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Sunday, November 2, 2014

Oh Keira cale-se, que é tão bonita.

Via net-a-porter


Quando certas mulheres de hoje em dia querem ser levadas a sério e passar por inteligentes, atiram um monte de palavrões de fazer corar as pedras da calçada com umas ideias de igualdade pelo meio, julgando (sem razão) que fazem uma bonita figura e (aqui têm razão) que os média vão achar muita gracinha.

Puxar da cartada da mulher-zangada-com-o-mundo é garantia de audiências: foi o caso da entrevista super malcriada e sem grande sentido de Keira Knightley à revista da Net-a-Porter. Super adequado: uma pessoa vai para descontrair um pouco a ver imagens e roupas bonitas e leva com agenda política que é uma alegria...eu que a achava tão elegante não podia estar mais desapontada.




 Nunca as editoras da revista escreveram tanto asterisco para disfarçar palavrões, estou certa...e o pior é que o discurso da actriz  não tem pés nem cabeça, ponta por onde se lhe pegue. A pobre jornalista limitou-se a abordar o tópico dos contos de fadas, já que a actriz faz tantos papéis de época e tem todo o tipo físico para isso.

 Vai ela responde isto, em modo regateira da praça de mão na anca:

“I left [FAIRY-TALES] behind. Why should you WAIT for some f***ing dude to RESCUE you?”

 e continua por ali além, por ali além, com argumentos sem jeito nenhum (que até parecia que a moça tinha andado a beber uns copos) sobre o drama que é pôr uma filha no mundo, e que ter uma filha rapariga é um acto político, ec, etc. Calma, Keira, calma, ninguém disse que uma mulher não é capaz de se desembaraçar sozinha, é só que é simpático que um cavalheiro ajude; é caso para uma resposta tão torta? E de onde é que saiu a política no meio disso tudo?

Deviam lavar-lhe a boca com sabão, no mínimo. É que não só este tipo de linguagem e de argumento vago é falar de barriga cheia (deve ser duríssimo ser linda, rica e bem sucedida num país democrático onde as mulheres fazem o que bem entendem, oh vida madrasta) como  dá razão a quem acha que as mulheres deviam ser vistas e não ouvidas. E em casos destes, é impossível não concordar: caladinha é muito mais bonita. Stay put, woman!







E as mulheres preguiçosas atacam de novo.



Acompanhar os feeds de certas revistas e portais femininos pode ser um teste à paciência de quem gosta de pensar pela própria cabeça: é que a agenda feminazi, extremista e "pró beleza real" está por toda a parte, sempre pronta a apontar o dedo a mulheres que, na sua óptica, não são "reais" - leia-se, todas as que sejam mais magras, ou mais em forma, ou tenham cintura, e assim por diante. 

Raparigas e senhoras que vistam tamanhos pequenos porque nasceram assim e/ou que se esforcem minimamente para manter a silhueta... não são reais na cabeça destas pessoas invejosas, mandrionas e lambareiras que não têm mais em que pensar senão nas formas alheias.

Atenção, repito, todas as mulheres são reais e há mulheres bonitas de diferentes tamanhos e formas- mas é isso que as fanáticas da beleza "real" não querem reconhecer. Simplesmente não suportam quem é mais esguia do que elas, pronto.

 E a obsessão pelo "realismo impossível" é de tal ordem que além de implicarem com a Barbie e quererem impingir às crianças bonecas sem piada nenhuma, logo "reais", andam obcecadas com a silhueta das Princesas Disney, a ver se as fazem engordar uns quilos nos sítios errados. Julgava que mulheres adultas eram demasiado ocupadas para perderem tempo com coisas destas, mas pelos vistos enganei-me. 


Vejam a figura em que querem pôr a Ariel, a Pocahontas e companhia:




 Isto como se a cintura da Pocahontas não fosse perfeitamente razoável e ao alcance da maioria com umas boas aulas de Pilates, ou como se a Ariel e a Jasmine tivessem uma imagem mais positiva depois de umas semanas sem comer fruta, verduras e iogurtes, substituindo isso por uns belos canecos de cerveja e todas as comidas que paralisam a barriguinha. Vivá as princesas modernaças que enfardam e se entornam que nem um marmanjo, isso é que é bonito...

