Recomenda-se:

Netscope

Sunday, September 13, 2015

8 dicas que salvam a aparência e os nervos

Acho que todas gostamos de ver ideias de styling fora do vulgar e inspiradoras, que fazem pensar "como é que nunca me lembrei disto?". Mas a verdade é que nem sempre há tempo ou oportunidade de testá-las e há coisas que é melhor não tentar à pressa. Depois, como disse Alexander Wang, não é nos looks super pensados que se põe à prova o estilo de cada uma: é na arte de montar um visual apresentável (e que se mantenha polido o dia todo) em dois tempos. Aqui fica uma mão cheia de ideias para o efeito:


1- Quando na dúvida, vá de preto

A não ser que se tenha de marcar presença num casamento - ou que esteja um calor tal que torne andar de negro uma missão penosa (then again, os beduínos usam e andam felizes) preto é sempre apropriado. Emagrece, dá a ilusão de a roupa ser mais sofisticada do que na realidade é (de preferência, se o limitar a tecidos naturais com boa caída) e parece inevitavelmente chic.


2- Saiba os seus truques de cor

Se tiver sempre em mente o que vai bem ao seu tipo de corpo e as dicas para alongar a figura, dificilmente errará nos dias "não" ou de pressa.



3- Traga uns toalhetes de limpeza consigo
De remediar nódoas discretamente (os meus já tiraram de apuros várias pessoas agredidas por um copo de vinho que se virou ou um croquete saltitante) a limpar num ápice maquilhagem esborratada, passando por dar uma polidela aos sapatos que se empoeiraram, servem para salvar tantas situações que é imperdoável andar sem eles. Para trazer numa clutch, há pacotinhos pequenos (na secção dos desmaquilhantes). 


4- Tenha à mão os seus flats de confiança
Gucci

Todas temos em casa, ou devíamos, pelo menos um par de sapatos rasos, numa cor neutra, que não magoa (não é tão fácil de encontrar como parece) e que, apesar de baixo, fica elegante com quase tudo. Bailarinas pontiagudas e maleáveis são o ideal. É sempre boa ideia tê-los no carro ou no gabinete, porque nunca se sabe quando um sapato se estraga, fere ou se dá um mau jeito a um tornozelo. (E se vai a algum acontecimento social com uns stilettos particularmente ameaçadores, pode ser prudente deixar um par extra na bagageira ou no bengaleiro). Better safe than sorry.


5- Se o cabelo está impossível, entre em modo D. Aurora

Os rabos-de-cavalo têm muito que se lhe diga (há alguns muito elegantes e outros que parecem saídos de um bairro duvidoso) as tranças exigem jeito, mas um carrapito é acessível a qualquer uma e dá para fazer desde que o cabelo chegue aos ombros, mais coisa menos coisa. Tenha sempre à mão um clip "de aranha", um doughnut ou um elástico redondo e fofo, vire a cabeça ao contrário, dê umas voltas às madeixas e já está. Dá um certo chic francês e se usar um sérum antes de o apanhar e um pouco de laca nas raízes, quando o soltar terá volume e caracóis estilo Victoria´s Secret. Muito útil para quando não há tempo de secar o cabelo na perfeição, para dias quentes ou para quando se tem um evento ao final da tarde e pouca vontade de lá chegar feita espanador.


6- Básicos, para que vos quero

Os tops simples, camisas clássicas e as calças estreitas de confiança em cores sólidas devem estar sempre a jeito. É por isso que o estilo das modelos-de-folga é tão infalível: basta juntar uns botins engraçados ou uns scarpin elegantes, um casaco fora do vulgar ou gabardina clássica, uma carteira boa e uns óculos de sol sofríveis and you´re good to go.


7- Don´t try too hard to be sexy

Um vestido clássico cingido ao corpo q.b e/ou um decote bonito, uma blusa preta off the shoulder + calças cigarrette, skinny jeans escuros + t-shirt (para o dia ou ambientes informais) acompanhados de saltos razoáveis são receitas simples para quando uma mulher precisa de dar aquele "efeito extra" sem parecer que se esforçou demasiado. Mais ideias de emergência aqui.


8- A nossa amiga saia lápis
Se ainda não tem uma saia lápis preta, simples, num tecido consistente que permita atravessar as estações, de cintura subida q.b (para colocar blusas e camisas por dentro) que caia logo abaixo do joelho e que seja justa o suficiente para favorecer a silhueta mas maleável que chegue para caminhar à vontade... faça um favor a si mesma e encontre-a. 
Claro que é útil ter este modelo em várias cores e materiais (uma festiva, uma de couro e uma denim, por exemplo) mas a preta clássica favorece quase toda a gente e seria preciso um computador para calcular todas as combinações que possibilita. Pode usá-a com uma t-shirt curta, espampada + scarpins com um pequeno salto para almoçar com as amigas, com uma camisa de seda +pumps clássicos para uma reunião, com um top luxuoso e stilettos para um evento à noite, etc, etc, etc.


