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Monday, November 17, 2014

I´m afraid of no ghost.

Demónio com cara de parvo, a ver se assusta alguém.

Ontem apanhei por acaso este remake de um clássico dos anos 80 e como apesar dos efeitos especiais modernaços (que estragam sempre tudo) queria saber como aquilo acabava, deixei-me ficar a ver.

 Já disse por aqui que medo é coisa que não me assiste lá muito, para mais quando se trata de ficção - só não gosto de disparates estilo Saw porque torturar seja quem for não é de todo my cup of tea - por isso se estiver a passar um que tenha uma história curiosa, acaba sempre por me prender. Os meus preferidos são os dos anos 70/80 que eram menos espectaculares, mas muito mais sinistros. 

 É que os filmes "novos" caem todos nos mesmos truques: invariavelmente, alguém fica com os olhos completamente pretos (isso não é assustador, é só feio que dói) e aparece um demónio ou monstro que suja tudo com baba preta, ou sangue preto, ou qualquer outra coisa preta e pegajosa que parece alcatrão, e faz uns guinchos terríveis produzidos em computador, seguidos de umas piruetas igualmente computorizadas.

 Palavra de honra que há meses vi um filme de Chupacabras que mais parecia um filme de desenhos animados, e só achei graça à parte em que o chupacabras mais novo ficou fechado no microondas, dando um estouro a seguir.

   De resto, são filmes sem o mesmo ambiente dos antigos, mas com os mesmos clichés:

- Há sempre uma cave escura com imenso espaço e uma data de compartimentos mas que ninguém utiliza e que por isso é arrepiante que se farta, onde invariavelmente mora alguma coisa maligna. Não sei se os americanos têm todos caves ou se não sabem o que fazer com elas, mas está visto que é impossível acontecer-me qualquer coisa digna de filme: tenho sempre tralhas para guardar na cave e volta e meia viro-a do avesso para lá caberem mais algumas, logo nenhum monstro ou força do Mal de juízo se vai esconder em domínios que me pertençam. Privacidade para monstros? Nenhuma.

- Invariavelmente, uma vítima corre para um lugar fechado, isolado, baixo, apertado ou simplesmente desvantajoso para se esconder do monstro/demónio/psicopata, com zero possibilidades de fuga ou contra ataque. Para morrer num filme de terror é preciso ter uma noção nula da lógica. Ou não ter instinto de sobrevivência, de todo.

- O ataque de zombies/demónios/vampiros/medo-que-anda-de-noite-e-ninguém-sabe-o-que é costuma ser desencadeado porque algum chico esperto mexe num artefacto de ar sinistro, ou abre um grimório (para os despistados, um livro de feitiços) de meter medo ao susto e decide lê-lo. Em voz alta. Até aí enfim, eu que não resisto a volumes poeirentos também era capaz de dar uma olhadela, MAS se um livro avisa "atenção que eu espoleto forças malignas que arrancam olhos às pessoas" e nem sequer tenta enganar os incautos prometendo a quem aplicar as suas fórmulas vida eterna, riqueza ou super poderes, é capaz de ser mau negócio brincar com ele. Para quê? Ná, se fosse comigo acabava no caixote do lixo ou quando muito, na feira de velharias mais próxima. Não, pensando bem se fosse mesmo assustador e com ilustrações feias era mesmo capaz de ir parar à lareira.

 Ou os argumentistas destes filmes são gente muito imprudente que coloca as personagens a fazer o que eles próprios fariam, ou julgam que o público não deve muito à inteligência, ou eu dava uma boa Caça Fantasmas.

O dia dos Infiéis Defuntos


Por vezes há andaços que se propagam com o ar ou não sei: e um não muito frequente, mas que sucede, é os defuntos (leia-se, os ex de cada uma e os ex das amigas) levantarem-se da tumba e darem sinal de si, pelos mais variados motivos e todos ao mesmo tempo, que até parece que está o Apocalipse Zombie para começar.

São os Infiéis Defuntos, mesmo que a infidelidade não fosse o motivo de se finarem simbolicamente. 

Um Infiel Defunto não tem de ter sido coisa séria, e mesmo a rapariga menos namoradeira pode ter um ou dois na sua lista:  pode ser um ex namorado, ex noivo ou ex marido, mas pode também ser simplesmente um ex pretendente. Sim, por vezes até o Gonçalo do liceu, aquele pequeno giríssimo que vos ofereceu um peluche piroso (mas que ainda está guardado!) no Dia de S. Valentim, que nunca passou disso e agora está gorducho e careca, coitado, dá um ar da sua graça.

 É assim um surto colectivo de remorso/culpa/solidão aguda/nostalgia/epifania/etc.

 São os que aparecem com as conversas lamurientas sobre o passado, vulgo "ai, porque é que não resultou? Entre nós é que seria perfeito!"; os que surgem com a mesma conversa mas em modo Mea Culpa, estilo "não funcionou porque eu fui um anormal!" (olha a novidade, amigo). Isto com olhos de Bambi e motivado por a) medo de ficarem para tios b) intenções pouco honestas c) reflexão que resulta em realmente analisarem que só fizeram asneiras, que deram cabo das únicas hipóteses de felicidade, que foram uns parvalhões e vocês eram realmente os amores das vidas deles.