 Depois publicaram, como se fosse grande novidade, a "notícia" de que nos anos 30 as estrelas de Hollywood já eram alteradas por um antepassado do Photoshop:


 Não me contive que não comentasse com o que já disse aqui: que não se trata de as mulheres não serem "perfeitas que chegue", mas de as câmaras, na era do digital pior ainda, serem coisas tramadas que endurecem, alargam, acrescentam sombras e centímetros onde eles não existem: para o fotógrafo transmitir exactamente o que está a ver, ou aquilo que imaginou, pode ser necessário ajustar uma coisa ou outra. Todos os exageros são maus, já se sabe, mas fazer dos retoques o demónio é no mínimo ridículo. E houve quem concordasse comigo, dizendo que não tinha pensado nisso...é que a ideia "a beleza é ditadura" está imposta de tal maneira que já ninguém se lembra, ou atreve, a raciocinar de forma mais razoável e menos extremista...


  • Jessi  My Gosh, retouching is not so much about women not being perfect enough, it´s about cameras being tricky and sometimes not catching what the eye sees.
    Like · Reply · 24 · 9 hrs
    • Ste Rose That's actually quite an interesting suggestion that I'd not considered before, so thanks 
      Unlike · 3 · 9 hrs

Se querem pôr-se feias de propósito força, mas não andem por aí a contaminar as nossas crianças e a fazer lavagens cerebrais aos adultos. Estou como o Sherlock Holmes: WHY CAN´T PEOPLE JUST THINK???


Saturday, November 1, 2014

Slingback, o sapato maravilha: sim ou não?

Slingbacks Carolina Herrera (via Man Repeller)


Há dias a blogger Leandra Medine, no seu célebre Man Repeller, queixava-se de que os slingbacks - vulgo sapatos-sem-calcanhar- são adoráveis, mas não funcionam para ela porque a tira que os prende ao pé acaba inevitavelmente por deslizar do sítio, fazendo deles uma coisa híbrida que não é mule nem é sapato.

Verdade, ou quase sempre verdade. Muitos slingbacks (tal como muitas sandálias) sofrem desse pequeno inconveniente, sejam de marcas exclusivas ou mais acessíveis. Mas na qualidade de rapariga com um número a modos que inconfessável de slingbacks no armário, devo dizer que as vantagens compensam de longe os handicaps

Slingbacks Pura Lopez

Esse modelo - assim como os mules e outros tipos clássicos de sapato  - fez um regresso às passerelles e às ruas nos últimos dois anos, acompanhando a tendência ladylike que se instalou. Fiquei felicíssima com a variedade (começava a ficar cansada de tantos compensados e biqueiras redondas) mas mais do que isso, por haver alternativas às sandálias: para quem pés sensíveis, andar de sandálias todo o santo Verão é pedir sarilhos. Outros modelos aparentados, como os D´Orsay, são realmente lindos mas quase sempre dolorosos ao caminhar.

O slingback é fresco, arejado, equilibrado (não empurra o pé para a frente nem para baixo) e mais do que isso, estável e elegante.

Há quem consiga usar sapatos fechados em dias quentes (gostava de saber como) mas eu não sou uma dessas pessoas, logo o slingback faz o efeito "pump fingido"...

  Depois, tem a vantagem da versatilidade: dá um ar cool e polido a um par de jeans, mas usa-se lindamente (escolhendo o salto certo) com um vestido ou saia. A minha colecção inclui uns quantos nude, pretos, castanhos, you name it: o importante é escolher a marca certa e, em caso de amores à primeira vista cuja tira desilude, levá-los a um bom sapateiro.

Slingbacks vintage, Charles

E mais do que tudo,  prestam-se a Primavera, Verão e dias amenos de Outono. Chovisca um pouco? O slingback aguenta. Faz calor, mas não apetecem sandálias? O slingback é o sapato certo. 

 Os pares preferidos lá em casa são Bruno Magli e Maud Frizon, ax aequo com um da Zara  por quem ponho os pés no fogo (talvez mercê de um engenhoso velcro no calcanhar). É que os danadinhos já me acompanharam por passeios, dias de trabalho extenuantes, tardadas de compras e procissões sem torcer, amolar nem magoar.
(A Zara, se houver o cuidado de escolher bem os materiais, costuma ser uma marca fiável e com sapatos resistentes, logo é uma boa opção de qualidade-preço para quem quiser experimentar sem investir horrores).

