutura impecável. A tendência é particularmente visível em acessórios, casacos, saias maxi, blusas elaboradas e vestidos de noite para eventos formais.
                                    
                                             Marc Jacobs para Louis Vuitton, Outono Inverno 2012



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