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Wednesday, September 16, 2015

As coisas que eu ouço: até para ser um traidor barato é preciso habilidade



Sabem a fórmula Bíblica "quem é fiel nas pequenas coisas, também é fiel nas grandes?". Há por aí rapazinhos (e rapariguinhas, calculo) que deviam tatuá-la no braço, bem visível, já que as tatuagens estão tão na moda.

Era mais original que os Carpe Diem, os ditos em chinês (que para eles são chinês) e os anjinhos nas costas ou golfinhos nos rins e ao menos servia para alguma coisa. Por norma não tenho o hábito de armar em justiceira, mas ver o mal passar e não fazer nada, em modo "não julgueis; o que importa é ser feliz" ou "vive e deixa viver" é meio pecado. Dos feios.

Depois, eu que já tenho insistido tanto por aqui, nos textos de relacionamento, que a infidelidade leve é tão grave como as outras, havia de ser bonito deixar passar esta em branco. 

É uma daquelas situações que acontecem hoje em dia a qualquer mulher com acesso à internet desde que ela não seja um estafermo de meter medo, e que cada uma devia chamar a si a missão de atalhar com uma resposta bem torta! Por uma questão de respeito próprio e solidariedade feminina.

Estava muito sossegada a trabalhar numas papeladas, com as redes sociais em modo on como costumo ter por causa dos feeds de notícias e de algumas mensagens a que era preciso responder, quando recebo uma missiva toda elogiosa, de um caramelo que não me pareceu que conhecesse.




Fui ao perfil da pessoa - com quem de resto, tinha amigos em comum - e constatei que não, nunca tinha visto aquela cara banalíssima. 

Nem responderia - porque a experiência ensina que há parvoíces que é melhor deixar sem réplica - não fosse um detalhezinho: o rapazola aparecia em grande destaque, em mais do que um retrato, abraçado a uma pobre mulher que não deve saber o estojo americano que tem ao lado.

Fiquei verde, por várias razões:

Primeiro, pelo óbvio. O que é que dá a um palerma desses o direito de dirigir galanteios a uma pessoa que não tem nada a ver com ele, eventualmente comprometida e que não conhece de parte nenhuma? É muita audácia, mas hoje em dia já nada soa estranho.


Segundo, por uma questão de empatia e decência, que algumas mulheres ainda são capazes de sentir. Uma pessoa vê estas coisas e pensa "que horror- e se eu estivesse no lugar dela? Descansadinha a confiar nele, e sua excelência a cortejar outras". 

 Terceiro e mais importante: pela imbecilidade.

É que já que *tentam* conquistar mulheres às escondidas da legítima, ao menos esforcem-se por ser vigaristas capazes! Fazê-lo assim é triplo insulto. É acharem-se muito lindos (NOT!), é chamar burra à namorada e supor que as outras são almas sem gosto nem ética que não se importam de dar conversa a um sujeito comprometido (fiados, se calhar, na vaidade e sentido de competição de certas mulherzinhas). Por fim, nem para eles são bons, ainda que alguma desesperada lhes achasse graça: "olá, sou o Manel e gosto de trair as minhas namoradas via redes sociais". Belo cartão de visita.

Ser um traidor barato é mau, mas ser traidor E estúpido como um melão é muita desgraça junta...


De modo que me subiu assim uma onda por mim acima e por mim abaixo e decidi fazer troça dele sem ser muito malcriada nem dizer claramente "ganhe vergonha". Tirei uns segundos aos meus afazeres e, como ele tivesse escrito "muito gira", respondi "obrigada, a sua mulher também".

E ele, atrapalhado, que não era casado. Retorqui: perdão, namorada
E o traste :"não tenho a certeza se ela já é minha namorada". 

Resposta pronta: "andar atrás de outras nos social media não é a melhor forma de descobrir, pois não?".

E rematando em duas palavras que não tenho, nem quero, liberdade para ouvir elogios desses, desejei-lhe um bom dia.

E não é que ele disse "tem toda a razão" ?

Não sei se serviu de alguma coisa, mas soube-me às mil maravilhas. Agora imaginemos os sarilhos e desgostos que se poupavam por este mundo fora se cada mulher que recebe palavras destas de um imbecil destes o pusesse no seu lugar. Fica a dica.