 São os que ou nunca se conformaram e que agem de forma passivo agressiva, fingindo-se muito vossos amigos e dando palpites sobre a vossa vida ou fazendo mexericos que vocês vêm a descobrir through the grapevine. E aqueles trágicos - relacionamentos que acabaram mesmo mal para os dois lados e ainda vão tentando dinamitar tudo à sua volta. Algures entre estes aparecem os que não jogam com o baralho todo ou não têm vida própria, por isso copiam tudo o que vocês fazem, gostam e frequentam, levando ao complexo "esta cidade é pequena demais para nós os dois!".

 O resultado disto tudo é as sobreviventes juntarem-se num bunkerzinho a partilhar os disparates que cada uma viu/soube/ouviu, a analisar o caso e a concluir "não sei o que fiz mal, mas acho que só saí com idiotas".



Sunday, November 16, 2014

Ó pernas, para que te quero...mas calma!




Facto: a menina esforça-se imenso no ginásio e é uma pena não tirar partido uma vez por outra de algumas silhuetas que realçam as pernas propostas pelos designers  - principalmente se é jovem e/ou tem um ar jovem.

 Mas como vulgaridade e elegância jamais andarão juntas, quando se trata de chamar a atenção para a parte inferior do corpo é preciso algum cuidado e sobretudo, muita atenção às proporções. A ideia será sempre alongar a figura,  jamais atarracá-la: a moda das pernas roliças enfiadas em roupa justíssima, estilo Nicki Minaj, Kardashian e por aí fora, pode estar na berra, pode ter acabado com a ditadura exagerada das pernas de alicate, mas nunca será elegante nem para tomar ao pé da letra.

 Como então, conseguir o desejado meio termo? Aqui ficam algumas dicas para usar de forma sensata três "mostradores de pernas" - as cuissardes, a mini saia e os calções.

Mini saia:


- Exige pernas esguias q.b.

- Se não consegue inclinar-se ou dobrar-se sem mostrar mais do que deve, troque de saia; uma maneira de evitar esse aborrecimento é assegurar, na hora da compra, que a saia ou vestido é ligeiramente mais comprido atrás - um cuidado que as marcas mais acessíveis às vezes esquecem!

- Escolha sempre uma saia cuja bainha termine na parte mais magra da perna; se isso implica usá-la  bastante acima do joelho, reserve-a para o Inverno, combinada com collants opacos.

- Não abuse dos saltos altos: além de parecerem vulgares, vão forçar os músculos e fazer a perna parecer mais larga do que é na realidade. Quem tem pernas altas e magras pode mesmo optar por sapatos rasos (loafers, botas acima do joelho, botins, sabrinas ou oxford shoes); se pretende ganhar altura, um salto médio ou um compensado ligeiro fazem o truque sem deixar o visual demasiado provocante.

- Brinque com camadas ou aposte em decotes fechados, casacos com algum volume e blazers, para um visual preppy (a.k.a, betinho) que desconstrói o ar demasiado sexy e acresccenta o chic necessário.

- Se tem pernas torneadas, fuja dos modelos justos ao corpo.

- Em situações formais, evite os modelos extra curtos:um palmo acima do joelho já é risqué que chegue.


Calções

Sobre eles já se dissertou aqui, e as regras não mudam:

- Em termos de fisionomia, vale o mesmo que foi dito em relação à mini saia: pernas mais fortes exigem duplas cautelas.

- Shorts prestam-se sobretudo a ocasiões casuais.

- Os modelos mais democráticos são os ligeiramente largos na perna e de cintura subida;

- Tal como na mini saia, assegure-se de que a bainha termina na parte mais esguia das pernas (a não ser que sejam exageradamente magras e pretenda ganhar algum volume).

- Se os quer usar com botas ou cuissardes, opte por collants da mesma cor: não só evitará banalizar o visual como as pernas parecerão mais elegantes e compridas.

- Fuja do calçado com brilho e aplicações: os shorts já têm impacto suficiente.

- De novo, acrescente volume na parte de cima, ou opte por tops simples: t-shirts ou camisas brancas de manga comprida, sweatshirts largas (que podem ter aplicações) blazers de colegial, ponchos, capinhas, canadianas (que dependendo do frio, podem cobrir ou não as pernas) ou sobretudos fofos são boas opções para jogar com as camadas...e estar quentinha! Tiritar de frio tira a graça a qualquer toilette e é um atestado de pinderiquice do tipo "quero tanto dar nas vistas que não trouxe casaco". Lembre-se sempre do moderno ditado "só há três criaturas que não sentem frio: os pinguins, os ursos polares e as serigaitas".

- No calçado, aplicam-se as mesmas linhas de orientação da mini saia.


