"Não se opor ao erro é aprová-lo; não defender a verdade é negá-la."
Vivemos num tempo que parece fácil, mas é muito complicado: o tempo do não te rales, o tempo do não estou para me aborrecer a não ser que isso me renda aprovação pública por parecer interventivo e fofinho, o tempo do é proibido proibir,o tempo do "vai mesmo assim", o tempo do "não se julga ninguém nem que essa pessoa faça as piores asneiras", o tempo do "se tens, exibe, nem que fique feio", o tempo da moral de elástico...uma época sem sal em que quem se atreva a ser o sal da terra (ou seja, menos fofinho e de valores vincados) é uma espécie de extra terrestre.
Afinal ir com as modas e as conveniências e deitar cá para fora aquilo que já se sabe que vai sair, à guisa de Dantas, é muito mais confortável.
Muitos autores, entre os quais Oscar Wilde, defenderam que só os medíocres são populares. É triste mas é um facto: as massas nunca primaram pela esperteza e para ter êxito fácil e ter muitos amigos é preciso dar-lhes o que elas querem ouvir, em vez de as ensinar. E lá dizia o outro, quando o populacho se põe a pensar, está tudo perdido. Por populacho, leia-se carneirada. Para evitar essa desgraça, é preciso que nem toda a gente seja "populacho", que se atreva a raciocinar conforme sente, de acordo com os valores ancestrais que lhe incutiram, e que não vá por ali só porque o pastor mais recente brande o cajado com ar de grandes certezas.
Recentemente um sacerdote muito sábio, que também é um grande filósofo, disse que devemos ser condescendentes com o pecador, mas intransigentes com o pecado. Pois bem, isto não é só para quem é religioso; aplica-se a qualquer pessoa bem intencionada. Temos a obrigação de ser compreensivos com quem erra porque ninguém é perfeito, mas de ainda assim não pactuar com o erro.
Se amigos nossos aderem a modismos reprováveis, tomam atitudes que os comprometem e nós abanamos a cabeça, achamos piada e não os avisamos, seremos melhores do que eles? Se sabemos que uma dada pessoa tem comportamentos viciosos ou corruptos mas continuamos a dar-nos com ela porque nos dá jeito, a tratá-la publicamente com consideração, a associar-nos a ela ainda que de longe, não é isso uma aprovação tácita? E se uma pessoa próxima for vítima de um ataque injusto e não a defendermos, ficando neutros como a Suiça para não melindrar ninguém...onde está a nossa fibra moral?
Não sei se é pior ser declaradamente mau ou ser um mau de bancada, que só por cobardia não faz outro tanto.
Bem reza o povo, tão ladrão é o que vai à horta como aquele que fica à porta. A diferença é só que o ladrão que está de guarda vive na ilusão de que é honesto, por medo de se comprometer ou de se maçar. Diz-me com quem andas....