E crescer, não? (4 tipologias do complexo Peter Pan)


Já comentei convosco que o complexo Peter Pan é daquelas coisas que me tira um bocadinho do sério, mesmo quando só assisto a ele de longe e não me atinge directamente. Nada contra o Peter Pan: quando era pequena gostava bastante da história porque também eu tinha a mania de inventar mundos imaginários estilo Nárnia (mas mais giros) Eternia ou Terra do Nunca, com fadas, sereias, elfos, tesouros, castelos encantados, génios e grandes aventuras, para onde me retirava quando me custava a adormecer. Era divertidíssimo e um santo remédio contra a insónia. Mas isso de nunca crescer não me seduzia, antes pelo contrário. Sempre me pareceu que a aventura seria maior ainda quando chegasse a adulta (e de facto é). 

Depois, a verdade é que por muita imaginação que se tenha, muito bom ar que se mantenha, muito bons genes ao estilo Dorian Gray e muito espírito jovem que se conserve, aqui não é a Terra do Nunca. Achar o contrário é - além de irresponsável e de prejudicar os outros - uma receita para figuras patéticas. Vejamos então as 4 tipologias mais facilmente detectáveis, ou comuns,  do complexo Peter Pan.

1- O Peter Pan em pânico



Este é um clássico: vai do herdeiro que em vez de assumir as empresas do pai prefere gastar o tempo em farras e más companhias, ao bom rapaz que até tinha planos muito sérios, mas quando chega a uma certa idade e essas ideias ameaçam tomar forma, vê (estou farta de pensar mas não encontro outra metáfora) as calças perto do corpo... e isso provoca-lhe verdadeiros fanicos.

Em vez de se orgulhar por ser finalmente um homem que comanda o seu destino, dá-lhe assim uma fobia da responsabilidade.

 Embora as estratégias sensatas (tornar-se independente, gerir algum legado, assentar, etc) até partissem dele, de repente age como se alguém o estivesse a obrigar. Com uma arma apontada. Então volta atrás, em vez de evoluir: adia o mais que pode todos os bons projectos que tinha feito, berra para quem o quer ouvir "ainda sou muito novo, ainda tenho muito tempo, não quero pensar nisso para jáagarra-se furiosamente aos vintes, mesmo que já não os tenha, como se pudesse parar a marcha do tempo e desata a agir com toda a imaturidade que consegue chamar a si. Como os amigos de sempre estão a tomar juízo (e as rédeas do seu futuro) e isso lhe causa náuseas (e em boa verdade, as pessoas sensatas na sua vida não estão para aturar figuras de urso) começa a andar para cima e para baixo com miudagem (com quem, claro está, não aprende grande coisa) e a retomar hábitos, conversas e passatempos que parecem perfeitamente ridículos num homem feito. Vê-se ao espelho e acha-se bué da fixe e bué da jovem...só que não. 


2- A eterna Wendy



dois tipos de Eterna Wendy: a crónica e a aguda, que se manifesta de surpresa. A Wendy crónica é a criatura desmiolada que já passou a idade de sair constantemente, de publicar selfies com as amigas na casinha da discoteca (com vista para as retretes e os azulejos) e de postar nas redes sociais coisas cómicas e lamentáveis sobre invejas, namoricos e intrigas. Devia ter-se fartado disso entre os 16 e os 25 anos, ter queimado todos esses cartuchos, aprender com os erros e divertir-se agora com outras coisas, mas não. Algumas Wendies até tiveram um filho pelo caminho com um dos seus companheiros de farra (com quem entretanto se zangaram porque ele as trocou por outra Wendy) mas nem isso as faz abrandar: afinal, as avós inventaram-se para despachar as crianças enquando se aproveita a night ao máximo. O tempo passa, algumas até já não têm um ar muito fresco, mas têm a mania que são fadas Sininhos e tratam de vestir como a Sininho, em versão mais provocante e mais barata. 

 Depois há as Wendy agudas: mulheres perfeitamente normais que casaram cedo, criaram filhos, eram do mais sossegado e aburguesado que podia haver, mas face a um divórcio são atingidas por uma dose perigosa de pó de fada e zás: entendem que para se vingar do ex têm de parecer super teenagers e "resolvidas". Ou que assentaram cedo demais, não aproveitaram a vida e agora têm de compensar desesperadamente o tempo perdido, e vai de ser Wendy! Começam então a sair em grupinhos para lugares -às vezes duvidosos- em busca de namoro, vestem a roupa das filhas, quanto mais curta e revelora melhor (mesmo que já não vão realmente para novas e/ou não estejam em grande forma) vão ao salão fazer madeixas coloridas e tatuagens a dizer carpe diem (disse salão de propósito, hein?) a ter affairs em série, a fazer de cougars em série, a chorar por causa disso como miúdas do liceu e a envergonhar os filhos adolescentes, que entram em modo "ó mãe, eu não a conheço".