Cuissardes


As botas acima do joelho e mais além são daquelas coisas que não têm meio termo: podem parecer sofisticadas ou muito vulgares. Se forem bem usadas, ninguém dará por elas: só vão reparar que tem uma silhueta muito elegante com umas belíssimas botas! Mas se pelo contrário dão demasiado nas vistas, não estará confortável e vai passar uma mensagem totalmente errada. Sobre isso já se escreveu em detalhe aqui, mas ficam as ideias mais importantes:

- Se as vai usar com saias, escolha uma cuja bainha termine sobre a bota: alonga as pernas e parece chic, não provocante.

- Atenção à estabilidade do salto: calçado que "entorta" as pernas é sempre deprimente, mas neste caso pior um pouco!

- Com jeans skinny ou calças de malha, opte por botas de tom semelhante; se contrastar demasiado vai atarracar a figura.

- Caso tenha pernas um pouco mais fortes, escolha umas botas que terminem logo acima do joelho; todas as outras são demasiado arriscadas.

- Se pretende calçá-las com mini saias ou calções (negócio perigoso, mas não impossível) opte por collants escuros, botas justas à perna (desde que não apertem a pele) e saia ou shorts mais folgados. Um vestido-camisola largo é uma excelente escolha.

- Evite as botas estilo pirata (mais largas na coxa) ou com fivelas: mesmo as versões mais caras costumam parecer algo ordinárias.

- Acompanhe cuissardes com toilettes sóbrias ou de aspecto colegial - sempre com partes de cima compostas e cobertas q.b. As dicas de sobreposições e volume descritas acima para calções e mini saias também se aplicam às botas overknee ou thigh high.

E pronto, com cuidado pode pedir-se pernas a santo Amaro sem dar nas vistas pelas razões erradas...

TIME dixit: "Feminista" é uma das palavras mais irritantes de 2014


Na sua lista de expressões-chatas-como-a potassa-e-que-já-ninguém-consegue-ouvir-sem-irritação, que irá ser votada pelos leitores, a revista TIME teve a coragem de incluir o palavrão F, não sem um pedido de desculpas - porque já se sabe, ninguém pode dizer que não subscreve e aplaude o palavrão sem ser apedrejado. Ficaria muito surpreendida se "feminista" se mantiver a votos, tão delicado o assunto se tornou:

"TIME apologizes for the execution of this poll; the word ‘feminist’ should not have been included in a list of words to ban. While we meant to invite debate about some ways the word was used this year, that nuance was lost (...)".

A justificação da TIME para colocar a palavra F em tão polémica relação de ditos- a- banir -porque-já-ninguém-os-atura é perfeitamente razoável; é, afinal, a mesma que leva meia dúzia de temerários a dizer que estão fartinhos dela: não há celebridade ou artigo que fale sobre qualquer assunto feminino sem que o palavrão tenha de vir à baila:

"feminist: You have nothing against feminism itself, but when did it become a thing that every celebrity had to state their position on whether this word applies to them, like some politician declaring a party? Let’s stick to the issues and quit throwing this label around (...)".

Escreve-se uma lista das melhores designers de moda de sempre? Pimba, TEM de se realçar que é uma lista de designers feministas (mesmo que as estilistas em causa se tenham limitado a nascer mulheres e nunca tenham dito uma palavra sobre o assunto). Uma actriz dá uma entrevista perfeitamente inócua? Zás, TEM de dizer algures "mas esperem lá, EU SOU FEMINISTA" nem que isso venha totalmente a despropósito e seja totalmente irrelevante, como se tivessem medo de arder na fogueira se não derem essa reviravolta paranóica. A verdade é que - teorias de conspiração à parte - falar em feminismo se tornou uma desculpa barata para audiências e buzz nas redes sociais. 
Declarar-se feminista  tornou-se obrigatório (ou pelo menos de rigueur) para homens e mulheres que tenham amor à sua imagem pública -  e ai de quem discorde, quanto mais não seja do fanatismo e exagero dos "movimentos" actuais. Ainda que se diga "eu não gosto da palavra porque sou pela igualdade" o Carmo e a Trindade caem na mesma.
Famosas como Gwyneth Paltrow, Sarah Jessica Parker, Susan Sarandon,
Demi Moore, Dita Von Teese, Taylor Swift, Salma Hayek, Sofia Vergara ou mesmo Madonna foram criticadas e classificadas de "confusas" por não se identificarem com o rótulo de feministas, apesar da sua imagem de mulheres fortes e independentes.

  O feminismo, ou pelo menos o feminismo dos nossos dias conforme ele se apresenta, afastou-se da única ideia sensata no meio disto tudo (direitos civis e igualdade de oportunidades). 

Diz que luta por todas as liberdades das mulheres (mesmo as piores e as que não fazem falta) - menos pela liberdade de discordar do feminismo. Ou de ter opções de vida mais tradicionais, que deviam ser uma liberdade inalienável de cada uma. 

Valores como a feminilidade, o decoro, a família e a subtileza (que não prejudicam em nada a independência e inteligência feminina) são condenáveis à luz destes movimentos. Tal como a liberdade de acreditar que homens e mulheres são diferentes, cada um com as suas forças e fraquezas, e que deviam caminhar lado a lado, sabendo jogar com os papéis de género razoáveis que existem desde que o mundo é mundo. 

