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Wednesday, December 3, 2014

Mamie, a bombshell original...que não envelhece



      "My best asset is my brain. 
Without my brain, I don’t think the rest of me would be too hot".

                                                                  Mamie Van Doren


Olhem para este rosto - uma beleza clássica. Mamie Van Doren, uma das maiores bombshells dos anos 50 (embora limitasse a sua carreira a filmes de culto série B e nunca alcançasse o estatuto de Marilyn Monroe ou de Jayne Mansfield, sua "rival" em Hollywood) seria bela em qualquer época. 

A sua cara era tão perfeita (pele de porcelana, olhos castanhos amendoados, rosto oval e uma boca ideal para anúncios de bâton) que não precisava do cabelo platinado nem do visual glamouroso para ser linda, mas...calhou-lhe uma figura de ampulheta cheia de curvas e ter vivido na década certa.

 

 Pessoalmente acho-a ainda mais bonita do que Jayne (e eu sou fã de Jayne, a bomba platinada com um QI de 150) e pelo menos tão bonita como Marilyn, em termos puramente plásticos. Quase uma mistura de laboratório entre Marilyn e Grace Kelly.


 Em todo o caso lembrei-me de Mamie porque há dias, enquanto fazia zapping, a vi num programa qualquer de noivas (no TLC?) já nos seus oitentas, fresquíssima, muito alegre...a escolher um vestido de noiva bastante espampanante, nem mais.

Mamie com Pamela Anderson

 E embora seja óbvio que o estilo dos anos 50 lhe assentava francamente melhor, que o visual que adoptou agora não é exactamente apropriado para uma senhora da sua idade e que há ali algum trabalho de bons cirurgiões, etc, etc, etc...não deixa de ser extraordinário como está bem conservada.


Porque digam o que disserem aquela cara, aquele brilho e vitalidade, não parecem de modo algum pertencer a quem tem 83 anos, com ou sem retoques de bisturi. Isto se Mamie não tirou, como tantas colegas suas, uns anitos ao bilhete de identidade.

 É caso para dizer que quem foi bela sempre o será desde que faça um bocadinho por isso - e para perguntar que poção ou filtro é que ela tomou! 









Tuesday, December 2, 2014

As filhas do Obaminha, ou isto dos fretes


As filhas adolescentes do Presidente dos EUA foram severamente criticadas por uma funcionária do Partido Republicano pelas  suas expressões (embaraçadas? de tédio) e fatiotas durante o ritual, salvo seja, da "amnistia do peru".

 O raspanete, via facebook, foi tão exagerado que a autora pediu desculpa e se demitiu.

 Não deixo, no entanto, de lhe dar um pouco de razão, pelo menos quanto à escolha das toilettes para a ocasião: mini saias, ténis e peúgos à vista estão muito bem para ir para o liceu, mas não tanto quando se é a filha do Presidente numa cerimónia onde o pai está de fato escuro (se se tratasse de, por exemplo, um evento descontraído de caridade ao ar livre, o caso mudaria de figura). Mesmo que a dita cerimónia seja um pouco tola e envolva a remota possibilidade de o perú amnistiado fugir em direcção ao por do sol para celebrar a sua liberdade, obrigando quem está a correr atrás dele...dever que Sasha e Malia dificilmente cumpririam, já que se recusaram a fazer uma festinha ao bicharoco. 


Ainda que o protocolo não seja rígido, haveria opções menos passíveis de gerar críticas escusadas e muito por onde escolher para duas raparigas bonitas que aliás, têm na mãe um bom exemplo.

 Não sei se quem faz a assessoria da família do Senhor Presidente se esqueceu de tomar conta desse detalhe ou se Malia e Sasha levam muito a sério o seu papel de adolescentes rebeldes (ou vou de botifarras ou não ponho os pés nessa seca, escolham!) mas com certos privilégios vêm certos deveres, que incluem determinada roupa para certa situação e não fazer as caretas que nos dá na gana.

 O que me leva a isso dos fretes: quem de pequeno e depois por ossos do ofício ou obrigação social tenha sido sujeito (a) a ocasiões do género, sabe do que falo: 

- Estar de pé 45 minutos em cima de uns saltos altos enterrados numa alcatifa (a dor!!!) à espera que um figurão acabe um longuíssimo (e repetitivo) discurso, prova provada que não, não conseguimos disparar raios laser mortíferos com os olhos por muito que tentemos;

 - Uma hora sob o sol ardente aguardando que fulano ou beltrano enterre a cápsula do tempo ou lance a primeira pedra de um edifício público qualquer (quem tornou opcional o uso de chapéu para certos eventos devia arder no inferno)...

