Wednesday, November 12, 2014
Moral do café, dos zombies, do ioga e do sumo de laranja (porque a moral anda em toda a parte)
1- Esqueci-me de comprar cápsulas de café; como recorri às reservas em pó do dito cujo acabei com esse também e tive de sair de propósito para ir buscar mais.
Quando voltava do supermercado, comentei lá em casa que se não existisse café era o fim do mundo...e perguntaram-me que faria eu se vivesse no universo de The Walking Dead, onde mesmo que se apanhe café em pó e filtros dificilmente há tempo para tomar o pequeno almoço em termos todos os dias.
Respondi que das duas uma: ou era das primeiras a marchar porque ficava tão mona pela manhã que um morto vivo me pilhava logo, ou então, como eu própria sou uma espécie de zombie até beber café, eles me tomavam por um deles e não queriam nada comigo. Argumentou-se que a adrenalina da luta pela sobrevivência seria um substituto aceitável para a cafeína, mas fiquei cá com as minhas dúvidas.
E isto, eu que nem tomo muito café (um pela manhã e pouco mais). Imagino os viciados...era uma mortandade.
2- Quando andava à procura das cápsulas, passam dois rapazotes a comentar entre si
"qualquer dia compro sumo de laranja e embebedo-me!". Olá, esta nunca tinha ouvido. Fiquei na dúvida se me escapou algum ingrediente que pretendiam juntar ao sumo ou se ando desactualizada e se trata apenas de uma expressão de desalento, na linha
apetece-me gritar e comer ameixas verdes ou só me apetece trepar aos pinheiros (ou aos postes) e faltar ao respeito às pinhas (ou às lâmpadas).
Antes isso do que dizer palavrões, sempre dá que pensar a quem passa.
3 - Diz a Tara Stiles (instrutora de ioga com cara de elfazinha do Senhor dos Anéis que é um amor e eu recomendo muito!), quando um movimento é difícil de executar, "não faz mal se os vossos braços tremerem; só quer dizer que têm braços!".
Agrada-me bastante este tipo de lógica: se alguma coisa é difícil, custa, dói, dá trabalho, nos obriga a correr e sofrer, só significa que nos faz sentir vivos. E temos de aplicar a fórmula gentil que a Tara recomenda, de ir tentando sem crispação. Lá porque dói, não quer dizer que tenha de ser um calvário. É preciso dar o desconto a nós mesmos, dar o desconto aos outros, puxar todos os dias um bocadinho até que o esforço seja substituído por uma emoção mais agradável. O que for, logo se vê.
7 toilettes à prova de situações limite
Uma mulher competente nunca se atrapalha, nem mesmo perante os maiores desafios. E se atrapalhar...não o demonstra, claro!
Como o hábito faz o monge sim senhora - ou pelo menos ajuda muito - usar as suas habilidades na arte do disfarce (ou seja, o seu sentido de estilo) pode contar 50% para um bom desempenho em situações marcantes, stressantes ou constrangedoras. Com nervos de aço e um pouco de imaginação, qualquer Bond Girl vai parecer uma principiante ao pé de si. Vejamos os melhores (e mais simples) atavios para ocasiões de deixar qualquer uma à beira de um fanico. Qualquer uma menos a menina, claro.
Seja o primeiro emprego, o emprego que vai definir todo o percurso da sua carreira nos próximos cinco anos, ou o cargo para o qual tem batalhado nos últimos três.
Um sheath dress de decote fechado q.b. (de manga 3/4 ou pelo punho) é uma escolha à prova de erro: feminino e elegante mas não demasiado delicado, favorece todas as silhuetas e sendo uma peça só, não vai desviar-lhe preciosa a concentração para pensar o que combina com o quê ou se a camisa amarrota e sai para fora das calças ou da saia. Também é menos "postiço" do que um fato - caso não esteja acostumada a usar um todas as semanas - e dependendo dos acessórios e do calçado, adapta-se a um dress code formal ou criativo. Preto é uma escolha segura, mas se lhe parece demasiado dramático opte por azul marinho. Ambos passam uma mensagem meaning business, chic mas sem dar a entender que perde tempo com futilidades.
