Tuesday, October 21, 2014
Maria Fitzherbert e Josefina: adoradas e...desafortunadas (Parte II)
Josefina, a musa de Napoleão, fê-lo penar bastante para obter o seu amor, e só mais tarde- um pouco tarde demais - percebeu o quanto o amava. Seria mais feliz se não tivesse procedido dessa maneira, mas por vezes os sentimentos são coisas difíceis de decifrar... e um coração de mulher é sempre um poço de enigmas.
Já Maria Fitzherbert (1756-1837) essa fez sofrer muito o homem que viria a ser seu marido (salvo seja, como veremos), o futuro Rei George IV de Inglaterra: não por leviandade ou egoísmo, mas por ser uma mulher ajuizada e virtuosa, qualidades que de pouco lhe valeram.
Bonita, oriunda de uma família distinta mas empobrecida, aos 25 anos Maria Fitzherbert, nascida Smythe, via-se duas vezes viúva: o primeiro marido era um jovem fidalgo bastante superficial, que morreu no próprio ano do matrimónio; o segundo um rico proprietário de terras, que a deixou numa situação financeira muito confortável.
Na posse de alguns meios e com um nome aceite em toda a parte, Maria encontrava-se em posição de frequentar a sociedade; senhora de um palminho de cara, de uma invejável cabeleira loura e de um porte sedutor - predicados a que juntava duas mil libras de rendimento e vastas propriedades - pretendentes não lhe faltavam, mas a linda viúva não tinha pressa em encontrar marido: tencionava gozar o mais possível a sua liberdade e o desafogo que não conhecera antes.
O sossego, porém, não duraria muito.
Uma das suas maiores amigas, Lady Sefton, tinha um camarote na ópera, e crê-se que foi lá que o Príncipe George a viu pela primeira vez, ficando instantaneamente obcecado por ela. Maria, Católica devota e conhecedora tanto das regras do mundo em que se movimentava como da péssima reputação de conquistador do herdeiro do Trono,
recusava-lhe os avanços como podia sem o melindrar.
Não se envaidecia por ter conquistado a segunda figura do Reino: como mulher sensata que era, a ideia aterrorizava-a.
O príncipe, uns anos mais novo do que ela e mais inexperiente em amores profundos (embora não em matéria de aventuras escandalosas) parecia no entanto não se importar em fazer-lhe uma corte cerrada, ignorando as más línguas que se deliciavam com a perseguição. Maria estava mortificada - na sua dignidade feminina, não queria ser mais uma conquista fácil na lista do real Romeu; sem outra saída esperava que não o levando a sério, ele se entusiasmasse com uma nova aventura e a deixasse em paz. Debalde.
E no entanto, começava a apaixonar-se por ele...o que não era difícil: George era um rapaz de bela presença, o homem mais pretendido do reino, e tanta paixão comoveria a mulher mais empedernida. Ainda assim Maria dominava-se, temendo desgostos maiores.
Tal resistência, porém, só aguçava a desvairada paixão dele: o Príncipe de Gales parecia um estouvado quando lhe apresentavam razões de Estado, as diferenças religiosas e outras, para invalidar tal união. Amava Maria com o ímpeto da sua idade e o egoísmo da sua condição, não se ralando com os danos que a reputação dela pudesse sofrer ou as aflições em que a colocava. Pensou em raptá-la, em usar de violência, e só o respeito que a amada lhe inspirava o deteve.
Vendo que ele não desistia, Maria encheu-se de coragem e, ante o seu milésimo pedido para fugirem juntos - e o dela para porem fim a tal amizade - respondeu-lhe: "sei que sou muito insignificante para poder aspirar ao papel de vossa esposa, mas considero-me valiosa demais para ser vossa amante".
Desesperada, por duas vezes Maria fez preparativos para abandonar o país. Chegou a fugir para França, onde o Marquês de Bellois lhe propôs casamento. Ela recusou: amava George, ainda que não pudesse viver com ele. O Príncipe, que a mandava espiar dia e noite, tentou e ameaçou o suicídio a cada uma das suas fugas, ou assim fez crer, jurando perante testemunhas (entre as quais, a famosa Duquesa de Devonshire) que casaria com ela e com mais ninguém...e Maria apaixonada, vencida, não pôde negá-lo mais.