-  Esperar horas para começar a trincar qualquer coisa, quase em estado de inanição (peso nos ombros e no estômago, tonturas) porque o convidado de honra nunca mais se despacha, e outras tantas para sair da dita mesa. E manter o sorriso e a tranquilidade o tempo todo, senão os pais dizem-nos das boas quando chegarmos a casa, que isto de pequenino... (regra de sobrevivência para adultas e  mães que por remoto acaso sujeitem os filhos a isto: uma goma, um amendoim salgado, rebuçado ou bolachita disfarça-se em qualquer clutch e engole-se no micro segundo que perdemos no corredor para a casa de banho com a desculpa "vou retocar-me antes de começarmos");

- Ouvir conversas intermináveis e secantes (geralmente, de alguém que tenta engraxar alguém que nos acompanha) com ar de Mona Lisa, tentando não adormecer ou transportando-se mentalmente para um lugar feliz.

- Tentar dirigir uma conversa ou entrevista com alguém que tenha esse tipo de discurso e faça por prolongar ad aeternum o que já foi dito ou pior, arrastar o suplício mostrando-nos a sua colecção de medalhas. Não.

E isto só para mencionar algumas secas obrigatórias, que é de rigueur e boa educação suportar com graciosidade - ou impassibilidade.

 Depois há aquelas que são mais delicadas, porque tocam no ponto "a nossa liberdade termina onde começa a dos outros".

É que volta e meia, há alguém que tem falta de noção suficiente, ou que se acha importante o suficiente para acrescentar farpas escusadas, como intrometer-se no almoço de alguém para falar (interminavelmente) de coisas que lhe interessam e não largar a presa por mais caretas que se faça (em ocasiões assim, legitima-se o uso de certas caretas discretas "para dentro", de apertar os punhos sob a mesa, de aumentar ligeiramente a distância física a ver se a pessoa percebe ou vá, de fazer um ligeiríssimo ar de enfado. Algumas vítimas serão firmes o suficiente para convidar o importuno a marcar uma reunião a hora apropriada, num delicado mas categórico "desampare a loja", mas são poucas!).

 Porém revirar os olhos, fazer trejeitos de desprezo ou dar risinhos, como Sasha e Malia, isso já ultrapassa um bocadinho o aceitável, pelo menos quando se está no lugar de maior destaque com câmaras apontadas à cara para, literalmente, todo o Mundo ver.

 Palavra que compreendo a vontade de fazer cara de frete, mas não compreendo que a tenham feito...


Quando as mulheres são mandonas, dá nisto.


Quem ontem acompanhou a mid season finale de The Walking Dead, ficou provavelmente surpreendido com o desfecho da relação entre Beth e Dawn (não vou revelar para quem ainda não viu, já bastou o disparate da AMC que deixou os fãs furiosos).

 Mas desde o princípio, a personagem da mulher polícia que liderava com pulso de ferro o grupo de sobreviventes no hospital de Atlanta pôs-me os nervos em franja. Não só pelo suspense da série mas porque o seu comportamento autoritário, histericozinho e exagerado me deixava arrepiada. Parecia um estereótipo da mulher poderosa com ataque de TPM...só que não. Muita gente já se cruzou com mulheres assim ou pior, teve uma chefe desse género. Uma mandona desarranjada dos nervos, uma Rainha do Sabá. 

 Pessoalmente não me posso queixar porque as mulheres com quem trabalhei eram bastante razoáveis, mas já testemunhei casos suficientes de "senhoras" que não sabem impor respeito: é um comportamento que se vê muito, infelizmente, na política e noutros lugares de destaque...a atitude de pata choca.