Quanto ao facto de grandes mulheres como Margaret Thatcher não terem precisado de  subscrever ideias feministas ou de serem representadas por elas, isso é perfeitamente posto de lado. O que lhes interessa é a revolução e o berreiro - ainda que haja muitas contradições nesse berreiro.

 Nem falemos dos exageros e terrorismo de certos grupos (que, defenderão alguns, não são a norma) ao vandalizar lugares sagrados e cometer atentados ao pudor achando que assim trazem "empowerment" (outra palavra irritante) às mulheres. Malucos existem em toda a parte e todos os credos, mas a partir do momento em que todo um movimento permite actos de vandalismo ou olha convenientemente para o outro lado, corre o risco de não ser levado a sério.

  Como não gosto de ditaduras de pensamento, aprecio pensar pela minha cabeça e fazer as minhas próprias escolhas, não sou obrigada a ser feminista. ( Veja-se este artigo do Washington Post sobre o assunto...).
 Nem qualquer outra coisa. 

 Se um movimento não compreende esse simples raciocínio ou que a sua liberdade termina onde começa a dos outros (ou das outras) há aqui algo de sinistro... ou de risível. 

 A TIME não devia pedir desculpa por apontar um facto. Afinal estamos em democracia, ou isso de repente é relativo?




  


Saturday, November 15, 2014

Karl Lagerfeld dixit (II) : pensar menos, trabalhar mais.



"Não pense demasiado (...) é preciso manter-se em movimento. 
 Se nunca parar de trabalhar, nunca irá bloquear"

O genial criador deu o conselho acima numa entrevista em que partilhou algumas máximas a aplicar no ano que vem, acrescentando que teve um bom ano mas espera que o seguinte seja melhor pois "é preciso que nos habituemos aos anos bons".
Gosto sempre de ler as ideias de quem tem um percurso tão impressionante como o de Herr Lagerfeld, mas aqui estou mesmo de acordo.

 Poucas coisas desorientam tanto como o overthinking: quem ouve demasiado o diálogo que vai na sua cabeça deixa instalar a dúvida, o desânimo e o medo; gasta inutilmente capacidade de raciocínio preciosa que vai fazer falta mais tarde; põe-se a pensar em coisas tristes que já lá vão e no que podia ter feito de forma diferente...e por fim sufoca o instinto, que é um dos instrumentos mais preciosos para agir de forma eficaz e inspirada.

 Mais vale mexer-se mais e pensar menos; ainda que às vezes se dispare em varias direcções, só com trabalho, esforço e movimento se evitam águas paradas. A estagnação é um perigo e por sua vez leva a que se pense inutilmente, num ciclo vicioso.

 Por fim, também costumo defender a ideia de ser preciso habituar-se às coisas boas: o sucesso é um hábito, o fracasso também. Quando várias coisas seguidas correm mal, é urgente fazer surgir algo muito bom para quebrar esse ciclo. Se um padrão de insucesso e tristeza se instala é muito difícil sair dele. Mas é preciso ter abertura a coisas boas para que elas apareçam e assim se tornem um hábito. Contar com boas surpresas, em vez de se encolher com medo do pior. E pelo caminho, acostumar-se a contar bênçãos (mesmo as disfarçadas) e a reparar nessas coisas boas. É que às vezes não se dá por isso.
 
 Onde alguns vêem solidão, outros apreciam o sossego e a independência.
Onde uns só consideram uma fase parada de um negócio, outros apreciam o tempo para relaxar, reavaliar estratégias e investir no que precisa de ser melhorado.

 Há muitas coisas que não estão na mão de cada um, mas aquilo em que se repara, aquilo em que se gasta o pensamento e os hábitos que se permitem instalar são uma opção. Subtil, mas uma opção.




Pessoas passivo- agressivas, essa praga infernal.


No mundo em que vivemos, toda a gente precisa de ser subtil, democrática, de usar de sprezzatura, de ironia, de sarcasmo, de  morder a língua ou mesmo - que horror - de fazer valentes fretes de vez em quando.

 A nossa sociedade não está formatada para que possamos demonstrar abertamente a toda a hora as nossas intenções e sentimentos (em boa verdade, seria uma selva se assim fosse) e infelizmente, cada vez mais isso é levado ao exagero: se no século XIX era uma vergonha, por exemplo, que um cavalheiro não cumprisse a sua palavra ou não dissesse exactamente as coisas conforme a intenção, hoje em dia já não é bem assim. Conceitos como a "palavra de honra" estão, para mal dos nossos pecados, obsoletos.

 Atenção, porém: expressar-se com a discrição e delicadeza necessárias para viver em boa sociedade e não ferir os sentimentos alheios não tem nada a ver com o comportamento passivo-agressivo.

 Pessoas passivo-agressivas são uma praga e uma peste...além de cobardes. Dizem os especialistas que esse comportamento tem origem na infância: quem é assim não foi encorajado a explicar-se de pequeno ou cresceu num ambiente em que não era seguro manifestar frustração, descontentamento, raiva, carinho ou vontade disto e daquilo.

 Não sei se essa é a única explicação, mas é uma explicação razoável para...