2 - Primeiro encontro (informal)
Já gostam um do outro há imenso tempo mas só agora as coisas entre vocês começam a ficar oficialmente românticas - ou conheceu uma pessoa fantástica e algo lhe diz que se pode tornar especial. O que importa é que já há muito não se sentia tão contente e que este encontro pode ser decisivo.
Como apenas querem passar algum tempo juntos, o programa mais natural será um passeio no parque, evento ao ar livre ou um pulinho a um bar - nada que intimide. Para isso não é necessário nada elaborado.
Poderão ter de caminhar, por isso é de evitar saltos que a façam tropeçar (num cenário perfeito ele podia fazer de herói e salvá-la de uma queda num movimento hollywoodesco, mas não nos fiemos na sorte). Além disso convém que esteja bonita mas natural, sem parecer que se esforçou demasiado - e confortável q.b, para deixar transparecer o seu encanto natural.
Poderão ter de caminhar, por isso é de evitar saltos que a façam tropeçar (num cenário perfeito ele podia fazer de herói e salvá-la de uma queda num movimento hollywoodesco, mas não nos fiemos na sorte). Além disso convém que esteja bonita mas natural, sem parecer que se esforçou demasiado - e confortável q.b, para deixar transparecer o seu encanto natural.
Na escolha do visual, pode inspirar-se em Miranda Kerr e Olivia Palermo, duas it girls que dominam na perfeição toilettes que agradam a ambos os sexos- fashionable, mas não man repeller!
Um top ou camisa cingido ao corpo, skinnies escuras, um casaco ou poncho fofinho mas elegante, ligeiramente solto e botas longas são sempre uma opção vencedora. Porquê? Porque botas compridas, desde que discretas, são sexy sem cair na caricatura e é algo que a maioria dos cavalheiros aprova. (Nota: nos meses quentes, substituir as botas por umas "nude sandals" que mostrem bastante do pé; o efeito é mais ou menos o mesmo). Depois, eles acham graça a casacos com pêlo e carapuços. Despertam-lhes sentimentos carinhosos e são uma óptima desculpa para tentar uma aproximação (o momento "ai que gola tão fofinha" - percebe?).
Junte-se a isto uma maquilhagem natural e cabelo solto - a maior parte embirra com carrapitos e outras fantasias, por isso nem vale a pena perder tempo.
3- Encontro romântico importante
Reconciliação com o amor da sua vida, aniversário, ocasião especial ou potencial pedido-para-passar-ao-próximo-nível. Este não é o momento para passar despercebida: é um encontro romântico, provavelmente memorável se tudo correr pelo melhor...por isso convém que lembre ou confirme a mulher de sonho que ele teve a sorte de encontrar (deixe a humildade para outro dia, uma vez por outra não faz mal).
Feminilidade é o caminho certo neste tipo de ocasiões, porque convida ao cavalheirismo. Ele vai ficar todo contente por lhe dar uma ocasião de ser protector e por sentir que tem uma "bonequinha" a seu lado.
De acordo com o seu tipo de corpo e o seu estilo, um vestido muito feminino numa cor doce ou vibrante é a aposta mais adequada (mais ou menos elaborado dependerá do seu gosto, do gosto dele e do local onde vão).
Escolha um modelo com que se identifique e favoreça a sua silhueta: se não usa vestidos com muita frequência, opte por um um shift dress ou vestido envelope; caso as pernas sejam o seu melhor atributo e prefira um ar mais juvenil, um shirt dress acima do joelho é sempre boa ideia; se já é uma diva do vestido e tem algumas curvas, o clássico sheath num tom quente ou padrão floral nunca deixou ninguém em maus lençóis; e se prefere um look realmente romântico e/ou quer disfarçar ausência ou excesso de anca, não há melhor desculpa para usar os modelos balão, estilo New Look, que agora são tendência.
Não se esqueça dos saltos mais elegantes em que se conseguir equilibrar e de uma bonita lingerie: mesmo que não se veja, você sabe que lá está.