 Ainda ontem entrei numa loja de cosméticos que também tem gabinete de estética, à procura de um produto que não sabia se tinham ou não. Não estava ninguém ao balcão, as funcionárias andavam lá para dentro. Preparava-me para dar uma volta pelos expositores, quando ouço a chefe berrar com as coitadas das manicuras "VOCÊS NÃO SE ATREVAM A VOLTAR A LIMPAR COM PAPEL! AI DE VOCÊS SE NÃO USAM UM PANO!!!!" e coisas deste jaez, que me fizeram pensar que uma loja com uma líder daquelas era o pior sítio do mundo para se estar na eventualidade de um apocalipse zombie. Fugi sem esperar que me atendessem (e sem esperar para descobrir o que aconteceria se não usassem um pano!) e nunca mais lá volto, nem que tenham tudo em liquidação...

Habituadas a ter de se esforçar o dobro para conseguir chegar a algum lado e a falar alto para se fazer ouvir (julgam elas) há mulheres que exageram, que apreciam mais o acto de mandar do que a eficácia e assim desperdiçam as suas boas qualidades (inteligência, capacidade de adaptação, versatilidade) em prol de um suposto "ar de comando". Resultado: vozes de cana rachada, gestos exagerados, modos de Hitler, todo um aparato descomposto e chinfrim que contribui para que os homens digam "uma mulher não sabe mandar".

E quando perde a serenidade, não sabe mesmo...




Monday, December 1, 2014

Paola, a Princesa "raio de Sol"


Acho sempre certa graça ao interesse de muitos bloggers pelas idas e vindas de algumas "cabeças coroadas" actuais, sem que se olhe para os exemplos de outro tempo - de uma época em que tudo era mais glamouroso e muitas vezes, tingido de maiores responsabilidades, o que só acrescentava valor ao facto de os representantes das Casas Reais europeias de então conseguirem, ainda assim, ser ícones de estilo que perduram.

 Antes de admirar uma Duquesa de Cambridge - o ai Jesus tratado de forma assaz superficial na era das redes sociais -  é inevitável lembrar como a Duquesa de Alba foi jovem e bonita, ou o assombro que era a Princesa Margarida. Nos anos 1950/60, várias  jovens aristocratas e Princesas  deslumbravam nas páginas (bem mais respeitosas e artisticamente escritas que as de hoje, assinale-se) de jornais e revistas, ora pela sua beleza e brilho, ora pelos seus dramas e rebeldias...

 Uma dessas beldades era a Princesa Paola Margherita Giuseppina Maria Consiglia Ruffo di Calabria, que viria a tornar-se Rainha consorte da Bélgica.



 Membro de uma antiga Casa italiana, filha mais nova do Príncipe Fulco Ruffo di Calabria e da Condessa Luisa Maria Gazelli di Rossana e di Sebastiano, Paola era uma jovem tímida de ascendência italiana, belga e francesa. Falava fluentemente quatro línguas, porém 
dizia-se  que era "muito simpática, mas tão retraída que nem se dava por ela". 

 Não obstante, o Príncipe de Liège, Alberto (filho mais novo da lendária Rainha Astrid da Bélgica)  ficou encantado mal a viu numa recepção em Roma e - embora fosse ele próprio bastante acanhado - não perdeu tempo a conquistá-la: após um breve namoro, casaram em 1958. O povo belga ficou tão enternecido pela beleza e sorriso doce da noiva de cabelos dourados que a apelidou de "Princesa Raio de Sol". 



Porém, a adaptação a um novo país e ao seu papel de consorte do segundo na linha de sucessão não foi fácil: Paola tinha saudades terríveis de casa e o marido estava sempre ocupado, o que levou a crises no matrimónio. 


Modas e Bordados- Vida Feminina, Maio de 1962

Valiam-lhe os bebés que foram nascendo e o facto de ter poucas funções oficiais, mas isso começou a mudar quando ficou claro que o Rei Balduíno, irmão de Alberto, e a mulher, a Rainha Fabíola, não teriam filhos. 