Tuesday, September 15, 2015

Frase do dia: a justiça não é só poética, é lógica


Bonnie e Clyde

"Os gatunos têm um lado de semelhança com os toureiros: por mais hábeis, por mais cautos e peritos que sejam, lá vem um dia em que são colhidos".
                   Ferraz de Macedo, criminologista do sec. XIX (via Expresso)

E quem diz gatunos diz intriguistas, bajuladores, trapaceiros, alpinistas sociais, vira casacas, desordeiros, vigaristas e toda a espécie de criatura má, falsa e desonesta.

Enfim, gente que é "artista" ou tem a mania que sim.

 Sempre me fez confusão ouvir dizer que os maus não são castigados, que só quem faz batota chega a algum lado, etc, em modo Camões; "os bons vi sempre passar/no mundo graves tormentos/e os maus vi sempre nadar/em mar de contentamentos".

 Embora pessoalmente creia que a justiça, tal como a felicidade, nem sempre fica completa nesta Terra (e que no outro mundo é que realmente se conversa) também acredito que o Céu tem um sentido de humor muito curioso ou que, como diz o povo "o diabo é de boas contas e cobra sempre a factura a tempo".  Já vi acontecer imensas vezes, e basta olhar para grandes vilões da História para comprovar que é verdade isso de "a justiça tarda mas não falha".

Era uma vez o menino Hitler que queria conquistar o mundo...

 Mas nem é necessário acreditar em nada de divino para atestar uma regra tão perfeita: é suficiente ter pensamento lógico e conhecer os rudimentos das leis da natureza. Lá dizia Confúcio: se queres conhecer o futuro, estuda o passado. A terceira Lei de Newton (acção reacção) reza que quando se aplica força sobre qualquer coisa, essa coisa reage com igual força.

Ora, alguém que se expõe constantemente a comportamentos de risco, quaisquer que eles sejam (velocidades, esquemas, andar em ruas perigosas, fazer zangar gente poderosa ou mafiosa) tem, por uma questão de probabilidades, maior possibilidade de que um dia algo corra mal. Voltemos ao espiritual: quem ama o perigo, nele perecerá (Eclo. 3, 27) . 

Há sempre uma ocasião em que se encontra um oponente mais esperto, uma vítima menos ingénua, um touro mais raivoso, uma estrada mais escorregadia, um clima desfavorável, enfim, uma combinação de factores pouco propícia à brincadeira. 

Ou simplesmente, em que a sorte se acaba e é a morte do artista...

A melhores saias lápis da estação


Karen Millen

Como no fim de semana se falou aqui na suprema utilidade de ter pelo menos uma saia lápis preta e houve quem perguntasse onde encontrar uma, aqui vai uma pequena selecção. Este Outono não faltam versões, nomeadamente em couro (ver Karen Millen) jersey de malha (SPORTMAX, Bershka e H&M, por exemplo) mas optei por dar destaque aos modelos em tecidos mais consistentes, que favorecem a maior parte das silhuetas.

Uma ressalva, porém: mesmo as melhores saias lápis (ou saias tubo, como algumas marcas preferem chamar-lhes; por norma a saia tubo não terá fecho e é feita de material mais elástico, mas por vezes usa-se o termo indistintamente para ambas ) podem precisar de algum ajuste na cintura ou de subir as bainhas. Para quem não é muito alta, o melhor comprimento é logo abaixo do joelho e não pelo meio dos gémeos. Por isso, se encontrar um modelo que lhe agrade, considere mandá-lo à costureira.

Vejamos então opções para diferentes orçamentos:

BÁSICAS


Dolce & Gabbana


De algodão, Mango
Mango
De cintura subida, com zippers e grande abertura lateral, Zara


De cintura subida e riscas de giz, H&M

                                                               
De cintura subida, Zara

                                                       
Com um toque New Look, Antonio Berardi

ESTAMPADAS E FESTIVAS


Dolce & Gabbana



Givenchy



Zara


Diogo Miranda (em saldo)
Com padrão oriental, Zara




Happy shopping!





Monday, September 14, 2015

Annette Kellerman, a "sereia" endiabrada


Este post ainda vinha a tempo de ser um texto de Verão - sabem aquela ideia "em Setembro ainda dá para ir à praia"? - se ao Outono não lhe desse para se instalar à pressa. Nunca apreciei muito praia nesta época do ano, porque Setembro já tem um ar desgraçadinho de melancolia Outonal e de regresso às aulas (ideia que continua a deprimir-me por mais anos que passem) mas por vezes apanham-se dias realmente quentes. 