- Colegas que como não querem desempenhar determinada tarefa e não têm coragem de o dizer, vão atrasando, empatando, cometendo erros de propósito, fingindo que não ouviram...e assim prejudicam toda a equipa.

- Chefes chatos que adoram companhia e em vez de pedirem "não se importa de ficar mais uma hora hoje?" inventam motivos parvos para enrolar e manter as pessoas prisioneiras o tempo que lhes apetece, sem aviso nem respeito pela agenda/vida privada de cada um; ou que, sendo incapazes de explicar claramente a conduta ou tipo de desempenho que querem e não querem, vão construindo ressentimentos idiotas contra A, B ou C. Bela liderança!

- Hostilidade inexplicável e atitudes/bocas/piadas desagradáveis sem que se perceba porquê - o que obriga as pessoas normais à única defesa possível, que é perguntar na cara "temos algum problema?". E às vezes, nem assim têm a dignidade de se explicar.

- Queixinhas e lamúrias que invariavelmente colocam nos outros, em Deus ou no "Sistema" a culpa das suas desditas: um passivo-agressivo nunca se responsabiliza pela sua vida, o Mundo é que está contra ele. Por exemplo, aquela "amiga" muito infeliz que vem inevitavelmente com a ladainha "ai que desgraçada que eu sou" e quando vocês tentam consolá-la faz uma reviravolta invejosa, do estilo "tu não percebes, sempre foste linda/tens dinheiro/ao menos tens namorado" fazendo quem está a tentar ajudar desculpar-e pela sua felicidade ou começar, por sua vez, a enumerar as próprias maçadas para que a passiva-agressiva não se sinta tão mal. Ainda por cima!

- Fazer circular intrigas, boatos e mexericos - com os culpados convenientemente escondidos nas sombras.

- Críticas disfarçadas de elogios: sabem aqueles comentários simpáticos mas que não deixam uma boa sensação, tipo "fulana perdeu imenso peso" (tradução: fulana estava uma lontra) ou "fico tão contente por saber que beltrano deixou de beber!" - à frente de pessoas de cerimónia? Ou ainda, excesso de perguntas incómodas no sentido de encurralar a vítima.

- Birras, tratamento de silêncio e vitimização, vulgo ex namorado que inverte todas as culpas por mais asneiras que tenha feito: "tu levaste-me a isso!". Típico.

- Manipulação: ameaças de suicídio (ou outras menos extremas) no sentido de obrigar outrem a fazer-lhes a vontade.

Sobre a forma de lidar com vários tipos de agressores passivos, escrevi em tempos aqui e aqui

 Mas uma coisa é certa: a única forma de os pôr no lugar é obrigá-los a abrir as hostilidades, desmascarando-os; e muitas vezes o problema só tem cura dando-lhes uma tareia emocional ou literal (coisa que não convém fazer nos dias que correm, mas sonhar não paga imposto). O que de qualquer das formas faz com que se fique sempre no papel de mau da fita.

A única maneira de realmente ganhar com um passivo agressivo é, se possível, afastar-se dele. Melhor ainda, correr com ele. Para bem longe!



Friday, November 14, 2014

10 mulheres que os cavalheiros devem evitar como a peste.


Ao reler este tipo de texto aqui pelo blog, lembrei-me de que não cedi aos pedidos de vários seguidores  para fazer algo parecido dedicado aos cavalheiros.
 Afinal, temos de ser justos - e há representantes do sexo feminino tão chatas e perigosas como o pior diabo de calças, que deixam os homens à beira de um ataque de nervos e dão mau nome a todas as mulheres .

Aqui ficam as suspeitas do costume:

1- A Mandriona

Ser preguiçosa e desarranjada é mau mesmo quando uma rapariga é muito bem nascida e tem meios - afinal, nunca se sabe se os ventos mudam e você não acaba a sustentar um trambolhozinho que não sabe fazer nenhum e é incapaz de se bastar a si mesma, ou de assegurar a menor gestão dos assuntos da casa.
  Porém, numa mulher que não tem onde cair morta é pior ainda, pois é sinal de egoísmo e desarranjo  - se ela não limpava em casa e não havia senhora da limpeza, das duas uma: ou sobrecarregou a mãe e o resto da família, ou viveu toda a vida num palheiro. O mínimo que se espera de alguém (homem ou mulher, mas a ausência de jeito feminino numa mulher é uma coisa mesmo feia) é que apanhe a própria roupa, limpe o que sujou, viva com um mínimo de ordem e trate dos seus próprios assuntos. Além disso, quem é mandriona e preguiçosa pode ser irresponsável e egocêntrica noutras coisas. Ou fazer coisas tão sedutoras como não gostar de tomar banho e deixar meias sujas pelo chão (quem acha que é exagero, nunca ouviu mexericos de faculdade!).
 Namorar com uma preguiçosa pode ter um certo encanto ao princípio, porque é tão trapalhonazinha e tão fofinha, mas a longo prazo não é fácil. A não ser que ela tenha tantas outras qualidades que esteja disposto a contratar-lhe uma ama/governanta com braços fortes e paciência de Job.