Ela chamava à paixão do Príncipe "a sua fatalidade" - e assim era. Acabou por deixar que o casamento morganático, semi secreto, se realizasse em 1785.
Porém, o facto não tardou a saber-se e Maria, o elo mais fraco em toda a situação, era acusada de ambiciosa, de pôr em causa o Trono, de atrair uma revolução,de enfeitiçar o Príncipe com os seus requebros...calúnias que ninguém se atrevia a atirar à cara do marido e que a feriam duas vezes por serem absurdas- ela que tanto tentara escapar-lhe!
Foram consultadas as maiores autoridades na matéria, concluindo-se que o matrimónio, um caso inédito, era legítimo à luz da Igreja Católica e Anglicana, mas inválido segundo a lei civil...e George, saciada a paixão e coberto de dívidas, apressou-se a casar, com pompa e circunstância, com a sua prima Carolina de Brunswick,cujos pais estavam dispostos a livrá-lo de apuros financeiros.
A partir daqui, os historiadores dividem-se: há quem diga que apesar da nova união - bígama? - Maria e George se viriam a reconciliar e que, escudados na garantia Papal de que o casamento era legítimo, continuaram a viver juntos por 10 anos, com inúmeras zaragatas pelo meio (o que seria plausível, dado o desastre que foi o seu segundo casamento). Outros defendem que Maria se recolheu com o seu desgosto e reunindo toda a sua dignidade, lhe fechou as portas para sempre.
De qualquer modo, George chamava a Maria "a sua metade, a sua esposa na alma e perante Deus, ainda que não aos olhos do mundo" e no leito de morte, pediu para ser enterrado com o seu retrato ao pescoço. O irmão que lhe sucedeu, Guilherme IV, tinha um grande respeito por Maria e pediu-lhe que aceitasse o título de Duquesa. Ela recusou, pedindo apenas que lhe fosse dada a honra de poder usar trajes de viúva, e que os seus criados fossem autorizados a vestir librés reais, como sinal público de que fora uma verdadeira e devotada esposa.
Tanta discrição acabaria por reabilitá-la aos olhos do público, dando-lhe uma aura de figura romântica, de vítima paciente de um Príncipe desmiolado. Não que nada disso contribuísse para a sua felicidade, podemos presumir...
Too much of a good thing can be wonderful, lá dizia a outra.
Julgava que pós Coven, American Horror Story seria sempre a descer, pelo menos no que me diz respeito (é que depois de reunir a grande Marie Laveau à bruxa fashionista de Jessica Lange a responsabilidade aumenta muito!). Mas Freakshow, que estreou ontem por cá, não só tem o ambiente certo (todo o feel da americana dos anos 50) como fez o favor de me juntar duas coisas que eu adoro: Jessica Lange e...David Bowie. Ou antes, Jessica Lange vestida como David Bowie a cantar Life on Mars com um toque de Marlene Dietrich:
Ora aí está uma coisa de muito valor, porque se David Bowie é uma divindade (o estatuto de god of Rock não basta para o definir, porque também é um style icon e dos verdadeiros, não desses de trazer por casa a quem agora atribuem o título) Jessica Lange é uma diva.
Correndo o risco de me auto plagiar (pois já devo ter dito isso algures) acho-a lindíssima, daquela beleza que troça do passar dos anos, e com uma presença magnífica.
Pode estar despenteada, com a maquilhagem numa desgraça ou a fazer de bêbeda, de infeliz ou de doidinha,mas mantém sempre o seu ar de grande dame; depois, os seus traços são tão perfeitos que nunca consegue parecer feia por mais que lhe façam. Ser linda aos 20, 30, 40, 50 e mais além e ainda por cima continuar sexy, com um estilo impecável e um sorriso de derreter uma pedra, isso é obra.
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| Bruxedo, much? |
Não sei que poção é que Ms.Lange toma, mas alguma há-de ser porque isso vem de dentro, não se consegue com tratamentos nem cirurgias. Lá está: suponho que Jessica Lange e David Bowie comprem a fórmula da eterna beleza no mesmo sítio. Agora só resta torcer para que o Thin White Duke faça uma aparição na série para o cenário perfeito estar completo. Please?
Monday, October 20, 2014
Alfa, mas com termos.
Já vos contei que sou
É que aquilo,fora os horários doidos, é o ambiente de trabalho ideal: todos são amigos, todos são mentes geniais e todos têm um lado humano extraordinário.