Paciência: a menina de quem vamos falar não teria problemas em nadar em águas menos amenas. 

Até foi a primeira mulher que tentou atravessar o Canal da Mancha a nado  (desistiu à terceira tentativa pois segundo ela, faltava-lhe a força bruta para tanto).



Também realizava perigosas cenas aquáticas no cinema, como mergulhos de  28 metros no mar, ou de 18 metros numa piscina de crocodilos. A sua figura agradável e grande criatividade permitiram-lhe fazer sucesso em vários filmes sobre sereias, e a própria Anette criava fantasias com cauda de peixe que lhe possibilitavam nadar a sério.

 Mas o que tornou a nadadora australiana nascida em 1886 realmente famosa, foi o seu "escandaloso" fato de banho de uma só peça. Como boa atleta, ela não se limitava a "ir a banhos" da mesma forma que as senhoras da época (agarradas a uma corda e com ajuda do banheiro), logo os pesados "fatos de malha" com saiotes e calções farfalhudos atrapalhavam-na.



Decidiu então criar um modelo semelhante àqueles que os homens usavam nessa altura: um maillot justo ao corpo, até ao joelho. E assim ataviada, foi para a praia. Causou um enorme sururu, e apesar de na época (1907) estar no auge da sua popularidade, foi presa por atentado ao pudor. 

Mas Anette não se deu por achada e vingou-se, lançando uma linha dos seus reveladores fatos de banho que vendeu como pãezinhos quentes e deu o mote para o swimwear ou beachwear tal como o conhecemos...



 Porém, não ficaria por aí no que tocava a chocar o público: já que não tinha conseguido ser a primeira mulher a cruzar Canal da Mancha (proeza realizada pela americana Gertrude Ederle em 1911) tornou-se a primeira actriz célebre a aparecer em nu integral numa grande produção cinematográfica, A Daughter of the Gods (1916). Não podemos avaliar o grau da escandaleira porque o filme se perdeu, mas imagine-se...

Pelo caminho, além de teatro e cinema, escreveu vários livros, incluindo um de conselhos de beleza. Viveu até à velhice, sempre acompanhada pelo marido (com quem casara em 1912) e continuou a nadar até ao fim. Quando deixou este mundo, as suas cinzas foram espalhadas na Grande Barreira de Coral- a última morada perfeita para quem toda a vida foi sereia...



A mulher "tradicional" não é um tapete: tem coração de Leão.


Há dias chegou-me o vídeo abaixo, sobre como NADA mudou realmente entre os sexos quando se trata do jogo da conquista. Já tinha visto outros vídeos da Dra. Laura Schlessinger (conselheira super popular em talk shows e programas de rádio americanos) e acho-a uma senhora muito sensata. 

Neste caso, ela recorda como as atitudes femininas devem convidar ao respeito (pela velha regra "se quer que ajam como cavalheiros consigo, porte-se como uma senhora") e que não se deve roubar ao sexo masculino a alegria da conquista, que lhe está nos genes. Depois partilha uma história curiosa que se passou com ela aos 17 anos, quando começou a namorar: o pai deu-lhe moedas para telefonar e disse -lhe que lhe ligasse imediatamente caso o jovem com quem ia a sair não lhe abrisse a porta para ela passar e não a tratasse com a devida delicadeza. 

Tudo ideias amplamente tratadas por aqui, mas um pouco esbatidas na sociedade em geral. A ideia de igualdade de comportamento, de "tu cá tu lá" veio fazer com que muitos homens procedam de forma demasiado passiva e feminina e que em consequência, outras tantas mulheres dêem pouco valor a si mesmas.



Ora, uma questão que às vezes me colocam a propósito de textos como este (e que vejo por aí em outras páginas onde se expressam ideias semelhantes) é se ao defender a feminilidade, uma certa atitude senhoril mais de acordo com a tradição, não se estará "a andar para trás". 

Se a mulher que age discreta e subtilmente, sendo compreensiva, serena, imperturbável mas vulnerável quando é preciso, empregando a astúcia feminina quando necessário para contornar os obstáculos, vestindo com elegância e cooperando e jogando amigavelmente com o sexo oposto em vez de expor de forma pouco lisonjeira as suas intenções ou esbracejar pelos seus direitos, não será um "tapete".