3- O Capitão Gancho casmurro



Digo Capitão Gancho, mas há versões femininas. São aquelas pessoas que, não importa quantas bofetadas de realidade a vida lhes dê, continuam a acreditar que todos os sonhos se realizam, por mais disparatados que sejam. Apesar de ser um dos poucos aparentemente adultos na Terra do Nunca, o Capitão Gancho vivia preso ao seu trauma do crocodilo e ao seu desejo de vingança contra o Peter Pan. 

Qualquer pessoa crescida com dois dedos de testa pensaria "eu pus-me a jeito e o crocodilo fez o que os crocodilos fazem, deixa lá isso que o gancho até me dá um certo panache". Punha-se superior a essas coisas e não se rebaixaria para dar o troco a um rapazola infantil que não sabe o que é bom para ele (e que ainda por cima voa, o que torna uma perda de tempo tentar apanhá-lo). Como bom pirata, gastaria a sua energia noutras coisas mais produtivas, como acumular tesouros e abordar galeões. 

Qual quê: os ares da Terra do Nunca também o afectam e o Capitão acaba por ser tão pueril como o resto da pandilha.

 Na vida real, os Capitães Gancho vivem presos aos sonhos de juventude e não entendem que, por muito mérito que haja na persistência, há uma linha que separa determinação de estupidez. Um bom exemplo são as pessoas que insistem que querem ser artistas e nada mais que artistas, ainda que lhes falte o talento, a formação, uma estratégia razoável para lá chegar ou os meios, e que se recusam a arranjar outra ocupação onde aplicar os seus dotes, que lhes dê dignidade e independência. Os anos passam, os maus investimentos somam, mas continuam a exactamente na mesma, ainda que isso os prejudique a eles e à família. Eu também queria ser Super Guerreira do Poder como a She-ra, hoje acho que não era vida que me assentasse. Os sonhos evoluem!


4 -Os Meninos Perdidos



Os Meninos Perdidos são semelhantes ao Peter Pan em Pânico, mas ao contrário deste, nunca ninguém esperou deles grandes feitos nem responsabilidades, ou eles próprios nunca tiveram intenções de vir a crescer. 

Enquanto o Peter Pan em Pânico ao menos planeava isso, por o saber inevitável, os Meninos Perdidos sempre foram uns rebeldes, uns malucos, cujo único objectivo de vida é estar com os amigalhaços, andar em grandes velocidades, beber copos e conquistar raparigas de pouco juízo.
 Vestem como adolescentes (em certos círculos, fazem o tipo que usa cabelo espetado e correntes ao pescoço até aos 40 e tal anos e mais além) mesmo que os efeitos da cerveja se notem na sua barriga, contam piadas parvas, têm o intelecto de um bêbedo (talvez porque andem assim boa parte do tempo) não estabilizam profissionalmente nem querem, saem tardíssimo de casa dos pais e são péssimas influências - principalmente se se cruzarem com um Peter Pan em Pânico pestes a ter uma crise das suas.

Alguém tire o pó de fada a esta gente, porque o mal é contagioso.

Saturday, September 12, 2015

Liberdade, liberdade, quem a tem chama-lhe sua.




E eu não sei quanto a vós, mas enquanto mulher não me falta liberdade nenhuma.

 A sociedade teve muitas evoluções (social e moralmente falando, nem todas para melhor) mas os limites que temos, num país europeu e democrático, são os da lei - a meu ver a nossa, não sendo perfeita, é bastante razoável - e os da nossa consciência,que variam consoante os valores que cada um recebeu em casa ou o que faz com eles. Também nos são colocadas (mas só se nos importarmos com isso e soubermos o que é bom para nós) algumas fronteiras invisíveis que, se quisermos manter uma boa reputação e andar de cabeça erguida, não atravessamos. Chama-se a isso jogar com as regras do mundo, mas cada mulher (tal como cada homem) é livre, se tiver um espírito muitíssimo livre, de se estar nas tintas para elas e proceder como achar melhor.