2- A chica esperta

Uma mulher inteligente e culta é um tesouro, principalmente se também tiver uma aparência agradável. Afinal, nem o mais antiquado dos homens acharia muita graça a passar a vida ao lado de um lindo mono com quem não possa conversar. 
  Mas, atenção: uma pessoa inteligente não tenta provar que o é... e tem o senso comum de saber quando estar calada. 

Depois, qualquer mulher minimamente esperta - e educada - sabe que não é bonito entrar em constante competição com quem está nem contrariar o par a torto e a direito, só para provar que tem alguma coisa na cabeça.
 Infelizmente - graças a ideias modernaças e algum facilitismo no Ensino Superior - o que mais se vê por aí são mulheres esforçadas mas pouco brilhantes, que tentam constantemente afirmar-se de forma muito pouco feminina...ou em modo galinha choca, se preferirem. 

Hoje em dia, a coisa mais simples do mundo para uma rapariga de intelecto mediano - sem imaginação, sem perspicácia, sem espírito - é fazer-se passar por inteligente

A ausência de miolos (a não ser em casos mesmo graves) disfarça-se mais facilmente do que a falta de beleza. E como a Chica Esperta não costuma ser uma estampa mas é ambiciosa e vaidosa, trata de compensar dando graxa, sendo marrona e fazendo mil piruetas para conseguir feitos académicos ou artísticos.


 Pretensões intelectuais baratas são uma coisa terrível em ambos os sexos -pior do que ser ignorante, só ser-se burro como um urso e ter a mania da cultura -  mas numa mulher mais mau se torna porque as mulheres não-lá-muito-espertas são mais *ainda* mais chatas do que os seus contrapartes masculinos na forma como se expressam. 

Partilham clichés  presumidos nas redes sociais, falam alto de Arte, Religião ou Política a ver se alguém as ouve e estão sempre prontas para o debate. A Chica Esperta tem SEMPRE opinião

Debate com o Padre da freguesia, testando a vocação do pobre sacerdote para a Santidade com ideias revolucionárias; se lhe derem asas, junta-se à Assembleia Municipal só para ter o prazer de debater mais um bocadinho; na faculdade, é o pesadelo dos professores. Mesmo que não saiba escrever, escreve e pior, publica. Se não tem voz, canta na mesma ou pior, dá recitais. Como leu Simone de Beauvoir e outros (mas o que a comove mesmo são as histórias do Nicholas Sparks) acha sempre que é como a Samantha do Sexo e a Cidade (uma predadora com alma masculina, muito desprendida, muito confiante) mas depois fica a chorar no ombro das amigas porque o desconhecido que praticamente raptou na noite anterior não lhe telefonou, citando preciosidades como "é muito menos doloroso morrer do que estar vivo com vontade de morrer”.

 Em suma, a Chica Esperta dá razão a ditos machistas do tipo "as mulheres haviam de ser mudas!".


3- A mandona



Ter personalidade (ou mesmo um bocadinho de mau feitio) dá charme, mas há mulheres (novamente, pouco espertas) que julgam que ter personalidade é serem umas Rainhas do Sabá. 
Uma Rainha do Sabá pensa que é um Júlio César de saias: veni, vidi, vici e a sua frase preferida é "quem manda sou eu". 
Nunca relaxa, nunca se cala, nunca se coloca no seu lugar nem deixa estar os outros, impõe invariavelmente a sua presença e a sua posta de pescada. A única pessoa que lhe merece graxa é o chefe (ou quem faça tal papel) mas se o dito cujo for molengão, bonzito, nem ele escapa. 
No início do namoro até pode disfarçar - e para um homem preguiçoso, ou que ande cansado, ter alguém capaz de tomar decisões parece muito agradável.
  Mas em breve é ela que decide tudo: onde vão, o que vão comer (ou não comer; se uma Mandona apanha a mania da comida saudável, toda a casa tem de aguentar tofu) o que é que ele há-de vestir e como há-de gastar o dinheiro, etc, etc...e se calha o prodígio de arrastar o pobre coitado ate ao altar, é certo e sabido que vai mandar no marido, emasculando-o sempre que puder.
 Mulheres assim não respeitam ninguém: ou porque lhes faltou uma presença masculina em casa, ou porque a presença masculina em casa era demasiado autoritária e por trauma compensam assim, ou porque simplesmente nem o pai nem a mãe a souberam pôr no sítio, fez-se uma generala sem o mínimo de graciosidade. Parece exagero? Conheço pelo menos três ou quatro destes Hitlers de saias, por isso cautela.


4- A Kim Kardashian barata

Se calhar era escusado explicar isto porque tenho os cavalheiros que visitam o Imperatrix como pessoas sensatas e de bom gosto, mas seja.

 A Kim Kardashian barata é, como o nome indica, uma cópia reles da verdadeira - um visual já analisado ad nauseam por aquique agora está na moda e que se traduz por uma cabaça de pernas curtas, glúteos desproporcionais, calções minúsculos ou leggings,cabelo preto-graxa esticadinho,feições grosseiras, grandes brincos e grandes unhas. Uma Kim Kardashian com roupa menos dispendiosa mas igualmente feia. 

E se a versão original já é o que é, imaginem-se as imitações. Claro que quem diz Kardashian diz qualquer outra mulher de aspecto vulgar e ordinário. 