4- Reunião de negócios que vai mudar a sua vida
![]() |
| I |
Optar por uma silhueta clássica (I) ou descontraída (II) dependerá do tipo de negócio em causa, mas esqueça os looks apagados. Saia lápis com uma blusa especial (que pode ser acetinada) num tom claro/rico ou padrão marcante e uns stilettos memoráveis é uma escolha elegante para ambientes convencionais.
![]() |
| II |
5 - Conhecer os pais dele
6- Festa...com presença de uma persona non grata
Há um evento onde precisa mesmo de estar, mas fica a saber que vai dar de caras com a eterna rival de faculdade, o ex que veio do inferno, o ex-chefe que lhe fez a vida negra, a arqui-inimiga de estimação, enfim... com uma némesis (ou mais do que uma, cruzes!) cuja existência só lhe importa para mostrar que está melhor do que nunca.
Cancelar não é opção nem você é cobarde, por isso só lhe resta recorrer à arte do disfarce para enfrentar esse purgatório o melhor possível - estilo revenge dress em modo Lady Di, mas com toda a subtileza para que ninguém sonhe que se maçou com isso.
Pense que o pânico é provavelmente mútuo e o mais certo é a persona non grata descabelar-se na escolha da fatiota sabendo que você vai lá estar, por isso nada como trocar-lhe as voltas. Se for uma mulher vai quase de certeza tentar ofuscá-la com cores vivas e trapinhos que não deixem nada à imaginação - problema dela.
Em situações aborrecidas destas, nada como o negro declarado: nobre, sofisticado, discreto que chegue para se sentir segura de si e porque não, um bocadinho sinistro, não vá o diabo tecê-las. A dúvida está apenas no toque: como se sente mais poderosa, muito feminina ou com uma vibração masculina? Um vestido clássico com um bonito decote ou em alternativa, um smoking de senhora - acompanhados de uns pumps de salto fino e ligeiramente pontiagudo - garantem a dose necessária de terror (é triste precisar de fazer isso- paciência) e passam a mensagem "nem se atreva a chegar perto!" sem denunciar insegurança. Complete com um brushing simples, bâton encarnado e let the games begin.
Em situações aborrecidas destas, nada como o negro declarado: nobre, sofisticado, discreto que chegue para se sentir segura de si e porque não, um bocadinho sinistro, não vá o diabo tecê-las. A dúvida está apenas no toque: como se sente mais poderosa, muito feminina ou com uma vibração masculina? Um vestido clássico com um bonito decote ou em alternativa, um smoking de senhora - acompanhados de uns pumps de salto fino e ligeiramente pontiagudo - garantem a dose necessária de terror (é triste precisar de fazer isso- paciência) e passam a mensagem "nem se atreva a chegar perto!" sem denunciar insegurança. Complete com um brushing simples, bâton encarnado e let the games begin.
7- Todas as manhãs em que não faz ideia que diabos vai vestir
Ocasiões limite podem surgir a qualquer momento, e lá dizia Coco Chanel que nunca sabemos quando temos um encontro com o destino. Como ninguém quer enfrentar o destino desarranjada, o melhor é ter algumas toilettes de emergência sempre pensadas...ou prontas. O estilo modelo à paisana nunca falha, mas se quer algo mais sofisticado para trabalhar ou reunião/encontro de última hora, vá pela calça cigarrete subida + camisa branca + sapato especial (calçar algo lindo ajuda sempre a ultrapassar um mau dia). Caso esteja de fim de semana ou folga, uns boyfriend jeans moderados, uma camisa de xadrez com dois botões abertos e uns sapatos ou botins elegantes - altos ou baixos, desde que o modelo alongue a silhueta - fazem o truque.
Alea jacta est... boa sorte!
Tuesday, November 11, 2014
Três notas da semana: o belo e o feio.
1 - "Liv's inherent elegance and gentility make you want to be a gentleman in her presence." - dito pela Town & Country a propósito do editorial (e capa) deste mês com Liv Tyler.