Aos poucos, a figura de Paola e o seu sentido de estilo começaram a despertar grande curiosidade nos média. Modesta, irrequieta e dotada de grande sentido do dever, a perspectiva de ocupar o trono acabrunhava- a (sic):

"A Princesa Paula é feliz e o consorte Alberto de Liège sente-se orgulhoso dela. Com o pequenino Filipe constituem, de facto, uma família perfeita. O segundo filho dos príncipes (...) deverá nascer no fim do mês de Maio, mas Paula continuou  até há poucos dias a aparecer em público, comovendo toda a gente com o seu ar compungido, os seus cabelos descompostos e a sua figura docemente pesada. «Embora Paola seja a última a desejá-lo - diz-se em Bruxelas - a comparação entre a sua tranquila segurança e a patética inquietude da rainha Fabíola surge espontâneamente» (...) Uma enorme responsabilidade pesa, por conseguinte, sobre os frágeis ombros da linda princesa Paula. «Paula - dizem as suas amigas romanas - nunca fala nisso, e seria uma grande descortesia se alguém lhe falasse mesmo em particular. A verdade é, porém, que Paula recusa a eventualidade de tornar-se rainha. Em vez de lisonjeá-la, uma tal eventualidade assusta-a (...). Ela conhece perfeitamente o enorme peso de obrigações que pende sobre uma rainha..."


 (in Modas e Bordados, 1962)


A temida responsabilidade  viria a caber-lhe de facto, mas só em 1993 quando o cunhado, o Rei Balduíno, morreu sem deixar descendência.  Paola tornou-se Rainha dos Belgas (posição que só deixou de ocupar no ano passado quando o testemunho foi passado ao filho, o Rei Filipe, e à sua encantadora esposa, a Rainha Matilde). Paola - que mantém muita da beleza e elegância da sua juventude - e Alberto celebraram 50 anos de casados em 2009, tendo dito na altura "tivemos os nossos problemas, mas agora reconhecemos que fomos feitos um para o outro".


 *Fontes -  "Modas e Bordados", Hola e via.




Conselho de 1901 que ainda vale em 2014



 "(...)any makeup which is not discreetly and artistically managed is vulgar in the extreme."

Ella Adelia Fischer, The Woman Beautiful (1901)


As modas vão e vêm, a elegância fica; e há máximas que não se alteram com o passar do tempo. Sendo certo que na Belle Époque estavam em voga as morenas claras com figura de ampulheta, como Lina Cavalieri, e pouca ou nenhuma maquilhagem (o uso de "pinturas" só viria a ser assumido pouco a pouco, embora a maior parte das senhoras as aplicasse discretamente) a verdade é que um rosto demasiado "mascarado" - quando fora da passerelle e dos editoriais de moda - não é favorecedor, nem atraente. É impossível ter bom ar com um make demasiado forte.

 A maquilhagem, por muito sofisticada que seja, deve servir para realçar os traços...não para pesar ou dar nas vistas por más razões.

 Actualmente, temos à disposição duas "correntes de maquilhagem" por onde escolher: o natural "no makeup look" e um visual cuidado ao extremo, com vários truques de contouring, reservados até há uns anos atrás aos profissionais e connoisseurs e amplamente divulgados agora junto do público graças a celebridades instantâneas como Kim Kardashian e aos tutoriais de maquilhagem disponíveis nas redes sociais ou no Youtube.

Em ambos os casos, convém encontrar o meio termo: recursos como o smokey eye e o bold lip podem resultar lindíssimos e ser, em si mesmos, um acessório de moda; o contouring habilmente aplicado pode dar "cara de boneca" sem que se note que lá está.
 Convém que o que está a vista pareça real, vivo, que uma mulher possa agir à vontade e receber uma festa ou beijo no rosto sem parecer que vai sujar a pessoa que a cumprimenta!

 O que é preciso é sensatez, conhecimento (para saber o que nos cai bem e evitar gaffes e visuais datados, como as sombras brilhantes e o excesso de gloss) um pouco de prática e olhadelas frequentes e discretas ao espelho (para evitar borrões que acontecem a todas).

 Tendo em mente que a boa maquilhagem serve apenas para enaltecer o que a Natureza deu a cada uma e que, para ser uma mais valia e não um incómodo, não deve fazer-nos perder demasiado tempo pela manhã, estar-se-á no caminho certo. Uma boa rotina não tem de ser longa nem angustiosa. Quanto à diversão de experimentar truques novos e elaborados...uma forma excelente de garantir que não se exagera é reservá-la para a noite e ocasiões especiais.

 Mantenhamos as coisas simples, pois disse Arlene Dahl e muito bem "demasiado rouge é sinal de desespero".





Sunday, November 30, 2014

A nobre arte de ser um copo vazio



Ouvem-se muito por aí todo o tipo de frases sobre o pessimista que vê o copo meio vazio e o optimista pollyanesco que acha sempre que o copo está meio cheio, e as vantagens e handicaps de cada abordagem.