Mas só por descargo de consciência...vejamos se me falta alguma liberdade, não vá o diabo tecê-las e eu esquecer-me de alguma, algum direito civil que me seja negado pelo simples facto de ter o cromossoma X. É que não me ocorre nem uma. Posso circular por aí enquanto adulta responsável e cumpridora da lei a qualquer hora do dia ou da noite (se tiver comportamentos pouco seguros o mal é meu, mas ninguém me proíbe de o fazer), viajar para fora do país, votar e escrever disparates se me apetecer, sem ser presa nem multada; posso candidatar-me a qualquer curso e a qualquer emprego, até carregadora de caixotes (se tenho arcabouço para os carregar, isso já é outra história). A lei laboral pode não ser uma maravilha -os direitos das mães trabalhadoras poderão melhorar, but then again, acho que realmente grave neste país é a falta de emprego e os salários ridículos que já vêm de há muitos anos para cá, e isso não escolhe sexos. 

Depois há outras liberdades amplamente concedidas às mulheres que as quiserem aproveitar: de vestirem como entenderem (fiquem como ficarem) de andarem em certas praias nos preparos que quiserem (uma liberdade que não existe em todo o lado, nem sequer no Brasil) de comprar ou mesmo obter contraceptivos gratuitos e, até nos casos de comprovada irresponsabilidade (já foi pior, mas ainda assim) de interromperem uma gravidez voluntariamente, sem custos nem perguntas. Tudo isto adicionado a pequenos privilégios que, gostem as feministas disso ou não, ainda estão associados ao facto de ser mulher. Posso estar em mangas de camisa ou vestido sem mangas num evento que ninguém me olha de lado, enquanto os homens morrem de calor com o casaco vestido. Ainda vai havendo  um cavalheiro que me abre a porta ou se voluntaria para ajudar se eu transportar um malão do comboio abaixo. E assim por diante, que quero acabar o post hoje.

 Esqueci-me de um direito: as mulheres que não tiverem problemas com isso e forem convidadas para tal, estão à vontadinha para tirar a roupa para os média. 



Já nem sequer são originais ao tentá-lo, pois o número (e o direito de o apresentar) é mais velho que as barbas de D. Fuas Roupinho. Os únicos limites são a sua forma de estar, a sua consciência e as costas largas relativamente à opinião dos outros, porque isto da liberdade é uma maçada: como assiste a toda a gente, uns vestem (ou despem) o que querem e os outros pensam (ou falam e escrevem, dentro dos limites da lei e não caindo em injúria ou difamação) o que bem lhes passar pela ideia em relação ao assunto. 

  Lamento, mas a liberdade (ou a ditadura de pensamento, disfarçada de "liberdade feminina") de vestir ou despir para dar nas vistas sem que ninguém ache rigorosamente nada, ou que toda a gente ache isso lindo (independentemente de os retratos, neste caso, terem ficado bonitos ou de bom gosto) nunca existirá. É utopia.

Então confesso que não sei qual é a liberdade que Joana Amaral Dias deseja para a sua filha que ainda não nasceu, ao tirar a roupa para uma publicação duas vezes seguidas.

 A liberdade de não ser criticada se aparecer sem roupa antes das eleições,quando supostamente as mulheres na política (e em especial, as mulheres de esquerda, tão "não-me-toques" quando o assunto é sexismo) se batem contra a objectificação da mulher e esperam ser respeitadas, de forma isenta e igualitária, unicamente pelo seu trabalho? A liberdade de tratar assuntos sérios de forma pouco séria? 

É sabido que à esquerda e em meandros feministas mais extremos, a nudez feminina é um tópico algo vago: tanto se usa para protestar (o corpo é delas e fazem dele o que querem, ora viva a liberdade) como ai Lenine (acho que não dirão "ai Jesus") que um piropo é crime, estou a ser objectificada, que opressão horrível.

Mas confesso que perante isto, fico um bocadinho confusa. Não percebi o objectivo. Desejo que a pequena nasça saudável e feliz apesar de toda esta confusão (pois segundo a mãe a gravidez é de risco e com coisas sagradas não se brinca) e atribuo o destempero a uma coisa muito feminina e normal que se calhar é sexista mencionar - as hormonas, que desculpam muita coisa.

 Liberdade temos que chegue e sobre. O que falta,muitas vezes, é juízo para fazer uso dela com dignidade e compostura. Porque sem isso é difícil obter respeito, coisa que não depende do género: fosse um homem da mesma posição colocar-se nestes preparos, eu diria exactamente o mesmo...


Três tendências que talvez seja aconselhável não experimentar (às cegas).