 Muitos dirão que mulheres assim não servem para namoro sério, mas quando reparam nisso foram-se deixando ficar e têm ao lado a Xana do ginásio...o que vêm a lamentar depois.
 Mesmo que seja bonitinha e não exactamente má pessoa, quem se apresenta assim não revela nem muita cultura nem muito miolo... e de certeza que indica pouca seriedade, já que  o carácter faz a roupa - no mínimo, gosta de atrair a atenção masculina, mesmo negativa.
 Ainda que você seja uma pessoa super fofa que não julgue ninguém pelas aparências, assim uma espécie de Pai Natal, ou ache muito divertido passear-se com uma boneca de feira (há gostos e inseguranças para tudo) a má imagem de uma mulher assim vai ficar associada à sua. No mínimo,é muito aborrecido suar frio quando pensa como há-de apresentá-la aos seus pais ou levá-la à festa da empresa, para não falar que caso corra mal, será mais difícil ser levado a sério por mulheres elegantes e bem comportadas.
 Se uma mulher não tem sentido do decoro e do ridículo, o mais certo é não ser de confiança.


5- A Enjoada



Este é um espécime raro, mas que anda para aí.

 A Enjoada é um jarrão, com a diferença de que se mexe um bocadinho mais, mas não muito: não gosta de comer, não gosta de passear, não tem interesses, não fala, não tem expressão a não ser a cara de quem saboreou um limão sem lhe pôr açúcar primeiro, não ama, não detesta, não tuge nem muge, se você desaparecer sem dar palavra durante uma semana ela é capaz de nem dar por isso nem que não parem de passar ambulâncias à porta; tudo para ela é nhe.
 Os seus poucos amigos são meia dúzia de pessoas tão chatas, inexpressivas e pouco interessantes como ela. Isso pode advir de uma certa falta de mundo ou de espírito, de preguiça, desinteresse pelos outros ou timidez. Não é que venha mal ao mundo de uma Enjoada... mas sinceramente, os casos que tenho visto de cavalheiros que se envolvem com uma rapariga assim têm dois motivos: ou o rapaz está desesperadamente solitário (e ao namorar com uma Enjoada pouco mais adianta) ou escapou das garras de uma Chica Esperta ou de uma Mandona e quer freneticamente um pouco de silêncio e a companhia menos estimulante que conseguir arranjar.


 6- A "amiga" stalker

Aparentemente, é só uma rapariga apagada ou feiota com uma grande admiração por si que está sempre disponível para o ouvir, para ser o ombro amigo, que o elogia e encoraja e é extra activa a comentar e aprovar qualquer movimento seu no Facebook ou Ttwitter...com segundas intenções, claro. A sério que não percebeu? 

O pior é que quer lhe tenha dado atenção por mera delicadeza (pois não se sente atraído por ela) por pena (coitada, é tão desengraçadinha) porque achou graça à brincadeira (sempre lhe massajava o ego) para arreliar a ingrata da sua namorada com quem se zangou ( mostrando que também tem admiradoras) ou lhe tenha passado pela cabeça aproveitar -se da situação (que coisa feia!) vai arrepender-se de certeza. 

Quando dá por ela, a infeliz torna-se um autêntico fungo: inscreve-se no mesmo ginásio, arranja todas as desculpas para o contactar, envia-lhe citações do Pedro Chagas Freitas, publica frases de fazer corar um carroceiro nas redes sociais e mostra a quem quer ouvir que está numa relação consigo, mesmo que nada ande mais longe da verdade.

 Qualquer amizade com pessoas do sexo oposto precisa de limites, e é preciso atenção para não dar a pessoas carentes uma desculpa para intimidades não solicitadas. Se estiver numa relação, "amizades" dessas podem causar problemas graves e são uma forma de infidelidade leve em qualquer parte do mundo. Se não estiver...arrisca-se a entrar numa: quanto mais não seja entre a amiga da treta, você e o seu advogado, a quem vai implorar, pelas alminhas, que despache a ordem de restrição.

7- A mulher da Luta
Sobre este espécime já quase se escreveu uma tese por aqui, mas cuidados e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. A mulher da luta pode tomar várias formas (a namorada carente e hiper controladora, a ex namorada maluca, a pretendente doentia, etc), agir com diferentes motivações (insegurança, medo de acabar sozinha, desejo de ascenção social/interesse) e ter qualquer idade ou aparência. É raro que uma beldade se torne uma Mulher da Luta porque como não lhe faltam admiradores dificilmente acumula a dose de desespero necessária para dar nisso, mas nunca fiando: traumas e parafusos soltos podem suceder a qualquer uma.

   A frase preferida da Mulher da luta é a pirosíssima "eu vou lutar por ele/por ti/por este amor", o seu lema é "água mole em pedra dura tanto dá até que fura"  e a sua característica mais flagrante é a falta de dignidade: mete na sua cabecinha que aquele homem lhe pertence e ferra-se na vida do coitado, mesmo que o rapaz já não esteja (ou nunca tenha estado) interessado. De servir de ombro ao ex quando ele se queixa da actual namorada (com intenção de o "fisgar" de volta) a perseguir o rapaz na rua (visto com os meus olhos) passando por fazer vista grossa a infidelidades, a Mulher da Luta é um tapete, mas um tapete voador e capaz de tudo.