Não há muitas mulheres famosas de quem se possa dizer isto actualmente. A elegância, a discrição e a modéstia femininas (qualidades que convidam ao cavalheirismo e impõem um respeito que discursos inflamados jamais igualarão) são cada vez mais raras, e por isso ainda mais preciosas. É um alívio saber que sobrevivem publicações que realçam aquilo a que as mulheres devem aspirar e que colocam bons exemplos nas suas páginas, em vez de cederem ao status quo muito democrático e permissivo que tem manchado as melhores revistas.
2- Um esteta nunca se entedia demasiado. Basta ter um pouco de imaginação e olhar atento para encontrar coisas bonitas nas situações mais triviais. Hoje, numa paragem de autocarro, vi de uma assentada uma senhora de idade janotíssima, com o bâton laranja mais maravilhoso (precisei de me conter para não lhe perguntar de que marca era!) e uma jovem com uns olhos dourados incríveis, que merecia estar numa revista. É nestas alturas que tenho pena de este blog não ser do estilo Sartorialist e de não ter lata para andar por aí, a retratar certas pessoas que nos recordam que há beleza no mundo.
3- Acompanhei uma amiga às compras e foi necessário fazer uma troca de um artigo que ela tinha acabado de pagar.
A gerente, rapariga com um estilo muito engraçado e bastante prestável, lá andou às voltas com a maquineta enquanto mostrava ao novo colega (um rapaz tímido com o típico ar de quem adora moda) como se faziam aquelas trocas e baldrocas. Não havia mais clientes ao balcão e a loja estava mais calma do que o costume - o cenário menos provável para clientes idiotas. Pois bem, chega atrás de nós uma senhoreca a pretender passar por benzoca (e estou como a Tia Pureza Teixeira da Cunha, há poucas coisas piores que uma "senhora" falsa) com a filha, a falar alto para quem queria ouvir com um ligeiríssimo sotaque de Terras de Vera Cruz. As duas com um ar muito cheio de si e muito satisfeito. Pois a mãe entendeu que o rapaz havia de lhe despachar a conta para ela se ir embora depressa, e a gerente explicou que a caixa já estava a ser usada para me fazer a troca por isso não podia ser.
"Mas o seu colega está aqui parado sem fazer nada!" - disse a cliente, cada vez mais parecida com uma galinha da Índia. A funcionária lá lhe voltou a explicar que o procedimento não podia ser esse, que só levava um instantinho e que teria de esperar pela sua vez. E isto em coisa de três minutos, se era lá caso para alguém se impacientar. Mas a mulher, que devia ser daquelas que gostam de mandar em tudo - e quer-me parecer, que fazem justiça ao ditado nunca sirvas quem serviu - não se calou: que era uma má gestão de recursos, uma falta de eficácia e outras palavras caras.
Como ninguém ligou nenhuma às suas retóricas, acelerou e apesar da filha que lhe fazia sinais, já envergonhada, desata a falar como se as pessoas não estivessem lá, "que eram uma cambada de burros porque se fossem inteligentes não estavam atrás de um balcão" - o que com o panorama do país, só pode ser uma piada de mau gosto.
Pois apostava convosco que quando ela era nova há-de ter estado atrás de um balcão, e não há-de ter sido de modas e elegâncias...aquela linguagem não se aprende em casa a tocar piano e a falar francês...
Continuou assim por um bom bocado, com a cobardia de quem acha que pode pisar alguém só porque essa pessoa não lhe pode responder e é obrigada a atendê-la- e o rapazinho cada vez mais pálido. Eu cá estava digo alguma coisa, não digo alguma coisa, com uma vontade imensa de lhe explicar que aquilo não eram atitudes dignas de uma senhora daquela idade, mas até me parecia indigno dirigir a palavra a tal criatura porque a avó sempre me ensinou que com mulheres descontroladas não se discute. Limitei-me a lançar-lhe uma cara de poucos amigos e a dizer ao moço, mal a hárpia virou costas "por favor faça ouvidos moucos que a senhora não sabe o que diz!".