Nada mais longe da verdade. A mulher tradicional é extremamente corajosa - se não fosse, dificilmente aguentaria agir de forma contrária à norma. Ser uma boa mulher, das que traçam a linha entre mulheres e rapariguinhas, tem muito que se lhe diga.


Andar no mundo sem ir cegamente atrás dele é um desafio, mas a mulher feminina está certa do que quer, não aceita menos do que isso e sabe que, por muito que as outras gritem que isto é tudo uma selva, competir é ridículo e pouco dignificante.

 Uma mulher à moda antiga não tem concorrência. Não porque se ache o máximo, mas porque sabe que é única e que, no sucesso e no amor, a lei de "a  César o que é de César" cumpre-se mais tarde ou mais cedo. 

Profissionalmente, faz por trabalhar com organizações que realmente procurem alguém como ela; e romanticamente, por não se relacionar com quem se deixa disputar por A, B e C , pois pessoas assim não merecem ser cobiçadas. Uma mulher destas só permite perto de si um homem que tenha ideias tão claras como as suas. Que deseje estar com ela sem situações dúbias. 

 Como conhece o seu valor, está sempre tranquila. E embora seja capaz de perdoar uma e outra vez, sabe quando é hora de partir com o orgulho intacto, não cedendo a provocações pueris por mais ferida ou apaixonada que se sinta. Afastar-se de uma situação tóxica requer uma coragem varonil, mas a escolha não é difícil - embora possa ser dolorosa - quando se coloca a dignidade acima de tudo.


Fala uma vez, diz o que tem a dizer e deixa as coisas seguirem o seu curso, sem se entregar à ilusão ou ao wishful thinking

Não se enganem, uma mulher assim pode não ter papas na língua. Ser feminina, calar quando isso é benéfico e deixar aos homens uma certa postura simbólica de comando não é ser pateta.  Santa Catarina de Siena, amiga e conselheira do Papa Gregório XI, não hesitou em dizer-lhe "seja homem e não tenha medo!". Mas as palavras são como a espada de um samurai, há que empregá-las certeiramente e não fazer justiça à fama de tagarelice fútil  e pouco objectiva atribuída ao mulherio.

 Não se desvia da estratégia que escolheu, não se enerva com informação que não pode utilizar a seu favor, por isso passa longe de mexericos ou dos "arautos da desgraça"- uma mulher à moda antiga foge de espiar as redes sociais em busca de boas ou más novas, por exemplo. É cega, surda e muda a esses disparates, porque uma senhora só vê e ouve aquilo que quer. Sabe que a confiança é demasiado preciosa para ser beliscada com inutilidades.


Na vida, porta-se como ao calçar saltos altos - pode doer, mas ninguém nota. Não perde a cabeça em público. Não pesca elogios nem palmadinhas nas costas. Nunca diz de si mesma "ai estou tão gorda" desejando que lhe digam "não estás nada". Faz o seu treino e escolhe o seu guarda roupa caladinha. Ser forte também passa por não revelar fraqueza.

Em vez de se queixar porque o mundo não está organizado como ela gostaria que estivesse - porque nunca se sabe, isso podia torná-lo pior do que já anda - encara a sociedade como ela é. Aprendeu a viver nela e a contornar os obstáculos com leveza e sagacidade. Não choraminga sobre os dois pesos e duas medidas em relação ao comportamento feminino e masculino. Sabe que não há nenhuma glória em copiar atitudes que até aos homens caem mal, pois o apelo de uma mulher é grandemente favorecido pela sua raridade, pelo seu mistério. Lá porque os homens se atiram a um poço, ela não vai bater-se pelo direito fazer o mesmo sem ser julgada. 

E por fim, não toma nada por garantido, pensa mais nos seus deveres do que nos seus direitos, não sofre do grande mal que é o sense of entitlement. Honra os seus compromissos e perante o verdadeiro amor, espera o melhor mas está armada e preparada para ser a companheira valorosa caso o pior bata à porta. Com todo o heroísmo e capacidade de sacrifício, mas mãos carinhosas e o sorriso pronto, porque a verdadeira força é suave.


Esta não é uma missão fácil; exige coração de leão. Mas as nossas avós conseguiram-no brilhantemente. As que levaram casamentos difíceis a bom porto, as que mantiveram o estilo e a dignidade mesmo quando fortunas ruíam, as que criaram ranchadas de filhos em tempo de guerra, as que aparentaram sempre graciosidade e força discreta quando tudo era muito mais difícil do que agora, sem se queixarem apesar de haver bastantes mais razões de queixa.