Isto pode parecer conveniente a alguns cavalheiros mais comodistas...só que não.
 Primeiro, porque se a mantiver por perto (mesmo como amiga ou distracção ocasional) ela vai tentar minar-lhe quaisquer outros relacionamentos; segundo, porque uma Mulher da Luta não gosta realmente de ninguém: quer tanto um homem ao seu lado que vai dedicar fidelidade canina ao primeiro que lhe der atenção, independentemente da compatibilidade ou de ter sentimentos genuínos.

 E terceiro, porque é muito difícil livrar-se dela: conheço mais do que um cavalheiro que se viu literalmente encurralado numa relação que nunca desejou de facto e foi um sarilho para escapar. Isto se ela não entrar em modo vingança: uma Mulher da Luta demora muito a perceber que não é desejada, mas quando finalmente se apercebe da rejeição perde as simpatias e faz coisas estranhas, como furar pneus e destruir carros. Exagero? Conheço pelo menos dois casos graves, fora o resto.


 8- A necessitada...ou desesperada

Esta é uma forma mais leve de mulher da luta, mas igualmente maçadora. 
Ao início parece um amor, e a um homem tímido ou preguiçoso facilita imenso...em todos os sentidos. Ela convida-o para sair. Ela declara-se. Ela não opõe resistência a nenhum avanço. Ela organiza jantares de três pratos no segundo encontro. Ela gosta de tudo o que você gosta, engraxa os seus amigos, não nega nada, suporta qualquer coisa, é tão carinhosa que soa postiço, faz TUDO para agradar...ou melhor, para invadir a sua existência. E dali a nada começa a deixar coisas em sua casa, a ver se se muda para lá, telefona constantemente, não tem vida própria...uma verdadeira carracinha.

 Além de não ter personalidade alguma e de tomar atropelar todas as fases naturais de uma relação de modo passivo-agressivo, o que a torna num apêndice e não numa namorada (coisa que além de aborrecida não tem utilidade nenhuma, a não ser que tenha tido apendicite e sinta falta de um apêndice) e de ser péssimo entrar num relacionamento desapaixonado só porque "estava à mão", mantém-se o que foi dito acima: mulheres assim estão interessadas num companheiro, não na sua pessoa; não aceitam a rejeição; e em última análise, facilitaram consigo como facilitariam com outro qualquer. Especial? Not.


9- A interesseira



Esta dispensa apresentações, embora as haja mais subtis do que outras e de diversos tipos: das Maria Chuteiras (que têm preferência por jogadores de futebol) às groupies da política, há de tudo e é escusado dizer que o sonho da vida delas é arranjar quem as carregue. Depois, os métodos e tiques são  sempre os mesmos: uma interesseira vai concordar com TUDO o que o alvo diz, gostar de tudo o que ele gosta, ser uma simpatia, fazer muitos risinhos, dar todas as mostras de o amar para todo o sempre mal acabou de o conhecer,pôr o carro muito à frente dos bois e agir à velocidade da luz, tudo com o mesmo objectivo. Como a reputação as costuma preceder e basta reparar em certos detalhes - como a preguiça e gostos que não condizem com a carteira, ou um fundo grosseiro - para as detectar, o remédio é mesmo manter a cabeça fria. Uma interesseira é tão óbvia como qualquer alpinista social, apenas pode distrair com trapos reduzidos, saltos altos, muita bijuteria e outros acessórios...

10- A inalcançável

Uma coisa é a coquetterie: uma mulher não ser óbvia e fazer-se um bocadinho difícil. Outra, é uma mulher que só o vê como amigo - paciência, ou aceita que ela só pode oferecer amizade e parte para outra ou atribui um ponto pela honestidade e sai de cena. 

Mas outra ainda - e isto sim é mau -  é a rapariga que mantém um cavalheiro esperançado, na expectativa, colhendo favores meses (às vezes anos) a fio, sem nunca dizer que sim ou que não. Um "relacionamento" assim não tem futuro: ainda que a venha a conquistar o mais provável é ficar a ser sempre o elo mais fraco ou seja, gostar muito mais dela do que ela de si. Se a menina não sabe o que quer, é melhor recomendar-lhe uma viagem de auto conhecimento- talvez descubra que você é o homem perfeito quando voltar de um ashram imundo nos confins da Índia! É que nem é por si, é por ela. se não tem coragem para se explicar depois da sua décima declaração de amor, está a ser no mínimo um bocadinho egoísta, um bocadinho infantil.
 Numa relação ambos devem estar igualmente apaixonados, caidinhos, entusiasmadíssimos. Ninguém merece ser amado assim assim nem tomado por banana injustamente, e muito menos ser usado quando dá jeito à outra parte. Raparigas igualmente bonitas/amorosas/interessantes em busca de um companheiro decente é o que não falta, logo...não há necessidade de suspirar pelos cantos por alguém que não o vê da mesma maneira.



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