É uma pena a educação não estar à venda nos centros comerciais, como os bâtons, as meias e o resto...
Ofensa em pó: you´re so vain.
Qualquer pessoa que tenha a sorte de se destacar (ou a pouca sorte, que isto é como na fábula chinesa, nunca se sabe ao certo se os favores ou partidas da Fortuna podem esconder outra coisa) arranja logo uma data de detractores.
Lá diz o tio Eça que uma pessoa deve ter apenas os inimigos necessários para confirmar uma superioridade, e o velho adágio que só os medíocres não têm antagonistas.
É preciso estar muito mal na vida para não ser invejado nem sofrer as implicâncias de ninguém - e olhem que é difícil, porque existem sempre os que não podem ver uma camisa lavada a um pobre. Por isso, se um ser irritante implica freneticamente convosco, sintam-se afortunados: há alguém que acha que a vossa vida parece glamourosa que chegue para se sentir incomodado (a) com isso.
Só os medíocres são 100% populares, porque não ameaçam quem quer que seja e acabam por ser úteis: podem fazer de fantoches se colocados em posições de poder,servir os interesses deste ou daquele sem ofuscar e ser convenientemente retirados do caminho no momento certo.
De resto, é inevitável não agradar a todos. Não é nada de pessoal e muitas vezes, isso não diz o que quer que seja do carácter de cada um. Se calha alguém ter algo ou estar numa posição que outros ambicionam, zás - de nada vale ser uma pessoa bondosa e honesta, comportar-se modestamente, ter um prémio de virtude ou até responder ao mal com o bem, na tentativa de mostrar que não é assim: simplesmente há casos em que não podem estar todos contentes e temos de saber viver com isso, evitando o mais possível picardias ridículas e deixando as atitudes feias com quem as pratica.
Porém, às vezes não é fácil, e para uma mulher é particularmente complicado. Se uma mulher sobressai - ou pela carreira, ou pelo talento, ou pela beleza, ou pela cara metade que tem a seu lado ou por uma combinação de factores - há três insultos possíveis. Ou uma mistura dos três.
a) É uma sedutora implacável, uma Dalila perversa.
b) É uma megera, uma virago crudelíssima.
Mas se nada disto for plausível porque a pessoa em causa é discreta, não responde a provocações e não faz maldades que se vejam, never fear. Há sempre o bom, velho, instantâneo e superficial insulto da vaidade, especialmente se a rapariga em causa for direitinha e arranjadinha:
c) É uma peneirenta muito cheia de si mesma, que não gosta de ninguém a não ser dela própria.
Touché, basta abrir o pacote e juntar água, nunca falha.
É que chamar vaidoso a alguém não exige conhecer o carácter do alvo, nem o seu percurso, nem sequer os seus pecadilhos ou a ausência deles. A vaidade em excesso não deixa de ser um pecado e se o alvo do insulto tem boa apresentação, quem ofende não cai numa mentira completa - afinal, está à vista. Depois é só inventar um bocadinho, esticar dali, acrescentar um ponto acoli, e uma mulher que apenas se preocupa com a cara que mostra ao mundo é pintada como um Narciso de saias. Uma egocêntrica de primeira, uma egoísta, uma Rainha do Gelo que nem sequer se rebaixa a retribuir as baixarias - passe o pleonasmo - porque está demasiado ocupada a olhar para o espelho.
Se calhar, se se desse à canseira de descer dos saltos para devolver a gentileza, uma mulher vaidosa recorria àquele insulto que agora dizem que havia de ser abolido: you basic b****!
Porque realmente, chamar vaidoso a alguém é um insulto mesmo básico, a tender para o infantil. Mas fazer isso seria básico demais.
E no fim das contas, há coisas piores que se podem atirar a alguém. Ser insultado de vaidoso é tão insignificante que nem vale uma pessoa interromper-se.