Quando dizem que a mulher tradicional é um tapete, tenho vontade de responder "Tapete é a sua avó!" mas isso seria contar uma mentira.





Sunday, September 13, 2015

8 dicas que salvam a aparência e os nervos

Acho que todas gostamos de ver ideias de styling fora do vulgar e inspiradoras, que fazem pensar "como é que nunca me lembrei disto?". Mas a verdade é que nem sempre há tempo ou oportunidade de testá-las e há coisas que é melhor não tentar à pressa. Depois, como disse Alexander Wang, não é nos looks super pensados que se põe à prova o estilo de cada uma: é na arte de montar um visual apresentável (e que se mantenha polido o dia todo) em dois tempos. Aqui fica uma mão cheia de ideias para o efeito:


1- Quando na dúvida, vá de preto

A não ser que se tenha de marcar presença num casamento - ou que esteja um calor tal que torne andar de negro uma missão penosa (then again, os beduínos usam e andam felizes) preto é sempre apropriado. Emagrece, dá a ilusão de a roupa ser mais sofisticada do que na realidade é (de preferência, se o limitar a tecidos naturais com boa caída) e parece inevitavelmente chic.


2- Saiba os seus truques de cor

Se tiver sempre em mente o que vai bem ao seu tipo de corpo e as dicas para alongar a figura, dificilmente errará nos dias "não" ou de pressa.



3- Traga uns toalhetes de limpeza consigo
De remediar nódoas discretamente (os meus já tiraram de apuros várias pessoas agredidas por um copo de vinho que se virou ou um croquete saltitante) a limpar num ápice maquilhagem esborratada, passando por dar uma polidela aos sapatos que se empoeiraram, servem para salvar tantas situações que é imperdoável andar sem eles. Para trazer numa clutch, há pacotinhos pequenos (na secção dos desmaquilhantes). 


4- Tenha à mão os seus flats de confiança
Gucci

Todas temos em casa, ou devíamos, pelo menos um par de sapatos rasos, numa cor neutra, que não magoa (não é tão fácil de encontrar como parece) e que, apesar de baixo, fica elegante com quase tudo. Bailarinas pontiagudas e maleáveis são o ideal. É sempre boa ideia tê-los no carro ou no gabinete, porque nunca se sabe quando um sapato se estraga, fere ou se dá um mau jeito a um tornozelo. (E se vai a algum acontecimento social com uns stilettos particularmente ameaçadores, pode ser prudente deixar um par extra na bagageira ou no bengaleiro). Better safe than sorry.


5- Se o cabelo está impossível, entre em modo D. Aurora

Os rabos-de-cavalo têm muito que se lhe diga (há alguns muito elegantes e outros que parecem saídos de um bairro duvidoso) as tranças exigem jeito, mas um carrapito é acessível a qualquer uma e dá para fazer desde que o cabelo chegue aos ombros, mais coisa menos coisa. Tenha sempre à mão um clip "de aranha", um doughnut ou um elástico redondo e fofo, vire a cabeça ao contrário, dê umas voltas às madeixas e já está. Dá um certo chic francês e se usar um sérum antes de o apanhar e um pouco de laca nas raízes, quando o soltar terá volume e caracóis estilo Victoria´s Secret. Muito útil para quando não há tempo de secar o cabelo na perfeição, para dias quentes ou para quando se tem um evento ao final da tarde e pouca vontade de lá chegar feita espanador.


6- Básicos, para que vos quero

Os tops simples, camisas clássicas e as calças estreitas de confiança em cores sólidas devem estar sempre a jeito. É por isso que o estilo das modelos-de-folga é tão infalível: basta juntar uns botins engraçados ou uns scarpin elegantes, um casaco fora do vulgar ou gabardina clássica, uma carteira boa e uns óculos de sol sofríveis and you´re good to go.


7- Don´t try too hard to be sexy

Um vestido clássico cingido ao corpo q.b e/ou um decote bonito, uma blusa preta off the shoulder + calças cigarrette, skinny jeans escuros + t-shirt (para o dia ou ambientes informais) acompanhados de saltos razoáveis são receitas simples para quando uma mulher precisa de dar aquele "efeito extra" sem parecer que se esforçou demasiado. Mais ideias de emergência aqui.