 Não é bom ver tudo pelo lado negativo (se não soubermos ver as coisas boas que temos e nem estar abertos a mais bónus do universo somos, no mínimo, uns maldispostos) nem muito prudente ver sempre o lado positivo de tudo: todas as situações podem ter vantagens e oportunidades escondidas, mas por vezes é mesmo preciso agarrar os problemas pelos cabelos e não os maquilhar com wishful thinking.

No entanto, o que não é tão comum ver-se é a possibilidade de o copo estar vazio, sem metade de coisa nenhuma. Mas aqui a pensar com os meus botões, eu que não aprecio meios termos, acho que há muito poder num copo vazio, porque um copo vazio e limpo está pronto para tudo e pode tornar-se qualquer coisa. Nem sequer precisa de ser passado por água para receber sumo de laranja, vinho ou coca cola. Encerra todas as possibilidades.

 Isto é dito de muitas maneiras, em várias fés e correntes de pensamento. Bruce Lee não falou propriamente sobre o copo, mas aconselhava "sejam como a água". A água não tem restrições, adapta-se a qualquer formato, amacia as pedras e quando contida por muito tempo, ganha uma força capaz de rebentar com os obstáculos no seu caminho. Mas para dar forma a essa força é preciso um recipiente, um copo vazio.

 Vários pensadores da Igreja Católica, como Santo Afonso de Ligório, defendem a ideia de "esvaziar-se" de si mesmo para que Deus possa agir.  Nós, meros mortais, só atrapalhamos.

 E numa perspectiva mais New Age, muitos autores de auto ajuda do estilo "atraia assim e assado, mude a sua vida" afirmam que para trazer coisas boas, é preciso primeiro livrar-se daquilo que empata e ocupa espaço. Não é possível atrair uma relação ideal enquanto se está preso a uma relação imperfeita. Não é possível mudar enquanto se estiver agarrado a velhos hábitos. Mas é claro, muitas vezes o copo está meio cheio (ou meio vazio)e é difícil (ou imprudente) atirar fora o que se tem para começar do zero.

 Só quando o copo se esvazia mesmo - geralmente, contra a vontade do dono-  é que se encaram todas as probabilidades. O caldo entornado, o leite derramado, é o fim de tudo...ou um novo começo.

 Aí entra o velho adágio "quando se chega ao fundo do poço, não há lugar para onde ir a não ser para cima".

 Essa é a vantagem do copo limpo: quem se queixa porque não tem amigos/cara metade/um projecto de carreira, está a ver mal as coisas. É que está no estado de recipiente perfeito, próprio para criar ordem a partir do caos, pronto para se encher. Um vaso limpo para criar tudo de novo, sem ninguém para fazer de peso morto nem lixo a ocupar espaço.

 Entre água choca ou água que não serve para matar a sede, às vezes mais vale pegar no copo e ir à procura de uma fonte límpida ou de uma garrafa de Evian para quem gosta, sei lá. Mas isso, claro, exige independência mental...e pouca paciência para ficar sentado a medir quanta água tinha o copo. Ou a chorar sobre a água derramada.


Três passos para evitar más relações como um consumidor inteligente.



Mesmo a mulher mais ponderada, que faça uma boa gestão financeira e adquira só aquilo que lhe faz falta (ou o que acrescenta valor ao seu dia a dia) sente-se outra depois de uma boa passeata pelas lojas. Lá dizia Oscar Wilde, as mulheres desengraçadas choram, as outras vão às compras.  A terapia do retalho - ou do e-commerce, ou dos fornecedores por atacado de cada uma -  desde que bem aplicada para não trazer arrependimentos, problemas financeiros ou tralha inútil, é um santo arejador de cabeças. Por isso mesmo, atrevo-mo a dizer, há que aplicá-la com parcimónia se se for um bocadinho cabeça no ar, ou para evitar tornar-se numa.

 Mas depois de anos a desenvolver toda uma teoria do smart shopping - com uma elevada taxa de sucesso no evitar de compras que não prestam - arrisco dizer que é mais fácil ser-se sensata no arriscado quesito do consumo do que noutros aspectos.
   Tendemos a ser mais tolerantes na escolha das pessoas do que nas aquisições que fazemos.