Monday, November 10, 2014
10 problemas que só louras e ruivas entendem
1- Qualquer castanho inofensivo se transforma em preto ou beringela no vosso cabelo
Mudanças de visual exigem sempre cautela quando o cabelo é claro - porque a cor adere mais facilmente e "abre" em todo o seu esplendor... ou antes, em todo o seu exagero. Uma loura que pretenda escurecer para um tom avelã pode ficar com o cabelo quase asa de corvo, enquanto uma ruiva que tente o look "boneca de porcelana" com um castanho rico e frio como o da Penelope Cruz se arrisca a acabar com um acajou horroroso, tipo beringela.
Um colorista experiente (e num país de morenas, convém consultar o seu portefolio antes de avançar) e/ou bastante prática são os únicos remédios: louro escuro acinzentado é a melhor pista para obter um castanho bonito sem reflexos quentes e o castanho médio, a receita mais acertada para conseguir um castanho muito escuro, quase preto. Fazer durar o efeito já é outro rosário...
2- Perguntas patetas
Voltar de férias e perguntarem "então não foi à praia este ano?" porque apesar dos esforços, não bronzeou nadinha. Pior ainda, "porque não faz solário?" (resposta: porque não me apetece ficar parecida com uma passa ou coisa pior). Ou o muito frequente "essa cor é natural?" que é uma maçada principalmente quando se deu brilho ou reflexos para realçar a lourice ou ruiveza com que se nasceu mas não apetece estar com detalhes.
3-Pele de cera...e/ou sardas
A pele de porcelana é um grande trunfo, mas...como a maioria das coisas belas, é frágil. Qualquer pele requer cuidados para se manter bonita, mas as caras pálidas precisam de extra hidratação, extra protecção solar e em muitos casos, produtos específicos para peles reactivas, anti manchas, contra vermelhidão, contra o frio, o calor, etc. Já as sardas são um amor e o melhor é assumi-las...com as devidas cautelas porque sem isso, onde há sardas podem surgir marcas do sol. Ou da neve. Ou do vento. Muita protecção sempre, sim?
4-Não haver base do vosso tom em lado nenhum
Quem diz base diz pó, BB Cream,e assim por diante. Em muitas marcas o tom mais claro que fazem é uma piada, outras nem se dão ao trabalho de vender essas nuances nos países do Sul da Europa porque assumem, vá-se lá saber porquê, que por estas bandas todas as mulheres são morenas ou fazem por isso. Encontrar os tons neutros (nem rosado, nem amarelado) tão necessários às ruivas é o pior desafio de todos. Felizmente o cenário está a mudar e não só têm surgido marcas ou produtos novos atentos a esse nicho de mercado para todas as bolsas (como a Sleek e a Essence) como agora temos a internet, por isso se for necessário podemos encomendar cosméticos da Coreia, país onde brancura é formosura.
5- Sensibilidade ao Sol
Já não falo só do vulgar e perigoso escaldão. Em temperaturas muito altas (ou em dias em que os média avisam "cuidado que os raios UV enlouqueceram!") enquanto os vossos amigos se queixam "ai que calor das Arábias" vocês já se fecharam num bunker em modo vampiro, com receio da urticária horrorosa que inevitavelmente vos assalta nessas circunstâncias.
6- Escolher o blush é uma complicação
Supostamente as louras ficam bem com tons rosados e as ruivas com pêssego, laranja e encarnado. O mais mau é encontrar a textura certa, especialmente para usar durante o dia. Enquanto numa pele mate qualquer blush baratinho do momento realça as maçãs do rosto com um aspecto encantador, nas pálidas o menor deslize pode dar a aparência de se estar com um ataque de febre ou pior...com os copos, Deus nos livre. Em relação ao bronzer (que se tiver juízo, só usará para esculpir e contornar o rosto) passa-se o mesmo: um descuido e parece que se está com a cara suja. Enfim, cada um com os seus problemas e o melhor amigo de uma rapariga branquinha é um bom espelho com muita luz natural.