Depois, há um aspecto interessante: cada elemento da equipa, apesar de ter falhas e fragilidades, é um excelente role model. E isso não é muito comum actualmente: as personagens com alguma dimensão costumam ser angustiadas ou no mínimo, anti heróis.
A hacker Penelope Garcia porque é um amor, sempre a ver o lado bom de todo o mundo e a não perder a fé na Humanidade mesmo testemunhando as piores atrocidades; adorava ter aquela mente fabulosa ou vá, que houvesse uma Penelope cá em casa porque o meu jeitinho para engenhocas é igual à minha faltinha de paciência para investigações detalhadas.
A JJ porque é uma excelente esposa e mãe, apesar de ter uma carreira super exigente, e porque mantém sempre uma certa serenidade e compaixão, além de estar sempre gira. Óptimo exemplo para as mulheres!
O Morgan porque apesar de ser o valentão da equipa e de ter aquele ar de modelo da Calvin Klein é um querido, protege toda a gente, passa a vida a levantar a auto estima de meio mundo, é queridinho com as colegas, os meninos desprotegidos e as velhinhas sem abrigo. Há pessoas assim na vida real, não andam é por aí aos pontapés.
Depois há o Hotchner- se o Reid é o rapaz que todas as raparigas deviam namorar, o Hotch é o protótipo de marido perfeito: bonito, sofisticado, responsável, corajoso, metido consigo, com pouca tolerância a disparates e acima de tudo, imperturbável. Não há nada mais apelativo num cavalheiro do que nervos de aço. Os colegas consideram-no "o epíteto do macho Alfa" e apontam-lhe a frieza, mas mind you, os Alfa que valem a pena são os misteriosos que fazem pouco alarde de si próprios.
Não são só as mulheres que ficam mais atraentes quando tagarelam menos...um homem que ouça duas vezes e fale só uma, que seja discreto e ponderado, vale o seu peso em ouro. O resto é basófia.
Dame Angelina Jolie: valores em tempo de crise dos ditos.
Nas últimas semanas tem-se falado bastante em Angelina Jolie, que recebeu de Sua Majestade a Rainha Isabel II a honra de Dama honorária.
A beleza e graciosidade da actriz ao aceitar a Grande Cruz da Ordem de S.Miguel e S. Jorge (usou um tailleur Ralph &Russo e sapatos Ferragamo) lembraram-me outras duas grandes estrelas/senhoras incontornáveis pelo seu estilo e trabalho humanitário: Audrey Hepburn e Grace Kelly.
Sinto sempre algumas dúvidas quando vejo uma celebridade ter uma voz demasiado interventiva em questões sociais ou políticas, mas acho Ms Jolie (ou Mrs. Pitt? Já não sei) inspiradora por três motivos.
Primeiro, o facto de viver realmente aquilo que prega (três crianças adoptivas é testemunho que chegue). Segundo, a serenidade e a forma impecável como se apresenta sempre, que lhe conferem credibilidade: não a vemos a ter discursos inflamados nem a sofrer de síndroma Brigitte Bardot (ou seja, tornar-se hippie só porque está envolvida em causas sérias). Possui um raro sentido de adequação às situações, vestindo com simplicidade para os cenários difíceis que visita, mas sempre imaculada: ela sabe que é a sua imagem que vai chamar a atenção para os problemas que quer mostrar ao mundo e que qualquer desleixo podia ser confundido com "remorsos de celebridade". E terceiro, o notável equilíbrio com que gere uma carreira, uma família, um casamento e o seu trabalho junto das Nações Unidas: é que por muita ajuda e meios que tenha, não pode ser fácil.
Numa entrevista publicada esta semana por uma revista portuguesa, a actriz/realizadora falou da sua amizade com o herói da II Guerra e atleta olímpico Louis Zamperini, cuja vida inspirou o seu último filme, Unbroken. O veterano (que começou por ser um arruaceiro antes de se tornar atleta e de se alistar) ficou muito próximo de Angelina, que conseguiu mostrar-lhe a película antes da sua morte aos 97 anos (visionar um filme com a história da sua vida num leito de hospital dá uma nova e arrepiante dimensão ao termo "ver a vida a andar para trás", mas é bonito mesmo assim).