 Por isso, acho que Leandra Medine não está bem a ver o cenário na sua totalidade. Uma tirita aborrecida que se remedeia facilmente não é motivo para deixar de parte um leque de comodidades tão grande. Mas isto, os gostos e as embirrações não se discutem...



Edward Mordrake, o "Príncipe" de duas caras


Começo a achar que American Horror Story me lê os pensamentos, ou que os produtores da série lêem o meu diário (o que seria ainda mais estranho porque não tenho um); o mais certo é eu ter muitos gostos em comuns com eles, deixemo-nos de coisas.
Depois de Coven e de trazerem David Bowie a um circo de aberrações - tema que me intriga desde pequena: sabiam que nos anos 60 ainda havia dessas coisas por cá? Sim, a minha família conta histórias dessas, havia realmente circos com o Homem mais Alto do Mundo, a Sereia e a Mulher Barbuda dentro de uma jaula - de quem é que se lembraram? 


De Edward Mordrake, personagem (pois não se sabe ao certo se existiu ou não) realmente fascinante. 

 Fascinante estilo filme de terror mas enfim, gostos são gostos e estamos em época disso.

  Supostamente, Edward Mordrake, que viveu em finais do sc. XIX, era um belo e gentil fidalgo, herdeiro de uma das melhores famílias de Inglaterra e de numerosos títulos. Riquíssimo, talentoso e muito inteligente - era um músico e estudioso dotado - o pobre Edward tinha um grave problema: uma segunda cabeça na nuca. 


O seu rosto normal era lindíssimo e de expressão grave, mas a "segunda face" era má como as cobras. Não falava nem comia mas fazia caretas, mexia os lábios com expressão malvada e segundo Edward, murmurava constantemente coisas infernais, especialmente à noite. O desafortunado rapaz tentou por todos os meios ver-se livre do seu "gémeo maligno" mas a Medicina da época nada pôde fazer por ele. Envenenou-se aos 23 anos, deixando por escrito um pedido para removerem a carantonha, não fosse ela continuar a torturá-lo no Além. 

 Em American Horror Story, Mordrake, interpretado por Wes Bentley, é uma elegante alma penada que percorre os circos de aberrações procurando companheiros para a sua trupe dantesca no Outro Mundo, servindo ao mesmo tempo de justiceiro, confessor e redentor.     Deram-lhe uma dimensão de herói Byroniano atormentado com o visual de um Dorian Gray, o que não podia ser mais interessante...embora os morenos misteriosos sejam sempre de desconfiar.


 Dito isto, Edward Mordrake, a ter existido, seria uma pessoa no mínimo complexa - ou não. É que bem vistas as coisas, o único problema dele era ter duas caras (uma delas cruel e viciosa)...à vista desarmada. Não faltam por aí cavalheiros semelhantes, com o mesmo problema, só que escondido. O pobre Edward, que até era bem intencionado, só não conseguia enganar ninguém...

Também nisto a série não deixa escapar a analogia: Dandy, a pior aberração de todas, é um jovem riquinho, betinho, lindinho, perfeitinho (outro moreno misterioso, estão a captar a lógica?) mas mimado, desaparafusado e capaz das maiores tropelias. 


 Por vezes os piores monstros estão escondidos lá dentro. Até podem dar sinal numa cara bonita, numa postura angelical, mas quase sempre é demasiado tarde. E isto de lados lunares quanto mais cedo se revelarem, melhor...





Friday, October 31, 2014

"Aquele que escapou" é só um mito.


Será rara - e sortuda - a pessoa que não conta no seu percurso de vida com "the one who got away". 

Ou em português, aquele (a) que escapou. Por tão pomposo e pungente título entenda-se aquele (a) namorado (a), ou pretendente-que-não-chegou-a-namoro, que deixou algumas recordações ou que pelo menos, provoca as malfadadas perguntas "e se?" ou "se ao menos..." quando uma pessoa se senta a fazer o péssimo exercício de lembrar o passado ou ver a sua vidinha a andar para trás.


 Aquele que escapou é o relacionamento que parecia perfeito: é o amor da sua vida ou pelo menos, o número dois no top dos relacionamentos marcantes -  mas por qualquer razão não funcionou e  deixou sempre certa magoazinha (se acabou mal e foi intenso) ou certo remorso (se acabou pacificamente e a pessoa até era impecável).