7-Dar nas vistas sem querer
Enquanto uma morena pode escapar com toilettes vistosas, louras e ruivas precisam de ser um pouco mais discretas porque o cabelo já chama bastante a atenção (especialmente no caso das platinadas e cenoura vivo). Quando se trata de ruivas, cores ricas e quentes como o verde esmeralda, o encarnado e o laranja até são aconselháveis, mas é preferível usá-las em peças de corte e padrão simples, para não criar muita confusão visual.
Nas louras um look preto com um acessório dourado faz imensa vista, mas não convém juntar outras bijutarias ou texturas brilhantes.
8- Cabelos delicados
Com algumas excepções, os cabelos claros tendem a ser mais sedosos mas menos espessos - é por isso que a sua amiga morena-que-pinta-de-louro tem uma juba invejável mas que parece muito mais baça do que a sua, que é loura natural e só precisa de umas madeixas para ficar platinada. Tudo na vida tem vantagens e desvantagens. Produtos para fortalecer, hidratar, proteger e dar volume são grandes aliados dos cabelos cor de ouro e cor de cobre.
9- Mitos de personalidade
Embora as coisas já não sejam como no tempo dos Tudor - em que se acreditava piamente que as louras tinham um carácter mais dócil e submisso e as ruivas tinham pacto com poderes do outro mundo - as pessoas ainda fazem associações de ideias: o louro comunica uma ideia de juventude e por isso é mais apelativo, uma loura não é lá muito esperta, uma ruiva é apaixonada e tem mau feitio, etc,etc. Muitas vezes isso é um processo inconsciente e só resta brincar com esses estereótipos ou se possível, tirar partido deles. Fazer-se menos brilhante do que na realidade é pode ter utilidade em algumas áreas (política, indústria e outras que agora não me ocorrem). Assim como assim, é só a primeira impressão e não vale a pena aborrecer-se por causa disso: todos os mitos se desfazem rapidamente quando se aposta num visual sério e atitudes a condizer.
10 - "Rímel" para que te quero
Ter umas pestanas longas e espessas...que não se vêem. Cílios quase brancos (ou mesmo dourados/prateados) são muito comuns em ruivas e louras. Pessoalmente, vejo isso como uma vantagem: com umas camadas de máscara escura está o problema resolvido e se pelo contrário se quiser um ar high fashion, estilo Tilda Swinton, é só não as pintar - ou realçá-las com máscara dourada, por exemplo. O mesmo vale para as sobrancelhas: sendo louras e finas podem ser aumentadas com maquilhagem quando está na moda usá-las mais fortes (como actualmente). E quando se usam finas, é fácil torná-las quase invisíveis - algo que as morenas têm mais dificuldade em fazer!
Sunday, November 9, 2014
Brilhante Conclusão Expresso do dia: lógica da banana verde.
Pior que ser banana...só ser banana e não amadurecer toda a vida.
Isto de viver no campo tem destas coisas: permite-nos brilhantes filosofias destas que nos ocorrem ao reparar, no regresso de um saudável passeio pela floresta, que a bananeira da nossa vizinha até dá bananas, mas os cachos nunca deixam de ser verdes.
Ser banana é um defeito muito aborrecido (e num homem, então, é feíssimo) porque uma coisa é ser gentil... outra é ser fraco, manipulável e influenciável.
Quem é assim não se faz respeitar, não toma decisões (e quando toma, é geralmente por influência de quem menos devia ter voto na matéria) é sensível à bajulação de pessoas com segundas intenções e à força de muito querer ser bom, ou de muito querer mandar sendo ao mesmo tempo amigo de toda a gente, acaba por prejudicar-se a si mesmo e às pessoas que devia proteger. É o velho caso que as nossas avós contavam, de cavalheiros que até seriam bons maridos se não dessem ouvidos a amigos da onça, e que com isso acabavam por lesar a mulher e os filhos. Ou dos patrões que à custa de querer agradar a gregos e troianos, acabam por afundar a casa, deixando funcionários leais de mãos a abanar.
Mas pior que ser banana, só ser um (ou uma) banana verde. Porque de banana todos temos um pouco, ou pelo menos momentos: ou por bom coração, ou por causa da idade, ou por ingenuidade, ou por vaidade, ou por timidez...mas mau, realmente mau, é nunca amadurecer na bananice.