Unbroken só vai estrear no dia de Natal, mas concordo quando a realizadora diz que este é "um bom filme para ser visto por rapazes de 14 e 15 anos". E pelos rapazes mais velhos também, aposto. A maioria dos jovens deste tempo não tem a mínima ideia do que significava ser jovem naquele tempo. Valores como o sacrifício, o respeito pelos idosos, a fé e o heroísmo deixaram de estar na moda e é bom que alguém fale nisso.
Na era dos Justin Biebers, dos Kardashians e das Casas dos Segredos, alguém que use a malfadada fama para transmitir exemplos de bondade, solidariedade e elegância merece quantas medalhas há.
Sunday, October 19, 2014
Identifique um mau pretendente em 6 passos.
Conhecer pessoas novas é sempre um risco. Mesmo as que parecem ter as melhores referências e/ou um aspecto de confiança podem mascarar um carácter duvidoso, porque na fase da conquista cada um tenta dar a imagem mais favorável de si próprio. Mas há pequeninos quês que descobrem as carecas, por isso basta um pouco de atenção: um profiling básico pode evitar convívios indesejáveis mesmo antes de detectar sinais mais sérios de um maluquinho em potência.
1- Mencione a sua avó, diga-lhe que foi levá-la ao médico e às compras e pergunte pela dele como quem não quer a coisa. Caso ele diga algo do género "que grande seca!" ou lhe conte que está de relações cortadas com os avós por um motivo mesquinho qualquer, fique alerta: nenhum bom rapaz é desrespeitoso com os mais velhos (mesmo que os avós tenham mau feitio ou tenham sido injustos nas partilhas são sempre dignos de respeito, mas pessoas mal formadas não percebem isso). Os avós são assim uma coisa sagrada que só pessoas com valores sólidos acham intocáveis - e nenhuma rapariga de juízo quer estar perto de um desnaturado, muito menos fazer planos com tais pessoas.
2-Pergunte-lhe o que ele pensa das leggings - daquelas de lycra. Ou de outra coisa foleira de bradar aos céus. Se ele não souber o que é isso, óptimo; se detestar, guarde-o, é um homem de valores; se ele disser que gosta de ver nas pessoas que têm corpo para isso...bom, é um rapaz sensato e merece uma oportunidade. Mas se ele responder que adora, e com ar malandro... não pense que é só um caso de mau gosto, com a desculpa "os homens não percebem nada de moda": Tem perante si um desses "homens feministas" que não interessam a uma mulher decente. Provavelmente vai desculpar tudo quanto é mau comportamento, ter gostos muito duvidosos, achar normais os piores descalabros, defender o carácter irrepreensível das strippers, votar nas concorrentes da Casa dos Segredos e ser amigo de meninas com mau ar e hábitos piores...need to say more? Indivíduos assim dizem-se muito liberais com as mulheres só para ter mais chances de acrescentar conquistas fáceis à sua lista. E o pior é que quando tentam assentar com uma mulher honesta e elegante continuam a comportar-se com a mesma falta de respeito que lhe mereciam as outras, por uma questão de costume. As leggings são apenas um exemplo e um pretexto para descobrir se ele é pessoa de fraca moral, capice?
3 - Fale no seu animal de estimação e veja como ele reage. Uma pessoa que não pode com animais tem pouco espírito de responsabilidade e sacrifício, além de muito provavelmente também não gostar de crianças, ou gostar delas para inglês ver (que ainda é pior e mais desonesto) nem de velhinhos, nem de plantas, nem sequer de aturar a namorada se ela tiver uma gripe,quanto mais.
4- Por falar em inglês ver, caso ele seja uma daquelas pessoas fofinhas que passam a vida a partilhar coisas amorosas de meninos doentes nas redes sociais, ou a ser muito solidário com cada caso mediático que aparece, arrebite as orelhas; depois, convide-o para uma iniciativa de solidariedade (mas atenção, tem de ser uma que dê muito trabalho e/ou custe dinheiro e que não renda protagonismo). Se ele se esquivar...não é boa pessoa, só é politicamente correcto. E um palerma que quer dar nas vistas.