Digo muitas vezes por aqui que aprecio a liberdade e criatividade, em termos de tendências e styling, de que temos gozado nos últimos anos. Dos "ugly shoes" aos scarpins mais clássicos e delicados, das calças de couro a saias de todos os modelos e feitios, do grunge ao ladylike, influências (e peças) das mais diferentes décadas...nada é real, tudo é permitido. Várias causas contribuíram para essa variedade de opções, incluindo a popularidade do streetstyle, que acaba por influenciar as próprias casas de moda e vice versa. Se uma it girl com muitos seguidores resolve reciclar, digamos, uns saiotes da avó e usá-las com o sapato must have da estação numa qualquer fashion week, facilmente se torna viral via social media. É o reinado da espontaneidade, do mix and mash.

 Mas é claro que onde existe muito por onde escolher, se impõe muito bom senso. 

Tanto as mulheres que têm um estilo próprio e intemporal com pequenas actualizações como as fashionistas que gostam de testar e variar, brincando com as novidades mais arriscadas e passageiras - ou mesmo as mulheres somewhere in between - precisam de ter dois aspectos em conta:

A)- Nem tudo o que se vê nas imagens de streetstyle ou nos sites tipo lookbook (tal como o que aparece nos editoriais de moda) é realmente para usar por aí. Vulgo vestidinho super leve + botas lindas, mas quentes num calor de 40 graus. Esteticamente fica um espanto, claro. É razoável andar assim? Não creio.


Muitas trend setters fazem essas combinações apenas para captar a atenção dos fotógrafos, ou para criar imagens interessantes para os seus blogs (eu própria elaboro coordenados só para praticar e tenho algumas peças que comprei por curiosidade/coleccionismo ou para retratar, mas que dificilmente vestiria a não ser num contexto muito específico). Além disso, não esquecer que muitas celebridades do streetstyle têm a benesse de receber bastantes ofertas para divulgação. O botim peludo Fendi não lhes custou um cêntimo, logo podem brincar com ele à vontade; mas quem 
quiser comprar igual ou parecido tem de pensar que utilidade dará a uma coisa dessas.


B) - Não esquecer que para tirar o máximo partido de qualquer tendência há que nunca perder de vista as proporções e ser super rigorosa para determinar se se adapta à sua silhueta (ou não). Se uma novidade, por interessante que seja, achata, engorda ou a deixa sem graça ou desengonçada, prescinda dela. Por vezes até as editoras de moda arriscam demasiado, usando peças que as deixam menos elegantes. Better safe than sorry.


Vejamos então três tendências do momento que é melhor tomar com um grão de sal:


1- Culottes
Não detesto os culottes. Já vi alguns pretos ou khaki, até com laçada na cintura, que usados num look monocromático e com umas nude sandals ficam fantásticos. Não esquecer, porém, que exigem uma silhueta delgada e peças simples, que alonguem a figura. Não sendo assim, só as raparigas altíssimas e muito magras escaparão incólumes com eles, e mesmo essas...
 Evite-se portanto coordená-los com botins que "cortem" a perna, sapatões, e por aí fora.


2 - Pinto calçudo

As calças flare, boca de sino e pata de elefante são adoráveis, mas a regra manda que sejam longas para fazerem o mesmo à silhueta. Já vimos estas versões curtas nos anos 90 e passaram de moda por boas razões. Podem ficar engraçadas com o tipo de sapato acima e/ou em algumas manequins, mas o mais certo é não gostar de se ver com elas. 

3 - O look à tia Leontina
Ou à tia Serafina. Ou tia Clementina que tem poderes mágicos como a Mary Poppins. Ou tia Capitolina que por acaso calçou os ténis do Joãozinho. Nada contra os "vestidos da avó". Estão na moda há uns anos e, se ajustados à medida (ou seja, não deixando que fiquem demasiado soltos) e com o calçado e acessórios apropriados, podem resultar muito bem. Mas há que fugir do look total: se o "granny dress" é fechado como um vestido de governanta, as mangas não devem ser volumosas. Em todo o caso, os mais bonitos têm um pequeno decote e convém usá-los com um calçado de linhas simples, mas um pouco mais trendy (e um bocadinho sexy) para quebrar o efeito caricatural: scarpins bicudos de salto alto, por exemplo. Assim evita-se o efeito, como diria o Ricardo Araújo Pereira, "visto de trás parece uma velha" (sem ofensa...).

Friday, September 11, 2015

Coriolano, ou isso de se fazer amar pelo povo.


“I talk of you:

Why did you wish me milder? would you have me
False to my nature? Rather say I play
The man I am.” 


William Shakespeare, Coriolanus


Esta semana está disponível no canal Hollywood uma versão cinematográfica que eu desconhecia da tragédia Coriolano.