Ser uma banana sempre verde, que não adoça nem evolui, de quem não se faz nada e que não tem esperanças de vir a ser outra coisa. Por isso, se vos chamarem bananas, não se lastimem: há quem consiga ser ainda pior.
Frau Merkel, detesto dar-lhe razão.
Vamos deixar aqui claríssimo que eu tenho a minha embirraçãozinha - como boa parte da Europa- com Frau Merkel.
Primeiro, porque depois de tantas tropelias acho incrível como permitem aos Alemães mandar em alguma coisa. Não acredito que haja ali imparcialidade alguma ao decidir os destinos desse mal necessário que é a UE: é vê-la toda contente a puxar pela glória (ou a brasa à sardinha) do Reich, salvo seja. Pelo menos é essa a impressão que eu tenho e se Frau Merkel tem o direito de dizer o que entende, eu não posso fazer grande coisa quanto à minha imaginação.
Segundo, porque para Dama de Ferro falta-lhe muita coisa, nomeadamente a classe e encanto da Baronesa Thatcher: Frau Merkel pode ser uma cientista (tal como Thatcher) pode ser a segunda pessoa mais poderosa do Mundo segundo o Forbes e a primeira mulher a ter alcançado tanto poder, mas não nos confundamos.
Margaret Thatcher tinha um porte que provava que há mulheres capazes de ocupar grandes cargos em tempo de crise sem fanicos e sem ceder às emoções (vê-la trabalhar em equipa com Sua Majestade a Rainha Isabel II deve ter sido glorioso). Margaret Thatcher não puxava da cartada irritante nem da atitude da "mulher poderosa" - aliás, referia-se ao feminismo como "um veneno". Margaret Thatcher não seria apanhada nem morta com um decote monstruoso como Angela Merkel (acima). Nem com tailleurs estilo saco de batatas, idem. I rest my case.
Mas - a César o que é de César ou mais apropriadamente e em modo licença poética, a Kaiserin o que é de Kaiserin - concordo com o Público quando diz que Frau Merkel não deixou de ter uma certa razão ao afirmar na última semana que Portugal tem licenciados a mais (independentemente da intenção com que o possa ter dito).
Podemos não gostar do discurso, podemos até argumentar que a senhora gostaria era de manter os portuguesitos humildes e ignorantes de todo, mas factos são factos: se não tivéssemos licenciados a mais, não andaríamos a "exportá-los". Infelizmente, basta olharmos para o nosso círculo de amigos e antigos colegas e fazer a contas a quantos estão a trabalhar no estrangeiro; não porque lhes apetece ou por espírito de aventura bué da jovem, mas por ser tão difícil evoluir na carreira, ter um ordenado decente ou pensar em constituir família em solo pátrio.
Se a Alemanha pecou por uma aposta excessiva na qualificação de profissionais intermédios (e agora tem de vir "pescar" os licenciados que lhe faltam aos países do Sul da Europa) Portugal errou por ter feito o oposto.
Só um cego é que não vê que após o 25/4 houve uma reviravolta no sentido de oferecer às famílias o "sonho português": ou seja, filhos doutores.
Esta pequena vaidade - mistura de remorso, complexo de inferioridade e mania das grandezas - foi levada tão a sério que se massificou o ensino (o que teria sido bom se feito de forma adequada) sem olhar à realidade das necessidades do país, nem à capacidade do mercado para acolher tantos diplomas. A isso juntou-se a ganância de muitas instituições, que criaram cursos cósmicos e fenomenais - para quem se pode dar ao luxo de estudar por carolice e desafio intelectual - mas perfeitamente inúteis para quem pretende trabalhar e ter uma carreira estável na sua área de formação.
As palavras de Frau Merkel podem ser escusadas e desagradáveis como as suas fatiotas - mas tal como estas, são um facto. Desagradável, mas facto.
Subscribe to:
Posts (Atom)

