8- A nossa amiga saia lápis
Se ainda não tem uma saia lápis preta, simples, num tecido consistente que permita atravessar as estações, de cintura subida q.b (para colocar blusas e camisas por dentro) que caia logo abaixo do joelho e que seja justa o suficiente para favorecer a silhueta mas maleável que chegue para caminhar à vontade... faça um favor a si mesma e encontre-a. 
Claro que é útil ter este modelo em várias cores e materiais (uma festiva, uma de couro e uma denim, por exemplo) mas a preta clássica favorece quase toda a gente e seria preciso um computador para calcular todas as combinações que possibilita. Pode usá-a com uma t-shirt curta, espampada + scarpins com um pequeno salto para almoçar com as amigas, com uma camisa de seda +pumps clássicos para uma reunião, com um top luxuoso e stilettos para um evento à noite, etc, etc, etc.


E crescer, não? (4 tipologias do complexo Peter Pan)


Já comentei convosco que o complexo Peter Pan é daquelas coisas que me tira um bocadinho do sério, mesmo quando só assisto a ele de longe e não me atinge directamente. Nada contra o Peter Pan: quando era pequena gostava bastante da história porque também eu tinha a mania de inventar mundos imaginários estilo Nárnia (mas mais giros) Eternia ou Terra do Nunca, com fadas, sereias, elfos, tesouros, castelos encantados, génios e grandes aventuras, para onde me retirava quando me custava a adormecer. Era divertidíssimo e um santo remédio contra a insónia. Mas isso de nunca crescer não me seduzia, antes pelo contrário. Sempre me pareceu que a aventura seria maior ainda quando chegasse a adulta (e de facto é). 

Depois, a verdade é que por muita imaginação que se tenha, muito bom ar que se mantenha, muito bons genes ao estilo Dorian Gray e muito espírito jovem que se conserve, aqui não é a Terra do Nunca. Achar o contrário é - além de irresponsável e de prejudicar os outros - uma receita para figuras patéticas. Vejamos então as 4 tipologias mais facilmente detectáveis, ou comuns,  do complexo Peter Pan.

1- O Peter Pan em pânico



Este é um clássico: vai do herdeiro que em vez de assumir as empresas do pai prefere gastar o tempo em farras e más companhias, ao bom rapaz que até tinha planos muito sérios, mas quando chega a uma certa idade e essas ideias ameaçam tomar forma, vê (estou farta de pensar mas não encontro outra metáfora) as calças perto do corpo... e isso provoca-lhe verdadeiros fanicos.

Em vez de se orgulhar por ser finalmente um homem que comanda o seu destino, dá-lhe assim uma fobia da responsabilidade.

 Embora as estratégias sensatas (tornar-se independente, gerir algum legado, assentar, etc) até partissem dele, de repente age como se alguém o estivesse a obrigar. Com uma arma apontada. Então volta atrás, em vez de evoluir: adia o mais que pode todos os bons projectos que tinha feito, berra para quem o quer ouvir "ainda sou muito novo, ainda tenho muito tempo, não quero pensar nisso para jáagarra-se furiosamente aos vintes, mesmo que já não os tenha, como se pudesse parar a marcha do tempo e desata a agir com toda a imaturidade que consegue chamar a si. Como os amigos de sempre estão a tomar juízo (e as rédeas do seu futuro) e isso lhe causa náuseas (e em boa verdade, as pessoas sensatas na sua vida não estão para aturar figuras de urso) começa a andar para cima e para baixo com miudagem (com quem, claro está, não aprende grande coisa) e a retomar hábitos, conversas e passatempos que parecem perfeitamente ridículos num homem feito. Vê-se ao espelho e acha-se bué da fixe e bué da jovem...só que não. 


2- A eterna Wendy



dois tipos de Eterna Wendy: a crónica e a aguda, que se manifesta de surpresa. A Wendy crónica é a criatura desmiolada que já passou a idade de sair constantemente, de publicar selfies com as amigas na casinha da discoteca (com vista para as retretes e os azulejos) e de postar nas redes sociais coisas cómicas e lamentáveis sobre invejas, namoricos e intrigas. Devia ter-se fartado disso entre os 16 e os 25 anos, ter queimado todos esses cartuchos, aprender com os erros e divertir-se agora com outras coisas, mas não. Algumas Wendies até tiveram um filho pelo caminho com um dos seus companheiros de farra (com quem entretanto se zangaram porque ele as trocou por outra Wendy) mas nem isso as faz abrandar: afinal, as avós inventaram-se para despachar as crianças enquando se aproveita a night ao máximo. O tempo passa, algumas até já não têm um ar muito fresco, mas têm a mania que são fadas Sininhos e tratam de vestir como a Sininho, em versão mais provocante e mais barata. 