 É preciso andar distraída de todo para deixar escapar durante quatro anos um filme que combina Ralph Fiennes, Shakespeare e romanos, além de Vanessa Redgrave no papel da nobre matrona Volumnia (historicamente, Veturia) Gerald Butler e Jessica Chastain. Mas mais vale tarde que nunca e a quem não viu, recomendo uma olhadela a esta produção que deixa imaginar como um drama político na aurora da República de Roma se desenrolaria hoje, com os média e as redes sociais a inflamar o povo em crise. Pessoalmente prefiro versões com cenários e figurinos historicamente correctos - a moda dos anacronismos não me seduz muito, confesso - mas vale a pena assim mesmo.


 Shakespeare deu ao lendário general romano uma luz mais simpática do que as narrativas sobre a sua vida fazem crer (foi acusado de corrupção, de defender ideias autoritárias e por fim, de traição). Na peça - embora o papel viesse a ser interpretado séculos fora com um certo toque totalitário - Caius Marcius Coriolanus é essencialmente um homem de armas, um nobre guerreiro que toda a vida só soube ser soldado, e que se vê dividido entre o poder (consequência natural para um general que alcançasse grande glória) e a sua total ausência de jeito para a política. Ou para a politiquice. 


Já tem o apoio dos patrícios, mas precisa do aval do povo para se tornar Cônsul; e o problema é que tem zero vontade de falar ao povo. Acha que as suas feridas de guerra ao serviço de Roma deviam falar por si e detesta lérias e retóricas, que o fazem sentir-se uma espécie de mendigo a pedinchar votos. 

A plebe não gosta disso, como é óbvio; perante a sua atitude desabrida e sobranceira, começa a achar que o general a quer privar de liberdades e não prepara nada de bom.

 O Coriolano de Shakespeare não é mais snob do que outros coleguinhas seus no Senado. Mas é um homem pão, pão, queijo-queijo. Simplesmente  nobre demais para se rebaixar a palavrinhas doces, contar mentiras ou criar uma persona popularucha. As suas intenções não são más, embora não morra de amores pelo populacho, que é volúvel e "não lava a cara nem as mãos". A diferença é que não o esconde nem gosta de enganar ninguém. 


 E é claro que os tribunos, seus opositores, aproveitam esta fraqueza sua para irritar o povo, de quem se fazem muito amiguinhos, contra ele, de modo a
 bani-lo, o que desencadeia a tragédia (na peça; historicamente o fim do general é mais ambíguo).

 Se Maquiavel tem razão e para manter o poder é necessário ser amado ou se não amado, temido; se Mazzarin está certo e para estar no topo há que seguir a máxima de simular e dissimular, Coriolano estava condenado à partida, pois era demasiado brusco - e honesto - para se fazer amar, para dissimular ou para conquistar aliados que o fizessem ser temido.

Com eleições à porta, a história de Coriolano dá que pensar: nada mudou assim tanto. Os eleitores adoram que lhes digam o que querem ouvir. E se em democracia não convém ser temido no verdadeiro sentido do termo, uma aura de respeito e voz de comando - no caso, alguém capaz de se fazer ouvir em Bruxelas e elevar a moral das tropas - é sempre útil. 

E com alguma pena minha, a ideia de se fazer amar pelo povo sem demagogia, ou de o inspirar com verdadeiro respeito, passou um pouco de moda... 

O complexo dos homens "Athos" e dos homens "D´Artagnan"


A personagem Milady, de Os Três Mosqueteiros, sempre me fascinou. Era bela, misteriosa, cosmopolita e uma espia com um estilo impecável. Aprendia directamente com o Cardeal Richelieu, um mestre nas artes do possível. Fazia a cabeça em água aos Mosqueteiros e tinha uma relação de amor-ódio com dois deles. Na versão anime, usava uma máscara preta quando era preciso e tinha um macaquinho, o Pepe. 


Como sempre gostei de personagens ambíguas - e de saias com anquinhas - na primária não descansei até me mascarar de Milady. As anquinhas 
espatifaram-se logo porque tive a pouca sorte de levar o vestido a uma festa de angariação de fundos e ser empurrada por uma multidão que queria ver de perto um actor qualquer. Era cor de rosa (já que era para a desgraça, era para a desgraça) e bastante fechado no decote, ao contrário dos da Milady porque enfim, havia a noção do apropriado e em Fevereiro faz frio, mas fez as minhas alegrias e as primas ainda o usaram também, literalmente noutros carnavais.

Um dia hei-de repetir a façanha mais a rigor. Mas voltemos a Milady e ao tema do texto: ela não é um anjo. Mas tem uma péssima pontaria para os homens da sua vida.