 Há sempre uma tendência para idealizar essas relações que se finaram antes de cumprirem o seu potencial máximo ou, mais provavelmente, de murcharem e fenecerem (reparem que termo tão bonito!), coisa que aconteceria inevitavelmente se tivessem durado mais um bocadinho. Esse raciocínio infeliz vem geralmente acompanhado de algum complexo de culpa, porque quando não se sabe justificar os desaires tende-se a deitar as culpas a si próprio: ao menos há alguma explicação, nem que seja dizer "ai que eu só faço asneiras, estrago sempre tudo".


 Mas a verdade é que o tempo ensina muita coisa. E relativiza tantas outras.


 Há certos ex namorado (a)s ou ex pretendentes com quem, mercê dos anos, até a pessoa menos adepta dessas cortesias (lá dizia Lord Byron, a amizade pode transformar-se em amor mas nunca o contrário) consegue manter uma relação civilizada.


 São aquelas pessoas a quem já se conhecem tão bem as qualidades e os defeitos que, sanadas as partidas e as desfeitas, isso já não faz confusão. E isso pode, sim senhora,

 dar-se com aquele (a) que escapou. Ora sob a forma de uma cordialidade perfeitamente inócua, ora com alguma picardia ou  flirt amigável pelo meio, que ambos (ou pelo menos uma das partes, que os homens têm uma grande imaginação) sabem perfeitamente que nunca levará a lado nenhum porque (pelo menos de um dos lados) foi chão que deu uvas.

 E são esses casos que permitem analisar o paradigma com objectividade: aquele (a) que escapou é quase sempre um mito. Observando a pessoa fria, racional e *uso literal do termo* desapaixonadamente, percebem-se - porque o carácter raramente muda muito - os defeitos e falhas que levaram a que as coisas acabassem como acabaram.


 A paciência não se esgotou por acaso. 


Não foi culpa das circunstâncias, nem dos astros, nem dos deuses que tinham inveja de tão grande amor e trataram de punir os dois apaixonados. Ná.


 O rapaz (quem quiser, leia rapariga) que era indeciso, o que era preguiçoso, o que não sabia com que linhas se cosia, o que não devia nada à coragem, o malandreco, o namoradeiro, o imaturo, o egoísta, o fraco, o controlador, continuará, por muito bom moço que seja, a manifestar esses comportamentos. Alguns poderão evoluir, mas a mudança raramente é assim tão grande. 


 Eis uma benesse das redes sociais, que nos permitem manter contacto com as pessoas que fizeram parte do cenário. No tempo das nossas avós uma mulher podia chorar em segredo a vida toda pelo Zé da esquina, que foi para a tropa e nunca mais deu novas, ou um homem pela Mariazinha, que a família convenceu antes a casar com o Joaquim da farmácia que era mais rico.


 Hoje não: o Zé da Esquina e a Mariazinha deixam de fazer parte da lenda pessoal de cada um, porque estão vivos e de saúde à frente dos olhos, com todas as manias, defeitos e tolices que levaram a que saíssem de cena. 


 E tem-se a extraordinária revelação de saber que não se perdeu nada. Que o mais certo é ter-se escapado de uma sensaboria ou coisa pior. Pouco romântico, mas altamente libertador.

A Princesa Bailarina (porque máscaras, todos temos)


Nesta data em que a velha tradição celta de usar máscaras para se confundir com as almas de outro mundo que andam por aí à solta faz um regresso cada vez mais visível aos países europeus, é curioso pensar nas máscaras que a vida nos obriga a usar.

 Mesmo as pessoas mais honestas e sinceras usam uma, ou mais, no seu dia a dia. Nem sempre se pode dizer o que se pensa, mostrar o que se sente ou usar todo o  potencial de que se é dotado (a). 

  Há também muita gente a quem a vida, por força das circunstâncias, rouba a verdadeira identidade, obrigando à construção de uma personagem totalmente nova. Foi o caso da Princesa Curda Leila Bederkhan, que nos anos 1930 se tornou uma estrela da Dança: a História tem bastantes casos de mulheres do palco que casaram com grandes Senhores, tornando-se titulares ou mesmo princesas; com Leila deu-se o inverso. Princesa de sangue, fez-se bailarina e deslumbrou as audiências, reinando nos grandes palcos mundiais.