5 - A propósito de dar nas vistas, aproveite a regra das nossas avós que rezava "nos primeiros encontros, ouça mais e fale menos; deixe-o falar dele". Arme-se em jornalista, faça perguntas abertas do estilo "o que é que pensa de...? e veja o quanto ele fala efectivamente de si próprio, ou se tem a delicadeza de perguntar alguma coisa sobre si. Se a conversa é eu, eu, eu, eu tenho, eu faço, eu vou fazer, eu fiz, enfim, muita gabarolice a propósito de tudo e de nada - isto acompanhado de um clipping constante dos seus feitos (académicos, profissionais, sociais ou outros) nos social media...fuja a bom fugir, se não morreu de sono com tanto monólogo. As pessoas de maior valor são modestas; estão habituadas aos privilégios, ao êxito e às atenções, logo não procuram constante aprovação e aplauso. Lá diz o ditado "o homem que se elogia a si próprio sabe que ninguém mais o fará" - e se encontrou um desses, está perante um deslumbrado, um arrivista, um fura bolos, ou complexado inseguro, ou uma mistura disso tudo. RUN!
6- Tente perceber o seu conceito de lealdade, perguntando-lhe o que faria se um conhecido ofendesse a sua namorada ou melhor amigo. Arranje um exemplo que pareça casual. Se ele fica neutro como a Suiça, é um papalvo que não está para se maçar, um cobarde, imaturo ou pior: alguém que gosta de ter cada pé em campos opostos, de manter casos paralelos, de alimentar tricas...enfim, uma pessoa a riscar da lista. Quem é amigo de todos não pode ser amigo de ninguém - quanto mais pretendente ou coisa mais séria, Cruzes.
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| Não sei, este rapazinho tem assim um ar de sociopata e onde há fumo há fogo. |
Se ele chumbou em algumas destas perguntas (uma só já é sinal de alarme que chegue, mas há mulheres com vocação para santas)...olho vivo e pé ligeiro.
Saias maxi: 8 dicas para usar sem medo.
As saias compridas estão presentes nas colecções e nas ruas de há uns três anos a esta parte sem que se tenham tornado uma tendência muito evidente. Porém, é natural que venham a ver-se bastante num futuro próximo: a uma moda extrema (saias e calções curtíssimos, neste caso) costuma seguir-se exactamente o contrário. Tem demorado um pouco, mas se a saia lápis já se instalou nos armários de quase toda a gente, podemos esperar que no regresso a uma certa modéstia (e aos anos 90) que temos visto, a maxi se popularize também, e não só para usar nos meses quentes...
Até aos pés ou tea lenght, amplas ou justas, plissadas, em tartan, florais, assertoadas ao estilo Belle Époque, há variantes para todos os gostos e silhuetas.
É preciso ver, porém, que esta é uma peça divertida e romântica, mas não muito prática e que - apesar de cobrir tudo - precisa de alguns cuidados para alongar a figura e ter um ar composto.
Dicas:
1- A não ser que seja um fã empedernida do género (gótica ou hippie, por exemplo) opte por uma saia de tecido versátil ou seja, fresco mas espesso q.b, com uma boa quantidade de algodão. Assim poderá usá-la no Verão e no Inverno, sem a desagradável sensação de ter o vento a levantar o tecido ou a chuva a colá-lo às pernas.
2- Se tem ancas arredondadas, os modelos bem forrados, de cintura subida e mais amplos na bainha são a melhor escolha para criar uma bonita figura em "S" sem alargar o que não devem. O preto é uma escolha clássica... e a mais adequada se não pretende comprar uma colecção de saias destas!
3- A cintura subida e justa q.b. é, aliás, a melhor amiga da saia maxi, porque não só dá a ilusão de uma linha esguia como evita o aspecto desleixado: a ideia é parecer romântica e elegante e não tanto saída do Woodstock. Com a cintura no lugar poupa-se ao "efeito desfraldado" (que nunca é bom mas com tanto tecido pior fica) e poderá usar mais confortavelmente tops curtos (uma das combinações chave para a saia maxi).
4- Se não é alta, atenção à bainha: não convém que arraste pelo chão (o que além de dar cabo da saia a vai fazer parecer mais baixa do que é na realidade) mas também não deve ficar demasiado curta. O ideal é que mostre a ponta dos pés, ou optar por um modelo assimétrico, mais comprido atrás (como no exemplo acima). As versões pelo tornozelo funcionam automaticamente em raparigas altas e magras; em todas as outras poderão resultar bem mas exigem olho vivo e alguma prática para acertar na combinação.