                        

A perturbante anti-heroína começa por ser uma freirinha que foge de um convento. Como castigo, é marcada a ferros. Então encontra Athos, que é um grande senhor, mas cheio de ideias românticas: sem a conhecer bem nem nada, fascinado pela sua beleza, decide que quer casar com ela e casa mesmo. Igualmente encantada pelo porte dele e acreditando que apesar das suas desventuras, vai finalmente ser feliz, a jovem Anne - nome que usava então - aceita. Tudo corre às mil maravilhas e a noiva revela-se - palavras dele - "uma esposa perfeita". 

 Mas, azar dos Távoras, numa caçada cai do cavalo abaixo, desmaia e o marido, para lhe acudir, rasga-lhe o vestido e vê a infamante marca no ombro da mais -que-tudo (o que nos leva a pensar que além de a idealizar demasiado, andava a relacionar-se com ela às escuras, no mínimo).

E assim como não se deu ao trabalho de lhe perguntar nada antes de casar, pois meteu na ideia que ela não era um ser humano mas um querubim caído do céu, também não se maça a indagar o que vem a ser aquilo, nem que contra ordenação leve ou grave é que ela cometeu. Acha-se ultrajado por ter dado o seu nome a uma suposta vigarista, parte do princípio que casou com a pior criminosa à face da terra, fica doido de fúria e como tem o direito de exercer a justiça nos seus domínios, zás: enforca-a numa árvore no melhor estilo Barba-Azul. 


Depois, julgando-a morta, vai à sua vida e embora sofra, faz por não pensar mais no caso porque se acha cheio de razão. Athos é um homem do seu tempo, que peca pelo orgulho: possui sentido de honra, mas mal guiado. Acha que ama, quando o que faz é querer por força moldar a pessoa que deseja à imagem perfeita que tem dela e se ela não corresponde, há problemas. Não se enganem, no entanto: este tipo de comportamento masculino é comum ainda hoje.

 Claro que Anne sobrevive, mas se já não era certa, nunca mais fica boa da cabeça e passa a usar a sua inteligência e encanto para as façanhas imortalizadas no romance. 

 Anos depois, quando ela já é uma agente secreta de gabarito, volta a cruzar-se com o marido (a início, sem saberem da identidade um do outro) e com D´ Artagnan, que sendo o rapaz intempestivo que é, se deixa encantar por ela. Ora, D´Artagnan tem outro problema: também é um teimoso, mas de uma classe diferente. 


Fica inflamado pelos encantos de Milady, agarra uma paixoneta por ela - sem ver que não fazem, de todo, o estilo um do outro - e em vez de tentar ir com calma, não descansa até conseguir o que quer. Chega a "seduzi-la" (tenho dúvidas em usar a palavra aqui) contra a vontade dela duas vezes, ora com recurso ao engano, encoberto pela noite (tenho para mim que a luz eléctrica veio descomplicar muitos relacionamentos) ora usando a força.

 E como ele há imensos hoje em dia - embora felizmente tais extremos sejam raros: vêem uma mulher que lhes agrada e ainda que não tenham muito a ver com ela (nem procurem adaptar-se) não esperam para a conhecer melhor, nem querem dar-lhe tempo para eventualmente os ver numa luz mais positiva e mudar de ideias. Acham-se umas dádivas do céu e que ela tem de lhes corresponder no momento em que lhes dá jeito. 

Claro que isso não é importar-se com ninguém, a não ser com eles mesmos.  Não abona nada a seu favor. Nem revela bom coração ou boas intenções. Uma coisa é ser decidido, outra é não ter noção. Uma mulher que ceda a tais avanços a ver no que dá, ou porque está frágil e ele até é bonito e simpático, ou porque, enfim, ele não lhe desagrada e ela não é muito boa a desfazer ilusões e não quer magoá-lo, sujeita-se a que ele desapareça mal consiga o seu objectivo, porque quem promete mundos e fundos sem pensar, não tenciona de todo cumprir.

 Moral do conto: cuidado com os "Mosqueteiros" da vida real - ou com os que se acham Mosqueteiros, muito perfeitos, muito impetuosos, quando na verdade são uns brutamontes e /ou imaturos. A vida é demasiado curta para passar o tempo a descortinar maneiras de lhes dar o troco, como a Milady...








Thursday, September 10, 2015

Presunção e água benta...


Ontem chegou-me um texto publicado pela Cosmopolitan americana, que pelos vistos está a dar muito que falar. Comecei a ler porque enfim, é mais um artigo na onda do beauty shaming, mas daqueles "tenham pena de mim que sou tão linda, ai que a beleza só traz complicações". Quase sempre essas argumentações vêm tingidas de muita hipocrisia: embora seja verdade que a beleza nem sempre facilita, antes pelo contrário, está provado que dar nas vistas pela fealdade é mais aborrecido. Não faltam por aí mulheres que se portam pessimamente para compensar a falta de auto estima e de atenção do sexo oposto. A formosura é tida como obrigação feminina (e acho que esforçar-se para estar apresentável é mesmo um dever da mulher) e a sua completa ausência, diz um ditado cruel, é um pecado mortal. Mas depois, voltamos ao mesmo: a beleza tem muito que se lhe diga; embora possua aspectos/padrões universais e intemporais, também é relativa e depende muito dos gostos de quem olha...