Nascida com a sua Pátria, o Curdistão, já dividida entre vários países diferentes, Leila vivia como uma refém privilegiada em Istambul: o seu trisavô, soberano dos Curdos, fora nomeado  Camarista Real pelo Sultão, mas no coração dos descendentes nunca deixou de vibrar o desejo pela reconquista do trono. O pai de Leila, o Príncipe Abdurezzak, Emir do Curdistão, recusou casar com uma linda fidalga turca, unindo-se a uma mulher curda da sua estirpe; e apesar de receber as atenções e amizade do Sultão Abdul Hamid, seu soberano,  à porta fechada conspirava para reaver a independência ancestral. Foi descoberto, porém - e executado no próprio palácio. Leila e a mãe lograram fugir levando algumas jóias de família e com a ajuda de amigos, foram postas a salvo em Paris.


  Na capital francesa, a princesa exilada recebeu a educação mais esmerada que os meios algo modestos lhe permitiam: falava francês e italiano fluentemente e quem a via não reconhecia nela uma princesa oriental; parecia uma parisiense perfeita, de ar distinto e cosmopolita. A sua ambição era formar-se em Medicina - e assim teria sido se, num espectáculo organizado pelos colegas onde Leila mostrou os bailados das suas antepassadas, não estivesse um grande nome da Ópera de Paris, Aida Boina. A artista ficou de tal maneira deslumbrada com o talento da princesa que a convenceu a tentar antes a vida no palco, prometendo encaminhá-la rumo ao  estrelato. 


 E cumpriu: após frequentar o Conservatório, Leila Bederkhan, Princesa do Curdistão, estreou-se na Ópera com retumbante sucesso. Seguiram-se os grandes palcos mundiais - Milão, Nova Iorque - e a todos conquistou com as encantadoras danças da sua terra, executadas com  transporte e génio. No palco, transfigurava-se. O êxito, no entanto, não lhe chegava sem amargos de boca: havia quem não gostasse de a ver executar danças religiosas em palcos profanos. De Istambul, do Cairo, de outras paragens ainda, chegavam-lhe ameaças de morte. Leila ignorava-as: já tinha visto a morte à frente dos olhos; nada a assustava a não ser o fracasso.

 Nunca olhou para o passado: se nos momentos menos bons lamentava o esplendor perdido da família, por outro lado sentia-se afortunada por viver como uma jovem independente, longe da submissão imposta às mulheres da sua condição. Senhora do seu destino, disse várias vezes só lhe interessar a Coroa da Arte.
 Não deixava, porém, de ser uma verdadeira Princesa: as máscaras e as circunstâncias não podem mudar o que vem de berço, nem a qualidade da alma de cada um...









Thursday, October 30, 2014

Queixar-se educadamente e ser uma Senhora na era das redes sociais.


Nos dias que correm muitas regras de saber estar do antigamente foram pelos ares e por isso às vezes já ninguém sabe muito bem como proceder ou pior, há quem confunda gentileza com passividade. No entanto never fear, ainda vão sobrevivendo publicações com textos realmente inspiradores. Diz a Tatler, sobre a arte de se queixar sem ser desagradável:


"Do not complain about things that cannot be solved; do not complain if you do not get exactly what you want right now; do not complain about things that can be solved but you haven't summoned up the gumption to solve; do not complain about things that were your own fault; do not complain to someone angrily about something that is not their fault; do not complain to someone who is doing their very best to help you but is just incredibly busy".


É fácil, basta não se queixar por desporto nem descarregar nas pessoas que, coitadas, fazem o que podem.

 Quanto à postura que uma rapariga de juízo deve manter nas redes sociais, à falta de manuais actualizados a Town & Country explica o básico do bom senso: é só evitar mexericos, ser discreta, dizer os "por favor" e "obrigadas" da praxe, guardar as gabarolices para si, garantir que as saias cobrem o que devem e não publicar retratos que a sua avozinha reprovasse. O que resumido contraria o que muita gente pensa..."what happens on Facebook, stays on Facebook". Ná. O Facebook não é Las Vegas, logo não convém fazer num espaço público, ainda que virtual, o que seria embaraçoso fazer, dizer ou apoiar noutro sítio qualquer.

 Devia haver cópias de certas revistas nas escolas e colégios...



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