5- O calçado é sempre a parte mais difícil: no Verão não custa nada porque a saia maxi casa lindamente com sandálias rasas estilo romano e já está, mas no Inverno é preciso pensar um bocadinho melhor para não "abafar" a figura nem parecer mascarada para o Halloween.
Saltos médios, biqueiras nem exageradamente redondas nem demasiado pontiagudas, botins e (reservado às adolescentes ou mulheres petite de aspecto muito jovem) botas com um toque militar são boas pistas. O espelho é o melhor conselheiro, pois pretende-se um efeito longuilíneo, sempre.
6 - O perfecto de pele é uma das combinações mais interessantes de ver com saia maxi: dá um aspecto edgy e actual e mantém as proporções equilibradas.
7- Uma abertura pode dar graça à saia e torná-la menos pesada, mas se vai por aí escolha um modelo de uma marca de confiança, com um bom corte e tecido fiável. Escusado será dizer que convém manter as aberturas dentro do bom senso para não ser pior a emenda que o soneto...para saias abertas ao lado e mais soltas, podem ressuscitar-se os alfinetes adequados do tempo da outra senhora.
8- Pode parecer incrível mas uma saia até aos pés não está imune à vulgaridade ou ao aspecto barato: cores deslavadas ou néon, tecidos duvidosos e coleantes e versões "sexy" da saia maxi andam muito por aí e são desastrosas. Se lhe lembra a Kim Kardashian, evite:
S.Tomás de Aquino dixit: vilões de bancada.
"Não se opor ao erro é aprová-lo; não defender a verdade é negá-la."
Vivemos num tempo que parece fácil, mas é muito complicado: o tempo do não te rales, o tempo do não estou para me aborrecer a não ser que isso me renda aprovação pública por parecer interventivo e fofinho, o tempo do é proibido proibir,o tempo do "vai mesmo assim", o tempo do "não se julga ninguém nem que essa pessoa faça as piores asneiras", o tempo do "se tens, exibe, nem que fique feio", o tempo da moral de elástico...uma época sem sal em que quem se atreva a ser o sal da terra (ou seja, menos fofinho e de valores vincados) é uma espécie de extra terrestre.
Afinal ir com as modas e as conveniências e deitar cá para fora aquilo que já se sabe que vai sair, à guisa de Dantas, é muito mais confortável.
Muitos autores, entre os quais Oscar Wilde, defenderam que só os medíocres são populares. É triste mas é um facto: as massas nunca primaram pela esperteza e para ter êxito fácil e ter muitos amigos é preciso dar-lhes o que elas querem ouvir, em vez de as ensinar. E lá dizia o outro, quando o populacho se põe a pensar, está tudo perdido. Por populacho, leia-se carneirada. Para evitar essa desgraça, é preciso que nem toda a gente seja "populacho", que se atreva a raciocinar conforme sente, de acordo com os valores ancestrais que lhe incutiram, e que não vá por ali só porque o pastor mais recente brande o cajado com ar de grandes certezas.
Recentemente um sacerdote muito sábio, que também é um grande filósofo, disse que devemos ser condescendentes com o pecador, mas intransigentes com o pecado. Pois bem, isto não é só para quem é religioso; aplica-se a qualquer pessoa bem intencionada. Temos a obrigação de ser compreensivos com quem erra porque ninguém é perfeito, mas de ainda assim não pactuar com o erro.
Se amigos nossos aderem a modismos reprováveis, tomam atitudes que os comprometem e nós abanamos a cabeça, achamos piada e não os avisamos, seremos melhores do que eles? Se sabemos que uma dada pessoa tem comportamentos viciosos ou corruptos mas continuamos a dar-nos com ela porque nos dá jeito, a tratá-la publicamente com consideração, a associar-nos a ela ainda que de longe, não é isso uma aprovação tácita? E se uma pessoa próxima for vítima de um ataque injusto e não a defendermos, ficando neutros como a Suiça para não melindrar ninguém...onde está a nossa fibra moral?
Não sei se é pior ser declaradamente mau ou ser um mau de bancada, que só por cobardia não faz outro tanto.
Bem reza o povo, tão ladrão é o que vai à horta como aquele que fica à porta. A diferença é só que o ladrão que está de guarda vive na ilusão de que é honesto, por medo de se comprometer ou de se maçar. Diz-me com quem andas....
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