 Aprendemos mais facilmente a evitar maus negócios do que a eliminar (ou corrigir) relações negativas.

E isto, controverso como possa soar, não é muito boa ideia: talvez se deva aplicar a algumas relações humanas a mesma parcimónia que se usa quando se trata de gastar dinheiro.


Aqui ficam os três erros mais comuns:


1- Testado e desaprovado



Só as fashion victims caem no erro de continuar a comprar modelos que não lhes ficam bem. Uma consumidora inteligente e elegante não usa aquilo que lhe fica "mais ou menos" quando pode estar fantástica: conhece de cor o que a favorece e as peças que deve evitar, por isso consegue reduzir os maus investimentos (e as gaffes de estilo) ao mínimo inevitável.

 E como se alcança isso? Com experiência, observação, conhecimento e aprendendo com os erros do passado, sem voltar a cair neles. Se o corte império não lhe cai bem, vai usar um vestido assim num dia importante? É convidar ao fracasso. Com os afectos, tem de acontecer a mesma coisa. Se uma pessoa (ou um padrão de comportamento de uma ou mais pessoas) já lhe trouxe desgostos, vai continuar a permitir que a história se repita só para dizer que tem fulano ou beltrano na sua vida, ou que tem muitos amigos (ainda que de qualidade duvidosa?)? I think not. Tal como no armário, menos é mais - é preferível não ser tão popular nem tão sociável, ou estar sozinha, a deixar que terceiros instalem o caos na sua existência. Fique com aquilo que lhe faz bem e evite a variedade desnecessária.

2- Dor escusada



Se uns sapatos nos magoam e não caem como devem, acabam no fundo do armário a ganhar pó. E se magoam a sério, não devemos permitir que o façam outra vez. Já o disse aqui e aqui, a sensação de desalento que temos quando não podemos confiar nos sapatos é a mesma de não podermos confiar em pessoas chegadas.  

Um bocadinho de incómodo ainda se tolera no calçado de sair, que é de uso breve e ocasional, mas não nos sapatos/botas/sandálias que é suposto manterem-nos de pé um dia inteiro. Se formos consumidoras sensatas, deixaremos de os desculpar com o piso instável ou o dia de estreia e de lhes dar segundas e terceiras oportunidades: libertamo-nos dos pares que não prestam, evitando comprar a mesma marca (ou modelo) de futuro. 

Ora, com as pessoas passa-se o mesmo: algumas desilusões ou incómodos aturam-se nos conhecidos ou colegas com quem raramente temos de lidar, mas são imperdoáveis nas pessoas com quem é suposto contar - amigos íntimos, cara metade e família - principalmente quando esses comportamentos se repetem (e desculpam) uma e outra vez. Talvez se deva perdoar menos. Encontrar as pessoas certas pode ser tão complicado como achar os sapatos certos...mas quando as temos, confiamos nelas de olhos fechados e vamos com elas até à Conchinchina, tal como acontece com os sapatos de confiança.
 Se as pessoas na sua vida são como sapatos de feira e você faz por merecer Gucci, talvez precise de criar espaço na sua existência para um upgrade. Não há lugar para calçado de qualidade enquanto não limpar as prateleiras do que não lhe interessa; nem há espaço para relações de qualidade até que se liberte do que lhe faz mal.


3-Old habits die hard



Se uma marca nos desilude, o mais certo é deixarmos de a utilizar...mesmo que toda a vida a tenhamos visto lá por casa. 

Se mudaram a fórmula, a embalagem e enfim, um produto "já não é o que era" a nossa fidelidade fica comprometida (um exemplo recente é a Herbal Essences, que voltou às embalagens antigas depois de ter feito um reposicionamento para agradar à "geração milénio". Nunca se deve desapontar o consumidor de sempre!). Então por que carga
 d´água mantemos por perto certas pessoas com o velho título que sempre lhe demos, quando há muito deixaram de preencher essa função? Se um "amigo do peito" passou a "conhecido", há que reposicionar essa ligação. E deixar de contar com essa pessoa porque tal como a tralha inútil, pode não servir para nada mas aumenta a factura quando se passa pela caixa. Se uma relação só traz incómodos e nenhuma recompensa, as hipocrisias são escusadas, tal como o champô que não deixamos de comprar por reflexo condicionado.






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