1 - "Liv's inherent elegance and gentility make you want to be a gentleman in her presence." - dito pela Town & Country a propósito do editorial (e capa) deste mês com Liv Tyler.
Não há muitas mulheres famosas de quem se possa dizer isto actualmente. A elegância, a discrição e a modéstia femininas (qualidades que convidam ao cavalheirismo e impõem um respeito que discursos inflamados jamais igualarão) são cada vez mais raras, e por isso ainda mais preciosas. É um alívio saber que sobrevivem publicações que realçam aquilo a que as mulheres devem aspirar e que colocam bons exemplos nas suas páginas, em vez de cederem ao status quo muito democrático e permissivo que tem manchado as melhores revistas.
2- Um esteta nunca se entedia demasiado. Basta ter um pouco de imaginação e olhar atento para encontrar coisas bonitas nas situações mais triviais. Hoje, numa paragem de autocarro, vi de uma assentada uma senhora de idade janotíssima, com o bâton laranja mais maravilhoso (precisei de me conter para não lhe perguntar de que marca era!) e uma jovem com uns olhos dourados incríveis, que merecia estar numa revista. É nestas alturas que tenho pena de este blog não ser do estilo Sartorialist e de não ter lata para andar por aí, a retratar certas pessoas que nos recordam que há beleza no mundo.
3- Acompanhei uma amiga às compras e foi necessário fazer uma troca de um artigo que ela tinha acabado de pagar.
A gerente, rapariga com um estilo muito engraçado e bastante prestável, lá andou às voltas com a maquineta enquanto mostrava ao novo colega (um rapaz tímido com o típico ar de quem adora moda) como se faziam aquelas trocas e baldrocas. Não havia mais clientes ao balcão e a loja estava mais calma do que o costume - o cenário menos provável para clientes idiotas. Pois bem, chega atrás de nós uma senhoreca a pretender passar por benzoca (e estou como a Tia Pureza Teixeira da Cunha, há poucas coisas piores que uma "senhora" falsa) com a filha, a falar alto para quem queria ouvir com um ligeiríssimo sotaque de Terras de Vera Cruz. As duas com um ar muito cheio de si e muito satisfeito. Pois a mãe entendeu que o rapaz havia de lhe despachar a conta para ela se ir embora depressa, e a gerente explicou que a caixa já estava a ser usada para me fazer a troca por isso não podia ser.
"Mas o seu colega está aqui parado sem fazer nada!" - disse a cliente, cada vez mais parecida com uma galinha da Índia. A funcionária lá lhe voltou a explicar que o procedimento não podia ser esse, que só levava um instantinho e que teria de esperar pela sua vez. E isto em coisa de três minutos, se era lá caso para alguém se impacientar. Mas a mulher, que devia ser daquelas que gostam de mandar em tudo - e quer-me parecer, que fazem justiça ao ditado nunca sirvas quem serviu - não se calou: que era uma má gestão de recursos, uma falta de eficácia e outras palavras caras.
Como ninguém ligou nenhuma às suas retóricas, acelerou e apesar da filha que lhe fazia sinais, já envergonhada, desata a falar como se as pessoas não estivessem lá, "que eram uma cambada de burros porque se fossem inteligentes não estavam atrás de um balcão" - o que com o panorama do país, só pode ser uma piada de mau gosto.
Pois apostava convosco que quando ela era nova há-de ter estado atrás de um balcão, e não há-de ter sido de modas e elegâncias...aquela linguagem não se aprende em casa a tocar piano e a falar francês...
Continuou assim por um bom bocado, com a cobardia de quem acha que pode pisar alguém só porque essa pessoa não lhe pode responder e é obrigada a atendê-la- e o rapazinho cada vez mais pálido. Eu cá estava digo alguma coisa, não digo alguma coisa, com uma vontade imensa de lhe explicar que aquilo não eram atitudes dignas de uma senhora daquela idade, mas até me parecia indigno dirigir a palavra a tal criatura porque a avó sempre me ensinou que com mulheres descontroladas não se discute. Limitei-me a lançar-lhe uma cara de poucos amigos e a dizer ao moço, mal a hárpia virou costas "por favor faça ouvidos moucos que a senhora não sabe o que diz!".
É uma pena a educação não estar à venda nos centros comerciais, como os bâtons, as meias e o resto...



