De modo que abri o artigo, sem olhar bem para a autora que coitadinha, descrevia que com o seu longo cabelo claro, estilo feminino, busto volumoso q.b e silhueta tonificada não pode andar sossegada nas ruas de Nova Iorque sem ouvir piropos ou que olhem para ela como um bicho raro, e que por causa disso os seus outros dons (segundo ela, habilidades atléticas, inteligência e ambições académicas) não são tidos em conta. O rosário de queixas até dizia que a pobrezita ficava a pensar "será que a minha saia é demasiado curta?" (quando uma mulher pergunta isso a si própria, é porque se calhar é mesmo) e que, para atenuar esse efeito tão arrasador da sua ofuscante beleza, passou fases em que vestiu roupa largueirona e sem graça.



Fiquei então convencida de que quem assinou o texto devia ser uma Helena de Tróia. Ou maluquinha. Porque para dar assim nas vistas numa cidade com tanta gente como a Grande Maçã, onde todos os dias chegam beldades das mais distantes paragens em busca de uma oportunidade no mundo da moda ou do espectáculo, é preciso ter algo de muito invulgar.

 Sei lá, ser uma beldade exótica estilo Angelina Jolie, uma modelo vistosa do tipo Adriana Lima, uma bomba sexy do género Kate Upton, uma bonequinha com curvas  à la Brigitte Bardot, uma beleza dramática e romântica como Elizabeth Taylor ou uma daquelas belezas discretas, mas de traços tão correctos que é preciso olhar duas ou três vezes, como Keira Knightley.

 Depois, não há beleza que não se disfarce: as mais famosas manequins, no seu dia a dia, são raparigas bonitinhas, delgadas, mas não espampanantes como se apresentam num desfile da
Victoria´s Secret.

Marilyn Monroe tinha das caras mais lindas e das silhuetas mais impecáveis que este mundo já viu (e era bonita mesmo sem maquilhagem) mas  vestida e pintada com simplicidade, não creio que fosse incomodada na rua a não ser pela fama.


 Voltemos à menina Felicia, a autora. Vai-se a ver e bom, feia a rapariga não será, se calhar até há quem a ache muito bonita mas duvido que alguém a  considere algo tão espectacular que assombre. Tem um corpo normal, que nem sequer é particularmente esculpido, e um rosto normal.

Regra de beleza nº1: esconder as etiquetas do bikini, menina!

Claro que os olhos femininos e masculinos vêem coisas diferentes - para eles, às vezes o sex appeal, o je-ne -sais-quoi pode contar mais que a beleza plástica. Mas segundo os rapazes que conheço até costumo ser muito generosa com as outras mulheres (talvez por ossos do ofício que me fazem procurar o que há de bonito em toda a gente) e as minhas amigas sempre disseram que sou boa a levantar a auto estima alheia, por isso vou fiar-me no meu julgamento: não acho Felicia nada de outro mundo.

E se há coisa que me enerva é ver "belezas" inflaccionadas, onde às vezes elas nem sequer existem.


 Quando se louva insistentemente, exageradamente, uma beleza que obviamente não está lá, há sempre marosca: ou os media querem impingir uma celebridade, ou alguém quer irritar alguém com isso, ou a família e os amigos da pessoa querem promovê-la junto de um cavalheiro em quem ela está interessada mas que não lhe liga nenhuma, ou a rapariga é tonta e os conquistadores baratos querem insuflar-lhe a vaidade para conseguir conquista fácil. Vemos isso nas redes sociais todos os dias: a rapariga mais desengraçada muda a imagem de perfil, por vezes com um aspecto ridículo, e logo as amigas escrevem "liiinda". 

Mas que seja a própria a escrever isso, a dizer isso, já sai um pouco da norma. Não sei se isto é desespero por atenção, pescar elogios ou ambos, mas é sinal de fraca inteligência - e modéstia zero-  com certeza. Há quem sofra de anorexia invertida (fatorexia) - pessoas que se vêem magras por mais que engordem. Talvez Felicia sofra de algum distúrbio primo deste, alguma coisa confusa lá na sua cabeça. Porque só quem não está bem se sujeita a comentários "consoladores" do tipo que recebeu, vulgo "não fiques triste, não és assim tão linda" ou "é mesmo difícil ser bonita- até hoje ainda não conseguiste". Cada pessoa mais "original" que aparece...




Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...