 Depois há as Wendy agudas: mulheres perfeitamente normais que casaram cedo, criaram filhos, eram do mais sossegado e aburguesado que podia haver, mas face a um divórcio são atingidas por uma dose perigosa de pó de fada e zás: entendem que para se vingar do ex têm de parecer super teenagers e "resolvidas". Ou que assentaram cedo demais, não aproveitaram a vida e agora têm de compensar desesperadamente o tempo perdido, e vai de ser Wendy! Começam então a sair em grupinhos para lugares -às vezes duvidosos- em busca de namoro, vestem a roupa das filhas, quanto mais curta e revelora melhor (mesmo que já não vão realmente para novas e/ou não estejam em grande forma) vão ao salão fazer madeixas coloridas e tatuagens a dizer carpe diem (disse salão de propósito, hein?) a ter affairs em série, a fazer de cougars em série, a chorar por causa disso como miúdas do liceu e a envergonhar os filhos adolescentes, que entram em modo "ó mãe, eu não a conheço".

3- O Capitão Gancho casmurro



Digo Capitão Gancho, mas há versões femininas. São aquelas pessoas que, não importa quantas bofetadas de realidade a vida lhes dê, continuam a acreditar que todos os sonhos se realizam, por mais disparatados que sejam. Apesar de ser um dos poucos aparentemente adultos na Terra do Nunca, o Capitão Gancho vivia preso ao seu trauma do crocodilo e ao seu desejo de vingança contra o Peter Pan. 

Qualquer pessoa crescida com dois dedos de testa pensaria "eu pus-me a jeito e o crocodilo fez o que os crocodilos fazem, deixa lá isso que o gancho até me dá um certo panache". Punha-se superior a essas coisas e não se rebaixaria para dar o troco a um rapazola infantil que não sabe o que é bom para ele (e que ainda por cima voa, o que torna uma perda de tempo tentar apanhá-lo). Como bom pirata, gastaria a sua energia noutras coisas mais produtivas, como acumular tesouros e abordar galeões. 

Qual quê: os ares da Terra do Nunca também o afectam e o Capitão acaba por ser tão pueril como o resto da pandilha.

 Na vida real, os Capitães Gancho vivem presos aos sonhos de juventude e não entendem que, por muito mérito que haja na persistência, há uma linha que separa determinação de estupidez. Um bom exemplo são as pessoas que insistem que querem ser artistas e nada mais que artistas, ainda que lhes falte o talento, a formação, uma estratégia razoável para lá chegar ou os meios, e que se recusam a arranjar outra ocupação onde aplicar os seus dotes, que lhes dê dignidade e independência. Os anos passam, os maus investimentos somam, mas continuam a exactamente na mesma, ainda que isso os prejudique a eles e à família. Eu também queria ser Super Guerreira do Poder como a She-ra, hoje acho que não era vida que me assentasse. Os sonhos evoluem!


4 -Os Meninos Perdidos



Os Meninos Perdidos são semelhantes ao Peter Pan em Pânico, mas ao contrário deste, nunca ninguém esperou deles grandes feitos nem responsabilidades, ou eles próprios nunca tiveram intenções de vir a crescer. 

Enquanto o Peter Pan em Pânico ao menos planeava isso, por o saber inevitável, os Meninos Perdidos sempre foram uns rebeldes, uns malucos, cujo único objectivo de vida é estar com os amigalhaços, andar em grandes velocidades, beber copos e conquistar raparigas de pouco juízo.
 Vestem como adolescentes (em certos círculos, fazem o tipo que usa cabelo espetado e correntes ao pescoço até aos 40 e tal anos e mais além) mesmo que os efeitos da cerveja se notem na sua barriga, contam piadas parvas, têm o intelecto de um bêbedo (talvez porque andem assim boa parte do tempo) não estabilizam profissionalmente nem querem, saem tardíssimo de casa dos pais e são péssimas influências - principalmente se se cruzarem com um Peter Pan em Pânico pestes a ter uma crise das suas.

Alguém tire o pó de fada a esta gente, porque o mal é contagioso.

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